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VILAREJO - Capítulo 19



Capítulo 19

Cena 01 - Casarão D’ávilla [Interna/Manhã]

[Completamente chocado com o pedido de Ana Catarina, Miguel se recusava a acreditar no que tinha acabado de ouvir.]


MIGUEL: - Não, espera. Acho que não entendi direito. Vosmecê quer que eu faça um anúncio no jornal da cidade, que está buscando um marido com um dote de 100 mil contos de réis? [Questiona].

ANA CATARINA: - Não, vosmecê entendeu perfeitamente bem. Vou me casar em breve, se tudo correr como eu prevejo. [Responde com um ar de naturalidade].


MIGUEL: - Mas isso não é possível. Ana Catarina, vosmecê está se ouvindo? Isso é uma sandice, vão pensar que está fora da razão…


ANA CATARINA: - Eu não me importo mais com o que essa maldita gente pensa. Eu tenho um objetivo e vou alcançá-lo, além disso eles não saberão que sou eu, pelo menos não declaradamente.


MIGUEL: [Olha para Ana Catarina sem acreditar no que continua ouvindo].


ANA CATARINA: - Quero que faça um anúncio ocultando algumas informações, por exemplo o meu nome, quem sou, onde moro. Quero que ganhe destaque a informação que sou viúva, razoavelmente bonita ainda e sobre minha fortuna. Quanto a quem irá intermediar isso, não se preocupe. Já tenho tudo negociado com o tabelião da cidade.


MIGUEL: - Ana Catarina… [Repete incrédulo]. - Essa vingança não vai acabar bem, desista de uma vez por todas disto.


ANA CATARINA: - Eu não posso. Vamos fazer o seguinte, se a Carlota não morder a isca, coisa da qual duvido e se Antônio Guerra não passar de um caça-dotes, eu desisto da vingança e retorno para o castelo da Espanha.


[Nesse momento uma das criadas da casa se aproxima.]


EMPREGADA: - Senhora, tem uma visita querendo falar.


ANA CATARINA: - Visita? Mas eu não estou esperando ninguém. 


EMPREGADA: - Disse que se chama Sebastião.


MIGUEL: - É aquele escravo que vosmecê comprou no dia em que chegou na cidade e alforriou.


ANA CATARINA: - Ah, sim. Me lembro dele, mande-o entrar.


[A empregada sai por um breve momento e retorna acompanhada do ex-escravo.]


ANA CATARINA: - Pois não, o que deseja meu caro senhor? [Pergunta].


SEBASTIÃO: - Bom dia, sinhá. Desculpe o meu atrevimento de vir em sua casa sem ser convidado, mas acontece que estou precisando muito falar com vassuncê.


ANA CATARINA: [Percebe a preocupação do homem] - Vosmecê parece tenso. Diga o que aconteceu!


SEBASTIÃO: - Io sou inteiramente grato a sinhá por me dar o papel da liberdade, mas acontece que desde que virei um homem forro, não consigo emprego pelas bandas de acá e não tenho o que comer. Vim saber se vassuncê não pode me dar um emprego acá na fazenda. Eu posso trabalhar em troca de um teto e comida.


ANA CATARINA: [Olha para Miguel] - Claro, eu entendo perfeitamente. Escute, Miguel… A vaga de capataz já foi preenchida?


MIGUEL: - Não, ainda estou buscando um homem para ocupar a vaga de capataz da Santa Clara.


ANA CATARINA: - Pois então não busque mais, estamos diante do nosso capataz da fazenda! [Completa].


Cena 02 - Casarão D’ávilla [Interna/Manhã]

[Quando o dia amanheceu, Rosaura logo tratou de preparar a mesa do café da manhã no engenho, pois Carlota gostava de comer bem cedo. Após servi-los, Carlota, Leonora e Antônio conversavam sobre a noite anterior.]


LEONORA: - Antônio, meu filho. Vosmecê precisa conversar com Laura. Ela anda muito ciumenta, não foi de bom tom a forma como ela tratou a condessa.


