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NOÇÃO DO PERIGO - CAPÍTULO 19




Cena 1. Ap dos Vieira Paes. Sala. Dia.


Luana, Heloísa e Dora.


Luana: Só me trouxe asneira ou tem mais alguma coisa de interessante pra me contar? O que eu duvido muito...


Dora: Bom… Eu soube que eles vão dar uma festa daqui algumas semanas. O aniversário de dezoito anos dos gêmeos, a Mya e o Rafael… 


Luana: Uma festa… (tem uma luz) Claro! Eu acabo de ter uma ideia! Já que por enquanto eu não posso acabar com a própria Talita… Eu começo exterminando a família dela… E vai ser nessa festa, onde eu vou dar o meu primeiro passo! 


Dora se assusta. 


Dora: Você disse… Exterminar a família?


Luana: Você por acaso tá surda? Foi isso mesmo que eu acabei de dizer.


Dora engole seco, amedrontada.


Dora: Mas exterminar a família da Talita não estava no combinado. O combinado era dar em cima e virar amante do otário do Antônio, pra tentar arrancar alguma pista do paradeiro da garota… 


Luana: Mudamos a rota. Vai continuar ou vai querer desistir do sonho de subir na vida?


Dora: O que a senhora me paga é o suficiente só pra um tipo de serviço…


Luana: Então o problema é dinheiro… 


Dora: (cínica) Sabe como é… Pagando bem, que mal tem? 


Luana: Eu sou uma pessoa muito justa! Justíssima! Eu não iria pedir um serviço desses, sem fazer o reajuste necessário. Eu não sou uma trambiqueira como umas e outras.


Dora: Que ótimo!


Luana: Mas não se esqueça que esse plano der errado ou se você arregar… Tá demitida e sem nenhum direito.


Dora: Não vou dar pra trás. Esse dinheiro tá sendo uma mão na roda… Não vejo a hora de sair daquela roça imunda e me mudar pra outro país de preferência… E se for preciso fazer alguém virar camisa de saudade… Não me importa… Vai ser por uma boa causa.


Heloísa: Gostei dela! Eu gosto de gente assim… Sem caráter.


Luana: E o seu marido?


Dora: Ah, ele está a par de tudo. Me apoia no que eu precisar.


Luana: Ótimo. Talvez eu precise dele também.


Dora: Pois então… Qual é o plano pro dia da festa?


Luana: Eu vou dizer. Mas antes, vou dar o último aviso: Não tenta me passar a perna, Dora… Eu sou muito mais esperta do que você pensa… Bobeou comigo, é caminho sem volta.


Olhar assustado de Dora, que tenta disfarçar.


Dora: Tudo bem… Pode dizer.


Luana: Presta atenção…


E Luana vai falando, fora de áudio. Dora e Heloísa escutam tudo, atentas. 


Cena 2. Clínica Ginecológica. Sala. Dia.


Yara e Priscila sentadas, aflitas, esperando a doutora.


Priscila: É agora que eu vou saber se eu estou esperando um herdeirinho ou não…


Yara sorri e segura a mão da amiga. Neste instante, a médica entra na sala, trazendo um envelope.


Dra. Mariana: (sentando-se) Priscila, seus exames já ficaram prontos. Eu disse que seria rápido.


Priscila: (tensa) Então, Doutora Mariana... Qual foi o resultado?


Dra. Mariana: Você chegou aqui se queixando de alguns sintomas como atraso na menstruação, ganho de peso e aumento do fluxo urinário, certo?


Priscila: Certo.


Dra. Mariana abre o envelope e tira o resultado do exame.


Dra. Mariana: Você pensou que se tratava de uma gravidez, não é?


Priscila: E não se trata?


Dra. Mariana: Eu sinto muito te desapontar, mas não… Provavelmente você pode estar num quadro de gravidez psicológica, que é quando uma mulher sente todos os sintomas gravídicos, inclusive pode até produzir leite materno, acreditando estar grávida, mas não estando… Você por acaso sente muita vontade de ser mãe?


