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Destinos Ligados (Reprise) - Capítulo 03

 


Capítulo 03:

 

 

Cena 01 – Estrada [Externa/Noite]

 

(No carro de Francisco, ele e a esposa seguiam em silêncio, enquanto Rosana segura Isabela em seu colo).

 

FRANCISCO: Eu sei que você acha que eu estou louco, mas eu só quis proteger a gente, caramba.

ROSANA: Eu só quero ficar em silêncio e que você dirija devagar nessa droga de estrada sem nos matar ou provocar outro maldito acidente, será que você pode fazer isso Francisco?

 

Cena 02 – Hospital Geral [Interna/Manhã]

UMA SEMANA DEPOIS...

(Malu estava deitada em uma cama do hospital geral, onde havia passado uma semana em coma. Sua cabeça estava coberta com ataduras, devido ao trauma sofrido e em seu rosto, estavam estampados hematomas).

 

MALU: (Mexe os dedos lentamente e abre pouco a pouco os olhos).

ENFERMEIRA: Olha só, você acordou bela adormecida. Fico feliz em te ver se recuperando!

MALU: O que aconteceu? (Geme ao tentar colocar a mão sobre a cabeça).

ENFERMEIRA: (Retira a mão de Malu da cabeça) Tire a mão daí, você sofreu uma forte pancada na cabeça. Você passou uma semana em coma após sofrer um acidente, você foi encontrada na estrada ainda dentro do carro. Você é uma mulher de sorte, sem dúvidas, nasceu de novo.

MALU: Minhas filhas, onde estão minhas filhas? Elas estão vivas? Por favor, diga que nada aconteceu com as minhas filhas.

ENFERMEIRA: Você quis dizer o bebê? Sua filha está bem, sofreu pequenas escoriações.

MALU: Enfermeira, minhas filhas estavam comigo. Uma mulher estava tentando me ajudar, ela tirou um cesto com uma das minhas filhas e depois eu só me lembro do barulho do carro caindo.

ENFERMEIRA: Bem... Eu não sei como te dizer isso, mas junto com você, só demos entrada de um único bebê.

MALU: Meu Deus, a minha filha... Eu preciso procurar a minha filha! (Tenta se levantar da cama).

ENFERMEIRA: Você ainda não pode se levantar, mantenha a calma...

MALU: Você não está entendendo, levaram a minha filha. Eles roubaram a minha filha, a minha filha... Filha! (grita).

 

Cena 03 – Casa de Rosana e Francisco [Interna/Manhã]

 

(Rosana trocava a fralda de Isabela, enquanto conversava com ela em tom de ternura)

 

ROSANA: A menina mais bonita desse mundo fez xixi? Não se preocupa, que a Rosana vai trocar você. Cê gosta de mim? Fica me olhando com esses olhinhos tão lindos, deve gostar né?

 

(Francisco sai do quarto e entra na sala)

 

FRANCISCO: Você gosta mesmo dessa menina, não é? (Fala meio sem jeito).

ROSANA: É o mínimo que podíamos fazer depois de tudo que aconteceu não é, Francisco? Por você, teríamos deixado ela lá, ao relento pra morrer como a infeliz da mãe dela.

FRANCISCO: E se ela não tiver morrido?

ROSANA: Onde você quer chegar com essa especulação?

FRANCISCO: É uma probabilidade, pode ter acontecido. Já pensou se ela não tiver morrido? Teríamos que devolver essa menina.

ROSANA: (Ouve com uma expressão de preocupação) Devolver? Entregá-la para a mãe?

 

Cena 04 – Hospital Geral, quarto de Malu [Interna/Tarde]

 

(Malu depõe sobre a noite do acidente para o delegado, onde no quarto também estão presentes o médico, a enfermeira que está cuidando dela e um escrivão)

 

MALU: Daí após a batida, eu lembro que o carro girou algumas vezes. A batida provocou um barulho estrondoso, quando dei por mim, o carro estava prestes a cair naquele buraco, minhas filhas choravam enquanto aquela mulher se aproximou.

DELEGADO SILVEIRA: E senhora conseguiria descrever essa mulher?

