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VILAREJO - Capítulo 31

 



Capítulo 31

Cena 01 - Confeitaria Doce Deleite [Interna/Tarde]

[Sem entender nada, Mila tentava limpar o vestido de Carlota após derrubar chá acidentalmente, enquanto a megera olhava fixamente para o seu antebraço.]


CARLOTA: - [Permanece parada, olhando para Mila].


MILA: - [Estranha a forma que Carlota olha para ela] - O que houve? Algum problema, senhora?


CARLOTA: [Senta-se] - Não minha querida, não foi nada. Não precisa se preocupar, acidentes acontecem. Me diga, Lady Mila… Vosmecê é uma moça muito linda e jovem, não me parece ter mais que quinze anos. Acertei?


MILA: [Sorri desajeitada] - Gentileza sua, senhora. Eu tenho pouco mais que dezoito anos, em breve farei dezenove. [Responde].


CARLOTA: [Fala consigo através do pensamento] - Dezoito anos, exatamente como pensei.


AMÁLIA: [Observa as duas e não gosta nada dos questionamentos de Carlota].


CARLOTA: - Eu espero que sejamos boas amigas, minha querida. Vosmecê sempre poderá contar comigo! [Responde fingindo gostar da jovem].


MILA: - Com muito gosto, senhora. [Completa].


Cena 02 - Fazenda Santa Clara [Externa/Tarde]

Música da cena: Mil Noites de Um Amor Sem Fim - Silva

[Após receber um recado de uma das criadas da fazenda, Ana Catarina caminhou pela casa até chegar a área externa, onde desceu a escadaria da fazenda.]


ANA CATARINA: - A criada me disse que estava acá, por quê não quis entrar pra me esperar na sala de estar? Faço muito gosto com a sua visita! [Disse ao avistar Vladimir enquanto descia].


VLADIMIR: - Não queria incomodá-la, condessa. Vim trazer esses tachos de cobre, é uma singela forma de agradecermos por tudo que tem feito pelo nosso acampamento. Somos nós mesmos que fabricamos artesanalmente. [Diz enquanto mostra os tachos com um ar orgulhoso].


ANA CATARINA: - São realmente muito bonitos, mas não precisava se sentir na obrigação de pagar nada. Faço isso por simpatizar com vosmecês, seus valores. Além disso, vamos acabar com tantas formalidades, vosmecê não precisa me chamar de condessa, principalmente pelo fato de que já me conhece há anos.


VLADIMIR: [Estranha] - Conheço?


ANA CATARINA: - Conhece, eu me chamo Ana Catarina D’ávilla, te conheci há muitos anos, quando fui saber da sorte na tenda de uma cigana com a minha irmã.


VLADIMIR: [Surpreende-se] - Então é vosmecê…


ANA CATARINA: - Sim, sou eu. É uma longa história, que eu vou te contar. Não quer entrar um pouco? Tomamos um café, enquanto te deixo a par das novidades.


[Ana Catarina então, estendeu a mão e Vladimir subiu, acompanhando-a até entrar na propriedade.]


Cena 03 - Casa dos Lobato [Interna/Tarde]

Música da cena: Corre - Gabi Luthai

[Com a transição de cenas, surgem algumas imagens da cidade. Logo após, a fachada da casa da família Lobato é apresentada. Como de praxe, Maria do Céu e Tomásia entraram em casa sorrateiramente e sem fazer muito alarde após retornar de mais um passeio clandestino.]


TOMÁSIA: - Não resta mais dúvidas, vassuncê está mesmo apaixonada pelo doutorzinho. [Diz ao fechar o portão da casa].


MARIA DO CÉU: - Se estar apaixonada é sentir meu coração palpitar tão forte quando o vejo, a ponto de sentir que ele quer sair de dentro do meu peito, a resposta é sim… Eu estou apaixonada pelo Miguel. Devo isso a vosmecê!


TOMÁSIA: - A mim? [Questiona].


MARIA DO CÉU: - Sim, a vosmecê. Se não fosse por vosmecê, eu jamais teria aceitado sair de casa e não teria conhecido o Miguel.


TOMÁSIA: [Sorri] - Eu sempre disse, vassuncê não está doente. Vossa tia sempre lhe enganou. Seja livre, sinhá… E viva seu grande amor!


MARIA DO CÉU: [Segura a mão de Tomásia] - Farei isso, minha amiga. Farei isso! [Completa].


[Em seguida, as duas entram em casa sem serem vistas e sem perceber que alguém estava à espreita.]


GRAÇA: - Aproveitem, pois essa alegria não vai durar muito! [Murmura ao se aproximar do portão].


