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VILAREJO - Capítulo 37 (Últimas Semanas)

 



Capítulo 37 (Últimas Semanas)

Cena 01 - Casa dos Lobato [Interna/Tarde]

[Ana Catarina, Miguel e Ricardo continuavam parados na frente da casa de Graça, que negava veementemente as acusações.]


ANA CATARINA: - E então, vosmecê vai continuar parada aí, dando uma de sonsa?


GRAÇA: - Ora, vosmecê está me desrespeitando. Como ousa? Não me ofenda. Já disse que não sei do que está falando, não há ninguém preso na minha casa.


ANA CATARINA: - Ah, não sabe? Então vou fazer jus aos meus poderes de nobrezas, concedidos pelo reino da Espanha e vou acionar as autoridades. Vamos ver se não encontram nada acá… [Disse fingindo que iria embora].


GRAÇA: [Desespera-se] - Espera! [Grita].


ANA CATARINA: - Ora, ora… Vejo que vosmecê começa a temer o peso das autoridades neste país. [Responde ao retornar]. - Vamos logo, de uma vez por todas. Onde está Maria do Céu? Não saio desse lugar sem vê-la!


RICARDO: - E então, Graça. Vosmecê está ou não está mantendo essa jovem presa no sótão? [Questiona de forma incisiva].


[Com a transição de cenas, surge o quarto de Maria do Céu, que observa a maçaneta da porta se mexer com o som das chaves.]


MIGUEL: - Maria… [Corre ao entrar no quarto].


MARIA DO CÉU: - Miguel… Miguel! [Abraça o médico, aos prantos].


ANA CATARINA: [Observa ao redor do sótão e se surpreende com a precariedade do lugar] - Vosmecê há de pagar caro por tamanha crueldade, Dona Maria da Graça. Disso, eu irei me encarregar. Não tenha dúvidas…


RICARDO: - Eu não consigo descrever a dimensão do meu espanto ao constatar essa informação. Essa jovem sempre esteve presa acá, nesse lugar?


GRAÇA: - Vosmecês não entendem, ela está doente, tudo o que eu fiz foi para protegê-la.


MIGUEL: - Mentira! [Grita]. - Maria do Céu não está doente e vosmecê sabe que acá, não existe nenhuma moléstia terminal a não ser a vossa falta de caráter. Vamos embora! [Diz firme, conduzindo Maria do Céu que visivelmente está enfraquecida].


MARIA DO CÉU: - Eu não posso ir e deixar a Tomásia. Ela vai matá-la. Eu ouvi seus gritos, ecoam até agora na minha mente. Titia lhe deu uma grande surra e desde então, não tive mais notícias dela. Não posso ir embora e deixá-la a mercê de uma nova violência.


[Ao decorrer da cena, surge a senzala. Tomásia se debatia de febre por conta dos ferimentos e por ter passado a noite ao relento após o açoite.]


ANA CATARINA: - Como ela está, Miguel? [Questionou ao observar o médico examiná-la, enquanto Maria do Céu amparava a amiga].


MIGUEL: - Está ardendo em febre, os ferimentos da chibata estão infeccionados. Precisamos de intervenção já acá.


CARLOTA: - Vosmecês não podem se importar tanto com ela, não passa de uma negra imprestável.


ANA CATARINA: - Cale-se, Graça. Eu só não vou me rebaixar ao seu nível, porque teria que descer muito rápido a escadinha da mediocridade. Eu vou embora, mas fique sabendo que Maria do Céu e Tomásia virão comigo e nem pense em impedir, ou vou lhe mostrar do que a Condessa de Burgos é capaz, entendeu? [Questiona ao se aproximar, reforçando o tom ameaçador].


Cena 02 - Acampamento Cigano [Interna/Tarde]

Música da cena: Quem Tome Conta de Mim - Paula Toller

[O acampamento dos ciganos estava pouco movimentado naquele fim de tarde, quando Vicente e Leonora deixaram a tenda dele.]


VICENTE: - Já te disse, meu amor. Não se precipite, dê tempo ao tempo. O que aconteceu ainda está muito recente na cabeça de Antônio.


LEONORA: - Não enquanto aquela maldita continuar a solta. Carlota é uma mulher extremamente perigosa, pode envenenar o Antônio e fazer ainda mais mal ao nosso filho. É culpa dela o nosso filho está passando o que está passando agora e não me refiro apenas ao nosso segredo.


