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Passional - Episódio 06

 


PASSIONAL


Capítulo 6


Série criada e escrita por

LUAN MACIEL 
















CENA 1. RUA. EXT/ DIA

CONTINUAÇÃO IMEDIATA DO CAPÍTULO ANTERIOR. MADALENA CONTINUA JOGADA NO MEIO DO CHÃO DA RUA. ALGUNS CURIOSOS VÃO PASSANDO ENQUANTO CÉLIA AJUDA A DUA IRMÃ A TERMINAR DE SE LEVANTAR DO CHÃO. MADALENA REDPIRA FUNDO ENQUANTO OS CURIOSOS VÃO SE DISPERSANDO. CÉLIA OLHA FIXAMENTE PARA MADALENA. 


CÉLIA — (sem entender) O que foi que acabou de acontecer aqui, Madalena? Aquele motorista quase te matou. Isso não pode ser uma coincidência. Você não acha, minha irmã? 

MADALENA — Sinceramente eu não sei o que pensar, Célia. Se você não tivesse aparecido eu não sei o que teria me acontecido. Muito obrigada, minha irmã. Você salvou a minha vida.

CÉLIA — Você não precisa agradecer, Madalena. Eu tenho certeza que você faria o mesmo por mim. (T) Mas mudando de assunto. A nossa mãe pediu que você fosse até a casa dela. Ela e o nosso pai querem falar algo muito importante com você.

MADALENA — O que os nossos pais podem estar querendo? Você sabe de alguma coisa, Célia? Você pode me contar.


CÉLIA SE CALA. MADALENA PERCEBE QUE SUA IRMÃ SABE DE ALGUMA COISA, MAS ELA NÃO QUER CONTAR. 


MADALENA — Eu sinto que você sabe alguma coisa, Célia. Seja o que for você pode me contar. Nós nunca tivemos segredo uma para a outra. Não é mesmo?

CÉLIA — (séria) Eu queria te contar, Madalena. Mas infelizmente eu não posso. Somente os nossos pais tem o direito de te falar sobre isso. Eu sinto muito, Madalena.

MADALENA — Está tudo bem, Célia. Eu respeito a sua vontade de me contar o que está escondendo. Então eu irei até a casa de nossos pais. Eu quero saber o que vocês estão me escondendo. 


CÉLIA TOCA A MÃO DE MADALENA DE UMA MANEIRA FRATERNAL. A CUMPLICIDADE DELAS É MÚTUA.


CÉLIA — Eu vou com você, Madalena. Eu não vou te deixar sozinha nesse momento tão importante da sua vida.

MADALENA — Você está muito estranha, Célia. Eu nunca te vi desse jeito antes. Mas vamos até a casa de nossos pais. Agora eu fiquei curiosa para saber o que eles tem para me contar. 


CÉLIA ESBOÇA UM SORRISO. MADALENA FICA PENSATIVA.

CORTA PARA/


CENA 2. SEDE DO DOI-CODI. SALA DE TORTURA. INT/ DIA

MARINA VAI ENTRANDO DENTRO DA SALA DE TORTURA E ELA DICA HORRORIZADA AO VER O ESTADO EK QUE ISABELA SE ENCONTRA. LOGO DEPOIS PACO, NONATO E O CHEFE DA OPERAÇÃO TAMBÉM ENTRAM. ELES TEM A MESMA REAÇÃO DE MARINA. ELA VAI NA DIREÇÃO DE ISABELA E NÃO CONSEGUE SEGURAR AS SUAS LÁGRIMAS.

MARINA — (chorando) O que foi que fizeram com você, Isabela? Aquele monstro do Flores precisa pagar por isso. (P) Nós precisamos tirar ela daqui agora mesmo.

HOMEM — Nós não podemos ficar demorando muito não. Os oficiais da repressão podem entrar por essa porta a qualquer momento. Vamos agilizar com isso.

PACO — Você não pode falar assim desse jeito da Isabela. Ela é mais do que uma simples vítima da ditadura. Nós vamos salvar ela l, mas você precisa ter calma. 

NONATO — Nós não devemos ficar aqui parados sem tomar nenhuma atitude. Vamos tirar a Isabela daqui agora.


PARA A SURPRESA DE TODOS ISABELA ABRE O OLHO. MESMO ESTANDO MUITO FRACA ELA RECONHECE MARINA. 


ISABELA — (se sentindo fraca) Marina…. É você mesma? O que vocês estão fazendo aqui? Vocês precisam ir embora. Se o Flores encontrar vocês aqui eu não sei o que pode acontecer. 

MARINA — Você precisa ficar calma, Isabela. Nós viemos aqui para te salvar. (P) Paco…. Me ajuda. Nós temos que conseguir levantar a Isabela. Temos que ser rápidos.

HOMEM — Andem logo com isso. Eu estou começando ouvir passos vindo até nossa direção. Se nós sermos pegos tudo isso será em vão. Vocês estão entendendo? 

ISABELA — Vocês parecem que não querem me escutar. Vão embora enquanto vocês podem. Se vocês acham que o Flores é ruim vocês não sabem nada. Ele passou dias me estuprando e ninguém estava aqui para me defender. 


TODOS OS PRESENTES FICAM EM CHOQUE COM A REVELAÇÃO DE ISABELA. MARINA SE APROXIMA DE SUA AMIGA E TENTA A CONFORTAR, MAS SEM SUCESSO. 


MARINA — (horrorizada) Eu sinto muito, Isabela. Eu deveria estar só seu lado. Era o mínimo que devia fazer por você. Mas eu prometo que esse desgraçado do Flores não vai mais perto de qualquer um de nós. 

