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NOÇÃO DO PERIGO - CAPÍTULO 17 (Início da 2° Temporada)

 





— FADE IN —


Talita em um estúdio. Ela fala, quebrando a quarta parede.


Talita: Se você chegou agora e não tá por dentro do assunto, senta que eu vou resumir a minha história pra você.


Talita pega um controle remoto e aperta um botão, fazendo surgir uma tela atrás, apresentando todos os momentos citados.


Talita: Eu era só mais uma garota comum de 23 anos, cursando sua faculdade de arquitetura, quando eu descubro que minha melhor amiga, a Alice, queria na verdade acabar com a minha vida e tomar o meu lugar… Tudo isso porque ela participava de uma seita maligna, uma tal de seita da prosperidade. Digo participava, porque ela não está mais entre nós. Eu acabei acidentalmente matando ela durante uma discussão em que ela confessava tudo, um horror. A sorte é que o juiz reconheceu a legítima defesa e acabei não sendo presa. Ufa!

Agora a mãe da Alice, a maluca da Heloísa, insiste em querer se vingar de mim, tentando me atingir ou atingir minha família de qualquer forma possível. 

Por causa disso, eu tive que me refugiar na casa da minha madrinha, a tia Yara, que mulher maravilhosa… Me apoia em tudo. 

Sorte que o marido da Heloísa a internou por um tempo, mas infelizmente ela acabou de sair do hospital psiquiátrico… E pra piorar tudo, uma irmã gêmea da Alice surgida do inferno, resolve me aparecer… Ferrou pra mim!

A tia Yara mora na casa do Marcelo e da Priscila, um casal que super me acolheu bem… Bem até demais. Acreditam que os dois curtem uma parada à três? Eu não sabia, mas eu acabaria gostando também… A gente ficou, eu gostei… Não vamos entrar em detalhes! (Ri)

Mal sabia eu que aqui em Vila dos Mares eu também teria que enfrentar outra cobra: A Laura. A garota morre de inveja de mim, queria mesmo é estar no meu lugar… Ao lado da Pri e o Marcelo, em destaque nas fotos do catálogo de moda… Ela me sabotou tanto, que acabou conseguindo seu auge… Mas acham que eu deixei barato? Não… Tratei logo de me mexer e aprontar uma vingancinha… (tensa) Pena que tudo saiu do controle e agora a Laura tá entre a vida e a morte, indiretamente por minha causa… Não era pra ter sido assim... E agora?


— FADE OUT —


Cena 1. Avenida. Ext. Dia.


Laura estirada no chão, em cima de uma poça de sangue. Muitos curiosos em volta.


Figurante: (off) Alguém chama uma ambulância logo!


Caio, a Maquiadora, Yara e Talita vão passando em meio à multidão. Uma brecha se abre e eles podem ver que a moça caída se trata de Laura. Imediatamente Talita se desespera e fica pálida. Ela coloca as mãos sobre a boca e lágrimas caem de seus olhos.


Talita: Ai, meu Deus! (P/ Yara) Tia, é a Laura!


Yara: (chocada) A Laura foi atropelada!


Talita: (p/ si, desesperada) Não pode ser! De novo não!


Os olhos de Talita marejam. Yara segura a mão da afilhada. As duas expressam extremo desespero e arrependimento.


Caio: (desesperado) Cadê essa ambulância? A Laura tá perdendo muito sangue!


Caio vai até Talita e Yara, desnorteado.


Caio: Como é que pode isso? Há poucos minutos atrás ela tava fotografando lá no estúdio, cheia de vida, cheia de saúde... Agora tá aí jogada no chão, sem ninguém saber se sobrevive...


De tão chocadas e aflitas, Talita e Yara não conseguem responder nada. 


Caio: (alto) Alguém viu o que aconteceu pra ela ser atropelada desse jeito?


Figurante: Eu vi! Um desses pivetes passou aí e tomou a bolsa dela. A coitada saiu correndo atrás dele e deu no que deu…


Caio: Meu Deus, que horror…


Figurante: É… Depois que montaram essa favela aqui perto, o tal do Morro da Encosta, acabou a paz em Vila dos Mares.


Talita e Yara se afastam discretamente dali e vão para um cantinho, atrás de uma árvore.


