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Entre Laços Quebrados - Capítulo 23 | Últimos Capítulos

 

 



ENTRE LAÇOS QUEBRADOS | CAPÍTULO 23

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Criada e escrita por: Vicente de Abreu
Produção Artística: Ezel Lemos


Essa obra pode conter representações negativas e estereótipos da época em que é ambientada.



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CENA 01: INT. RESTAURANTE. PETRÓPOLIS - NOITE

Débora e Arnaldo estão sentados em uma mesa bem iluminada, cercados por uma atmosfera tranquila de restaurante.

DÉBORA: Eu aceitei seu convite, Arnaldo, porque precisava conversar seriamente com você.

ARNALDO: (Com um sorriso) Claro, Débora. Fico feliz que tenha vindo.

Débora respira fundo, claramente tensa.

DÉBORA: É sobre nós... Eu não posso mais continuar nos encontrando assim.

Arnaldo mantém uma expressão impassível, observando-a com um olhar calculista.

ARNALDO: (Sério) Como assim Débora? Eu.. eu achei que estivesse rolando algo entre a gente.

Débora hesita, buscando as palavras certas.

DÉBORA: É o Otávio, Ele anda enciumado, desconfiado... e vocês são amigos.

Arnaldo olha para ela, um sorriso cínico brincando em seus lábios.

ARNALDO: (Ríspido) Se ele soubesse o que realmente aconteceu entre nós...

Débora franze a testa, surpresa com o tom de Arnaldo.

DÉBORA: (Olha para ele com cautela) O que você quer dizer com isso?

Arnaldo inclina-se para frente, os olhos faiscando com malícia.

ARNALDO: (Soltando a bomba) Otávio não é tão inocente quanto você pensa, Débora. Ele tem um caso. Com uma travesti, para ser mais específico.

Débora fica chocada com a revelação, incapaz de esconder sua incredulidade.

DÉBORA: (Com voz trêmula) Isso não pode ser verdade...

Arnaldo ri mordazmente, apreciando a reação dela.

ARNALDO: (Sarcástico) Mas é verdade, minha amada Débora. Ele tem mantido isso bem escondido de você. 


A câmera dá um close no rosto de Débora que sente uma mistura de emoções, desde a dor da traição até a raiva. 


CONTINUAÇÃO:

CENA 02: INT. RESTAURANTE. PETRÓPOLIS - NOITE


DÉBORA: (Com os olhos arregalados) Eu não posso acreditar... Isso não faz sentido...

Arnaldo continua observando-a, seu sorriso se ampliando com satisfação ao ver o impacto de suas palavras.

ARNALDO: (Calmamente) A verdade nem sempre é fácil de aceitar, Débora. Mas você merece saber.

Débora tenta processar tudo rapidamente, suas mãos tremendo ligeiramente sobre a mesa.

DÉBORA: (Com determinação) Eu preciso falar com o Otávio. Direto.

Arnaldo olha-a fixamente por um momento, ponderando suas próximas palavras.

ARNALDO: (Com um tom suave) Débora, antes de fazer qualquer coisa... Deixe-me oferecer algo em troca pela informação que lhe dei.

Débora olha para ele, cautelosa e desconfiada.

DÉBORA: (Com voz firme) O que você quer?

ARNALDO: (Pausadamente) Aceite o nosso término agora mesmo. Em troca, eu te dou o endereço do apartamento onde Otávio vive com a pessoa que mencionei.

Débora pondera por um momento, lutando com a decisão. Finalmente, ela concorda, balançando a cabeça em resignação.

DÉBORA: (Suspira) Está bem.

Arnaldo assente, inclinando-se mais para a frente e segurando a mão de Débora, que recua.

ARNALDO: Eu volto, assim que tiver alguma resposta. 


Débora apenas assente, incapaz de dizer mais nada. Ela se levanta da mesa e sai do restaurante com passos rápidos, deixando Arnaldo sozinho, com uma expressão pensativa em seu rosto.


CENA 03: INT. MANSÃO ROSSI. SALA DE JANTAR - NOITE

A sala está suavemente iluminada. Hilda e Stênio estão de pé, um ao lado do outro, com expressões sérias. Dante, Guilherme e Heloísa estão sentados em cadeiras ao redor da mesa. O ambiente é silencioso, tenso. Hilda olha para Stênio, que respira fundo e começa a falar.

STÊNIO: (voz firme) Nós chamamos vocês aqui hoje porque temos algo muito importante para contar.

Dante e Guilherme trocam olhares, preocupados. Heloísa segura a mão de Guilherme, buscando conforto.

HILDA: (olhos marejados) É sobre o Otto.

Heloísa aperta a mão de Guilherme com mais força. Dante franze a testa.

DANTE: (preocupado) O que aconteceu com o Otto?

Stênio pega a mão de Hilda, oferecendo-lhe apoio. Ele hesita por um momento antes de continuar.

STÊNIO: (ele suspira) O Otto... ele está passando por um momento muito difícil. Ele está lutando contra um vício em drogas.

A revelação cai como uma bomba. O silêncio se torna palpável, denso. Os olhos de Heloísa se enchem de lágrimas. Guilherme passa a mão no rosto, tentando processar a informação. Dante, com o olhar fixo no chão, parece em choque.

GUILHERME: (voz trêmula) Como... como isso aconteceu?