MALU: Eu jamais vou esquecer o rosto da mulher que levou a minha filha. Ela tem cabelos escuros, ondulados, um pouco comprido, aqui assim... (Gesticula com as mãos o comprimento do cabelo). Ela se aproximou dizendo que ia ajudar, eu pensei logo nas minhas filhas, então ela abriu a porta de traseira do carro, tirou o cesto com a Isabela e não voltou mais, depois disso o carro caiu, eu acordei aqui e minha filha havia desaparecido.

DELEGADO SILVEIRA: Bom, para lhe ser bem sincero, é um caso complexo. Primeiro pelo fato do acidente ter acontecido numa rodovia que tem pouquíssimo movimento no horário que aconteceu, segundo que, pelo motivo de ter acontecido nessa rodovia, não vamos conseguir nada, como imagens que tenham captado algum dado dessa mulher ou do veículo que estava.

MALU: E o que o senhor quer dizer com isso? Que eu não vou achar mais a minha filha?

DELEGADO SILVEIRA: Não é isso, nós iremos investigar, o que quero dizer é que, sem maiores informações, dados mais concretos, será difícil chegar numa pista e enquanto isso... (Malu interrompe).

MALU: Enquanto isso o que? Pode falar, delegado!

DELEGADO SILVEIRA: Que enquanto isso, sem pistas tão concretas, a suspeita pode está cada vez mais longe daqui com a criança.

 

(Algumas horas se passaram após o interrogatório e Malu havia adormecido em seu quarto no hospital. Ela só despertou novamente quando ouviu uma enfermeira do berçário entrar no local).

 

ENFERMEIRA: Aqui está ela, tínhamos umas roupinhas de bebês guardadas, então coloquei essas, pois não achei entre os seus pertences.

MALU: (Segura a filha nos braços e se emociona) Minha filha! Quantas desgraças em nossas vidas, eu não sou uma boa mãe, eu perdi a sua irmã. Você me dá forças para continuar lutando e não desistir de encontrá-la, eu tenho fé, ela vai aparecer e nós seremos felizes.

ENFERMEIRA: Não fique assim, querida. Eu tenho certeza de que a sua outra filha irá aparecer. Deus há de iluminar os rumos da investigação e logo, logo ela também estará em seus braços.

MALU: Eu estou rezando para que isso se torne logo uma realidade. Onde estão os sapatinhos dela? Eles são muito especiais, foi uma amiga muito querida que fez, não gostaria de perdê-los.

ENFERMEIRA: Fique tranquila, todos os seus pertences estão bem ali sobre a mesa, incluindo os sapatos. Eu vou deixar você um tempinho com a sua filha e depois venho buscá-la para deixá-la no berçário, você também precisa descansar. Sem forças e doente, você não poderá sair em busca da sua outra filha, pense nisso. Com licença! (se retira).

 

Cena 05 – Casa de Rosana e Francisco [Interna/Manhã]

 

(A noite chega e logo se vai. Ao amanhecer, Francisco surge correndo pela rua enquanto segura um jornal, até entrar em casa em busca da esposa)

 

FRANCISCO: Rosana, Rosana! (Grita chamando pela esposa).

ROSANA: (Anda de um lado para o outro pela sala de estar, enquanto dá mamadeira para Isabela) O que foi homem? Que gritaria é essa? Vai deixar a menina inquieta com tanta histeria.

FRANCISCO: Não morreu, ela não morreu... (Responde).

ROSANA: Que? Quem não morreu? Você bebeu?

FRANCISCO: A mãe da menina, ela não morreu. Saiu no jornal, ela está procurando pela filha, pelo o que entendi, a menina tem uma irmã gêmea. Precisamos devolver essa criança!

ROSANA: Não, isso nunca! (Diz friamente).     

FRANCISCO: Rosana, ela não é a nossa filha. A mãe dela está desesperada procurando por ela, precisamos entregar.