Priscila: Na verdade sinto… Eu sempre disse pra mim mesma que não, mas sinto sim… Eu acabei adiando esse desejo, muito por causa do meu marido, que nunca teve vontade de ser pai… Fui relaxando e agora eu estou aqui, batendo na porta dos quarenta…


Dra. Mariana: O fator idade aqui não vem ao caso. Muitas mulheres resolvem ter seus primeiros filhos depois dos quarenta anos, isso é muito normal. O corpo humano é muito complexo. Uma mulher de quarenta pode muito bem ter uma gravidez mais tranquila do que uma mulher de vinte e vice-versa. O que vem ao caso aqui é que o seu corpo possui naturalmente uma dificuldade de entrar em uma gestação, por um motivo ainda não aparente…


Priscila: (se desespera) Você tá dizendo que eu sou infértil, Doutora?


Dra. Mariana: Claro que não, Priscila! Existem inúmeros tratamentos e terapias pra mulheres que enfrentam essas adversidades… 


Os olhos de Priscila se enchem de lágrimas.


Priscila: Então quer dizer que eu não posso engravidar naturalmente? Eu vou precisar fazer um tratamento?


Dra. Mariana: É o que dizem os exames… Mas se o seu desejo de ser mãe for intenso e verdadeiro… Acho que você e seu parceiro deveriam investir nesse tratamento… A medicina está muito avançada, vale a pena conversar!


Priscila: Tudo bem…


Priscila abaixa os olhos, triste. Yara acaricia os cabelos dela.


Cena 3. Praia. Orla. Quiosque. Dia.


Priscila (cabisbaixa, baixo astral) e Yara caminham pela orla da praia até se sentarem nas cadeiras de um quiosque.


Yara: (ao atendente) Duas águas de coco, por favor!


Priscila ainda tristonha, calada.


Yara: (penalizada) Ô Priscila… Não fica assim, meu amor…


Priscila: Eu tô me sentindo complexada, sabe? Uma mulher incompleta, sei lá…


Yara: Ah não! Pode parar com isso! Você é uma mulher inteira, dona de si! O fato de ter dificuldade pra engravidar não te diminui, nem te faz menos mulher… Você tá tendo um pensamento machista!


Priscila: Eu sei… Eu tô errada, tô sendo estúpida. Mas é como eu tô me sentindo… Eu queria tanto ser mãe naturalmente… Passar por toda aquela experiência de carregar a criança por nove meses… Bobagem minha, besteira! Deve ser inveja das mulheres da minha geração que parecem estar todas passando por isso ao mesmo tempo… 


Yara: Eu não passei… Decidi não ter filhos e ainda assim me sinto uma mulher completíssima.


Priscila: Você é diferente… Você não tem essas piras de ficar se comparando. (cai em si) Ai, Yara, olha pra mim! Logo eu, logo uma mulher que pratica swing com o marido, querendo se igualar à essas mães femininas e conservadoras… É realmente a crise dos quarenta!


Yara acha graça.


Yara: (rindo) Ai, Priscila, você precisa frequentar um analista e com urgência! (Tom) Mas é normal você se sentir assim… Nesse mundo de redes sociais e de aparências em que vivemos, o que importa mesmo é o que é visto pelos olhos, não o que é sentido pelo coração…


O atendente chega com os cocos e os deixa na mesa.


Priscila: É verdade, Yara. Mas eu vou dar um jeito nessa minha situação, amiga. No fundo do poço não dá pra ficar.


Yara: Conversa com o Marcelo, vê se vale a pena investir no tratamento que a Doutora Mariana falou.


Priscila: Eu vou pensar nessa possibilidade.


Closes alternados.


Cena 4. Avenida. Frente ao Hospital. Dia.


Caminhonete de Rodolfo parada em frente ao hospital. Rodolfo e Bianca dentro dela, se despedindo.


Bianca: Muito obrigada por ter me trazido aqui no hospital, eu preciso ver a Laura… Ah, e obrigada por ontem, por hoje…


Rodolfo: Não tem o que agradecer, linda. (Toca no cabelo dela) O que foi bom pra você, foi ainda melhor pra mim!


