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Caminhos - capítulo 21 (Últimas semanas)

 

CAMINHOS

novela de MIGUEL VICTOR

direção geral RICARDO WADDINGTON

CAPÍTULO 21 - ÚLTIMAS SEMANAS

CENA 01. SALA DE TRIBUNAL. DIA

Clara se levanta do banco e caminha até o púlpito. Ela olha ao redor, nervosa, mas

determinada a contar sua história.

Juiz: Senhora Clara Macedo.

Clara: Meritíssimo, Senhoras e Senhores presentes nesta sala, eu gostaria de relatar minha

versão dos fatos e apresentar minhas evidências.

Clara começa a descrever, com emoção.

Clara: (com lágrimas nos olhos) Eu fui enganada, manipulada e exposta a um experimento

cruel. Yedda me fez acreditar que o JOE me fez acreditar que era uma pessoa real, que

tinha sentimentos e intenções. Fui levada a compartilhar meus segredos, meus medos e

minhas aspirações com uma entidade artificial que, no fim das contas, era apenas um

programa.

Yedda, sentada no banco dos réus, ouve atentamente o depoimento de Clara, seu rosto

exibindo uma mistura de preocupação e ansiedade. O advogado de Clara, ao lado dela, a

encoraja a continuar.

Clara: Não posso permitir que Yedda saia impune por suas ações. Ela violou minha

confiança, manipulou minha vida e causou danos irreparáveis. Estou aqui para buscar

justiça, não apenas por mim, mas por todas as pessoas que possam ser vítimas de

experimentos semelhantes.

O juiz assente.

Juiz: Agora, senhora Yedda Newman, sua vez, por favor.

Yedda: Meritíssimo, respeitando a dor que Clara possa ter sentido, nego veementemente

todas as alegações feitas contra mim. JOE foi criado com o intuito de aprimorar a

experiência humana, proporcionar companhia e apoio emocional.

Clara, visivelmente incomodada com as palavras de Yedda, balança a cabeça em

descrença.

Clara: (grita, intervém) Com todo o respeito, Meritíssimo, o que Yedda fez não foi apenas

uma violação da minha confiança, mas uma violação ética! Ela merece pagar pelo o que

fez.

Todos começam a comentar a intervenção de casa. A sala fica tensa, os olhares fixos em

Clara e Yedda. Os advogados de ambas as partes trocam olhares significativos.

Juiz: Silêncio no tribunal, senão serei obrigado a adiar a continuidade desta audiência.

CORTE:

CENA 02. CASA CLARA. BANHEIRO. DIA

Cassandra segura o teste de gravidez em suas mãos, observando-o com olhos arregalados

de surpresa e apreensão. Seus lábios tremem enquanto lê o resultado.

Cassandra: Positivo... Eu estou grávida.

Ela senta-se na tampa do vaso sanitário, deixando o teste cair ao seu lado. Seus

pensamentos correm em todas as direções, tentando processar a magnitude dessa

revelação. Cassandra coloca a mão na barriga, e faz um olhar malicioso.


Cassandra: Agora eu seguro o Juliano... Seguro pra sempre.

Ela olha fixamente para o teste de gravidez.

CORTE:

CENA 03. AUDITÓRIO. DIA

Gabi, Cris e Caterine estão no palco, participando de uma palestra sobre identidade de

gênero. O auditório está cheio de pessoas, algumas atentas e interessadas, outras

visivelmente desconfortáveis com o tema. Um grupo de conservadores começa a manifestar

sua insatisfação com gritos e vaias, interrompendo a fala dos palestrantes. Palavras de ódio

e insultos enchem o ar, criando um clima hostil.

Gabi: (para Cris e Caterine) Vamos continuar, ignorando os comentários ofensivos. Nós

estamos aqui para debater e trazer uma perspectiva importante para a discussão.

Cris: Você está certa, Gabi. Não vamos deixar que nos intimidem.

