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VENTO NORTE: Capítulo 04



Cena 01/ Hospital Municipal/ Quarto da UTI/ Dia.

Close em Rosália desolada, deitada sob o corpo de Gustavo, o abraçando. A sala está vazia. Alguns minutos se passam. O médico entra no quarto. 

Otávio: (com suavidade) Senhora...Precisamos levar o corpo para o IML, já se passou duas horas de seu falecimento... 

Rosália beija Gustavo e se levanta. 

Otávio: A senhora precisa cuidar dos trâmites legais. 

Rosália: (desnorteada) O que devo fazer? 

Otávio: Preparar o velório, sepultamento. A perícia ainda deseja examinar o corpo então é provável que ele só seja liberado as oito. 

Rosália: Não estou com cabeça para nada disso. Lhe peço um único favor, cuide dessas questões em meu nome por gentileza. Ficarei eternamente grata. A paróquia do velório será na São Francisco de Paula. Irei para casa, tomarei um banho e logo retorno com os documentos e toda a papelada. 

Otávio: Está certo! Não se preocupe, providenciarei essas questões legais para a senhora. 

Rosália: Grata!

Rosália se retira do quarto com a cabeça baixa e desolada. 

Cena 02/ Residência Fontes/ Suíte principal/ Dia.

Vera acorda do desmaio e se apoia na cama para se levantar. Vera volta a se deitar.

Vera: (gemendo de dor) Ah, Deus... Ah... 

Close na expressão de dor de Vera. 

Cena 03/ Residência Trajano Viana/ Suíte principal/ Dia. 

Carlos: (assustado e gaguejando) Papai... Eu posso... 

Celso interrompe Carlos. 

Celso: Você pode o quê? Me desobedecer? Você saiu de casa, contrariando uma ordem minha, pela janela, sem que eu permitisse que você saísse. Já percebi que castigo algum, vai fazer você levar jeito... 

Celso desabotoa a fivela do cinto.

Carlos: (assustado e nervoso) Papai, não!

Celso: (pega o cinto pela mão) No meu tempo, os conflitos entre pai e filho eram resolvidos dessa forma. Meu pai sempre dizia, se você não virar homem por mérito próprio, virará na marra!

Celso pega Carlos pelo braço e começa a surrá-lo com o cinto. 

Carlos: (gritando e chorando) Papai, papai

Carlos continua gritando aos prantos. Close em Melissa olhando a cena no corredor escondida.  

Cena 04/ Residência Fontes/ Sala de estar/ Dia. 

Regina entra em casa e coloca a bolsa sob a mesa. Seu pai se dirige até ela.

Regina: (surpresa) Aconteceu alguma coisa? Como está minha mãe?

Alberto: Não aconteceu nada com sua mãe! É que acabo de ouvir o noticiário... Gustavo Flores Viana acaba de falecer... 

Close em Regina em choque. 

Cena 05/ Residência Trajano Ferraço/ Quarto de Carlos/ Dia. 

Carlos está sob a cama debulhando-se em lágrimas, agarrado à um travesseiro. 

Cena 06/ Residência Flores Viana/ Sala de estar/ Dia. 

Música: Palavras - Cássia Eller (até o fim da cena oito).


Close em Rosália passando pela sala destruída. Ela olha para o porta-retratos de Gustavo que está na mesinha lateral ao sofá e começa a debulhar-se em lágrimas. Ela se dirige ao corredor. 

Cena 07/ Residência Flores Viana/ Corredor/ Dia. 

Close em Rosália passando pelo corredor. Ela se depara com um quadro de tamanho a2 pregado na parede. O quadro em questão mostra Gustavo a segurando nos braços. Ela se dirige até o quarto desolada. 

Cena 08/ Residência Flores Viana/ Suíte principal/ Dia. 

Rosália entra no quarto e se dirige até o espelho. Ela se olha. Close nela destruída. Ela se dirige até o armário e procura um vestido. Ela encontra um vestido preto. Ela se dirige até o espelho. Close nela com o rosto inchado. Ela derrama uma lágrima. Rosália coloca o vestido em frente ao corpo, para avaliar a vestimenta. Rosália chora enquanto segura o vestido. 

Cena 09/ Residência Fontes/ Sala de estar/ Dia. 

Enquanto Regina se apronta para sair ao espelho, dessa vez com um vestido e uma bolsa preta, Alberto e Eleonora estão sentados no sofá. 

Regina: Acabo de telefonar para o hospital, o velório seguido do sepultamento será realizado na paróquia São Francisco de Paula.

Alberto se dirige até a filha.

Alberto: Lamento não poder lhe acompanhar, mas sua mãe teve uma crise de enxaqueca... 

Regina: Não se preocupe papai! 

Eleonora sentada ao sofá diz. 

Regina: Ficarei para dar apoio a Alberto filha. Mande condolências minhas a Rosália. 

Regina: Obrigada vovó. 

Regina se retira. 

Cena 10/ Bordel Le Blanc/ Banheiro do quarto/ Dia. 

Laura está aos prantos na banheira. Suas partes íntimas não ficam visíveis. Close em seu olhar assustado e ao mesmo tempo com raiva.

Abertura: 


Vinheta de intervalo:


Cena 11/ Residência Trajano Ferraço/ Externa. 

Plano geral da fachada da casa. Ocorre uma transição entre o sol e a lua.




Cena 12/ Residência Trajano Ferraço/ Sala de estar/ Noite. 

Celso está lendo o jornal. Passam-se alguns minutos. Regina entra. Celso se surpreende. 

Celso: O que houve? Você não passaria a noite na casa de seus pais?

Regina: (triste) Gustavo... (pausa ofegante) Acaba de falecer... 

Celso fica chocado. Regina e Celso se abraçam. 

