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INFERNO URBANO - CAPÍTULO 12


 Inferno Urbano 

WEB-NOVELA

CAPÍTULO #012

CRIADA & ESCRITA POR:

WANDERSON ALBUQUERQUE

CENA 01. APARTAMENTO DE LUXO. EXT. DIA.

Tomada rápida da fachada do apartamento.

CENA 02. APARTAMENTO DE LUXO. SALA. INT. DIA

Carmem anda de um lado para outro. A porta da sala abre-se e Milton chega. Ele vai em direção a sua esposa e dá um beijo e ela o recepciona friamente.

MILTON (ESTRANHA) – Aconteceu alguma coisa?

CARMEM (RAIVA) – Aconteceu sim. A sua filha querida, a Pitaya, agora resolveu que quer ser a sua sucessora no jogo do bicho.

MILTON (DÁ UM SORRISO) – O quê? Você está falando sério?

CARMEM (RI) – Mas é claro que você iria gostar, não é? Milton, eu não quero os nossos filhos envolvidos nessa coisa toda. O Guto morreu por causa dessa sujeirada.

MILTON – Ei, espere aí. Você casou comigo já sabendo de onde o dinheiro vinha. Sabia muito bem aonde estava se metendo e agora está nessa?

CARMEM – Acontece que eu não tinha um filho enterrado! Eu não quero que isso aconteça com as meninas. Tem noção como meu coração fica toda vez que a Cacau diz que vai ao shopping? Milton, estou te pedindo, tire isso da cabeça da nossa filha, por favor.

MILTON – Carmem, você está sendo muito impulsiva agindo dessa forma. O que aconteceu com o Guto foi uma fatalidade, mas poderia ter acontecido comigo, com você ou qualquer outra pessoa.

CARMEM (GRITA) – PARA! PARA! Não ouse colocar a morte do Guto como uma mera estatística. Nós dois sabemos muito bem que alguém matou nosso filho, porque sabia de quem ele era filho. Você mais do que ninguém sabe disso, afinal, foi até o Desalento pessoalmente descobrir quem foi, né?

Milton treme e recua um passo para trás. Ele balança a cabeça.

MILTON – Quem te contou isso?

CARMEM – Não interessa, Milton. O nosso filho está morto e a nossa filha está querendo ir para o mesmo caminho.

Carmem se aproxima de Milton. Ela coloca a mão no rosto dele.

CARMEM (CHORA) – Se mais uma filha nossa morrer por causa dessa merda de jogo do bicho, eu me jogo da sacada desse apartamento.

Ela engole em seco e sai caminhando lentamente. Milton fica cabisbaixo.

CENA 03. AVENIDAS DO RIO DE JANEIRO. EXT. DIA.

SONOPLASTIA ON: SÓ TINHA DE SER VOCÊ – ELIS REGINA & TOM JOBIM

O Céu está azul. Há poucas nuvens. As montanhas formam o cenário perfeito para o dia ensolarado.

A Sonoplastia diminui e fica ao fundo e uma voz de um radialista entra na cena, enquanto há imagens do Rio de Janeiro sendo mostradas.

RADIALISTA (VOZ) – A Policia Militar já afastou o PM que foi responsável por matar o morador do Desalento covardemente. Em meio a crise política, o Prefeito Lopes exonerou o secretário da segurança do cargo. Uma nova nomeação deve ser feita nos próximos dias.

CENA 04. RIO EM AÇÃO. ESCRITÓRIO. INT. DIA.

Patrícia está com um caderno em sua mão e uma caneta em outra no canto do escritório. A porta do elevador se abre e é um carteiro.

CARTEIRO – Senhorita Patrícia Moreira.

Patrícia estranha e vai até o carteiro. Os outros jornalistas se entreolham.

PATRÍCIA – Sou eu.

CARTEIRO (ENTREGA UMA CORRESPONDÊNCIA) – Pra você. Pode assinar aqui para ficar registrado?

Patrícia assente e assina.

CARTEIRO – Obrigado. Tenha um bom dia.

O carteiro entra no elevador e Juca vai até Patrícia que já está lendo o conteúdo do envelope.

JUCA (RI) – É algum cartão de loja?

PATRÍCIA (SÉRIA) – Não, é uma intimação policial. Estão me intimando para prestar esclarecimentos sobre o assassinato do morador. Provavelmente vão perguntar como recebi as provas e tudo mais.