HILDA: (com a voz embargada) Não sabemos ao certo. Ele se perdeu pelo caminho e agora precisamos ajudá-lo a se encontrar novamente.

Dante levanta-se, andando de um lado para o outro, tentando conter a emoção. Heloísa começa a chorar silenciosamente. Guilherme puxa-a para um abraço, tentando confortá-la.

DANTE: (raiva misturada com dor) E o que vamos fazer agora?

STÊNIO: (sereno) Ele está em casa agora. Trouxemos ele de volta para tentar dar todo o apoio que ele precisa. Mas precisamos estar unidos. Vai ser difícil, mas juntos podemos ajudá-lo a sair dessa.

Hilda se levanta e vai até Dante, segurando suas mãos. Ela olha nos olhos do filho com uma firmeza terna.

HILDA: (com carinho) Precisamos do seu apoio, meu filho. Otto precisa saber que não está sozinho. Que estamos todos aqui por ele.

Dante abaixa a cabeça, as lágrimas finalmente escapando de seus olhos. Ele abraça a mãe com força, buscando conforto. Guilherme e Heloísa se levantam e se juntam a eles, formando um círculo de apoio.

GUILHERME: (determinado) Vamos passar por isso juntos. Não vamos deixar o Otto desistir.

Heloísa assente, ainda emocionada, mas com uma expressão de determinação no rosto.  A campainha toca. Stênio se levanta e vai até a porta, abrindo-a para revelar o Dr. Tonico, um homem de meia-idade com um semblante sério, porém acolhedor. Ele carrega uma pasta e um olhar de determinação.

STÊNIO: (entra com o Dr. Tonico) Gente, este é o Dr. Tonico. Ele é o especialista que vai nos ajudar a cuidar do Otto.

Hilda se levanta e cumprimenta o médico, seguida por Dante, Guilherme e Heloísa. Todos voltam a se sentar, enquanto o Dr. Tonico ocupa uma cadeira ao lado de Stênio.

DR. TONICO: (voz calma) Boa noite a todos. Antes de mais nada, quero dizer que compreendo o quanto esta situação é difícil para vocês. O Otto está passando por um momento muito complicado, mas com o apoio de vocês, ele tem uma boa chance de se recuperar.

DANTE: (ainda em choque) Doutor, como isso aconteceu? Como ele chegou a esse ponto?

DR. TONICO: (explicativo) O vício em drogas é uma doença complexa. Muitas vezes, começa com um uso recreativo que evolui para uma dependência. Pode haver muitos fatores envolvidos, como problemas emocionais, traumas não resolvidos, ou até mesmo uma predisposição genética. No caso do Otto, ainda estamos tentando entender as causas profundas.

HILDA: (angustiada) E o que podemos fazer para ajudar?

DR. TONICO: (pragmático) Nós montamos um plano de reabilitação que envolve várias etapas. A primeira é a desintoxicação, que será feita na clínica sob supervisão médica. Esse é um processo delicado, porque o corpo do Otto vai reagir à falta da droga com sintomas de abstinência. É crucial que ele esteja em um ambiente seguro e controlado.

Guilherme aperta a mão de Heloísa, que continua a ouvir atentamente.

GUILHERME: (preocupado) E depois da desintoxicação?

DR. TONICO: Depois da desintoxicação, entraremos na fase de terapia. Isso inclui terapia individual, onde ele vai trabalhar com um psicólogo para entender os gatilhos que o levaram ao uso de drogas, e terapia em grupo, onde ele vai encontrar apoio em pessoas que estão passando pela mesma situação.

HELOÍSA: (esperançosa) E quanto tempo isso vai levar?

DR. TONICO: (de maneira realista) Não existe um prazo exato. Cada pessoa responde de maneira diferente ao tratamento. Pode levar meses, às vezes até anos, mas o importante é que ele não desista e que vocês estejam ao lado dele nesse processo.

STÊNIO: (firme) Nós estamos dispostos a fazer o que for necessário. O Otto é nossa prioridade.

DR. TONICO: (sorrindo levemente) Essa é a atitude certa. Além das terapias, ele precisará de um ambiente familiar estável e sem julgamentos. A compreensão e o apoio de vocês são essenciais para que ele se sinta seguro e motivado a continuar.

DANTE: (com sinceridade) Eu confesso que estou com medo, doutor. Medo de que ele não consiga sair dessa.

DR. TONICO (olhando nos olhos de Dante) Esse medo é natural. Mas lembrem-se, a recuperação é um caminho difícil, cheio de altos e baixos. É importante que vocês também busquem apoio. Existem grupos de apoio para familiares de dependentes químicos, como o Nar-Anon. Vocês não estão sozinhos nessa luta.

HILDA: (em lágrimas) Obrigada, doutor. Nós vamos fazer tudo o que pudermos.

DR. TONICO: (levantando-se) Eu sei que vão. Vamos começar o quanto antes. Vou deixar aqui algumas informações sobre a clínica e os próximos passos. Podem me ligar a qualquer hora, se precisarem.

Stênio acompanha o Dr. Tonico até a porta. Antes de sair, o médico vira-se para a família.

DR. TONICO: (voz firme) O Otto tem uma chance porque ele tem vocês. Não subestimem o poder do amor e da paciência.

