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Na Boca Do Povo - Capítulo 35


 

Capítulo 35

Cena 01 – Mansão Martins de Andrade [Interna/Noite]

(Betinha sente que Luiza Helena tem algo para contar e continua pressionando-a).

 

BETINHA: Eu vejo nos seus olhos que você quer me contar algo mas não faz. O que está acontecendo? Porque você não se abre comigo?

LUIZA HELENA: É uma coisa muito complicada para despejar assim em cima de você... (Responde).

BETINHA: O que é tão complicado? Fale de uma vez, se abra!

(Evandro sobe a escada e caminha pelo corredor da mansão quando ouve vozes vindo do quarto de Luiza Helena).

EVANDRO: (Para próximo a porta e começa a ouvir tudo).

BETINHA: Espera, o Rafael está me mandando mensagem... (Começa a ler as mensagens e muda a expressão).

LUIZA HELENA: O que foi? Algum problema? De repente você mudou de expressão.

BETINHA: O Rafael está me contato que o Durant foi atropelado hoje cedo.

LUIZA HELENA: Atropelado? Como atropelado? Como ele está? Ele está vivo? (Questiona nervosa).

BETINHA: Ele está bem, por sorte foi só um susto e ele não se machucou. O Rafa disse que foi de repente. Do nada o carro apareceu e foi pra cima ela, mas por sorte ele está seguro e fora de perigo.

LUIZA HELENA: Meu Deus, foi dele! (Sussurra).

BETINHA: O que foi que você disse? (Questiona após não entender o que Luiza Helena havia dito).

EVANDRO: Eu aposto que ela quis dizer que não se pode mais viver seguro nessa cidade. As ruas estão cada vez mais perigosas! Não foi isso, meu bem? (Diz ao entrar no quarto e se aproximar de Luiza Helena).

LUIZA HELENA: Foi sim! (Responde concordando com Evandro sem ter outra alternativa).

BETINHA: Engraçado, você sempre dá um jeito de se fazer presente, até parece que anda ouvindo as conversas.

EVANDRO: Você está insinuando que eu ando espionando a vida alheia?

BETINHA: Se a carapuça lhe serve, eu não tenho nada a ver com isso. Então me responda, você estava ouvindo atrás da porta? (Questiona).

EVANDRO: Claro que não, que ideia! Eu não entendo porque você fica sempre na defensiva comigo, eu apenas estou tentando me aproximar de você. Seremos uma família!

BETINHA: Como você está sendo sincero, eu também me sinto no direito de ser, então se depender de mim, você não será e em breve você estará fora de nossas vidas.

EVANDRO: Temo que você irá se decepcionar, pois isso não vai acontecer.

BETINHA: É o que veremos. Agora eu vou arejar minha cabeça, o ar está muito pesado nesse quarto. Com licença! (Sai do quarto).

EVANDRO: A quem essa menina puxou tão petulante? Ao pai? Aquele pintor falido?

LUIZA HELENA: Ela apenas te disse na cara o que todos pensam de você. Você é asqueroso, Evandro. Eu tenho nojo de você!

EVANDRO: (Segura o queixo de Luiza Helena com força) Pois eu sinto muito, você será obrigada a engolir o seu nojo e me aturar, porque eu não pretendo sair da sua vida. Fui claro? (Empurra a cabeça de Luiza Helena).

LUIZA HELENA: Foi você, não foi?

EVANDRO: Eu o que?

LUIZA HELENA: Foi você quem tentou atropelar o Durant! (Afirma).

 

Cena 02 – Chesca’s, Restaurante Italiano [Interna/Noite]

(Sentados em uma mesa no jardim de inverno do restaurante, Lola/Amara aproveitava para contar as novidades a Enrico).

 

ENRICO: Isso é maravilhoso, merece um brinde! (Ergue o copo de suco).