VICENTE: [Estranha] - Não entendo, o que vosmecê quer dizer? O que mais está afetando a vida de Antônio?


LEONORA: - Acontece que Antônio está pagando pelos crimes de Carlota. Ana Catarina casou-se com ele apenas para se vingar, pois ela acredita que Antônio está envolvido no atentado que ela sofreu, onde o pai e a irmã morreram.


VICENTE: - Vosmecê tem certeza disso? É muito grave o que está dizendo. Se estiver correta, Antônio está sendo vítima de uma infâmia, ele jamais mataria alguém, mesmo não o conhecendo como vosmecê o conhece, sei que ele não é um assassino.


LEONORA: - A única certeza que tenho é que a Carlota é a verdadeira culpada. Aquela cobra é capaz de se prestar a qualquer papel, inclusive de assassina. Minha maior raiva, é não ter provas para acusá-la e inocentar o meu filho.


VICENTE: [Olha para Leonora  e a abraça. Em seguida olha para o horizonte, com um semblante pensativo] - Talvez eu consiga ajudar o meu filho, nem que essa seja a última coisa que faça nessa vida. [Fala consigo mesmo através do pensamento].



Cena 03 - Fazenda Santa Clara [Interna/Tarde]

Música da cena: Corre - Gabi Luthai

[Quando adentrou na sala de estar da fazenda amparada por Maria do Céu, Tomásia logo ficou boquiaberta. Jamais em toda sua vida, havia entrado em um local tão requintado.]


ANA CATARINA: - Bom, a casa é grande e quero que considerem como se fossem donas. Amália, acomode as duas nos quartos de hóspedes, veja qual fica melhor para elas. Se preferirem, podem ficar juntas também. Ah, antes que eu me esqueça, providencie roupas também. Acredito que alguns vestidos de Emília deverão servir.


AMÁLIA: - Com muito gosto! [Respondeu sorridente].


TOMÁSIA: - Io vou ficar acá, na casa grande? Pode não, condessa. Io vou sujar os lençóis.


ANA CATARINA: [Aproxima-se de Tomásia e a olha nos olhos] - Nunca mais repita isso. Jamais deixe alguém te fazer pensar que não é digna de uma boa cama, uma boa casa. Todos nós somos, independente da cor da pele. Acá, vosmecê é tão importante como eu, minha filha, Miguel, Amália. Faço questão de que descanse em uma boa cama e se alimente bem, não quero ouvir mais respostas como essas, entendido?


TOMÁSIA: [Balança a cabeça sem jeito, confirmando que entendeu].


ANA CATARINA: - Ótimo!


MARIA DO CÉU: - Ana Catarina, eu não tenho nem como lhe agradecer. Jamais poderei pagar pela bondade que me fez.


ANA CATARINA: - Pode sim. Vosmecê me paga, sendo feliz a partir de agora. [Completa].


MIGUEL: [Abraça Maria do Céu] - Vai ficar tudo bem, eu prometo. [Conclui].


Cena 04 - Parque da Cidade [Externa/Tarde]

Música da cena: Rosa - Fagner

[Com a transição de cenas, surge o parque municipal do vilarejo. Famílias faziam piquenique na grama, enquanto casais passeavam de canoas no pequeno lago. Entre a multidão, surge Mila, caminhando sozinha, segurando consigo uma sombrinha, para proteger-se do sol.]



MILA: [Observa os casais passeando de mãos dadas e os outros no lago].


SEMINARISTA ÂNGELO: - Apreciando a paisagem, senhorita? [Perguntou ao se aproximar, carregando alguns pacotes consigo].


MILA: [Vira-se ao ouvir a voz e reconhece Ângelo] - Padre Ângelo, como vai? Nem te vi por acá. 


SEMINARISTA ÂNGELO: - Vou muito bem e a senhorita? Vem sempre acá?


MILA: - Na realidade é a primeira vez. Confesso que cada vez fico mais fascinada com a beleza desse lugar. É tão pitoresco, que muito me lembra algumas vilas que conheci na Itália. São José dos Vilarejos é muito bonita, acho que encontrei o meu lugar no mundo.


SEMINARISTA ÂNGELO: - É… Acho que eu também! [Responde].


