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Entre Laços Quebrados - Último Capítulo

 

 



ENTRE LAÇOS QUEBRADOS | CAPÍTULO 28

ÚLTIMO CAPÍTULO



Criada e escrita por: Vicente de Abreu

Produção Artística: Ezel Lemos


Essa obra pode conter representações negativas e estereótipos da época em que é ambientada.



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CENA 01 - INT. FLAT DE OTTO - MANHÃ

Otto desperta com um sobressalto, seus olhos se fixam instantaneamente na arma e na pedra de crack ainda sobre a mesa. Um instinto doloroso o leva a acender e inalar profundamente.

Enquanto o efeito narcótico se espalha, Otto treme ao engatilhar a arma, um gesto automático e devastador. O clique da arma carregada reverbera no silêncio abafado do apartamento, ecoando como um presságio sombrio.

OTTO: (voz rouca, sussurrando para si mesmo) Não... não posso...

Antes que possa reunir coragem para o próximo passo, a porta do flat é arrombada com violência. Hilda, Arnaldo, Stênio e Dr. Tonico entram apressadamente, expressões de angústia e determinação em seus rostos.

HILDA: (com voz trêmula) Otto! Pare com isso agora!

Otto se vira bruscamente para encará-los, seus olhos injetados de sangue brilhando com uma mistura de raiva e desespero.

OTTO: (gritando) Saiam daqui! Me deixem em paz!

ARNALDO: (tentando se aproximar com cautela) Otto, nós estamos aqui para te ajudar. Você precisa largar essa arma.

OTTO: (furioso) Eu não preciso de ajuda de vocês! De nenhum de vocês!

Ele balança a arma ameaçadoramente, um gesto de desafio contra seus próprios demônios.

DR. TÔNICO: (calmo, mas firme) Otto, isso não vai resolver nada. Por favor, coloque a arma no chão e vamos conversar.

Stênio avança lentamente, mãos estendidas em um gesto de paz, enquanto Hilda segura o coração apertado, lutando contra as lágrimas.

HILDA: (chorando) Otto, meu filho... por favor, nós só queremos ajudar.

OTTO: (gritando, descontrolado) Vocês não entendem! Ninguém entende! Eu sou um fracasso por causa de você, mãe! Porque você escondeu a verdade de mim! Sobre meu pai... sobre tudo!

HILDA: (entre soluços) Eu fiz o que achei que era melhor, Otto. Eu queria te proteger...

OTTO: (avançando agressivamente) Proteger? Você destruiu tudo! Minha vida, minha família... até meu próprio filho!

Hilda recua, os olhos arregalados de horror e arrependimento enquanto Otto continua avançando, a arma oscilando perigosamente em suas mãos tremendo.

ARNALDO: (implorando) Otto, não faça isso! Você vai se arrepender!

STÊNIO: (com voz firme) Otto, você é mais forte que isso. Largue essa arma e vamos resolver isso juntos, como uma família.

OTTO: (com um riso amargo) Família? Nossa família já não existe mais! (aponta a arma para Hilda) Você fez questão de destruí-la!

A tensão no ar é palpável, cada segundo prolongando a agonia do confronto iminente. Otto está à beira do colapso emocional, suas mãos tremendo segurando a arma que representa tanto sua dor quanto sua ira.

DR. TÔNICO: (urgentemente) Otto, você tem que escolher agora. Você quer continuar vivendo assim ou quer uma chance de recomeçar?

Silêncio paira sobre o apartamento, quebrado apenas pelo som abafado das respirações tensas e dos corações partidos. Otto encara sua mãe, os olhos marejados de lágrimas de angústia e raiva, lutando internamente com suas emoções devastadoras.

HILDA: (chorando baixinho) Por favor, meu filho... por favor...

Otto fecha os olhos por um momento, a batalha dentro dele alcançando um ponto de ruptura. Lentamente, ele abaixa a arma, as mãos trêmulas deixando-a cair no chão com um baque abafado.

HILDA: (erguendo o olhar, determinada) Otto, eu sei que errei. Mas tudo o que fiz foi por amor a você e à nossa família. Não pode culpar apenas a mim por tudo o que deu errado!

OTTO: (gritando) Mentiu para mim desde o começo! Sobre quem eu sou, de onde venho...

HILDA: (chorando, mas firme) Estava tentando proteger você de um legado de dor e destruição!

OTTO: (com sarcasmo) Proteger? Você me privou da verdade! Cresci em uma mentira!

ARNALDO: (avançando cautelosamente) Otto, por favor, pense no que está fazendo...

STÊNIO: (olhando nos olhos de Otto) Você pode escolher outro caminho. Não precisa ser assim.

OTTO: (olhando fixamente para Hilda, com ódio contido) Arruinou tudo... Eu não posso voltar atrás.

HILDA: (furiosa, avançando para ele) Você é um mimado, Otto! Sempre foi mimado e agora está descontando em mim todos os seus fracassos!

OTTO: (gritando, selvagem) Eu não sou mimado! Eu só queria a verdade, algo que você nunca teve coragem de me dar!

HILDA: (cheia de fúria, encarando-o de perto) Coragem? Você não sabe nada sobre coragem! Prefere viver na sua própria mentira do que enfrentar a realidade!

Os olhos deles faiscam de raiva enquanto Arnaldo e Stênio tentam desesperadamente intervir.

ARNALDO: (implorando, com voz trêmula) Otto, por favor, não faça isso!

STÊNIO: (gritando, tentando conter Hilda) Hilda, pare! Ele não está pensando direito!

Mas Otto, cego pela ira, empurra Arnaldo e Stênio com tanta força que eles recuam, incapazes de contê-lo. A arma, ainda tremendo em suas mãos, escorrega e cai com um estrondo pesado no chão.

 A câmera lentamente se afasta enquanto a cena escurece gradualmente. Um momento de suspense paira no ar, até que o som de dois disparos ecoa pelo ambiente, cortando o silêncio e deixando um clima de incerteza no ar.


CONTINUAÇÃO: 

CENA 02 - INT. FLAT DE OTTO - MANHÃ


A tela escurece e o som dos disparos reverbera pelo ambiente. A câmera volta a focar no chão, revelando o corpo de Otto caído, com Hilda segurando a arma, ainda em choque. O impacto é devastador e imediato.

Arnaldo corre até Otto, os olhos arregalados de horror, enquanto Hilda fica paralisada, a arma ainda em sua mão trêmula.

STÊNIO: (gritando) Otto! Otto, não!

Ele se ajoelha ao lado de Otto, pressionando a ferida com as mãos, o rosto marcado pelo desespero e pela incredulidade.

Hilda solta a arma, que cai no chão com um som metálico e surdo. Ela dá um passo para trás, suas pernas vacilantes, e cai de joelhos, soluçando incontrolavelmente.

HILDA: (chorando) Meu Deus... o que eu fiz?

ARNALDO: (se aproximando cautelosamente) Hilda... Hilda, olhe para mim. Precisamos chamar uma ambulância agora!

Dr. Tonico corre até o telefone, suas mãos trêmulas enquanto disca o número de emergência. O silêncio é interrompido apenas pelos soluços de Hilda e os gemidos fracos de Otto.

DR. TONICO: (no telefone) Temos um ferido a bala, precisamos de ajuda imediatamente! Por favor, venham rápido!

Stênio se ajoelha ao lado de Arnaldo, tentando ajudar a estancar o sangue. Otto está consciente, mas seus olhos começam a perder o foco.

OTTO: (com voz fraca) Mãe...

Hilda rasteja até ele, lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela pega a mão de Otto, pressionando-a contra seu rosto.

HILDA: (sussurrando) Me perdoe, meu filho... me perdoe...

OTTO: (com dificuldade) Eu... te perdoo, mãe...

Os paramédicos finalmente chegam, a urgência em seus movimentos contrastando com a paralisia emocional de todos ao redor. Eles começam a trabalhar freneticamente em Otto, colocando-o em uma maca e conectando-o a tubos e monitores.

Arnaldo e Stênio observam enquanto Otto é levado embora, suas esperanças penduradas por um fio. Hilda continua ajoelhada no chão, olhando para a mão ensanguentada que segurou a arma, os olhos vazios e cheios de arrependimento.

HILDA: (sussurrando para si mesma) Eu só queria proteger você... só queria proteger...

A cena se escurece novamente, deixando um silêncio profundo e perturbador que ecoa na mente de todos. A tragédia é sentida em cada canto do apartamento, e a imagem final é de Hilda, sozinha e devastada, encarando o vazio.


CENA 03: EXT. SÍTIO DE DINORÁ - DIA

O carro de Heloísa para em frente à casa simples de madeira. Heloísa desce do carro rapidamente e vai até o banco de trás, pegando Matheus nos braços. Ele está quieto, observando tudo ao seu redor com olhos curiosos.

CENA 04: EXT. VARANDA DO SÍTIO - DIA

Dinorá, sentada em sua cadeira de balanço, levanta-se com dificuldade ao ver Heloísa e Matheus se aproximando. Seu olhar é uma mistura de surpresa e preocupação.

DINORÁ: (aproximando-se) Heloísa, meu Deus... o que você fez?

Heloísa coloca Matheus no chão, mas continua segurando sua mão com força. Seus olhos estão arregalados, e ela está claramente à beira de um novo colapso.

HELOÍSA: (ofegante) Vovó, este é Matheus. Meu filho. Nosso Matheus.

Matheus olha para Dinorá, confuso e tímido. Dinorá ajoelha-se lentamente para ficar na altura dele, sorrindo gentilmente.

DINORÁ: (com carinho) Olá, Matheus. Seja bem-vindo, meu querido.

Matheus sorri timidamente para Dinorá. Heloísa começa a andar de um lado para o outro, puxando o cabelo com uma das mãos.

HELOÍSA: (tremendo) Eles... eles queriam tirar ele de mim, vovó. Eu não podia deixar. Eu... eu fiz o que tinha que fazer.

DINORÁ: (tentando acalmar Heloísa) Heloísa, por favor, sente-se. Vamos conversar. Você está exausta.

Heloísa para abruptamente e olha para Dinorá, os olhos cheios de medo e desespero.

HELOÍSA: (com a voz trêmula) Eu estou ouvindo as vozes de novo, vovó. Elas não me deixam em paz. Elas dizem que vão levar Matheus. Que eu não sou uma boa mãe...

Dinorá se aproxima lentamente de Heloísa, segurando suas mãos com firmeza.

DINORÁ: (firme, mas gentil) As vozes não são reais, Heloísa. Você está aqui, com Matheus, e ninguém vai tirá-lo de você. Mas você precisa descansar. Precisa de ajuda.

Heloísa começa a chorar, soluçando descontroladamente. Dinorá a puxa para um abraço apertado, tentando transmitir toda a segurança que pode.

HELOÍSA: (chorando) Eu só quero ser uma boa mãe, vovó. Eu só quero que ele seja feliz...

DINORÁ: (acariciando os cabelos de Heloísa) Você é uma boa mãe, Heloísa. Vamos encontrar um jeito de você ficar bem. Mas agora, vamos entrar e descansar.