Talita: Deu tudo errado, tia! Não era pra isso ter acontecido!


Yara: Não adianta se lamentar agora, Talita, seja racional. Foi o destino que quis assim. 


Talita: (fala baixo, aflita) E se aquele garoto resolver dar com a língua nos dentes?


Yara tampa a boca de Talita.


Yara: Não fala isso! Ele já deve tá bem longe daqui, ninguém mais pega.


Talita fecha os olhos fortemente e lágrimas caem... 


Cena 2. Carro de Rodolfo. Dia.


Rodolfo ao volante, impaciente.


Rodolfo: Trânsito caótico dessa cidade... Quer saber? Vou pegar um desvio e cair naquela praia.


Rodolfo manobra, sai da fila de carros e entra com o veículo em uma rua.


Cena 3. Vila dos Mares. Praia. Dia.


Rodolfo entra na praia, maravilhado com a vista.


Rodolfo: (com brilho nos olhos) Caraca… Quanto tempo eu não via o mar… A Talita se deu bem vindo pra cá…


Ele tira a camisa, a bermuda e os sapatos, ficando apenas de cueca. Há alguns passos, vemos que Bianca está deitada em cima de uma canga, pegando um bronze.


Rodolfo: (off) Com licença, moça?


Bianca olha pro lado e percebe Rodolfo, já se encantando por ele no mesmo instante. Ela retira os óculos escuros e fica a observá-lo.


Bianca: Pois não?


Rodolfo: Se não for te incomodar, você poderia tomar conta das minhas coisas? É só pra eu poder dar um mergulho rápido…


Bianca: (não disfarçando os olhares) Claro, claro... Pode dar seu mergulho, eu cuido das suas coisas…


Rodolfo: Valeu!


Rodolfo deixa suas vestimentas ao lado de Bianca e vai correndo até o mar. Bianca o observa.


Bianca: (excitada) Quem é esse gato, gente...? Ah... Eu quero esse gostoso pra mim! (Morde os lábios)


No close de Bianca,


Cena 4. Avenida. Ext. Dia.


Os socorristas colocam um colar cervical em Laura, em seguida a deitam em uma prancha e vão levando-a para dentro de uma ambulância. Caio conversando com Talita, Yara e a Maquiadora:


Caio: Eu tô ligando pra Bianca e ela não atende por nada! Eu vou ter que ir na ambulância com a Laura.


Maquiadora: Pode ir, Caio. A gente continua tentando ligar pra ela!


Caio vai correndo até a ambulância.


Caio: Eu vou acompanhando!


Socorrista: O senhor é parente?


Caio: Sou o chefe dela!


Socorrista: Então entre por favor.


Caio entra. Os socorristas fecham a porta e o veículo segue, com as sirenes ligadas. Talita e Yara:


Yara: Não tem mais nada que a gente possa fazer aqui. Vamos pra pousada?


Talita consente e baixa a cabeça…


Cena 5. Casa de Praia. Sala. Dia.


Priscila terminando de falar ao celular, chocada.


Priscila: (cel) Que horror! Tudo bem, obrigada por avisar…


Ela desliga. Marcelo aparece, já indagando.


Marcelo: Tá pálida, Pri. Quê que houve?


Priscila: Meu amor… A Laura…


Marcelo: O que aconteceu com a Laura? 


Priscila: Ela foi atropelada logo depois de tirar as primeiras fotos… 


Marcelo: Caramba… E como é que ela está?


Priscila: Tá entre a vida e a morte no hospital.


Marcelo: Meu Deus… Coitada! Tomara que ela saia dessa…


Priscila: E o pior é que ainda não conseguiram avisar a Bianca, a melhor amiga dela. Vai ser um baque quando ela souber…


Os dois se abraçam, aflitos.


Cena 6. Pousada. Suíte. Dia.


Talita e Yara entram. Talita sempre chorando, nervosa e histérica.


Talita: Eu não vou aguentar outro trauma desses na minha vida, tia! De novo! De novo alguém se ferra por minha causa! É a minha sina?


Yara: Talita, calma! Não adianta nada ficar se remoendo! 


