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Na Boca Do Povo - Capítulo 43 Especial (Últimas Semanas)

 

 

Capítulo 43 – Especial (últimas semanas)

 

Cena 01 – Casa de Durant [Interna/Noite]

(Sozinhas na sala de casa, Betinha e Fernanda estavam eufóricas diante a possibilidade de conseguir provas definitivas sobre Evandro).

 

BETINHA: Mas você tem certeza de que a barra vai está limpa?

FERNANDA: Absoluta! Eu ouvi muito bem quando ele pediu que a Maria Rita desmarcasse todos os compromissos, pois irá ter uma reunião com um possível investidor. E para melhor isso tudo, a própria Maria Rita pediu uma folga para resolver questões do casamento.

BETINHA: Maravilha! Eu só preciso que você me avise exatamente o momento em que irá ficar sozinha, nada pode dar errado amanhã.

FERNANDA: Não se preocupe, eu também já pensei nisso tudo.

BETINHA: Ótimo! Faremos o seguinte. Eu vou pegar o meu carro e direi que vou sair logo cedo... (Betinha então começa a comentar como ela e Fernanda prosseguirão para entrar na sala de Evandro sem que ninguém descubra).

FERNANDA: (Ouve atentamente e também dá seus palpites).

 

Cena 02 – Mansão Martins de Andrade [Interna/Noite]

Música da cena: O Ar Que Eu Respiro - Dienis

(A fachada da mansão é apresentada logo em seguida. Os seguranças percorrem a propriedade averiguando e garantindo a segurança do local. No interior da propriedade, Eva observava Luiza Helena no banheiro de seu quarto).

 

LUIZA HELENA: (Inclinada na pia do banheiro, Luiza Helena cuidou em lavar o rosto e molhar a nuca para tentar amenizar o mal estar).

EVA: Melhorou? (Perguntou enquanto observava).

LUIZA HELENA: (Seca o rosto com uma toalha) Está passando! De repente me veio um enjoo tão forte, fazia tempo que não me sentia tão mal. Na verdade desde quando fiquei... (Fica calada de repente).

EVA: Desde de quando?

LUIZA HELENA: Desde que fiquei grávida da Betinha!

EVA: Escuta, Luiza. Não me leve a mal, mas eu preciso te fazer essa pergunta. Existe a possibilidade de você estar grávida, de novo?

LUIZA HELENA: Eu? Grávida de novo? (Repete se encarando diante o espelho).

 

Cena 03 – Ruas de São Paulo [Externa/Noite]

Música da cena: Me Leva – Alice Caymmi

(As ruas do centro de São Paulo continuavam movimentadas, mesmo como o estender da hora. Caruso havia voltado a agenciar garotas de programa).

 

CARUSO: Bora anda depressa. Você precisa faturar, filha! (Grita com uma das garotas de programa).

ISABELLE TSUNAMI: Eu já estou indo, não precisa gritar. (Diz enquanto caminha em direção a esquina).

(Um carro estaciona na esquina e buzina insistentemente).

CARUSO: (Reconhece o veículo e seu condutor. Em seguida se direciona até o automóvel, abre a porta do lado do passageiro e entra no carro) Boa noite! A que devo a honra da sua visita no meu local de trabalho?

EVANDRO: Sinceramente não entendo como você pode chamar isso de local de trabalho! (Ironiza com as duas mãos no volante).

CARUSO: Pra você ter se dado ao trabalho de vir aqui, imagino que seja urgente. O que aconteceu?

EVANDRO: Tem uma pedra no meu sapato, eu preciso me livrar dela o quanto antes.

CARUSO: De quem estamos falando?

EVANDRO: (Desbloqueia o celular e mostra uma foto de Betinha) Dessa fedelha metida a investigadora. Não posso correr o risco dela descobrir realmente algo a meu respeito como o advogado do diabo. Preciso que você se livre dela, do mesmo jeito de sempre.

CARUSO: Sem deixar pistas!

EVANDRO: Exatamente! Tem que parecer um acidente comum, nada que ligue a polícia possa ligar a garota a mim. Fui claro? Eu não preciso dizer que se você falhar, quem terá que desaparecer vai ser você, preciso? (Questiona em tom ameaçador).

CARUSO: Não, confie em mim. Eu vou acabar com a garota...