O silêncio volta a reinar na sala, mas agora há uma nova determinação nos rostos de todos.Todos assentem, firmes em seu compromisso.


CORTA PARA: 

CENA 04: INT. CORREDOR - NOITE

Hilda e Stênio caminham pelo corredor com o Dr. Tonico. O ambiente é silencioso, exceto pelos sons abafados que vêm do quarto de Otto. Eles param na porta, Hilda hesita antes de abrir, seus olhos se enchem de lágrimas ao ouvir os gemidos de dor de Otto.

HILDA: (em sussurro) Ele está assim desde que trouxemos ele para casa. É tão difícil vê-lo assim...

STÊNIO: Estamos fazendo o melhor que podemos.

Dr. Tonico acena com a cabeça, compreensivo, e Hilda abre a porta.


CENA 05: INT. QUARTO DE OTTO - NOITE

[ INSTRUMENTAL ON:Chopin - Spring Waltz (Mariage d'Amour) ]

O quarto está em penumbra, com as cortinas fechadas. Otto está deitado na cama, suando e tremendo, visivelmente transtornado. Seus olhos estão vermelhos, e ele geme baixinho. Hilda e Stênio entram primeiro, seguidos pelo Dr. Tonico. Otto olha para eles com olhos cheios de dor e confusão.

OTTO: (tremendo) Por favor... preciso de alguma coisa... só um pouco...Só uma pedrinha…

Hilda segura a mão de Otto, seus olhos cheios de lágrimas, enquanto Stênio fica ao lado dela, tentando manter a calma.

HILDA: (sussurrando) Estamos aqui, Otto. Estamos aqui para te ajudar.

DR. TONICO: (sentando-se na beira da cama) Otto, meu nome é Dr. Tonico. Estou aqui para te ajudar a passar por isso. O que você está sentindo agora é muito difícil, mas é um passo necessário para sua recuperação.

OTTO: (com dificuldade) Eu... eu não aguento... a dor... é demais...

DR. TONICO: (voz calma e firme) Sei que parece insuportável agora. O que você está sentindo são os sintomas da abstinência: náuseas, tremores, dor no corpo, ansiedade. O seu corpo está reagindo à falta da substância à qual ele se acostumou. É uma luta intensa, mas você não está sozinho.

Hilda acaricia o rosto de Otto, tentando oferecer algum consolo.

STÊNIO: (olhos marejados) Vamos passar por isso juntos, Otto. Você é forte, você consegue. Você é o meu filho!

OTTO: (desesperado) Eu não sou forte... Eu sou um fracasso...

DR. TONICO: (firmemente) Isso não é verdade, Otto. Você está doente, e doença nenhuma define quem você é. A força não está em nunca cair, mas em se levantar todas as vezes que isso acontecer. E você está dando o primeiro passo para se levantar.

OTTO: (chorando) Eu... eu só quero que isso acabe...

DR. TONICO: (olhando nos olhos de Otto) E vai acabar. Vai demorar um tempo, mas essa dor vai passar. Você precisa ser paciente e confiar em nós. Vamos te ajudar a atravessar isso.

HILDA: (voz trêmula) Nós estamos aqui, Otto. Cada segundo, cada minuto. Não vamos te abandonar.

Otto se contorce na cama, lutando contra a dor e a angústia. Ele se agarra à mão de Hilda como se fosse sua tábua de salvação, mas sua expressão muda de desespero para resistência.

OTTO: (tom firme, mas trêmulo) Eu não quero ir para a clínica. Eu não posso...

DR. TONICO: (calmo, mas firme) Otto, eu sei que a ideia de ir para a clínica pode ser assustadora, mas é o melhor lugar para você agora. Lá, você terá o suporte necessário para passar por isso com segurança.

OTTO: (gritando) Não! Eu não vou! Eu não quero ficar preso lá! Eu só preciso... eu só preciso de um pouco mais e vou ficar bem...

Hilda começa a chorar silenciosamente, enquanto Stênio tenta controlar a própria emoção.

STÊNIO: (voz trêmula) Filho, por favor, confie em nós. Nós só queremos o seu bem.

OTTO: (raiva e medo) Vocês não entendem! Ninguém entende! Eu não quero ser trancado, eu não quero...

DR. TONICO: (interrompendo com firmeza) Otto, entendo que você está com medo. O medo faz parte do processo, mas você não está sendo "trancado". Você está sendo cuidado. A clínica é um lugar de cura, não de punição.

OTTO: (chorando descontroladamente) Eu não consigo... eu não consigo viver assim... a dor, a culpa... é demais...

HILDA: (suplica) Meu filho, nós estamos aqui. Cada passo, cada dia, nós estaremos ao seu lado. Mas você precisa confiar em nós, confiar no Dr. Tonico. Deixe-nos ajudar você a sair dessa.

DR. TONICO: (voz firme, mas compassiva) Otto, a decisão de aceitar ajuda é difícil, mas é a mais corajosa que você pode tomar agora. Ninguém pode fazer isso por você. Nós podemos caminhar ao seu lado, mas você precisa dar o primeiro passo.

OTTO: (olhos cheios de lágrimas) E se eu não conseguir? E se eu falhar de novo?

DR. TONICO: (segurando firmemente a mão de Otto) A recuperação é feita de tentativas, erros e acertos. O importante é continuar tentando. E você não estará sozinho. Estamos todos aqui para te apoiar.