ISABELA — (abalada) Vocês não podem imaginar o terror que eu eu passei esses dias. O Flores fez de tudo para que eu entregasse onde vocês estavam, mas eu jamais faria isso. 

PACO — Eu sinto muito que você tenha sido obrigada a passar por esse inferno, Isabela. Ninguém merece sofrer desse jeito. O Flores precisa ser detido o quanto antes.

NONATO — Não vai ser nada fácil conseguir isso. O Flores tem a costas quentes. Nenhum de nós vai conseguir fazer com que ele vá pra um júri pelos crimes que ele cometeu. 

HOMEM — Já chega de ficar enrolando. (P) Nonato…. Paco… Peguem a Isabela e vamos embora daqui. Os outros prisoneiros nós podemos voltar em outra ocasião. Eu disse para você que eu não era uma má pessoa, Marina. 



NONATO E PACO VÃO LEVANDO ISABELA PARA FORA DA SALA DE TORTURA. MARINA E O CHEFE DA OPERAÇÃO SE ENCARAM.  LOGO DEPOIS ELES TAMBÉM SAEM.

CORTA PARA/


CENA 3. EXÉRCITO BRASILEIRO. SALA DO GENERAL OSÓRIO. INT/ DIA

A CÂMERA FOCA NO ROSTO DO GENERAL OSÓRIO QUE ESTÁ BEM SÉRIO. EM SEGUIDA A PORTA DA SALA SE ABRE E VEMOS  PETRÔNIO ENTRAR ACOMPANHADO DE UN SOLDADO QUE TEM UMA ARMA APONTADA PARA ELE. O GENERAL OSÓRIO OLHA COM MUITO ÓDIO E DESPREZO PARA PETRÔNIO.


GENERAL OSÓRIO — Petrônio Duarte…. Finalmente nos encontramos. Faz tempo que eu estava querendo te trazer para bater um papo. (P) Pode sair, Soldado. Eu queria ficar a sós com o meu convidado.


O SOLDADO BATE CONTINÊNCIA PARA O GENERAL OSÓRIO E DEPOIS SAI. PETRÔNIO QUE JÁ ESTÁ COM AD MÃOS LIVRES SE SENTA AO LADO DO GENERAL OSÓRIO QUE O ENCARA.


GENERAL OSÓRIO — ( sério) Você sabe porque eu mandei te trazer até aqui, Petrônio? Você é um dos jornalistas mais influentes do Rio de Janeiro e eu quero te fazer um pedido. Que você pare de atacar os militares antes que algo ruim possa te acontecer.

PETRÔNIO — O que você está querendo fazer é me calar, General. Mas eu vou te dizer apenas uma vez. Isso jamais vai acontecer. Principalmente depois que a minha filha foi levada até os porões do Doi-Codi. Eu nunca vou ajudar assassinos iguais você. 

GENERAL OSÓRIO — Você acha que pode me desafiar? Eu sei muito bem do caso da sua filha. E ela merece tudo que está acontecendo com ela. (P) Oi você me ajuda ou eu mato a sua filha. O que você prefere?


PETRÔNIO FICA TOTALMENTE TRANSTORNADO. ELE TENTA PARTIR PARA CINA DO GENERAL OSÓRIO QUE SACA UMA ARMA NA DIREÇÃO DE PETRÔNIO QUE FICA SEM AÇÃO.


PETRÔNIO — (furioso) Eu não tenho medo das suas ameaças, General. Eu sempre fui um jornalista que preza pela.verdade da notícia. As pessoas merecem saber tudo o que vem acontecendo. Eu não irei me ajoelhar diante da autoridade que você que possui. 

GENERAL OSÓRIO — Você não sabe do que está falando, Petrônio. Eu posso transformar a sua vida em um verdadeiro inferno. É melhor você estar do meu lado do que estar contra mim. O que você me diz? 

PETRÔNIO — Eu já disse o que eu tinha para dizer, General. Eu jamais vou compactuar com essa ditadura em que vocês matam inocentes e protegem assassinos. Se quiser me matar então ótimo. Mas eu não vou me sujar participando de algo tão desprezível assim.

GENERAL OSÓRIO — (sorrindo) Te matar, Petrônio? Isso nunca passou pela minha cabeça. Se eu quisesse isso ninguém nunca mais ouviria falar fr você. Mas de uma coisa você pode ter certeza. Eu vou fazer de tudo para te desmoralizado. É isso que um comunista que nem você merece.


O GENERAL OSÓRIO ABAIXA A ARMA. NESSE MOMENTO O CORONEL ESTEVÃO ENTRA NA SALA O QUE DEIXA O GENERAL OSÓRIO FURIOSO. TENSÃO NO AR.


GENERAL OSÓRIO — (gritando) Estevão…. Eu posso saber o que você está fazendo aqui? Eu deixei muito bem claro que eu não queria que ninguém atrapalhasse a minha conversa com o Petrônio. Vá embora agora mesmo.

ESTEVÃO — O senhor parece não entender a gravidade da situação, General. A imprensa já está ciente de que o senhor deu ordem para trazer o Petrônio até aqui. Ele é um jornalista conhecido. Isso iria acabar acontecendo. 

GENERAL OSÓRIO — Que inferno. Esses jornalistas são como verdadeiros abutres que não largam a carniça. (P) Tire esse infeliz da minha frente, Estevão. Eu preciso ficar sozinho e pensar como eu vou reverter essa situação.

PETRÔNIO — Eu bem que tentei te avisar, General. Quando você coloca um jornalista no fogo os outros não aceitam e vão para cima. Nós não vamos desistir do Brasil. O nosso país merece representantes melhor que corruptos como vocês. 


