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Débora - Capítulo 15


Débora
CAPÍTULO 15

uma novela de
FELIPE LIMA BORGES

escrita por
FELIPE LIMA BORGES

baseada nos capítulos 3 a 5 do livro de Juízes

 No capítulo anterior: Najara mata os dois soldados e explica a Sísera que não podem deixar as informações do plano com mais ninguém; ambos enrolam os corpos para serem levados ao rei. Débora desconversa sobre a semente de tamareira e Sama desabafa com ela sua preocupação com a família de Jaziel. Débora combina com a prima de orarem por essa causa. Jeboão flagra Nira e Debir conversando, e eles inventam que é para pedir trigo. Sísera leva os 5 corpos à presença de Jabim e conta que encontrou o Capitão e o Primeiro Oficial nas mãos de um amonita que os matou, além de matar dois soldados hazoritas. Sísera ainda diz que conseguiu matar o soldado amonita. Jabim fica curioso de início, mas por fim parabeniza Sísera e diz que assim que sepultarem a todos, declarará guerra contra Amom. Os dias se passam e a tristeza de Débora aumenta. Aliã fala que ultimamente Débora tem vindo pouco ao templo para falar sobre as coisas de Deus, e ela diz que está a cada dia mais desanimada. Nas ruas de Harosete, o rei Jabim honra Sísera e o nomeia como novo Capitão do exército. Sísera gosta de ver todo o povo, principalmente as mulheres, se ajoelhando diante dele. Quando Débora está perdida em pensamentos ao pé da palmeira, um barulho denuncia a chegada de alguém. Ela olha e vê um rapaz de uns 20 anos que diz que sabia que a encontraria ali.
FADE IN:

CENA 1: EXT. CAMPO – PALMEIRA – DIA
De pé, Débora encara o rapaz parado ao lado da carroça.
DÉBORA
(atônita) Não é possível...
Apesar dos olhos marejados, o rapaz sorri e se aproxima mais. Ela abre a boca involuntariamente e a tampa com a mão...
DÉBORA
É mesmo você?!
RAPAZ
Eu não aguento mais esperar!...
LAPIDOTE (20 anos) dá os passos restantes e abraça Débora firmemente. Lágrimas brotam dos olhos fechados do rapaz. Os braços dela, porém, permanecem abaixados e, ainda confusa, ela encara o nada enquanto é abraçada por ele.
De repente ela parece voltar a si: se desvencilha dos braços de Lapidote e se afasta.
LAPIDOTE
Eu... Me desculpe... (limpa o rosto) Está tudo bem?
Ainda muito abalada, Débora tenta se recompor.
DÉBORA
Sim... está.
LAPIDOTE
Não era minha intenção ser inconveniente, mas não me aguentei de tanta saudade...
Ele a encara por alguns bons segundos... Então sorri com genuína felicidade.
LAPIDOTE
É você mesma!...
DÉBORA
Eu é que digo isso... Pra você. (pequena pausa) Então você voltou...
LAPIDOTE
Sim. É... Mais ou menos. Já há algum tempo que estou por perto...
DÉBORA
Eu sei.
LAPIDOTE
(franzindo a testa) Sabe?
DÉBORA
Eu encontrei... o lugar onde seu pai foi sepultado...
LAPIDOTE
Então... você subiu o monte?
DÉBORA
Sim. Eu... sinto muito, Lapidote.
Uma leve tristeza parece passar pelo semblante do rapaz, que faz que sim com a cabeça.
LAPIDOTE
Já faz 8 meses. Ele pegou uma grave doença... No leito de morte me fez prometer que o sepultaria em sua cidade natal.
Débora presta atenção sem desgrudar os olhos de Lapidote.
LAPIDOTE
Quando ele faleceu eu o trouxe para cá e realizei sua última vontade. Permaneci acampado nos arredores até o período do luto passar, e depois me afastei um pouco mais.
DÉBORA
Do pouco que vi do senhor Misael, me parecia um homem muito bom.
LAPIDOTE
E era.
DÉBORA
Pena que não pude conhecê-lo melhor...
Lapidote busca palavras...
LAPIDOTE
Faz muito tempo...
DÉBORA
6 anos.
LAPIDOTE
Você mudou, Débora. Está ainda... mais bonita.
Lapidote volta a se aproximar e ela fica sem jeito. Ele sorri e leva seu dedo ao rosto da garota, mas antes que possa tocá-la, ela se afasta.
LAPIDOTE
Está mesmo tudo bem?
DÉBORA
Ainda estou... confusa, assustada...
LAPIDOTE
Não precisa se assustar. Estou apenas admirando-a...
DÉBORA
Acontece que nós... não podemos ficar muito próximos. É bom mantermos distância, já que... que... que temos um... passado.
Lapidote parece se entristecer um pouco.
LAPIDOTE
Tudo bem... Tudo bem. Vou fazer conforme você queira, Débora, mas... por que quer isso?
Engolindo em seco e tentando impedir que lágrimas brotem, Débora tenta explicar.
DÉBORA
Eu estou noiva, Lapidote.
Lapidote é pego de surpresa. Encara-a confuso...