LOLA/AMARA: (Também ergue o seu copo e brinda com Enrico) Vou brindar para não fazer desfeita, mas não é nada demais. Além disso, ninguém pode garantir que vai fazer sucesso gravar um CD agora, depois de tantos anos.

ENRICO: Eu tenho certeza de que será um sucesso e que Amara Ferraz voltará as paradas de sucesso.

LOLA/AMARA: Eu só estou fazendo isso por você. É uma forma singela de retribuir tudo o que vocês fizeram por mim nos últimos meses. Se não fosse o acolhimento de vocês e o incentivo de buscar ajuda, talvez eu ainda continuasse nas ruas.

ENRICO: Mas não está mais e agora vai dar uma guinada em sua vida e todos assistiremos orgulhosos.

LOLA/AMARA: Enrico, agora mudando de assunto. Sua mãe me contou o que aconteceu e que você desapareceu sem dizer a ninguém. Porque você não comentou conosco sobre os seus planos?

ENRICO: Porque eu ainda estava amadurecendo as minhas ideias, mas agora eu tenho certeza de que eu quero fazer justiça. Por mim e por todas as vidas que foram ceifadas de alguma forma.

LOLA/AMARA: É muito nobre você pensar assim, mas sei lá... A forma como o seu olhar fica frio quando você diz isso me assusta. Não deixe isso te impedir de seguir em frente!

ENRICO: Não se preocupe, eu sei conciliar bem as coisas. Agora falando em seguir em frente, eu só não sei como começar a fazer isso. Não sei se quero voltar para a faculdade...

LOLA/AMARA: Ah, mas você quer sim. Você sabe quantos jovens gostariam de ter a oportunidade de estudar como você? Eu tenho uma ideia para que você se inspire a seguir em frente e ainda auxilie pessoas como você a desenvolverem seus próprios talentos.

ENRICO: Sabe? E eu posso saber como? (Pergunta curioso).

LOLA/AMARA: Surpresa, logo, logo você descobre! (Responde em tom de mistério).

ENRICO: Ih... Tá misteriosa, hein Dona Amara? (Diz em tom de brincadeira e os dois caem na risada).

 

Cena 03 – Casa de Durant [Interna/Noite]

Música da cena: Um Pôr Do Sol Na Praia - Silva

(Imagens noturnas da cidade de São Paulo são apresentadas e em seguida surge a fachada da casa de Durant).

 

MARIA RITA: Como assim atropelado? (Disse ao jogar a bolsa no sofá e se aproximar de Durant).

DURANT: Tá vendo? Pra que você foi contar para a sua mãe? Sabe como ela é escandalosa, sabia que ia fazer essa tempestade num copo d’água. (Fala se referindo a Rafael).

RAFAEL: E o senhor queria que eu fizesse o que? Não tinha como não contar, todo mundo nos conhece na Mooca, ela iria ficar sabendo de um jeito ou de outro.

MARIA RITA: E eu ia ficar sabendo mesmo! Mas você tem que ir até um hospital, fazer alguns exames, um raio-x, sei lá! Vai que quebrou alguma coisa...

DURANT: Quanto exagero, Rita! Eu estou bem, acredite em mim. Foi só um susto!

RAFAEL: Um susto que poderia ter acabado com a sua vida. Uma pena que não deu para ver a cara do sujeito e nem anotar a placa. Foi tudo tão rápido, que eu só me preocupei em te socorrer.

DURANT: Eu sou imensamente grato por ter vocês como pessoas próximas e da minha família, fico muito feliz por todo esse carinho... Mas eu adoraria que mais alguém estivesse aqui!

MARIA RITA: (Senta no sofá) Não se comenta outra coisa na revista a não ser Luiza Helena e Evandro Britto. Agora é muito estranho, ela sempre me pareceu tão íntegra, tão cheia de moral, não entendo como foi fazer esse absurdo com você e resolver se unir a ele desse jeito, assim, da noite para o dia.

DURANT: É o dinheiro mudando a cabeça das pessoas, apenas isso.