MILA: - Bom, faço muito gosto em vê-lo, mas creio que com o passar da hora, minha mãe já há de estar me esperando para o jantar que se aproxima. Espero que possamos nos encontrar mais vezes e quem sabe, conhecermos mais um do outro. [Disse tentando se secar do suor com um lenço bordado de cor branca].


SEMINARISTA ÂNGELO: - Naturalmente. Também farei muito gosto… 


MILA: - Até mais ver! [Diz ao sair, tentando colocar o lenço na bolsa, porém ele cai e ela vai embora sem perceber].


SEMINARISTA ÂNGELO: [Começa a caminhar e nota o lenço no chão, ao perceber que trata-se do lenço de Emília, ele tenta alcançá-la, porém ela já havia sumido em meio a multidão. Ele então, recolhe o lenço do chão e sente um pouco do seu perfume] - Tem o cheiro dela! [Pensa em voz alta].


Cena 05 - Gazeta do Vilarejo [Interna/Tarde]

[Surgem algumas imagens da cidade, campos e os canaviais são mostrados, dando lugar às ruas da cidade logo após. Por fim, a fachada do jornal é apresentada. No interior da redação, Ricardo não conseguia se concentrar depois de constatar que Ana Catarina estava realmente certa sobre a família Lobato.]


RICARDO: [Serve-se com um pouco de conhaque, sem perceber que alguém se aproxima].


LAURA: [Cobre os olhos de Ricardo ao se aproximar por trás] - Adivinha quem é? [Perguntou sorridente].


RICARDO: [Tira as mãos de Laura de seus olhos e retorna para sua mesa] - Certamente, uma das maiores e mais pérfidas das mulheres de São José dos Vilarejos. Acertei?


LAURA: [Surpreende-se com a rispidez] - Ricardo, o que aconteceu? Por que vosmecê está falando assim comigo? Eu não entendo…


RICARDO: - Ah, não entende? Muito providencial a sua resposta. Vou lhe refrescar a memória. Maria do Céu Ribeiro Alves, esse é o motivo da minha indignação. Como pode ser capaz de um crime tão monstruoso? Prender uma vida inteira, uma moça, negando-lhe contato com a sociedade, fingindo uma doença… Isso é muito baixo, Laura.


LAURA: [Começa a entender do que Ricardo está falando] - Não, não, não… Vosmecê não pode me acusar por isso, eu não fiz nada contra ela. Foi a minha mãe, ela que é a culpada. [Tenta se justificar, visivelmente abalada].


RICARDO: - O que te torna cúmplice, Laura. Eu sempre soube que vosmecê era ambiciosa, mas o meu amor me deixou cego. Passei por cima disso para tentar me aproximar de você e hoje percebo o quanto vosmecê é terrível, um verdadeiro monstro, tal qual ou até mesmo pior que vossa mãe.


LAURA: [Chora] - Ricardo, não fale assim…


RICARDO: - Laura, eu não quero mais te ver. Me aproximar de vosmecê foi um erro. Vosmecê é como Graça, jamais entenderá o que é o amor, apenas se apega ao dinheiro e para mim, o dinheiro não é mais importante que o amor, a lealdade, que a justiça. Eu não quero mais te ver, vá embora!


LAURA: - Ricardo, por favor. Me deixe explicar!


RICARDO: - Não há o que explicar, vá embora de uma vez por todas, Laura. Não me tirá-la. Saia! [Completa incisivamente].


LAURA: [Vai embora aos prantos].


RICARDO: [Observa a cena, bebe todo o conhaque no copo de uma só vez e bate o copo na mesa com força].


Cena 06 - Fazenda Santa Clara [Interna/Tarde]

Música da cena: Coleção - André Leonno

[Ana Catarina havia se recolhido em seu quarto para se recompor um pouco do dia cheio que havia tido e para isso, resolveu se dedicar a leitura, o que considerava uma das melhores formas para se distrair, quando notou a presença de alguém.]


ANA CATARINA: - Antônio! [Disse ao fechar o livro, logo após avistar Antônio parado em sua porta].


ANTÔNIO: - Eu juro que ia bater, mas quando cheguei acá, a porta não estava fechada e logo se abriu quando eu encostei nela.


ANA CATARINA: - Tudo bem, não precisa se justificar por tudo. Aconteceu alguma coisa?


ANTÔNIO: - Não, na verdade até pode ter acontecido. Afinal, não podemos deixar passar o que aconteceu hoje.


