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Destinos Ligados - Capítulo 07


 Capítulo 07:

- No capítulo anterior:

ROSANA: Aconteça o que acontecer, Francisco. Você nunca, jamais irá contar a verdade para a Maria Eduarda, nunca!

(Maria Eduarda entra na cozinha acompanhada de Marcela)

MARIA EDUARDA: Verdade? Que verdade eu não posso saber?
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ROSANA: Não adianta Francisco, eu não vou contar nada para a Maria Eduarda. O que você acha que vai acontecer? O óbvio, ela vai querer conhecer a família biológica dela. E se ela gostar deles e quiser nos abandonar? Eu não vou suportar.
FRANCISCO: Ela não faria isso, ela nos ama. Pode querer conhecer a família, vou achar natural, mas ela nunca nos viraria as costas, eu duvido.
ROSANA: Não sei, eu não quero pagar pra vê, não quero. Essa história vai continuar assim, bem guardada.
FRANCISCO: Como naquela sua caixa velha de recortes? Eu nunca entendi porque você guardou tudo aquilo, juro.
ROSANA: Nem eu, Francisco!
(Os medidores começam a pegar fogo sem que as pessoas percebam).

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MARIA EDUARDA: É fogo, a praça de alimentação está em chamas... Meus pais! (Maria Eduarda corre entre a multidão para se aproximar da praça de alimentação).
POLÍCIAL: Moça, você não pode passar dessa parte! (Orienta o policial).
MARIA EDUARDA: Meu Deus, eu preciso salvar os meus pais! (Maria Eduarda tenta furar o bloqueio policial, mas é contida). Meus pais, meus pais! (grita).
- Fique agora com o capítulo de hoje!

Cena 01 – Avenida Food Park [Externa/Noite]
(Marcela tenta acalmar Maria Eduarda, porém é em vão e as duas permanecem aflitas sem notícias de Rosana e Francisco).

MARIA EDUARDA: Eu vou ter um ataque, ninguém traz notícias e os meus pais não aparecem. Será que aconteceu alguma coisa?
MARCELA: Calma, não pense desse jeito. Já, já eles trarão notícias e meus tios virão com eles. Vai ficar tudo bem! (Marcela tenta acalmar Maria Eduarda).

(Policial se aproxima com um semblante sério).

MARIA EDUARDA: Cadê? Onde eles estão?
POLICIAL: Infelizmente as notícias que eu trago não são boas...
(A cena permanece em silêncio em sinal de que Maria Eduarda está tão atordoada, que não consegue prestar atenção com clareza nas coisas, exceto com parte da notícia, a de que seus pais não sobreviveram).

MARIA EDUARDA: Mortos? Não, eles não podem está mortos. Os meus pais não podem ter me deixado, não! (Grita e se desespera).
MARCELA: (Visivelmente chocada, tenta acalmar a prima, mas é em vão).

Cena 02 – Mansão Germai (Quarto de Ingrid) [Interna/Noite]

(Ingrid entra em seu quarto furiosa)

INGRID: Maldita, quem ela pensa que é para falar comigo daquele jeito? Ela acha mesmo que eu não consigo administrar aquela agência? Ah, mamãe! Eu não só posso como vou.

(Ingrid deita na cama e olha para o teto enquanto permanece falando sozinha consigo mesma)

INGRID: Eu vou fazer a senhora pagar por todos esses anos de rejeição. Eu nunca existi, tudo sempre foi em função da Isabela, depois vieram os outros dois e foi aí que fui apagada de vez. Eu vou ficar com o que mais lhe importa nessa vida, a sua empresa. Você vai ver!

Música da cena: Agora Só Falta Você – Sky e Anne Jezini

INGRID: Você vai se arrepender por cada palavra que me disse essa noite, principalmente quando eu ficar com a sua empresa, mamãezinha.

Cena 03 – Casa de Rosana e Francisco [Interna/Manhã]

ALGUNS DIAS DEPOIS...

(Maria Eduarda e Marcela chegam em casa após a missa em memória aos sete primeiros dias após o falecimento de Rosana e Francisco).