PETRÔNIO E O CORONEL ESTEVÃO VÃO INDO EMBORA. O GENERAL OSÓRIO PEGA O TELEFONE QUE ESTÁ SOBRE A MESA E FAZ UMA LIGAÇÃO. NÃO CONSEGUIMOS OUVIR O TEOR DA CONVERSA.

CORTA PARA/


CENA 4. CASA DE DIONÍSIA E LAURINDO. SALA. INT/ DIA

CLÍMAX DA CENA. O SILÊNCIO É ALGO QUE INCOMODA. DIONÍSIA E LAURINDO ESTÃO SENTADOS UM DO LADO DO OUTRO. NA FRENTE DELES ESTÁ OMAR QUE FICA ANDANDO DE UM LADO PARA O OUTRO PARECENDO ESTAR MUITO NERVOSA. A PORTA SE AVTE E MADALENA ENTRA NA CASA ACOMPANHADA DE CÉLIA. OMAR OLHA PARA MADALENA COM UM BRILHO NOS OLHOS. MADALENA FICA CONFUSA.


MADALENA — (confusa) O que está acontecendo aqui? Porque vocês mandaram né chamar até aqui? Quem é esse senhor? Eu não estou entendendo absolutamente nada. 

DIONÍSIA — Você precisa ficar calma, minha filha. Eu não ei qual vai ser a sua reação diante do que nós iremos te contar. Mas eu quero que você saiba que nós fizemos isso para o seu bem. Eu nunca quis o seu mal, Madalena.

MADALENA — Me falem de uma vez. O que é que está acontecendo aqui. Porque esse mistério todo? Eu quero a verdade. 

LAURINDO — É Exatamente isso que você terá, minha filha. A verdade é que desde que você nasceu eu sempre fiz de tudo para te proteger, mas eu não posso mas te esconder a verdade. Você não é minha filha biológica, Madalena. O seu verdadeiro pai é o Omar. 

MADALENA FICA PARALISADA SEM ACREDITAR NO QUE ESTÁ OUVINDO. DIONÍSIA SE APROXIMA DE SUA FILHA QUE ESTÁ TOTALMENTE PERPLEXA COM A REVELAÇÃO QUE LHE FOI FEITA.


DIONÍSIA — (séria) Eu posso imaginar o que você está imaginando, minha filha. Mas tudo o que o seu pai lhe contou é a mais pura verdade. Eu sinto muito por ter escondido essa verdade de você. Não foi certo fazer isso. 

MADALENA — Isso não pode estar acontecendo comigo. Por favor alguém me diga que isso é uma brincadeira sem graça. (P) Então vocês estão me dizendo que a minha vida toda foi uma mentira? Eu não posso acreditar nisso.

OMAR — Minha filha…. Eu cometi muitos erros no passado, mas eu estou aqui para reparar esses erros. Me escute por favor. É tudo o que eu estou te pedindo. 

CÉLIA — Você precisa manter a calma, minha irmã. Eu sei que isso pode ser muito difícil para você compreender, mas pelo menos ouve o que o Omar está querendo dizer.


MADALENA FICA ATÔNITA. ELA PERCEBE QUE O RÁDIO ESTÁ LIGADO E ELA AUMENTA O VOLUME DO MESMO. TODOS FICAM SENLM ENTENDER A REAÇÃO DELA. FO OUTRO LADO DA RÁDIO UM REPÓRTER TRAZ UMA INFORMAÇÃO.


REPÓRTER — (voz)  Algumas horas atrás o jornalista Petrônio Duarte foi preso na redação do jornal ek que ele trabalhou por muitos anos. Até agora essas são as informações. Voltamos mais tarde com outras notícias.


MADALENA DESLIGA O RÁDIO. ELA FICA MUITO AFLITA.


MADALENA — (angustiada) Isso não pode ser verdade. Primeiro a minha filha se envolve com esse movimento que é contra a repressão, depois a Isabela some do dia para a noite e agora isso. Porque essas coisas tem que estar acontecendo? 

OMAR — Madalena…. Você ouviu o que eu falei? Eu estou aqui para fazer parte novamente da sua vida, minha filha. (P) O que é que está acontecendo? Alguém pode me explicar? 

LAURINDO — Eu entendo perfeitamente que você quer se redimir, Omar. Mas essa não é uma no hora. Acredite em mim. 

DIONÍSIA — Como você pode ser tão indelicado assim, Omar. Você não está vendo o sofrimento da minha filha? É melhor você ir embora da minha casa. Eu estava sentindo que essa não era uma boa idéia. 


MADALENA OLHA PARA TODOS. SEM DIZER NENHUMA PALAVRA ELA SAI DA CASA DE SEUS PAIS COM MUITA PRESSA. CÉLIA VAI ATRÁS DELA IMEDIATAMENTE. DIONÍSIA E LAURINDO SE OLHAM BEM PREOCUPADOS.

CORTA PARA/


CENA 5. APARTAMENTO DE MÔNICA E ALBANO. SALA DE ESTAR. INT/ DIA 

CLOSE EM ALBANO QUE ESTÁ PARADO NA FRENTE DA ADEGA DE BEBIDAS. ELE SE SERVE UM COPO DE WHISKY. LOGO DEPOIS A PORTA DO APARTAMENTO SE ABRE E MÔNICA ENTRA TOTALMENTE TRANSTORNADA.  ELA VAI NA DIREÇÃO DE ALBANO. A VILÃ PEGA O COPO DE WHISKY E JOGA CONTRA A PAREDE DEMONSTRANDO ESTAR COM MUITA RAIVA. 