Talita: Meu Deus do céu… O que foi que eu fiz? A Laura tinha realmente razão! Eu sou uma assassina! Uma assassina fria e sanguinária!


Yara: Não! Você não é isso! Se controla! A Laura não morreu!


Talita: (surtada) Mas ela tá mal! Tá mais morta do que viva! Eu sou uma praga na vida das pessoas! Tudo que eu toco apodrece. Eu era quem tinha que morrer!


Yara: Não fala essas besteiras! Chega!


Talita começa a se bater e a se descabelar.


Talita: (se batendo) Que ódio de mim! Que ódio!


Yara: Se controla, Talita! Para!


Yara segura Talita pelos braços e lhe dá uma forte bofetada. Com o impacto, a garota cai na cama.


Yara: Isso é pra você se conter! Reage! Você não pode se entregar assim.


Com os cabelos no rosto e os olhos vermelhos, Talita respira fundo e se acalma um pouco.


Yara: Infelizmente o plano deu errado mesmo! Saiu do controle. E você não pode fazer nada! NADA!


Talita apenas ouve, abalada.


Yara: Se a Laura se recuperar, ótimo. Mas se não se recuperar e morrer, paciência! Você vai ter que aprender a viver com essa culpa! É a consequência! Tenta esquecer isso de uma vez por todas! Ficar aí se atormentando não vai desfazer o que você fez. Não vai adiantar nada.


Talita: Eu não esperava que essa fosse a sua reação... Fui eu que te meti nessa roubada... Não esperava essa compreensão da sua parte.


Yara: (misteriosa) Talvez porque eu saiba o que é passar por isso…


Talita: Sabe? Como assim? 


Yara: Não importa agora. Eu não quero falar disso! Eu não te acolhi uma vez? Pois bem! Estou te acolhendo de novo! Nós duas vamos passar por isso juntas. Você divide esse peso comigo! 


Talita: Obrigada... Você é um anjo...


Yara: Eu não quero saber de você remexendo nisso, entendeu? Por acaso quer ser descoberta?


Talita: Claro que não!


Yara: Olha, Talita, vou falar só mais uma vez: Se eu te ver choramingando pelos cantos de novo por conta dessa história… Eu abandono você! Te deixo na merda sozinha. Você não pode ser fraca, você não tem o direito de ser fraca nessa situação!


Talita: (enxuga as lágrimas) Eu vou fazer o possível pra deixar tudo isso debaixo do tapete…


Yara: Eu quero que você faça o impossível!


Yara segura o rosto de Talita. Num rompante, as duas dão um abraço. Um abraço apertado e demorado… Tempo.


Cena 7. Vila dos Mares. Praia. Dia.


Rodolfo aproveitando o mar. Bianca o observando, excitadíssima.


Bianca: (fogosa) Delícia de macho, olha só… Alguém me refresca, que calor… 


Bianca se abana com a mão, em seguida abre sua bolsa e pega seu celular.


Bianca: (olhando o celular) Nossa… 15 chamadas não atendidas desse número… (preocupada) O que será? (T) Ih, tão ligando de novo.


Ela atende.


Bianca: (cel) Alô?


Ao escutar o que é dito do outro lado da linha, uma expressão de terror toma conta do rosto de Bianca. A mulher deixa o celular cair, ficando em estado de choque. Lágrimas escorrem de seus olhos.


Bianca: (em estado de choque) Não… Não pode ser… A Laura não… (grita) LAURAAAAAAAAA!


E o grito dela ecoa.


Confira a abertura atualizada



Cena 8. Vila dos Mares. Praia. Dia.


Rodolfo sai do mar e se aproxima de Bianca.


Rodolfo: Obrigado por ter tomado conta das minhas coisas…/


Ele percebe a expressão de choque de Bianca e se preocupa.


Rodolfo: (preocupado) Moça? Aconteceu alguma coisa?


Bianca: (chorando) A minha melhor amiga… Acabaram de me ligar… Ela foi atropelada, tá em estado grave!


Rodolfo: Caramba… Se quiser eu posso te ajudar, posso te acompanhar até o hospital, é por aqui?


Bianca: (chorando) É… 


Rodolfo: Você tá muito nervosa. Não tá em condições de fazer nada sozinha. Eu vou te ajudar, vem!