ROSANA: Eu não estou te entendendo. Primeiro você foge do local do acidente, se recusando a prestar socorro com medo de ser incriminado pela justiça e agora quer devolver a menina? Já parou para pensar que além de ser enquadrado por ter provocado o acidente e não prestar socorro à vítima, também seremos acusados de sequestro?

FRANCISCO: Sequestro? (Questiona surpreso).

ROSANA: Sim, sequestro. Nós estamos encurralados com essa história até o pescoço, de qualquer forma teremos que responder a justiça.

FRANCISCO: Então o que sugere?

ROSANA: Que a gente fique com a menina!

FRANCISCO: (Visivelmente chocado com o que a esposa acabara de dizer) Você só pode estar brincando, nós não somos os pais dessa menina...

ROSANA: (Interrompe) Mas podemos ser! Não foi você que falou em adotar uma criança? Eu já me apeguei a essa menina, quero ficar com ela.

FRANCISCO: Não, nós não vamos ficar com essa criança, Rosana!

ROSANA: Então, você se entrega para a polícia, enquanto eu vou embora com a menina. Eu não vou devolver, entendeu? Eu não vou entregá-la de volta, não vou.

 

Cena 06 – Saída do Hospital Geral [Externa/Tarde]

 

DIAS DEPOIS...

 

(A enfermeira acompanha Malu até a saída com Ingrid no colo. Malu já não está mais com as ataduras na cabeça, está apenas com um curativo na testa, acima da sobrancelha esquerda. A enfermeira observa Malu ir embora do hospital após a alta médica, sem olhar para trás)

 

MALU: (Caminha com Ingrid nos braços em direção ao ponto de táxi) Bom dia!

TAXISTA: Bom dia, jovem. Para onde estamos indo?

MALU: Para a delegacia, no centro da cidade.

TAXISTA: Sei onde fica, entra aí que te deixo lá.

 

(Minutos depois, Malu chega até a delegacia e procura pelo delegado em busca de novidades na investigação sobre o paradeiro de Isabela).

 

MALU: Como é? (Questiona surpresa e em seguida senta-se com a filha no colo).

DELEGADO SILVEIRA: Não está confirmado, ainda. Acontece que pelas suas descrições, uma mulher com características similares foi vista na rodoviária com um bebê no colo.

MALU: E onde ela está? Para onde ela foi? (Pergunta nervosa).

DELEGADO SILVEIRA: Testemunhas afirmam que ela embarcou com destino para São Paulo.

MALU: Mas São Paulo é uma cidade gigantesca, ela vai desaparecer com a minha filha! (Malu se desespera).

DELEGADO SILVEIRA: Ainda não temos certeza se é a mesma mulher, mas de antemão, já entrei em contato com uns conhecidos meus de lá, repassei todos os dados sobre o caso e eles estão buscando a suspeita.

MALU: (Se levanta da cadeira com Ingrid no colo e pega sua mala pequena de mão).

DELEGADO SILVEIRA: Para onde está indo?

MALU: Eu não vou ficar de braços cruzados, delegado. Se vocês estão fazendo pouco caso do desaparecimento da minha filha, eu vou atrás dessa infeliz. Eu vou recuperar minha filha!

DELEGADO SILVEIRA: Você está fora de si. Você tem noção do tamanho daquela cidade? Fora que não temos certeza se é a mesma pessoa, é como procurar agulha num palheiro.

MALU: Então em breve o senhor terá notícias minhas, pois eu serei a primeira pessoa a encontrar uma agulha num palheiro, pois eu vou seguir essa pista e encontrar a minha filha.

DELEGADO SILVEIRA: Eu ainda acho que a senhora não deveria fazer isso, mas se assim deseja, eu compreendo e só posso lhe desejar boa sorte, nós aqui, continuaremos os nossos trabalhos em busca de sua filha.

MALU: Eu agradeço, com licença! (Malu vai embora com Ingrid).

 


 

Cena 07 – Casa de Rosana e Francisco [Interna/Noite]

 

(Rosana brinca com Isabela, que está deitada em cima de sua cama, enquanto Francisco as observa pela porta do quarto que está entreaberta).