ALBANO — O que foi que deu em você, Mônica? Pelo o que me parece você foi atrás da sua irmã não é mesmo? Me diga que você não fez nenhuma loucura, Mônica. 

MÔNICA — (nervosa) Em primeiro lugar, aquela bastarda não é minha irmã. E em segundo lugar eu não te devo satisfação do que eu faço ou deixo de fazer, Albano. 

ALBANO — Eu te conheço muito bem, Mônica. Por dinheiro você seria capaz de fazer qualquer coisa. Até mesmo machucar uma pessoa inocente que nunca te fez nada. 

MÔNICA — Eu não vou ficar aqui perdendo o meu tempo com o seu discurso de almanaque, Albano.  Eu nunca precisei de você para absolutamente nada e não vai ser agora que eu irei precisar. Nem.para me dar um filho você foi homem. 


ALBANO FICA ABALADO. MÔNICA FICA REPUDIANDO DELE. 


ALBANO — (sério) Quer saber de uma coisa, Mônica? Faça o que você quiser. Tudo o que eu queria é que você pensasse mais no que você está para fazer. Mas você não consegue ver que o caminho que você está indo só vai te fazer mal. Eu estava pensando no seu bem. 

MÔNICA — No meu bem, Albano? Se você realmente quisesse o meu bem você me ajudaria a convencer o meu pai a mudar o testamento e não deixar nada para aquela bastarda. Isso sim me ajudaria e muito. 

ALBANO — Eu cansei de perder o meu tempo com você, Mônica. Eu só espero que você não faça nada contra a lei nessa sua desmedida busca por dinheiro fácil. 

MÔNICA — (dissimulada) A verdade é uma só, Albano. Eu tentei matar aquela infeliz daquela bastarda. Mas infelizmente uma mulher que eu não sei de onde surgiu salvou aquela maldita. Mas eu ainda vou ter a chance de acabar com a vida dela. Pode acreditar nisso. 


ALBANO FICA IMÓVEL DIANTE DA REVELAÇÃO. MÔNICA SORRI DE UM JEITO ORGULHOSO. O OLHAR DE ALBANO DIZ TUDO. 


ALBANO — (surpreso) Que espécie de monstro você é, Mônica? O Omar não merece ter uma filha tão gananciosa como você. Você deveria estar fora do convívio da sociedade. 

MÔNICA — Como você é ridoc, Albano. Na vida tudo se resume a dinheiro e ao poder que se tem. (P) Eu não irei deixar que uma suburbana qualquer torr tudo o que eu sonhei em ter a minha vida inteira. Me ouviu?

ALBANO — Não conte comigo para mais nada, Mônica. A partir de agora eu não quero saber de mais nada que venha de você. Eu cheguei no meu limite. Eu quero o divórcio. 

MÔNICA — (sorrindo) Você achou mesmo que isso iria me abalar, Albano?  Você está me fazendo um grande favor. Faz muito tempo que eu estou com nojo de deitar ao seu lado. Você é um homem fraco e desprezível. Vai ser uma honra para mim assinar esse divórcio. 


MÔNICA SAI TOTALMENTE CERTA DO QUE ELA DESEJA. ALBANO FICA ESTÁTICO DIANTE DO QUE OUVIU.

CORTA PARA/


Ju PODEMOS VER MARINA, PACO, O CHEFE DA OPERAÇÃO E NONATO QUE ESTÁ COM ISABELA EM SEUS BRAÇOS TENTANDO FUGIR DALI. LOGO DEPOIS UM OFICIAL DA REPRESSÃO PARA NA FRENTE DELES E LHES APONRA UMA ARMA. O CLIMA VAI FICANDO CADA VEZ MAIS TENSO. 


OFICIAL — Bem que a minha intuição estava dizendo que vocês não eram do exército coisa nenhuma. Vocês não passam de terroristas que querem acabar com o nosso país. 

MARINA — (séria) Eu não posso e não irei ficar discutindo isso aqui com você. Nós viemos resgatar a minha amiga e agora nós iremos embora. É melhor você não impedir. 

OFICIAL — Parece que vocês não entenderam a gravidade da situação. Vocês não vão a lugar nenhum. Quem vai decidir o que fazer com vocês é o Delegado Flores. 

HOMEM — Ou você deixa a gente ir embora por vontade própria ou então eu irei fazer algo que eu não quero.


O OFICIAL DO DOI-CODI CONTINUA COM A ARMA APONTADA PARA TODOS. O CHEFE DA OPERAÇÃO SACA UMA ARMA E APONTA PARA O OFICIAL DA REPRESSÃO. 


HOMEM — Eu te dei a chance de fazer a coisa certa. Agora nós vamos sair desse inferno você querendo ou não. Abre esse portão antes que eu atire em você. Anda logo. 

NONATO — (apreensivo) O que você está fazendo? Eu pensei que você disse que tudo seria feito sem uso da violência. Você me deu a sua palavra. Faça cumprir. 

MARINA — Esse é o único jeito, Nonato. Por mais que seja difícil para mim admitir essa é a única forma da gente sair desse lugar com vida. No fundo você sabe disso.

PACO — O meu fio está certo, Marina. Se render a violência nunca é o melhor caminho. Eu esperava que você tivesse entendido isso. Mas parece que eu estava enganado..

OFICIAL — Você realmente acha que eu sou burro de vir enfrentar vocês sozinho? Vocês não vão sair daqui vivos. Se preparem para morrer seus comunistas.


DIVERSOS OFICIAIS DO DOI-CODI APARECEM APONTANDO ARMAS PARA MARINA E OS DEMAIS. O CHEFE DA OPERAÇÃO FICA ENCURRALADOS. O CLÍMAX ESTÁ NO AUGE. 