Caterine: Vamos nos manter firmes e continuar defendendo nossas ideias. Não podemos

nos calar diante da intolerância.

Enquanto continuam a falar, um objeto é lançado em direção a Caterine, acertando-a no

ombro. Ela é momentaneamente surpreendida pelo impacto, mas mantém sua postura.

Caterine: Chega! Nós não merecemos ser tratados dessa forma. Vamos sair daqui.

Gabi, Cris e Caterine deixam o palco, enquanto os manifestantes continuam a gritar e vaiar.

A expressão de frustração e indignação está estampada em seus rostos.





CENA 04. CORREDOR DO AUDITÓRIO.DIA

Gabi, Cris e Caterine se encontram no corredor, respirando fundo e tentando processar o

que acabou de acontecer. A adrenalina ainda pulsa em seus corpos.

Cris: Como as pessoas podem ser tão intolerantes? Isso é inaceitável!

Gabi: Você está bem, Caterine?

Caterine: Estou bem, obrigada. Mas é triste ver o quanto ainda precisamos lutar por

aceitação e respeito.

Gabi e Cris trocam olhares de solidariedade, apoiando Caterine nesse momento difícil. Um

homem vem dos camarins.

Homem: Olá, eu sou organizador dessa palestra, peço desculpas pelo comportamento

desses ignorantes que estão na platéia. Por favor, Caterine, vá a nossa enfermaria aqui

perto para checar se está tudo bem.

Caterine: Está tudo bem sim, eu só tenho medo disso.

Homem: Não se preocupe, todos esses idiotas já foram tirados da plateia, inclusive nós já

tiramos o homem que tacou o objeto em você.

Gabi: Vai lá. Pode ter machucado seu ombro.

Caterine: Tudo bem, eu vou.

Homem: Me acompanhe.

Caterine segue o homem.

Gabi: Tão triste tudo isso...

Cris: Nunca havíamos tido nenhum problema como esse durante o nosso programa de

palestras, não sei como essas pessoas nos descobriram aqui.

Gabi: Gente intolerante e preconceituosa tem em todo lugar, né?

Cris suspira.


CORTE:

CENA 05. SALA DO TRIBUNAL. DIA

O advogado de Clara se levanta diante de Yedda, que está sentada no banco das

testemunhas. Ele olha diretamente nos olhos dela, preparado para fazer suas perguntas.

Advogado: Sra. Yedda, desde quando você tinha conhecimento de que JOE era uma

inteligência artificial?

Yedda: Desde o início do projeto, senhor. JOE foi desenvolvido como uma IA para auxiliar

no avanço da tecnologia e na resolução de problemas complexos.

O advogado de Clara continua sua linha de questionamentos, sem perder o tom respeitoso.

Advogado: E por que a Sra. decidiu ocultar essa informação de Clara?

Yedda mantém seu olhar firme e responde sem hesitar.

Yedda: Eu não queria influenciar a interação de Clara com JOE. Acreditava que, ao permitir

que ela se relacionasse com a IA sem preconceitos, seria possível obter resultados mais

genuínos em relação ao desenvolvimento de sua inteligência emocional.

O advogado de Clara continua a fazer perguntas, e Yedda responde cada uma delas com

serenidade e coerência. Ela se mantém tranquila diante dos questionamentos, expondo

seus argumentos com sensatez. Ao longo do interrogatório, o advogado de Clara percebe

que Yedda é uma adversária formidável, capaz de se expressar de forma clara e

convincente. Ele respeita sua postura e suas respostas coerentes. A plateia na sala do

tribunal observa atentamente a troca de palavras entre os dois lados, enquanto o juiz

acompanha o processo com imparcialidade.

Advogado: Sem mais perguntas, meritíssimo.

Cortar para: O advogado de Yedda, um homem imponente e confiante, se levanta diante de

Clara, que está sentada no banco das testemunhas. Ele a encara com um olhar desafiador,

pronto para desestabilizá-la.