EVANDRO: Acho bom! Fico no aguardo do seu servicinho e assim que fizer, será muito bem recompensado. Agora desce do carro antes de impregnar o meu estofado com esse seu perfume fuleiro. (Ordena).

CARUSO: (Desce do carro e bate com a mão na lateral para que Evandro siga).

ISABELLE TSUNAMI: (Observa de longe desconfiada).

(Evandro acelera o carro e segue em alta velocidade cantando pneu no asfalto).

 

 

Cena 04 – Casa de Durant [Interna/Noite]

(Durant estava completamente empolgado com o que estava diante dos seus olhos).

 

LÍGIA: E então, você gostou? (Questiona enquanto observa o pintor).

DURANT: Se eu gostei? Eu adorei, ficaram lindos. Nem sei como te agradecer o suficiente. Muito obrigado por acreditar em mim, Lígia e por fazer acontecer esse momento. (Responde enquanto segura os convites da sua primeira exposição).

LÍGIA: (Sorri) Não precisa agradecer, nós que estamos lisonjeados em poder divulgar o seu trabalho que é tão bom e promissor. Já estamos preparando o espaço na galeria onde seus quadros serão expostos, vamos preparar uma decoração simples, mas intimista. Com certeza será um grande sucesso!

DURANT: Eu juro que ainda não caiu a ficha de que esse momento que tanto batalhei a vida inteira está acontecendo. Eu já estou com várias telas prontas, prometo não te decepcionar.

LÍGIA: Eu tenho certeza que isso não vai acontecer, Durant. Pelo contrário, eu já imagino o grande sucesso e o duelo para comprar suas obras. Pode apostar comigo, lá estarão presentes grandes colecionadores de obras de arte e compradores de todos os lugares do mundo, vamos vender todos os seus quadros e te tornar conhecido para o mundo tudo!

DURANT: O mundo todo? (Pergunta empolgado).

LÍGIA: O mundo todo! (Conclui).

 

Cena 05 – Casa 1 [Interna/Manhã]

Música da cena: Sampa – Caetano Veloso

(Imagens externas da cidade de São Paulo mostram o dia amanhecendo. Em seguida o Parque do Ibirapuera é apresentado e mostra pessoas fazendo cooper, enquanto outras andam de bicicleta. Grandes avenidas são apresentadas e por fim, surge a fachada da Casa 1).

 

ENRICO: (Olhava para o interior do dormitório enquanto o professor e outro voluntário terminava de medicar a mulher trans que havia sido brutalmente agredida na noite anterior).

PROFESSOR THIAGO: Bom dia! Nem te vi chegar, faz tempo que está aí? (Pergunta ao sair do dormitório).

ENRICO: Não, eu cheguei quase agora. Como ela está?

PROFESSOR THIAGO: Agora está melhorando e com certeza vai ficar bem. Que bom que ela chegou até aqui. Ontem levamos ela até a emergência, ela fez alguns exames e felizmente não quebrou nada. Só lhe restaram o medo e a insegurança, além dos hematomas.

ENRICO: Eu melhor que ninguém posso dizer que sei como ela se sente. Ela comentou o que aconteceu e quem fez isso com ela?

PROFESSOR THIAGO: Não, ela ainda não quis dizer o que aconteceu. Talvez fale no tempo dela, só nos resta esperar.

ENRICO: Será que eu posso tentar? Vai que ela se abre comigo!

PROFESSOR THIAGO: Não vejo problema, por mim tudo bem. (Responde).

(No interior do quarto, Paula estava acamada quando Enrico se aproximou em sua cadeira de rodas).

ENRICO: Oi, seu nome é Paula, não é?

PAULA: (Senta-se na cama assustada) Quem é você?

ENRICO: Calma, não precisa ter medo. Eu me chamo Enrico, sou voluntário aqui da casa e só vim conversar contigo, fique tranquila.

PAULA: Me desculpe, eu ainda estou atordoada depois do que aconteceu. (Diz tocando a cabeça após sentir dor).

ENRICO: Eu super te entendo. Mais até do que você pode imaginar! Eu estou nessa cadeira de rodas após ser brutalmente agredido a covardia num ataque homofóbico. (Explica).

PAULA: (Ouve atentamente as palavras de Enrico).