Rodolfo vai ajudando Bianca a se levantar. 


Cena 9. Caminhonete de Rodolfo. Dia.


Já vestidos, Rodolfo no volante e Bianca no banco ao seu lado, muito abalada. Tempo.


Cena 10. Pousada. Suíte. Sacada. Dia.


Talita na sacada, fumando um cigarro de palha, olhando pro nada com um olhar vazio… Yara, de trajes de banho, entra na sacada.


Yara: Eu vou tomar uma sauna pra tentar me acalmar um pouco… Você não vem?


Talita: Tô sem cabeça pra sauna. Pode ir, tia.


Yara: Tudo bem… Eu vou respeitar o seu tempo! Qualquer coisa me chama, tô aqui do lado.


Talita: Vai na paz!


Yara sai da suíte e fecha a porta. Talita traga e solta a fumaça, pensativa.


Flashback on: (cap. 16 - cena 30)


Laura estirada no chão, em cima de uma poça de sangue. Ao ver a cena, Talita imediatamente se desespera e fica pálida. 


Fusão com:


Flashback on: (cap. 3 - cena 23) 


Alice morta no chão da rua, se esvaindo em sangue…


Flashback off.


Talita: Parece que tá tudo se repetindo outra vez… Um looping de desgraças na minha vida… Esse pesadelo horroroso… Eu preciso saber do estado da Laura! Eu vou naquele hospital e não há quem me impeça.


Talita traga mais uma vez e solta lentamente a fumaça. Close.


Cena 11. Hospital. Recepção. Dia.


Bianca, nervosa, e Rodolfo entram no hospital e vão até o balcão da recepção.


Bianca: (p/ a recepcionista) Eu quero informações de uma moça que foi atropelada e deu entrada aqui, Laura Ramos. Eu sou a amiga dela!


Recepcionista: Um momento.


A Recepcionista tecla no computador. Neste momento, Caio aparece e vai falar com Bianca.


Caio: Bianca?


Bianca: Como é que a Laura tá?


Caio: Infelizmente o atropelamento foi bem violento, minha querida… Eu vi tudo. Ela tá sendo operada agora. Tem que esperar…


Bianca: (chora) Eu estava com um pressentimento ruim já fazia um tempo… Parece que eu estava prevendo que alguma coisa ia acontecer com a minha amiga… (aqui ela desaba)


Rodolfo a abraça, carinhoso.


Rodolfo: Fica calma…


Eles se soltam.


Bianca: (p/ Rodolfo) Olha, você pode ir, te agradeço muito pela carona. Eu posso ficar por aqui.


Rodolfo: De jeito nenhum. Eu faço questão de te acompanhar. (T) Eu ainda nem te disse meu nome… É Rodolfo.


Bianca: Bianca.


Os dois se olham. Closes alternados.


Cena 12. Diamantina. Stock Shots. Dia.


Takes aéreos e térreos da cidade.


Cena 13. Casa de Giovanna. Qto de Yasmim. Dia.


Yasmim entra em seu quarto e tranca a porta. Ela sobe em cima de uma cadeira e pega uma mochila em cima do armário.


Yasmim: Finalmente vou ter paz pra poder usar minha droguinha…


Ela desce da cadeira, se senta na cama e tira um saquinho de pó branco da mochila. Com muita sede ao pote, Yasmim abre o saquinho, pega um pouco do pó e coloca dentro do nariz. Em seguida, pega mais e esfrega na gengiva… Após isso pega mais um pouco e esfrega no rosto. Yasmim se joga na cama, sorri e fecha os olhos, completamente extasiada. Tempo. Muita tensão…


Cena 14. UEMG. Sala de aula. Dia.


Não há professor na sala. Giovanna em uma rodinha conversando com três colegas.


Menina 1: Cadê a Yasmim, Giovanna? Por que ela não veio hoje?


Menina 2: Ela anda faltando pra caramba… Eu venho percebendo.


Giovanna: Sabe que você têm razão? Ela disse que tava passando meio mal, com cólica, mas acho que tem mais coisa aí… O Felipe ainda está viajando, nem posso contar com ele.


Menina 1: A gente fica meio preocupada…


Giovanna olha para o lado e percebe uma garota a observando, com um olhar sorridente… Giovanna estranha.