MARCELA: (Senta no sofá) E então, você já sabe o que irá fazer da vida agora?
MARIA EDUARDA: Ainda não. Não sei se quero continuar nessa casa depois de tudo o que aconteceu, tudo me faz lembrar aos meus pais, ainda não consigo me conformar como tudo aconteceu, sabe?
MARCELA: Eu sei, eu também me senti tão desorientada quando a minha mãe morreu. A minha sorte foi o Tio Francisco e vocês por terem me acolhido.
MARIA EDUARDA: (Pega na mão de Marcela) Somos uma família e agora você está retribuindo tudo o que eles fizeram por você. Eu não gosto nem de imaginar como teria sido enfrentar tudo isso sozinha, prima. Bom, agora eu vou tentar ocupar a minha cabeça de alguma forma... (Levanta-se de uma poltrona onde estava sentada).
MARCELA: O que vai fazer?
MARIA EDUARDA: Vou organizar algumas coisas deles, ver algumas roupas para doação e organizar documentos. Precisamos seguir em frente, não é?

(Maria Eduarda vai até o quarto que era dos mais, por alguns instantes pensa em chorar, porém consegue controlar as emoções. Abre as cortinas, de modo que a luz do sol ilumina todo o ambiente. Com o quarto sendo arejado, Maria Eduarda percorre todo o quarto com o olhar, de modo como se estivesse perguntando para si mesmo por onde começaria, resolveu então pelo armário).

MARIA EDUARDA: (Abre a porta dos armários e começa a retirar coisas, até encontrar uma caixa de papel, com fita. A caixa tinha aparência antiga e cheirava a mofo, porém para saber o que continha em seu interior, teria que abri-la) Vejamos o que tem aqui... (Maria Eduarda começa a folhear os recortes que estavam dentro da caixa).

(Marcela corta alguns legumes que irá utilizar no preparo do almoço, eis que um grito estarrecedor interromper sua cantoria, é Maria Eduarda. Marcela então joga a faca em cima da tábua de cortar e corre desesperada em direção ao quarto de Rosana e Francisco).

MARCELA: O que aconteceu? Por que gritou?
MARIA EDUARDA: (Ainda chocada com o que acabara de ler e estende a mão para entregar um jornal antigo a prima) Leia isso!
MARCELA: (Pega o jornal e começa a ler) Sim, conta a história de uma criança desaparecida há mais de vinte anos, não estou entendendo...
MARIA EDUARDA: Olhe a data que essa criança supostamente desapareceu...
MARCELA: (Procura a informação com os olhos rapidamente) 27 de julho de 1993...
MARIA EDUARDA: (Interrompe a prima) É a data do meu aniversário. Porque minha mãe tem esses recortes? Porque ela guardaria? Será que eu sou essa criança desaparecida? E se eu for a menina do jornal que desapareceu há mais de vinte anos? Eu posso ser Isabela Germai!

** ABERTURA / VINHETA **

Cena 04 – Casa de Rosana e Francisco [Interna/Manhã]

(Marcela permanece avaliando todos os recortes e arquivos que Rosana colecionou durante anos em sua caixa)

MARCELA: São apenas recortes de jornais e revistas antigos, Maria Eduarda. Isso não quer dizer muita coisa...
MARIA EDUARDA: Você não está entendendo Marcela, agora muita coisa começou a maquinar na minha cabeça. Minha mãe sempre me falou muito pouco sobre a época da gravidez, principalmente do meu nascimento. É muita coincidência que isso tenha acontecido justamente no dia do meu aniversário. Porque a minha mãe guardaria uma caixa cheia de tanto recorte, se não tivesse uma ligação direta?
MARCELA: Sei lá, as pessoas tem manias estranhas. Essa pode ser apenas mais uma delas.
MARIA EDUARDA: A história, Marcela. Lembra daquele dia que os meus pais estavam estranhos, dizendo que eu não podia saber de uma certa história?

Flashback da cena em que Maria Eduarda flagra uma conversa dos pais na cozinha, onde ouve que não pode descobrir a verdade sobre determinada história.


MARCELA: Não sei, eu ainda não consigo ver ligação nessa história. Acho que deveria jogar essa caixa velha no lixo...
MARIA EDUARDA: (Observa fixamente a manchete de jornal relatando o desaparecimento de uma menina após um acidente na estrada).

Cena 05 – Praça da Sé [Externa/Manhã]
(Pérola fotografa as pessoas transitando pela praça, enquanto aguarda Antônio chegar para almoçar com ela).

Música da cena: Inspiração – Liah Soares

PÉROLA: (Se aproxima de uma mulher amamentando no banco da praça) Oi, a senhora se incomodaria se eu fizesse umas fotos suas, com a sua filha? Não precisa fazer nada, somente continuar desse jeito que está.

(A mulher consente com a cabeça e Pérola começa a fotografá-la).

PÉROLA: Obrigada! (Pérola se afasta da mulher após fazer algumas fotos e continua andando pela praça fotografando).

(Antônio anda pela praça apressado após avistar a irmã até chegar próximo dele).

