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NOÇÃO DO PERIGO - CAPÍTULO 22 (Últimos capítulos)

 




CAPÍTULO 22

Escrito por: Selma Dumont


Cena 1. AP dos Vieira Paes. Quarto de Luana. Dia.


Luana com o celular em mãos, atônita após ter visto a foto de Talita.


Luana: Então quer dizer que essa vagaba virou modelo…? (revoltada) É injusto essa vadia prosperar assim. Não pode, não é o certo! Tudo que a Alice fez não pode ter sido em vão… (misteriosa) Mas calma, minha irmã… Eu vou acabar com a sua rival… Tá vindo tudo na minha mente… Já sei exatamente como eu vou agir!


Heloísa entra no quarto. Luana salta da cama.


Luana: Mãe, você não vai acreditar!


Heloísa: O quê? Fala!


Luana: Eu encontrei! Eu encontrei ela!


Heloísa: Ela quem?


Luana: A Talita! Eu descobri o paradeiro da infeliz. 


Heloísa: Descobriu como? E onde é que ela está? 


Luana: Eu tava mexendo na internet, daí eu entrei na página de uma loja de moda praia… Até que eu entro no perfil da loja e quem eu encontro? Acredita que essa ordinária está morando numa cidade próxima do Rio de Janeiro e virou modelo de biquíni?


Heloísa: Mas não é possível uma coisa dessas… 


Luana: É, é bem possível!


Heloísa: Ela perdeu a noção do perigo total… Achou o quê? Que nós éramos jecas, desinformadas, como aquela familiazinha dela? Que ela ia sumir das nossas vistas pra sempre? Se enganou… E nós estamos esperando o quê pra ir lá onde ela está e confrontar, acabar com essa garota?


Luana: Esperando o momento certo. Nós não vamos atacar agora. Esse foi o erro da Alice… Ir com muita sede ao pote! O certo é deixar ela subir um pouco mais, deixar ela pensar que tá tranquila… Daí a gente dá o bote. Desse jeito a queda dela vai ser muito mais divertida.


Heloísa: Cê tem razão, filha! Eu vou confiar em você.


Luana: Confia! Eu tenho experiência.


Luana pega o celular e olha mais uma vez a foto de Talita.


Luana: (repara) Até que a piranha é bonitinha, dava um caldo…


Heloísa: Olha, você nem brinque com uma coisa dessas!


Luana solta uma risada cínica. Closes alternados em Heloísa e Luana. Tensão.


Cena 2. Vila dos Mares. Praia. Dia.


Talita (já com outro biquíni) faz pose para a foto, enquanto seus cabelos voam. Sérgio dá o último clique na câmera e encerra a sessão.


Sérgio: Por hoje foi isso, Talita. Parabéns, você foi show! Nota 10!


Yara, Priscila, Marcelo, Caio e algumas modelos batem palmas. Talita se sente tímida, mas ao mesmo tempo prestigiada. 


Talita: Quê isso, gente… Não mereço tanto!


Caio: Deixa de modéstia, você não precisa. Você entregou tudo, garota! Vai honrar essa capa e com maestria! 


Priscila vai até ela e lhe dá um abraço.


Priscila: (abraçando-a) Você arrasou, foi perfeita!


Talita: Obrigada, meu amor! Seu elogio é o que mais vale pra mim!


As duas dão um selinho, felizes. Marcelo se aproxima.


Marcelo: Você tava fenomenal mesmo, linda. Fiquei ainda mais apaixonado!


Talita: Hummm… Desse jeito eu vou ficar me achando!


Marcelo: Você tem todo o direito de se achar!


Talita dá um selinho em Marcelo. Os três se abraçam, até que de repente, um mal estar toma conta da expressão de Talita… Ela aperta os olhos. Priscila percebe.


Priscila: (preocupada) Tá tudo bem, Talita?


Talita: Ai, gente, desculpa… Mas me deu um enjôo de repente…


Talita põe as mãos sobre a barriga e sobre a boca, em seguida sai correndo até o quiosque da praia. Priscila e Marcelo ficam confusos.


Marcelo: Quê que deu nela?


Cena 3. Praia. Quiosque. Banheiro. Dia.


No banheiro do quiosque: Talita ajoelhada em frente a privada, terminando de vomitar. Ela tosse, fraca.


Talita: (fraca, dolorida) Ai…


Batidas na porta.