Giovanna: (desconfiada) Gente, vocês conhecem aquela menina? 


Menina 3: Eu conheço… Ela é uma caloura, entrou faz poucos dias pela lista de terceira chamada e resolveu puxar essa matéria. Por quê?


Giovanna: Ela não parou de olhar pra cá…


Menina 3: Ela deve estar se sentindo excluída, coitada… Vou chamar ela! (Chama-a) Ei, garota, chega aqui!


Cecília (20) vai até as garotas e se senta ao lado de Giovanna.


Cecília: Oi, galera!


Todas: Oiii!


Giovanna: (receptiva) Então você é caloura?


Cecília: Pois é… Entrei faz pouco tempo. Ainda tentando me acostumar com o ritmo da facul.


Giovanna: Daqui a pouco você se ajusta, não demora muito. Prazer, Giovanna!


Cecília: (à todas) Nem me apresentei pra vocês, eu sou a Cecília!


Giovanna olha de canto para Cecília e sorri discretamente…


Cena 15. Fazenda Martins. Quarto de Mya. Dia.


Mya penteando os cabelos em frente à penteadeira enquanto Rafael fuxica em seu criado-mudo. 


Mya: (se vira p/ Rafael) Quer parar de mexer nas minhas coisas? Você vai acabar encontrando minha gaveta de calcinhas desse jeito...


Rafael: (faz uma cara de espanto) Tá bom, tá bom, parei. 


Mya: Ah, Rafa, um mês pro nosso aniversário e você ainda não decidiu qual vai ser o tema da decoração do seu lado da festa... Olha, você sabe, a festa também é sua, mas... Tenta evitar caveira e outros assuntos de primatas, que vocês meninos se interessam, tá? 


Rafael: Pode ser futebol? É um tema bacana, eu gosto, sem falar que combina com tudo…


Mya: Bom, vai matar a minha estética de princesinha do country, mas, tudo bem, né?


Rafael: (se entristece) Só é uma pena a Talita não poder comparecer… 


Mya se levanta, coloca a escova na mesa e se dirige até Rafael.


Mya: Isso é... Mas vamos tentar não ficar tristes! É o nosso aniversário de 18 anos! Nossa libertação de regrinhas, horários, não pode fazer isso, não pode fazer aquilo... Uma nova fase na nossa vida, Rafa, tá prestes a acontecer! Eu tô tão animada!


Rafael: Tem razão, mas... Confesso que tô com medo... Ir pra fase das responsabilidades, já poder fazer faculdade, dirigir, beber, tudo dentro da lei, aliás o fato de já poder ser preso, me dá um frio na barriga… 


Mya: É como eu também me sinto… Mas vai ser também a fase de mais descobertas da nossa vida…


Rafael: Bom... A mesma galera de sempre?


Mya: Mas é claro, toda turma reunida, muita bebida, um ou outro baseado, sacou? Um cigarrinho. Ah e temos que roubar o whisky do papai, mesmo que ele brigue depois... Não é todo dia que se atinge a maioridade...


Rafael: Nossa festa vai ser muito da hora! Tô muito ansioso... Tô pensando em convidar a Giovanna...


Mya: Convidar você pode, só resta saber se ela aceitaria ou não o seu convite... Na minha perspectiva, você não tem muita chance com ela...


Rafael: Por que você acha que eu não tenho chance com ela? Olha, eu posso até ser meio crianção, mas eu sou boa pinta, cá entre nós, macho aqui é de qualidade (se exibindo).


Mya: (rindo, debochando) Olha, macho aqui é de qualidade... Bom saber... Pra começar, eu acho que você não tem chance com ela, porque ela é muita areia pro seu caminhãozinho de macho alfa dominante e depois...


Rafael: Depois o quê? 


Mya: Ai, Rafa... A verdade é que eu acho que ela curte a mesma fruta que você...


Rafael: (surpreso) Acha mesmo que ela é lésbica? Não acha que tem nenhuma possibilidade dela ser bi?


Mya: Eu penso que não… Mas tem tanta menina por aí, irmão… Eu posso te afirmar com certeza que nessa festa você tem 100% de chances de pegar alguém!


