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VILAREJO - Capítulo 28



Capítulo 28

Cena 01 - Casarão D’ávilla [Interna/Noite]

[O silêncio pairava na sala de estar da casa da família D’ávilla após Ana Catarina por fim revelar a verdade.]


ANA CATARINA: - Que foi, minha querida? Um gato comeu a sua língua? Eu vivi para ver Carlota Guerra sem palavras. [Gargalha]. - Vosmecê não esperava me ver viva, não é? Depois daquela arapuca que armou para matar a mim, meu pai e minha irmã.


CARLOTA: - Vosmecê só pode estar variando das ideias. Antônio, faça alguma coisa! [Esbraveja].


ANA CATARINA: - Seu filho já provou do próprio veneno ontem a noite. Ele já sabe quem sou eu. Ah, que sabor ver essa sua cara ordinária empalidecida com a minha presença. Esse foi o seu maior erro, colocar sua ambição na frente de tudo, achando ser mais esperta que tudo e todos. Foi muito fácil te enganar, sabia? [Fala sorridente].


CARLOTA: - Do que está falando, sua fedelha? 


ANA CATARINA: - Dos anos fazendo vosmecê provar do mesmo veneno, mesmo estando há milhares de léguas de distância. Os golpes no banco, os desvios de dinheiro. Tudo voltando para o verdadeiro local por direito. 


CARLOTA: [Pausa um momento e instantaneamente começa a se lembrar].


ANA CATARINA: - Até o cafeicultor… Ah, Carlota. Como pode não me reconhecer? 


LEONORA: - Eu não entendo, o que está acontecendo acá?


ANA CATARINA: - Não se preocupe, Leonora. Vosmecê teve o azar de nascer na mesma família dessa serpente, mas nada irá lhe acontecer.


CARLOTA: - Por quê voltou, então? Onde esteve todos esses anos?


ANA CATARINA: - Eu tive a sorte de sobreviver ao atentado e ter sido resgatada pela tropa do Conde de Burgos, um homem muito bom e generoso que me ajudou gratuitamente, sem cobrar nada em troca. Todos esses anos eu estive me preparando com um único objetivo, te esmagar como o inseto que eres. Eu vou te destruir, Carlota Guerra.


CARLOTA: - Ora, chega de dizer tanta tolice. Eu não tenho mais porque continuar ouvindo tanta bobagem. Saia já da minha casa! [Grita].


ANA CATARINA: - Sua casa? Tem certeza? [Pergunta debochando].


Cena 02 - Mercearia da Paz [Interna/Noite]

[Com a transição de cenas, surgem algumas ruas da cidade como plano de fundo. Joana fechava a mercearia, quando Cândida apareceu de saída, remexendo no interior da bolsa.]


CÂNDIDA: - Eu vou à missa, não me demoro. Feche a mercearia e pode ir descansar, minha filha. Tem certeza que não quer ir comigo?


JOANA: - Tenho sim, mamãe. Prefiro ficar em casa, estou cansada… Só que antes queria te fazer uma pergunta.


CÂNDIDA: - Se for algo relacionado aos ciganos andarilhos, nem se atreva, não estou com humor.


JOANA: - Não é isso, mamãe. Trata-se do meu pai… Por quê a senhora nunca fala sobre ele? Eu nem sei se ele está vivo ou morto, pois sempre que toco no assunto, a senhora dá um jeito de desconversar. Quem foi o meu pai?


CÂNDIDA: - Não tenho o que falar dele, porque ele já morreu e não podemos trazer o passado à tona. Se vosmecê já acabou, agora tenho que ir à missa. Feche tudo e vá dormir… [Sai apressadamente].


JOANA: - Tem caroço nesse angu e eu vou descobrir do que se trata. Ah se vou! [Pensa em voz alta após ficar sozinha].


Cena 03 - Senzala [Interna/Noite]

[Zeferino estava deitado numa esteira pousada no chão, enquanto fumava seu cachimbo, quando Idalina entrou correndo afoita.]


IDALINA: - Zeferino… Zeferino!


ZEFERINO: - O que foi, estrupício? Vassuncê entrou correndo como se tivesse visto uma assombração.


IDALINA: - Vassuncê não sabe o que io acabei de ver. Foi praticamente uma assombração mesmo, só vassuncê vendo pra saber.


ZEFERINO: - Ah, é? E o que foi que vassuncê viu?