ENRICO: Não ser aceito por ser quem você é. Porque a sociedade não consegue compreender que não somos assim por escolha, somos assim porque nascemos assim. Foi por isso que fizeram o que fizeram com você, não foi? (Questiona).

PAULA: (Começa a chorar) Foi! Quando eu passei a transicionar, minha família não me aceitou e me expulsou de casa. Eu procurei emprego em todos os lugares, mas ninguém quis me dar uma oportunidade. Então só me sobraram as ruas e comecei a fazer programa nas noites. Comecei a dividir um quarto com outra amiga trans que também era garota de programa. Ontem à noite um cara me abordou e disse que queria fazer um programa. Conversamos e ele aceitou o meu valor, fomos até um local mais reservado e ele começou a me enforcar de surpresa, eu nem conseguia sequer raciocinar. Em seguida lembro de ser jogada no chão e dos chutes e socos. Ele dizia “bicha, viado” e eu só pensava que iria morrer.

ENRICO: (Segura a mão de Paula) Você conseguiria descrever o rosto desse rapaz ou se recorda com exatidão do local onde aconteceu isso?

PAULA: Lembro sim! O local foi nas imediações do bairro Morumbi e ele, eu não consigo descrever com tanta exatidão, mas lembro que ele era muito bonito, alto, forte. Típico homem que engana a sociedade, mas recorre a nós para buscar prazer as escondidas. (Fala conforme vai se lembrando).

ENRICO: Tudo bem, descanse agora! Você precisa ficar bem e se recuperar. Durma um pouco, depois voltarei para saber como você está e para continuarmos a nossa conversa. Pode ser?

PAULA: (Balança a cabeça, confirmando que Enrico pode retornar para vê-la).

(Ao sair do quarto e se afastar de Paula, Enrico por fim para de disfarçar e demonstra o seu pavor).

ENRICO: Meu Deus, é muita coincidência! É tão parecido com o que aconteceu comigo, parece que ela descreveu a mesma pessoa. Eu preciso recordar daquele rosto. Eu preciso lembrar! (Fala consigo mesmo).

 

Cena 06 - Clinica São Lourenço [Interna/Manhã]

(Sozinho, Durant caminhou pela clínica até chegar à ala laboratorial. Em seguida, aproximou-se da recepção).

 

DURANT: Bom dia! Eu vim até aqui buscar os resultados desse exame aqui. (Diz ao entregar o comprovante de solicitação do exame a recepcionista).

RECEPCIONISTA: Bom dia, senhor! Irei verificar, só um momento. (Responde ao recolher o comprovante e acessar seu computador.

DURANT: (Observa a funcionária do laboratório procurar o resultado entre os envelopes numa pasta enquanto sente um calafrio percorrer todo o seu corpo).

RECEPCIONISTA: (Encontra o envelope e o entrega para Durant) Aqui está senhor, tenha um bom dia.

DURANT: (Segura o envelope e o observa ansioso).

 

 

Cena 07 - Clinica São Lourenço [Interna/Manhã]

(A recepcionista atendeu um telefonema e se distraiu enquanto Durant permanecia sem reação em frente a sua mesa. Em seguida Durant foi até as cadeiras, se sentou e novamente encarou o envelope).

 

DURANT: (Observa fixamente o envelope) Coragem! Seja o que Deus quiser. (Rasga o envelope e começa a ler o resultado do exame).

(De repente, Durant fica visivelmente perturbado).

DURANT: “Portanto, considerado o material apresentado entre o suposto genitor, fica comprovado e devidamente testado que a probabilidade de paternidade é maior que 99,99%. Concluímos que o material apresentado corresponde a pai e filha.” (Durant respira rapidamente de tão nervoso e repete em voz alta). Minha filha, ela é minha filha... A Betinha é a minha filha!

 

Cena 08 – Mansão Martins de Andrade [Interna/Manhã]

Música da cena: I Won’t – Colbie Caillat

(Imagens aéreas percorrem toda a cidade e mostram os enormes edifícios na capital. Em seguida surge a fachada da mansão. No interior da mansão, Tamara anda pelos corredores da propriedade trajando um biquini).

 

LUIZA HELENA: (Surpreende Tamara e segura seu braço com força).

TAMARA: Ai, você está me machucando. O que deu em você? (Questiona tentando se desvencilhar de Luiza Helena).