ANA CATARINA: [Levanta-se do gabinete, onde estava acomodada] - Eu não entendo. O que vosmecê quer dizer com isso?


ANTÔNIO: - Sou do seu gesto de hoje, do resgate da sobrinha de Graça Lobato. Confesso que fiquei surpreso, pois a história que ouvia sobre essa jovem, era de que ela havia estudado fora durante anos, por isso ninguém tinha contato com ela. Foi muito nobre de sua parte. Estou orgulhoso. Devo admitir que quando vejo vosmecê envolvida em causas como essa, me recordo da Ana Catarina do passado, que eu conheci há muitos anos. [Fala ao se aproximar].


ANA CATARINA: - Ora, mas eu não fiz nada demais. Só fiz o que qualquer pessoa faria no meu lugar. [Responde sem jeito, abaixando a cabeça].


ANTÔNIO: [Ergue a cabeça de Ana Catarina e a olha nos olhos] - Qualquer pessoa, não. Somente uma de bom coração, Ana Catarina. Somente assim… [Aproxima-se do rosto de Ana Catarina para beijá-la].




Cena 07 - Fazenda Santa Clara [Interna/Tarde]

[Enquanto Antônio se aproximava, Ana Catarina sentiu seu corpo tremer e seu rosto queimar ao ficar corada. Foi nesse momento que ela se afastou bruscamente.]


ANA CATARINA: - Saia! Vosmecê está sempre aproveitando uma oportunidade para me cercar.


ANTÔNIO: - Mas o que está dizendo, Ana Catarina? 


ANA CATARINA: - Vosmecê veio até acá, com essa conversa bonita e pensou que iria me colocar no bolso? De certo que não, Antônio Guerra. Eu me tornei a prova do seu veneno!


ANTÔNIO: [Afasta-se também] - É inacreditável. Sempre que penso que a velha Ana Catarina está prestes a ressurgir, a nova aparece e muda tudo. Ana Catarina, já chega dessa guerra. Eu vejo nos seus olhos, vosmecê me ama.


ANA CATARINA: - Não, eu não posso amar aquele que ajudou a destruir a minha vida.


ANTÔNIO: - Chega, Ana Catarina. Chega! [Grita]. - Eu já estou farto dessa história e farto de negar. Se vosmecê não quer acreditar em mim, eu sinto muito, mas não irei continuar insistindo. Eu vou cumprir o que prometi, faço questão, agora até mais do que nunca. Faço questão de provar que não estou envolvido nessa trama sórdida e vou confirmar que nunca estive mancomunado com a gente que fez isso contra vosmecê e sua família. Eu te dei todas as chances do mundo, mas é inútil. Eu não sei mais quem é você! [Conclui indo embora].


ANA CATARINA: [Fecha a porta com força após ele sair] - Palavras, apenas palavras. Eu não me importo com o que vosmecê pensa. Não me importo! [Completa, fingindo não se importar, mas seus olhos dizem outra coisa, conforme as lágrimas começam a escorrer através de sua face].


Cena 08 - Acampamento Cigano [Interna/Noite]

[Para espairecer e se aproximar cada vez mais de Vladimir, Joana havia aceitado ir até o acampamento cigano, conhecer um pouco mais das pessoas que ali viviam. Após deixar sua tenda, carregando duas canecas consigo, Vladimir começou a procurá-la com o olhar, mas não a encontrava.]


VLADIMIR: - Madalena, boa noite. Vosmecê viu onde está a minha amiga? A Gají da cidade? Eu não a encontro em lugar nenhum… [Perguntou ao se aproximar da velha cigana].

Tradução: Gají = Mulher não cigana.


MADALENA: - Vosmecê está falando daquela ali, a que dança com o nosso povo? [Apontou].


Música da cena: Carinhoso - Céu


VLADIMIR: [Olha para a direção indicada por Madalena e surpreende-se ao ver Joana dançando com outras mulheres, ao som da música cigana, ficando encantado].


JOANA: [Bate palma e gira, acompanhando as outras mulheres, sem avistar Vladimir, enquanto sorri].


Cena 09 - Fazenda Santa Clara [Interna/Noite]

Música da cena: Corre - Gabi Luthai

[Sem fazer barulho, Miguel adentrou no quarto que Maria do Céu ocupava na fazenda. A jovem havia adormecido após o jantar e aproveitava para descansar com tranquilidade, coisa que nunca conseguia fazer na própria casa.]