HOMEM — (sussurrando) Assim que eu der o sinal todos vocês entrem no carro e vão embora sem olhar para trás. Nós viemos salvar a Isabela e eu vou cumprir isso à risca.

NONATO — Você não pode fazer isso. Deve haver outra solução. 

MARINA — Você está querendo se sacrificar por nós? Não faça isso. Pense na sua vida família. É melhor você reconsiderar. Não faça nada que você se arrependa.

PACO — Ouve o que nós estamos te falando. É o melhor para todos. Nós vamos encontrar outra saída. Eu prometo.

HOMEM — (firme) Façam ok que eu estou falando. Entrem.no carro que eu vou dar um jeito de vocês fugirem daqui.


MARINA E OS DEMAIS ENTRAM NO CARRO . NA FRENTE ESTÃO NONATO E PACO. E ATRÁS ESTÃO MARINA QUE ESTÁ CUIDADO DE ISABELA QUE ESTÁ DESMAIADA. FORA DO CARRO O CHEFE DA OPERAÇÃO AMEAÇA ATIRAR, MAS OS OFICIAIS DO DOI- CODI ATIRAM NELE ANTES E O MATAM. SEM PENSAR DUAS VEZES NONATO ACELERA O CARRO E FOGE DA SEDE DO DOI-CODI DESTRUINDO O PORTÃO DO LOCAL.

CORTA PARA/


CENA 7. PRAIA DO ARPOADOR.  CARRO. EXT/ TARDE 

ALGUMAS HORAS DEPOIS. A CÂMERA VAI SE APROXIMANDO DE UM CARRO (DE ÉPOCA) PARADO HÁ UNS 150 METROS DA PRAIA DO ARPOADOR. DENTRO DO CARRO ESTÃO PETRÔNIO E ESTEVÃO QUE ESTÃO MUITO AFLITOS COM TUDO O QUE HOUVE MAIS CEDO. PETRÔNIO ESTÁ VISIVELMENTE NERVOSO E ESTEVÃO TENTA FAZER ELE RECOBRAR A RAZÃO. 


PETRÔNIO — Porque foi que você me trouxe até aqui, Estevão? Você passa anos longe e quando volta eu descubro que você é uma das pessoas que está envolvido na morte de jovens inocentes. Eu jamais imaginaria que o meu velho amigo seria alguém tão desprezível assim.

ESTEVÃO — Você está muito enganado ao meu respeito, Petrônio. Eu tenho feito de tudo para impedir que essas mortes aconteçam. Você está sendo muito injusto. 

PETRÔNIO — Se isso é verdade então onde está a minha filha, Estevão. Já faz alguns dias que ela está presa nos porões do Doi-Codi. Eu me sinto de mãos atadas sem poder fazer nada. A minha vontade era de invadir aquele lugar. 

ESTEVÃO — Você nem pense em fazer uma besteira dessas, Petrônio. O governo militar já está de olho em você por causa das suas matérias no jornal. Se você fizesse algo desse tipo eles iriam fazer de tudo para te calar. 


PETRÔNIO FICA MUITO IRRITADO. ELE BATE SUAS MÃOS NO PAINEL DO CARRO. ESTEVÃO OLHA PARA SEU AMIGO COM PENA. 


ESTEVÃO — Acredite em mim, Petrônio. Eu sinto muito que você esteja passando por essa situação. Você não merecia esse sofrimento. (P) Mas eu quero que você entenda que eu também perdi algo que era importante para mim. Eu perdi a mulher que eu tanto amava.

PETRÔNIO — (ponderando) A Célia???? Você não perdeu o amor dela, Estevão. Você fez uma escolha. Você preferiu a sua carreira militar do que ficar com ela. Isso é um fato. 

ESTEVÃO — Você está certo, Petrônio. Esse é um m dos maiores arrependimentos da minha vida. Se eu pudesse voltar atrás eu voltaria. Mas infelizmente o tempo passou e eu magoei demais a Célia. E isso é imperdoável. 

PETRÔNIO — Sinceramente eu te entendo, meu amigo. Mas eu não posso deixar de cumprir com o meu dever como jornalista por medo oi qualquer outra coisa. 


ESTEVÃO FICA EM SILÊNCIO. PETRÔNIO O OBSERVA. 


ESTEVÃO — Está tudo bem, Petrônio. Você venceu. Eu sou voto vencido. Mas eu quero que você saiba as consequências dessa sua escolha. O governo não vai deixar de ir atrás de você. Todos nós ué você ama estão em perigo. 

PETRÔNIO — Até quando esse inferno vai continuar, Estevão? Essa ditadura que foi instaurada em nosso país precisa ter fim. Quantas pessoas vão precisar morrer?

ESTEVÃO — Eu não tenho como responder essa sua pergunta, Petrônio. Do jeito que as coisas estão indo a tendência é que tiro piore cada vez mais. Essa é a verdade.

PETRÔNIO — O melhor que eu faço agora é voltar para a minha casa. Eu preciso pensar em uma forma de tirar a minha filha daquele inferno. Isso que eu tenho que fazer.

ESTEVÃO — Tudo bem, Petrônio. Eu te levo em sua casa. 


ESTEVÃO LIGA A CHAVE DO CARRO E ELES VÃO EMBORA. A CÂMERA CORTA PARA FORA DO CARRO E VEMOS O CARRO SUMIR NO MEIO DO HORIZONTE.

CORTA PARA/


CENA 8. RIO DE JANEIRO..CLIP. TRANSIÇÃO. EXT/ TARDE/ NOITE

CLIPE COM DIVERSAS IMAGENS AÉREAS DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO. A TRANSIÇÃO DA TARDE PARA A NOITE É FEITA DE UMA FORMA NATURAL E ORGÂNICA. A ÚLTIMA IMAGEM QUE A CÂMERA MOSTRA É A FACHADA DA MANSÃO DE OMAR. 