LUIZA HELENA: Você é uma aproveitadora, descarada mentirosa! (Esbofeteia Tamara).

TAMARA: (Coloca a mão no rosto que ficara avermelhado após a bofetada) Você ficou maluca? Porque fez isso?

LUIZA HELENA: Não seja cínica, eu vi tudo. Eu vi vocês dois na academia, se espojando como dois animais. Você, que eu vi crescer e quis ajudar como se fosse minha própria filha, nos apunhalando pelas costas. Sempre desconfiei que tinha alguém próximo de nós passando informações para o Evandro, mas me recusava a acreditar. Como você pode nos trair dessa forma? (Pergunta furiosa).

TAMARA: Eu não sei do que você está falando. Eu não disse nada a ninguém!

LUIZA HELENA: Não seja mentirosa! Diga a verdade, seja sincera e talvez eu possa te perdoar. Diga a verdade Tamara, pelo menos uma vez. Admita que você esteve nos enganando para ajudar o Evandro. O que ele te ofereceu? Dinheiro?

TAMARA: Você é uma idiota, sua burra! Bem que o Evandro disse que você era uma imbecil. Você caiu feito um patinho, nunca foi tão fácil te enganar. (Debocha).

LUIZA HELENA: (Esbofeteia Tamara novamente) Chega! Eu quero que você arrume as suas coisas agora e desapareça. Rá, ré, ri, ró, rua! Pra sarjeta que é o lugar de gente mentirosa feito você e não pense que isso vai ficar assim, eu vou contar a Betinha o tipo de amiga que você é.

TAMARA: (Encara Luiza Helena) Vai contar? Aproveita é conta que você é a mãe dela e o pintor imundo o pai. Aposto que ela vai adorar! Tem mais, eu não preciso dizer que não vou sair dessa casa se o Evandro não pedir, não sabe? Você vai pagar muito caro cada bofetada que me deu, mosca morta. (Deixa Luiza Helena sozinha no corredor e vai para seu quarto).

LUIZA HELENA: Desgraçados, canalhas! (Esbraveja).

 

Cena 09 – Casa de Durant [Interna/Manhã]

(Maria Rita estava de folga para resolver algumas pendências antes do casamento. Ela já estava se preparando para sair, quando Durant entrou em casa completamente transtornado).

 

MARIA RITA: O que deu em você? Você saiu e não disse nada a ninguém de novo. Que cara é essa?

DURANT: Eu descobri a verdade. Eu já sei de tudo! (Responde completamente fora de si).

MARIA RITA: Verdade? De que verdade você está falando? Porque você está assim, tão estranho? (Questiona ao notar a expressão do primo).

DURANT: Eu estava certo o tempo todo. A Betinha não é irmã da Luiza Helena, ela é nossa filha. (Responde ao estender a mão com o exame impresso para que Maria Rita o veja).

MARIA RITA: (Olha para Durant chocada, pega o papel e o lê) Meu Deus, é verdade. Diz aqui que as chances são de quase 100%, praticamente.

DURANT: Praticamente, não. Eles esconderam a minha filha de mim, minha filha. Ela é minha filha e eu sou o pai dela. A Luiza Helena não podia ter escondido isso de mim, ela não podia, não podia. (Fala andando em círculos).

MARIA RITA: Isso é muito estranho, agora que conheço a Luiza Helena melhor, não acho que seja de seu feitio mentir descaradamente desse jeito. Tem algo muito podre nessa história! (Fala pensativa).

DURANT: Tem, a canalhice que me fizeram escondendo a verdade.

MARIA RITA: Você não parou para pensar que ela não teve como te contar? Ou que se tentou, não pode? (Questiona).

DURANT: (Olha para a prima reflexivo e de repente começa a recordar de flashes passados. Como no dia em que conversou com Luiza Helena e ela disse que precisava lhe contar uma coisa muito importante e após esse momento, surgiu comprometida com Evandro) Claro, é isso! Meu Deus, como eu pude ter sido tão trouxa? O maldito, o canalha só pode ter chantageado a Luiza Helena com a verdade, por isso ela me abandonou, por isso ela não quis ficar comigo. Ela estava protegendo a Betinha!