MARIA RITA: Não, eu sinceramente não acho que seja isso. Só não consigo entender o que une os dois!

RAFAEL: Eu concordo com a minha mãe, tio. O senhor está com o orgulho ferido e isso está te fazendo ver menos do que deveria. A Luiza Helena ama você e isso está mais que claro.

DURANT: Se amasse, estaria aqui agora! Agora vamos mudar de assunto? Eu não quero continuar falando sobre isso.

MARIA RITA: Calma! Não está mais aqui quem falou. Vou colocar a mesa para jantarmos! (Levanta e deixa Durant sentado sozinho no sofá).

RAFAEL: Eu vou junto, o clima aqui ficou super barra pesada. (Segue a mãe).

DURANT: Vai, vai... (Diz gesticulando com as mãos enquanto murmura).

 

Cena 04 – Mansão Martins de Andrade [Interna/Noite]

(Após ficarem sozinhos no quarto, Luiza Helena continuava cobrando explicações de Evandro).

 

EVANDRO: Você está insinuando que eu tentei acabar com a raça do pintorzinho?

LUIZA HELENA: Insinuando? Não, eu tenho certeza. Você ameaçou fazer e cumpriu a ameaça. Não volte a chegar perto dele, entendeu?

EVANDRO: Você está certa! Fui eu sim e para te mostrar que eu sou capaz de muito mais, que eu posso acabar com você, o pintor a bastarda de vocês de uma só vez. Não me desafie, Luiza Helena... Eu não estou brincando, entendeu? Da próxima vez eu mando passarem por cima dele e não vai sobrar uma gota de tinta para contar história. Será que você conseguiu entender agora?

LUIZA HELENA: (Chora enquanto encara Evandro) Está bem, eu faço tudo o que você quiser, eu colaboro, mas não faça nada contra o Durant e nem a minha filha, por favor.

EVANDRO: Isso! Agora você começou a falar minha língua. Eu não quero machucar ninguém, mas como você vai colaborar, tudo vai dar certo e todo mundo vai ficar são e salvo, você vai ver meu amor.

LUIZA HELENA: Eu nunca serei o seu amor, você é incapaz de saber o que é isso. Com licença! (Sai do quarto e deixa Evandro sozinho).

EVANDRO: Pode chorar, espernear... Logo, logo você será minha. É questão de tempo, você vai ver! (Comenta em voz alta enquanto se vê refletido no espelho da penteadeira).

 

Cena 05 – Na Boca Do Povo, Redação [Interna/Manhã]

Música da cena: Flores No Jardim - Llari

(Fernanda caminhava pela produção da revista enquanto instruía colaboradores e checava a produção da próxima edição).

 

FERNANDA: Seu Joel, assim que a revista estiver finalizada, o senhor leva na minha sala? Eu quero checar cada centímetro de novo.

JOEL: Eu sei sim, a senhorita é perfeccionista igual o seu tio. Ele gostava de verificar tudo antes de sair para a distribuição.

FERNANDA: É bem isso, o meu tio faz muita falta! (Diz Fernanda ao funcionário da produção. Ao olhar para o mezanino, nota a presença de Betinha através da vidraça. Betinha gesticula dizendo que quer falar com ela).

(Alguns instantes depois, Betinha e Fernanda surgem juntas na sala de reuniões).

FERNANDA: Bom, você disse que queria conversar comigo a sós, aqui estamos! (Diz sentada de frente para Betinha).

BETINHA: (Tenta conter o nervosismo) Eu nem sei como começar a te falar o que me fez vir até aqui...

FERNANDA: Eu acho que nem precisa dizer muito. Eu consigo ver nos seus olhos o que te trouxe até aqui, é sobre a minha gravidez, não é?