FUNDE PARA/


CENA 9. MANSÃO DE OMAR PELLEGRINI. SALA DE ESTAR. INT/ NOITE 

A CÂMERA FOCA EM OMAR QUE ESTÁ REUNINDO COM UM INVESTIGADOR PARTICULAR QUE ESTÁ LHE ENTREGANDO ALGUNS DOCUMENTOS. OMAR SE LEVANTA E FICA EM PÉ NA FRENTE DO INVESTOGADOR. O SEMBLANTE DE OMAR É SÉRIO. 


OMAR — Você conseguiu fazer aquilo que eu te pedi, investigador? Eu espero que você tenha sido cauteloso. 

INVESTIGADOR — E quando foi que eu não fui cauteloso, Omar? Mas eu consegui segui a sua filha e você não vai acreditar no que ela teve a coragem de fazer.

OMAR — (impaciente) Fale de uma vez, homem. Esse mistério todo não é do meu gosto. Eu quero saber o que houve. 

INVESTIGADOR — A sua filha teve a audácia de jogar o carro para cima de outra mulher que eu não conheço. Mas por sorte ela foi salva por outra mulher que passava bem na hora. Foi isso que aconteceu, Omar. 


OMAR FICA ESTARRECIDO. A RAIVA É VISÍVEL EM SEU OLHAR.


INVESTIGADOR — O que você está pensando em fazer com essa informação, Omar? O que a Mônica fez foi crime. Eu poderia ter muito bem na polícia, mas eu preferi vir e te avisar em prol da nossa amizade. 

OMAR — Eu te agradeço por isso. Tudo o que eu não quero é ver o meu nome envolvido em uma polêmica. Mas a Mônica vai pagar muito caro por ter feito isso. A mulher que ela tentou matar é minha outra filha. 

INVESTIGADOR — Eu não sabia que você tinha outra filha, Omar. Levando em consideração tudo o que você me disse isso é coisa familiar e é aqui que eu me retiro. 


OMAR E O INVESTIGADOR APERTAM AS MÃOS. LOGO DEPOIS O INVESTIGADOR VAI EMBORA. AGORA A CÂMERA FOCA CADA VEZ MAIS EM OMAR QUE ESTÁ POSSESSO DE RAIVA. 


OMAR — Dessa vez você foi longe demais, Mônica. Eu vou tirar de você aquilo que você mais ama. O dinheiro.


OMAR ESTÁ CIENTE DE SUA DECISÃO. CLOSE EM SUAS EXPRESSÕES. 

CORTA PARA/


CENA 10. CASA DE PETRÔNIO E ISABELA. SALA. INT/ NOITE

MADALENA ESTÁ SENTADA NO SOFÁ DA SALA TOTALMENTE PERDIDA EM SEUS PENSAMENTOS. O SEU SEMBLANTE É DE AFLIÇÃO. A PORTA DA SALA VAI SE ABRINDO E PARA A SURPRESA DE MADALENA QUE ESTAVA DISTRAÍDA MARINA E NONATO ENTRAM TRAZENDO ISABELA QUE ESTÁ ACORDADA, MAS MUITO MACHUCADA.


MADALENA — (surpresa) Eu não posso acreditar…. Isabela é você mesma? O que foi que aconteceu com você? Você está tão machucada e tão fraca. Alguém pode me explicar. 

MARINA — Essa não é a melhor hora para falar sobre isso, mãe. Tudo o que a Isabela precisa agora é descansar e colocar as ideias em ordem. Você não acha? 

ISABELA  — Está tudo bem, Marina. Todos vaoyficar sabendo de qualquer maneira. (P) A verdade é que o Delegado Flores me estuprou, Madalena. Foi isso que houve.

MADALENA — Eu nem sei o que te dizer, Isabela. Eu nem posso imaginar o quão violada você deve estar agora. 


AS LÁGRIMAS ESCORREM PELOS OLHOS DE ISABELA. MADALENA, NONATO E MARINA FICAM SE ENCARANDO.


NONATO — (prático) O que você precisa fazer agora é esquecer tudo que te aconteceu, Isabela. E seguir em frente. 

ISABELA — (chorando) E como é que eu faço isso, Nonato? Aquele desgraçado do Flores acabou com a minha vida. Tudo o que eu queria agora nesse momento é sumir. 

MADALENA — Não pense assim, Isabela. Você tem tantas pessoas que te amam. Eu sei que eu não sou a sua mãe, mas eu farei de tudo para que você não se sinta só. Você pode contar sempre comigo, minha pequena. 

MARINA — A minha mãe está certa, Isabela. O que você precisa fazer é encontrar forças para seguir a sua vida, mas nós ainda vamos fazer o Flores pagar pelo o que te fez. E além disso você tem o seu pai que te ama muito.


ISABELA RESPIRA FUNDO. ELA ENCARA TODOS BEM SÉRIA. 


ISABELA — Onde é que está o meu pai? Eu pensei que eu iria encontrar ele me esperando quando eu chegasse em casa. (P) Madalena…. O que você está me escondendo? 

MADALENA — (séria) Eu não queria ser a pessoa que tem que te dar essa notícia, Isabela. Mas o seu pai foi tordo na redação do jornal. Ninguém sabe onde ele está uma hora dessas. 

ISABELA — Isso não pode estar acontecendo. Quando é que esse pesadelo vai acabar? Essa maldita ditadura está acabando com todos nós. Agora isso resvalou no meu pai. Sinceramente eu não sei o que fazer. 