MARIA RITA: Isso sim faz total sentido. Só isso para justificar essa loucura da Luiza Helena ter se casado com aquele homem asqueroso!

DURANT: Mas isso não vai ficar assim, eu tenho contas para acertar... (Diz enquanto caminha rumo a porta).

MARIA RITA: Espera, o que você vai fazer? (Pergunta assustada).

DURANT: Eu vou matar aquele desgraçado! (Responde ao sair de casa e deixar a porta aberta).

MARIA RITA: Não! Durant, volta aqui... Você não pode fazer essa loucura, você está de cabeça quente. Volta aqui! (Grita enquanto corre tentando alcançar o primo).

 

Cena 10 – Na Boca Do Povo, Redação [Interna/Manhã]

(Evandro falava ao celular quando pegou sua maleta para sair para a reunião que havia agendado. Notamos que ele esquece uma pasta em cima de sua mesa).

 

EVANDRO: Claro, meu caro! Não devo demorar tanto. Isso deve depender do trânsito, você sabe como a cidade está engarrafada. Não se preocupe, vamos nos falando durante o percurso! (Entra no elevador após as portas se abrirem. Ele aperta o botão que o levará em direção a garagem no subsolo).

(Fernanda sai do interior da copa após ouvir o barulho das portas do elevador se fecharem).

FERNANDA: (Olha para o display do elevador e se certifica que ele está descendo. Em seguida, pega o celular do bolso e liga para Betinha) Alô, Betinha? Sinal verde. Ele acabou de sair, a sala está livre. Vê se não demora, não temos todo o tempo do mundo. Ah, já está aqui pertinho? Maravilha... Certo, eu espero você aqui! (Responde ao desligar o celular).

 

Cena 11 – Mansão Martins de Andrade [Interna/Manhã]

(Luiza Helena estava sentada no sofá após a discussão que tivera com Tamara, quando o telefone tocou).

 

LUIZA HELENA: Alô? (Diz ao atender o telefone fixo).

MARIA RITA: Luiza, que bom que foi você quem atendeu. Eu preciso muito falar com você, é caso de vida ou morte. (Diz do outro lado da linha).

LUIZA HELENA: Nossa, assim você está me assustando. Aconteceu alguma coisa com a Betinha ou o Durant?

MARIA RITA: Não aconteceu ainda, mas vai acontecer uma desgraça se você não ajudar a impedir. O Durant descobriu a verdade...

LUIZA HELENA: Verdade? De que verdade você está falando?

MARIA RITA: A verdade, Luiza. Ele já sabe que é pai da Betinha, ele fez um teste de DNA e agora botou na cabeça a ideia fixa de que o Evandro já sabia disso e que foi justamente por esse motivo que você casou com ele. Agora ele saiu daqui de casa louco, enfurecido dizendo que ia matar o Evandro, não consegui impedi-lo. Nunca vi o meu primo assim, estou com medo de que ele faça uma besteira. Eu acho que ele foi até a revista!

LUIZA HELENA: (Surpreende-se e fica nervosa) Não pode ser, meu Deus! Faz tempo que ele saiu daí?

MARIA RITA: Não, faz alguns minutos.

LUIZA HELENA: Não saia de casa então, fica aí e me liga no celular se ele chegar. Eu vou até a revista. Peça a Deus que eu chegue antes que ele! Tchau, obrigada por avisa. (Diz ao desligar). Eva, Eva... (Chama aos gritos).

(A governanta surge na sala de estar da mansão correndo após ouvir os gritos de Luiza Helena).

EVA: O que houve, menina? Aconteceu alguma coisa?

LUIZA HELENA: Vai acontecer, Eva. O Durant descobriu a verdade, ele já sabe que é pai da Betinha e que o Evandro me chantageou para casar com ele. Eu preciso da sua ajuda para despistar os seguranças e chegar até a revista antes que o Durant mate o Evandro e estrague a vida dele pra sempre.

(Alguns instantes depois, Eva surge na cozinha servindo bolo e café aos seguranças, para que Luiza Helena saia sem ser vista).

EVA: E então, o bolo está bom? Eu acabei de tirar do forno e lembrei de vocês. Sempre tão trabalhadores, comem tão pouquinho. (Diz enquanto serve mais uma fatia).

SEGURANÇA 02: Está uma delícia, Dona Eva!

