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Por que, Pai? - Episódio 14 (Penúltimo Episódio)

 

Por que, pai?




Continuação a partir do fim do último episódio: Hotel/Copacabana/Interior/Noite


JULIANO - Ele disse que o pai dela é quem está no quarto.


MARINA - Ele não confirmou, só reforçou que seu pai está no quarto, e ele tem muita certeza disso. Eu entendi que não vamos achar o Diogo nesse quarto, mas o seu pai vai está lá.


FERNANDA - Entendi.


Eles caminham até o quarto 604.

A câmera foca no número 604 na porta.

Fernanda bate à porta.


VOZ - Pode entrar!


Fernanda abre a porta e entra no quarto.

A câmera filma Fernanda e o homem de costas.

O homem vai se virando devagar.

A câmera volta e foca no número 604 na porta.



Episódio 14


Cena 01: Hotel/Copacabana/Interior/Noite


A câmera filma Fernanda e o homem.

O homem se vira para Fernanda.

O homem é João Vicente.

Marina se surpreende.


MARINA - Pai?


Fernanda fica confusa.


FERNANDA - É seu pai?


MARINA - Pelo jeito, nosso pai.


Juliano se surpreende.


JOÃO VICENTE - Como assim nosso pai?


Marina fica nervosa.


MARINA - Eu vou te falar algumas coisas, e você vai entender.


João Vicente escuta Marina.


MARINA - A mãe da minha amiga aqui, sempre recebe um dinheiro do pai dela que até então era desconhecido. Nos extratos bancários da mãe dela tinha o nome de quem depositava esse dinheiro, Diogo Gilberto de Souza. Diogo Gilberto de Souza é seu porteiro.


FERNANDA - Agora tudo se encaixou. Você mandava o seu porteiro fazer os depósitos pra disfarçar e eu não descobri quem era você. O seu nome não aparecia em nada.


João Vicente pensa.


FERNANDA - Você sabe quem eu sou? Eu sou Fernanda, filha da Simone.


MARINA - E aí pai, ela é sua filha? Fala a verdade.


Marina chora.


MARINA - Você me escondeu uma irmã todo esse tempo? Você tentou esconder, mas não adiantou, ela é minha melhor amiga.


João Vicente fica quieto.

Marina esbraveja.


MARINA - Ela é ou não é sua filha? Apesar que o Diogo Gilberto falou que não era pra termos dúvidas, que o homem que estaria aqui é o pai dela. Mas pra minha surpresa é o meu pai também.


JOÃO VICENTE - O Diogo contou que ela é minha filha?


MARINA - O porteiro sempre soube, né?


João Vicente se irrita.


JOÃO VICENTE - Ele vai perder o emprego.


MARINA - Então você confessa que ela é sua filha?


JOÃO VICENTE - Ela é minha filha. Eu tive uma filha com a Simone.


Marina e Fernanda se abraçam como irmãs. Elas choram emocionadas.


Fernanda olha para João Vicente.


FERNANDA - Agora eu quero saber o porquê. Por que você me abandonou? Por que você não me criou? Por que não foi presente na minha vida? Por que se escondeu de mim? Por que me escondeu dois irmãos? Por que isso? Eu não sou suficiente pra ser sua filha? Eu não mereço seu nome? Não mereço esse "pai ilustre"? Eu não sou digna?


João Vicente diz friamente.


JOÃO VICENTE - Foi assim porque eu quis. Sua mãe aceitou. Dei dinheiro pra ela esse tempo todo e pra ela estava bom. Quem é você pra reclamar menina? Aproveita esse dinheiro que eu te dou e seja feliz. Para de encher o saco.


FERNANDA - E mais burra sou eu, que achei que fosse encontrar meu pai, e ele iria gostar de me ver.


JOÃO VICENTE - Nisso eu concordo. Você foi tola de pensar que iria achar um pai e que esse pai estaria feliz e doido pra te conhecer. Mas acho que talvez nem seja tolice, talvez seja ingenuidade.


FERNANDA - Eu vou embora. E olha, eu não aceito seu dinheiro mais. Chega disso. Se você não me quer em sua vida, eu não te quero na minha também.


Fernanda, Marina e Juliano se preparam pra ir embora.


JOÃO VICENTE - Isso. Vai mesmo. Eu tenho uma reunião importante agora. Estou sem tempo pra jovem cheio de frescura.


Os três saem e fecham a porta.


Cena 02: Hotel/Copacabana/Exterior/Noite


Juliano, Marina e Fernanda saem do Hotel.


MARINA - Então nós somos irmãs?


FERNANDA - Já éramos muito amigas, agora somos irmãs.


Marina e Fernanda se abraçam.