Reação de Rafael desapontado…


Cena 16. Pousada. Sauna. Dia.


Yara, de biquíni, tomando sua sauna, reflexiva e misteriosa… Tempo.


Cena 17. Ap dos Vieira Paes. Sala. Dia.


Fernando, Heloísa e Luana entram em casa e fecham a porta.


Fernando: Tenho muito trabalho na prefeitura, eu volto mais tarde pra jantar.


Luana: Tudo bem, pai!


Fernando dá um beijo na filha e sai de casa, fechando a porta. Heloísa olha com raiva para ele. Luana percebe.


Luana: Que foi, mãe?


Heloísa: (amargurada) O que o seu pai fez comigo não tem perdão… Nem que se passe um milhão de anos.


Luana: O caminho inteiro você veio falando disso. Supera, mãe! Deixa eu te contar as novidades de Nova York… Aconteceu tanta coisa no intercâmbio!


Heloísa: Você não tem empatia pela sua mãe, Luana? Você por acaso sabe o que é ficar trancafiada num quarto de uma clínica psiquiátrica por mais de um mês? 


As duas vão se sentar no sofá.


Luana: Eu posso imaginar o seu trauma… Só tava tentando descontrair. 


Heloísa: Eu me descontrolei com a morte da sua irmã… (olha para Luana, emocionada) Ai, filha… Olhando pra você, assim… Deu uma saudade da Alice… Como pode duas pessoas serem tão idênticas? O mesmo rosto, mesma voz…


Luana: Irmãs gêmeas, mãe… Iguais em tudo, exatamente em tudo… (t) É uma pena que a Alice não tenha conseguido cumprir seu objetivo… Eu consegui!


Heloísa: Não me diga que…/


Luana: Exatamente, mãe… Consegui me tornar uma estilista renomadíssima em Nova York, minha carreira por lá está indo de vento em popa. 


Heloísa: Quanto orgulho…


Heloísa segura as mãos da filha.


Luana: Inclusive, estou pra lançar uma nova coleção de tecidos em breve, assim que eu voltar pros Estados Unidos. Tudo isso graças a bendita seita da prosperidade…


Heloísa: Quando você e a Alice decidiram entrar nessa tal de seita... Sabia que era um caminho sem volta. Mas me diz: Como é que tá a otária que você se fez de amiga?


Luana: A Anne? (rindo) Na pior… Bem no fundo do poço… Aquela ali nunca mais vai reagir, tá afundada, inclusive nas drogas… Eu consegui sugar todo o prestígio profissional que essa garota podia ter, mãe. Eu estou no auge, no topo.


Heloísa: Coisa que infelizmente a Alice não conseguiu concretizar… A vagabunda da Talita tem o santo forte, reagiu a tempo e deu no que deu…


Luana: Fica tranquila, mãe… Eu estou disposta a consertar esse tropeço do destino. A morte da minha irmã não vai sair assim de graça… Eu vou vingar a Alice, custe o que custar.


Heloísa: Mas como? O Fernando mesmo disse que essa fulana desapareceu do mapa…


Luana: Nada é impossível para Luana Vieira Paes… Já andei dando meus jeitos…


No olhar malicioso de Luana,


Cena 18. Vila dos Mares. Stock Shots. Noite.


Anoitece na cidade.


Cena 19. Casa de Praia. Quarto do casal. Noite.


Marcelo deitado na cama, vendo algo na TV. Priscila fazendo sua skincare em frente ao espelho da penteadeira.


Marcelo: Priscila?


Priscila: (passando um creme no rosto) Oi, Marcelo.


Marcelo: O quê que você acha de chamarmos a Talita e a Yara pra jantarem aqui hoje?


Priscila: Ah, eu acho ótimo. Depois de um dia traumático feito esse, tomar um vinhozinho no final do dia deve dar uma relaxada...


Marcelo: E isso já preparam as duas pra voltarem pra essa casa. Que por sinal tá tão vazia desde que elas saíram...


Priscila: Muito vazia...


Marcelo: Bom, vou dar um toque pra Yara.


Cena 20. Pousada. Suíte. Noite.


Yara entra no quarto, molhada, enrolada na toalha.