JUCA – Que estranho. Se foi alguém que você conhece, pelo amor de Deus, não fala nada, tá?

PATRÍCIA – Eu jamais faria isso. Bom, vou arrumar minhas coisas e vou lá.

Patrícia dá um beijo na bochecha de Juca.

CENA 05. ORFANATO. PÁTIO. INT. DIA.

Há crianças brincando no pátio e algumas freiras supervisionam. Capitão Vasconcelos surge com o fardamento do BOPE. Ele segura o seu boné e fica olhando para as crianças pensativo.

CRIANÇA 1 – Olha, é um policial.

MADRE CÉLIA (SURPRESA) – Diogo! Meu Deus! Eu não esperava te ver por aqui.

Madre Célia e Capitão Vasconcelos dão um abraço apertado.

CAP. VASCONCELOS – Como estão as coisas?

MADRE CÉLIA – Estão muito boas, graças ao bom Deus. Pelo visto, sua visita não foi algo espontâneo, né?

CAP. VASCONCELOS – Eu prometo que venho um outro dia com mais calma para brincar com as crianças, mas hoje eu realmente precisava falar com a senhora.

Madre Célia dá um sorriso.


CENA 06. ORFANATO. SALA. INT. DIA.

A sala da Madre Célia tem uma estante enorme com diversos livros antigos. Capitão Vasconcelos observa tudo com um sentimento de nostalgia. Ela abre as cortinas e um pouco de luz externa adentra no ambiente.

MADRE CÉLIA – Tomar conta desse orfanato não tem sido fácil. Cada vez mais crianças chegam aqui, mas no fim, tudo dá certo, né?

CAP. VASCONCELOS – Incrível como não mudou nadinha desde o dia que eu saí daqui.

MADRE CÉLIA – Pois é, meu querido. (t) O que te trouxe aqui hoje?

CAP. VASCONCELOS – Bom, Madre... O Major Ramalho me contou que a minha mãe biológica esteve aqui atrás de mim. É verdade?

MADRE CÉLIA (SUSPIRA) – Sim, é. Há alguns dias ela resolveu vir aqui. Fazia muito tempo que ela tinha aparecido, na verdade, chegou a se casar com um homem e foi morar nos Estados Unidos com ele. Depois disso, nunca mais tive notícias dela.

CAP. VASCONCELOS – E por que só agora, depois de 37 anos ela resolveu me procurar?

MADRE CÉLIA – Para ser sincera, não faço a menor ideia, meu filho. Ela veio te procurar, quer dizer... Veio saber quem foi que te adotou, mas eu prometi a você que se esse dia chegasse eu diria a ela que você estava morto.

CAP. VASCONCELOS – E a senhora disse?

MADRE CÉLIA – Não. Eu disse que você teve a sorte de ser adotado por um casal de suíços que estavam de passagem pelo Brasil e acabaram se apaixonando por você.

CAP. VASCONCELOS – Fez muito bem, Madre.

MADRE CÉLIA – Tem certeza que não quer saber quem é a sua mãe biológica?

CAP. VASCONCELOS – Absoluta, Madre. Não quero ter que conviver com alguém que me abandonou e pelo que a senhora sempre disse, ela tinha condições, então realmente não me queria.

MADRE CÉLIA – Sinto muito.

CAP. VASCONCELOS – Está tudo bem, Madre.

MADRE CÉLIA – Como está o casamento?

CAP. VASCONCELOS – Está muito bem. Um dia eu a trago para a senhora conhece-la. Tá bem?

MADRE CÉLIA – Tenho certeza que ela é uma grande mulher.

CAP. VASCONCELOS – Não tenha dúvidas.

Capitão Vasconcelos dá um sorriso.

CENA 07. COMPLEXO DO DESALENTO. CASA. LAJE. INT. DIA.

SONOPLASTIA ON: ACONTECIMENTOS – MARINA LIMA

Dandara está estendendo umas roupas no varal com sua mãe. Vemos o Rio de Janeiro do alto do morro. Açucena está passando um pano no chão da laje.

AÇUCENA – Olha Dandara, pra mim, isso é uma loucura sem tamanho, minha filha. Você não tem nome na politica e já vai se lançar como deputada estadual?

DANDARA – Não se preocupe, mãe. Eu estou tranquila em relação a isso. Sei que parece assustador, mas sei o que estou fazendo. Fui muito bem orientada pelo Guilherme.

AÇUCENA – Ainda acho que você está sendo cobaia do partido.