MARINA - Eu vou ligar para o Marcelo pra contar a novidade.


Marina pega o telefone.



Takes da passagem da noite pra manhã em Ipanema.


Cena 03: Escola Guedes Tavares/Entrada/Exterior/Manhã


Marina e Fernanda chegam felizes ao colégio. Marcelo vem sorrindo na direção das meninas.


MARCELO - Deixa eu abraçar minha mais nova irmã. (Risos)


Marcelo abraça Fernanda.


Cena 04: Faculdade Local/Sala de Aula/Interior/Manhã


Bárbara está fazendo a prova de seleção ao intercâmbio. A câmera filma Bárbara de cima.

Ela lê uma questão e marca a resposta.


Cena 05: Empresa de João Vicente/Portaria/Dia


João Vicente chega em sua empresa.

Diogo Gilberto está na portaria trabalhando.


JOÃO VICENTE - Bom dia, Diogo Gilberto.


João Vicente encara Diogo, que fica sem graça.


DIOGO GILBERTO (Porteiro) - Bom dia.


JOÃO VICENTE - Você tá demitido. Depois passa lá na minha sala pra gente acertar tudo.


João Vicente sobe pra sua sala.


Cena 06: Praia de Ipanema/Exterior/Tarde


André e Marcelo estão sentados na areia.


MARCELO - Antes de ir pra sua casa, vamos lá na minha mãe?


ANDRÉ - Vamos sim.


MARCELO - Eu quero te apresentar pra ela.


ANDRÉ - Como namorado? (Risos)


MARCELO - Nós somos namorados? (Risos)


André fala apaixonado.


ANDRÉ - Eu amo ficar assim aqui na praia. Junto com você, nós dois sentados na areia.


Marcelo e André se olham encantados.


ANDRÉ - Você me olhando com esses olhos tão lindos, eu amo.


Marcelo sussurra.


MARCELO - Eu também.


Marcelo beija André.





Cena 07: Casa de Marina/Sala/Interior/Tarde


Viviane está na sala, quando Marcelo e André entram pela porta.


VIVIANE - Oi, meu filho!


Viviane se alegra.


MARCELO - Oi mãe, tudo bem?


VIVIANE - Muito mais agora.


Marcelo sorri.


MARCELO - Mãe, eu queria te apresentar o André.


ANDRÉ - Oi, Viviane!


Viviane pega na mão de André.


VIVIANE - Oi, André.


Viviane sorri olhando Marcelo e André.


VIVIANE - Ele é seu namorado, Marcelo?


MARCELO - Ainda não. (Risos)


VIVIANE - Ah sim. Eu aprovo um futuro namoro.


Os dois sorriem.


VIVIANE - Vamos lá na cozinha comer um bolo. Vem Marcelo, traz o André.


Eles vão pra cozinha.


Cena 08: Casa de Bárbara/Cozinha/Interior/Tarde


Juliano visita Bárbara. Eles conversam enquanto tomam café.


BÁRBARA - Eu fico feliz por tudo ter dado certo com seu pai.


Juliano sorri.


JULIANO - E sua faculdade, como tá indo?


BÁRBARA - Eu quase tranquei. Hoje eu fiz uma prova seletiva para um intercâmbio.


Juliano se alegra.


JULIANO - Nossa que legal. Vou torcer pra você passar. Como estava a prova?


BÁRBARA - Estava difícil. Mas estou esperançosa.


JULIANO - Tomara que você consiga.


Bárbara sorri agradecendo.


JULIANO - E você está namorando alguém?


BÁRBARA - Eu resolvi dar um tempo nesse lance de namoro. E você?


JULIANO - Eu conheci uma moça em São Paulo. Não rolou nada ainda. Mas acho que tem chance.


BÁRBARA - Ah sim. Tomara que dê certo. Você merece.


Juliano sorri.


JULIANO - Eu torço por você, você torce por mim. Nós namoramos, não deu certo. Mas isso não impede uma amizade entre nós.


BÁRBARA - Com certeza.


Eles trocam sorrisos.


Cena 09: Casa de Marina/Cozinha/Interior/Tarde


Viviane, Marcelo e André comem bolo.


VIVIANE - Filho, eu queria te falar que você não vai precisar sair da escola. Seu pai não vai pagar mais. Mas eu vou pagar pra você. Eu vou economizar e vou pagar.


MARCELO - Não precisa, mãe. Pode usar seu dinheiro com você.


VIVIANE - Filho, eu não vou te deixar por causa de sua orientação sexual. Não vou te largar nunca. Você é uma parte de mim. Eu te amo acima de tudo. Depois de tudo o que aconteceu, eu me dei conta que dinheiro não é o mais importante. Eu aprendi muito com isso. E eu vou te ajudar.