Cena 04 - Navio (Pelotas) [Externa/Tarde]

[Com a transição de cenas, surge a imensidão do mar e um navio que se aproximava cada vez mais do porto. No convés, homens trabalhavam quando um escravo se aproximou de um homem estranho, que usava uma máscara de ferro, cobrindo toda a sua cabeça.]


ESCRAVO: - Por quê vassuncê usa esse negócio estranho cobrindo toda a cabeça?


HOMEM: [Olha para o escravo e responde em seguida] - Eu não sei, não consigo me lembrar.


ESCRAVO: - Como não consegue se lembrar de quem fez uma tamanha maldade? E o seu nome? [Questiona].


HOMEM: [Tenta lembrar] - Eu também não sei, não consigo me lembrar.


ESCRAVO: - Vassuncê não sabe o próprio nome? Só pode ser pancada da cabeça mesmo! [Completa].


HOMEM: [Pensativo, retorna ao trabalho].


Cena 05 - Casarão D’ávilla [Interna/Noite]

Música da cena: Flor de Lis - Melim

[Com o pôr-do-sol surgindo, logo a lua sobe ao céu e a noite chega. Imagens da cidade são apresentadas e logo após a fachada do engenho da família D’ávilla. Através da janela da senzala, Carlota notou uma movimentação estranha.]


CARLOTA: [Observa Leonora sair de casa na calada da noite, com um ar de mistério] - Para onde essa sacripanta está indo na calada da noite? [Ao questionar-se, logo após Carlota foi surpreendida com a resposta surgindo em seguida]. - Céus, não pode ser!


[Carlota viu Leonora se aproximar de uma charrete, onde Vicente a esperava. Logo ele desceu ao avistar a amada e a beijou nos lábios.]


CARLOTA: - Maldita. Mil vezes malditas! Eles estavam juntos todo esse tempo, bem debaixo do meu nariz. Por isso ela voltou! [Conclui].


Cena 06 - Fazenda Santa Clara [Interna/Noite]

[Após a criada lhe informar que o jantar seria servido em breve, Antônio terminou de se arrumar para sair do quarto. Ao deixar o cômodo, notou a porta do quarto de Ana Catarina aberta e notou que ela lia, sentada de frente para uma escrivaninha.]


ANTÔNIO: - Vosmecê não vai descer? O jantar será servido, o criado acaba de me avisar. [Disse ao adentrar].


ANA CATARINA: - Vou sim, desço logo mais. [Responde sem dar muita importância].


ANTÔNIO: - Vosmecê está preocupada, está tudo bem?


ANA CATARINA: [Fecha o livro] - Eu ainda fico impressionada com esse dom que tem de fingir se importar. Já disse, nada que me aconteça será pior do que fizeram comigo há quase duas décadas atrás. Não precisa fazer de conta, meu marido. Guarde suas obrigações para outra ocasião. [Completa ao se levantar].


ANTÔNIO: - Ah, minhas obrigações… Desculpe, não recebi a lista que me compete sobre as obrigações de marido, minha senhora.


ANA CATARINA: - Não seja cínico, vosmecê sabe muito bem qual as obrigações de um bom marido.


ANTÔNIO: [Aproxima-se] - Não, confesso que não entendi. Vosmecê se refere às obrigações íntimas conjugais? Porque só está faltando isso, o que não seria muito diferente das mais altas cortes, uma senhora ter um caso e se deitar com seu escravo para se satisfazer. Acaso é isso que quer? Que eu consume o nosso casamento, ali, em sua cama? [Pergunta com ironia].


ANA CATARINA: [Acerta uma bofetada no rosto de Antônio].


ANTÔNIO: [Encara Ana Catarina e ergue a mão para devolver a bofetada].




Cena 07 - Fazenda Santa Clara [Interna/Noite]

[Após o tapa, Antônio e Ana Catarina se encaravam frente a frente no quarto dela.]


ANA CATARINA: - Nunca mais se atreva a falar assim comigo. De que laia pensa que sou? [Grita].


ANTÔNIO: [Abaixa a mão] - Só não vou lhe devolver essa bofetada, porque é uma mulher.


ANA CATARINA: - Devolva, me espanque se quiser. Isso não vai diminuir o nojo que eu sinto de vosmecê, Antônio Guerra. Nem pintado de ouro, cravejado de diamantes e rubis, vosmecê teria o valor de um homem digno. Eu jamais pretendo voltar a me relacionar intimamente com vosmecê, jamais!


ANTÔNIO: - Não é isso o que seus olhos dizem. Vosmecê queima por dentro, de paixão, mas está dividida entre o amor e o ódio.