Dinorá guia Heloísa e Matheus para dentro da casa, fechando a porta atrás deles. A câmera se afasta lentamente, mostrando o sítio sob a luz do entardecer, um refúgio de paz em meio ao caos interno de Heloísa.


CENA 05: INT. MANSÃO - ENTRADA - DIA

A porta da frente da mansão se abre, e Guilherme entra acompanhado de Luciana. 

GUILHERME: (guiando) Seja bem-vinda!

LUCIANA: (observando) Obrigada! É uma linda casa. 

Ele olha ao redor, estranhando a casa estar vazia.

GUILHERME: (confuso) Está tudo muito quieto... Devem ter ido ao hospital.

LUCIANA: (com preocupação) Espero que esteja tudo bem com Matheus.

Guilherme coloca uma mão reconfortante no ombro de Luciana.

GUILHERME: (suave) Tenho certeza que sim. Vamos subir e eu mostro o quarto dele.

Eles começam a subir as escadas, conversando em voz baixa.


CENA 06: INT. MANSÃO - CORREDOR DO SEGUNDO ANDAR - DIA

Guilherme e Luciana caminham pelo corredor, parando em frente a uma porta decorada com desenhos infantis. Guilherme a abre gentilmente, permitindo que Luciana entre primeiro.


CENA 07: INT. MANSÃO - QUARTO DE MATHEUS - DIA

Luciana entra no quarto, observando a decoração aconchegante e os brinquedos espalhados. Ela se emociona ao tocar um dos brinquedos.

LUCIANA: (com a voz embargada) É lindo... dá para sentir o amor que você tem por ele.

Guilherme sorri tristemente, lembrando-se dos momentos felizes com seu filho.

GUILHERME: (sereno) Matheus é tudo para mim. Ele é a luz da minha vida.

De repente, a porta se abre abruptamente e a babá entra em desespero, os olhos arregalados e a respiração ofegante.

BABÁ: (aflita) Guilherme! Heloísa... ela levou o Matheus!

Guilherme fica atônito, seu coração disparando.

GUILHERME: (chocado) O quê? Como assim?

BABÁ: (Nervosa) Ela esteve aqui! Não sei como, mas eu estava brincando com Matheus na sala, ela entrou. Estava com uma faca... eu tentei impedi-la, mas... ela saiu com o carro que estava na garagem. Eu não sei para onde foram!

Guilherme corre para fora do quarto, puxando Luciana com ele, a urgência em seus movimentos evidentes.

CENA 08: INT. MANSÃO - SALA DE ESTAR - DIA

Guilherme e Luciana descem as escadas rapidamente, seu rosto pálido de preocupação.

GUILHERME: (com a voz tremendo) Precisamos encontrá-los, Luciana. Ela está fora de si.

LUCIANA: (firme) Vamos ligar para a polícia. Eles podem rastrear o carro dela.

Guilherme pega o telefone com mãos trêmulas e disca rapidamente. Luciana coloca a mão em seu ombro, tentando acalmá-lo.

LUCIANA: (CONT'D) (vagarosamente) Vai ficar tudo bem, Guilherme. Vamos trazer Matheus de volta.

CENA 09: EXT. MANSÃO - GARAGEM - DIA

Guilherme e Luciana saem correndo pela porta da frente, chegando à garagem vazia. O espaço onde o carro de Heloísa estava estacionado agora está desocupado, aumentando a sensação de urgência.

GUILHERME: (desesperado) Não podemos perder mais tempo. Vamos!

Eles entram no carro de Guilherme e saem rapidamente, o motor rugindo enquanto aceleram pela estrada, determinado a encontrar Heloísa e Matheus.


CENA 10: INT. PÁTIO. PRISÃO.

Detentas estão espalhadas, conversando em grupos ou fazendo exercícios. Iná anda sozinha, a expressão tensa. Ela tem uma faca improvisada escondida no bolso. Carla, acompanhada de suas seguidoras, observa Iná de longe com um olhar predatório.

CARLA: (sorrindo de forma cruel) Olha só quem está sozinha de novo.

Iná tenta ignorar, mas Carla e seu grupo se aproximam, bloqueando seu caminho.

CARLA: (provocando) Você acha que é esperta, né? Não vai me desafiar de novo e sair impune.

INÁ: (sarcástica) Talvez você devesse aprender a escolher suas batalhas. Eu vendi meu neto, acabei com a minha filha! Acho que você não sabe do que eu realmente sou capaz.

Marta, a detenta que divide a cela com Iná, se aproxima rapidamente, percebendo a tensão crescente.

MARTA: (preocupada) Iná, deixa isso pra lá. Não vale a pena.

INÁ: (determinada) Cala a sua boca, Marta! Ela precisa entender que eu não vou ser intimidada.

CARLA: (furiosa) Você não sabe com quem está mexendo. Aqui, eu mando.

INÁ: (desafiadora) Vamos ver até onde vai seu poder.

Carla avança para cima de Iná, mas desta vez Iná está preparada. Ela puxa a faca do bolso e a esconde na mão, pronta para se defender.

MARTA: (gritando) Não, Iná! Não faça isso!

Carla tenta golpear Iná, mas Iná se desvia e, num movimento rápido e desesperado, enfia a faca no abdômen de Carla. Carla para, chocada, enquanto o sangue começa a escorrer.

CARLA: (grogue, surpresa) Você vai pagar por isso...

As detentas ao redor começam a gritar e o pátio entra em caos. Guardas correm para a cena, tentando controlar a situação.

GUARDA 1: (gritando) Todos para o chão! Agora!

Iná solta a faca, as mãos tremendo, enquanto os guardas a agarram e a colocam no chão. Marta olha para Iná com uma mistura de horror e compreensão.

MARTA: (baixinho, para Iná) Você não tinha outra escolha...

CARLA: (caindo de joelhos, segurando a ferida) Isso não... vai acabar... assim...

GUARDA 2; (pressionando Carla) Chame uma ambulância! Rápido!

Iná é algemada e levantada pelos guardas, sendo levada de volta para dentro da prisão. O pátio continua em alvoroço, enquanto Carla é atendida pelos guardas e outras detentas olham assustadas.

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CORTA PARA:

CENA 11: INT. CORREDOR. PRISÃO

 Os guardas arrastam Iná, algemada, pelos corredores frios e cinzentos. Ela mantém a cabeça erguida, mas a tensão é evidente em seu rosto. O eco dos passos ressoa pelo corredor vazio.

GUARDA 1: (irritado) Você está se afundando cada vez mais, Iná.

INÁ: (fracamente) Eu fiz o que precisava fazer.

GUARDA 2: (duramente) Isso não vai ajudar seu caso. Vai só piorar as coisas para você.

Eles chegam a uma porta reforçada que leva à solitária. O guarda abre a porta e empurra Iná para dentro.

GUARDA 1: (ameaçador) Talvez um tempo aqui te faça pensar duas vezes antes de agir.

Iná cai no chão da cela isolada. A porta se fecha com um estrondo, e a escuridão envolve a pequena sala. Ela se senta, respirando pesadamente, tentando processar os eventos recentes.


CORTA PARA: 

CENA 12: INT. CELA SOLITÁRIA. PRISÃO.

FADE IN:

A única luz vem de uma pequena janela alta na parede. Iná está sentada contra a parede, abraçando os joelhos. O silêncio é opressor. Ela começa a ouvir vozes em sua cabeça, lembranças de Luciana, e de  Hector, misturadas com os gritos de Carla.

INÁ: (sussurrando para si mesma) Eu não vou apodrecer aqui! 

As horas passam lentamente. O barulho ocasional de passos e gritos distantes ecoa pelo corredor. Iná luta para manter a sanidade, mas o isolamento e a culpa começam a pesar.


CENA 13: CENA 01 - INT. FLAT DE OTTO. ENTARDECER.

Hilda continua ajoelhada no chão, olhando para a mão ensanguentada que segurou a arma, os olhos vazios e cheios de arrependimento.

HILDA: (sussurrando para si mesma) Eu só queria proteger você... só queria proteger...

DR. TONICO: (tentando manter a calma) A polícia está a caminho. Precisamos todos nos acalmar.

As palavras de Dr. Tonico parecem ecoar sem sentido na mente de Hilda. Ela começa a tremer, seu rosto se contorcendo em uma expressão de dor e loucura crescente. De repente, ela se lança para a frente, agarrando novamente a arma caída no chão.

ARNALDO: (gritando) Hilda, não!

Ela se levanta, a arma apontada para todos no quarto. Seus olhos estão selvagens, perdidos em um mar de culpa e desespero.

HILDA: (gritando) Eu tirei a vida do meu filho! Como eu pude fazer isso?

STÊNIO: (tentando acalmá-la) Hilda, por favor, abaixe a arma. Precisamos de você aqui, precisamos resolver isso juntos.

Hilda ri amargamente, lágrimas escorrendo pelo rosto.

HILDA: (amargamente) Resolver? Não há mais nada para resolver. Eu destruí tudo.

Ela vira a arma para si mesma, encostando-a na própria têmpora. Todos congelam, o ar pesado com a iminência de outra tragédia.

ARNALDO: (implorando) Hilda, por favor, não faça isso!

HILDA: (com voz trêmula) Eu traí todos vocês... Stênio, eu te enganei. Eu menti para você... e para Otto.

STÊNIO: (com voz calma, mas firme) Hilda, todos nós cometemos erros. Mas não é assim que vamos resolver isso.

Hilda balança a cabeça, a dor e o arrependimento consumindo-a.

HILDA: (recordando) Eu lembro de cada momento... de cada vez que ele lutou contra o crack... de cada vez que ele caiu e se levantou... e agora... eu...

Ela respira fundo, a arma oscilando em sua mão.

HILDA: (olhando para todos) Eu só queria proteger... eu só queria proteger.

A sirene da polícia pode ser ouvida ao longe, aproximando-se rapidamente. Stênio, Arnaldo e Dr. Tonico tentam se mover, mas Hilda os afasta com a arma.

HILDA: (gritando) Fiquem longe! Fiquem todos longe!

A porta do apartamento é arrombada, policiais entrando com armas em punho. Hilda olha para eles, a decisão final em seus olhos.

HILDA: (sussurrando) Perdão.

Ela puxa o gatilho, o som do disparo ecoando como um trovão. A câmera foca no rosto de Hilda, a expressão final de tristeza e libertação, antes de tudo se escurecer.

A cena se encerra com o som abafado das sirenes, o apartamento mergulhado em um silêncio pesado e devastador.


CENA 14: INT. TRIBUNAL - SALA DE AUDIÊNCIA - DIA

A sala de audiência está repleta de advogados e pessoas aguardando seus casos. Débora está sentada ao lado de seu advogado, Sr. Almeida, enquanto Otávio está do outro lado da sala com seu advogado, Sr. Machado. O JUIZ entra na sala e todos se levantam.

JUIZ: (seriamente) Por favor, sentem-se. Hoje vamos tratar do caso de divórcio entre Débora Oliveira e Otávio Silva, além da guarda de um menor e a questão da pensão alimentícia. Os advogados têm algo a dizer antes de iniciarmos?

SR. ALMEIDA:  (simultaneamente com Sr. MACHADO) Sim, Excelência.

Os advogados se levantam.