Cena 13/ Residência Muniz/ Sala de estar/ Noite.

Helena está aprontando Vicente enquanto Roberto aparece tentando arrumar a gravata. 

Roberto: Não compreendo o motivo de termos que ir à esse velório... Nós mal conhecíamos esse homem...

Helena: (se dirige até Roberto e arruma sua gravata) Roberto... Precisamos ir para dar apoio, condolências a família, suporte. 

Vicente: Ah mamãe, nós três sabemos que você só está interessada em ir à esse velório para fofocar. 

Helena: (nervosa) Vicente! (pega Roberto pelo braço) Já basta! Vamos logo, caso contrário ficará tarde! 
 
Roberto, Helena e Vicente se dirigem até a porta e saem. 

Cena 14/ Igreja São Francisco de Paula/ Externa/ Noite.

Plano geral na rua da igreja. 


Um carro de aluguel para em frente a igreja. Close no carro. Um motorista desce a abre a porta. Rosália está com um classudo e discreto vestido preto, com um véu escuro cobrindo o rosto. Close em Rosália. 

Cena 15/ Igreja São Francisco de Paula/ Interna/ Noite.

Plano geral da igreja. 


Close em Rosália entrando na igreja e se dirigindo até o caixão. Ela olha para Gustavo, toca em seu rosto e o beija. Rosália fica aos prantos, em lágrimas secas, sem som, tentando ser forte.  

Cena 16/ Bordel Le Blanc/ Quarto de Laura/ Noite.

Laura está passando pó de arroz em frente ao espelho, um pouco triste, enquanto Diva bate na porta e entra. 

Diva: Laura? 

Laura: Entre... 

Diva: Você não deveria trabalhar hoje, ainda não se recuperou, seu olho ainda está inchado... 

Laura: Essa é desvantagem da nossa profissão... Não escolhemos a hora ou o lugar para sermos agredidas e humilhadas... 

Diva: Você já disse a sua mãe o que aconteceu? 

Laura: Não! E por favor, não comente nada... Ela vai ficar preocupada e pode me proibir de trabalhar no bordel... Os negócios não vão muito bem! Ela precisa de uma nova menina... Noite passada tivemos excelentes lucros... 

Diva: Está certo... Não direi nada... Mas você deveria contar a sua mãe... 

Laura e Diva se abraçam. 

Cena 17/ Igreja São Francisco de Paula/ Salão principal/ Noite.

Close em algumas pessoas entrando na igreja, entre elas Regina, Celso e as crianças. A família Muniz, O Doutor Otávio e as enfermeiras do hospital... Plano geral das pessoas em volta ao altar, sentadas. Close em Rosália em frente ao caixão, sendo forte. 

Cena 18/ Bordel Le Blanc/ Saguão/ Noite.

Música: O que é que a baiana tem? - Carmen Miranda (até o fim da cena). 


As meninas estão dançando acompanhadas. Está uma verdadeira farra no salão. Todos muito alegres e felizes. Algumas garotas estão arrastando seus pretendentes até os quartos. Laura está parada, desanimada. Ela se dirige até um canto pouco frequentado do saguão e se senta lá. Close nela pensativa. Ela derrama uma lágrima mas logo seca o rosto com a mão, com raiva. 

Cena 19/ Residência Fontes/ Sala de estar/ Noite.

Alberto está sentado no sofá enquanto Eleonora está em frente ao armário que a sala possui, onde fica localizado o telefone, fazendo uma ligação. 

Eleonora: (se dirige até o sofá e se senta) Acabo de encomendar uma coroa de flores para enviar ao velório de Gustavo. 

Alberto: Eu teria ido acompanhando Regina, Celso e as crianças, para dar suporte, mas com Vera nesse estado... 

Eleonora: Vocês irão quando ao médico? 

Alberto: Amanhã... Estou preocupado... Ela não anda tão bem... Não come direito, não consegue dormir, sente dores e cansaço o tempo todo...

Eleonora: Não há de ser nada meu filho! Tenha fé em Deus, para Deus nada é impossível! 

Eles dão as mãos. Close em mãe e filho.

Cena 20/ Igreja são Francisco de Paula/ Salão principal/ Noite.

Instrumental:



Todos estão sentados nos bancos da igreja. Há familiares, amigos, alguns curiosos e a imprensa presente no Velório. Rosália está sentada na primeira fileira. Close nela. Agora close no padre que profere algumas palavras enquanto o instrumental continua... 

(Se ouve apenas o som da voz do padre junto ao instrumental. nenhuma voz de fundo se é ouvida.)

- Deus disse haja luz e houve luz. Ele foi o causador da existência da luz no universo. Para Gustavo Flores Viana, essa luz não se apagou, mas se revitalizou, dessa vez em outro plano, em outra existência, em outro tempo. Gustavo tentou ser o melhor dos homens, o melhor dos maridos. Para sua esposa, Gustavo foi a melhor das pessoas. Gustavo e Rosália, viveram uma grande história de amor, que foi ceifada, por obra do destino, pelas vontades que só Deus sabe e conhece. Um dia, esse amor se colocará a prova, no reencontro divino. Em um lindo jardim com flores, animais de todas as espécies. Lá, eles poderão ser felizes novamente, sem culpa ou medo. Poderão se amar, viver eternamente esse romance. O romance de dois apaixonados. Duas almas que se Deus quiser e permitir, irão se amar para toda a eternidade. Nosso irmão Gustavo, hoje já não está mais entre nós, mas... 

(a voz do padre fica desfocada) 

Close em Rosália com uma expressão amarga e dura. 

A imagem fica em preto e branco, como se fosse um filme dos anos 40. Gancho em Rosália com um olhar amargo. 



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