Otto olha ao redor, vendo os rostos preocupados e amorosos de sua família. Ele respira fundo, tentando encontrar alguma força dentro de si.

OTTO: (sussurrando) Eu... eu vou tentar...

STÊNIO: (chorando, mas sorrindo) Não desiste de você mesmo! Eu estarei com você. 

Stênio segura a mão de Otto do outro lado, e o Dr. Tonico se levanta, preparando-se para organizar a transferência de Otto para a clínica. Otto, ainda em meio à dor e ao medo.


CENA 06:  INT. CASA DE DÉBORA. PETRÓPOLIS. NOITE.

A sala de estar está parcialmente iluminada. Uma luminária de canto projeta sombras suaves nas paredes. A mesa de centro está desarrumada, com alguns papéis espalhados. O clima é tenso.

Otávio entra pela porta, suspirando, e joga a chave na mesa.


OTÁVIO: (Voz cansada) Amor? Cheguei.

Débora está com a sua expressão tensa, sentada no sofá. Ela levanta o olhar, forçando um sorriso.

DÉBORA: (Tentando esconder a desconfiança) Oi, amor. Como foi o trabalho?

OTÁVIO: (Passando a mão pelos cabelos, evita contato visual)

O mesmo de sempre. Cansativo. E você, tudo bem?

DÉBORA: (Aproximando-se, com olhar incisivo) Otávio, queria te perguntar uma coisa...

OTÁVIO: (Desconfortável, ajeitando a gravata) Claro, o que foi?

DÉBORA: (Com tom controlado, mas firme) Como está seu apartamento no Rio?

OTÁVIO: Visivelmente tenso, gaguejando) Meu... meu apartamento? Está... bem, eu acho. Por que a pergunta?

DÉBORA: (Olhos fixos nos de Otávio, segurando a raiva) Por que você nunca mais falou dele? Não acha estranho? Eu não conheço, nunca fui lá...

OTÁVIO: (Após uma pausa, tentando escapar) Débora, a gente já conversou sobre isso. É só um apartamento, nada demais...

DÉBORA: (Aumentando o tom de voz, furiosa) Nada demais? Otávio, isso está cheirando mal há meses! Eu quero ir ao Rio.

OTÁVIO: (Perdendo a cor, gaguejando mais) Ir ao Rio? Agora? Não faz sentido, Débora. Temos compromissos aqui...

DÉBORA: (Levantando-se do sofá, decidida) Já fiz minhas malas. Estou indo, com ou sem você.

OTÁVIO: (Olhos arregalados, sem palavras) Débora...

DÉBORA: (Finaliza com voz firme, quase gritando) Cansei das suas mentiras, Otávio. Vamos resolver isso agora.

OTÁVIO (Dando um suspiro profundo, tentando manter a calma) Débora, por favor... vamos conversar. Não precisa ser assim.

DÉBORA (Olhar fixo, ainda furiosa) Conversar? Conversar sobre o quê, Otávio? Você só foge das minhas perguntas!

OTÁVIO (Com tom mais suave, aproximando-se lentamente) Eu sei que parece que estou escondendo algo, mas não é isso. O apartamento no Rio... é complicado

DÉBORA (A voz ainda alta, mas com um toque de curiosidade) Complicado como, Otávio? Por que não me disse antes?

OTÁVIO (Parando a poucos passos dela, olhar sincero) Eu não queria te preocupar. É um lugar que eu mal uso.

DÉBORA (Visivelmente mexida, lágrimas nos olhos) Então por que não me leva lá? Por que não compartilha isso comigo?

OTÁVIO (Segurando as mãos dela, suavemente) Eu quero, de verdade. Só não estou pronto agora. Podemos ir juntos, mas preciso de mais tempo. Por favor, não vá assim, sozinha e com raiva.

DÉBORA (Soltando a mala, enxugando uma lágrima) Eu só quero a verdade, Otávio. Cansei de segredos.

OTÁVIO (Acariciando o rosto dela, voz suave) Eu prometo, sem mais segredos. Vamos resolver isso juntos, no nosso tempo.

DÉBORA (Dando um longo suspiro, ainda emocionada) Tudo bem... mas quero que saiba que não vou aceitar mais desculpas.

OTÁVIO (Sorriso aliviado) Eu entendo. Vamos fazer isso direito, eu prometo.

(Débora solta a mala e, em silêncio, começa a caminhar em direção ao quarto. Otávio a observa, aliviado, mas ainda com um peso nos ombros.)

DÉBORA (Abrindo a porta do quarto, antes de entrar) Boa noite, Otávio.

OTÁVIO (Respirando fundo, com voz baixa) Boa noite, Débora. Te amo.

(Débora não responde, mas faz um pequeno aceno de cabeça antes de fechar a porta do quarto. Otávio fica sozinho na sala, refletindo.)


CENA 07: CIDADE DO RIO DE JANEIRO. AMANHECER

 O sol nasce no horizonte, tingindo o céu de laranja e dourado. O Cristo Redentor abraça a cidade enquanto a névoa se dissipa. Nas praias de Copacabana e Ipanema, as ondas quebram suavemente e corredores aproveitam a orla. Os primeiros raios iluminam os prédios no centro. Bondinhos de Santa Teresa transportam passageiros.A Baía de Guanabara reluz sob a luz do sol nascente e o Pão de Açúcar se destaca contra o céu.