SR. ALMEIDA: (continuando) Excelência, Débora Oliveira solicita o divórcio com base na infidelidade de seu marido, Otávio Silva, documentadas. Além disso, ela requer a guarda exclusiva de seu filho Pedro e a pensão alimentícia para custear as despesas do menor.

SR. MACHADO: (respondendo) Excelência, meu cliente, Otávio Silva, reconhece a necessidade do divórcio, mas contesta a guarda exclusiva e a quantia proposta para a pensão alimentícia. Ele acredita que ambos os pais devem compartilhar a guarda do filho, conforme seu direito.

JUIZ: (Medindo cuidadosamente suas palavras) Entendo. Vamos proceder com as evidências e argumentos. Sr. Almeida, por favor, apresente as provas da infidelidade.

Débora permanece composta enquanto Sr. Almeida apresenta as mensagens e fotos ao Juiz.

SR. ALMEIDA: (afirmando) Aqui estão as evidências documentadas que comprovam a infidelidade de Otávio Silva.

JUIZ: (olhando para as evidências) Está registrado nos autos. Sr. Machado, algum comentário sobre as evidências apresentadas?

SR. MACHADO: (respondendo) Não contestamos a infidelidade, Excelência. Contudo, solicitamos que a guarda seja compartilhada, conforme os direitos parentais de ambos os pais.

JUIZ: (considerando) Muito bem. Sr. Almeida, por favor, argumente sobre a solicitação de pensão alimentícia.

SR. ALMEIDA: (expondo) Débora Oliveira abriu mão de sua carreira para apoiar a ascensão profissional de Otávio Silva. Ela precisa de suporte financeiro para garantir o bem-estar e a educação adequada de seu filho, Pedro.

SR. MACHADO: (interrompendo) Excelência, meu cliente está disposto a contribuir financeiramente, mas a quantia proposta é excessiva dada a situação atual de ambos os cônjuges.

JUIZ: (analisando) Vamos revisar as finanças de ambos antes de determinar a quantia apropriada. Agora, vamos ao ponto principal: a guarda do menor. Sr. Almeida, por que sua cliente busca a guarda exclusiva?

SR. ALMEIDA: (claramente) Débora Oliveira tem sido a principal cuidadora de Pedro desde o nascimento. Ela está plenamente capacitada e comprometida a cuidar de todas as necessidades do filho.

JUIZ: (direcionando-se a Otávio) Sr. Silva, qual é o seu posicionamento em relação à guarda?

OTÁVIO: (com firmeza) Eu amo meu filho e quero estar presente em sua vida. Acredito que ambos os pais devem compartilhar a guarda para garantir o melhor para Matheus.

JUIZ: (decidindo) Após revisar as evidências e ouvir os argumentos de ambas as partes, este tribunal determina que a guarda exclusiva será concedida à Sra. Débora Oliveira, devido à sua dedicação contínua ao bem-estar do menor. Quanto à pensão alimentícia, será estabelecido um valor razoável, levando em consideração as circunstâncias financeiras de ambos os pais.

Débora respira aliviada, enquanto Otávio parece resignado.

JUIZ: (Quebrando o silêncio) Esta audiência está encerrada.

Débora e seu advogado se levantam, satisfeitos com o resultado. Otávio permanece sentado por um momento, absorvendo a decisão, antes de se levantar e sair da sala, profundamente afetado.


CORTA PARA:

CENA 15: INT. TRIBUNAL - FORA DA SALA DE AUDIÊNCIA - DIA

Débora sai da sala de audiência com seu advogado, Sr. Almeida, ainda processando o resultado da audiência. Otávio fica alguns passos atrás, visivelmente abatido. Débora percebe sua presença e decide abordá-lo.

DÉBORA: (suavemente, mas com firmeza)  Otávio...

Ele se vira para encará-la, seus olhos mostrando uma mistura de emoções.

OTÁVIO: (abaixando o olhar) Débora, eu...

DÉBORA: (cortando gentilmente) Não precisamos falar sobre isso agora. Eu só queria dizer que... apesar de tudo, desejo que você encontre seu caminho.

Otávio olha para ela, seus sentimentos difíceis de decifrar.

OTÁVIO: (engolindo em seco) Eu sinto muito, Débora. Por tudo que aconteceu.

DÉBORA: (suspira, conciliadora) Eu sei. Eu também. Mas agora precisamos seguir em frente, cada um por seu próprio caminho.

Há um momento de silêncio tenso entre eles, carregado de tudo o que não foi dito.

SR. ALMEIDA: (intervindo, educadamente) Débora, precisamos prosseguir com os documentos finais. Otávio, se precisar de mais alguma coisa...

OTÁVIO: (assentindo, resignado) Não, obrigado.

Débora olha para Otávio por mais um momento, antes de se virar e seguir com seu advogado pelo corredor do tribunal. Otávio fica parado, observando-a se afastar.


CENA 16: EXT. SÍTIO - QUINTAL - DIA

Guilherme dirige freneticamente até o local indicado pela polícia, com Luciana ao seu lado. O carro para bruscamente e eles saltam, seguidos por Serginho e Marlene. À distância, avistam a casa do sítio, cercada por policiais e veículos de emergência. Entre eles estão os detetives Renata e Santiago, preparados para a crise.

GUILHERME:  (ofegante) Onde ela está? Onde está Matheus?

Serginho, com seu jeito direto, se aproxima de um dos policiais.

SERGINHO: (com urgência) Ela está lá dentro? O que está acontecendo?

POLICIAL: (sério) Heloísa está com a avó e seu filho no quintal. Ela está armada e em crise. Precisamos proceder com cautela.

Marlene olha preocupada para Guilherme e Luciana, que observam a situação com angústia. Renata e Santiago se aproximam deles, ambos experientes e focados na resolução pacífica da situação.

RENATA: (calma) Guilherme, Luciana, nós vamos resolver isso. Precisamos de vocês calmos para ajudar.

SANTIAGO: (afirmativo) Vamos iniciar as negociações. Heloísa está emocionalmente instável, mas queremos trazer todos em segurança.

Guilherme assente, tentando controlar sua respiração acelerada. Luciana segura sua mão, oferecendo apoio silencioso. Todos se aproximam lentamente da casa, mantendo uma distância segura.

CENA 17: INT. SÍTIO - QUINTAL - DIA

Heloísa está de pé, um olhar selvagem em seus olhos enquanto segura uma faca, mantendo sua avó Dinorá e Matheus como reféns. Dinorá parece confusa e assustada, tentando acalmar Heloísa enquanto acaricia o cabelo de Matheus, que está visivelmente assustado.

HELOÍSA: (gritando) Fiquem longe de mim! Eu não vou deixar ninguém tirar ele de mim!

Dinorá tenta acalmar Heloísa, falando com voz suave e tremula.

DINORÁ: (calma) Heloísa, querida, nós podemos conversar. Só queremos ajudar.

Heloísa olha desconfiada para Renata e Santiago, que estão a uma distância segura, com as mãos levantadas em sinal de paz.

RENATA: (suave) Heloísa, nós entendemos que você está passando por um momento difícil. Nós queremos garantir que todos saiam dessa em segurança.

HELOÍSA: (chorando) Eu não queria machucar ninguém...

Guilherme se aproxima lentamente de Heloísa, seus passos cuidadosos e sua expressão cheia de preocupação. Ele ergue as mãos em um gesto pacífico, tentando chamar a atenção dela sem assustá-la ainda mais.

GUILHERME: (calmo) Heloísa, sou eu, Guilherme. Estamos todos aqui para ajudar.

Heloísa vira-se abruptamente para ele, os olhos vermelhos e inchados de chorar, misturando raiva e dor.

HELOÍSA: (gritando) Você não vai tirar ele de mim! Eu não vou deixar!

Guilherme engole em seco, lutando para manter a calma enquanto sua esposa segura uma faca.

GUILHERME: (suave) Eu sei que você está com medo, Heloísa. Eu também estou. Mas precisamos resolver isso juntos, por Matheus.

HELOÍSA: (com raiva contida) Você não entende... ninguém entende! Eu só queria protegê-lo…

GUILHERME: (com compaixão) Eu sei que você o ama mais do que tudo. Eu também amo. Nós vamos encontrar uma solução, mas você precisa confiar em mim.

Heloísa mantém um olhar desesperado e determinado, apesar de ter abaixado a faca. Ela solta lentamente sua avó, Dinorá, que se afasta cautelosamente para a segurança dos policiais.

DINORÁ: (com voz trêmula) Heloísa, querida, vamos resolver isso juntos. Eles estão aqui para ajudar.

Heloísa olha para Dinorá com um misto de tristeza e alívio, mas seus olhos ainda estão fixos em Matheus, segurando-o firmemente.

Enquanto a tensão paira no ar, Luciana se aproxima de Heloísa com determinação, seus passos lentos e firmes.

LUCIANA: (calma, mas firme) Heloísa, eu sei que você comprou Matheus. Mas ele é meu filho biológico.

Heloísa olha para Luciana, seus olhos cheios de conflito e dor.

HELOÍSA: (furiosa, gritando) Ele é meu filho! Meu! Enquanto você estava travada naquela cama, fui  eu, quem alimentei, quem cuidou, quem colocou na escola. 

Luciana assente, seus olhos nunca deixando os de Heloísa.

LUCIANA: (suave) Eu não tenho culpa, Heloísa pelo que me aconteceu. Assim como, ele não tem. Olha para ele, é com essa lembrança que quer realmente que ele cresça? Eu sei que você amou e ama meu filho, mas entenda, eu nunca parei de amá-lo. Eu nunca parei de pensar nele, desde o momento em que acordei e soube de tudo o que aconteceu. 

Heloísa engole em seco, lutando contra as emoções conflitantes que a dominam.

HELOÍSA : (com voz quebrada) Eu... eu só queria ser mãe.

LUCIANA:  (implorando) Eu entendo. Mas, por favor, precisamos fazer o que é melhor para ele. Ele precisa de nós duas. Por favor, entregue Matheus para mim.

Heloísa olha para Matheus, seu rosto contorcido pela luta interior. Ela balança a cabeça, como se tentando afastar os pensamentos conflitantes.

HELOÍSA: (desesperada) E o que vai acontecer comigo? O que a polícia e os detetives vão fazer?

Luciana se aproxima ainda mais, seus olhos cheios de lágrimas.

LUCIANA: (implorando) Heloísa, por favor, confie em nós.  Ninguém quer te machucar. Matheus precisa estar seguro. Por favor, entregue ele para mim.

Heloísa aperta a faca com mais força, seus olhos brilhando com uma fúria descontrolada. Heloísa balança a cabeça violentamente, como se tentando afastar os pensamentos conflitantes. Ela começa a rir de forma histérica, as lágrimas escorrendo por seu rosto enquanto ela luta contra sua loucura.

HELOÍSA: (rindo e chorando) Vocês acham que eu sou louca, não é? Acham que eu vou simplesmente entregar ele para vocês? Nunca! Matheus é meu filho! E Guilherme é meu! Eu faço qualquer coisa por eles!

RENATA: (aproximando-se lentamente) Heloísa, ninguém quer que você sofra mais. 

Heloísa olha para Renata, seus olhos cheios de desespero e loucura, e então finalmente, relutantemente, solta a mão de Matheus. Ela dá um passo para trás, ainda chorando e rindo descontroladamente.