Bianca: (sorridente) Que bom!


Bianca dá um selinho em Rodolfo e abre a porta do veículo. 


Rodolfo: Me liga!


Bianca: Com toda certeza!


Bianca sai do veículo e segue rumo ao hospital. Rodolfo se apoia no volante, sorridente.


Rodolfo: (desacreditado) Caramba… Quê que foi isso, mermão… Que mulherão é esse…? Será que vai ser assim que eu vou superar a Talita?


Cena 5. Hospital. Corredor. Dia.


Bianca e o Médico caminham enquanto conversam.


Bianca: Como é que a Laura está?


Médico: Como te disse, o estado de saúde dela já está estabilizado… A pancada na coluna foi muito forte, além de outros ferimentos. A Laura está em coma profundo, sem previsões de despertar.


Bianca fecha os olhos e lágrimas escorrem…


Bianca: E eu posso ver ela?


Médico: Você pode vê-la apenas de longe, através de um vidro.


Corta para: Bianca observa Laura, completamente entubada, pelo vidro da UTI… Bianca desnorteada e chorosa ao ver a amiga naquela situação.


Bianca: (chora) Laurinha… Minha amiga… Você não merecia isso… Tava tão feliz que ia ser a capa do catálogo de moda… Você lutou tanto por isso, Laura… Alcançou o seu auge e quase que no mesmo instante alcançou sua ruína… Tudo por causa de um ladrãozinho que queria o que era seu. Você não merecia estar aí… Não merecia…


E Bianca chora ainda mais, encostada no vidro… Tempo.


Cena 6. Visty Boutique. Escritório. Dia.


Marcelo mexendo em seu notebook, concentrado. Batidas na porta.


Marcelo: Entre!


Caio abre a porta, entra no escritório e vai até Marcelo.


Marcelo: Caio, senta aí por favor!


Caio: Como vai, Marcelo?


Marcelo: Vou indo, na medida do possível. E me fala, o que te traz aqui?


Caio: Você já deve desconfiar.


Marcelo: Laura Ramos, acertei?


Caio: Em cheio.


Cena 7. Visty Boutique. Dia.


Talita sentada atrás do balcão do caixa, tremendo a perna e roendo as unhas. Aléxia percebe e vai até ela.


Aléxia: O quê que te deu, Talita?


Talita: Ai, Aléxia… O Caio acabou de subir pra falar com o Marcelo… Com certeza é alguma coisa sobre as fotos de ontem…


Aléxia: Eu também acho que pode ser…


Talita: Eu não vou me aguentar… (se levanta) Segura as pontas rapidinho. Eu preciso escutar a conversa daqueles dois!


Aléxia: Ei, garota. Espera aí!


Talita vai correndo subir as escadas.


Aléxia: E depois sou eu a curiosa… 


No risinho de Aléxia,


Cena 8. Visty Boutique. 2° andar. Corredor. Dia.


Talita caminha sorrateiramente pelo corredor, até parar na porta do escritório, onde cola o ouvido, atenta.


Cena 9. Visty Boutique. Escritório. Dia.


Marcelo e Caio.


Caio: Era sobre isso que eu queria te falar, Marcelo… Com a Laura nesse estado de saúde, não dá pra lançar esse catálogo com a participação dela. Nós vamos ter que cortar.


Marcelo: Poxa, Caio… O pior é que eu tinha gostado do resultado, a Priscila também… Apesar do temperamento da Laura, ela era, ou é, uma modelo de mão cheia, além de ter o perfil da nossa marca…


Caio: Foi uma fatalidade o que aconteceu… Um trauma! (T) Mas pro nosso problema em específico, eu tenho uma solução!


Marcelo: E que solução?


Caio: A Talita! Ela pode ser a garota da capa no lugar da Laura.


Cena 10. Visty Boutique. 2° andar. Corredor. Dia.


Ao ouvir aquilo, Talita arregala os olhos e tapa sua boca, eufórica. Close nela.


— Abertura —



Cena 11. Visty Boutique. Escritório. Dia.


Marcelo e Caio.