CENA 08: INT. HOSPITAL VITAL ROSSI. DIA

Guilherme entra no hospital com passos rápidos e pesados. Seu rosto está pálido e os olhos mostram sinais de uma noite mal dormida. Ele troca cumprimentos rápidos com colegas enquanto caminha pelo corredor.


CENA 09: INT. HOSPITAL VITAL ROSSI - QUARTO DE LUCIANA - DIA

Guilherme abre a porta do quarto e entra. Luciana, ainda se recuperando do coma, está sentada na cama, olhando pela janela.


GUILHERME: (Forçando um sorriso) Bom dia, Luciana. Como está se sentindo hoje?

LUCIANA:  (Virando-se para ele) Bom dia, Dr. Guilherme. Estou me sentindo um pouco melhor, obrigada.


Guilherme se aproxima, pegando o prontuário ao lado da cama. Ele hesita, claramente perturbado, mas tenta manter a compostura.


GUILHERME: (Virando as páginas do prontuário) Luciana, posso te fazer uma pergunta pessoal?

LUCIANA:  (Desconfiada) Claro, doutor.

GUILHERME:  (Pausando, visivelmente abalado) Se você fosse mãe, como agiria se seu filho fizesse uma malcriação?


Luciana fica desconfortável. Ela respira fundo, tentando manter a calma.


LUCIANA: (Evitando o olhar de Guilherme) Eu... eu tentaria entender o motivo do comportamento dele e conversaria com ele sobre isso. Mas... por que essa pergunta, doutor?


Guilherme percebe o desconforto de Luciana e se arrepende da pergunta. Ele balança a cabeça, tentando se recompor.


GUILHERME: (Desviando o olhar) Desculpe, Luciana. Não deveria ter perguntado isso. Vamos continuar com seu diagnóstico.


Guilherme examina Luciana, verificando sinais vitais e fazendo anotações.


GUILHERME: (Tentando sorrir) Você está se recuperando muito bem, Luciana. Parabéns pela sua força e rapidez na recuperação.


LUCIANA: (Com um leve sorriso) Obrigada, doutor. Estou fazendo o meu melhor.


Guilherme dá um passo para trás, ainda visivelmente abalado, mas tenta manter a profissionalidade.


GUILHERME: (Evitando o olhar) Vou deixar você descansar. Se precisar de algo, estarei por perto.


Guilherme sai do quarto, fechando a porta suavemente atrás de si. Luciana observa a porta fechada, preocupada com o estado emocional do médico.


CENA 10: INT. CLÍNICA DE REABILITAÇÃO - SALA DE RECEPÇÃO - DIA

[ INSTRUMENTAL ON: Chopin - Spring Waltz (Mariage d'Amour)]


A câmera percorre o ambiente silencioso e asséptico da clínica. A porta da frente se abre suavemente, e entra Otto acompanhado de seus pais, Hilda e Stênio, e do Dr. Tonico.

Otto está magro e com olheiras profundas, olha ao redor com uma mistura de cansaço e determinação. Hilda, de expressão preocupada, segura firme a mão de seu marido, Stênio, que mantém um olhar severo, mas triste.


DR. TONICO: (sorrindo gentilmente) Bem-vindos. Vamos começar o processo de internação, tudo bem?

OTTO: (resignado)Sim, doutor. Estou pronto.

HILDA: (esperançosa) Obrigada, meu filho. Estamos com você.

STÊNIO: (firmemente) É isso aí, Otto. Vamos superar isso juntos.


Otto dá um suspiro profundo, seguindo Dr. Tonico até a recepção, onde uma enfermeira, os aguarda com uma prancheta.


ENFERMEIRA: (sorrindo) Vamos registrar sua entrada, Otto. Pode me acompanhar?


Otto concorda com um aceno de cabeça e segue a enfermeira. À medida que avançam pelo corredor, o ambiente vai se tornando mais opressor. Otto começa a suar, sua respiração se acelera, e ele começa a tremer.


CENA 11: INT. CLÍNICA DE REABILITAÇÃO - SALA DE INTERNAÇÃO - DIA

A sala é pequena, com uma cama, uma mesa e uma cadeira. Otto olha ao redor, inquieto. Dr. Tonico entra na sala com Hilda e Stênio.


DR. TONICO: (serenamente) Otto, este será seu quarto. Vamos fazer alguns exames iniciais e depois você poderá descansar.

OTTO: (agitado, esfregando os braços) Tudo bem, doutor. Só... só preciso de um minuto.


Dr. Tonico acena positivamente. Quando ele e os pais de Otto saem do quarto, Otto começa a tremer incontrolavelmente. Ele olha para as paredes brancas, o vazio começa a apertar seu peito. A tensão aumenta. De repente, ele explode.


OTTO: (gritando) Eu não consigo fazer isso! Eu não consigo ficar aqui!


Hilda e Stênio voltam correndo para o quarto. Hilda tenta abraçá-lo, mas Otto a empurra.


HILDA: (suplicante) Otto, por favor! Nós estamos aqui para te apoiar!

OTTO: (raivoso) Vocês não entendem! Isso é uma prisão! Eu estou preso!

STÊNIO: (autoridade) Otto, acalme-se. Você concordou com isso. É para o seu bem.