HELOÍSA: (gritando) Eu só queria ser mãe! Eu só queria que Guilherme me amasse!

Os policiais avançam rapidamente e prendem Heloísa, que continua a rir e chorar de maneira histérica. Luciana se ajoelha ao lado de Matheus, abraçando-o carinhosamente. Ela olha para Heloísa, seus olhos cheios de compreensão e compaixão.

LUCIANA: (com suavidade) Nós também, Heloísa. Nós também.

A tensão no quintal começa a diminuir enquanto Heloísa é levada pelos policiais, ainda gritando e lutando contra suas amarras. Guilherme se aproxima e abraça Luciana e Matheus, oferecendo conforto. A cena termina com a visão de Heloísa sendo colocada no carro da polícia, seus gritos ainda ecoando no ar, enquanto todos ao redor respiram aliviados

Serginho, observando de longe, sente uma pontada de ciúmes ao ver a proximidade entre Luciana e Guilherme.

SERGINHO: (para si mesmo, incomodado) Tudo agora é ele...

Guilherme sente o celular vibrar em seu bolso e, ao atender, vê que é Dr. Tonico.

GUILHERME: (atendendo o celular) Alô? Dr. Tonico?

DR. TONICO: (V.O.) (urgente) Guilherme, aconteceu uma tragédia! 

Guilherme se vira para Luciana, Matheus e Serginho, preocupado.

GUILHERME: (desculpando-se) Eu preciso ir. É urgente. Dr. Tonico está me chamando de volta ao Rio.

LUCIANA: (preocupada) O que aconteceu, Guilherme?

GUILHERME: (nervoso) Não sei os detalhes ainda, mas parece sério.

LUCIANA: Eu vou com você!

SERGINHO: Nós vamos! 


Guilherme entra no carro acompanhado de Luciana e Serginho, ele liga o carro ainda muito nervoso e sai rapidamente.


CENA 18: EXT. RIO DE JANEIRO - NOITE

A lua cheia ilumina a Praia de Copacabana, suas ondas calmas brilhando com reflexos prateados. As luzes dos postes delineiam o calçadão, onde palmeiras balançam suavemente ao vento. A câmera desliza suavemente para a Baía de Guanabara, onde as águas espelhadas refletem a luz da lua e das estrelas. O Cristo Redentor, iluminado, vigia a cidade. A câmera sobe para uma vista panorâmica da Urca, com suas ruas iluminadas e pequenas embarcações flutuando na baía tranquila.

A visão do alto do Pão de Açúcar abrange toda a cidade, revelando a beleza da noite carioca em um deslumbrante mosaico de luzes e serenidade.


CENA 19: INT. MANSÃO ROSSI. SALA DE ESTAR. NOITE

Guilherme chega em casa, seus passos lentos e pesados ecoando no silêncio da sala. Ele encontra seu pai, Stênio, sentado em uma poltrona, o olhar perdido no vazio, enquanto Dante está ao seu lado, segurando sua mão com firmeza. Dr. Tonico está lá também, sua expressão serena contrastando com a atmosfera carregada de tristeza.

GUILHERME: (ansioso)  O que houve aqui?

Stênio olha para cima, os olhos vermelhos de tanto chorar, mas incapazes de esconder a dor avassaladora que sente.

STÊNIO: (com voz rouca) Eles se foram, Guilherme. Eles se foram...

Guilherme sente um nó na garganta, a realidade se impondo de uma forma que ele não estava preparado para enfrentar.

GUILHERME: (lutando para manter a compostura) O que... o que aconteceu?

Dr. Tonico se aproxima de Guilherme, colocando uma mão reconfortante em seu ombro.

DR. TONICO: (com calma) Hilda e Otto... eles não estão mais entre nós. Foi uma brutalidade! Uma verdadeira tragédia. 

Guilherme fecha os olhos por um momento, tentando assimilar o golpe emocional. Ele se aproxima de Stênio e Dante, abraçando-os com força, compartilhando sua própria dor enquanto tenta ser o apoio que seus familiares precisam.

GUILHERME: (com ternura) Pai, Dante... eu estou aqui. Vamos passar por isso juntos.

Stênio segura Guilherme com força, incapaz de conter as lágrimas que continuam a cair. Dante se junta ao abraço, o silêncio da dor compartilhada envolvendo-os por um momento precioso de união em meio ao sofrimento. 

Guilherme olha ao redor da sala, para as fotografias de família que adornam as paredes, agora evocando memórias que se misturam com a tristeza da perda.

A câmera se afasta lentamente com a família reunida, abraçada em um canto da sala, enquanto o tempo parece ter desacelerado.


CORTA PARA:

CENA 20: INT. CEMITÉRIO SÃO JOÃO BATISTA. BOTAFOGO. DIA. 


A cena se desenrola lentamente em um cemitério sob um céu cinzento e chuvoso. Hilda e Otto estão sendo velados e, em seguida, serão enterrados lado a lado. A atmosfera é pesada de tristeza e arrependimento, com familiares e amigos reunidos em silêncio, todos absorvidos pela dor da perda.

O padre, com voz solene e compassiva, se ergue diante do caixão de Otto, olhando para a congregação com compaixão em seus olhos cansados.


PADRE: (com voz tranquila) Amigos, familiares, estamos reunidos aqui hoje para honrar a memória de Otto e Hilda Rossi. Em momentos como este, somos confrontados não apenas com a inevitabilidade da morte, mas com a fragilidade e a complexidade da vida humana.

A câmera se move para Stênio, o marido de Hilda e pai de Otto, seu rosto marcado pela dor e pela culpa. Ele está de pé ao lado do caixão de Hilda, segurando a mão dos filhos, Guilherme e Dante, que estão lutando para conter as lágrimas.

STÊNIO: (em pensamento, com voz embargada) Como pudemos chegar a isso? O que eu poderia ter feito para evitar essa tragédia?

O padre continua seu discurso, enquanto a câmera focaliza alternadamente em Guilherme e Dante, irmãos de Otto e filhos de Hilda. Eles estão de pé juntos, apoiando um ao outro em sua dor compartilhada.

PADRE: (continuando) Otto e Hilda eram pessoas cujas vidas foram marcadas por lutas e erros, mas também por amor incondicional e o desejo sincero de proteger aqueles que amavam. Que possamos todos encontrar conforto na lembrança dos momentos bons que compartilhamos com eles, e força para seguir em frente, apesar da dor que sentimos hoje.

Guilherme olha para o caixão de seu irmão mais novo, lembrando-se dos momentos de infância e dos desafios que enfrentaram juntos. Sua expressão é de desamparo e profunda tristeza.

GUILHERME: (em pensamento) Otto... meu irmão. Eu deveria ter estado lá por você. Não deveria ter deixado tudo chegar a esse ponto.

A câmera se afasta lentamente enquanto o padre continua seu discurso, as palavras ecoando no ar frio do cemitério. 

Após a cerimônia no cemitério, Stênio, Guilherme e Dante caminham juntos entre os túmulos silenciosos. A chuva fina continua a cair, refletindo o clima sombrio do momento. Guilherme está perdido em seus pensamentos, tentando processar a perda de Otto, quando avista Luciana ao longe, parada perto de uma lápide solitária.

GUILHERME: (suavemente) Luciana…

Luciana se vira para ele, seu rosto revelando uma mistura de tristeza e determinação. Ela caminha até Guilherme e o abraça brevemente, ambos compartilhando um momento de silêncio antes de começarem a falar.

LUCIANA: (com voz calma) Guilherme, preciso me despedir de Otto.

GUILHERME: (com compreensão) Eu sei, Luciana. É difícil para todos nós.

Eles olham para o túmulo de Otto por um momento, perdidos em suas próprias lembranças e sentimentos.

LUCIANA: (com um suspiro) Eu... sinto muito pela sua família, Guilherme. Por tudo o que aconteceu.

GUILHERME: (com sinceridade) Obrigado, Luciana. Significa muito para mim ouvir isso.

Luciana parece fria à primeira vista, mas Guilherme percebe a empatia genuína em seus olhos.

GUILHERME: (com um gesto) Por que não vem conosco? Passar o dia na Mansão, talvez possamos nos apoiar mutuamente nesse momento difícil.

Luciana hesita por um momento, ponderando a oferta de Guilherme.

LUCIANA: (finalmente) Eu... sim, acho que seria bom.

Eles se viram para encontrar Stênio e Dante mais adiante, conversando em voz baixa.


CORTA PARA:

CENA 21: INT. MANSÃO ROSSI. SALA DE ESTAR. MANHÃ

Na Mansão, o ambiente está carregado com a presença palpável do luto. Luciana está lá, cercada pela aura pesada de tristeza que envolve Stênio, Guilherme e Dante. Ela se esforça para oferecer apoio e conforto, suas palavras e gestos delicados refletindo sua genuína empatia.

LUCIANA: (com gentileza) Sinto muito por toda a dor que vocês estão passando. Se precisarem de qualquer coisa, estou aqui.

Stênio agradece com um aceno silencioso, enquanto Guilherme observa Luciana com admiração por sua capacidade de ser reconfortante em um momento tão difícil. Ele decide agir para aliviar um pouco a tensão que paira sobre todos.

GUILHERME: (com um sorriso suave) Luciana, que tal irmos até a piscina por um momento? Talvez um pouco de ar fresco nos ajude.

Luciana assente com gratidão pela oferta de Guilherme, reconhecendo o gesto como uma tentativa de aliviar a tristeza que paira sobre todos na Mansão.

LUCIANA: (com um pequeno sorriso) Eu adoraria, Guilherme. Um momento de paz seria bem-vindo.

Eles caminham juntos até a área da piscina, onde o sol começa a romper as nuvens, espalhando reflexos brilhantes na água serena. O ambiente ao redor é silencioso, mas não mais pesado do que antes.


CORTA PARA:

CENA 22: EXT. MANSÃO ROSSI. PISCINA.

Guilherme e Luciana se sentam à beira da piscina, deixando o sol suave aquecer seus rostos enquanto conversam sobre os desafios que ainda enfrentam.

GUILHERME: Luciana, tenho pensado muito no Matheus ultimamente. Com tudo o que aconteceu... como vamos cuidar dele daqui para frente?

Luciana assente, compreendendo a preocupação de Guilherme com o futuro de Matheus

Guilherme olha para a água cristalina da piscina, perdido em pensamentos sobre como garantir um futuro estável para seu filho em meio às turbulências.

GUILHERME: (com determinação) Vamos cuidar dele juntos, Luciana? 

Luciana sorri suavemente, tocada pela determinação e pela esperança de Guilherme.

LUCIANA: (com seriedade) E quanto ao julgamento de Iná e Heloísa? 

Guilherme suspira, a tensão retornando aos seus ombros enquanto ele considera as consequências legais das ações de suas duas mulheres mais próximas.

GUILHERME: (com pesar) É difícil, Luciana. Ver minha esposa enfrentando isso... É uma dor que não sei como superar. Mas não temos como continuar juntos. 

Luciana coloca a mão sobre a de Guilherme, oferecendo-lhe apoio silencioso e compreensão em um momento de grande dificuldade.