CENA 2: EXT. HAROSETE – RUA PRINCIPAL – DIA
O evento acabou, o rei se foi e o povo se espalha pelas ruas.
Na rua principal, Najara abraça Sísera enquanto Jeboão disfarçadamente tenta localizar Nira entre a multidão.
NAJARA
Meus parabéns, meu filho. Finalmente alcançamos o que tanto buscamos.
Ela o solta.
SÍSERA
Obrigado, mãe. Não teria conseguido sem a senhora.
Najara sorri.
NAJARA
Você vem com nós ou já vai trabalhar?
SÍSERA
Nem um, nem outro. Na verdade vou resolver uma coisa. Passarei no palácio apenas para pegar um dinheiro que tenho direito.
NAJARA
(curiosa) E que coisa é essa que tem para resolver?
SÍSERA
(disfarçando) Negócios. Apenas entediantes negócios.
NAJARA
Hum... Peço apenas que não se esqueça daquele favor que te pedi...
Sísera dá uma rápida olhada para o pai, atento à multidão.
SÍSERA
Fique tranquila, mãe. Vou resolver isso.
Jeboão, no entanto, ouviu e prestou atenção.
JEBOÃO
Que favor é esse?
NAJARA
Coisa entre mãe e filho, Jeboão.
SÍSERA
Bom, eu já vou indo. Até mais!
Najara faz que sim e Sísera sai.
JEBOÃO
Qual é o problema de me contar as coisas, Najara?
NAJARA
Eu não pergunto nada a você sobre suas coisas com Sísera!
JEBOÃO
Até porque não tenho nada com ele.
NAJARA
Aí é problema seu.
Najara vira e começa a se afastar. Mas Jeboão ainda fica ali, procurando Nira com os olhos. Ao perceber que o marido ficou para trás, ela para.
NAJARA
O que tanto procura, Jeboão?
Ele toma um leve susto, mas logo disfarça e vira para ela.
JEBOÃO
Nada... Nada, não.
Então ele toma o mesmo caminho e passa por Najara. Ela, desconfiada, o olha firmemente.

CENA 3: EXT. HAROSETE – RUAS – DIA
Sísera passa pelas pessoas e chega ao beco onde ficam as meretrizes. Diferente do usual, agora todas o assediam e se oferecem para ele inclinando-se, como se fizessem uma reverência. Ele sorri de leve, mas continua, pois seu foco está em Hanna, separada das demais.
Ao nota-lo, ela o encara com um olhar de total entrega. Sísera, com uma mão no cabo da espada e a outra segurando um saco, se aproxima e para diante da mulher.
HANNA
Então você cumpriu sua promessa.
Sem perder tempo, Sísera a agarra de cima do palco de madeira e a leva para dentro de uma casa ali ao lado.