DANDARA – Mãe, quero que todo o Desalento possa confiar em mim como uma parlamentar séria. Eu quero ser a voz que fará diferença no Rio de Janeiro. Não posso aceitar que as coisas estão se tornando cada vez mais sérias e simplesmente fechar os olhos.

AÇUCENA – Bom, você que sabe. (t) Viu que o vídeo que recebeu do policial assassinando aqui foi afastado?

DANDARA (RI) – É pouco. Ele deveria era ser preso e pagar pelo que fez. A polícia é racista, isso não é novidade nenhuma. O que eles estão pensando? Vão chegar aqui no morro e matar todo mundo que eles julguem como culpados? Não, isso não vou deixar, mãe. Daqui a pouco a gente vai ver tanque do exército subindo o Desalento e vamos ter que achar tudo bem, porque quando na verdade, a gente vai estar sofrendo as consequências dessas intervenções.

Açucena coloca a vassoura encostada na parede e se aproxima da filha.

AÇUCENA – Você não pode ficar com essa síndrome de salvadora, minha filha. É você contra o estado.

DANDARA – Enquanto existir alguém, a resistência continuará fazendo seu papel, mãe.

Açucena abraça a sua filha.

CENA 08. DELEGACIA. ESCRITÓRIO. INT. DIA

Samira está deitada no sofá. Miguel adentra a sala e vai para a sua mesa. Ele vê um telefone em cima e estranha.

MIGUEL - De quem é esse telefone?

SAMIRA - Ah, é meu. Eu acabei deitando aqui no sofá. Hoje o dia está pesado, hein? Nossa, estou exausta e ainda estamos na metade da tarde.

MIGUEL - Sim, sim.

SAMIRA - Como você está se sentindo logo após essa confusão toda do policial?

MIGUEL - Péssimo. Eu ainda cheguei a cogitar que o Capitão Vasconcelos era quem estava envolvido em alguma coisa assim parecida, mas não.

SAMIRA - Aquele ali é muito certinho para querer cometer erros que manchem a imagem dele. Ele é um ogro, isso é verdade, mas está longe de ser um problema.

MIGUEL - Não sabia que você conhecia o Capitão Vasconcelos.

SAMIRA (RISOS) - Não é difícil não conhecer.

O celular de Samira toca e na tela aparece o nome do contato: Renato Queiróz e sua foto. Miguel observa.

SAMIRA - Quem é? Traz pra mim, por favor?

MIGUEL (PEGA O TELEFONE) - Aparentemente o Deputado Renato Queiróz.

Samira treme e levanta-se rapidamente do sofá. Ela pega o telefone e desliga.

MIGUEL - Não vai atender?

SAMIRA (TREME) - Ah, não é importante.

MIGUEL - Samira, você nunca me disse que era próxima ao deputado Renato.

SAMIRA (NERVOSA) - Ele é um amigo de um cara com quem estou saindo. Depois eu retorno pra ele. Bom, vou indo. (T) Já formalizei a denúncia das mortes junto ao Ministério Público.

Samira pega sua bolsa e sai da sala. Miguel a observa friamente.

MIGUEL - Tem alguma coisa aí.

CENA 09. RIO EM AÇÃO. SALA DE FELIPE. INT. DIA.

Felipe está escrevendo algo em seu laptop. A porta se abre e Juca adentra a sala.

JUCA – Pediu pra me chamar, Felipe?

FELIPE – Sim, sim. Sente-se.

Juca assente.

FELIPE – Bom, eu te chamei aqui para conversarmos sobre uma ideia que eu tive. Não sei se vai concordar, estará livre para pensar.

JUCA – O que seria?

FELIPE – Como você sabe, os principais chefes do tráfico do Desalento foram presos, mas obviamente tem alguém tomando conta de lá ainda. Preciso que você investigue sobre as bocas que estão em funcionamento na favela. Você topa?

JUCA – Mas é claro que eu topo. Acho que é a reportagem da minha carreira, Felipe.

FELIPE – Não tenha dúvidas, Juca. Lembre-se que é muito perigoso e você não pode dar bola. Nós vamos disponibilizar para você uma câmera que será acoplada em sua roupa, porque assim conseguimos as imagens.

JUCA – Tem alguma orientação?

FELIPE – Se você perceber qualquer movimento estranho, tente dar sinal o mais rápido, tá bem? Coloque o número do jornal como contato de emergência.

JUCA (ASSENTE) – Pode deixar.