OTTO: (desesperado, suando) Meu bem? Isso não é para o meu bem! É para o bem de vocês, para vocês não terem que lidar comigo!


Hilda começa a chorar silenciosamente, enquanto Stênio mantém a compostura, mas seus olhos estão cheios de dor.


DR. TONICO: (intervindo calmamente) Otto, sei que está assustado. A mudança é difícil, mas é necessária. Você não está sozinho.

OTTO: (olhando nos olhos de Dr. Tonico, tremendo) Sozinho? Eu estou sozinho desde o começo! Vocês não sabem o que é essa dor, essa dependência!

DR. TONICO: (firmemente, mas com compaixão)Você está certo, Otto. Não sabemos a extensão da sua dor. Mas estamos aqui para aprender, para ajudar, e para caminhar com você nesse processo.


Otto respira pesadamente, seus olhos cheios de lágrimas. Ele olha para seus pais, vê o amor e a preocupação em seus rostos.


OTTO: (em um sussurro, lutando contra as lágrimas) Eu não quero mais sentir essa dor. Mas eu... eu só aceito se vocês trouxerem a mulher que eu engravidei.


Stênio fica paralisado, confuso, olhando para Hilda.


STÊNIO: (incrédulo) Mulher que você engravidou? O que está acontecendo aqui?


Hilda disfarça, evitando o olhar de Stênio, seu rosto cheio de culpa e preocupação.


HILDA: (evocando calma) Agora não é o momento para isso, Stênio. O importante é ajudar o Otto.


DR. TONICO: (aproximando-se de Otto) Nós podemos resolver isso, Otto. Vamos dar um passo de cada vez. 


Otto finalmente se acalma, exausto, e concorda com um leve aceno. Hilda segura sua mão, tentando confortá-lo, enquanto Stênio encara Dr. Tonico, ainda tentando processar a revelação.


DR. TONICO: (baixinho) Vamos começar.


A câmera se afasta lentamente, deixando a família e o médico no centro da sala, unidos por uma nova esperança em meio ao caos e à dor.


FADE OUT.


CENA 12: INT. CLÍNICA DE REABILITAÇÃO. MAIS TARDE.

[ INSTRUMENTAL ON: Chopin - Spring Waltz (Mariage d'Amour)]

~ Em câmera lenta ~

Otto acorda sob a luz crua das lâmpadas fluorescentes da clínica de reabilitação, sentindo-se como se estivesse preso em um pesadelo interminável. As grades da cama o cercam, uma lembrança constante de sua luta contra o vício que o consumiu. Seu corpo dói, amarrado pelas faixas de contenção que mantêm seus movimentos limitados. Seu coração acelera, e o pânico começa a tomar conta. Por um momento, esquece onde está e por que está ali. 

As lembranças voltam em flashes: os becos escuros, as mãos trêmulas segurando o cachimbo, o vazio absoluto que o consumia. Luciana e ele em Búzios. Ele tenta lutar contra as amarras, mas seu corpo está fraco demais.

Dr. Tônico e a equipe da clínica trabalham incansavelmente para estabilizá-lo. Os dias seguintes se misturam em um borrão de exames, remédios e conversas com psiquiatras. 


DIAS DEPOIS…


CENA 13: INT. CLÍNICA DE REABILITAÇÃO. TARDE

Enquanto olha pela janela do quarto, Otto vê um pássaro pousar no parapeito. É pequeno, com penas de um azul vibrante. Ele observa o pássaro por alguns minutos, sentindo uma estranha conexão com aquela criatura. Em um impulso, tenta sorrir. É um sorriso tímido, quase imperceptível, mas está lá.


DR. TONICO: (entra na sala, acompanhado por Guilherme, irmão de Otto, que segura a mão de Otto com ternura) Otto, estou aqui com o Guilherme. Ele veio te ver.

OTTO: (sorri fraco ao ver seu irmão, os olhos marejados) Guilherme...

GUILHERME: (com carinho) Como você está, mano?

OTTO: (respira fundo) Guilherme, preciso te contar sobre a Luciana...

GUILHERME: (curioso) Luciana? Quem é ela?

OTTO: (olha para Dr. Tônico e depois de volta para Guilherme) Eu a engravidei, Guilherme. Ela ficou em coma no hospital. Eu... eu a abandonei, mano. Quando soube da morte do nosso filho... (sua voz falha, os olhos cheios de dor) Foi como se tudo desabasse dentro de mim. Eu me arrependi tanto, Guilherme...

GUILHERME: (surpreso e preocupado) Meu Deus, Otto... Por que você não me contou isso antes?

OTTO: (com voz embargada) Eu não sabia como... eu estava com tanto medo, com tanta vergonha...

GUILHERME: (coloca a mão no ombro de Otto com firmeza) Calma, mano. Eu entendo. Mas tenho uma notícia... Luciana acordou. Ela está se recuperando.

OTTO: (surpreso e emocionado) O quê? Luciana está viva?

GUILHERME: (assente com seriedade) Sim, ela está se recuperando. Eu não sabia dessa história toda, mas vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para trazê-la até aqui, para vocês se reconciliarem.

OTTO: (com lágrimas nos olhos) Por favor, Guilherme... Eu preciso vê-la, pedir perdão, contar o quanto sinto falta dela, do nosso filho...