LUCIANA: (entristecida) Eu digo o mesmo, sobre minha mãe! Acho que nunca irei perdoa-lá. (com empatia) Você não está sozinho, Guilherme. 


Guilherme olha para Luciana com gratidão, encontrando conforto na presença dela em um momento tão turbulento de suas vidas. 


CORTA PARA :

CENA 23: EXT. RIO DE JANEIRO - NOITE

A lua cheia ilumina a Praia de Copacabana, suas ondas calmas brilhando com reflexos prateados. As luzes dos postes delineiam o calçadão, onde palmeiras balançam suavemente ao vento. A câmera desliza suavemente para a Baía de Guanabara, onde as águas espelhadas refletem a luz da lua e das estrelas. O Cristo Redentor, iluminado, vigia a cidade. A câmera sobe para uma vista panorâmica da Urca, com suas ruas iluminadas e pequenas embarcações flutuando na baía tranquila.

A visão do alto do Pão de Açúcar abrange toda a cidade, revelando a beleza da noite carioca em um deslumbrante mosaico de luzes e serenidade.


CENA 24: INTERIOR - BOATE - NOITE

A boate está meticulosamente decorada para a noite Ballroom, com um tema de moda e elegância vitoriana. Grandes lustres de cristal iluminam o salão, refletindo em espelhos dourados e móveis ornamentados. Os convidados, elegantemente vestidos em trajes inspirados na era vitoriana, circulam entre as mesas bem arrumadas, criando um ambiente de luxo e sofisticação.

Rubi está em um camarim, nervosa, ajustando seu traje vitoriano. Rubi está  rodeada por assistentes que ajustam seu elaborado traje vitoriano. Ela olha para seu reflexo no espelho, respirando fundo para acalmar os nervos antes de seu desfile. Seus cabelos estão meticulosamente arrumados em cachos volumosos, e sua maquiagem realça os traços delicados de seu rosto tenso de expectativa.

Rubi está concentrada, finalizando os últimos detalhes de seu traje antes de entrar na passarela. Ela parece ansiosa, mas determinada, preparando-se para o seu momento no centro das atenções.

Tigre está ao lado de Rubi, oferecendo apoio silencioso com um olhar amoroso e cheio de admiração. Ele parece genuinamente feliz por ela, seu rosto iluminado com um sorriso sincero.

A tensão pré-desfile é palpável, mas Rubi e Tigre compartilham um momento de cumplicidade e felicidade. Eles estão juntos, enfrentando o presente com coragem e determinação, prontos para brilhar na noite que promete ser memorável.


CENA 25: INTERIOR - BOATE - NOITE

Leona, é ovacionada enquanto dança com graciosidade no centro da pista. Ela levanta um microfone e, com um sorriso radiante, anuncia:

LEONA: (animada) Esta noite, celebramos a elegância e extravagância do romantismo vitoriano. Preparem-se para uma noite de pura magia!

O público aplaude entusiasticamente, enquanto Leona nomeia a categoria do desfile.

LEONA (ao microfone) E agora, para iniciar nosso desfile, a categoria é "Eleganza e extravagância do romantismo vitoriano"! Meus queridos, segurem seus leques porque esta noite promete arrepiar até a última crinolina!


[ ~TRILHA ON: Swept Away]


Os olhares se voltam para o centro do salão, onde Rubi entra com graça e confiança. Seu traje vitoriano exala sofisticação, destacando sua beleza e presença imponente.

Rubi desfila com elegância, movendo-se com graciosidade pela pista de dança. Ela incorpora os movimentos clássicos do movimento vogue, cada pose meticulosamente executada para capturar a essência do tema.

Do outro lado da pista, Tigre a acompanha de maneira surpreendente. Ele se une a ela na coreografia, revelando uma sincronia impressionante que sugere ensaios secretos e cúmplices.

Os jurados, visivelmente impressionados, observam atentamente enquanto Rubi e Tigre irradiam uma sedução e sintonia que hipnotiza o público. A boate ecoa com aplausos e gritos de apoio à dupla inesperada.

Enquanto isso, na porta da boate, Otávio entra nervosamente. Ele parece desconfortável e ansioso, seus olhos procurando alguém na multidão.

Ao se aproximar do centro onde assistem o show, Otávio se depara com Rubi, que está focada no desfile e não o vê. Ele observa, atônito, enquanto Rubi e Tigre encerram sua apresentação com um beijo apaixonado no meio da pista.

LEONA (lendo as notas com entusiasmo) E agora, vamos ver as notas, queridos! Preparem-se para o que está por vir!

Os jurados seguram suas notas, mantendo o suspense. Um a um, eles erguem placares com notas perfeitas - todos os 10s - confirmando o impacto avassalador da apresentação de Rubi e Tigre.

LEONA: (empolgada, pausadamente) 10..10…10…10…e surpreendentemente.. 10! Eles são ou não são o casal mais fofo? Subam e peguem o prêmio de vocês, queridos! 

Enquanto o público vibra com a sintonia e sedução da dupla, Otávio observa com desapontamento e confusão o beijo entre Rubi e Tigre.

Leona, com um sorriso triunfante, continua a proclamar o sucesso da noite, capturando a essência vibrante e diversificada. Do palco, Rubi vê Otávio na porta. Ela entrega o troféu à Tigre e corre. 

Eles ficam frente a frente, ambos tomados por uma mistura de surpresa e emoções não resolvidas.

Otávio parece desconcertado ao testemunhar o beijo entre Rubi e Tigre, enquanto Rubi o observa com uma expressão indecifrável. Há uma tensão palpável entre eles, um momento congelado no tempo enquanto eles se confrontam com o passado e o presente.

O ambiente ao redor continua vibrante com a energia da boate, mas para Rubi e Otávio, há um silêncio tenso que envolve seu encontro inesperado.

OTÁVIO: (cabisbaixo) Parabéns pela noite! 

RUBI: Obrigada! O que faz aqui?

OTÁVIO: Rubi, eu não tiro você da cabeça! 

RUBI: Eu deveria evitar você, certo?

OTÁVIO: Eu precisava, conversar com você!  (desconcertado) Eu vi vocês dois...

RUBI: (interrompendo suavemente) Não precisa explicar. Não mais.

OTÁVIO: (arrependido) Eu não devia ter partido daquele jeito. Foi um erro colossal.

RUBI: (com calma, mas com firmeza) Você não precisa pedir desculpas, Otávio. Eu já perdoei você. Mas isso não muda nada.

OTÁVIO: (com sinceridade) Eu sei que errei. Mas nunca mais encontrarei alguém como você, Rubi.

RUBI: (com um suspiro, olhando ao redor da boate, onde a música e a luz pulsam) Nós dois sabemos que não podemos voltar atrás. Eu preciso seguir em frente, ser bem comigo mesma.

OTÁVIO: (com os olhos fixos nela) E eu preciso que você saiba que sempre vou torcer pela sua felicidade, mesmo que não seja ao meu lado.

RUBI: (tocando de leve o braço dele, num gesto de despedida) Obrigada, Otávio. (com um sorriso leve) Otávio, você merece ser feliz. Seja com quem for.

OTÁVIO: (abaixando os olhos) Eu me divorciei.

RUBI: (ri suavemente, mas com um toque de ironia) Impulsivo como sempre. Mas é bom saber que está livre para suas escolhas.

OTÁVIO: (com um tom mais sério) Rubi, eu...

RUBI: (interrompendo, sua voz cortante) Obrigada por me procurar, Otávio. Sinta-se à vontade na boate, mas não espere que eu sofra por você. Enquanto eu sofro, posso perder alguém especial que me ama muito.

OTÁVIO: (sentindo a pontada de arrependimento) Eu entendo...

RUBI: (agora mais suavemente, mas mantendo uma certa distância) Eu preciso comemorar minha premiação. Cuide-se, Otávio.

OTÁVIO: (assentindo, enquanto a observa se afastar) Rubi...Adeus! 

Otávio observa Rubi no meio da pista de dança, radiante e envolvida na celebração com Tigre e os outros. Ele permanece ali por um momento, absorvendo a energia da boate ao seu redor. Com um suspiro pesado, ele vira lentamente e começa a se afastar. As luzes coloridas da boate piscam ao seu redor enquanto ele caminha para a saída, deixando para trás a música pulsante e a figura de Rubi, agora distante e irreconciliável.

Leona chama Rubi para o camarote. Rubi, ainda exultante da dança, segue Leona com curiosidade. No camarote, Leona a apresenta a um homem elegante e carismático.

LEONA: Rubi, quero te apresentar alguém muito especial. Este é Nico Fernandes, o produtor de moda mais influente do Brasil.

Rubi olha Nico com surpresa, reconhecendo-o imediatamente pelos seus feitos na indústria da moda. Nico estende a mão para cumprimentá-la com um sorriso caloroso.

NICO: Rubi, é um prazer conhecer você. Fiquei absolutamente maravilhado com sua apresentação. Você tem um talento genuíno.

Rubi fica emocionada com os elogios sinceros de Nico, sentindo-se valorizada de uma maneira que há muito tempo não experimentava.

RUBI: (com gratidão) Muito obrigada, Nico. Significa muito para mim ouvir isso de alguém como você.

Nico olha para Rubi com um brilho nos olhos, revelando sua proposta com entusiasmo contido.

NICO: Rubi, como parte do São Paulo Fashion Week, estou aqui para te convidar pessoalmente para fazer história conosco. Após ver sua apresentação, eu não poderia deixar passar a oportunidade de convidá-la para ser a primeira mulher transsexual a desfilar nas passarelas do SPFW.

Rubi fica sem palavras por um momento, absorvendo a magnitude da proposta de Nico. Ela se sente emocionada e honrada por ser reconhecida dessa maneira.


FADE OUT.


DOIS MESES DEPOIS…


CENA 26 - EXTERIOR - TRIBUNAL - MANHÃ

A câmera mostra a fachada imponente do tribunal, destacando sua arquitetura clássica. Pessoas entram e saem apressadas, criando uma atmosfera de tensão e expectativa.

A câmera corta para um plano médio de Luciana, Guilherme, Serginho e Marlene caminhando lado a lado em direção à entrada do tribunal. Todos estão visivelmente nervosos e apreensivos.

LUCIANA: (preocupada) Será que vai dar tudo certo?

GUILHERME: (tentando ser otimista) Temos que acreditar, Luciana. Fizemos tudo o que podíamos.

SERGINHO: (olhando ao redor, inquieto) Só espero que o juiz seja justo.

Eles param por um momento diante da escadaria do tribunal, respirando fundo antes de subir. A câmera mostra um close-up dos rostos deles, capturando a mistura de determinação e medo.


CORTE PARA:

CENA 27 - INTERIOR - SALA DO TRIBUNAL - MOMENTOS DEPOIS

A sala do tribunal está lotada. Murmúrios e cochichos são ouvidos enquanto todos aguardam o início do julgamento. Luciana, Guilherme, Serginho e Marlene se sentam juntos, trocando olhares de apoio.

JUÍZ: (entrando e tomando seu lugar) O tribunal está em sessão.

A câmera faz um zoom-out, mostrando a sala do tribunal em sua totalidade, capturando a seriedade do momento.