ANTÔNIO: - Eu também percebi e não gostei. Laura anda muito possessiva e isso me preocupa um pouco.


LEONORA: - Ah, vosmecê precisa impor um limite nesse ciúme. É natural que ela tenha ciúmes, pois a condessa é uma mulher bonita, agora destratá-la. Imagina quando casarem!


ANTÔNIO: - Se houver casamento, né? Pois com o andar da carruagem, confesso que temo se esse casamento realmente será bom para nós dois. 


LEONORA: [Olha para Carlota e percebe ela distante] - E essa daí, o que deu nela?


ANTÔNIO: - Não sei, desde quando ela acordou que está assim hoje.


CARLOTA: [Recorda do jantar].


FLASHBACK

Na noite anterior…


GRAÇA: - Me conte, condessa. Por quê vosmecê nunca mais se casou? Ainda é uma mulher jovem e muito bonita, certamente partidos não lhe faltam.


LAURA: - Ou talvez não tenha nenhum. [Murmura].


ANA CATARINA: [Sorri com ironia e responde olhando para Laura] - Na realidade, o marido é uma figura indispensável para toda mulher em nossa sociedade atualmente, infelizmente. As mulheres são muito capazes de conseguirem o que querem sozinhas, mas como não há respeito para as mulheres que são sozinhas, tenho que me dobrar a isso. Na verdade até pretendo me casar, mas não é qualquer homem que saberia lidar com tanto poder e dinheiro, pois o meu finado conde me deixou muito bem de vida, felizmente.


FIM DO FLASHBACK


CARLOTA: [Permanece com o olhar distante, perdida em seus pensamentos].


Cena 03 - Gazeta do Vilarejo [Interna/Manhã]

Música da cena: Vilarejo - Marisa Monte

[Surgem imagens da cidade e com a transição de cena, a fachada da redação do jornal. Miguel observava a máquina de impressão agir, quando notou a entrada de Miguel.]


RICARDO: - Bom dia! Posso ajudá-lo? [Perguntou ao se aproximar].


MIGUEL: - De certo que sim. Eu vim fazer um anúncio em seu jornal!


RICARDO: - Naturalmente, me acompanhe que iremos conversar num local mais sossegado.


[Algum tempo depois, Ricardo e Miguel surgem sentados no local onde Ricardo costumava escrever suas matérias, enquanto o jornalista fazia anotações sobre o anúncio desejado.]


RICARDO: - Certo, já estou a postos. Do que se trata o seu anúncio?


MIGUEL: - Trata-se de uma proposta de matrimônio, é evidente que preciso da sua total e completa descrição sobre o assunto.


RICARDO: - Claro. Confesso que fiquei curioso com esse tipo de anúncio, creio que nunca tivemos nada parecido em nossa cidade, mas me fale. Irei anotar tudo sem pestanejar.


MIGUEL: - Claro! [Miguel começa a falar sobre o pedido de Ana Catarina, enquanto surpreso, Ricardo anota tudo].


Cena 04 - Fazenda Santa Clara [Interna/Tarde]

[Após sair de seu quarto, Ana Catarina cruzou um extenso corredor até adentrar na sala de estar de sua fazenda.]


ANA CATARINA: - Quando a criada me disse que vosmecê estava aqui, confesso que fiquei surpresa. Como posso ajudar?


LAURA: [Vira-se e encara Ana Catarina de frente] - Ficando bem longe do meu noivo. [Responde com rispidez].


ANA CATARINA: - Desculpe, acho que não entendi o que vosmecê quis dizer.


LAURA: - Condessa, não se faça de desentendida, vamos falar claro e sem rodeios. Eu já notei que vosmecê anda arrastando uma asinha para o meu noivo. Saiba que nós estamos muito bem comprometidos e que iremos nos casar. Nada, nem ninguém e muito menos alguém da sua laia vai nos separar.


ANA CATARINA: [Sorri enquanto aplaude] - Bravo! Belíssimo papel da noiva desesperada, isso renderia uma boa ópera.


