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VILAREJO - Capítulo 46 (Últimos Capítulos)


Capítulo 46 (Últimos Capítulos)

Cena 01 - Casarão D’ávilla [Externa/Noite]

[Enquanto Carlota e Filipe continuavam aos beijos, Zeferino continuava os observando.


ZEFERINO:  - Vassuncê está pensando que me engana, mas ninguém engana Zeferino. Ninguém! [Murmura].


[Enquanto isso, Carlota afastou-se de Filipe, fingindo certo pudor.]


CARLOTA:  - Céus, assim vosmecê vai me deixar sem ar…


BARÃO FILIPE:  - Eu não resisti, ficar perto de vosmecê é uma tentação. Vosmecê é uma mulher muito bonita e me atrai.


CARLOTA:  - Assim, alguém pode nos ver. O que irão falar? Eu sou uma viúva decente, não posso ficar falada, principalmente num vilarejo pequeno como esse.


BARÃO FILIPE:  - Vosmecê não ficará falada, pelo contrário. Vosmecê terá tudo, desde que fique do lado certo. Do meu lado! [Completa].


Cena 02 - Acampamento Cigano [Interna/Noite]

[A festa do casamento de Pedro e Açucena continuava a todo vapor. Apesar da morte de Vicente, o povo cigano gostava de homenagear os mortos e antepassados, celebrando a vida. No interior de uma das tendas, Ana Catarina conversava com Vladimir, Leonora e Juvenal.]


VLADIMIR:  - Mas esse forasteiro não pode fazer isso, se vosmecê quiser, posso ir falar com ele, de homem pra homem.


LEONORA:  - Na verdade, para revogar um testamento, esse barão e irmão do conde teria que apresentar um motivo extremamente consistente. Ele não tem, certo?


ANA CATARINA:  [Anda de um lado para o outro aflita, para enfim responder] - Talvez ele tenha. Há um segredo de família que ele descobriu e está me chantageando agora.


VLADIMIR:  - Segredo de família? Do que vosmecê está falando?


ANA CATARINA:  - Eu não posso falar, pelo menos não ainda. 


LEONORA: - Tudo bem, minha querida. Nós entendemos!


VLADIMIR:  - Vosmecê é praticamente uma de nós. Há lugar para todos acá, fiquem quanto tempo quiser.


ANA CATARINA:  [Sorri aliviada] - Obrigada!


Cena 03 - Mercearia da Paz [Interna/Noite]

Música da cena: Carinhoso - Céu

[Após deixar a festa de casamento, Joana procurou Vladimir para se despedir, mas como não o encontrou, resolveu voltar para casa pelo tardar da hora. Ao adentrar na mercearia, ela retirou as botas para não fazer barulho ao subir a escada de madeira que dava acesso ao sobrado onde morava com a mãe.]


JOANA:  [Pega as botas do chão e sobe os degraus na ponta dos pés, de forma silenciosa].


CÂNDIDA:  [Acende a luz e surge no topo da escada] - De novo! Vosmecê estava com aquele maldito cigano, não estava? [Grita]. - Até quando vai me envergonhar desta forma? Eu te criei tão bem, apesar das dificuldades, te dei educação, estudo e vosmecê quer terminar sua vida como uma andarilha? Isso nunca, eu não vou permitir. [Grita].


JOANA:  - Ai, mamãe… Eu tive uma noite ótima, não quero voltar a discutir pelo mesmo motivo, me deixa passar. Estou cansada, quero dormir. Amanhã abriremos cedo a mercearia… [Responde ao chegar no alto da escada e tentar atravessar].


CÂNDIDA:  - Não, vosmecê não vai me deixar falando sozinha! [Diz ao segurar o braço da filha com força].


JOANA:  - A senhora está me machucando, me solta…


CÂNDIDA:  - Afaste-se dele enquanto há tempo, Joana. Afaste-se!


JOANA:  [Se desvencilha da mãe ao se soltar] - Já chega, mamãe. Vosmecê está insuportável com tanta insistência, já vi que não dá para conversarmos sobre isso, é melhor eu sair.


CÂNDIDA:  [Surpreende-se] - Como assim, sair? Vosmecê acaba de chegar!


JOANA:  - Isso não será um problema. Eu vou descer, calçar as minhas botas, passar pela mesma porta por onde entrei e vou retornar ao acampamento para pedir abrigo. Eu estou farta disso, mamãe. Vosmecê não vai mais comandar a minha vida, não vai.


CÂNDIDA:  - Isso é o que veremos! Me dê acá essas botas, vosmecê não vai mais sair… [Tenta tirar as botas das mãos de Joana, aos gritos].


JOANA: - Não, mamãe… [Diz tentando segurar as botas].


[Joana e Cândida discutiam no alto da escada, enquanto giravam tentando se desvencilhar uma da outra. Foi nesse momento, que Cândida se desequilibrou e rolou escada abaixo, chegando ao chão inconsciente.]