JUÍZ Este tribunal está em sessão para julgar os casos de Heloísa Rossi Pimentel, Iná dos Santos e Vírginia Padilha, acusadas de crimes relacionados ao tráfico de menores e falsificação de documentos. Advogados, por favor, identifiquem-se.

ADVOGADO DE DEFESA DE HELOÍSA (levantando-se) Excelência, sou Dr. Álvaro Mendes, advogado de defesa de Heloísa Rossi Pimentel.

ADVOGADO DE DEFESA DE INÁ (levantando-se) Dr. Eduardo Lima, representando Iná dos Santos.

ADVOGADO DE DEFESA DE VÍRGINIA (levantando-se) Dra. Carla Fonseca, em defesa de Vírginia Padilha.

PROMOTOR (levantando-se) E eu sou Dr. Ricardo Ferreira, promotor de justiça neste caso.

JUÍZ Muito bem. Vamos começar com as declarações iniciais do promotor.

PROMOTOR (se aproximando do júri) Excelentíssimo senhor juiz, membros do júri, estamos aqui para buscar justiça para Luciana, cujo filho foi vendido por sua própria avó, Iná dos Santos, para Heloísa Rossi Pimentel, com a cumplicidade de Vírginia Padilha. Este caso é um exemplo claro de exploração e corrupção, e provaremos que as rés agiram de forma premeditada e criminosa.

O promotor volta ao seu lugar. A câmera faz um close-up no rosto de Luciana, que está visivelmente emocionada.

JUÍZ Advogados de defesa, suas declarações iniciais.

DR. ÁLVARO MENDES (ADVOGADO DE HELOÍSA) (levantando-se) Senhoras e senhores do júri, minha cliente, Heloísa Rossi Pimentel, é uma mulher de reputação ilibada e não teve intenção de cometer qualquer crime. Ela acreditava estar ajudando uma criança necessitada e foi enganada pelas outras rés.

DR. EDUARDO LIMA (ADVOGADO DE INÁ) (levantando-se) Minha cliente, Iná dos Santos, agiu sob extrema pressão e desespero. Ela jamais venderia seu neto se não fosse coagida e manipulada por Heloísa e Vírginia.

DRA. CARLA FONSECA (ADVOGADA DE VÍRGINIA) (levantando-se) Vírginia Padilha é uma mulher que se envolveu inadvertidamente nessa situação, sem plena consciência das implicações legais e morais. Pedimos que considerem sua intenção e falta de entendimento do que estava acontecendo.

JUÍZ Muito bem. Chamo a primeira testemunha, Luciana, ao banco das testemunhas.

Luciana se levanta, visivelmente nervosa, e caminha até o banco das testemunhas. Ela é juramentada pelo oficial de justiça.

PROMOTOR (iniciando a inquirição) Luciana, você pode nos contar o que aconteceu desde o momento em que soube da gravidez até descobrir o destino de seu filho?

LUCIANA (emocionada) Sim... Quando minha mãe descobriu que eu estava grávida, ela me expulsou de casa. Eu não tinha para onde ir, então vim para o Rio de Janeiro atrás de Otto, o pai do meu filho. Mas, ao chegar aqui, sofri um acidente de ônibus e fiquei em coma por um ano.

PROMOTOR Um ano em coma? E o que aconteceu quando você acordou?

LUCIANA Quando eu acordei, Vírginia estava lá. Ela me contou que minha mãe, Iná, havia vendido meu bebê para Heloísa Rossi Pimentel. Eu fiquei desesperada. Não podia acreditar que minha própria mãe faria isso.

PROMOTOR Como você se sentiu ao descobrir isso?

LUCIANA Devastada. Eu estava sozinha, sem meu filho, sem o pai dele. Senti como se meu mundo tivesse desmoronado.

O promotor se afasta e faz um sinal ao juiz, indicando que terminou suas perguntas.

JUÍZ A defesa deseja questionar a testemunha?

DR. ÁLVARO MENDES (ADVOGADO DE HELOÍSA) (sim) Sim, Excelência.

Dr. Álvaro se aproxima de Luciana, com um ar de confiança.

DR. ÁLVARO MENDES Luciana, você tem alguma prova concreta de que Heloísa sabia que estava cometendo um crime ao adotar Pedro?

LUCIANA (ferozmente) Ela falsificou os documentos! Ela sabia que não era legal!

DR. ÁLVARO MENDES Sem provas concretas, é apenas a sua palavra contra a dela. (vira-se para o júri) Peço que lembrem disso.

JUÍZ Pode sentar-se, Luciana. A próxima testemunha será chamada.

A câmera segue Luciana voltando ao seu lugar, onde é confortada por Guilherme, Serginho e Marlene. A tensão é palpável na sala.

JUÍZ Chamamos a próxima testemunha, Dra. Maria Vasconcelos, especialista em direito de família.

Dra. Maria Vasconcelos, uma mulher de meia-idade com aparência austera, sobe ao banco das testemunhas e é juramentada.

PROMOTOR Dra. Maria, pode explicar ao tribunal as implicações legais de um esquema de venda de crianças como o que estamos julgando aqui?

DRA. MARIA VASCONCELOS Certamente. A venda de crianças é um crime gravíssimo, violando direitos fundamentais e tratados internacionais de proteção à infância. Envolve não apenas o tráfico humano, mas também a falsificação de documentos e a criação de identidades falsas, o que é extremamente prejudicial para a criança.

PROMOTOR E no caso específico de Heloísa, Iná e Vírginia, quais são as consequências legais que elas enfrentam?

DRA. MARIA VASCONCELOS Se forem condenadas, enfrentam penas severas que podem incluir longos períodos de prisão, multas e perda de qualquer direito de guarda ou adoção de crianças no futuro.

O promotor agradece e volta ao seu lugar. A câmera mostra a expressão preocupada das acusadas.

JUÍZ A defesa deseja questionar a testemunha?

DR. EDUARDO LIMA (ADVOGADO DE INÁ) Sim, Excelência.

Dr. Eduardo se aproxima da Dra. Maria.

DR. EDUARDO LIMA Dra. Maria, em casos como este, quão importante é provar a intenção criminosa das acusadas?

DRA. MARIA VASCONCELOS É crucial. A intenção de cometer o crime deve ser claramente estabelecida para que haja uma condenação justa.

DR. EDUARDO LIMA E se uma das acusadas agiu sob coação ou pressão extrema?

DRA. MARIA VASCONCELOS Isso poderia atenuar a pena, mas não isenta de responsabilidade criminal.

DR. EDUARDO LIMA Obrigado, Dra. Maria.

JUÍZ A testemunha está dispensada. Próxima testemunha.

A câmera corta para Heloísa, Iná e Vírginia, que trocam olhares tensos. O julgamento continua, com depoimentos, provas e argumentos sendo apresentados, enquanto a tensão aumenta na sala.

JUÍZ O júri agora se retira para deliberar. O tribunal está suspenso até que haja um veredicto.

A câmera segue o júri saindo da sala, enquanto Luciana, Guilherme, Serginho e Marlene esperam ansiosos. A tensão é palpável, e todos aguardam o desenrolar do julgamento.

As portas do tribunal se abrem e a multidão começa a sair. Luciana, Guilherme, Serginho e Marlene estão do lado de fora, visivelmente tensos e ansiosos. Iná é escoltada por guardas, mas antes de entrar na viatura, ela se vira para Luciana com um olhar ameaçador.

INÁ (viciosamente) Você acha que ganhou, Luciana? Isso ainda não acabou!

Luciana treme, mas se mantém firme, segurando a mão de Serginho. Heloísa, sendo levada por outros guardas, começa a mostrar sinais de desorientação e obsessão ao ver Guilherme.

HELOÍSA (gritando) Guilherme! Guilherme, você precisa entender! Tudo foi por amor! Por amor a você!

Heloísa tenta se soltar dos guardas, seus olhos arregalados e desesperados. Ela parece estar em um surto psicótico, enquanto os guardas a controlam com dificuldade.

GUARDA 1 (mantendo firme) Mantenha a calma, senhora. Você precisa se acalmar.

Heloísa continua a lutar, chorando e gritando incoerentemente, enquanto é levada para a viatura. A multidão ao redor observa com curiosidade e murmúrios. A câmera foca em Luciana, que parece perturbada pela cena.

LUCIANA (emocionada) E agora, Serginho? O que vai ser do Matheus? Ele merece ter uma vida normal, sem essa loucura toda.

Serginho se aproxima de Luciana, colocando uma mão reconfortante em seu ombro.

SERGINHO (suavemente) Nós vamos fazer o que for preciso, Lu. Matheus vai crescer sabendo que é amado e que fizemos tudo por ele. Não vamos deixar que essas sombras do passado destruam o futuro dele.

Luciana se vira para Serginho, com lágrimas nos olhos, mas um pequeno sorriso de gratidão.

LUCIANA Obrigada, Serginho. Eu não sei o que faria sem você.

Serginho a abraça, enquanto Marlene e Guilherme se aproximam, criando um círculo de apoio ao redor de Luciana. A câmera sobe lentamente, mostrando o grupo unido em meio à multidão que se dispersa, simbolizando a força da união e do amor em tempos difíceis.

Guilherme se aproxima do banco das testemunhas, claramente nervoso, mas determinado.

JUÍZ Chamo a próxima testemunha, Guilherme, ao banco das testemunhas.

Guilherme é juramentado pelo oficial de justiça e toma seu lugar no banco das testemunhas.

PROMOTOR (iniciando a inquirição) Guilherme, você pode nos contar sobre sua relação com Heloísa Rossi Pimentel e o que você descobriu sobre a gravidez dela?

GUILHERME (sim) Sim, Excelência. Heloísa é minha esposa. Ela sempre quis muito ser mãe, mas nós tivemos dificuldades em conceber. Um dia, ela anunciou que estava grávida. Eu fiquei feliz, claro, mas ela manteve tudo em segredo. Não deixava que eu fosse às consultas médicas e raramente falava sobre a gravidez. Eu não desconfiei de nada no início.

PROMOTOR E quando você descobriu a verdade?

GUILHERME (suspirando) Foi só depois de muito tempo, quando encontrei cartas e documentos escondidos. Heloísa estava usando uma barriga falsa e mentiu sobre estar grávida. Ela escreveu várias cartas detalhando sua obsessão em ser mãe, e como planejava adotar uma criança ilegalmente.

PROMOTOR Você trouxe essas cartas para o tribunal hoje?

GUILHERME (sim) Sim, eu as trouxe.

Guilherme entrega um envelope grosso ao promotor, que retira várias cartas e as apresenta ao juiz.

PROMOTOR Excelência, gostaríamos de submeter essas cartas como prova. Elas mostram claramente o estado mental da ré e seu planejamento detalhado para adquirir uma criança ilegalmente.

JUÍZ (depois de examinar brevemente as cartas) Provas aceitas. Continue, promotor.

PROMOTOR Guilherme, pode nos contar sobre como Heloísa reagiu quando você a confrontou com a verdade?

GUILHERME Ela ficou desesperada. Confessou tudo, dizendo que tinha medo de nunca ser mãe e que isso a levou a tomar medidas drásticas. Eu fiquei horrorizado e não sabia o que fazer. Foi um choque enorme para mim.