ANA CATARINA: [Sorri] - Ora, Antônio. Por quem me tomas? Vosmecê está equivocado, já disse que para vosmecê eu estou morta. Uma alma e um coração que vosmecê próprio ajudou a matar. Nada me trará de volta a vida, mas não se preocupe. Isso que vivenciamos acá, não há de demorar muito, pois há de nos consumir pouco a pouco por dentro, até que reste apenas um de nós.


MILA: - Mamãe, o que aconteceu? Estava no jardim quando ouvi gritos. [Diz assustada ao se aproximar com Amália].


ANTÔNIO: - Esperarei lá embaixo. Com licença! [Diz ao se retirar].


ANA CATARINA: - Minha filha, Amália… [Diz ao se debruçar sobre um profundo pranto].


MILA: - O que houve, mamãe? Por quê brigaram? [Questiona ao abraçar a mãe para consolá-la].


ANA CATARINA: [Chora desesperadamente abraçada a filha].


AMÁLIA: [Observa a cena, sem saber como agir] - Chore, minha filha. Seja o que for que tenha acontecido, chorar faz bem e limpa tudo. [Completa].


[Do corredor, Antônio permaneceu parado, ouvindo o sofrimento de Ana Catarina, visivelmente entristecido por tê-la magoado.]


Cena 08 - Acampamento Cigano [Interna/Noite]

[Assim que entraram na tenda de Vicente, ele e Leonora voltaram a se beijar apaixonadamente até o momento em que foram interrompidos.]


CARLOTA: [Aplaude ao entrar na tenda] - Ora, ora, ora! Eu sabia que isso iria acontecer, só não imaginei que seria tão rápido.


VICENTE: - O que essa mulher veio fazer acá? [Questiona-se].


LEONORA: - Vá embora, Carlota. Vosmecê não é bem-vinda acá!


CARLOTA: - Agora eu não sou bem-vinda, mas quando essa daí não soube te segurar na cama, eu fui muito bem recebida, acaso não se lembra?


LEONORA: - Vosmecê se comporta uma cortesã, a mais ordinária das prostitutas! 


CARLOTA: - Ora, eu não tenho culpa se vosmecê não teve competência para segurar o homem e muito menos o filho.


LEONORA: - Ordinária! [Grita ao desferir um tapa na cara de Carlota].


CARLOTA: [Surpreende-se] - Em mim, vosmecê não vai bater. Sua… [Aproxima-se de Leonora, erguendo a mão para devolver o tapa].


VICENTE: - Vosmecê não vai tocar num fio de cabelo da minha mulher, se não eu te amo. [Responde ao segurar o braço de Carlota com força, impedindo que ela agrida Leonora].


CARLOTA: [Encara Vicente com lágrimas nos olhos] - Vicente, como pode defendê-la? Sou eu, Carlota… A mulher que…


VICENTE: - Que mais me fez mal nessa vida! [Completa ao interromper a vilã].


LEONORA: - O que pensou, Carlota? Vosmecê não acreditou mesmo que ele correria para os seus braços, pensou? Quanto ao Antônio, não cante vitória. Cedo ou tarde a verdade vai aparecer ele vai saber que é meu filho e não seu.


CARLOTA: [Sorri com maldade] - Sim e vosmecê sabe o que vem depois disso? O desprezo, Antônio nunca vai te perdoar por ter escondido a verdade. Vosmecê será rejeitada, como sempre foi. Assim como esse daí que hoje brada, dizendo que vosmecê é mulher dele, fará em breve. 


VICENTE: - Vá embora. Maldita seja a tua sorte, que os seus dias diminuam na terra, xunga! [Grita].

Tradução: Xunga = Mulher feia.


CARLOTA: - Eu vou, mas eu volto. Me aguardem! [Retira-se].


VICENTE: - Não fique assim, meu amor. Antônio não tem o sangue ruim dessa gají, ele não vai fazer o que ela disse. Não vai! [Diz abraçando Leonora].


LEONORA: - Será, Vicente? Será? [Questiona-se abalada].


Cena 09 - Casa dos Lobato [Interna/Noite]

Música da cena: Esquadros - Gal Costa

[Após firmar o acordo de sociedade formalmente, Ricardo logo tratou de contar o que havia acontecido para Laura.]


LAURA: - Milionário, como assim? [Surpreendeu-se].


RICARDO: - Exatamente, vosmecê agora está diante do mais novo milionário de São José dos Vilarejos. Com essa sociedade, eu saio do vermelho e posso viver muito bem até o resto dos meus dias.


LAURA: - Céus, por essa eu não esperava…


RICARDO: [Segura na mão de Laura] - Agora eu posso pedir sua mão em casamento, sua mãe não tem mais motivos para ser contra o nosso relacionamento. Eu posso te dar tudo o que vosmecê merece.


LAURA: [Olha para Ricardo sem saber o que responder].