BETINHA: Exatamente! Eu sei que não começamos bem e que você no fundo não gosta de mim, mas eu vim aqui de peito aberto e de mulher para mulher. Eu não consigo dizer que consigo entender o que você está vivendo, pois só quem vive sabe, mas eu não gostaria de que o seu filho crescesse longe do pai, eu cresci sem o amor da minha mãe e não quero que o seu filho passe pelo o mesmo, isso não é justo...

FERNANDA: (Interrompe Betinha) Para, para, para, para! Pode parar, Betinha. Eu acho que já entendi o que você quer fazer e sinceramente, eu não quero que faça isso. Você quer abrir mão do Rafael e acha justo abandonar ele nesse momento tão conturbado? Querer que ele se torne presente, não quer dizer que eu quero que ele volte para mim sem amor. Isso não é justo com nenhum de nós, dá pra ver o quanto ele gosta de você e o quanto você faz bem para ele. Hoje, eu vejo a vida com outros olhos, é estranho pensar assim, mas parece que desde que eu descobrir estar grávida, passei a ser outra pessoa e eu desejo profundamente que vocês sejam felizes. (Estende as mãos para Betinha).

BETINHA: (Segura as mãos de Fernanda) Você é realmente tudo e mais um pouco sobre o que sempre falaram. Você é incrível e uma grande mulher!

FERNANDA: Você também! Eu sempre quis ser tão decidida como você é, talvez isso tivesse me evitado tanta coisa na vida...

BETINHA: (Sorri) Vai soar esquisito, mas já que você resolveu se abrir, eu vou fazer o mesmo. Eu espero que um dia, não tão distante, que um dia possamos nos tornar amigas. Tenha certeza de que eu irei mimar muito o seu bebê!

FERNANDA: (Também sorri) Eu não vou dizer que não, pois sinto que estou mudando. Vamos nos permitir aos poucos e quem sabe a amizade não flui. Agora vá atrás do seu amor e não desista dele, faça isso por todos nós.

BETINHA: (Abraça Fernanda) Pode deixar! Conte comigo para o que precisar. (Deixa a sala de reuniões e vai embora).

FERNANDA: É bebê, não é que me libertar dessa história me deixou mais leve? (Fala consigo mesma olhando para a barriga).

 

Cena 06 – Delegacia [Interna/Manhã]

Música da cena: Sampa – Caetano Veloso

(A fachada da delegacia surge movimentada com a presença de viaturas e policiais. No interior da repartição, a delegada lia alguns inquéritos quando foi surpreendida pelo inspetor que entrara em sua sala completamente eufórico).

 

INSPETOR ERIBERTO: Doutora, doutora... Você não sabe o que eu consegui captar! (Diz ao invadir a sala com alguns papeis nas mãos).

DELEGADA RAQUEL: Você quase me matou do coração... O que aconteceu?

INSPETOR ERIBERTO: Eu consegui captar imagens de segurança de algumas avenidas após o viaduto Presidente Jânio Quadros e sabe quem aparece nas imagens?

DELEGADA RAQUEL: (Segura as fotografias impressas em papel A4) O motoqueiro atirador! (Diz ao ver fotos de Caruso na moto, mas de capacete).

INSPETOR ERIBERTO: Mesmo de capacete, agora temos uma nova pista sobre ele.

DELEGADA RAQUEL: Eu não sou mulher de desistir fácil do que quero, isso aqui é só a pontinha do novelo e eu só sossego depois de desenrolar cada pedaço dessa linha. Pode apostar! (Diz olhando fixamente para as fotos espalhadas em cima de sua mesa).

 


 

Cena 07 – Na Boca Do Povo, Redação [Externa/Tarde]

(O carro de Ângelo se aproxima da entrada da garagem do prédio na revista).

 

ÂNGELO: Boa tarde, tudo bem? (Diz ao baixar o vidro do carro e reduzir a velocidade para cumprimentar o porteiro).

(De longe e por trás de alguns arbustos no estacionamento, Laís observava Ângelo).

LAÍS: É ele! Eu tenho certeza que é... O advogado que a Suzana falou, Ângelo Vasconcelos. Como eu faço para me aproximar sem dar na vista? (Pensa em voz alta).