GUILHERME: (com determinação) Vou providenciar isso, mano. Você vai ter essa chance.

DR. TONICO: (com um leve sorriso, emocionado pela cena) Vamos fazer o possível para que tudo dê certo, Otto. Você está no caminho certo.

OTTO: (olha para Guilherme com gratidão profunda) Obrigado, mano. Obrigado por estar aqui por mim.

A sala se enche de uma atmosfera carregada de emoções intensas. Otto sente um misto avassalador de alívio e expectativa, sabendo que este encontro pode ser o começo de uma jornada de cura e redenção para todos os envolvidos.



CENA 14:  INT. DELEGACIA DE POLÍCIA - TARDE

O ambiente está tenso e cheio de atividade. Detetives em trajes formais discutem entre si enquanto examinam documentos e evidências dispostas sobre mesas. Um quadro branco na parede exibe fotos de Luciana, sua família e outros envolvidos no caso.

DELEGADA RENATA (VANESSA GIÁCOMO): (olhando para um relatório) Virginia confessou ser cúmplice no caso. Ela também foi quem denunciou Heloísa Rossi, a compradora, e Iná, a avó que vendeu a criança.

DETETIVE MARTINS (ENRIQUE DIAZ): (surpreso) Então Virginia esteve envolvida desde o início? Isso complica ainda mais as coisas.

DELEGADA RENATA: (séria) Sim, parece que ela decidiu colaborar para tentar reduzir sua pena. Vamos precisar pressionar ainda mais para descobrir todos os detalhes.


CORTA PARA:

CENA 15: INT. SALA DE VISITAS. DELEGACIA.

Virginia está sentada à mesa, olhando fixamente para frente, enquanto seu advogado, DOUTOR FERNANDES, consulta suas anotações antes de começar.

DOUTOR FERNANDES (JÚLIO LEVY): (olhando para Virginia com seriedade) Então você decidiu confessar sua participação, Virginia. Isso muda tudo.

VIRGINIA: (com um suspiro pesado) Eu não tinha escolha. Eu não queria mais mentiras.

DOUTOR FERNANDES: (negociando) Precisamos ser estratégicos agora. Vou garantir que sua cooperação seja levada em consideração durante o processo.


CENA 16: INT. RESTAURANTE. TARDE

Arnaldo hesita por um momento, olha ao redor para garantir que ninguém esteja ouvindo, e então pega um pequeno bilhete do bolso.


ARNALDO: Débora, eu tenho algo para você. (entrega o bilhete)

DÉBORA: (pega o bilhete, olha para ele com curiosidade) O que é isso?

ARNALDO: (com firmeza) É o endereço do apartamento que Otávio deu para a Rubi, a travesti.

Débora olha para o bilhete, atônita com o que acabou de ouvir.

DÉBORA: (em choque) Como você... como você descobriu isso?

ARNALDO: (olha nos olhos dela) Débora, o seu marido sempre me confidenciou toda a história. (pausa, com empatia) Eu não queria que você descobrisse assim, mas você precisa saber a verdade.

DÉBORA: (com lágrimas nos olhos) Eu... eu não posso acreditar que isso está acontecendo comigo.

ARNALDO: (com compaixão, segurando sua mão) Estou aqui com você, Débora. 

Débora recua a mão, e olha para o bilhete novamente, processando a revelação devastadora enquanto as emoções tomam conta dela.

DÉBORA: (com determinação) Acabou o joguinho do Otávio!

Os dois permanecem em silêncio por um momento.


CENA 17: INT. QUARTO DE HOSPITAL. 

Guilherme entra no quarto de Luciana, onde ela está sentada na cama ao lado de Serginho. Luciana sorrir ao ver Guilherme. Serginho se levanta para cumprimentá-lo, mas Guilherme parece tenso e determinado.

GUILHERME: Serginho, será que eu poderia falar um pouco a sós com a Luciana?

Serginho franze a testa, surpreso com o pedido, mas antes que possa responder, a fisioterapeuta entra no quarto com um sorriso encorajador.

FISIOTERAPEUTA: Olá, pessoal! Está na hora da nossa sessão de fisioterapia.

Luciana olha entre Guilherme e Serginho, curiosa, enquanto a fisioterapeuta começa a ajudá-la com os exercícios.

FISIOTERAPEUTA (continuando): Vou deixar vocês a sós por um momento, tudo bem?

Serginho olha para Guilherme, ainda hesitante, mas acaba concordando e segue a fisioterapeuta para fora do quarto, lançando um último olhar preocupado para Luciana.

GUILHERME: (respirando fundo) Luciana...

LUCIANA: (sorrindo) Guilherme, estou tão feliz que você está aqui.

Ela começa a fazer os exercícios, mostrando progresso em sua recuperação.

GUILHERME: Eu preciso te contar algo... sobre Otto. Você o conhece?

Luciana e Guilherme se olham sérios.

LUCIANA: O que? Otto? O que aconteceu com ele?

Guilherme hesita por um momento, escolhendo suas palavras com cuidado.

GUILHERME: Otto... é meu irmão, Luciana.

Luciana parece atordoada com a revelação, seus olhos se arregalando de surpresa.

LUCIANA: Seu irmão?

Guilherme assente, olhando para ela com compaixão.