PROMOTOR Você sabia da participação de Iná e Vírginia no esquema?

GUILHERME Não. Eu só soube de Iná e Vírginia quando a investigação começou. Heloísa manteve tudo em segredo. Eu não sabia até onde ela estava disposta a ir.

O promotor se afasta e faz um sinal ao juiz, indicando que terminou suas perguntas.

JUÍZ A defesa deseja questionar a testemunha?

DR. ÁLVARO MENDES (ADVOGADO DE HELOÍSA) (levantando-se) Sim, Excelência.

Dr. Álvaro se aproxima de Guilherme, com um olhar calculado.

DR. ÁLVARO MENDES Guilherme, você mencionou que Heloísa estava desesperada para ser mãe. Você acredita que sua obsessão foi resultado de um desequilíbrio mental?

GUILHERME (sim) Sim, acredito. Ela não estava pensando racionalmente. Heloísa sempre foi uma pessoa amorosa, mas a pressão de não conseguir ser mãe a fez tomar decisões erradas.

DR. ÁLVARO MENDES Você diria que ela precisava de ajuda, mais do que punição?

GUILHERME (sim) Sim, eu diria isso. Heloísa precisa de tratamento.

DR. ÁLVARO MENDES Obrigado, Guilherme.

JUÍZ Pode sentar-se, Guilherme. A próxima testemunha será chamada.

Guilherme volta ao seu lugar, visivelmente aliviado por ter contado sua versão dos fatos. A câmera corta para Luciana, que observa atentamente, sentindo uma mistura de emoções ao ouvir sobre a obsessão de Heloísa.

A câmera faz um close-up no juiz, que ajusta os óculos e olha para a lista de testemunhas. A sala do tribunal está tensa, todos aguardando a próxima reviravolta do caso.

JUÍZ Chamo a Dra. Esther Silva ao banco das testemunhas.

Dra. Esther, uma mulher de aparência séria e profissional, entra na sala do tribunal. Heloísa, ao vê-la, começa a se agitar visivelmente, murmurando e tentando se levantar, mas é contida pelos guardas e seu advogado, Dr. Álvaro.

HELOÍSA (agressivamente) Você! Você me traiu! Eu confiei em você!

DR. ÁLVARO MENDES (murmurando para Heloísa) Heloísa, por favor, mantenha a calma. Isso só vai piorar as coisas.

Heloísa respira fundo, tentando se recompor, mas seus olhos ainda estão cheios de desconfiança e raiva. Dra. Esther é juramentada e toma seu lugar no banco das testemunhas.

PROMOTOR (iniciando a inquirição) Dra. Esther, você pode nos contar sobre seu papel no caso de Heloísa Rossi Pimentel?

DRA. ESTHER SILVA Claro. Eu sou a psiquiatra que atendeu Heloísa durante o período em que ela começou a mostrar sinais de comportamento instável. Foi durante essas sessões que percebi que ela poderia estar sofrendo de um transtorno mental grave.

PROMOTOR E o que a levou a essa conclusão?

DRA. ESTHER SILVA Heloísa apresentava sintomas de esquizofrenia, incluindo delírios, alucinações e uma obsessão patológica em ser mãe. Seus pensamentos eram desorganizados e muitas vezes ela não conseguia distinguir entre realidade e fantasia.

PROMOTOR Você trouxe o laudo psiquiátrico de Heloísa para o tribunal?

DRA. ESTHER SILVA (sim) Sim, eu trouxe.

Dra. Esther entrega um documento ao promotor, que o apresenta ao juiz.

PROMOTOR Excelência, gostaríamos de submeter este laudo como prova. Ele confirma que Heloísa está sofrendo de esquizofrenia e que suas ações foram influenciadas por sua condição mental.

JUÍZ (depois de examinar o documento) Prova aceita. Continue, promotor.

PROMOTOR Dra. Esther, você pode nos explicar a gravidade da condição de Heloísa e como isso afetou suas ações?

DRA. ESTHER SILVA Heloísa estava em um estado mental extremamente frágil. A esquizofrenia é uma doença mental séria que pode levar a comportamentos irracionais e perigosos se não for tratada adequadamente. No caso dela, a obsessão em ser mãe se tornou um delírio dominante, levando-a a tomar medidas extremas e ilegais.

PROMOTOR Você acredita que ela tinha plena capacidade de entender a ilegalidade de suas ações?

DRA. ESTHER SILVA Não completamente. Seus delírios a cegaram para a realidade, tornando-a incapaz de perceber as consequências de seus atos de maneira clara e racional.

O promotor se afasta e faz um sinal ao juiz, indicando que terminou suas perguntas.

JUÍZ A defesa deseja questionar a testemunha?

DR. ÁLVARO MENDES (ADVOGADO DE HELOÍSA) (levantando-se) Sim, Excelência.

Dr. Álvaro se aproxima de Dra. Esther, com um olhar confiante.

DR. ÁLVARO MENDES Dra. Esther, você acredita que Heloísa precisa mais de tratamento psiquiátrico do que de uma punição judicial?

DRA. ESTHER SILVA (sim) Sim, acredito. Ela precisa de tratamento intensivo e contínuo para controlar sua condição e evitar futuros comportamentos prejudiciais.

DR. ÁLVARO MENDES E esse tratamento poderia ajudar a prevenir futuros incidentes?

DRA. ESTHER SILVA (sim) Com o tratamento adequado, Heloísa pode levar uma vida mais estável e segura, com menos risco de repetir seus comportamentos passados.

DR. ÁLVARO MENDES Obrigado, Dra. Esther.

JUÍZ A testemunha está dispensada. Próxima testemunha.

Dra. Esther deixa o banco das testemunhas, enquanto Heloísa continua a observá-la com uma mistura de ressentimento e confusão. A câmera corta para Luciana, que assiste à cena com uma expressão pensativa, preocupada com o impacto da esquizofrenia de Heloísa sobre o futuro de seu filho.

LUCIANA (para Guilherme) Você sabia sobre a condição dela?

GUILHERME (balançando a cabeça) Não! Eu sabia que ela estava diferente, mas não sabia a extensão do problema até encontrar as cartas e falar com Dra. Esther.

LUCIANA (suspirando) Eu só quero que Matheus esteja seguro.

SERGINHO (abraçando Luciana) Ele vai estar, Lu. Nós vamos fazer o que for preciso para protegê-lo e garantir que ele tenha uma vida normal.

Luciana olha para Serginho, encontrando conforto em suas palavras.


CORTA PARA:

CENA 28: AGÊNCIA E ESTÚDIO FOTOGRÁFICOS. INT. NOITE.

 O estúdio é espaçoso e bem iluminado, com paredes brancas que refletem a luz suavemente, criando um ambiente acolhedor e profissional. Equipamentos fotográficos condizentes com a época, estão estrategicamente posicionados, prontos para capturar cada momento com precisão. Rubi está no centro do estúdio, nervosa, mas determinada. Ela está vestida com roupas elegantes, pronta para a sessão de fotos que pode mudar sua vida. Tigre demonstra uma empatia genuína por Rubi, guiando-a com palavras de encorajamento e ajustando sua postura com delicadeza.


TIGRE: Você está incrível, Rubi. Vamos arrasar nessas fotos!

Rubi sorri de volta, agradecida pela gentileza de Tigre. Ela se posiciona para a câmera, exalando confiança conforme começa a posar. O clique das câmeras ecoa pelo estúdio enquanto Tigre e a equipe capturam a essência de Rubi, sua elegância e sua determinação.

A cada pose, Rubi se sente mais à vontade, permitindo que sua personalidade brilhe através das lentes. Ela não apenas está aceitando um convite para desfilar, mas também está reivindicando seu espaço e sua voz no mundo da moda.

Ao final da sessão, Nico aplaude suavemente, os olhos brilhando de orgulho.

NICO: (com orgulho) Você arrasou, Rubi. Mal posso esperar para ver o resultado final. E você nas passarelas do São Paulo Fashion Week.

Rubi sorri, sentindo uma mistura de alívio e realização. Ela sabe que este é apenas o começo de uma jornada emocionante que está prestes a começar.


CORTE PARA:

CENA 29: INT. CASARÃO DE LEONA. MAIS TARDE.


Rubi está inquieta, suas mãos tremendo ligeiramente enquanto ela tenta controlar a respiração. Tigre se ajoelha diante dela, segurando suas mãos com delicadeza.

TIGRE: (com ternura) Rubi, você foi incrível hoje. Estou tão orgulhoso de você.

Rubi olha nos olhos de Tigre, vendo a sinceridade e o carinho que ele sempre demonstrou por ela. Ela suspira, lutando para conter as lágrimas que ameaçam escapar.

RUBI: (com voz trêmula) Tigre, eu... Eu estou com tanto medo. E se eu não conseguir fazer isso? E se não for boa o suficiente?

Tigre a abraça suavemente, acariciando seus cabelos com afeto.

TIGRE: (com emoção) Rubi, escuta. Eu sempre acreditei em você. Desde o primeiro dia em que nos conhecemos, eu vi a mulher incrível que você é. Você tem uma força e uma beleza dentro de si que brilha para todos verem. Eu nunca duvidei disso.

Rubi se sente um pouco mais calma com as palavras reconfortantes de Tigre. Ela olha para ele com gratidão misturada com amor.

RUBI: (com sinceridade) Tigre, eu... eu não sei o que seria de mim sem você. Você sempre esteve ao meu lado, me apoiando, mesmo nos momentos mais difíceis.

Tigre segura o rosto de Rubi com ternura, seus olhos brilhando intensamente.

TIGRE: (com paixão) Rubi, eu te amo. Desde o momento em que te conheci, eu sabia que você era a pessoa que eu estava esperando. Com você, eu me sinto completo, como se finalmente estivesse vivendo a vida que sempre desejei. Você é a mulher dos meus sonhos, a pessoa que eu quero ao meu lado em todos os momentos.

Rubi se emociona, sentindo o peso das palavras de Tigre. Ela segura suas mãos, sentindo uma conexão profunda e verdadeira entre eles.

RUBI: (com ternura) Tigre, eu também te amo. Mais do que palavras podem dizer. Você me dá força, coragem... Você me faz sentir como se pudesse conquistar o mundo.

Os dois se olham intensamente, compartilhando um momento de intimidade e paixão. Leona, observando a cena com um sorriso leve, sente a energia emocional que flui entre eles.

LEONA: (com um sorriso) Vocês dois são perfeitos juntos. Não há dúvida disso.

Rubi e Tigre sorriem um para o outro, sentindo-se fortalecidos pelo amor mútuo e pela promessa de um futuro cheio de apoio, compreensão e paixão.


CORTE PARA:

CENA 30:  INT.  SALA DO TRIBUNAL . MAIS TARDE.

O ambiente do tribunal está carregado de tensão enquanto o juiz prepara-se para anunciar as sentenças finais. Luciana, Guilherme, Serginho e Marlene estão presentes, aguardando com ansiedade o desfecho do caso.

JUÍZ: (de maneira solene) Chegamos ao momento das sentenças finais para os réus envolvidos neste caso complexo e doloroso. Após considerar todas as evidências apresentadas e os depoimentos, este tribunal proferirá suas decisões.