LAURA: - Ora, não seja irônica!


ANA CATARINA: - Ora, vosmecê. Como se atreve a vir até acá, me ofender? Por muito menos ordenei expulsarem pessoas insolentes como vosmecê. Sua petulante! Eu não tenho culpa se o seu noivo anda ciscando fora do prato, se não consegue segurar Antônio, de certo o problema não é meu.


LAURA: - Escuta aqui, sua condessa de quinta categoria. Eu recomendo que vosmecê fique bem longe do meu noivo, posso ser uma mulher muito perigosa com quem cruza o meu caminho. Tome muito cuidado!


ANA CATARINA: - Isso é uma ameaça, Senhorita Lobato?


LAURA: - Entenda como quiser, querida.


ANA CATARINA - Eu vou te dizer uma coisa, agora preste bem a atenção, coisa que eu dúvido que uma menininha fraca de espírito e sem compostura como vosmecê tenha. Não se atreva voltar a me ameaçar. Eu não tenho medo de vosmecê e nem de ninguém. Se eu quiser fico com Antônio, seu irmão ou até o dono da taberna da primeira esquina que vir. Isso não lhe diz respeito, é a minha vida. Se voltar a minha casa para dizer despautérios mais uma vez, eu vou esquecer que sou uma condessa e vou tirá-la daqui como uma mulher sem classe, como a que disse que sou. Fui clara, querida? [Responde friamente].


LAURA: - Olha aqui…


ANA CATARINA: [Interrompe] - Eu fiz uma pergunta, Senhorita Lobato. Fui clara ou não?


LAURA: - Cristalina!


ANA CATARINA: - Excelente. Agora se me permite, tenho afazeres mais importantes. Retire-se da minha fazenda, sua presença não é bem-vinda e muito menos quero continuar olhando essa sua cara de desamor.


LAURA: [Pega a bolsa que trouxe consigo no sofá, encara Ana Catarina e em seguida vai embora furiosa].


ANA CATARINA: [Sorri observando Laura ir embora pisando forte no assoalho de madeira].

Cena 05 - Casa dos Lobato [Interna/Tarde]

[Tomásia lavava alguns pratos na cozinha da casa, quando ouviu gritar, chamando seu nome.]


TOMÁSIA: - Chamou, senhor? [Disse ao entrar correndo].


PEDRO: - Chamei sim! Notei que alguns dos meus ternos não estão aqui. Vosmecê sabe o que aconteceu? [Questionou parado em frente ao guarda roupa, que estava com as duas portas abertas].


TOMÁSIA: [Lembra-se de Maria do Céu usando os ternos do primo para se disfarçar e fica sem saber o que responder].


PEDRO: - Anda criatura, eu falei com vosmecê. Acaso um gato comeu a sua língua?


TOMÁSIA: - Sabe o que é sinhô, acontece que levei para lavar, só que em meio aos afazeres do dia a dia, acabei esquecendo de engomar, mas não se preocupe, vou trazê-los de volta, tudo direitinho.


PEDRO: - Tudo bem, me deixe sozinho. Vou trocar de roupa, pois irei sair.


TOMÁSIA: - Claro sinhô, com licença. 


[Ao se retirar, Tomásia encontrou-se na porta e respirou fundo.]


TOMÁSIA: - Essas saídas com disfarces da sinhazinha Maria do Céu precisam acabar. Por pouco não fomos descobertas! [Fala consigo mesma através do pensamento].


Cena 06 - Banco D’ávilla [Interna/Noite]

[Com a transição de cenas, surge a fachada do banco].


ANTÔNIO: - Será que posso entrar? [Pergunta após abrir a porta do escritório].


CARLOTA: - Antônio, que milagre vê-lo aqui. Entre, já estou terminando as coisas que estou fazendo. 


ANTÔNIO: - Ótimo, assim voltamos para casa juntos.


CARLOTA: - Eu não consigo entender como vosmecê continua com essa ideia estapafúrdia de trabalhar naquele jornalzinho mequetrefe. [Reclama enquanto lê alguns documentos].