[Do alto da escada, Graça observava toda a conversa sem se apresentar.]


GRAÇA: - É, talvez o jornalista seja a salvação dessa família. [Fala consigo mesma através do pensamento].


Cena 10 - Porto de Pelotas [Interna/Manhã]

[Quando o navio atracou no porto, ouvia-se de longe as vozes ordenando para que homens trabalhassem conforme era ditado. Alguns desciam objetos dos convés, enquanto outros andavam enfileirados para serem destinados para suas respectivas e futuras atividades na cidade.]


CAPITÃO: - Andando, andando! [Grita].


ESCRAVO: - Pra onde será que esses malditos irão nos levar? Se ao menos conseguíssemos fugir…


HOMEM: - Não sei… [Responde olhando ao redor].


ESCRAVO: - O que foi? O que vosmecê tanto olha?


HOMEM: - Não sei, é como se eu conhecesse esse lugar. Tenho a impressão de que já estive acá.


ESCRAVO: - Vassuncê, acá? [Surpreende-se].


HOMEM: - É… Eu acho que conheço esse lugar!


[Nesse momento, ouve-se uma discussão entre o capitão do navio e um passageiro. Ambos começam a trocar socos e uma confusão se instaura no local, provocando agitação e pessoas correndo de um lado para o outro.]


ESCRAVO: [Nota a confusão e olha para o céu] - Eu sabia, eu sabia que vassuncê não ia me abandonar, meu pai. A oportunidade que estávamos esperando chegou!


HOMEM: - Que oportunidade? [Estranha].


ESCRAVO: - Vamos aproveitar a oportunidade de que nossas pernas não estão algemadas e vamos correr. Vosmecê acha que consegue? [Sussurra].


HOMEM: - Eu acho que sim… [Responde cismado].


ESCRAVO: - Então, corre! [Grita ao começar a correr].


HOMEM: [Sem atinar em nada, começa a correr, acompanhando o escravo fugitivo, ambos com as mãos algemadas por correntes].



Cena 11 - Acampamento Cigano [Externa/Manhã]

Música da cena: Lua Cheia - Dienis (Participação Especial: Letícia Spiller)

[Com a transição de cenas, surge o acampamento cigano. Nas imediações, Pedro e Açucena agora conversavam livremente, sem precisarem se esconder.]


AÇUCENA: - Casar? Eu pensei que vosmecê estivesse de pileque, zombando comigo. Vosmecê quer mesmo isso? [Questiona surpresa].


PEDRO: - Quero sim. Eu sei que não sou o modelo de marido ideal, mas tenho força de vontade para me superar e conseguir um bom emprego. Não quero que te falte nada. Vosmecê se casaria comigo? [Questiona sem jeito].


AÇUCENA: - Se eu me casaria com o gadjó mais bonito dessa cidade? Eu daria todo o ouro do mundo só para poder dizer sim. [Beija o rapaz].

Tradução: Gadjó = Homem não cigano.


PEDRO: [Sorri de alegria]  - Bom, então já que vosmecê pretende aceitar, irei organizar as coisas e tratar de arrumar um bom emprego para manter a minha futura senhora.


AÇUCENA: - E eu, cuidarei de enfrentar a minha avó, que naturalmente ficará uma fera com a notícia. [Completa reflexiva].


Cena 12 - Casarão D’ávilla [Interna/Manhã]

Música da cena: Acreditar no Seu Amor - Liah Soares

[Imagens externas da cidade são apresentadas. As ruas surgem movimentadas, às margens do rio, mulheres lavam roupas e por fim, surge a fazenda Santa Clara, onde homens trabalham nos pomares ao redor da propriedade. No interior da casa, Ana Catarina lia algumas correspondências no escritório, quando alguém bateu na porta.]


ANA CATARINA: - A porta está destrancada, pode entrar. [Respondeu ao pousar uma das cartas em cima da escrivaninha].


ANTÔNIO: - Desculpe-me incomodar tão cedo, mas acontece que preciso lhe falar o quanto antes.


ANA CATARINA: - Imagino que seja algo relacionado a ontem, se for, já lhe aviso que agora não é uma boa hora para voltarmos a discutir…


ANTÔNIO: - É sobre ontem, mas eu não pretendo discutir. O que eu tenho para lhe propor é bem simples e mais saudável para nós dois.


ANA CATARINA: [Estranha o rumo da conversa] - Eu acho que não estou entendendo. Poderia ser mais claro?


ANTÔNIO: - Eu acho que a melhor alternativa para nós dois é a separação. [Conclui].


[A imagem congela focando em Ana Catarina surpresa com a proposta de Antônio, surge um efeito de uma pintura envelhecida e o capítulo se encerra].


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