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VILAREJO - Capítulo 39 (Últimas Semanas)



Capítulo 39 (Últimas Semanas)

Cena 01 - Gazeta do Vilarejo [Interna/Manhã]

[Surpreso com o encontro inesperado, Antônio e Vicente conversavam pela primeira vez no meio da rua.]

VICENTE: - E então, o que me diz? Aceita ou não a minha proposta? [Questiona].


ANTÔNIO: - Não sei. Eu não consigo imaginar me unir a um completo estranho para que ele me ajude, não sou acostumado a estar nesse tipo de situação.


VICENTE: - Eu compreendo perfeitamente, meu filho. Não peço que me ame e me veja como pai agora, só peço essa oportunidade para demonstrar o quanto me importo com vosmecê e que estou do seu lado.


ANTÔNIO: [Olha para Vicente, caminha de um lado para o outro por um breve momento e em seguida encara o pai novamente] - Está bem, te darei essa chance, apesar de não acreditar que vosmecê consiga algo, assim como também me vejo nessa dificil missão. Eu te darei esse voto de confiança! 


VICENTE: - Vosmecê não há de se arrepender, meu filho. Eu te prometo! [Completa].


Cena 02 - Casarão D’ávilla [Interna/Manhã]

Música da cena: Acreditar no Seu Amor - Liah Soares

[Com a transição de cenas, surgem as ruas da cidade. Em seguida, os canaviais do engenho D’ávilla e o interior da casa. Na cozinha, Rosaura terminava de aprontar o almoço, quando notou Idalina se aproximar sorrateiramente, com um semblante desconfiado.]


ROSAURA: - Io estou de costas, mas consigo saber que está acá, Idalina. [Responde enquanto mexe uma grande panela].


IDALINA: - É que io quero falar uma coisa, mas tenho vergonha. Num sei como vassuncê há de reagir.


ROSAURA: [Para de mexer ao estranhar o rumo da conversa e olha para Idalina] - Vassuncê? Com vergonha? Só se o dia for noite e a noite for dia. Fala logo de uma vez, menina.


IDALINA: - Sabe o que é, Rosaura? O meu sonho é ser livre, vassuncê é amiga de Ana Catarina, agora que ela é dona de tudo acá, será que vassuncê não consegue pedir para ela me ajudar? Io queria muito ter a chance de mudar de vida, ter um trabalho diferente, aprender, casar…


ROSAURA: [Fica pensativa por um breve momento] - Io posso imaginar essa vontade sua, Idalina. Io sempre quis ser livre na sua idade, mas infelizmente não foi assim. Num vou prometer nada, até porque, vassuncê não merece, mas tentarei fazer algo. 


IDALINA: - Jura, Rosaura? Vassuncê promete? [Grita se alegria e abraça Rosaura,  dando-lhe vários beijos].


ROSAURA: - Tá bom, menina. Não precisa disso! [Responde tentando se soltar].


Cena 03 - Pelotas, Centro da Cidade [Interna/Manhã]

[Desconfiada, Graça chegou na cidade de Pelotas de trem. Desceu na estação e começou a andar pelas ruas, carregando um pedaço de papel na mão, enquanto observava os números das casas ao adentrar em uma rua. Ao constatar que havia chegado no endereço correto, aproximou-se da porta e bateu palmas. Em seguida, um homem não demorou a aparecer e abriu a porta, deixando-a entrar.]


FALSIFICADOR: - E então, o que a senhora deseja? Como chegou acá?


GRAÇA: - Uma amiga me recomendou muito bem os seus serviços. Preciso de um tipo de documento, muito específico por sinal.


FALSIFICADOR: [Fecha a porta e anda pela sala de estar, enquanto olha para Graça] - Amiga? Muito interessante. Que tipo de documento a senhora irá querer? Saiba que acá, eu faço tudo o que desejar.


GRAÇA: [Sorri] - Ótimo, vosmecê será muito bem recompensado. Bem, eu preciso de um documento, que pareça o mais verdadeiro possível. Trata-se de um documento de posse de um escravo. 


FALSIFICADOR: [Cerra os olhos] - Posse de escravo? Que incomum. Qual o nome do felizardo? [Questiona].


GRAÇA: - Miguel. Miguel Soares! [Responde sem pestanejar].