FUNCIONÁRIO DO BANCO: - Com licença, desculpe interromper senhora, infelizmente não trago boas notícias.


CARLOTA: - O que houve? Não conseguiu localizar o empresário do café?


FUNCIONÁRIO DO BANCO: - Não, senhora. Tomei a liberdade de tentar ajuizar a dívida, já que ele desapareceu e mostrei as escrituras que ele trouxe como garantia. Descobri que todas são falsas, sinto muito, mas creio que a senhora caiu num golpe.


CARLOTA: - Não… Não pode ser, isso não é possível!


ANTÔNIO: - Calma, mamãe. Eu não consegui entender, quem é esse empresário? O que ele fez?


CARLOTA: - Um empréstimo fantasma de 80 mil réis para um fantasma. Esse homem nos roubou, nos roubou! [Grita enfurecida].


ANTÔNIO: - Calma, mamãe. Sempre há um jeito, tem que haver alguma saída. Vamos até as autoridades.


CARLOTA: - Vosmecê não entende, Antônio. Não ouviu o que ele acaba de dizer? Ele sumiu, evaporou, entregou documentos falsos. Estamos falidos, falidos… Minha esperança era ficar com essas propriedades cafeeiras, mas nem isso teremos como respaldo. Vamos perder tudo, tudo! [Completa].




Cena 07 - Fazenda Santa Clara [Interna/Noite]

[Surge a fachada da Fazenda Santa Clara. No interior da propriedade, Ana Catarina lia um livro na sala quando Miguel adentrou na sala.]


ANA CATARINA: [Fecha o livro bruscamente] - E então, fez o que eu pedi?


MIGUEL: - Sim, paguei pelo anúncio e ele deve sair na edição de amanhã. O dono do jornal também me garantiu que irá ficar de bico fechado.


ANA CATARINA: - Ah, perfeito. Tenho certeza de que a víbora da Carlota há de morder essa isca, ela fareja dinheiro e é assim que vou atraí-la para a minha armadilha.


MIGUEL: [Senta-se no sofá ao lado de Ana Catarina] - Também descobri algo que vosmecê há de gostar muito.


ANA CATARINA: [Estranha] - Pode falar, Miguel. Não tenha medo!


MIGUEL: - O dono do jornal, o Ricardo Bonifácio…


ANA CATARINA: - Sim, eu o conheci no dia do baile de máscaras.


MIGUEL: - Eu descobri que ele é perdidamente apaixonado pela Laura Lobato, noiva de Antônio Guerra. Acontece que ela o desprezou porque ele não é tão rico quanto Antônio.


ANA CATARINA: [Sorri com o que ouve] - Essa história só melhora. Talvez eu banque o cúpido e faça uma boa ação.


Cena 08 - Acampamento Cigano [Interna/Noite]

[Reunidos com um grupo de ciganos, incluindo Vladimir, Madalena e Açucena, Vicente estava visivelmente preocupado com a negativa de Cândida em vender mantimentos.]


VLADIMIR: - E foi isso que ela disse! [Completa ao terminar de contar como Cândida o expulsou da mercearia].


MADALENA: - Ah, maldita seja a sorte daquela gají. Que um raio caia naquela mercearia! [Responde furiosa].

Tradução: Gají = Mulher não cigana.


AÇUCENA: - Eu não consigo entender o porque das pessoas dessa cidade nos odiarem tanto, nunca fizemos nenhum mal.


VLADIMIR: - Essa mulher nos chamou de ladrões. Ela odeia nosso povo!


VICENTE: [Permanece em silêncio].


VLADIMIR: - E então bato, o que iremos fazer?

Tradução: Bato = Pai.


VICENTE: - Eu ainda não sei, meu filho. Com essa recusa eu fico muito preocupado com o que será do nosso povo, pois não temos muito e sem mantimentos não teremos como chegar sequer ao fim de semana. Precisamos pensar numa saída!


VLADIMIR: [Observa o pai e se preocupa com sua angústia].