Yara: (off) Talita, abre aí! Sou eu, Yara!


Com dificuldade, Talita se levanta e abre a porta. Yara entra no banheiro.


Yara: O quê que houve, meu anjo?


Talita: Ai, tia… De repente me deu um enjôo, uma dor terrível no estômago. Não aguentei e tive que vir aqui vomitar… Ontem foi a mesma coisa…


Yara: Ontem foi a mesma coisa?


Talita: Ontem, anteontem… Não tô passando bem esses dias… Deve ser ansiedade por causa dessas fotos…


Yara: (desconfiada) Ansiedade, é?


Talita: Só pode ser. 


Yara: E a menstruação, Talita?


Talita: Esse mês ela ainda não desceu… (assustada) Quê que você tá pensando, tia? Eu tô começando a ficar assustada.


Yara: O que eu tô pensando é o mesmo que você tá pensando bem lá no fundo! Eu vou agora na farmácia comprar esse teste de gravidez.


Talita se assusta ainda mais.


Talita: Teste de gravidez?


Yara: Me espera aqui!


Yara sai do banheiro, em disparada. Talita fica por lá, muito tensa, roendo as unhas.


Talita: (tensa) Ai, Deus… Não pode ser! Será que eu posso mesmo estar… Grávida?


No close de Talita,


Cena 4. Farmácia. Dia.


Yara entra na farmácia e vai diretamente ao balcão de atendimento.


Farmacêutico: Bom dia, no que posso ajudar?


Yara: Um teste de gravidez, por favor!


Cena 5. Fazenda Martins. Exterior. Dia.


Os vestígios da festa no dia anterior ainda estão ali. Kátia por lá, tragando um cigarro, enquanto olha para o além, pensativa… Tempo. Ela joga o cigarro no chão e pisa nele, apagando-o. Em seguida ela se vira e entra em casa.


Cena 6. Fazenda Martins. Sala de jantar. Dia.


Kátia está sentada na cabeceira da mesa, reflexiva, pra baixo… Mya e Rafael entram na sala e estranham ao ver a mãe naquele estado. Eles se sentam à mesa, cada um de um lado.


Rafael: Mãe? Aconteceu alguma coisa?


Kátia ainda em silêncio.


Mya: Que clima estranho. E o papai? Cadê ele? Saiu?


Kátia olha fixamente pros olhos dos filhos e suspira profundamente.


Kátia: (com a voz trêmula, misteriosa) Tem coisas na vida da gente que é impossível dizer com certeza o propósito delas... É algo que não se vê, apenas se sente. E eu estou sentindo...


Rafael: Como assim, mãe? O que tá acontecendo?


Mya: (nervosa) Você e o papai brigaram? É isso? Diz pra gente o que aconteceu, pelo amor de Deus!


Kátia: Não foi só uma briga… Foi o fim de um relação de mais de 20 anos, e eu digo com clareza, acabou! E podem se poupar o trabalho de dizer que é só uma fase, só uma briguinha de casal, desentendimentos do dia a dia, cansaço de relação… Não foi isso, não foi nada disso... Foi algo que me feriu! Não sei se a culpa é dele, se a culpa é minha… Mas olha, meninos, o nosso casamento acabou, mas ele sempre será o pai de vocês e quero que independente de tudo, vocês o respeitem como devem me respeitar. Seu pai logo mais se ajeita, se quiserem ir com ele, eu não impedirei, continuaremos sendo uma família, mas se quiserem ficar, me deixarão cheia de alegria... São escolhas que vocês não precisam fazer agora, aliás, o Antônio vai se ajeitar na cidade…  Não é uma despedida de uma família, é um até breve pro seu pai, ou para mim… Um até breve num almoço de domingo, numa sexta e sábado posando na casa de um de nós dois. Vocês terão livre arbítrio para escolher a casa em que querem morar. 


Mya e Rafael aos prantos após ouvirem cada palavra dita. 


Mya: (marejando) Ah, mamãe…


Rafael: (marejando) Mas qual foi o motivo do término do casamento de vocês? Vocês sempre foram um casal tão unido… 


Mya: E de uma hora pra outra essa separação repentina?


Kátia: Vocês acabaram de se tornar adultos e merecem saber da verdade… Não julguem o pai de vocês. Ele é pai e sempre gostou muito de vocês dois, da Talita, e no tempo em que vivemos juntos, sempre foi um pai exemplar. (T) Eu descobri que ele estava me traindo. Eu flagrei ele ontem na festa com a vizinha, a Dora...