IDALINA: - A tal da condessa chegou com sinhozinho Antônio e os dois não vieram sozinhos.


ZEFERINO: - Não vejo nada demais nisso. Sinhozinho Antônio é filho da patroa e a condessa nora dela, familiares visitando os outros. Vassuncê que é muito linguaruda!


IDALINA: - Mas Zeferino, io ainda…


ZEFERINO: - Calada, não quero mais saber de falatório acá. Se vassuncê continuar fazendo mexerico, vou colocar um ovo quente na sua língua. Entendeu? [Conclui, sem dar importância a escrava].


Cena 04 - Casarão D’ávilla [Interna/Noite]

[Ana Catarina e Carlota continuavam se enfrentando na presença de Antônio e Leonora.]


ANA CATARINA: - Tem certeza que essa casa é sua, Carlota?


CARLOTA: - Claro que tenho, o meu marido deixou para mim.


ANA CATARINA: - Deixou involuntariamente após vosmecê cometer um crime. Não Carlota, essa casa não é mais sua.


CARLOTA: [Sorri] - Como não? Essa casa é minha sim!


ANA CATARINA: - Pobre imbecil! Esqueceu das promissórias que te mostrei? Não achou que eu liquidei a hipoteca à toa, achou? Vosmecê tem uma dívida comigo e eu posso executar a promissória quando quiser. Quero executar agora, me pague o que deve, sua assassina! [Grita].


CARLOTA: - Como vou te pagar? Vosmecê sabe muito bem que não tenho essa quantia em dinheiro, pois andou me surrupiando feito uma larápia.


ANA CATARINA: - Faz-me rir, Carlota. Era exatamente isso que queria ouvir, que vosmecê está pobre que nem Jó. Vai precisar penhorar tudo o que tem para comer um pedaço de pão, quem dirá os dentes. Como suspeitei, vosmecê não tem dinheiro para pagar sua dívida, muito menos seu querido filhinho. Então sendo assim, a casa deixa de ser sua, pois irei executar as promissórias.


CARLOTA: - Vosmecê não pode fazer isso, é contra lei. Vou te processar!


ANA CATARINA: - Vosmecê quer mesmo acertar contas com a justiça, minha querida? Sabe bem que há muito o que esconder neste momento. [Pausa diante o pavor de Carlota]. - Bom, como dizia… A casa agora possui uma nova proprietária!


CARLOTA: - Que proprietária? Vosmecê? Pobre coitada, vosmecê esqueceu que é esposa do meu filho?


ANA CATARINA: - Não, eu não esqueci disso e muito menos ele esquecerá. Quem esqueceu de algo aqui foi vosmecê, que continua me subestimando mesmo eu provando que sou superior. Nos casamos em separação total de bens, já esqueceu? Mas eu vou acabar com o mistério… Vou lhe apresentar a nova dona do engenho… [Disse ao sair da sala de estar].


[Ao retornar, Ana Catarina voltou acompanhada e deixou todos boquiabertos.]


CARLOTA: - Mas o quê significa isso? Que brincadeira é essa?


ANA CATARINA: - Não é brincadeira nenhuma, minha querida. Rosaura é a nova dona da fazenda, esse é o meu presente para ela. Papel passado e tudo! A sua derrocada começou, Carlota. [Responde ao lado de Rosaura].


Cena 05 - Acampamento Cigano [Externa/Noite]

Música da cena: Mil Noites de Um Amor Sem Fim - Silva

[Surge o acampamento cigano com a transição de cenas. O grupo estava espalhado pelo assentamento. Alguns cantavam e dançavam em volta da fogueira, enquanto outros conversavam próximos às tendas e serviam comida. Sozinho na entrada de sua barraca, Vicente pensava em Leonora.]


VICENTE: - Outro filho… [Sorri ao falar sozinho]. - Ah, meu amor. Que surpresa mais bonita você foi me arrumar. Outro filho varão! [Pensa consigo mesmo].


Cena 06 - Casarão D’ávilla [Interna/Noite]

[Carlota se recusava a acreditar no que estava ouvindo, por isso Ana Catarina continuava ao lado de Rosaura, para fazer com que ela acreditasse na realidade.]


CARLOTA: - Mas isso é uma loucura… Uma negra, dona da minha casa? [Fala furiosa].