NONATO — Eu queria te prometer que tudo vai ficar bemB, Isabela. Mas infelizmente eu não posso fazer isso. O que eu posso fazer é te dar apoio nesse momento difícil. 


MARINA — (firme) Isso é para a gente se lembrar pelo o que estamos lutando. E a nossa luta está longe do fim.

MADALENA — Olha só onde vocês chegaram? Até quando vocêsY vão ficar insistindo em participar desse movimento contra a ditadura? Isso está ficando muito perigoso. 


MADALENA MANTÉM O SEU TOM DE VOZ BEM FIRME. MARINA, NONATO E ISABELA FICAM SE OLHANDO EM SILÊNCIO.

CORTA PARA/


CENA 11. APARTAMENTO DE OLÍVIA. QUARTO. INT/ NOITE

CLOSE MAIS FECHADO EM ALFREDO QUE ESTÁ ESPARRAMADO NA CAMA. OLÍVIA ENTRA NO QUARTO E OLHA BEM FRIAMENTE PARA ALFREDO. QUANDO SE APROXIMA AINDA MAIS DA CAMA ALFREDO A PUXA E A BEIJA COM MUITA VOLÚPIA. OLÍVIA DÁ UM TAPA EM ALFREDO QUE FICA FERVENDO DE ÓDIO.


ALFREDO — (esbravejando) Você ficou louca, Olívia? O que você pensa que está fazendo? Você nunca sequer levantou a mão para mim. Eu espero que você tenha uma boa justificativa para ter feito isso.

OLÍVIA — Eu me cansei, Alfredo. Cansei de ser humilhado. De ter os meus sentimentos jogados no lixo por um homem que não me merece. Eu quero que você vá embora da minha vida. Você entendeu?

ALFREDO — Eu pensei que a gente já tinha superado esse assunto, Olívia. Quantas vezes eu vou ter que falar que você me pertence? Eu estou ficando cansado dessa história. 

OLÍVIA — A sua mãe tem razão, Alfredo. Você não ama ninguém. Agora eu tive a prova disso. É de conhecimento de todos que você entregou a Isabela para ser capturada pelos oficiais do Doi-Codi. Como eu pude perceber só agora o monstro que você é?


ALFREDO SE LEVANTA DA CAMA COM RAPIDEZ. ELE SEGURA O PESCOÇO DE OLÍVIA COM MUITO ÓDIO. ELA FICA COM MEDO. 


ALFREDO — (com raiva) Eu posso saber o que a intrometida da minha mãe veio fazer aqui? Ela como sempre está querendo se intrometer na minha vida. E você ainda dá corda, Olívia. Parece que você gosta de me provocar. 


ALFREDO SOLTA OLÍVIA. ELA OLHA O VILÃO COM ÓDIO.


OLÍVIA — (respirando fundo) A sua mãe veio me abrir os olhos, Alfredo. Por muitos anos eu tentei fazer com que você tratasse o Tiago como seu filho, mas bem isso você foi capaz de fazer. Eu perdi metade da minha vida do seu lado. Suma da minha vida, Alfredo. 

ALFREDO — Quem me garante que esse comunista é mesmo meu filho? Até onde eu sei você poderia ter se deitado com qualquer outro homem e jogado essa responsabilidade para cima de mim, Olívia. Eu não sou burro como você imagina. 



OLÍVIA FICA CADA VEZ MAIS NERVOSA. ALFREDO A OLHA. 


OLÍVIA — Eu não estou acreditando que você está me falando isso, Alfredo. Você é mesmo um homem desprezível. Vá embora do meu apartamento agora mesmo. Seu calhorda. 

ALFREDO — (cínico) Eu vou embora porque eu quero, Olívia. Mas de uma coisa você pode ter certeza. Você ainda vai voltar se rastejando para mim. Eu te garanto isso.


ALFREDO SE VESTE E VAI EMBORA. O SEMBLANTE DE OLÍVIA É DE MUITA TRISTEZA. AS LÁGRIMAS ESCORREM POR SEU ROSTO.

CORTA PARA/


CENA 12. SEDE DO DOI-CODI. SALA DE TORTURA. INT/ NOITE 

ALGUNS OFICIAIS DA REPRESSÃO ESTÃO REUNIDOS NA SALA DE TORTURA E ELES FICAM SE ENCARANDO EM PURO SILÊNCIO. LOGO DEPOIS O DELEGADO FLORES ENTRA NA SALA DE TORTURA E PERCEBE QUE ISABELA FUGIU. ELE VAI FICANDO COM MUITA RAIVA E ELE ACABA EXPLODINDO DE MUITO ÓDIO. ELE COMEÇA A DESTRUIR TUDO O QUE ENCONTRA PELA FRENTE. OS OFICIAIS DA REPRESSÃO FICAM EM CHOQUE COM O QUE ESTÃO PRESENCIANDO.


DELEGADO FLORES — (gritando) Quem foi o responsável por deixar a Isabela fugir? Eu não acredito que homens muito bem treinadoswforsm enganados por esses comunistas. Eu exijo uma explicação agora mesmo.

OFICIAL 1 — Nós não tivemos culpa, Flores. Eles estavam trajados com uniforme do exército. O que poderíamos imaginar? Fizemos tudo o que podíamos. Até um deles nós matamos. 

DELEGADO FLORES — A Isabela não podia sair daqui de nenhuma forma. Eu queria manter  ela sob o meu poder o mais tempo possível. Mas vocês estragaram isso. 

OFICIAL 2 — Porque essa obsessão toda com essa mulher, Flores? Ela não passa de apenas mais uma comunista. Nós deveríamos fazer com ela o que fazemos com os outros. Matar e fingir que nada aconteceu.