Mya e Rafael chocados, boquiabertos.


Rafael: O papai? Te traindo?


Mya: Não posso acreditar.


Kátia: Pois podem acreditar… Foi o que aconteceu.


Kátia engole seco, tensa pela situação.


Cena 7. Casa de Dona Benzinha. Cozinha. Dia.


Dona Benzinha (mãe de Antônio, idosa, cerca de 80 anos, simpática) na mesa da cozinha, separando grãos de feijão. Ao fundo, uma panela de pressão chia no fogão. Antônio, com uma aparência acabada, entra na cozinha.


Antônio: A benção, mãe!


Benzinha: Deus abençoe, meu filho. 


Antônio se senta à mesa e enche uma xícara de café.


Benzinha: Não vai dizer pra sua mãezinha o quê que aconteceu ontem, pra você estar acabado desse jeito?


Antônio: Eu tô sem cabeça, mãe…


Benzinha: Me diz logo, Toninho. Você e a Kátia brigaram?


Antônio: A gente se separou…


Benzinha: Mas não pode ser possível, meu Deus do céu… Vocês dois foram feitos um pro outro, combinam tanto, nunca nem vi brigarem… O quê que houve de tão sério?


Antônio: Eu fiz uma besteira, Dona Benzinha… Uma besteira muito grande!


Benzinha: Quê isso, meu filho… Mas não há besteira tão grande que você tenha feito, que a Kátia, uma mulher tão generosa, não seja capaz de perdoar… Eu vou ligar pra ela agora mesmo.


Benzinha vai se levantar, com dificuldade, mas Antônio impede-a e a faz se sentar de novo.


Antônio: Não, mãe! Por favor, não faz isso!


Benzinha: Então fala o que aconteceu, oras!


Antônio: Eu… Eu traí a Kátia com outra mulher… E ela descobriu tudo e me expulsou de casa.


Benzinha: (desacreditada) Você não fez isso com uma mulher maravilhosa, rara daquelas… Mãe dos seus filhos!


Antônio: Eu sei que eu errei, não tô com cabeça pra sermão!


Benzinha: Mas vai escutar um sermão dessa velha mãe aqui! Aliás, sermão não. Vou mesmo te dar é uns bons tapas!


Benzinha puxa a orelha de Antônio e o estapeia.


Antônio: (com dor) Ai, ai, ai! Para, mãe!


Benzinha: Não paro não! É isso que você tá merecendo. Pra deixar de ser cafajeste!


Benzinha sacode a orelha de Antônio e lhe dá mais uns tapas na cabeça.


Benzinha: (puxando a orelha dele) Você puxou mesmo ao seu pai… Ô raça ruim essa!


No calor da cena;


Cena 8. Praia. Areia. Dia.


Talita sentada debaixo de um guarda-sol, tomando uma água de coco. Marcelo e Priscila ao lado, dando amparo.


Marcelo: E aí, tá se sentindo melhor, linda?


Talita: (tensa) É, tô…


Priscila: Pode ter sido esse sol que está tão quente… Mas tomando essa aguinha de coco, você vai se reidratar, fica tranquila.


De longe, Caio grita: 


Caio: (grita) Marcelo, Priscila! Tô precisando de vocês aqui.


Priscila: A gente já volta, meu amor!


Priscila e Marcelo vão até Caio, deixando Talita à sós. Yara entra na praia, segurando uma sacolinha, e vai até Talita.


Yara: Talita! (mostra a sacola) Comprei o teste!


Talita: Ai, tia… Eu não que seja necessário… Eu com certeza devo ter comido algo que me fez mal… Só pode ser isso.


Yara: Chega de tentar tapar o sol com a peneira. Vem comigo agora! Já que você tem tanta certeza de que não é nada, vamos tirar a prova dos nove!


Talita olha para Yara, com um olhar inseguro…


Talita: Tá bom, eu faço!


Cena 9. Praia. Quiosque. Banheiro. Dia.


Talita segurando um potinho de urina com a fita mergulhada. Sua mão treme…


Cena 10. Praia. Quiosque. Dia.


Yara do lado de fora do banheiro, aguardando ansiosa. Talita abre a porta e sai, com os olhos vermelhos de choro, arrasada.