Caio: A Talita foi super bem nas fotos secundárias, além de sido a segunda colocada em todos os testes. O fato da Laura já ser modelo profissional a colocava na frente, mas se a Talita estudasse um pouquinho mais… Não ia perder em nada! Eu acho que nada mais justo do que ela ser a modelo substituta!


Marcelo: Se você que é o chefe do departamento de publicidade e marketing está dizendo… Eu só tenho que lhe dar todo apoio… Por mim, a Talita já seria a capa desde o início dessa história, sem nem precisar dessa coisa toda de teste. 


Caio: Isso já seria contra as regras…


Marcelo: Mas ela é uma garota maravilhosa e é claro que merece essa chance, que só dependia mesmo de você e do Sérgio. 


Caio: Sendo assim, eu vou acertar tudo pra quanto antes! 


Marcelo: Como cê quiser, meu amigo!


E os dois dão um aperto de mão, contentes.


Cena 12. Visty Boutique. Banheiro. Dia.


Talita entra no banheiro e se tranca lá, animada, agitada.


Talita: (eufórica) Eu não acredito, eu não acredito! Eu só posso estar sonhando… Eu subi de nível… Eles me escolheram! Eu vou ser a capa…


Ela se olha no espelho e conversa consigo mesma.


Talita: A lei do universo está do seu lado, garota… Parece que não adiantou armação, nem olho grande… O que é pra ser, sempre será. E esse lugar sempre foi seu!


Música: Proibida pra mim - Zeca Baleiro (durante toda a passagem de tempo)


E Talita continua a se olhar no espelho, convicta de que tudo vai dar certo em sua vida. Imagem escurece.


Cena 13. Diamantina. Stock Shots. Dia.


Imagem clareia. Foco no sol iluminando por entre as montanhas que cercam a cidade. 


E o tempo vai passando…


Transição com:


Cena 14. UEMG. Ext. Dia.


Giovanna e Cecília saem da universidade, conversando, muito próximas. De longe, Camila as observa, com olhar de arrependimento.

Transição com:


Cena 15. Bar. Noite.


Giovanna e Cecília conversam, fora de áudio, depois brindam com drinks, em seguida dão um selinho, apaixonadinhas.

Transição com:


Cena 16. Casa de Gabriel. Quintal. Noite.


Em uma mesa grande, Yasmim, Gabriel e mais algumas pessoas (cerca de quatro) fazem o uso da cocaína…

Transição com:


Cena 17. Fazenda Martins. Quarto do casal. Noite.


Kátia sai do banheiro, vestindo um robe de seda, super sexy. Mas ao olhar pra cama percebe Antônio completamente apagado. Sua expressão passa a ser de desânimo…


Cena 18. Fazenda Martins. Sala. Noite.


Sala escura, Kátia deitada no sofá, pensativa… Tempo.

Transição com:


Cena 19. Fazenda Martins. Riacho. Dia.


Antônio e Dora na maior pegação dentro do riacho…

Transição com:


Cena 20. Ap dos Vieira Paes. Sala. Dia.


Luana entrega um “bolo” de notas de cem reais para Dora, que fica satisfeita. Heloísa presente, observa.

Transição com:


Cena 21. Loja de Festas/ Fantasias. Corredores. Dia.


Mya e Rafael caminham pela loja de festas, analisando cada item das prateleiras. Mya pega um chapéu de cowboy e coloca na cabeça, brincalhona.

Transição com:


Cena 22. Hospital. Quarto. Dia.


Já no quarto, Laura em coma profundo. Bianca, chorosa, faz um cafuné nos cabelos da amiga, enquanto enxuga suas lágrimas…

Transição com:


Cena 23. Vila dos Mares. Praia. Orla. Dia.


Ao pôr do sol, Rodolfo coloca uma mala no bagageiro da caminhonete. Em seguida, ele e Bianca se beijam, apaixonadamente… Rodolfo entra no veículo e dá partida. Bianca acena, triste…

Transição com:


Cena 24. Casa de Praia. Sala. Dia.