Cena 09 - Casarão D’ávilla [Interna/Manhã]

[A lua se foi e em seu lugar, surgiu o sol irradiando os campos verdes da cidade de São José dos Vilarejos. Escravos trabalhavam no canavial da família D’ávilla, quando surgiu a fachada da entrada principal do engenho.]


LEONORA: - Não pode ser, tem que haver alguma saída. É de fato tão grave assim? [Pergunta preocupada].


CARLOTA: [Lê o jornal enquanto toma café].


ANTÔNIO: - Sim, tia. O desfalque que esse falso cafeicultor aplicou no banco foi imenso e isso pode nos levar a ruína. Principalmente agora, que o engenho está hipotecado. Vamos perder o banco e a fazenda se não quitarmos a dívida.


LEONORA: - Então só um milagre poderá nos salvar da ruína?


[Nesse momento Carlota muda de expressão ao notar um peculiar anúncio no jornal.]


ANTÔNIO: - Que foi, mamãe? Alguma outra notícia ruim?


CARLOTA: - Não, é um anúncio muito esquisito aqui no jornal. Bem peculiar na verdade!


LEONORA: - Que tipo de anúncio é esse?


CARLOTA: - Vou ler para vosmecês!


[Conforme Carlota narra, podemos ouvir o anúncio.]


“MILIONÁRIA PROCURA MARIDO PARA LHE AJUDAR A ADMINISTRAR SEU LAR E SEUS BENS. BONITA E AINDA JOVEM, BUSCA RECOMEÇAR SUA VIDA AO LADO DE UM BOM HOMEM SOB AJUDA DE CUSTO ADICIONAL MEDIANTE APRESENTAÇÃO DE DOTE NO DIA DO CASAMENTO, COM A QUANTIA DE 100 MIL CONTOS DE RÉIS. INTERESSADOS DEVERÃO BUSCAR SEU ADVOGADO E PROCURADOR NA RUA CAMPOS SALLES, NÚMERO 282, CENTRO DA CIDADE PARA NEGOCIAR O CONTRATO DE CASAMENTO, CASO CONCORDE COM A PROPOSTA. A NOIVA SOMENTE SERÁ APRESENTADA APÓS A ASSINATURA DO CONTRATO.”


LEONORA: [Surpreende-se].


ANTÔNIO: - Que anúncio mais esquisito, só pode ser uma louca. Que mulher em posse de suas plenas faculdades mentais cometeria tal despautério? [Questiona-se].


CARLOTA: [Observa o jornal, enquanto algo ecoa em sua mente] - “100 mil contos de réis”.


Cena 10 - Casa dos Lobato [Interna/Manhã]

Música da cena: Quem Toma Conta de Mim - Paula Toller

[Com a transição de cenas, surgem as grandes avenidas da cidade, movimentadas pelas charretes e carruagens. Em seguida aparece a fachada da casa dos Lobato.]


GRAÇA: - Mas você não deveria ter feito isso, Laura! [Grita].


LAURA: - E o que a senhora queria que eu fizesse? Aquela Condessa vem do quinto dos infernos para esse fim de mundo e cismou com o meu noivo. Antônio me enrolou durante anos, não vou deixar que uma lambisgóia como essa, com comportamentos libertinos me tire o meu futuro marido.


GRAÇA: - Minha filha, vosmecê é muito intempestiva. Acaso pensa que isso irá resultar em quê? Na Condessa se borrando de medo? Claro que não, se antes ela não tinha interesse nele como pensava, agora ela fará questão de fisgá-lo, apenas para te atingir. Esse tipo de mulheres são as piores!


LAURA: - Pois ela não vai me tomar o Antônio, eu estou disposta a tudo. Sou capaz de… [Para de falar e respira fundo, evitando terminar a frase].


GRAÇA: - Capaz de quê, Laura? Continue! [Encoraja surpresa com a atitude da filha].


LAURA: - Se ela se atrever a se meter entre e eu e o Antônio, eu serei capaz de ir até às últimas consequências, nem que para isso, eu precise matá-la. [Completa].