Yara: E aí, meu amor? Qual foi o resultado?


Talita ergue a mão, mostrando a fita, com dois risquinhos…


Talita: Tô ferrada, tia… Eu tô grávida!


Yara: (boquiaberta) Meu Deus…


Talita: (convicta) Mas eu não posso ter esse filho. Não posso e não vou! Eu vou fazer o aborto.


No choque da cena;


— Abertura —



Cena 11. Praia. Quiosque. Dia.


Mesmas posições da cena anterior. 


Yara: Vamos com calma, Talita… Você acabou de descobrir essa gravidez. Não toma essa decisão assim logo de cara.


Talita: Não posso, tia, não posso parir ninguém agora! Essa criança veio pra atrapalhar a minha vida… Eu só tenho 23 anos, ainda nem me formei na faculdade, a minha carreira como modelo está ascendendo… Um filho agora vai estragar com todos os meus planos.


Yara: Eu sei, eu entendo seu ponto de vista. Mas antes de tomar qualquer atitude, o pai dessa criança tem o direito de saber que tem um filho sendo gerado aí!


Talita: O Marcelo… (preocupada) O quê que a Priscila vai pensar disso? O primeiro filho do Marcelo sendo o meu, não sendo o dela…


Yara: Conversa com eles hoje mais tarde. Se quiser eu te acompanho. 


Talita: Quero.


Yara: Eu vou estar com você pro que der e vier!


Talita abraça Yara, insegura, preocupada… Tempo.


Cena 12. Diamantina. Noite.


Anoitece em Diamantina.


Cena 13. Hospital. Quarto. Noite.


Yasmim acamada, no soro…


Cena 14. Hospital. Sala de espera. Noite.


Giovanna conversando com Mara (mãe de Yasmim, 50) e Felipe. Ambos aflitos e preocupados.


Mara: Obrigada por ter cuidado da minha filha, Giovanna. Você é uma amiga de ouro.


Giovanna: A Yasmim é a irmã que eu não tive… Eu gosto muito dela, tia Mara.


Mara: É uma pena que ela não seguiu o seu exemplo e foi se meter nesse caminho horroroso…


Felipe: Mas o importante é que ela está ficando bem, tá se estabilizando… Tava com tanta saudade da minha namorada… Eu volto de viagem e encontro ela nesse estado… As vezes eu me sinto culpado.


Mara: Não se sinta, Felipe… Você sempre foi um ótimo namorado. Nesse caso a culpa é exclusivamente dela. Ela procurou por isso… Assim que a Yasmim acordar, ela vai me escutar… Ah vai!


Giovanna e Felipe se olham.


Cena 15. Hospital. Rua. Ext. Noite.


Giovanna sai do hospital. Cecília vai logo ao encontro dela.


Cecília: Oi, amor! Vim te buscar.


As duas dão um selinho.


Cecília: O estado da Yasmim já estabilizou?


Giovanna: Graças a Deus! Ainda tá em coma induzido, mas o médico disse que amanhã mesmo ela acorda…


Cecília: Maior susto, hein?


Giovanna: Nem fala… Mas é minha amiga, tenho que dar todo apoio. (T) Nossa, Cecília, tô louca pra ir pra casa, tomar um banho, tirar essa energia de hospital…


Música: No particular - Carol Biazin (até o fim da próxima cena)



Cecília: (sedutora) Você pode tomar banho na minha casa, eu te empresto uma roupa… Esqueceu que eu moro aqui pertinho?


Giovanna: Ih, já ia me esquecendo desse detalhe… E eu vou aceitar esse seu convite… (faz charme) Só porque eu tô muito cansada pra andar até em casa…


Cecília: Só por isso, é?


Giovanna: (ri) Cê sabe que não, sua boba!


Giovanna rouba um selinho e as duas seguem a rua de mãos dadas.


Cena 16. Casa de Cecília. Banheiro. Noite.


Giovanna, de costas, debaixo do chuveiro, lavando os cabelos. Cecília entra no banheiro, de toalha, e vai até o box.


Cecília: Psiu!


Giovanna se vira para ela. Cecília deixa a toalha cair, ficando nua. As duas se olham, ardendo em desejo…


Giovanna: Tá esperando o quê pra entrar aqui?


Cecília: Tava só esperando você me chamar.