Heloísa está sentada ao lado de seu advogado, visivelmente nervosa, enquanto Iná e Virginia aguardam com expressões sombrias.

JUÍZ: (para Iná e Virginia) Iná dos Santos e Vírginia Padilha, vocês foram consideradas culpadas por tráfico de crianças, uma violação grave da lei que visa proteger os direitos fundamentais das crianças. De acordo com a legislação vigente, vocês serão sentenciadas a 15 anos de prisão em regime fechado, sem possibilidade de progressão de pena.

Iná lança um olhar furioso em direção a Luciana antes de ser levada pelos guardas, provocando uma troca de palavras amargas.

INÁ: (gritando) Você não vai conseguir se livrar de mim tão facilmente, sua ingrata! Eu fiz o que tinha que fazer!

Heloísa, ao lado, observa a cena com olhos arregalados, enquanto é tomada pelos guardas. Ela começa a lutar e gritar, demonstrando um surto agudo.

HELOÍSA: (histérica) Não! Eu não posso ficar aqui! Eu preciso dele!


JUÍZ: (de forma solene) Quanto ao menor registrado em cartório como Matheus Rossi Pimentel, este tribunal assegura que ele terá todo o amparo da legislação para garantir seus direitos e bem-estar. A guarda será oficialmente atribuída a Luciana dos Santos González, sua mãe biológica, e a Guilherme Rossi, seu pai adotivo, reconhecendo o vínculo de amor e cuidado que ambos demonstraram ao longo deste processo doloroso.

Luciana e Guilherme se olham emocionados, com lágrimas nos olhos, enquanto abraçam Matheus, agora oficialmente sob a guarda compartilhada.

JUÍZ: (para a sala) Este tribunal reafirma seu compromisso com a justiça e a proteção dos direitos humanos. Que este caso sirva de alerta para as consequências devastadoras das ações motivadas por desequilíbrios mentais e interesses impróprios.

O juiz bate o martelo, encerrando oficialmente o julgamento. A câmera se afasta gradualmente, mostrando Luciana, Guilherme, Serginho e Marlene se abraçando em um momento de alívio e encerramento.


CORTA PARA:

CENA 31: INT. MANSÃO ROSSI. SALA DE ESTAR. NOITE

Após o encerramento do julgamento e a oficialização da guarda de Matheus, Luciana, Guilherme, Serginho e Marlene se reúnem em um abraço emocionado, celebrando o desfecho do caso.

LUCIANA: (com lágrimas nos olhos) Guilherme, eu não sei como agradecer por todo o apoio que você me deu. Sem você, eu não sei se teria conseguido enfrentar tudo isso.

 Luciana chama Serginho para um canto mais reservado.

LUCIANA: (serenamente) Serginho, eu não sei como teria passado por isso tudo sem você. Obrigada por estar sempre ao meu lado, mesmo nos momentos mais difíceis.

SERGINHO: (sorrindo com ternura) Luciana, eu preciso te dizer algo... Desde que nos conhecemos, eu senti algo especial por você. Eu não sei se é o momento certo, mas eu não consigo mais guardar isso só para mim.

Luciana olha para Serginho com surpresa, seus olhos encontrando os dele com um brilho de admiração.

LUCIANA (cheia de emoção) Serginho, eu... Eu também sinto algo por você. Desde o começo, eu senti uma conexão especial. Eu estava com medo de admitir, mas agora...

Eles se olham por um momento, compartilhando um sorriso nervoso que rapidamente se transforma em um abraço caloroso.

SERGINHO: (sorrindo) Eu prometo estar ao seu lado, Luciana. Sempre.

LUCIANA: (abraçando Serginho com gratidão) Eu sei disso. E eu também estarei ao seu lado. Sempre.

Eles se abraçam por um longo momento, sentindo a esperança e o amor crescerem entre eles, enquanto o tribunal ao redor continua com suas atividades.


ALGUMAS SEMANAS DEPOIS…


CENA 32: SÃO PAULO FASHION WEEK. INT. NOITE


O local do desfile é um salão amplo e elegante, com uma passarela longa e iluminada que se estende pelo centro. O ambiente está agitado, com a presença de celebridades da moda, jornalistas e entusiastas do mundo fashion. A música ambiente cria uma atmosfera vibrante e excitante. Rubi, radiante em um vestido deslumbrante que ressalta sua elegância e presença no centro das atenções.Tigre, orgulhoso e emocionado, observa Rubi com admiração dos bastidores. Leona, apoiando Rubi e Tigre entre a multidão, visivelmente emocionada com o momento histórico.

TIGRE: (com um sorriso) Você está pronta para isso, Rubi. Vai ser incrível.

Rubi respira fundo, tentando controlar a ansiedade que ameaça tomar conta dela. Ela olha para Tigre com gratidão.

RUBI: (com determinação) Obrigada por estar aqui comigo, Tigre. Eu não poderia fazer isso sem você.

Tigre beija sua testa suavemente, os olhos brilhando com amor e orgulho.

TIGRE: (com sinceridade) Você vai brilhar, Rubi. Estou aqui para tudo que precisar.


CORTE PARA:

CENA 33:  PASSARELA DO SÃO PAULO FASHION WEEK. INT. NOITE

Chega o momento. Rubi entra na passarela, seu coração batendo forte enquanto ela caminha com confiança, seus passos sincronizados com a batida da música envolvente. Os flashes das câmeras estouram ao seu redor, capturando cada movimento gracioso.

À medida que ela desfila, a energia da plateia é palpável. Pessoas aplaudem e admiram sua presença marcante, reconhecendo não apenas sua beleza exterior, mas também a força e a coragem que ela personifica.

Nos bastidores, Tigre assiste com os olhos brilhando de admiração. Leona está ao seu lado, segurando sua mão com entusiasmo.

LEONA: (com emoção) Ela está incrível, Tigre. Vocês dois conseguiram isso juntos.

Tigre apenas assente, incapaz de tirar os olhos de Rubi na passarela. Ele sabe o quão significativo este momento é para ela, não apenas como modelo, mas como uma mulher que está redefinindo os padrões da indústria da moda.

O desfile de Rubi continua, cada passo marcando história. Ao final, ela retorna aos bastidores, seus olhos brilhando de realização. Tigre a abraça calorosamente, incapaz de conter sua felicidade.

TIGRE: (com orgulho) Você arrasou, Rubi. Estou tão orgulhoso de você.

Rubi sorri amplamente, sentindo um misto de alívio e êxtase.

RUBI: (com gratidão) Obrigada por acreditar em mim, Tigre. Este momento é nosso.

Eles se abraçam mais uma vez, compartilhando um momento de celebração e amor.

TIGRE: (com emoção contida) Rubi, hoje é um dia que nunca vou esquecer. Ver você brilhar daquela forma, mostrando ao mundo sua força e sua beleza... Eu me dei conta de algo muito importante.

Rubi olha para ele, os olhos curiosos e amorosos ao mesmo tempo.

RUBI: (com ternura) O que é, Tigre?

Tigre se ajoelha diante dela, revelando uma caixinha delicada em suas mãos. Ele abre-a lentamente, revelando um anel brilhante.

TIGRE: (com voz embargada) Rubi, desde o momento em que te conheci, eu soube que você era especial. Você trouxe luz à minha vida de uma forma que eu nunca imaginei possível. Você me inspira todos os dias com sua coragem, sua bondade e sua beleza única. Eu não consigo mais imaginar meu futuro sem você nele.

Rubi leva as mãos ao rosto, sentindo as lágrimas de emoção brotarem em seus olhos.

TIGRE: (com paixão) Rubi, você aceita se casar comigo? Ser minha parceira para sempre?

O coração de Rubi transborda de felicidade e amor. Ela mal consegue encontrar palavras enquanto olha para o homem que sempre esteve ao seu lado, apoiando-a em cada passo do caminho.

RUBI: (com voz trêmula) Sim, Tigre... Sim! Eu quero ser sua esposa, compartilhar todos os momentos, os desafios e as alegrias ao seu lado.

Tigre coloca o anel delicadamente no dedo de Rubi, os dois sorriem através das lágrimas enquanto se abraçam, sentindo a magnitude do momento que estão compartilhando.

TIGRE: (sussurrando) Eu te amo, Rubi.

RUBI: (sussurrando de volta) Eu te amo mais do que tudo, Tigre.

Eles se beijam suavemente, cercados pelo amor e pela vibração positiva dos bastidores do SPFW. Ao redor deles, Leona e os outros membros da equipe aplaudem e celebram silenciosamente este momento especial.


CORTE PARA:


ALGUNS MESES DEPOIS….


CENA 34: EXT. MANSÃO ROSSI. JARDIM. DIA

A mansão está decorada com balões e enfeites coloridos, indicando uma festa. Todos os convidados estão animados, conversando e rindo.

Luciana, agora usando um anel de noivado,ela e Serginho estão juntos, radiantes, conversando animadamente com os demais. Guilherme está ao lado de seu pai, Stênio, e seu irmão, Dante, ambos felizes e orgulhosos. Marlene, sorridente, ajuda a servir o bolo.

GUILHERME: (observando Matheus brincando) Parece que foi ontem que tudo começou. Eu ainda me lembro do primeiro dia que te vi, Matheus.

STÊNIO: (olhando com carinho para Guilherme) Você se tornou um ótimo pai, Guilherme. Tenho muito orgulho de você.

DANTE: (brincando com Matheus) Ei, garotão, cuidado aí! Não corra muito rápido!

Matheus, radiante, corre e brinca com seus amiguinhos, rindo e se divertindo. Luciana e Guilherme observam com olhares cheios de amor e gratidão.

LUCIANA: (sorrindo para Guilherme) Ele cresceu tão rápido, não é?

GUILHERME: (acariciando o cabelo de Luciana) Sim, parece que foi ontem que estávamos no tribunal, lutando por ele.

Marlene se aproxima com o bolo, enquanto todos se reúnem ao redor de Matheus, cantando parabéns. Matheus apaga as velinhas com um sorriso luminoso no rosto.

MARLENE: (alegre) Parabéns, Matheus!

CONVIDADOS: (animados) Parabéns!

A câmera mostra lentamente Matheus correndo para abraçar Luciana e Guilherme, recebendo beijos e abraços calorosos.

NARRADOR: Leitores, neste momento solene, olhamos para trás e vemos uma jornada marcada por desafios e triunfos, onde o amor e a família se revelaram como pilares inabaláveis. A vida nos ensina que família não se limita ao sangue, mas se estende aos laços escolhidos pelo coração. Descobrimos  que o amor verdadeiro não conhece limites e que a família, seja biológica ou adotiva, é um refúgio de apoio e compreensão mútua. Que cada passo dado reforce a crença na resiliência do espírito humano e na capacidade de transcender as dificuldades com amor e determinação.

Que o futuro seja moldado pelos laços de compaixão e empatia que hoje celebramos. 

Agradeço a todos por compartilharem desta história de superação e amor. 


O discurso ecoa no ar, trazendo consigo um sentimento de gratidão e esperança, enquanto o sol se põe lentamente no horizonte, simbolizando um novo começo para todos aqueles que caminharam juntos nesta jornada.


FIM! 





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