ANA CATARINA: - Vosmecê é mesmo dificil de entender, não é? É ex casa… Vosmecê não tem mais nada.


CARLOTA: - Como não? Onde pensa que eu vou morar?


ANA CATARINA: - Onde mais? Numa acomodação digna de uma pessoa como vosmecê. A partir de agora, invertemos os papéis neste engenho… Vosmecê vai morar na senzala! 


CARLOTA: - Isso é impossível… Antônio, faça alguma coisa.


ANA CATARINA: - Ele não moverá um alfinete, pois também está em minhas mãos. Admita, Carlota. Vosmecê perdeu o direito de morar nessa casa, acá… Só fica quem a dona da casa permite e vosmecê não é mais bem-vinda. Idalina! [Grita].


IDALINA: [Entra na sala assustada] - Chamou?


ANA CATARINA: - Sim, Idalina. Quero que pegue todas as roupas da Carlota e as leve para a senzala.


IDALINA: - Mas como? Io num posso fazer isso não…


ANA CATARINA: - Se atreva a negar e vosmecê vai morar na sarjeta com essa ordinária. [Grita].


CARLOTA: - Faça isso Idalina, encare isso como algo provisório. [Responde friamente].


[Alguns instantes depois, todos aparecem parados diante a senzala, incluindo Zeferino.]


IDALINA: [Joga a última pilha de roupas no chão] - Aqui está tudo, sinhá.


ANTÔNIO: - Chega, eu não quero mais continuar presenciando esse circo. Vou te esperar na carruagem. [Vai embora].


LEONORA: - Antônio, meu filho… Espera! [Vai atrás dele].


ANA CATARINA: - Idalina, quero que saiba que a partir de hoje, vosmecê não recebe mais ordens dessa mulher. Rosaura agora é a única dona do engenho, vosmecê entendeu?


IDALINA: - A Rosaura? [Surpreende-se].


ANA CATARINA: - Eu perguntei se vosmecê entendeu!


IDALINA: - Sim, sinhá.  [Responde sem jeito].


CARLOTA: - Sua cretina, vosmecê não perde…


ANA CATARINA: [Interrompe Carlota lhe dando um tapa na cara] - Essa chegou com alguns anos de atraso, mas não se preocupe. Em breve voltarei para acertar os juros e correções monetárias, a minha vingança só está começando. Faça bom proveito da sua nova morada, querida. [Retira-se].


ROSAURA: [Encara Carlota e em seguida vai embora com Ana Catarina].




Cena 07 - Fazenda Santa Clara [Interna/Noite]

[Após desmascarar Carlota perante toda a família, Ana Catarina e Antônio voltaram para casa sem trocar uma palavra. Ao chegar à fazenda, ambos foram para ala da casa onde ficavam os quartos dos dois.]


ANA CATARINA: - Vou mandar servir o jantar, vosmecê não vem? [Questionou].


ANTÔNIO: - Eu juro que não consigo entender como vosmecê se tornou essa mulher tão fria e como conseguirá comer depois de tudo o que acaba de fazer. Eu em seu lugar, não teria estômago. [Responde parado diante a porta do próprio quarto].


ANA CATARINA: - Jejuar por conta de dois criminosos? Não vale a pena e eu não quero que ninguém desconfie que nosso casamento não vai bem. Insisto que vá comigo à sala de jantar.


ANTÔNIO: - No meu contrato de marido comprado é obrigatório a minha presença em todos os jantares?


ANA CATARINA: - De novo com essa história, Antônio? Já disse que pouco me importo com a sua ladainha, desde que não deixe transparecer aos outros.


ANTÔNIO: - Com todo respeito, Ana Catarina… Ou melhor, minha esposa. Pouco me importa o que vosmecê pensa. Desça e minta, afinal vosmecê se tornou muito experiente nisso. Agora se me permite, vou me recolher. Estou com dor de cabeça! [Entra no quarto e deixa Ana Catarina sozinha].


ANA CATARINA: [Esbraveja e pensa em entrar no quarto, mas logo após se contém e entra em seu próprio quarto, que ficava de frente para o de Antônio].


Cena 08 - Casa dos Lobato [Interna/Noite]

Música da cena: Esquadros - Gal Costa

[Após Tomásia anunciar que o jantar seria servido, Laura terminou de se aprontar e desceu, encontrando apenas Graça na sala de jantar.]