E num rompante, Giovanna puxa Cecília, pela cintura, para dentro do box. As duas, debaixo do chuveiro, se beijam calorosamente, com muita vontade… Uma toca o seio da outra, como se ambas estivessem descobrindo ali o que é o prazer… Giovanna beija os seios de Cecília e vai descendo pela barriga da garota, lambendo… O rosto de Cecília expressa intenso prazer e desejo. Ela fecha os olhos e geme, fora de áudio, enquanto puxa os cabelos de Giovanna, esta, já no meio de suas coxas…


Cena 18. Sítio de Dora. Sala. Noite.


Dora e Leandro, sentados no sofá, admirando as muitas notas de cem que estão dentro da mala.


Leandro: Pô, Dora… Eu andei pensando e… 500 mil reais ainda é pouco pra gente se manter lá fora.


Dora: Ai, Leandro… Agora que você disse… Com esse dinheiro a gente consegue se manter por no máximo seis meses…


Leandro: Aquelas duas jararacas vão ter que molhar a nossa mão de novo…


Dora: Você não acha perigoso?


Leandro: A gente ameaça, chantageia… Nós temos provas de que foram elas as mandantes do tal envenenamento. Ou esqueceu que eu gravei toda a conversa no motel?


Dora: Eu tenho medo… Essas duas são da pá virada, não dá pra confiar muito… Isso é um tiro no escuro, muito arriscado.


Leandro: Elas é quem têm que ter medo da gente! Confia em mim, amor! Pensa grande! A gente vai ficar milionário! Eu vou agora ligar pra elas!


Dora: (vencida) Ai, tudo bem! Liga aí pra essas cobras.


Close em Dora, insegura com a situação…


Cena 19. AP dos Vieira Paes. Sala. Noite.


Luana ao celular, indignada.


Luana: (cel) Vocês querem mais dinheiro, é isso? (T) Ah, vocês tão me chantageando? (T) Não, tudo bem! (Irônica) Bom saber que eu posso confiar em vocês… (T) Eu vou ver como tá o meu caixa e retorno ainda hoje!


Luana desliga. Heloísa entra na sala.


Heloísa: Quem era?


Luana: (tensa) Mãe… Aquele desgraçado do marido da Dora acabou de me ligar… Eles querem mais dinheiro, estão nos chantageando. Acredita que eles até gravaram a nossa conversa? Bem na parte que a gente confessava que comprou o veneno…


Heloísa: Mas que gentinha mais desqualificada, baixa… É isso que dá… Dar confiança pra ralé… Eles são assim… Mas eu posso dar um jeito nisso… E vai ser agora.


Luana: Que jeito?


Heloísa: Pega o meu celular. Eu tive uma ideia.


Luana pega um celular no sofá e entrega para Heloísa, que imediatamente faz uma ligação.


Heloísa: (cel) Juarez? (T) Preciso que você faça um servicinho e é pra agora. Eu pago bem!


Na tensão de Luana;


Cena 20. Sítio de Dora. Exterior. Noite.


Escuridão, sons de grilo. Juarez, o capanga de Heloísa, segurando uma caixa de ferramentas, sai de trás de algumas moitas, cauteloso. Ele caminha, sorrateiramente, até o veículo estacionado ali. Com cuidado, ele abre a caixa, pega algumas ferramentas e se enfia debaixo do carro. Muita tensão.


Cena 21. AP dos Vieira Paes. Sala. Noite.


Luana ao celular. Heloísa ao lado.


Luana: (cel) Vocês podem vir agora! Eu consegui o dinheiro que vocês queriam. Mais 500 mil, tá certo?


Leandro: (off) Ótimo, assim que eu gosto.


Luana: É importante que você e a Dora venham agora… Ou eu posso precisar do dinheiro pra outra coisa!


Leandro: (off, ameaçador) Você não ousaria…


Luana: (cel, impaciente) Venham logo!


Luana desliga.


Luana: Eles estão vindo.


Heloísa: Agora é só esperar a notícia…


As duas se olham…


Cena 22. Sítio de Dora. Ext. Noite.


Leandro e Dora entram no carro. Leandro, animado, vira a chave, ligando o veículo.


Leandro: Tamo milionários, meu amor!


Dora sorri e segura a mão do marido. O veículo segue. Nota-se que abaixo do carro havia uma poça de óleo… Muito suspense.


Cena 23. Rodovia. Carro. Noite.