 

Cena 08 – Casa 1 [Interna/Tarde]

(Lola/Amara empurrava a cadeira de rodas de Enrico, que mal conseguia se conter).

 

ENRICO: Fala! Quando é que você vai me dizer para onde está me levando? Eu estou curioso.

LOLA/AMARA: Calma, não precisa sofrer mais. Chegamos! (Diz ao parar de empurrar a cadeira).

ENRICO: Casa 1, que lugar é esse? (Questiona após ler a placa na fachada).

LOLA/AMARA: Vamos entrar e você já vai descobrir. (Responde).

(No interior do lugar).

VOLUNTÁRIO: A casa um é um centro de acolhimento e apoio. Abraçamos a comunidade LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade, seja da rua ou que muitas vezes foram expulsos das próprias casas. Aqui, eles podem ficar durante uma temporada até se restabelecer ou até mesmo vir apenas durante o dia. Temos voluntários em vários âmbitos profissionais, isso faz com que gere novas perspectivas de vida, além de desenvolver novos talentos. (Explica enquanto caminham pelos corredores da casa).

ENRICO: Eu amei! Como nunca tinha vindo aqui antes?

LOLA/AMARA: Sabia que você ia gostar do lugar.

VOLUNTÁRIO: Apesar do nosso movimento ser em prol da sociedade, vivemos de doações e as vezes passamos por momentos bem tensos. Felizmente, nosso projeto está correndo todo país e cada vez mais abraça novos membros. A sua amiga disse que você tem muitos talentos e isso pode ser útil para nossos jovens.

ENRICO: Eu estou quase me formando em design de modas, acho que posso contribuir de alguma forma. Acho que alguns Workshops de desenho e customizações de roupas usadas.

VOLUNTÁRIO: Sem dúvidas, isso seria ótimo! Aqui temos oficinas de artes, de música, aulas de idiomas, como essa daqui, é aula de inglês. (Diz ao abrir a porta e acenar para o professor se aproximar).

PROFESSOR THIAGO: Chamou? (diz ao sair da sala de aula).

VOLUNTÁRIO: Esse daqui é o Professor Thiago! Ele dá aulas de inglês gratuitamente em dias alternados da semana e está formando alunxs para o mercado de trabalho.

LOLA/AMARA: Nossa, tão jovem e tão humano. Isso é lindo!

PROFESSOR THIAGO: (Olha para Enrico).

VOLUNTÁRIO: Bom, esses são Enrico e sua amiga Amara.

PROFESSOR THIAGO: Muito prazer em te conhecer! (Estende a mão para Enrico).

ENRICO: (Olha para Thiago e aperta sua mão) O prazer é todo meu. Eu gostei muito da ideia de dar aulas para formar profissionais para o mercado de trabalho, espero poder contribuir também e de forma tão benéfica.

PROFESSOR THIAGO: Eu tenho certeza de que irá. (Responde ainda segurando a mão de Enrico).

LOLA/AMARA: (Olha para as mãos dos dois que continuam juntas e nota algo diferente).

 

Cena 09 – Na Boca Do Povo, Redação [Interna/Tarde]

(Ângelo caminhava pelo corredor da revista quando ouviu uma voz sair de uma das salas da redação).

EVANDRO: Chegando essa hora, advogadozinho? Está ficando muito folgado, não merece receber o salário completo no final do mês.

ÂNGELO: Não que eu lhe deva satisfações, mas só para constar eu estava tratando de algumas questões jurídicas da empresa. E desde quando você decide quem recebe ou não um salário aqui dentro? Você não é ninguém.

EVANDRO: Cuidado, você pode cair do cavalo muito em breve e essa queda não será nada agradável, principalmente pela sua petulância.