FELIPE – Juca, quando você terminar essa reportagem, queria te propor uma outra coisa, mas espero você retornar para falarmos sobre.

Juca aperta a mão de Felipe.

CENA 10. AVENIDAS DO RIO DE JANEIRO. EXT. NOITE.

SONOPLASTIA ON: NÃO DEIXE O SAMBA MORRER - ALCIONE

O sol se despede lentamente no horizonte, derramando seus últimos raios dourados sobre o Rio de Janeiro. De um lado, a favela se estende em um emaranhado de casas de tijolos expostos e telhados de zinco, subindo pelas encostas dos morros como um mosaico caótico de vidas entrelaçadas.

A luz artificial dos postes e dos letreiros luminosos se mistura ao brilho vermelho e branco dos faróis dos carros, formando um rio de luzes que se estende até onde a vista alcança.

CENA 11. RESTAURANTE CHINÊS. INT. NOITE.

O Restaurante Chinês é pequeno, mas aconchegante. As paredes, adornadas com papel de seda vermelho e dourado, mostram dragões e também uma frase em mandarim: “Sorte é para quem tem”. Lanternas de papel, penduradas do teto, emitem uma luz suave e quente que cria um jogo de sombras. Renato está acompanhado de um homem de 40 anos aproximadamente.

RENATO – Para você ter me tirado do meu banho, espero que seja algo que me dê vantagem.

KLEN – Você vai adorar saber dessa. Ontem recebi uma lista com relação dos pré-candidatos a deputados dos partidos e vi um nome que me chamou bastante atenção: Dandara Araújo. Parece que o partido do Guilherme vai colocar a líder comunitária como candidata.

RENATO (RI) – Mas isso só pode ser piada. Como uma criola daquela acha que vai conseguir ser eleita? Ela não tem cacife para bancar uma campanha.

KLEN – Se eu fosse você, não contava com isso. O nome dela é muito forte. As pessoas no Desalento a respeitam bastante. Aliás, você deveria ficar bastante preocupado.

RENATO – Preocupado? Por qual motivo?

KLEN – Porque ela é do Desalento, favela a qual os seus esquemas de tráfico de drogas estão ligados. Se ela consegue se eleger, você perde força.

RENATO – Não tenho medo. Eu consigo neutralizar facilmente a candidatura dela. Vamos trabalhar com fake News, inventamos alguma coisa sobre ela e dá tudo certo.

KLEN – Não acha que está contando vitória antes do tempo, Renato?

RENATO – Você está de qual lado, Klen? Porque tudo que estou falando, parece que está arrumando um jeito para me contrariar.

KLEN – Não é isso, é só que você realmente precisa ter cuidado, especialmente com ela. A esquerda está louca para buscar uma voz que fale por eles, se ela se sair bem com a oratória, não conseguimos tirá-la mais do poder.

RENATO – Deixe ela brincar. É melhor que o tombo vai ser maior.

Renato ri.

CENA 12. PRESÍDIO. CELA. INT. NOITE.

As paredes de concreto, frias e sujas, são marcadas por inúmeras camadas de pichações e rabiscos. No centro da cela, duas camas de ferro com colchões finos e gastos são colocadas uma sobre a outra. O ar é pesado, carregado com o odor de suor, mofo e comida de prisão requentada. A iluminação principal vem de uma lâmpada fluorescente no teto, protegida por uma grade de ferro, que pisca intermitentemente, lançando um brilho azulado e inconstante no pequeno espaço. Jaguar e Hércules conversam no canto da cela.

JAGUAR – Tu já tá sabendo?

HÉRCULES – Do que?

JAGUAR – Tão pensando em fazer uma rebelião para depois fazermos uma fuga.

HÉRCULES – Mas teremos apoio quando estivermos lá fora?

JAGUAR – Tá de papo torto, moleque? É claro que vamos ter cobertura lá fora, tá ligado? Temos que pensar em conjunto pra não dar b.o para o nosso lado.

HÉRCULES – Tu acha que consegue um celular?

JAGUAR – Consigo sim. Isso aí é fácil demais. A gente pega um telefone e dá tudo certo. O que não pode é ficarmos aqui quando toda a nossa vida tá lá fora, tá ligado?

HÉRCULES – Vamos dar um jeito de capar logo daqui. Se eu ficar mais um dia aqui eu vou perder a cabeça.

Hércules dá um murro na parede e os outros detentos o observam.