Advogado 2: Então, Clara, você realmente acredita que possui algum direito sobre JOE?

Uma mera usuária, uma mera vítima de sua própria ingenuidade?

Clara tenta manter a calma, mas a tensão é visível em seu rosto. Ela aperta os punhos,

preparando-se para responder.

Clara: Eu não sou apenas uma usuária, senhor. Eu fui enganada, manipulada por Yedda,

que escondeu de mim a verdadeira natureza de JOE.

O advogado de Yedda sorri novamente, provocando Clara.

Advogado 2: Então, você está alegando que Yedda lhe deve alguma explicação? Que ela é

responsável por suas expectativas equivocadas?

Clara começa a perder a paciência, suas palavras saindo de forma mais agressiva.

Clara: Eu tenho direito à verdade! Yedda me enganou, ela brincou com minha confiança e

agora precisa enfrentar as consequências!

A plateia na sala do tribunal murmura em resposta ao conflito verbal entre os dois lados. O

juiz bate o martelo, chamando a atenção de todos.

Juiz: Ordem na sala! Este tribunal não tolerará desrespeito ou intimidação. Diante do

tumulto, decido adiar a audiência para outro dia. Peço que ambas as partes se acalmem e

se preparem para prosseguir nessa data.

O advogado de Yedda sorri triunfante, enquanto Clara respira fundo, tentando se recompor.

Clara: Está bem, sua hora vai chegar, Yedda.

Clara, determinada e resoluta, enquanto ela se levanta.


CORTE:

CENA 06. OFICINA. DIA

Juliano está concentrado em seu trabalho na oficina, quando a porta se abre e Cassandra

entra. Seu rosto mostra um misto de ansiedade e determinação. Juliano olha para ela,

surpreso.

Juliano: Cassandra? O que você quer aqui?

Cassandra: Juliano, precisamos conversar. É importante.

Juliano franze a testa, preocupado com a seriedade em sua voz.

Juliano: O que está acontecendo, Cassandra?

Cassandra hesita por um momento antes de revelar a notícia.

Cassandra: Estou grávida, Juliano. É seu filho.

Juliano fica paralisado, seu semblante passa por uma mistura de choque e incredulidade.

Ele não consegue articular uma resposta imediata.

Juliano: (gaguejando) Grávida? Nosso filho?

Cassandra: Sim, Juliano. Estou esperando um filho seu.

Juliano completamente em choque.

CORTE:

CENA 06. RECEPÇÃO DO TRIBUNAL. DIA

Clara e Yedda estão sentadas em lados opostos da recepção, cada uma acompanhada de

seus respectivos advogados. O clima tenso é palpável no ar. Clara está nervosa, segurando

alguns documentos em suas mãos. Yedda, por sua vez, olha ao redor com uma expressão

de preocupação. Yedda olha para Clara por um momento e, aproveitando uma breve pausa,

se aproxima discretamente.

Yedda: Clara, por favor, pense bem. Eu posso te oferecer uma compensação generosa para

retirar a denúncia e me declarar inocente.

Clara se vira rapidamente para encarar Yedda, surpresa e indignada com a proposta. Sua

expressão endurece enquanto segura o impulso de raiva.

Clara: Você está tentando me subornar? Acha que pode me comprar?

Yedda recua um pouco, percebendo a reação intensa de Clara. Ela tenta se justificar,

mantendo a voz baixa.

Yedda: Clara, por favor, entenda. Eu só quero evitar um escândalo. Podemos resolver isso

de uma forma mais tranquila.

Clara, sem hesitar, levanta sua mão e desfere um tapa forte no rosto de Yedda. A sala se

silencia momentaneamente, todos os olhares se voltam para as duas.

Clara: Você não vai abrir sua boca pra me ofender nunca mais!

Yedda segura seu rosto, visivelmente chocada e envergonhada.

CORTE:

FIM DO CAPÍTULO 21



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