Yara: Talita? Ai, demorei um pouco porque aproveitei pra dar um mergulho na piscina depois da sauna… O Marcelo e a Priscila ligaram e convidaram pra jantar lá…


Mas ninguém responde. Yara estranha o silêncio.


Yara: Ué…?


Ela abre a porta do banheiro, não encontrando Talita.


Yara: (preocupada) Cadê a Talita?


Yara olha pra cama, vendo um papel em cima. Ela pega o papel, abre e lê:


Yara: (lendo) Fui dar uma voltinha na praia pra me distrair um pouco. Não pretendo me demorar. Beijos, Talita. 


Yara reflete um pouco.


Yara: Tomara que seja só isso mesmo…


Na aflição de Yara,


Cena 21. Vila dos Mares. Rua. Noite.


Talita caminha pela rua com uma expressão carregada. Ela para em frente ao hospital e respira fundo, tomando coragem.


Cena 22. Hospital. Recepção. Noite.


Talita entra no hospital, indo diretamente ao balcão da recepção. 


Talita: (à recepcionista) Boa noite, eu…/


E antes que Talita terminasse sua frase, Bianca aparece, desconfiada.


Bianca: Talita? O quê que você tá fazendo aqui?


Talita: Bianca! Eu tô muito preocupada com a Laura… Eu tava lá, vi tudo… (se corrige) Na verdade ouvi o atropelamento e quando fui ver, me deparei com a Laura caída… Eu quis vir e saber como é que tá a situação dela!


Bianca: Não precisa fingir preocupação nenhuma! Eu sei muito bem que você e a Laura nunca se bicaram. Você veio aqui foi pra conferir de perto a situação crítica dela, pra debochar e pra tripudiar, não é mesmo?


Talita: (ofendida) Eu jamais faria isso! Cê tá maluca? Que tipo de pessoa você acha que eu sou?


Bianca: Não se faz de sonsa.


Talita: (aponta o dedo) Olha aqui, eu exijo respeito! Quem sempre me hostilizou e aprontou pro meu lado foi ela, não eu!


E antes que a discussão engrosse mais, Rodolfo surge trazendo uma garrafinha de água.


Rodolfo: Bianca, comprei essa água pra você…


E é aí que Talita o percebe, se surpreendendo imediatamente e ficando pálida.


Talita: (estarrecida) Rodolfo? Que porra é essa? 


Rodolfo: (abre um sorriso) Talita… Finalmente eu te encontrei!


Bianca: (confusa) Vocês se conhecem?


Rodolfo: (fala baixo) Lembra que você me perguntou do motivo que me trouxe pra essa cidade...? Minha ex…


Talita: (nervosa) Pelo amor de Deus, Rodolfo, o quê que você tá fazendo aqui?


Rodolfo: Eu precisava falar com você!


Talita: Dá licença um minutinho, Bianca.


Talita puxa Rodolfo e vai levando-o para o exterior do hospital.


Bianca: Só me faltava essa… A ex do gostoso é a tal da Talita… Essa garota deve ter uma força muito misteriosa mesmo pra estar metida em tanta confusão…


Cena 23. Hospital. Jardim. Ext. Noite.


Talita, extremamente nervosa, joga Rodolfo contra uma parede.


Talita: Como é que você me achou aqui, seu desgraçado? Não era pra você ter vindo aqui nunca! 


Rodolfo: Calma, Talita!


Talita: Eu vim pra essa cidade justamente pra me esconder. Você sabe que eu corro risco de vida? Ou não se lembra que atearam fogo na minha casa e sequestraram a minha irmã?


Rodolfo: E eu te ajudei nessas duas situações!


Talita: Te agradeço. Mas isso não te dá o direito de me colocar em perigo! E se a bruxa da Heloísa ou o marido dela te seguiram até aqui, hein?


Rodolfo: Não tem o menor risco/


Talita: (revoltada) Quem foi? Quem foi que te disse onde eu tava? Eu preciso saber! Eu tenho um inimigo na minha cola e eu tenho que me prevenir!


Muita tensão. Rodolfo fica sem saída. Talita o encara bravamente.


Foco em Talita / A imagem congela em preto e branco e se despedaça


Encerramento: Lisboa - ANAVITÓRIA, Lenine


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