ANTÔNIO: Atrapalho?
PÉROLA: Você não atrapalha nunca, irmãozinho. (Pérola abraça o irmão).
ANTÔNIO: Vamos almoçar? Eu conheço um restaurante ótimo, pertinho daqui. Só tenho uma hora, tenho que voltar para o hospital ainda.
PÉROLA: O papai tá tirando seu couro lá no hospital né?
ANTÔNIO: Sim. Quem pensou que ser filho do diretor me traria algum tipo de beneficio se enganou redondamente, porque o papai não dá moleza, evita até me olhar nos olhos, acredita?
PÉROLA: Coisas do Doutor Alfredo. Bem, vamos lá? (Pérola guarda a câmera na bolsa).
ANTÔNIO: Agora mesmo, sem perder tempo.

(Antônio e Pérola andam rumo ao restaurante para almoçar).

Cena 06 – Paradise Models (Sala de Reunião) [Interna/Tarde]
Música da cena: Agora Só Falta Você – Sky, Anne Jezini.

(Malu, Renata e todos os membros do conselho, assistem a apresentação de René, o vice-presidente da Paradise Models).

RENÉ: Para concluir, sem mais delongas senhoras e senhores, como podem acompanhar de acordo com os gráficos que estão em mãos, o contrato com as três revistas, assinados no mês anterior apresentaram um crescimento significativo nos lucros da agência, mais um acerto da Malu.
MALU: Sem dúvidas, fechar contrato principalmente com a Cláudia e Marie Claire fizeram uma grande diferença, a parceria tem tudo para dar certo. Eu gostaria de uma análise mais detalhado do balanço de entrada e saída financeira do mês passado, também gostaria de um relatório sobre a contratação das novas modelos na minha sala. Bom, os senhores estão liberados.

(Os membros do conselho pouco a pouco saem da sala, restando apenas Malu, Renata e René).

RENÉ: Então Malu, você conseguiu entender sobre a parte que me referir sobre o contrato?
MALU: Sim, afinal fui mesma que corri atrás desse contrato com a revista, fiz todas as negociações e fechei. Se existe alguém que está por dentro desse contrato, esse alguém sou eu.
RENÉ: Eu sei, eu quis dizer...
MALU: René se você me permite, gostaria que nos desse licença. Eu e Renata teremos uma conferência com os americanos sobre um catálogo de moda que iremos fazer.
RENÉ: (Recolhe alguns papéis da mesa) Claro, se precisar de mim, estou na minha sala.

(René sai da sala de reunião)

RENATA: É impressionante, o quanto o René não perde a chance de jogar charme pra você.
MALU: Ele pode cansar, sentado, porque em pé vai cansar. Eu sou uma mulher bem casada e com outros propósitos, bem mais interessantes de que flertar com um homem mais novo que eu.

(René caminha em direção a sua sala, enquanto Simone, a secretária corre em sua direção, tentando lhe dar uma informação).

RENÉ: Simone, dá pra você parar de correr atrás de mim? Por um acaso você me ouviu te chamar, inseto?
SIMONE: Mas Senhor René, acontece que...
RENÉ: (Interrompe Simone) Acontece que eu estou estressado, mal humorado e que se você não sumir da minha frente, eu vou te jogar por essa janela e você vai viajar do décimo andar ao térreo em segundos. Vai embora agora, ou prefere voar?
SIMONE: Mas Senhor, é para lhe avisar que...
RENÉ: Se eu quisesse receber seus avisos, eu mesmo solicitava. Simone, não perca tempo. Já não basta o excesso de pausas com café que você gasta, agora vai tomar o meu tempo me importunando?
SIMONE: (Permanece em silêncio).
RENÉ: Foi o que eu pensei. Vou entrar na minha sala agora e não quero ser interrompido com a sua carinha de sonsa sem motivos, entendeu? Agora pode ir, vai! (René entra em sua sala e fecha a porta).

Música da cena: Apaga A Luz – Gloria Groove

(A cadeira de René está virada ao contrário. Lentamente ela começa a girar, revelando que Ingrid está sentada nela).

INGRID: Oi bebê, sentiu minha falta? (Ingrid seduz René).
RENÉ: (Se aproxima de sua mesa) Você voltou. Soube hoje cedo pela sua mãe...
INGRID: Senti a sua falta, nenhum homem é como você.
RENÉ: Vadia! Você acha que eu não sei que você deve ter pego metade da Espanha?(René joga Ingrid em cima de sua mesa e tira sua roupa).
INGRID: Cachorro! Tava morrendo de saudade dessa pegada. (Ingrid e René se beijam e fazem sexo em cima da mesa).