Marcelo sorri emocionado. Ele se levanta e abraça Viviane.


Cena 10: Casa de Gustavo/Garagem/Exterior/Noite


Silvia e Rômulo estão saindo de carro.

Rômulo avista Gustavo chegando com Lizandra em casa.


RÔMULO - Não sei como o Gustavo não tem vergonha de andar com essa neguinha do lado.


SÍLVIA - Esse seu racismo me irrita. Dá vontade de voltar pra casa e não ir em restaurante nenhum.


RÔMULO - Você deveria se irritar com essa situação do seu filho.


Silvia se irrita.


SÍLVIA - Que situação, Rômulo? Ele gosta dela, e eu não vou impedir relacionamento de ninguém.


Cena 11: Vila Isabel/Exterior/Noite


Stéfany acaba de sair do salão. Ela pega o celular e envia uma mensagem de áudio para Marlene.


STÉFANY por mensagem de áudio - Marlene, eu acabei de sair do salão. Daqui a pouco pego a Kika aí na sua casa.


Cena 12: Restaurante/Ipanema/Interior/Noite


Sílvia e Rômulo estão em uma mesa pra dois.

Um garçom vem atendê-los.


GARÇOM - Como poderia ajudá-los?


Rômulo não gosta do garçom por ele ser negro.


RÔMULO - Poderia ajudar chamando outro garçom.


GARÇOM - O senhor pode fazer seus pedidos comigo mesmo.


O garçom sorri.


RÔMULO - Eu não quero. Prefiro um garçom que seja mais clarinho. Você é escurinho demais. Escurinho é até pouco pra você. Se você trouxer nossos pratos é arriscado vir uma casca de banana no meio da nossa comida.


Sílvia se irrita com Rômulo.


SÍLVIA - Pra mim já deu. Tô indo embora.


Silvia se levanta e sai do restaurante.


RÔMULO - Aí, viu? Culpa sua. Você é um preto inútil, é um macaco fedorento, tô sentindo seu cheiro de neguinho daqui. Um absurdo, um restaurante chique como esse, com empregados do seu nível.


GARÇOM - O senhor está me ofendendo. Eu posso te denunciar.


Sílvia pega um táxi.


RÔMULO - Se você não quer receber ofensa muda de cor. Passa tinta branca. Negro inútil.


Rômulo sai do restaurante.


Os clientes do restaurante assistem a toda cena.

Um dos clientes oferece apoio ao garçom.


CLIENTE - Pode denunciar, eu serei sua testemunha.


Outros clientes também declaram apoio ao garçom.


Cena 13: Vila Isabel/Exterior/Noite


Stéfany vem andando por uma calçada.

Conrado vem de encontro a Stéfany.

Por estar escuro, Stéfany não reconhece que é Conrado.

Quando eles estão se aproximando, Conrado ironiza.


CONRADO - Oi, meu amor!


Stéfany reconhece Conrado e se assusta.


STÉFANY - Conrado?


Conrado, sorrindo, encara Stéfany.

Stéfany o olha aflita.

Stéfany se vira e corre. Conrado vai atrás.


Cena 14: Casa de Gustavo/Sala/Interior/Noite


Sílvia conta para Gustavo e Lizandra do racismo de Rômulo no restaurante.


SÍLVIA - Ele disse cada coisa, Gustavo. Eu não aguentei, saí de lá e peguei um táxi.


Sílvia coloca a mão na testa.


Rômulo chega em casa.


RÔMULO - Você não me esperou, Sílvia. Saiu de lá daquele jeito por quê?


SÍLVIA - Você se deu conta das coisas que falou para aquele rapaz?


RÔMULO - Eu sei tudo o que falei. Ele disse que vai me denunciar. Ele é só mais um desses negros chatos que tem por aí.


Cena 15: Vila Isabel/Exterior/Noite


Conrado persegue Stéfany. Ela corre, entra numa rua sem saída, e se esconde sentada atrás de uma lixeira.

Conrado entra na rua procurando Stéfany. Ele vem caminhando devagar.


CONRADO - Stéfanyyyy. Cadê você, meu amor?


Stéfany respira aflita.


Conrado avista a lixeira.


CONRADO - Não adianta fugir. O destino quer a gente juntinho.


A câmera foca em Stéfany.


Conrado vê Stéfany.


CONRADO - Ah, eu te achei. Tá vendo como o destino quer nos unir?


A câmera foca em Conrado. Ele vem andando e se aproxima da lixeira.


Ele para diante de Stéfany sorrindo.


CONRADO - Achei.


A câmera foca no rosto de Stéfany.


A cena congela


Fim do episódio.




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