Leandro dirigindo pela rodovia. Dora ao seu lado.


Cena 24. Rodovia. Noite.


Uma moto percorre a rodovia, seguindo o carro de Dora e Leandro. Vemos a frente, uma curva bem acentuada.


Cena 25. Rodovia. Carro. Noite.


Mesmas posições da cena 23. Leandro vê a curva e pisa no freio, sem sucesso. Neste instante ele começa a suar frio.


Leandro: (tenso) Dora… O freio do carro não tá funcionando!


Dora se desespera.


Dora: Ai, meu Deus! Leandro, vê isso direito! Pisa nesse freio.


Leandro pisa no freio, freneticamente, mas o carro acelera ainda mais, para o desespero dos dois.


Leandro: (desesperado) A gente vai morrer, Dora!


Um caminhão aparece na frente do carro, bem na curva e buzina bem alto. A buzina ecoa. Leandro vira o volante, rapidamente, para tentar desviar. 


Dora: (grita) AHHHHHHH!


Cena 26. Rodovia. Curva. Barranco. Noite.


O carro de Leandro perde o controle, indo na direção de uma ribanceira. Leandro tenta manobrar o veículo, que rodopia por várias vezes, cantando pneu. O carro atravessa o limite do barranco e capota inúmeras vezes, até chegar ao gramado, completamente destruído.


A moto estaciona na parte de cima da ribanceira. Juarez tira o capacete e desce, olhando o sinistro. Instantes e o carro explode violentamente. Juarez, impactado, observa as chamas consumindo a carcaça do veículo, com prazer… Ele saca o celular e faz uma ligação.


Juarez: (cel) Dona Heloísa? Tá feito.


Cena 27. Fazenda Martins. Quarto de Rafael. Noite.


Rafael deitado em sua cama, olhando pro tempo, reflexivo… Mya entra no quarto, também arrasada.


Mya: Tô mal, Rafa...


Rafael: Deita aqui, Mya.


Mya se deita ao lado do irmão.


Mya: (preocupada) E agora, Rafael? Como é que vai ser agora…? Sem o papai aqui?


Rafael: Eu não sei… Não dá pra saber como vai ser daqui pra frente…


Mya: Eu tô com medo, irmão...


Rafael: Não fica com medo não, Mya! Eu tô aqui. A gente vai se apoiar e juntos vamos apoiar a mamãe.


Mya assente. Os irmãos se abraçam, expressando o medo do que pode vir… Os olhos dos dois marejam…


Cena 28. Casa de Praia. Sala. Noite.


Priscila e Marcelo sentados no sofá, aguardando.


Marcelo: O que de tão sério a Talita pode querer conversar com a gente?


Priscila: Pelo tom de voz no telefone, eu fiquei preocupada…


Neste instante, a porta se abre e Talita entra, acompanhada de Yara.


Talita: Agora que estamos reunidos, eu posso finalmente falar.


Yara: O que ela tem pra dizer é muito importante e pode mudar radicalmente a vida de vocês três!


Priscila: Fala! Nós estamos muito ansiosos…


Talita: Melhor eu não fazer rodeios e dizer logo! Priscila, Marcelo, eu… (suspira) Eu estou grávida! 


Marcelo: (perplexo) Grávida?


Talita: Isso mesmo. Grávida! E o filho é seu, Marcelo!


Priscila boquiaberta. Marcelo sem reação, perplexo.


Marcelo: (atônito) Caramba… Eu não imaginava que isso fosse acontecer… Pelo menos assim, tão rápido…


Talita: Mas eu já tomei a minha decisão. Eu não vou ter esse filho! Eu não posso, sou muito nova, não tenho estrutura emocional alguma pra conseguir criar uma criança nessa altura da minha vida… Eu já me decidi e vou fazer o aborto!


Mas Priscila surpreende.


Priscila: (grita) NÃO! (Tom) Por favor não faça isso! Não tira esse filho! Eu ajudo você, eu me responsabilizo. Eu posso ser a segunda mãe dessa criança!


Com um olhar piedoso, Priscila olha para Talita. Reação de todos, estarrecidos. Os olhos de Priscila marejam. Talita e Priscila se olham… No close de Priscila;


Foco em Priscila / A imagem congela em preto e branco e despedaça.


Encerramento: Lisboa - ANAVITÓRIA, Lenine




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