CENA 4: EXT. CAMPO – PALMEIRA – DIA
Visivelmente decepcionado, Lapidote encara Débora.
LAPIDOTE
Noiva...
DÉBORA
Sim.
LAPIDOTE
É claro... Uma garota como você...
Ela franze a testa.
DÉBORA
Uma garota como eu...? O que quer dizer?
LAPIDOTE
Talvez seja melhor não dizer.
DÉBORA
Diga!
Ele desvia o olhar, respira fundo... e volta a olhá-la.
LAPIDOTE
Especial... Doce... Guerreira... Sonhadora... Linda...
O rosto de Débora adquire tons rosados.
LAPIDOTE
Fora a última característica, que é absolutamente perceptível, tenho certeza de que todas as outras permanecem em você, se não tiverem aumentado. Por essa razão é bem óbvio que alguém apareceria na sua vida.
DÉBORA
Não apareceu. Meu pai é que foi atrás e firmou compromisso com um rapaz.
Lapidote engole em seco.
LAPIDOTE
Me parece... que você não está feliz.
DÉBORA
(atrapalhada) É meu noivo... Eu vou me casar... É claro que estou feliz, estou feliz sim!...
LAPIDOTE
Tem certeza?
DÉBORA
Olha, eu acho que... estamos passando do ponto. Isso não lhe diz respeito.
LAPIDOTE
Eu gosto de você... Quero o melhor para você.
Débora o encara...
DÉBORA
Gosta mesmo? Pois você voltou apenas há alguns instantes, depois de 6 anos de um sumiço repentino, sem nenhuma explicação!
Lapidote fica um tanto constrangido.
LAPIDOTE
Na ocasião eu te disse que voltaria... Pedi que me esperasse...
Débora faz que não.
DÉBORA
Como eu poderia esperar?! O tempo passando, nada mudando... Ainda que quisesse, eu era muito nova. Nem meus pais e nem ninguém levaria a sério o compromisso entre duas crianças.
LAPIDOTE
Eu entendo. Eu tenho culpa nisso tudo, eu sei. Mereço a dor de imaginar que vai se casar...
DÉBORA
Em 15 dias.
Ele não sabia dessa informação. Rapidamente ergue as sobrancelhas em admiração.
LAPIDOTE
Tão repentino quanto o meu ato.
Débora respira fundo e olha para os lados enquanto se recupera.
Por fim olha para ele.
DÉBORA
Muito bem. Diga, Lapidote. Depois de todos esses anos, depois de toda essa confusão, diga porque, afinal de contas, seu pai e você se mudaram às pressas de Betel.
Lapidote não fica nada confortável.

CENA 5: EXT. TEMPLO – FRENTE – DIA
Baraque passa por entre o povo na rua e se aproxima da entrada do templo. Para e observa a edificação.
Mas não parece apenas admirá-la, e sim analisa-la. Então dá uma olhada para o povo... e vai até uma pequena entrada ao lado, um beco sem saída.
Ao entrar ali, rapidamente ele agarra na parede e sobe. Chegando em cima, olha para os lados e some.

CENA 6: INT. CASA – DIA
É uma casa formada por apenas um quarto, e o único móvel necessário ali é uma grande cama, nesse caso forrada por moedas de ouro.
Sísera deita Hanna sobre as moedas e a beija, passa a língua em sua pele, saboreia-a com intensidade.
Depois, durante o ato e por cima dela, Sísera aprecia os semblantes de prazer da meretriz. Agarra os cabelos longos dela misturados às moedas... Pega uma moeda e coloca na boca dela, que morde com prazer.
Em outra posição, o rosto de Hanna bate repetidamente num monte de moedas...
Depois, ela está deitada de barriga para cima. Sísera cobre quase todo o corpo dela com uma camada de moedas. Por fim sobe e eles se agarram com força.
Posteriormente, Sísera está de pé e Hanna ajoelhada aos seus pés. Ele segura uma moeda que movimenta devagar para lá e para cá, sob o olhar atento de Hanna.
SÍSERA
Quem eu sou?
HANNA
(sensualmente) Sísera... Sísera.
SÍSERA
E quem eu sou pra você?
HANNA
O melhor, o maioral, o supremo... O homem mais forte, o meu guerreiro... Vigoroso, poderoso e imbatível!
Sísera então encosta a moeda em seu peito e ela, sempre acompanhando, passa a língua no local. Conforme ele arrasta a moeda em seu corpo, ela a segue com sua língua. Sísera a observa com um olhar de absoluta superioridade.