SEGURANÇA 03: (Pega o prato onde Eva serviu mais uma fatia).

SEGURANÇA 01: (Levanta-se rapidamente) Vocês ouviram? Eu ouvi o barulho de um carro. Quem está saindo sem nos avisarem?

EVA: Não estou ouvindo nada, deve ser impressão sua...

SEGURANÇA 01: Não é impressão, não. Eu escuto muito bem, tem algum carro saindo, vou olhar quem é. (Caminha em direção a porta dos fundos).

EVA: Ah, eu me lembrei. É o Matias, o motorista. Eu pedi que ele fosse até o supermercado pra mim. Sabe o que é? É que eu quero fazer um jantarzinho especial para os patrões, é surpresa. Eles andaram brigando e eu quero que eles se reconciliem.

SEGURANÇA 01: (Volta até a mesa onde Eva estava servindo seus outros dois colegas de trabalho) Ele não pode sair sem nos comunicar.

EVA: Ele não fez por mal, não vai entregar para o patrão. Foi culpa minha! Se você fizer isso, vai estragar a surpresa.

SEGURANÇA 02: Senta aí, cara. Ele já não disse que o motorista foi apenas ao supermercado? Que mal tem? Ele não deve demorar. Senta aí e come um pedaço de bolo, tá ótimo.

SEGURANÇA: Está bem, dessa vez passa. Mas isso não pode se repetir, entendeu?

EVA: Entendi sim! Senta aí, agora. Vou te servir mais uma fatia com um cafezinho que acabei de passar.

(Do lado externo da mansão, o motorista se prepara para sair).

MOTORISTA: Continue aí, eles já vão abrir o portão. (Disfarça enquanto aguarda um segurança abrir o portão da mansão).

LUIZA HELENA: (Permanece deitada no banco de trás do carro para não ser vista).

(O segurança que fica na portaria abre os portões e o veículo deixa a mansão sem que Luiza Helena seja notada).

 

Cena 12 – Na Boca do Povo, Redação [Interna/Manhã]

Música da cena: Um Pôr Do Sol Na Praia – Silva e Ludmilla

(Imagens dos principais pontos turísticos da cidade são apresentados. A Avenida Paulista, Ipiranga e São João seguem movimentadas pelo fluxo de carros e ônibus. Em seguida surge a fachada do prédio onde fica instalada a redação da revista. No estacionamento, Betinha estaciona seu carro).

 

BETINHA: (Desce do carro, pega a bolsa e trava o alarme. Em seguida vai até o elevador, sem notar que está sendo observada).

(Atrás de uma pilastra no estacionamento, Caruso observa Betinha).

CARUSO: Gostosinha, pequena que chegou sua hora! (Diz em pensamento).

(Na recepção da revista, Fernanda esperava por ela).

BETINHA: Demorei? (Pergunta ao sair do elevador).

FERNANDA: Não, mas também não temos tempo a perder. Vamos logo procurar o que nos interessa antes que alguém chegue! (Diz arrastando Betinha para a sala de Evandro).

 

Cena 13 – Ruas de São Paulo [Interna/Manhã]

(Em seu carro, Evandro dirige pelas ruas de São Paulo rumo a reunião com o investidor).

 

EVANDRO: (Olha para o banco do carona, enquanto dirige e observa a maleta. Em seguida, recorda-se da pasta e percebe que a esqueceu na revista) Droga, eu esqueci a pasta com os nossos relatórios de lucros dos últimos anos. Não posso apresentar os dados sem ela, vou ter que voltar.

(O carro faz o retorno na avenida).

 

Cena 14 – Na Boca Do Povo, Redação [Interna/Tarde]

(Sozinhas na sala de Evandro, Fernanda e Betinha leem papeis no intuito de encontrar algo que provem o envolvimento de Evandro em crimes).

 

FERNANDA: Você encontrou alguma coisa? (Pergunta enquanto observa arquivos das gavetas de Evandro).

BETINHA: Nada ainda e você? (Diz enquanto tenta desbloquear o computador de Evandro).

(O celular de Betinha toca, mas ela não atende).

FERNANDA: Nada também! Não vai atender?

BETINHA: É a minha amiga Tamara, depois eu ligo pra ela.

FERNANDA: Eu sei quem ela é, não gosto nada da cara dela. Sabia?