 

ROSANA: Oi filha, é a mamãe. Precisamos escolher um nome para você, não podemos ficar te chamando de bebê a vida toda. Você bem que poderia já nascer falando e escolher, né?

 

(Isabela está com as mãos levantadas e mexe no cabelo de Rosana que está semi-preso, enquanto Francisco continua a observar as duas).

 

ROSANA: Já sei. Bom, eu não sei se você vai gostar, mas desde quando eu me casei, sempre quis ter uma filha, durante anos sonhei com esse momento, de engravidar, comprar as roupinhas, os brinquedos, montar o quarto, decorar as paredes. Sempre pensei que uma criança fosse encher essa casa de vida, então imaginava como seria ter uma filha. Então, logo eu decidi que no dia que tivesse uma filha, eu a chamaria de Maria Eduarda... É assim que você vai se chamar a partir de agora: Maria Eduarda Pereira.

 

Cena 08 – Rodoviária - São Paulo [Externa/Manhã]

 

(Um ônibus se aproxima da plataforma de embarque e desembarque na rodoviária. Ingrid já está chorando há algum tempo, demonstrando inquietude, o que deixa sua mãe aflita, visto que a menina começara a ficar febril)

 

MALU: (Desce do ônibus tentando acalmar a filha) Calma minha filha, mamãe tá aqui. Meu Deus, minha filha não pode ficar doente agora, tão pequena. Você está ardendo em febre Ingrid!

MOTORISTA: Eu ouvi você dizendo que a menina está com febre, aqui no final dessa rua existe um posto de saúde pública, porque não leva ela lá para eles darem uma examinada? Pelo menos ela não fica sem auxílio e você fica mais tranquila.

MALU: Obrigada moço, Deus te abençoe pela ajuda. Eu vou até lá agora mesmo!

 

(Malu anda apressadamente pela rumo ao posto de saúde. Ao chegar no posto, Malu se depara com uma situação caótica, com diversas pessoas esperando por atendimento, crianças chorando, idosos reclamando na demora no atendimento, gestantes, entre outros pacientes que reclamam).

 

MALU: Um médico! (Grita). A minha filha precisa de um médico, ela está ardendo em febre!

ALFREDO: Moça, eu posso ajudar? Sou médico, ela é recém-nascida, né?

MALU: Sim, ainda não completou um mês. Ela está chorando há muito tempo, estou muito assustada.

ALFREDO: Calma, vamos até aquela sala logo ali, que eu irei examiná-la.

 

(Malu e Alfredo entram num consultório. Alfredo logo coloca Ingrid em cima de uma maca e começa a examiná-la).

 

MALU: Então doutor, o que a minha filha tem? É grave? Responde doutor, a minha filha vai ficar bem?

ALFREDO: Vai sim, o que ela tem é só um resfriado, bem comum para falar a verdade nessa época do ano. Eu vou receitar um remédio para a febre ceder, você precisará ficar bem atenta, caso a febre retorne mesmo com o uso dessa medicação, preciso que você volte aqui para dar uma olhada dela! (Entrega Ingrid para Malu).

MALU: Graças a Deus e ao senhor doutor, muito obrigada. Passamos por tantas coisas nos últimos dias, a última coisa nessa vida que quero é ver a minha filha doente.

ALFREDO: Eu percebi que acabaram de chegar na cidade, ou estou enganado? (Diz olhando para a pequena mala que Malu carregava).

MALU: (Estranha o questionamento do jovem médico) Sim, acabamos de chegar em São Paulo, como sabe?

ALFREDO: Bem fácil, pela mala que está bem ali! (Aponta o dedo indicador em direção a mala).

MALU: (Suspira aliviada) Ah sim, acabamos de chegar. Estava numa cidadezinha no interior de Alagoas, nordeste do país.

ALFREDO: Que maravilha, veio visitar a família na terra da garoa?

MALU: (Muda o semblante, agora fica mais séria e fechada) Não, estou procurando alguém...

ALFREDO: Sei e em que bairro vai ficar?

MALU: Eu ainda não sei, sou nova na cidade e não tenho parentes aqui.