MIGUEL: [Aproxima-se da cama e acaricia o cabelo de Maria do Céu].


MARIA DO CÉU: [Desperta] - Miguel, vosmecê… Desculpe, não te vi chegar.


MIGUEL: - Não, sou eu que devo me desculpar. Vosmecê estava dormindo tão bem, não quis acordá-la. Como se sente?


MARIA DO CÉU: - Bem melhor, agora bem melhor. Eu nem sei como agradecer por tudo o que estão fazendo por nós.


MIGUEL: - Eu acho que sei uma forma de como vosmecê pode iniciar.


MARIA DO CÉU: - Como? [Questiona].


MIGUEL: - Assim! [Beija Maria do Céu, que corresponde].


Cena 10 - Igreja São José dos Vilarejos [Interna/Noite]

Música da cena: Flor de Lis - Melim

[Com a transição de cenas, surgem as ruas da cidade. A movimentação começa a cessar, conforme o passar da hora. No interior da igreja, Padre Júlio começava a apagar algumas luzes para se recolher, quando adentrou na casa paroquial nos fundos. Ao cruzar o corredor, notou a porta do quarto do seminarista Ângelo aberta e espantou-se com o que viu.]


PADRE JÚLIO: [Encontra Ângelo distraído, cheirando o lenço que Mila havia deixado cair no parque da cidade].


Cena 11 - Casa dos Lobato [Interna/Noite]

[Ainda estarrecida com os últimos acontecimentos, Graça ainda não havia conseguido reagir, quando de repente teve seu quarto invadido.]


LAURA: [Empurra a porta do quarto com força].


GRAÇA: - Que jeito de abrir a porta é esse? Ficou doida, Laura? [Questiona ao voltar a si].


LAURA: - Não, mamãe. A única pessoa que não está atinando bem das faculdades mentais é vosmecê. Ricardo me confrontou sobre o que vosmecê fazia com Maria do Céu e agora estou prestes a perder o único homem que se interessou de mim, de verdade. Somente por conta da sua ambição! Como eu me arrependo de ter me deixado levar tantos anos pelos seus conselhos duvidosos.


GRAÇA: - Ora, muito fácil falar. Agora vosmecê me acusa, nem parece que foi minha cúmplice!


LAURA: - E não fui, mamãe. Ao menos não como vosmecê quer me acusar de ser. Eu sabia que a senhora mantinha Maria do Céu presa e hoje passo a me arrepender de nunca ter feito nada para impedir. Vosmecê nunca pensou em mim ou no meu irmão, realmente. Vosmecê só estava defendendo seus próprios interesses e o amor ao dinheiro. Sabe o que vai acabar acontecendo? Maria do Céu vai tomar conta de todos os seus bens, eu vou sair dessa casa e Pedro vai se casar com a cigana a quem tanto despreza. O seu destino será ficar sozinha. Sozinha! [Completa deixando o quarto].


GRAÇA: - Laura, volte aqui. Laura… Laura! [Grita].


Cena 12 - Fazenda Santa Clara [Interna/Noite]

Música da cena: Amor Gitano - Beyoncé ft. Alejandro Fernández

[Sozinha em seu quarto, Ana Catarina não parava de pensar no que Antônio havia lhe dito e começava a cogitar ceder uma trégua, para que ambos pudessem viver mais tranquilamente na fazenda.]


ANA CATARINA: - Por quê, não? Vamos lá, você consegue Ana Catarina. [Falou para si mesmo, se auto encorajando e em seguida saiu do quarto].


[Ao cruzar o corredor, Ana Catarina tentou bater na porta do quarto de Antônio, mas percebeu que ela estava entreaberta.]


ANA CATARINA: - Antônio, você… [Nota que Antônio não está na cama e nem na escrivaninha, ouvindo então, movimentação vindo do banheiro].


[Instintivamente, Ana Catarina resolveu se aproximar e ao chegar na entrada do banheiro, deparou-se com Antônio deitado na banheira, relaxando imergido na água quente.]


ANA CATARINA: [Observa Antônio na banheira, sem ser vista].


[A imagem congela focando em Ana Catarina observando Antônio tomar banho, surge um efeito de uma pintura envelhecida e o capítulo se encerra].


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