CENA 7: EXT. CAMPO – PALMEIRA – DIA
Lapidote encara Débora sem saber como reagir.
DÉBORA
E então, Lapidote? Não vai me dizer?
LAPIDOTE
Débora, eu... Eu não sei se devo. Se eu disser, prejudicarei pessoas. Relacionamentos...
Débora fica muito confusa.
LAPIDOTE
Eu sinto muito.
DÉBORA
Eu posso aguentar, Lapidote. Por favor, não faça isso comigo. Eu esperei muito, 6 anos! Quando achava que nunca mais poderia saber a verdade, a chance me apareceu! E eu sei que você sabe, porque me lembro de seu pai te dizer para não me contar. Agora eu peço que me conte, e então nós nos entenderemos, nos perdoaremos e nos reconciliaremos... ainda que nem tudo posso voltar a ser como era.
LAPIDOTE
Eu gostaria tanto, mas tanto de te dizer, de te contar tudo, porém, nesse momento, eu enxergo um pouco além de você, Débora! Tenho ciência de que estou te ferindo, mas não posso contar...
Num misto de raiva, tristeza e revolta, Débora o encara por uns bons segundos. Então vira as costas e sai.
DÉBORA
Então não diga nada!
LAPDIOTE
Débora, espere!
Ela para e vira para ele.
DÉBORA
Por que você voltou então, hein!?
Um tanto aflito, ele umedece os lábios com a língua.
LAPIDOTE
Compreensível da forma que você era, eu tinha esperança de que... de que você entendesse a gravidade da situação, de que entendesse o que eu sinto, que eu quero protege-la, proteger a sua família... e me aceitasse de volta como um velho amigo.
DÉBORA
Amigos não guardam segredos uns dos outros. E você se iludiu se pensou que eu faria isso. Eu chorei muito, sofri muito, até andei muito por causa daquilo que fizeram. Então não pense que vou simplesmente aceitar, entender e ficar por isso mesmo, porque não vou!
Mais uma vez ela dá as costas a ele e sai.
LAPIDOTE
Débora, me ajude...
Ela para. Parece pensar no que acabou de ouvir... Vira-se mais uma vez, mas devagar.
LAPIDOTE
Estou cansado de viver acampado... De viver de pequenas plantações improvisadas... Depois do que aconteceu com o meu pai, eu quero recomeçar. Quero também ser um sapateiro em Betel, abrir a minha lojinha...
DÉBORA
Você não precisa de mim para fazer nada disso.
LAPIDOTE
Preciso. Preciso sim...
Ainda um tanto atordoada, ela continua encarando-o.
LAPIDOTE
E, se assim você fizer... eu te contarei tudo.
Débora fica mexida... Engole em seco, se ajeita...
DÉBORA
Mesmo? Você realmente fará isso ou está apenas se aproveitando? Pois aparenta um grande medo em me contar...
LAPIDOTE
Sim, eu farei. Eu prometo.
DÉBORA
Vejo verdade em seus olhos... A mesma que via 6 anos atrás....
LAPIDOTE
Peço apenas que, quando eu contar a verdade, nada mude entre você e as pessoas envolvidas nisso tudo. Que não conte nada a elas, que não se vingue.
DÉBORA
Vingar... Então é grave...
LAPIDOTE
É um pouco...
DÉBORA
Estou preocupada!
LAPIDOTE
Não percamos mais tempo, por favor, vamos.
DÉBORA
Você tem dinheiro?
LAPIDOTE
Nem uma moeda. Vivo apenas do que a terra dá.
DÉBORA
Certo, então o levarei para a minha casa.
LAPIDOTE
Débora, tem certeza? Não acho que seja uma boa ideia.
DÉBORA
É sim, minha mãe me ajudará a ajuda-lo.
LAPIDOTE
Mas o seu pai--
DÉBORA
(interrompendo) Esqueça isso. Vamos logo.
Lapidote cobre a cabeça e puxa a carroça. Antes dá uma olhada na palmeira... Débora percebe e fica meio sem jeito... Mas por fim eles vão.