ALFREDO: Ah, se você quiser, sei de uma pensão ótima. É simples, mas de gente muito honesta e limpinha, além do preço ser acessível, eles servem uma sopa maravilhosa, que cai como uma luva nesse clima frio. Posso te passar o endereço ou te acompanhar até lá, fica aqui pertinho.

 

Música da cena: Mentiras – Adriana Calcanhotto.

 

MALU: Seria ótimo, mas não vai atrapalhar o seu trabalho?

ALFREDO: Não, não. Meu plantão já havia acabado, estava indo embora, mas o seu desespero procurando ajuda, me chamou a atenção. Não será incomodo algum, é caminho da minha casa, vamos lá? (Alfredo abre a porta e dá passagem para Malu, que sai com Ingrid no colo. Alfredo apaga a luz do consultório, sai e fecha a porta em seguida).

 

Cena 09 – Pensão [Interna/Manhã]

 

(Catarina andava pelo corredor da pensão, apresentando e explicando a Malu o funcionamento do local, até entrarem no quarto que ela iria ocupar)

 

CATARINA: Você é muito sortuda, mocinha. Esse quarto desocupou ontem à tarde, geralmente eu não aceito pessoas desconhecidas aqui, mas como foi o doutorzinho que indicou, para mim é mais que uma carta de referência. Ele é um homem maravilhoso, já ajudou todo mundo na vizinhança, atende de graça, sem se preocupar com dinheiro. Que homem! E por falar em dinheiro, que bom que você me pagou dois meses, esse dinheiro será muito bem aproveitado, estava precisando fazer uns reparos lá atrás no quintal.

MALU: É, deu para perceber que ele é um homem bom!

CATARINA: E essa menina tão linda, como se chama? (Catarina observa Ingrid dormir, encantada com a menina).

MALU: Essa é a minha filha, o nome dela é Ingrid.

CATARINA: Bom minha filha, agora você pode descansar. Fique à vontade, caso precise de alguma coisa, no banheiro tem sabonete e toalhas limpas. O almoço será servido por volta do meio dia, qualquer coisa é só me chamar, tá certo?

MALU: Tudo bem, obrigado. (Malu fecha a porta, logo após Catarina sair, coloca Ingrid em cima da cama e observa a filha dormir).

 

Cena 10 – Orla de Maceió [Externa/Tarde]

 

(Rosana passeia com Maria Eduarda pela orla para aproveitar o sol do fim de tarde, próximo à praça de alimentação onde tem um quiosque com o seu marido Francisco)

 

ROSANA: (Conversa com Maria Eduarda) Logo você estará correndo nessa praia, você será muito feliz aqui, minha filha. Não te faltará amor, eu estarei sempre ao seu lado. Seu pai está bancando o sério, mas eu já percebi que ele está começando a se derreter por você, em breve ele não vai conseguir mais resistir a isso, sabe qual é o nome disso que eu tô falando? Instinto paterno.

MULHER: (Para de correr) Que criança linda, é sua filha? 

ROSANA: Sim, e minha filha. (Responde a mulher que estava fazendo caminhada na praia e parou para falar com Maria Eduarda).

MULHER: Ela tem os seus olhos, sabia?

ROSANA: Sério que você acha isso? É a coisa mais especial que alguém poderia me dizer.

MULHER: (Estranha) Por que? Costumam dizer que ela se parece com o pai?

ROSANA: (Rosana percebe que foi indiscreta e que não pode dar indícios que Maria Eduarda não é sua filha) Sim, costumam sim, sempre falam que ela parece mais com o pai do que comigo. Sabe como é, né? A gente carrega nove meses na barriga e a criança nasce idêntica ao pai!

MULHER: Sei sim, comigo aconteceu no primeiro filho, tenho dois. Bom, agora eu tenho que continuar minha caminhada, tchau e parabéns pelo bebê! (Mulher sai correndo).

ROSANA: (Respira aliviada por ter conseguido se sobressair) Ufa, essa foi por pouco!