Cena 04 - Mercearia da Paz [Interna/Manhã]

Música da cena: Flor de Lis - Melim

[Com a transição de cenas, imagens externas dos campos da cidade são apresentadas. Em seguida surge a fachada da mercearia. Joana estava inclinada, apoiando-se no balcão, enquanto não parava de olhar para um amuleto que carregava no pescoço, que não percebeu quando a mãe chegou.]


CÂNDIDA: - Pelo o que vejo, noto que vosmecê gostou muito estranha que carrega no pescoço. Parece coisa de bruxaria! [Fala ao se aproximar].


JOANA: - Menos, mamãe. Isso acá é um amuleto, me foi dado com muito carinho e é para trazer muita sorte.


CÂNDIDA: - Aposto que foi aquele maltrapilha do cigano por quem está enrabichada.


JOANA: - Eu não estou enrabichada, mamãe. Não sou desse tipo de mulher. Mas se eu realmente estiver apaixonada pelo Vladimir, qual o problema nisso? Ele é um homem desimpedido, eu sou uma mulher solteira. Não vejo o motivo de falarem mal de nós.


CÂNDIDA: - Mas era só o que me faltava, vosmecê ainda admite, como se tivesse orgulho de se juntar com essa gente.


JOANA: - Nada que vosmecê não tenha feito antes, mamãe. Não se esqueça que eu sou metade cigana. [Ironiza].


CÂNDIDA: [Encara Joana e em seguida se retira].


JOANA: [Não se importa e continua admirando o amuleto].


Cena 05 - Casarão D’ávilla [Interna/Tarde]

[Quando Rosaura adentrou na sala de estar do engenho, logo se surpreendeu com a visita.]


ROSAURA: - Menino Antônio, que surpresa. O que vassuncê faz acá? Veio matar a saudade da casa?


ANTÔNIO: - Na verdade, não. Rosaura, vosmecê me conhece há muitos anos e sabe que eu jamais seria capaz de tentar matar alguém. Tive minhas falhas como ser humano, mas eu não sou esse monstro que Ana Catarina pensa que eu sou.


ROSAURA: - Sei sim, Antônio. Já tentei abrir os olhos da minha menina de várias formas, mas ela é cabeça dura.


ANTÔNIO: - Já que vosmecê sabe que eu não sou esse monstro que ela pensa que sou, me ajude. Me ajude a provar a minha inocência!


ROSAURA: - Mas eu ajudaria, menino. Só não sei como! [Responde sem jeito].


ANTÔNIO: - Eu tenho uma ideia de como vosmecê pode me ajudar.


[Em seguida, Antônio aparece vasculhando as gavetas do antigo escritório da casa, onde Carlota costumava guardar seus papéis, em busca de provas].


Cena 06 - Banco D’ávilla [Externa/Tarde]

Música da cena: Além do Paraíso - Antônio Villeroy

[Ao deixar o banco, Carlota começou a caminhar pelas ruas, enquanto cumprimentava algumas pessoas.]


CARLOTA: - Como vai? Mande lembranças para a sua senhora. Até logo! [Despediu-se de um senhor].


[Sem perceber, Carlota era seguida enquanto caminhava pelas ruas da cidade.]


VICENTE: - Eu vou descobrir em que podres vosmecê está metida, sua maldita! [Falou consigo mesmo através do pensamento].



Cena 07 - Fazenda Santa Clara [Externa/Tarde]

[Ana Catarina e Leonora caminhavam pela propriedade enquanto se aproximavam de uma mesa no jardim para tomarem refrescos.]


ANA CATARINA: - Confesso que não esperava a sua visita, principalmente depois dos últimos acontecimentos dentro da família.


LEONORA: - Eu poderia ter todos os motivos do mundo para não gostar de vosmecê, principalmente por tudo o que tem feito na vida do meu filho, mas apesar de tudo, vejo em seus olhos que vosmecê o ama, por mais que negue.


ANA CATARINA: - Olha, Leonora…


LEONORA: [Interrompe Ana Catarina] - Não, não precisa me dizer o contrário. Eu não vou te julgar por querer fazer justiça com as próprias mãos, Ana Catarina. Eu sei que te fizeram muito mal, só que apesar disso, talvez as coisas não tenham acontecido do jeito e da forma que pensa. Eu também errei muito nessa vida, não quero que sofra o mesmo que sofri nos últimos anos. [Senta-se ao lado de Ana Catarina].


ANA CATARINA: - Vosmecê é só mais uma vítima de Carlota Guerra. Eu sinto muito pelo o que ela fez com a sua vida. [Serve-se com um pouco de refresco].