O DELEGADO FLORES FICA MUITO NERVOSO. ELE DÁ UM SOCO NO ESTÔMAGO DO OFICIAL QUE CAI DE JOELHOS.


DELEGADO FLORES — (furioso) Nunca mais você ouse falar uma coisa dessas. A Isabela é diferente. Quem ousar a mexer com ela vai ter que arcar com as consequências. Estão me ouvindo? 

OFICIAL 1 — O que você está querendo com isso, Flores? Nos arrastar até o buraco junto com você? Isso não vai acontecer. Se você quer jogar fora tudo que nós conquistamos, faça isso sozinho. 

DELEGADO FLORES — Nunca mais se atreva a questionar o meu comprometimento. Eu vou dizer isso só mais uma vez. O meu assunto com a Isabela é pessoal. E quem puxar atrapalhar vai pagar com a vida por tal erro. 


OS OFICIAIS  DA REPRESSÃO SE OLHAM APREENSIVOS. O DELEGADO FLORES OS ENCARA COM AUTORIDADE. 


DELEGADO FLORES — Eu espero que eu tenha sido claro . Se vocês voltarem me enfrentar não ter uma segunda chance. Eu não terei pena em matar todos vocês.


OS OFICIAIS DA REPRESSÃO FICAM COM MEDO. O DELEGADO FLORES SE MOSTRA AUTORITÁRIO ATRAVÉS DE SUAS PALAVRAS. 

CORTA PARA/


CENA 13. CASA DE PETRÔNIO E ISABELA. SALA. INT/ NOITE

A PORTA VAI SE ABRINDO LENTAMENTE. PETRÔNIO ENTRA EM SUA CASA COM O SEMBLANTE DERROTADO. EM SEGEUIDA MADALENA VEM AO SEU ENCONTRO E O BEIJA. OS SEUS OLHOS SE CRUZAM EM UMA TOTAL HARMONIA QUE ELES POSSUEM. MADALENA TOCA SUAVEMENTE AS MÃOS DE PETRÔNIO. 


MADALENA — (aliviada) Onde é que você estava, Petrônio? Eu fiquei o dia todo preocupada com você. Eu estava com medo de que algo tivesse acontecido com você. 

PETRÔNIO — Eu sinto mesmo, Madalena. Tudo o que eu não iria era te preocupar. Mas eu fui levado até o exército e eles queriam que eu desistisse de continuar escrevendo o que eu sempre escrevi. Mas isso nunca vai acontecer. 

MADALENA — Isso não tem tanta importância agora, Petrônio. Tem uma pessoa aqui que está querendo muito te ver. Eu aposto que você também quer ver muito ela. 


PETRÔNIO FICA INTRIGADO. LOGO DEPOIS ISABELA ENTRA NA SALA DEIXANDO SEU PAI TOTALMENTE EM CHOQUE. ELES SE APROXIMAM UM DO OUTRO E ELES SE ABRAÇAM BEM FORTE. 


PETRÔNIO — (surpreso/chorando) Minha filha…. Eu não posso acreditar que isso esteja acontecendo. Olha só para você, Isabela. O que foi que fizeram com você? 

MADALENA — Você precisa ficar calmo, Petrônio. Nesses dias que a Isabela ficou presa no Doi-Codi ela foi torturada de todas as formas possíveis. E ela tem uma coisa para te contar que é muito grave. Você precisa ouvir a sua filha. 

PETRÔNIO — O que pode ser mais grave do que saber que a minha única filha foi torturada? Você pode me contar tudo, Isabela. Nós nunca tivemos segredos um para o outro e não vai ser agora que isso vai mudar.

ISABELA — (abalada) Eu fui estuprada por aquele maldito do Delegado Flores, pai. Eu tentei me defender de tudo que é jeito, mas ele era mais forte. Eu me sinto tão suja e imoral. Porque isso tinha que acontecer comigo?


PETRÔNIO FICA DESTRUÍDO COM A REVELAÇÃO DE ISABELA. ELE A ABRAÇA NOVAMENTE, MAS DESSA VEZ MAIS FORTE. MADALENA CONTINUA AO LADO DELES. 


PETRÔNIO — (com raiva) O desgraçado do Flores foi longe demais. O.que ele fez com você é imperdoável, minha filha. Eu vou até as últimas consequências, mas ele vai pagar pelo o que ele fez a você . Eu prometo. 

ISABELA — É melhor você não fazer nada, pai. O Flores é muito poderoso e articulado. Eu não quero que você se torne um alvo dele. Eu estou te pedindo para esquecer isso.

MADALENA — A sua filha está certa, Petrônio. Nos últimos dias tantas coisas vem acontecendo ao nosso redor. Você perdeu a sua esposa. Eu vi o meu casamento ruir. E agora a sua filha foi estuprada. Nós não podemos continuar desafiando essas pessoas desse jeito.

PETRÔNIO — E o que vocês querem que eu faça? Que eu fique aqui parado enquanto o Flores continua fazendo as barbaridades que ele está acostumado? Ele vai ter que me ouvir. Eu deveria denunciar ele para a polícia. 


MADALENA FICA FRENTE A FRENTE COM PETRÔNIO. ELES FICAM SE OLHANDO SEM DIZER NADA. ISABELA PERCEBE CLARAMENTE O CLIMA QUE ESTÁ ACONTECENDO. 


A IMAGEM CONGELA NA TROCA DE OLHARES SE MADALENA E PETRÔNIO. AOS POUCOS A IMAGEM VAI GANHANDO UM TOM EM PRETO E BRANCO.




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