A porta principal é aberta. Talita e Yara entram na casa, abarrotadas de malas. Marcelo e Priscila vêm logo atrás para ajudar. Talita olha ao seu redor, respira fundo e solta um sorriso. Marcelo e Priscila a abraçam, um de cada lado… Foco nos três. Clima de muita confraternização.

Transição com:


Cena 25. Vila dos Mares. Stock Shots. Dia.


Planos gerais da cidade, praia, pessoas andando…


Um mês depois…


Cena 26. Vila do Mares. Praça. Dia.


Um evento de pré carnaval de rua acontece na pracinha da cidade. Música alta, axé de preferência. Pessoas fantasiadas, muito animadas, enquanto cantam, dançam, se beijam e se divertem.


Cena 27. Casa de praia. Quarto do Casal. Dia.


Talita e Priscila se arrumam, empolgadas. Maior farra no quarto. Enquanto Talita acerta o delineador, Priscila termina de amarrar seu top e em seguida passa um gloss. 


Talita: Você tá linda! Mas falta alguma coisa… 


Priscila: Falta? Acho que já está bom. Essa sua ideia de combinarmos os tops azul e rosa foi incrível!


Talita: Modéstia a parte, foi sim… (ri) Já sei! Falta você ficar um pouquinho mais corada. Já que seu top é rosa, precisa deixar as bochechas vermelhinhas! Senta aí! 


Priscila se senta na cadeira em frente ao espelho enquanto Talita passa um blush vermelho claro nas bochechas dela.


Talita: Prontinho! Tá perfeita! 


Marcelo, vestido como pede o evento, entra no quarto.


Marcelo: A cantora de axé que a Visty Boutique tá patrocinando já vai subir no trio elétrico. Acho bom vocês agilizarem.


Priscila (Se dirige até o marido): Calma, Marcelo! A Talita ainda precisa escolher o sapato, nós já vamos!


Marcelo (revira os olhos): Mulheres… Já não me bastava uma… (ri)


Ele sai do quarto, deixando-as.


Talita: (mostra um salto preto) O que acha desse?


Priscila: Melhor não… Ir de salto pro meio da muvuca não é uma boa ideia… Melhor ir de tênis!


Corta para: Priscila e Talita tiram uma foto juntas em frente ao espelho. Após isso, elas se viram, uma pra outra.


Priscila: Lindas!


Talita: Como sempre.


As duas dão um selinho.


Priscila: Vamos, antes que o Marcelo exploda de ansiedade! (Ri)


E as duas saem do quarto, de mãos dadas.


Cena 28. Vila dos Mares. Praça. Dia.


Em meio ao barulho e a multidão, Bianca e Rodolfo conversam, bebendo algo.


Bianca: (alisando-o) Que bom que você voltou…


Rodolfo: Tava com saudades… E também a cidade é maravilhosa e eu adoro carnaval… Por mim, me mudava pra cá de vez.


Bianca: E por quê não se muda?


Rodolfo: Ainda tenho meu trabalho em Diamantina… Não posso largar tudo antes de arranjar algum substituto.


Bianca: Vou torcer pra você conseguir logo alguém a sua altura… Eu só me vejo do seu lado agora, Rodolfo…


Rodolfo: Tá apaixonada, é?


Bianca: E se eu tiver?


Rodolfo surpreende e beija Bianca, mostrando sua pegada. Tempo.


Cena 29. Ap dos Vieira Paes. Sala. Dia.


Luana desce as escadas, Heloísa vai até a filha, levando um frasco pequeno.


Heloísa: Luana?


Luana: Fala, mãe!


Heloísa: (ergue o frasco) Consegui o que você pediu… O tal líquido que promete arruinar a festa dos pentelhos!


Luana pega o frasco e o observa.


Luana: Ótimo, mãe… Conseguiu isso aonde?


Heloísa: Uma curandeira… Das boas! Lembra daquele terreno do seu avô, um que foi invadido pelo MST…?


Luana: Lembro… Maldita usucapião.


Heloísa: A relatora daquela gente é entendida das ervas… Me garantiu que isso aí passa todo mundo rapidinho e sem deixar vestígios. Basta uma gota.