LAURA: [Senta-se] - Ué, pelo o que vejo seremos só nós duas hoje. Onde está meu irmão?


GRAÇA: - Com certeza mancomunado com aquela cigana imunda. Era só o que me faltava, vosmecê perdeu o partidão que era o Antônio Guerra. Seu irmão era minha última esperança, agora se envolveu com uma cigana maltrapilha. Estamos indo de mal a pior…


LAURA: [Distrai-se enquanto come, não dando muito importância ao que Graça fala].


GRAÇA: - Já vosmecê, me parece muito bem disposta para quem acaba de perder o noivo no altar. Não me diga que foi tão bom a escapada com o jornalista de porta de cadeia? [Questiona ao ver a filha fazer pouco caso do que ela acabara de dizer].


LAURA: - Se vosmecê quer saber mesmo, a noite no cassino com o jornalista foi muito boa. Ele me surpreendeu bastante, me saiu um belo pé de valsa.


GRAÇA: - Ao menos serviu para isso… [Responde em tom de crítica].


LAURA: - Me diga, mamãe… O que vosmecê acharia se eu me casasse com o Jornalista Ricardo Bonifácio? 


GRAÇA: [Engasga-se e começa a tossir imediatamente, tomando um gole d’água] - Era só o que me faltava, eu só posso ter jogado pedra na cruz. Meus dois filhos, casados com pés rapados. Ainda bem que fiz o meu pé de meia, pois não precisarei penhorar nada na velhice…


LAURA: - A senhora sabe muito bem que nada disso acá é nosso. Se vivemos do bem bom, é às custas da minha prima. A senhora a engana desde que o pai dela morreu. Não tem vergonha, mamãe?


GRAÇA: - Claro que não e vosmecê deveria me agradecer ao invés de me julgar. Se eu fiz o que fiz, foi para criar vosmecê e seu irmão com todo conforto do mundo. Além disso, a sonsa da sua prima jamais saberia aproveitar a fortuna que o meu querido e falecido irmão deixara para ela, por isso eu me tornei sua tutora.


LAURA: - Tutoria essa que pode acabar a qualquer momento! [Ironiza].


GRAÇA: - Claro que não… Eu só deixarei de ser tutora da Maria do Céu quando ela atingir a maioridade ou se casar. E ela não vai se casar, porque não sai do sótão, logo não tem como conhecer ninguém que se interessar por uma mosca morta.


LAURA: - Tudo bem, digamos que ela não se case. Isso não impede que minha prima alcance a maioridade, aliás, falta pouquíssimo tempo para isso e vosmecê sabe bem disso.


GRAÇA: - Isso não vai acontecer nunca, Laura. Nem que pra isso, eu precise interditar a sua prima… Afinal, ela não bate bem da cabeça mesmo, não seria difícil provar que ela é louca. Agora coma, é melhor do que ficar dizendo abobrinhas. [Completa voltando a comer].


Cena 09 - Gazeta do Vilarejo [Interna/Manhã]

[Sentado em sua mesa, Ricardo não parava de escrever quando um dos jornalistas de sua equipe se aproximou.]


JORNALISTA: - Não se pode negar, a edição especial que narra com detalhes o casamento de Antônio Guerra e a Condessa de Burgos é um verdadeiro sucesso. Os jornaleiros estão mandando recados que os jornais já acabaram. Pena que não temos como soltar uma nova tiragem.


RICARDO: - É, precisamos brindar as boas novas… 


JORNALISTA: [Percebe uma alegria diferente em Ricardo] - É, algo me diz que essa sua felicidade tem outro nome. Posso jurar que também usa saias e mora na Rua das Árvores, respondendo pela graça de Laura Lobato Ribeiro Alves. Acertei?


RICARDO: - Um bom jornalista jamais entrega suas fontes. Ao trabalho, meu caro! [Conclui sorridente].


Cena 09 - Fazenda Santa Clara [Externa/Manhã]

[Com a transição de cenas, surge a área externa da fazenda de Ana Catarina. Sozinho e caminhando pelo jardim, Antônio tentava espairecer após os últimos acontecimentos.]


ANTÔNIO: [Aproxima-se de uma fonte e observa a água jorrar, quando é surpreendido].


SEBASTIÃO: - O senhor precisa de alguma coisa?


ANTÔNIO: - Não, só estou conhecendo um pouco mais da casa.