 

Cena 11 – Sala de Estar – Pensão [Interna/Noite]

 

(Valentina e Lurdinha são duas moradoras da pensão de Catarina. Ambas possuem o mesmo sonho, ser modelo. As duas ensaiavam como desfilar na sala, enquanto Malu estava folheando o jornal, aproveitando que Ingrid acabara de dormir)

 

LURDINHA: (Desaprova a desenvoltura de Lurdinha) Não é assim que se desfila, por isso você ainda não decolou. Pare, observa e aprenda comigo! (Lurdinha desfila de forma inadequada).

VALENTINA: (Cai na gargalhada com o jeito que Lurdinha desfila) Vara-pau, parece uma vassoura limpando o chão!

LURDINHA: Eu desfilo muito melhor que você, minha filha!

MALU: (Se intromete na discussão, deixando Valentina e Lurdinha surpresas) Na verdade as duas estão desfilando pessimamente, nunca vi nada pior em toda a minha vida, mas a boa notícia é que as duas podem melhorar.

VALENTINA: Não diga? Por um acaso você é modelo? 

MALU: Não e nem quero, na verdade eu acho o mundo da moda fabuloso. Tudo o que aprendi foi lendo revistas e assistindo programas de televisão.

LURDINHA: Não liga pra ela, com certeza ela está blefando.

MALU: (Levanta-se da poltrona onde está sentada) Vou encarar isso como um desafio! Bom, a primeira lição para ser modelo é a forma como você anda, lembre-se, você não está ali para se mostrar. O seu corpo serve de instrumento para mostrar o trabalho de alguém, como um estilista por exemplo, não basta ser apenas bonita, tem que ter elegância ao desfilar, tipo assim. (Malu anda de um lado para o outro da sala). Entenderam?

LURDINHA: (Surpresa) Olha só como ela é antenada. Me surpreendeu!

VALENTINA: Me ensina a desfilar assim?

MALU: (Sorri) Claro!

 

(Malu ensina Lurdinha e Valentina a desfilarem, por algumas horas as três seguem fazendo exercícios de como andar com graça e elegância. Lurdinha e Valentina seguem todas as instruções, enquanto caminham com um livro da cabeça melhorando a postura, enquanto Catarina prepara a mesa do jantar e observa toda a cena).

 

MALU: (Bate palmas) Bem meninas, a aula de hoje está encerrada!

 

(Lurdinha e Valentina aplaudem Malu, extremamente empolgadas com as lições ensinadas por ela).

 

CATARINA: Eu estou impressionada, você realmente leva muito jeito pra isso. Quem vê até pensa que você trabalha com essas modelos e manequins da alta moda.

MALU: (Fica encabulada) Quem dera, Dona Catarina! Quem dera! Eu não fiz nada demais, isso elas aprendem em qualquer filme de adolescente.

CATARINA: Se tem em filme, isso eu já não sei minha filha, pois o meu negócio é novela, mas que eu vi, eu vi. Você tem talento pra isso, deveria procurar meios de desenvolver!

MALU: É... Quem sabe um dia! Eu vou subir e dar uma olhada na minha filha, tive a impressão de ouvi-la chorar.

CATARINA: Vai sim minha filha, quando acabar de colocar a mesa eu vou te chamar.

 

(Malu sobe a escada, enquanto Catarina a observa subir)

 

CATARINA: (Fala consigo mesma) Pode não aceitar, mas eu tenho faro pra essas coisas. Essa daí vai longe, questão de tempo!


Cena 12 – Rua [Externa/Dia]

 

SEMANAS DEPOIS...

 

Música da cena: Mentiras – Adriana Calcanhotto

 

(Alfredo vê Malu atravessar a rua e anda apressado em sua direção para encontrá-la)

 

ALFREDO: (Está ofegante por ter corrido atrás de Malu) Oi!

MALU: (Vira-se e se depara com Alfredo) Doutor, bom dia. Como vai?

ALFREDO: Vou bem. E você? E a sua filha? Imagino que ela esteja melhor, pois você não voltou a me procurar. Fiquei esperando... (Gagueja). Não que eu quisesse que ela continuasse doente, só para rever vocês mesmo.

MALU: (Sorri) Eu entendi, mas respondendo a sua pergunta, a minha filha melhorou sim. O remédio que o senhor me receitou foi tiro e queda.