Cena 11 - Casarão D’ávilla [Interna/Manhã]

[Pensativa, Carlota entrou em seu escritório dentro do banco. Sozinha, ela foi até a janela e observou um pouco a movimentação na rua. Em seguida, acomodou-se em sua cadeira de frente à escrivaninha e novamente abriu o jornal.]


CARLOTA: [Lê mais uma vez].


“MILIONÁRIA PROCURA MARIDO PARA LHE AJUDAR A ADMINISTRAR SEU LAR E SEUS BENS. BONITA E AINDA JOVEM, BUSCA RECOMEÇAR SUA VIDA AO LADO DE UM BOM HOMEM SOB AJUDA DE CUSTO ADICIONAL MEDIANTE APRESENTAÇÃO DE DOTE NO DIA DO CASAMENTO, COM A QUANTIA DE 100 MIL CONTOS DE RÉIS. INTERESSADOS DEVERÃO BUSCAR SEU ADVOGADO E PROCURADOR NA RUA CAMPOS SALLES, NÚMERO 282, CENTRO DA CIDADE PARA NEGOCIAR O CONTRATO DE CASAMENTO, CASO CONCORDE COM A PROPOSTA. A NOIVA SOMENTE SERÁ APRESENTADA APÓS A ASSINATURA DO CONTRATO.”


CARLOTA: - 100 mil contos de réis! [Repete pensativa].


Cena 12 - Fazenda Santa Clara [Externa/Manhã]

[Com a transição de cenas, surge a área externa da propriedade de Ana Catarina. Acompanhada por Miguel, os dois estavam montados cada qual em um cavalo enquanto conversavam.]


MIGUEL: - Eu não sei, Ana Catarina. Sinceramente não acredito que esse plano dê certo. Quem garante que a Carlota fará algo? Além disso, não creio que Antônio irá se prestar ao papel de aceitar se comprometer com uma estranha.


ANA CATARINA: - Já disse, meu amigo. Carlota morderá a isca, eu conheço aquela mulher como ninguém. Se Antônio não for o interesseiro que tenho certeza que é, não queira se casar com a mulher do anúncio do jornal, eu volto para a Espanha e desisto de uma vez por todas para a Espanha.


MIGUEL: - Mesmo amando ele? 


ANA CATARINA: - Amando ele? Eu não amo Antônio Guerra, ao contrário. Eu o odeio com todas as minhas forças, ele brincou comigo, me humilhou como mulher e isso eu jamais irei perdoar.


MIGUEL: - Vosmecê sabe que amor e ódio caminham juntos, de mãos dados numa linha tênue, não sabe?


ANA CATARINA: [Observa Miguel sem saber o que dizer].


[Nesse momento percebemos uma movimentação estranha nas imediações das plantações da fazenda.]


MIGUEL: - Tem algo de errado ali! [Nota].


ANA CATARINA: - Então vamos descobrir o que há. Yá! [Grita ao puxar a rédea do cavalo para que ele corra].


[Correndo em seus respectivos cavalos, Ana Catarina e Miguel logo se aproximaram da plantação e reconheceram Sebastião entre alguns homens que seguram outro.]

MIGUEL: - O que está acontecendo acá, Sebastião? [Questiona].


SEBASTIÃO: - Esse cigano estava roubando nossa plantação, doutor. 


ANA CATARINA: - Um ladrão em minha fazenda? Deixe-me olhar na cara dele! [Ordena furiosa].


SEBASTIÃO: [Ergue a cabeça do cigano, revelando o rosto de Vladimir].


ANA CATARINA: [Surpreende-se] - Vosmecê?


Música da cena: Só Louco - Nana Caymmi


VLADIMIR: [Olha para Ana Catarina, montada em seu cavalo, em meio a luz do sol logo atrás dela e fica estarrecido].


[A imagem congela focando em Vladimir observando Ana Catarina, surge um efeito de uma pintura envelhecida e o capítulo se encerra].


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