SEBASTIÃO: - Ah, sim. Vassuncê faz muito bem, essa é uma fazenda muito bonita. Certamente, vassuncê irá gostar.


ANTÔNIO: [Olha para Sebastião e tem uma ideia] - Olha, pensando bem, eu preciso sim de uma coisa.


SEBASTIÃO: - Pois, não. Estou às ordens para servi-lo!


ANTÔNIO: [Retira um pouco de dinheiro do bolso do paletó] - Preciso que peça para alguém comprar alguns objetos para mim, no centro da cidade. Preciso de escova de dente, pente de cabelo e barbeadores. Assim que retornar, deixe-os no meu quarto. [Orienta ao entregar o dinheiro]. - Ah, também preciso de charutos!


SEBASTIÃO: - Claro, vou num pé e volto no outro.


ANTÔNIO: - Agradecido, Sebastião. Pode ficar com o troco! [Conclui].


Cena 10 - Casarão D’ávilla [Interna/Manhã]

[Carlota dormia tranquilamente em uma esteira no chão da senzala, quando alguém se aproximou dela sem que ela notasse.]


ROSAURA: [Despeja um balde d’água em cima de Carlota].


CARLOTA: - Céus… O que é isso? [Questiona-se ao acordar atordoada].


ROSAURA: - Está na hora de acordar, madame. A mordomia acabou! Se os pretos não dormem até tarde, vosmecê também não vai dormir.


CARLOTA: - Quando eu voltar para a minha casa, vosmecê vai se arrepender amargamente por isso.


ROSAURA: - Duvido muito, a tendência agora é vassuncê perder as forças. A minha menina não está para brincadeira. Se eu fosse vassuncê, tomaria cuidado. [Conclui saindo aos risos].


CARLOTA: [Esbraveja sozinha].


Cena 11 - Cachoeira [Externa/Tarde]

Música da cena: Corre - Gabi Luthai

[Maria do Céu observava as folhas de uma árvore, quando notou a vibração do solo e percebeu que alguém se aproximava.]


MARIA DO CÉU: - Vosmecê veio! [Disse ao olhar para trás e se deparar com Miguel].


MIGUEL: - Claro que eu vim, não poderia deixar de vir principalmente depois de ontem. Nos vimos tão rápido durante o casamento, gostaria de ter aproveitado um pouco mais a sua companhia?


MARIA DO CÉU: - Gostaria muito de ter aproveitado ainda mais… Confesso que achei tudo lindo, nunca tinha ido a uma festa de casamento. Foi emocionante!


MIGUEL: - Sim, gostaria de ter tirado vosmecê para uma dança, seria um verdadeiro escândalo, eu e você, vestida de rapaz. A sociedade de São José dos Vilarejos ficaria em polvorosa.


MARIA DO CÉU: [Sorri] - Eu passaria vergonha, pois não sei dançar…


MIGUEL: - É bem simples… Basta fazer assim! [Diz aproximando-se de Maria do Céu, colocando as mãos na cintura dela]. - Agora vosmecê me acompanha assim, um passo para lá e o outro para cá…


MARIA DO CÉU: [Olha para Miguel e fica trêmula].


[Conforme os dois dançam e começam a girar, ficam cada vez mais próximos.]


MIGUEL: [Beija Maria do Céu].


MARIA DO CÉU: [Afasta-se, nervosa].


MIGUEL: - Desculpe, eu não deveria…


MARIA DO CÉU: [Empurra Miguel e foge correndo].


MIGUEL: - Espera, Maria… [Tenta alcançá-la, mas é em vão].


Cena 12 - Banco D’ávilla [Interna/Tarde]

Música da cena: Vilarejo - Marisa Monte

[Surgem algumas imagens das ruas da cidade movimentadas. Em seguida é apresentada a fachada do banco. Carlota adentrou como de costume em sua sala quando se surpreendeu ao olhar em direção a sua mesa.]


CARLOTA: - Mas o que significa isso? [Questiona furiosa].


ANA CATARINA: [Encara Carlota satisfeita] - Ora, o que mais? Vim tomar posse da minha herança. Esqueceu que o banco também me pertence, querida madrasta? Ou devo dizer sogra? Ah… Pouco importa, as duas são assassinas do mesmo jeito! [Conclui].


[A imagem congela focando em Carlota furiosa, surge um efeito de uma pintura envelhecida e o capítulo se encerra].


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