LEONORA: - Só que eu reagi, Ana Catarina e vosmecê também pode. Não se deixe errar, Ana Catarina. A vida vai te cobrar e quando vosmecê acordar, talvez seja tarde demais. [Conclui].


Cena 08 - Confeitaria Doce Deleite [Interna/Tarde]

Música da cena: Esquadros - Gal Costa

[Ricardo estava reunido com um grupo de abolicionistas, tratando de um artigo, enquanto tomavam café.]


JORNALISTA 1: - Soube que Zumbi dos Palmares ganhou discípulos, apesar de ter morrido. No Nordeste o número de abolicionistas cresceu muito nos últimos tempos.


JORNALISTA 2: - Mas apesar disso, ainda não conseguimos libertar 100% dos escravos e nem acabar com essa praga pelo mundo, precisamos continuar falando disso.


RICARDO: - Eu concordo plenamente com isso e é por esse mesmo motivo, que pretendo ceder uma coluna diária na Gazeta do Vilarejo, vamos massificar nossas falas sobre esse tema tão importante que é o abolicionismo. Precisamos encontrar cada vez mais e mais simpatizantes pela causa. Podemos ser a maioria e vamos ser.


[A reunião corria bem, quando de repente todos foram surpreendidos.]


VICENTE: - Mas o que vosmecê está fazendo acá? Eu já disse que não quero mais te ver. [Perguntou quando viu Laura se aproximar da mesa].


JORNALISTA 1: - Quem é essa mulher, Ricardo? [Estranha].


LAURA: - Disse. Disse sim! Mas vosmecê foi insistente e conseguiu furar uma bolha, não vou deixar que isso se acabe assim.


RICARDO: - Se vosmecê está falando daquele beijo roubado…


LAURA: - De muitos que virão. Ricardo, vosmecê me faz querer ser uma mulher melhor, me faz querer evoluir como ser humano. Hoje o meu maior arrependimento é não ter te visto antes como deveria. Por mais que me renegue, agora é minha vez de provar o quanto é importante para mim, que eu não vou desistir como vosmecê não desistiu de mim.


RICARDO: [Tenta continuar demonstrando indiferença] - O que vosmecê quer dizer com isso, Laura?


LAURA: [Ajoelha-se perante Ricardo, diante todos na confeitaria, que passam a observá-la] - É a primeira vez que faço isso e espero que a última. Então não me interrompa. Lá vai! [Respira fundo]. - Ricardo Bonifácio, vosmecê aceita se casar comigo?


JORNALISTA 2: - Céus! [Surpreende-se].


RICARDO: [Impressiona-se com o gesto de Laura, enquanto atrai todos os olhares da confeitaria].


JORNALISTA 1: - Ricardo, a moça te fez uma pergunta. Não vai deixá-la o dia todo ajoelhada, vai? Tá todo mundo olhando para nós. [Responde sem jeito].


LAURA: [Se entristece com o silêncio de Ricardo e entende como uma negativa] - Bom, acho que não tenho mais nada para fazer acá. [Diz ao se levantar com os olhos marejados]. - Me desculpem por interromper a reunião de vosmecês. Eu vou me retirar, com licença! [Caminha em direção a saída da confeitaria, gerando um falatório no lugar].


RICARDO: [Olha para os lados e em seguida, levanta-se bruscamente] - Eu aceito! [Grita].


LAURA: [Para de caminhar, visivelmente emocionada].


RICARDO: - Eu disse que aceito. Eu quero me casar com vosmecê…


LAURA: [Chorando, Laura olha para Ricardo].


RICARDO: - É tudo o que eu mais quis e quero nessa vida, te fazer minha esposa.


[Os dois se aproximam do centro da confeitaria e se beijam. Todos os presentes começam a aplaudir os dois.]


Cena 09 - Igreja São José dos Vilarejos [Interna/Tarde]

Música da cena: Rosa - Fagner

[Sozinho na igreja, Ângelo terminava suas orações ajoelhado perante o altar, quando uma fiel se ajoelhou ao seu lado.]


MILA: - Ainda demora a terminar suas orações?


SEMINARISTA ÂNGELO: - Vosmecê, nem te vi. Já estou acabando, precisa de alguma coisa? O Padre Júlio não está.


MILA: - Na verdade eu não estou acá pelo padre, vim por vosmecê.


SEMINARISTA ÂNGELO: - Por mim? [Surpreende-se].