ALFREDO: Para de me chamar de “senhor”, desse jeito eu vou me sentir velho e eu nem sou tão velho assim, ou sou? Me chame apenas de Alfredo.

 MALU: Está bem, Alfredo.

ALFREDO: Está indo pra casa agora?

MALU: Não, eu estou indo até a delegacia, preciso saber se eles têm pistas do paradeiro da minha filha.

ALFREDO: (Se assusta) Ela desapareceu? Eu pensei que ela estivesse bem...

MALU: (Percebendo a confusão que causou, Malu tentou corrigir a informação) Quis dizer da minha outra filha!

ALFREDO: Outra filha? (Pergunta surpreso).

MALU: Sim, eu tive... Tenho gêmeas, só que uma foi raptada. Eu vim para São Paulo justamente por isso, encontraram uma pista de que a mulher que pegou a minha filha poderia ter vindo pra cá. O delegado de lá, me passou os dados de um colega dele aqui da cidade que vai me ajudar com o caso e é lá que estou indo agora.

ALFREDO: Nossa, que história. Eu vou torcer muito para que você encontre a sua outra filha!

MALU: Obrigada! Você faz mesmo jus a todos os elogios listados pela Dona Catarina, você é um Deus pra ela.

ALFREDO: (Cai na gargalhada) Dona Catarina e seus elogios! Bem, eu posso te acompanhar? Estou livre agora e adoraria poder te ajudar de alguma forma, me senti tocado por sua história...

MALU: Não sei se devemos, afinal é um assunto não tão interessante para quem está de fora e eu não sei se vou demorar...

ALFREDO: Eu prometo ser uma boa companhia e um verdadeiro guia turístico pela cidade.

MALU: Está bem, você pode me acompanhar.

 

(Malu e Alfredo caminham por alguns quarteirões até chegar ao endereço mencionado pelo delegado)

 

DELEGADO DANIEL: (Cumprimenta Malu e Alfredo) Eu me chamo Daniel Freitas, sou o delegado que o Silveira mencionou.

MALU: Ele me falou muito bem do senhor. Como já deve saber, eu tive minha filha raptada com poucos dias de nascida, não consegui nenhuma informação concreta da sequestradora e nem do paradeiro dela, o senhor conseguiu checar a informação da suposta mulher que embarcou para cá com um bebê recém-nascido lá de Alagoas?

DELEGADO DANIEL: (Coloca algumas fotografias sobre a mesa) Sim, trouxemos ela até aqui para confirmar alguns dados, nome, endereço, onde está morando, quem é sua família, referências pessoais, além dessas fotografias. É ela?

MALU: (Observa as fotografias) Não, não é ela. Essa daqui tem o cabelo mais curto, a mulher que levou minha filha tem o cabelo um pouco maior, já o bebê é uma menina de no mínimo uns seis meses, minha filha tem dois meses, eu a reconheceria facilmente, pois ela tem uma irmã gêmea. Eu tive gêmeas idênticas!

DELEGADO DANIEL: Então infelizmente voltamos à estaca zero.

 

(Após o banho de água fria por não conseguir pistas sobre Isabela, Alfredo acompanha Malu, que está visivelmente frustrada com as notícias até em casa).

 

ALFREDO: Está entregue! (Diz enquanto caminha ao lado dela).

MALU: Obrigada por me acompanhar, Alfredo. Foi muito importante o seu apoio, apesar das notícias não serem muito animadoras e sentir essa angústia por terem arrancado a minha filha, conversar com você me ajudou um pouco. (Malu e Alfredo se abraçam, deixando um clima de aproximação no ar).

ALFREDO: (Observa Malu entrar em casa e vai embora pensativo logo em seguida).

 

(Malu entra no quarto e observa Ingrid dormir, após Dona Catarina ter colocando-a no berço)

 

MALU: (Chora) O que terá acontecido com você, filha? Será que estão cuidado de você? Se tem onde dormir, o que vestir, o que comer? Eu não vou desistir de te procurar, eu não vou desistir!



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