CENA 8: EXT. TEMPLO – DIA
Abaixado o máximo que consegue, Baraque segue avançando pelo telhado do templo. De repente pisa em um galho que faz um barulho alto! Para, aguarda... Nenhum sinal de algum desconfiado, então ele continua.
Baraque tenta não fazer nenhum barulho e também não rolar dali de cima, mas para de uma vez ao dar de cara com uma das bordas do telhado. Logo ali embaixo está um ancião ensinando alguns mais novos. Ele se esforça para não se mexer muito e causar barulho, mas logo um pequeno pássaro pousa ao lado de seu pé e começa a bicar um de seus pequenos machucados na canela. Baraque se assusta e olha... A cada bicada fica mais agoniado, e suas tentativas de espantar o bicho são em vão.
Não se aguentando mais, ele faz um movimento brusco com a perna, o que espanta o pássaro, mas atrai os olhares dos anciães ali para cima.
ANCIÃO
Mas o que é isso?
Com medo, Baraque corre pelo telhado.
ANCIÃO
Há um invasor no templo!
Vários servos então perseguem Baraque por baixo, tentando não perde-lo de vista lá em cima.
BARAQUE
(correndo) No que fui me meter?!
De repente ele tropeça e despenca lá de cima. PÁH!
Dolorido, Baraque abre os olhos. Várias pessoas o cercam, curiosas. São os servos e os anciães, e entre eles Aliã.
ALIÃ
(olhando Baraque no chão) O que significa isso?!

CENA 9: INT. CASA – DIA
Suados, Sísera e Hanna, deitados sobre as moedas um ao lado do outro, encaram o teto.
HANNA
Nossa...
Sísera sorri.
HANNA
Você fez exatamente o que disse que faria... E agora estamos deitados sobre uma pilha de ouro. Pelos deuses, isso nem parece real...
SÍSERA
O meu ouro.
Ela vira o rosto para ele.
HANNA
Claro, trouxe todas essas moedas apenas para amaciar o próprio ego, para se vingar, para que o meu cuspe caísse em meu próprio rosto.
Sísera continua encarando o teto.
HANNA
E de fato caiu.
Ele dá um sorrisinho. Ela passa as mãos pelas moedas.
HANNA
Apesar de ser mais do que jamais vi, nós podemos ter muito mais, sabe, Sísera?
SÍSERA
Do que você está falando?
HANNA
Do meu sonho. Meu sonho de ter minha própria casa do amor. Ser a dona, a chefe...
SÍSERA
Hum.
HANNA
Agora que é o Capitão e tem ouro, poder e influência, o que acha de ser meu sócio nesse negócio, hum?
Sísera franze a testa. Respira fundo, se levanta, senta na beira da cama, pega vinho e bebe. Hanna não tira os olhos dele.
SÍSERA
Não sei, não é uma boa ideia. Oficiais do reino são expressamente proibidos de se envolverem economicamente em atividades como essa.
Hanna então acaricia a costa dele, se aproxima mais e beija de leve sua nuca.
HANNA
(no ouvido dele) Mas pode ser o nosso segredinho...
Sísera aproveita ela lhe beijando, mas logo põe-se de pé e começa a se vestir.
SÍSERA
Depois vemos isso. Agora eu preciso ir.
HANNA
E esse ouro todo? Vai levar?
SÍSERA
Deixe aqui, depois volto para pegar. Apesar de serem muitas, sei exatamente quantas há. Se pegar uma moeda sequer, eu vou saber.
Ela cai deitada enquanto ele termina de se arrumar. Por fim ele abre a porta.
SÍSERA
Quer saber? Fique para você, eu não preciso.
Ele dá uma piscadela e sai.
HANNA
Rum.
Logo ela sorri e rola sobre as moedas.