MILA: - Sim, vosmecê tem sido um amigo muito especial para mim. Não tenho muitos amigos acá, principalmente da minha idade e vosmecê tem sido alguém que eu tenho gostado de me aproximar, por isso lhe trouxe um presente.


SEMINARISTA ÂNGELO: - Presente? [Repete].


MILA: [Estende a mão e entrega um crucifixo de madeira, com detalhes dourados] - Eu ganhei do meu pai, um homem muito importante. Acredito que ele ficará melhor acá, com vosmecê.


SEMINARISTA ÂNGELO: - Mas eu não posso aceitar, principalmente sabendo que foi um presente de vosso pai.


MILA: - Nem se atreva a dizer não. Eu não vou aceitar essa desfeita. É seu, não tem mais jeito! [Responde colocando o objeto nas mãos de Ângelo].


SEMINARISTA ÂNGELO: [Ao segurar, observa melhor o objeto] - É muito bonito.


MILA: - Como o laço que nos une! [Completa].


Cena 10 - Fazenda Santa Clara [Interna/Tarde]

Música da cena: Corre - Gabi Luthai

[Maria do Céu apreciava a paisagem da fazenda através da janela do seu quarto, quando Ana Catarina entrou.]


ANA CATARINA: - Olha só o que eu trouxe, presente! [Fala alto ao adentrar carregando um cavalete, uma tela e um pacote consigo].


MARIA DO CÉU: - Meu Deus, eu não posso acreditar no que os meus olhos estão vendo.


ANA CATARINA: - Miguel me disse que vosmecê é uma artista nata, então para uma boa pintora, material de trabalho. Acá, vosmecê poderá fazer o que mais ama, com muita tranquilidade. Tenho tudo o que precisa, cavalete, tela e várias cores de tinta.


MARIA DO CÉU: - Vosmecê é um anjo, Ana Catarina. Por mais que já tenha dito, volto a repetir. Nunca poderei te pagar o que tens feito, é uma verdadeira amiga.


ANA CATARINA: - Eu olho para vosmecê e vejo a irmã que perdi. Ela era assim, do seu jeitinho. Sensível, gostava de artes.


MARIA DO CÉU: - Vosmecê fala dela com muita doçura. O que houve com ela? [Questiona sem imaginar o que aconteceu].


ANA CATARINA: - Infelizmente ela morreu, se foi de uma forma trágica. Teve a sua vida ceifada por conta de uma maldita mulher, tão má quanto a sua tia. [Responde ao mudar de expressão, trazendo à tona um olhar melancólico e sombrio].


Cena 11 - Gazeta do Vilarejo [Interna/Tarde]

[O dia amanhece e anoitece rapidamente. A movimentação na cidade é apresentada, apresentando uma passagem de tempo. Após tomar um banho de água fria por não encontrar nada no antigo escritório de Carlota, Antônio e Vicente pensavam em uma outra forma de desmascará-la.]


ALGUMAS SEMANAS DEPOIS…


VICENTE: - Mas tem que haver alguma forma, algum indício.


ANTÔNIO: - Nada, nada, nada… Eu não encontrei nada que incrimine Carlota. Começo a acreditar que ela cometeu o crime perfeito.


VICENTE: - Não, não. Tive uma ideia, essa talvez seja a nossa última alternativa.


ANTÔNIO: [Estranha] - Qual, Vicente? Qual seria essa alternativa?


VICENTE: - Precisamos dar um jeito de entrarmos no escritório dela no banco, com certeza lá podemos encontrar alguma prova cabal contra ela.


ANTÔNIO: [Observa Vicente, seriamente].


Cena 12 - Casa dos Lobato [Interna/Manhã]

[Graça desceu a escada rapidamente após ouvir alguém bater insistentemente na porta.]


GRAÇA: - Já vai… Já vai! Nossa, para quê tanta pressa? [Questionou-se enquanto andava pela sala de estar].


[Graça percorreu a sala e logo se aproximou da porta, abrindo-a em seguida.]


GRAÇA: - Vosmecê? [Questiona surpresa ao avistar quem é].


FALSIFICADOR: - Eu mesmo e trouxe  a sua encomenda! [Fala erguendo um envelope].


GRAÇA: [Sorri ao observar o envelope e entender do que se trata].


[A imagem congela focando em Graça frente a frente com o falsificador, surge um efeito de uma pintura envelhecida e o capítulo se encerra].


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