CENA 13. MANSÃO AGOSTINI. ESCRITÓRIO. INT. NOITE.

Isis está olhando para a prateleira de livros. Alice adentra a sala.

ISIS – Alice... O que está fazendo aqui?

ALICE – Bom, eu acho que não fui expulsa, né? Mãe, por favor... Não fica brava comigo, eu não estou conseguindo nem comer direito, porque sei que está com raiva de mim.

ISIS – Alice, a vida é sua, minha filha. Eu também errei, deveria ter aceitado a sua opinião, mas fui uma covarde. Talvez, porque quando você falou que estava grávida, já projetei meu amor nesse bebê.

ALICE – Desculpa.

Alice vai até a sua mãe e a abraça.

ISIS – Mas e então, quando você vai fazer o... Isso aí.

ALICE – Bom, era sobre isso que eu gostaria de falar com você. Vou passar um tempo na Hungria e vou fazer o aborto por lá.

ISIS (SURPRESA) – O quê? Mas Alice é um procedimento totalmente invasivo. Quem vai cuidar de você?

ALICE – Mãe, não se preocupe, é sério. Lembra que eu fiz um intercambio há uns anos? Eu conheci uma amiga lá em Budapeste, a Emese. Eu vou passar uns dias na casa dela. Já conversei com ela e ela está super animada.

ISIS (SUSPIRA) – Meu coração vai sair pela boca se eu não tiver notícias suas, hein?

ALICE – Eu prometo que eu mando notícias, tá? Não se preocupe.

Isis vai abraçar sua filha novamente. Da porta, Victoria observa tudo.

CENA 14. APARTAMENTO. QUARTO. INT. NOITE.

Patrícia está mexendo no seu notebook. Ela olha fixamente para a parede e pesquisa: Deputado Renato Queiróz 2018. Ela rola a aba de pesquisa.

PATRÍCIA – O que é isso?

Patrícia clica em uma foto que mostra o Deputado Renato Queirós com alguns políticos e o Capitão Vasconcelos ao fundo.

PATRÍCIA (SURPRESA) – Então, vocês não eram só “parceiros” de futebol...

Patrícia está com uma feição séria no rosto.

CENA 15. RUA QUALQUER. EXT. NOITE.

Renato e Samira estão dentro do carro. Os faróis do carro estão apagados. Não há ninguém na rua.

RENATO – Por que me trouxe pra cá?

SAMIRA – Porque agora é pra valer. Dei uma vacilada e o Miguel viu uma ligação sua no meu telefone, inventei uma mentira lá, mas é óbvio que ele não acreditou.

RENATO – Mas quer porra, Samira. Você vai jogar tudo pro ralo e não quero ir pra cadeia por causa de burrice sua.

SAMIRA – Calma, tá? Dá pra gente recalcular a rota sem problema algum. Conhecendo o Miguel ele está desconfiado, então todo cuidado vai ser pouco com isso.

RENATO – Que merda. Você vai colocar tudo a perder.

Renato bate no volante do carro e Samira engole em seco.

SAMIRA – Escuta, vai dar tudo certo, tá? Eu tenho certeza que vai. Só que ele está me pressionando até pra formalizar o processo no ministério publico das mortes que você causou. Renato, ele vai chegar o mais rápido possível em você.

RENATO – Caralho...

SAMIRA – Eu vou tentar dar um jeito, sei lá... Mas o Miguel pode nos atrapalhar muito.

RENATO (RAIVA) – Desce do carro.

SAMIRA – O quê?

RENATO – DESCE DA PORRA DO CARRO AGORA!

Samira tira o cinto e abre a porta furiosa. Ela bate com muita força. Renato liga o carro e dá a ré. Ele para e começa a acelerar em direção a Samira.

SAMIRA (GRITA) – FILHO DA PUTA!

Ela corre e Renato a persegue com o carro, fazendo movimentos de zig-zag. Samira está ofegante e desesperada. Ela grita muito e é acompanhada pelos faróis. De dentro do carro, Renato ri bastante. Ele vira o carro na rua ao lado e ela para de correr ofegante ao perceber que não está sendo mais perseguida.

SAMIRA (OFEGANTE) – FILHO DA PUTA... EU VOU TE MAT...

O carro de Renato atinge Samira que cai no chão inconsciente. Uma poça de sangue se forma em volta da sua cabeça.

A imagem congela no rosto de Samira.

FIM DO CAPÍTULO 12

 

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