ÂNGELO: Você diz isso porque? Por conta do seu envolvimento com a Luiza Helena? Escuta, eu vou ser bem claro para que não restem dúvidas. Eu não sei o que foi que você fez para se aproximar dela, mas com certeza foi algo sujo, porque eu te conheço de outros carnavais. Não se atreva a fazer mal a ela, entendeu? Porque se você fizer...

EVANDRO: Você vai fazer o que? Vai me bater? (Diz ao interromper Ângelo).

ÂNGELO: Eu acabo com você e pode ficar ciente, eu vou descobrir o que você anda aprontando, um a um dos seus podres e vou te escorraçar dessa revista. Não sabe o quanto irá me satisfazer te ver atrás das grades. Agora se você me permite, eu sim tenho mais o que fazer e vou trabalhar. Com licença! (Deixa Evandro sozinho).

EVANDRO: Quem ri por último, ri melhor e você não sabe o que te aguarda. Ah, meu querido Ângelo... O seu destino não te reserva surpresas nada boas. Nada, nada! (Fala sozinho).

 

Cena 10 – Apartamento de Glória [Interna/Tarde]

Música da cena: Gloriosa – Glória Groove

(Com duas rodelas de pepino nos olhos, Glória tentava improvisar uma máscara facial de beleza e reproduzir um SPA em sua própria sala de estar).

 

GLÓRIA: Agora sim, finalmente relaxar! (Diz ao se deitar no sofá).

(Pouquíssimo tempo após se deitar, o descanso de Glória é interrompido pelo barulho de uma obra próxima. É notório o som de pessoas quebrando paredes).

GLÓRIA: (Tira as rodelas de pepino dos olhos) Era só o que me faltava! Que inferno é esse agora? Eu mal consigo ouvir meus próprios pensamentos. (Resmunga em meio ao caos).

(Alguns minutos depois, aborrecida com tanto barulho, Glória resolve subir para reclamar com o vizinho, porém é surpreendida).

GLÓRIA: (Bate na porta violentamente usando apenas um hobby e máscara facial).

PEDREIRO: (Abre a porta) Posso ajudar?

GLÓRIA: Pode, fazendo menos... (Glória perde o rumo quando avista de longe Judith e o Sheik conversando com dois arquitetos sobre a obra).

JUDITH: Pode deixar, eu mesmo atendo essa daí! (Diz ao se aproximar e orientar que o pedreiro volte ao trabalho).

GLÓRIA: E agora? O que você está fazendo? Resolveu me infernizar essa hora?

JUDITH: Te infernizar? Eu? Tenho mais o que fazer, querida. O meu habib comprou esse prédio, esqueceu? Ele só quer me agradar. Vou derrubar todas as paredes desse andar, ao invés de 6 apartamentos, transformarei em apenas um, o meu. Eu vou ser a sua vizinha de cima, não é o máximo? (Ironiza).

GLÓRIA: (Choca-se com a informação) Você vai morar aqui?

JUDITH: Vou! Agora se você me permite, eu preciso continuar conversando com os arquitetos, eu tenho muita coisa para opinar e escolher. Quero deixar a casa do meu jeitinho! Sabe como é, né?

GLÓRIA: Sei sim! (Responde sem graça).

JUDITH: Bom, então se você me dá licença... E ah, Glória! Eu já ia me esquecendo. Da próxima vez que resolver subir para incomodar, tire essa máscara horrível. Está parecendo um extraterrestre, sua estrupício! (Bate a porta na cara de Glória).

GLÓRIA: (Do lado de fora do apartamento, vira-se de costa e pensa em voz alta) É o apocalipse!

 

Cena 11 – Casa de Durant [Interna/Noite]

Música da cena: Fogo – Karin Hils

(Imagens externas mostram o anoitecer na cidade. As luzes dos grandes edifícios são apresentadas de um ângulo aéreo. Em seguida, surgem imagens do bairro da Mooca e a fachada da casa de Durant. No interior do imóvel, Rafael e Betinha se beijavam apaixonados enquanto Durant colocava a mesa para o jantar).