GUILHERME: Ele me contou... tudo sobre o que aconteceu entre vocês dois. Sobre a gravidez e... o que aconteceu depois.

Luciana fica visivelmente emocionada, processando a informação.

GUILHERME: Ele se culpa muito pelo que aconteceu com você, pelo coma, pela perda do bebê...

Luciana olha para Guilherme, seus olhos se enchem de lágrimas. Guilherme se aproxima dela, segurando suas mãos com ternura.

GUILHERME: Ele pediu um favor... Quando você tiver alta, ele quer te ver. Quer pedir perdão por ter fugido, por não ter estado ao seu lado.

Luciana balança a cabeça lentamente, as lágrimas escorrendo por seu rosto.

LUCIANA: Eu... Eu não sei se consigo perdoá-lo.

Guilherme a abraça suavemente, deixando-a chorar em seu ombro.

GUILHERME: Ele só quer ter a chance de se redimir, Luciana.

Luciana se afasta um pouco.

LUCIANA: Eu... Eu vou pensar sobre isso.

Guilherme assente, acariciando seu rosto com carinho.

GUILHERME: É tudo o que eu peço. Só que você considere.


Eles ficam em silêncio por um momento.


CENA 18: CIDADE DO RIO DE JANEIRO. ANOITECER. 

[INSTRUMENTAL ON: Whitesnake - Is This Love (Instrumental)]

O sol se despede do Rio de Janeiro em tons de laranja e rosa, tingindo o céu sobre os morros. Na praia de Copacabana, os últimos banhistas partem. A cidade se acalma, com luzes se acendendo nos prédios enquanto o trânsito diminui. No Cristo Redentor, turistas admiram o pôr do sol, capturando o momento em fotos. À noite, bares e restaurantes ganham vida, com samba ao fundo e silêncio em outras partes, revelando a essência noturna do Rio de Janeiro.


CENA 19: APARTAMENTO DE RUBI. INT. NOITE


[INSTRUMENTAL CONT.]


Otávio termina de ajeitar seu terno, enquanto Rubi , observa com um semblante preocupado..


RUBI: (com um suspiro) Não gosto muito dessa história de expediente noturno, sabia?

OTÁVIO: (caminhando até Rubi e segurando suas mãos) Eu sei, querida. Mas é só dessa vez, prometo. Precisamos resolver essas questões financeiras do hospital.

RUBI: (assentindo lentamente) Eu sei... Eu entendo.

OTÁVIO: (tentando animá-la) E você? O que vai fazer essa noite?

RUBI: (com um sorriso) Vou passar um tempo com a Leona. Acho que ela está precisando de companhia.

OTÁVIO: (com carinho) Isso é ótimo. Ela sempre fica feliz quando você vai visitá-la.

Os dois se aproximam um do outro e se abraçam.

RUBI: (sussurrando) Vai com cuidado, tá bom?

OTÁVIO: (acariciando o cabelo de Rubi) Sempre. Não se preocupe.

Eles se separam e Otávio beija suavemente a testa de Rubi.

OTÁVIO: (sorrindo) Te vejo de manhã, meu amor.

RUBI: (sorrindo de volta) Te espero.

Otávio pega suas coisas e sai, enquanto Rubi observa pensativa por um momento antes de se preparar para sair também.


CENA 20: INT. RECEPÇÃO DO PRÉDIO.

Débora nervosa e determinada, entra na recepção de um prédio. Ela para diante do painel de identificação e verifica os nomes dos moradores. Seu olhar se fixa em "RUBI - 804", exatamente o número de apartamento que Arnaldo mencionou.

Débora respira fundo, lutando para controlar a ansiedade que toma conta dela. Ela se afasta lentamente do painel, incerta.

DÉBORA: (para si mesma) É aqui... É aqui que ele está.

Ela hesita por um momento, olhando para a porta do elevador, quando decide dar meia-volta e sai apressadamente do prédio. Débora sai apressada, visivelmente perturbada. 


CENA 21: EXT. FACHADA DO PRÉDIO.

Ela entra novamente no táxi que a levou até ali. Débora se recosta no banco do passageiro, tentando recuperar o fôlego. Seu olhar está perdido, quando de repente, seu rosto se ilumina em choque.

DÉBORA: (sussurrando) Otávio?

Ela vê seu marido, Otávio saindo apressadamente do prédio. Ele está falando ao telefone, distraído e sem perceber a presença do táxi de Débora.

Débora prende a respiração, observando-o até que ele desaparece na rua movimentada.

DÉBORA: (com um nó na garganta) Então.. é verdade!

 Débora vislumbra em seguida, uma figura feminina que ela entende como sendo, Rubi, saindo do prédio.


CENA 22: EXT. FACHADA DO PRÉDIO.


Débora paga o motorista do táxi, seus pensamentos ainda turbilhonando. Ela sai apressadamente, determinada a confrontar Rubi.

À distância, Rubi chega à esquina, com um sorriso radiante no rosto. Débora a segue de perto, respirando fundo para controlar a raiva que cresce dentro dela.

DÉBORA: (chamando) Rubi!

Rubi vira-se, surpresa ao ouvir seu nome.


A câmera foca no rosto de Débora, incrédula com tudo aquilo. Lutando contra sua fúria, e procurando forças para entender tudo.


FIM DO CAPÍTULO. 











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