Cena 07 – Restaurante [Interna/Tarde]

(Antônio e Pérola almoçam juntos).

PÉROLA: Como anda essa sua vidinha de estagiário?
ANTÔNIO: Corrida, tem dia que não para de chegar pacientes. Ossos quebrados, lacerações, múltiplas fraturas, bebês nascendo dentro da ambulância...
PÉROLA: Credo, já chega, eu estou comendo.
ANTÔNIO: Ué, foi você quem perguntou.
PÉROLA: Prefiro falar de outras coisas, do tipo, sua vida amorosa...
ANTÔNIO: Que vida amorosa, Pérola? Eu nem tenho uma.

(Os dois caem na risada)

PÉROLA: Mudando de assunto, você viu como a Ingrid agiu ontem? Pareceu obcecada, me assustou um pouco esse fato de querer trabalhar na empresa, pareceu querer tomar o lugar da mamãe.
ANTÔNIO: Acho louvável ela querer mudar de ramo, é natural. Ela se tornou modelo muito cedo, não acho que ela esteja querendo roubar o lugar da mamãe.
PÉROLA: Não sei, vi algo no jeito, no olhar dela... Me deu medo!
ANTÔNIO: Que bobagem, Pérola! Come logo, se não vai esfriar e eu tenho que voltar para o hospital.

Cena 08 – Hospital Paulo Toledo [Interna/Tarde]

(Alfredo caminha pelo hospital, enquanto instrui alguns funcionários).

ALFREDO: Enfermeira, eu preciso que você monitore a pressão arterial desse paciente a cada uma hora, em caso de alterações, você poderá entrar com essa medição que estou deixando prescrita aqui e se ainda assim, a pressão não normalizar, você me chama que eu venho dar uma olhada. (Alfredo fala com a enfermeira, enquanto faz anotações no prontuário).
ENFERMEIRA: Certo Doutor, pode deixar.

(A enfermeira volta a entrar no quarto do paciente para monitorá-lo, enquanto Alfredo volta a caminhar pelos corredores do hospital).

MIGUEL: Doutor? (Chama por Alfredo que está de costas).
ALFREDO: (Se vira) Você? O que está fazendo aqui?
MIGUEL: Nossa, é assim que você demonstra a saudade pelo seu sobrinho?

(Alfredo e Miguel se abraçam)

ALFREDO: Mas o que aconteceu? Você está doente? É a sua mãe?
MIGUEL: Não, eu só vim te visitar mesmo. Vim averiguar uma ocorrência e interrogar uma testemunha, já estava de saída, daí resolvi passar aqui para te cumprimentar. Fora que meu carro deu pau esses dias e está numa oficina aqui perto, estou andando de ônibus acredita? Eles ainda não me deram previsão de finalização do conserto.
ALFREDO: Entendi. Você some hein, rapaz? Nunca mais tive notícias suas.
MIGUEL: Não? A Malu me ligou esses dias.
ALFREDO: Ligou? Ela não me contou.
MIGUEL: Pelo o que entendi, parece que ela está precisando dos meus serviços como investigador.
ALFREDO: Ela não comentou nada, mas até já imagino do que seja.
MIGUEL: Então me conta, ué!
ALFREDO: Primeiro vamos tocar um café e colocar a conversa em dia, vamos é por ali.

(Alfredo e Miguel vão até a lanchonete do hospital).

Cena 09 – Casa de Rosana e Francisco [Interna/Noite]

(Marcela acabara de sair do banho e caminha em direção do quarto, quando abre a porta, se depara com uma cena inesperada).

MARCELA: O que significa isso? O que você está fazendo?
MARIA EDUARDA: (Arruma uma mala) O que eu estou fazendo? Estou indo tirar uma história a limpo.
MARCELA: (Marcela pensa por alguns segundos e chega à uma conclusão) Não, se você quer dizer que...
MARIA EDUARDA: Não, eu não quero dizer, eu vou fazer, é bem diferente. Eu estou indo até São Paulo, preciso investigar essa história, tirar esse peso que essa história caiu sobre mim, eu quero saber se eu sou o bebê desaparecido, se eu me chamo Isabela e se aquela é de fato a minha família biológica, se eles forem a minha verdadeira família, eu quero conhecer a minha verdadeira história e nem você, nem ninguém vai me impedir.

(A imagem foca em Maria Eduarda fechando a mala, a cena congela e o capítulo encerra com o som de uma câmera fotografando).
Trilha Sonora Oficial – Destinos Ligados (Spotify): http://twixar.me/Jk21  


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