(As duas ouvem o barulho do elevador).

BETINHA: Você ouviu isso?

FERNANDA: Ouvi sim, tem alguém chegando. Precisamos sair daqui, ninguém pode nos ver.

BETINHA: (Fecha o notebook rapidamente) Não vai dá tempo, precisamos nos esconder. Coloca esses papéis na gaveta agora mesmo.

(Juntas, Betinha e Fernanda se escondem embaixo da mesa de Evandro).

EVANDRO: (Entra na sala apressado) Aí está você, sabia que tinha esquecido. Agora preciso correr até o restaurante! (Diz ao pegar a pasta e deixar a sala).

(Embaixo da mesa, Betinha e Fernanda permanecem imóveis, sem fazer barulho).

EVANDRO: (Pressiona o botão do elevador. Quando as portas se abrem, percebemos que Durant está nele) O que você está fazendo aqui? Seu...

DURANT: (Acerta um soco na cara de Evandro, derrubando-o) Eu vim te matar, seu desgraçado.

EVANDRO: (Coloca a mão na boca e percebe que está sangrando) Você é mais quantos? Você não é páreo pra mim, seu pintorzinho de viaduto.

DURANT: Isso é o que nós vamos ver! (Levanta Evandro pelo colarinho e o acerta com outro soco, jogando-o em cima da mesa da recepção).

EVANDRO: Você pensa que eu não sei me defender? Toma o que você merece! (Acerta um soco no estomago de Durant).

(Dentro da sala, Fernanda e Betinha ouvem a confusão).

FERNANDA: Isso é uma briga! (Sussurra).

BETINHA: É a voz do Durant, eles estão brigando sim. (Responde).

(Enquanto isso, Durant e Evandro destruíam a recepção enquanto brigam. Por onde passavam, derrubavam coisas).

DURANT: (Dá outro soco em Evandro e em seguida uma joelhada em sua barriga, derrubando-o novamente) Seu canalha, bandido, chantagista. Eu vou acabar com você, eu vou te matar! (Diz enforcando Evandro).

EVANDRO: (Tenta tirar as mãos de Durant de seu pescoço).

(As portas do elevador se abrem novamente e Luiza Helena surge na recepção que está de ponta cabeça).

LUIZA HELENA: (Corre para cima de Durant e tenta tirá-lo de perto de Evandro) Solta ele Durant, não vale a pena desgraçar a sua vida por conta dele...

DURANT: Me deixa, eu vou acabar com ele de uma vez por todas. (Diz enquanto permanece estrangulando Evandro).

(Dentro da sala de Evandro, Betinha e Fernanda seguem aflitas sem saber o que está acontecendo).

FERNANDA: Meu Deus, alguém precisa fazer alguma coisa. Eles vão se matar!

BETINHA: Temos que ir até lá, não posso deixar o Durant ir para a cadeia por conta de um assassino como o Evandro. Temos que fazer alguma coisa...

FERNANDA: O que você vai fazer? (Diz ao perceber que Betinha está saindo debaixo da mesa).

BETINHA: Eu vou até lá, eu preciso fazer alguma coisa pelo Durant! (Responde).

(Enquanto isso na recepção, Luiza Helena consegue finalmente tirar Durant de cima de Evandro).

LUIZA HELENA: Vamos sair daqui, nós precisamos conversar! (Diz enquanto segura o braço de Durant).

DURANT: Eu já sei de tudo, eu descobri a verdade...

EVANDRO: (Levanta cambaleando e ensanguentado) Descobriu a verdade? Que coisa mais linda, veio defender o amado, não foi? Só faltou a bastardinha.

LUIZA HELENA: (Grita) Cala a boca, Evandro!

DURANT: Eu não vou permitir que você fale assim dela, entendeu? (Diz apontando para Evandro).

EVANDRO: Bastardinha sim, é isso que ela é. Que foi? Você pensa a Betinha vai amar descobrir que é sua filha com esse pintor fracassado? (Grita).

BETINHA: O que foi que você disse? (Pergunta ao surgir na recepção).

LUIZA HELENA: Betinha? (Fica aterrorizada ao perceber que a filha estava bem ali o tempo todo).

 

A imagem foca em Luiza Helena e Durant parados olhando para Betinha. A cena congela e vira uma capa de revista.


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