Luana: Espero que seja verdade mesmo... Essa gente já viveu demais, sabe...? Já encheu, já deu!


Heloísa: Ai, Luana... Imagina a cena… A chacina na fazenda... Todos os convidados morrendo, caindo um por um…


Luana e Heloísa riem.


Luana: Vou ligar agora pra infeliz da Dora agilizar isso pra gente.


Cena 30. Fazenda Martins. Exterior. Dia.


Espaço decorado. De um lado, o tema “cowgirl” em evidência. Chapéus, chicotes, um violão, entre outros objetos do universo country, fazem parte da decoração. Já do outro lado, o tema “futebol” é que domina o espaço. Mesas e cadeiras dispostas. Mya e Rafael terminam de amarrar os últimos balões e olham para o resultado, com brilho nos olhos.


Mya: Ufa! Terminamos. Ficou tudo lindo, Rafa… 


Rafael: Tanto esforço valeu a pena. Nem parece que fomos nós, sozinhos, quem arrumamos tudo! Ficou perfeito…


Mya: Dezoito anos, meu irmão… Não é todo dia que se faz!


Rafael: É amanhã… A festa do ano!


Mya: Nem vou conseguir dormir de tanta ansiedade!


Os irmãos se abraçam, animados. Atrás de algumas moitas, Dora observando tudo. Ela retira o frasco do bolso e o encara, maliciosa… Muito suspense.


Cena 31. Diamantina. Rua do Passadiço. Dia.


Giovanna e Cecília, de mãos dadas, sobem a rua, enquanto Mya e Rafael descem a mesma. Os quatro se encontram.


Mya: Giovanna!


Giovanna: Mya, Rafael! Quanto tempo. Muito bom ver vocês!


Rafael: É bom ver você também!


Giovanna: Deixa eu apresentar vocês. Essa é a Cecília, estuda comigo. A gente tá se conhecendo… 


Rafael desvia o olhar, desanimado.


Giovanna: E Cecília, esses são Rafael e Mya, irmãos da Talita, aquela amiga que eu morro de saudades, você sabe da história…


Cecília: Muito prazer, gente!


Mya: Espera… Acho que eu te conheço, Cecília… Você não é irmã da Isabela?


Cecília: Sim, sim! Acho que tô me lembrando do seu rosto…


Mya: Eu e a Isa estudamos juntas por um tempo... (p/ Giovanna) Sabe, Giovanna, o nosso aniversário de dezoito anos é amanhã, vai ser uma festa super bacana, com tudo que tem direito. Vocês duas e a Yasmim estão convidadas!


Giovanna: Ah, que ótimo! Obrigada pelo convite, a gente vai sim!


Mya: Ah, Cecília, leva a Isabela… O Rafael aqui vai adorar conhecer a sua irmã…


Rafael fica envergonhado.


Cecília: Pode deixar! Eu falo com ela. (Risos)


Mya pisca discretamente para Rafael, que sorri, entendendo o recado…


Cena 32. Vila dos Mares. Noite.


O sol se transforma na lua, marcando o anoitecer em Vila dos Mares… Daqui já se ouve o som dos batuques agitados.


Cena 33. Vila dos Mares. Praça. Noite.


Carnaval a todo vapor. Muita agitação e animação. Yara, Talita, Priscila e Marcelo (este bebendo um chopp) caminham em meio ao povo. 


Yara: Vou ali pegar uma bebidinha. Alguém quer alguma coisa?


Marcelo: Pode ser mais uma cerveja!


Yara se afasta, indo até um ambulante. Foco na cantora em cima do trio elétrico, falando ao microfone:


Cantora: Antes de começar, queria agradecer aos meus amigos e patrocinadores desse show: Marcelo e Priscila, donos da Visty Boutique, uma boutique maravilhosa de moda praia. Comprem na Visty Boutique e vocês não vão se arrepender! Palmas pra eles, minha gente! 


Muitas palmas e assobios. Priscila e Marcelo se sentem prestigiados.


Cantora: E vamos curtir! Solta o som!