CENA 10: INT. PALÁCIO – SALA DO TRONO – DIA
Enquanto Jabim, sentado, lê um pergaminho, Sísera se aproxima do trono.
SÍSERA
Mandou me chamar, soberano?
Sem olhá-lo, Jabim faz sinal para ele aguardar.
Enquanto espera, Sísera consegue ler algumas palavras no verso do pergaminho.
Finalmente o rei abaixa o documento e olha para o Capitão.
JABIM
Sísera! É um prazer revê-lo. Meus parabéns por todo o seu trabalho até aqui. Há tempos não me sinto satisfeito com um servo como me sinto com você.
SÍSERA
Agradeço o reconhecimento, meu senhor. É uma honra.
JABIM
Sísera, mandei lhe chamar porque tenho uma missão para você. Assim que escolher o seu Primeiro Oficial, deve ir à entrada da cidade para receber uma encomenda que fiz com um grande ferreiro comerciante do reino de Zieron. Trata-se de meu mais ambicioso projeto até agora. É o que nos colocará definitivamente como o reino supremo de Canaã.
SÍSERA
E que encomenda é essa que nos dará tanto poder? Mal posso imaginar as dimensões de tal arma.
JABIM
(empolgado) Trata-se de uma encomenda de 1000 carros de ferro!
Os olhos de Sísera arregalam um pouco.
SÍSERA
1000 carros? De ferro?!
JABIM
Sim. O preço foi tão alto que realizei o pagamento antecipadamente. Muita matéria-prima foi utilizada.
SÍSERA
Estou impressionado, meu senhor. Nunca ouvi sobre algum reino que tivesse 1000 carros de ferro, nem nas mais estapafúrdias histórias de taberna. A grandiosidade de tal feito é proporcional à magnitude de meu soberano. Mas o que também me surpreende é eu não ter ouvido falar de tal encomenda.
JABIM
Por mais alto que você seja em meu reino, Sísera, jamais saberá de tudo. Esse privilégio cabe apenas ao rei.
Sísera faz que sim.
JABIM
Bem, a encomenda chega ainda hoje. Já devem estar pertos. Leve dois soldados para conduzirem cada carro até o local onde ficarão guardados. É assim que funcionará a partir de nossa próxima batalha. Com os carros de ferro esmagaremos qualquer exército em pouquíssimo tempo!
SÍSERA
Formidável!...
JABIM
Agora vá, Sísera.
SÍSERA
Senhor, com licença. Há pouco não pude deixar de notar que no pergaminho que segura há uma menção a Israel. O rei por acaso tem interesse naquele povo?
Jabim, um pouco desconfortável, se ajeita no trono.
JABIM
Não deve manter os olhos em seu rei quando não lhe for permitida a fala, Sísera. Essa lei vale para todos, sem exceção. Mas dessa vez passará.
SÍSERA
Entendido, senhor.
JABIM
Esse é outro dos assuntos que não lhe disse. Já há algum tempo em que venho testando a reação dos hebreus. Ao final da gestão do nosso ex-Capitão, promovi alguns movimentos na terra de Israel: aquele povo não reage de forma alguma, é impressionante! São completamente fracos. Meros camponeses em uma terra gigantesca, fértil e extremamente valiosa.
SÍSERA
Por acaso o rei está pensando no que estou pensando?...
JABIM
Após destruirmos os amonitas, vamos atacar Israel. Aniquilaremos qualquer resquício de poderio militar e então os escravizaremos.
SÍSERA
Por que não mata-los?
JABIM
Porque esse povo tem em seu sangue a inclinação para o trabalho, além de serem especialistas em sua terra. Os hebreus vão nos servir pelo resto da eternidade e nos ajudarão como ninguém a sermos a maior nação do mundo! Agora vá, Sísera, cumpra sua missão!
SÍSERA
Imediatamente, meu senhor!
Sísera faz uma reverência e sai. Na empolgação de Jabim, IMAGEM CONGELA
CONTINUA...
FADE OUT:


No próximo capítulo: Débora leva Lapidote para sua casa. E Sísera tem uma surpresa ruim durante a entrega dos carros de ferro.

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