 

DURANT: (Observa os dois se beijando) Gente, eu estou aqui. Menos!

RAFAEL: (Para de beijar Betinha e sorri da situação).

BETINHA: Desculpa Durant, nem vimos que você tinha voltado da cozinha. (Responde sem graça).

RAFAEL: Que sem graça, tio! Até parece pai dela.

DURANT: Se ela fosse minha filha e eu flagrasse vocês se beijando assim, eu te esganaria sem dúvidas. (Responde enquanto arruma os pratos).

(Nesse momento, Maria Rita e Marcelo entram em casa carregando algumas sacolas).

MARIA RITA: Boa noite família, o jantar chegou! (Diz ao erguer as sacolas).

RAFAEL: Oba, que bom.

BETINHA: Eu estou varada de fome! (Responde).

RAFAEL: O que foi que você trouxe, mãe?

MARIA RITA: Hoje seremos cobaias, trouxe uma invenção do Marcelo na cozinha. Arroz com castanhas e outras especiarias!

MARCELO: Eu espero que gostem.

BETINHA: Ah, que pena...

RAFAEL: Que foi amor? (Questiona).

BETINHA: Eu sou alérgica a castanhas, não vou poder comer. Uma vez tive uma crise alérgica e quase morri sem conseguir respirar.

DURANT: (Estranha o comentário de Betinha e olha para ela).

MARIA RITA: Ué, que coincidência! Nunca achei que fosse encontrar outra pessoa no universo alérgica a castanhas além do Durant. Até avisei a ele que iria trazer esse prato, daí ele me disse que iria improvisar um plano B. Engraçado, né? Eu vou pegar o macarrão improvisado que o Durant certamente fez na cozinha e já jantamos. (Diz ao deixar as marmitas em cima da mesa e ir até a cozinha).

RAFAEL: Olha só, já não vai mais passar fome. (Responde olhando para Betinha).

BETINHA: Graças a Deus! (Ergue as mãos para o alto).

DURANT: Está bem, ficamos te esperando! (Sem que Betinha perceba, Durant volta a olhar para ela com um olhar estranho após o comentário da moça).

 

Cena 12 – Na Boca do Povo [Externa/Noite]

(Após encerrar o expediente, Ângelo deixa a revista em seu carro).

 

ÂNGELO: Boa noite gente, bom descanso e até amanhã! (Despede-se dos funcionários da segurança enquanto dirige seu carro).

(Do outro lado da rua, um táxi estava estacionado).

LAÍS: (Avista o carro de Ângelo pela rua) É ele... Moço, siga aquele carro! (Orienta o motorista a seguir o carro de Ângelo).

TAXISTA: Sim senhora! (Diz após ligar o carro).

(Sem perceber que estava sendo seguido, Ângelo percorria grandes avenidas, como a Avenida Paulista. Depois de um longo trajeto, seu carro se aproximava da Vila Mariana, bairro onde morava).

 

ÂNGELO: (Para o carro em frente ao prédio onde mora e entrega a chave do carro ao manobrista do edifício) Boa noite meu querido, guarda meu carro com carinho, tá bom? (Brinca com o manobrista para em seguida caminhar em direção ao prédio, quando é surpreendido).

LAÍS: Ângelo? (Diz ao aparecer atrás do advogado no meio da rua).

ÂNGELO: (Vira-se ao ouvir o próprio nome e olha para Laís) Desculpe, eu te conheço? (Questiona).

LAÍS: Não, você não me conhece, mas eu vim em nome de uma amiga e preciso falar com você.

ÂNGELO: E eu posso saber que amiga seria essa?

LAÍS: Pode sim, a minha amiga se chamava Suzana de Castro. Lembra dela?

ÂNGELO: (Impressiona-se ao ouvir o nome da amiga da mulher que ele não conhecia).

 

A imagem foca em Ângelo surpreso olhando para Laís. A cena congela e vira uma capa de revista.


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