E a Cantora solta a voz, cantando a música “Me abraça” de Banda Eva


Marcelo, Priscila e Talita pulam, dançam e fazem trenzinho no ritmo da música.


Corta para: Na área de banheiros químicos, Rodolfo bebe uma garrafa de cerveja (percebe-se que ele já está meio bêbado). Bianca sai de um dos banheiros e vai ao encontro dele.


Bianca: Demorei?


Rodolfo: Nem vi o tempo passar!


Bianca: Então vamos curtir. Adoro essa música!


Os dois dão as mãos e seguem rumo ao meio da multidão.


Corta para: Yara comprando duas latas de cerveja com um ambulante. Nada menos que Yago aparece ao seu lado.


Yago: (ao ambulante) Opa, me vê mais uma cerveja!


Yara olha pro lado e percebe o homem.


Yara: Olha só… Como vai, Yago?


Yago: (olha pra ela, sedutor) Melhor agora, né… Pelo visto o dia hoje promete!


Os dois sorriem um pro outro. Yara morde os lábios, fogosa.


Corta para: Talita, Priscila e Marcelo, dançando e cantando na maior energia.


Talita: (cantando, animada) Me abraça, me beija...


Priscila: (completa) Me chama de meu amor!


Marcelo: (canta) Me abraça e deseja, vem mostrar pra mim o seu calor! (Tom/ feliz) Que maravilha de festa! Eu amo vocês!


Animados, Marcelo e Priscila se beijam. Após isso, Marcelo vai até Talita e a beija, de língua… Rodolfo, que passava por perto, de mãos dadas a Bianca, vê a cena e logo seu mundo cai… Uma expressão de fúria toma conta do rosto dele.


Rodolfo: Mas que porra é essa...?


Bianca: (sem entender) O que foi?


Rodolfo: Cê pode comprar mais uma cerveja dessa pra mim?


Bianca: (desconfia) Tá bem...


Bianca se afasta. Agora só, Rodolfo deixa a garrafa cair no chão e com sangue nos olhos, vai até Talita e Marcelo. Com violência, ele entra no meio e separa o beijo dos dois.


Talita: (assustada) Quê isso?


Marcelo: Ficou maluco, rapaz?


Rodolfo: (grita, bêbado) A Talita é minha! É SÓ MINHA! E eu não admito ver ela pegando nenhum merda na minha frente!


E num impulso, Rodolfo desfere um soco no rosto de Marcelo, que cai no chão com o impacto. Talita e Priscila veem aquilo boquiabertas. Marcelo pega em seu nariz e percebe sangue. Ele e Rodolfo se encaram… No calor da cena,


Cena 34. Fazenda Martins. Cozinha. Noite.


Kátia, Antônio, Mya e Rafael na cozinha. Kátia fecha o freezer.


Kátia: Eu e seu pai compramos todas as bebidas que vocês pediram…


Antônio: Cada bebida estranha, uma mais colorida que a outra… Imagino o quão fortes e doces elas devem ser...


Todos riem.


Rafael: Mas são delas que os nossos amigos gostam.


Antônio: Eu sou da cerveja, do uísque, da cachaça... Isso sim é bebida de verdade!


Kátia: Tem que respeitar os gostos dos jovens, Antônio… Nosso tempo passou!


Antônio: Sendo assim, acho melhor nós irmos dormir, que amanhã essa festinha de vocês promete muito…


Mya: Se essa ansiedade me deixar dormir… (ri)


Antônio apaga as luzes da cozinha e os quatro se retiram dali.


Cena 35. Fazenda Martins. Mata. Noite.


Dora anda pela mata da fazenda, sorrateira, tentando fazer o mínimo de barulho ao pisar. Ela caminha mais alguns metros e avista a casa logo a frente.


Dora: Vou tentar entrar pela janela do banheiro…


Ela retira o frasquinho do bolso e olha pra ele.


Dora: É só colocar uma gota desse líquido dentro de cada garrafa que vai ser servida… Nada pode dar errado, nada!


Na expressão perversa de Dora,


Foco em Dora / A imagem congela em preto e branco e se despedaça.


Encerramento: Me abraça - Banda Eva


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