JOANA:  [Assusta-se] - Mamãe… [Desce a escada rapidamente e se aproxima de Cândida, que permanecia imóvel]. - Mamãe, fale comigo… Eu imploro! [Disse tentando reanimá-la].


Cena 04 - Casa dos Lobato [Interna/Noite]

[Com a transição de cenas, surgem imagens externas da cidade e em seguida a fachada da casa da família Lobato. No interior da propriedade, Maria do Céu tentava pensar em uma forma de fugir do sótão, enquanto caminhava de um lado para o outro no cômodo.]


MARIA DO CÉU:  [Aproxima-se da janela] - Não dá mais, eu preciso dar um jeito de sair dessa casa, eu preciso resgatar o Miguel. Precisamos sair desse lugar, mas como meu Deus? Me ajuda, me dá uma luz… Me ajuda, meu Deus! [Suplica olhando para o céu].


Cena 05 - Acampamento Cigano [Externa/Noite]

[Em meio a festa de casamento, Mila afastou-se com Tomásia e Amália, para deixá-las atualizadas dos últimos acontecimentos.]


MILA:  - Então foi isso o que aconteceu. Meu tio conseguiu congelar os nossos bens e ninguém pode morar na casa enquanto isso, somente os empregados, já que os gastos essenciais continuarão sendo mantidos pela justiça.


TOMÁSIA:  - Agora tudo faz sentido, por isso tinha um guarda lá na porta.


AMÁLIA:  - Eu jamais ficaria naquela fazenda sem as minhas jóias preciosas. E como sua mãe está, minha querida?


MILA:  - Arrasada, como mais ela estaria? [Conclui pensativa].


Cena 06 - Acampamento Cigano [Interna/Noite]

Música da cena: Amor Gitano - Beyoncé ft. Alejandro Fernández

[Sozinha, Ana Catarina adentrou na tenda onde Antônio permanecia inconsciente.]


ANA CATARINA: [Emociona-se ao reencontrá-lo] - Aí está vosmecê… [Aproxima-se dele]. - Vosmecê não imagina as coisas que estão acontecendo. Parece que o mundo está desmoronando e eu não sei o que será de nós a partir de agora. Eu daria tudo para que vosmecê acordasse e estivesse acá, me apoiando. Eu nunca vou me perdoar por não ter aproveitado essa segunda chance que a vida nos deu, nunca. [Diz ao se debruçar em cima do marido e começar a chorar].


ANTÔNIO:  [Abre os olhos].



Cena 07 - Casarão D’ávilla [Interna/Noite]

[Ana Catarina permanecia debruçada em cima de Antônio, chorando seu pranto, sem perceber o que havia acabado de acontecer.]


ANA CATARINA:  - Eu só queria poder vê-lo acordado novamente, Antônio. Só isso! [Diz entristecida].


ANTÔNIO:  - A… A… Ana… Catarina. Onde eu estou? O que aconteceu? [Questiona confuso, olhando em volta].


ANA CATARINA: [Surpreende-se ao ouvir a voz do marido e levanta-se, enfim, vendo-o acordado] - Antônio, vosmecê acordou. Bendito seja Deus!


Música da cena: Amor Gitano - Beyoncé ft. Alejandro Fernández


ANTÔNIO: - Não vai ser dessa vez que eu vou te deixar. [Respondeu com um sorriso].


ANA CATARINA:  [Abraça o marido e chora em seu peito, agora envolvida num misto, de tristeza e alegria] - Eu tive tanto medo de perdê-lo, tanto medo.


Cena 08 - Mercearia da Paz [Interna/Noite]

[Cândida estava deitada em sua cama. Após a queda, Joana havia chamado um médico e ela permanecia inconsciente.]


JOANA:  - Então, doutor. É muito grave? A minha mãe vai acordar? [Pergunta assustada].


MÉDICO: - Sim, aparentemente não há nada de errado. Sua mãe não quebrou nenhum osso, seus reflexos estão bons…


CÂNDIDA:  [Acorda lentamente, queixando-se de dor de cabeça] - Ah, minha cabeça… Parece que me bateram com uma pedra. Como dói!


MÉDICO: - Não disse? Está tudo bem!


JOANA:  [Aproxima-se da cama] - Mamãe, que bom que está bem. Como se sente?


CÂNDIDA:  [Estranha] - Mamãe? Como assim? Eu tenho uma filha? [Questiona visivelmente confusa].


JOANA: [Surpreende-se].


Cena 09 - Casa dos Lobato [Interna/Noite]

Música da cena: Lua Cheia - Dienis (Participação Especial: Letícia Spiller)

[Os ciganos dançavam em volta dos noivos, que continuavam dançando em sintonia, visivelmente apaixonados.]


RICARDO: - Eles fazem um bonito casal, não fazem?


LAURA: [Sorri ao observar a felicidade do irmão] - Vosmecê tem razão. Os dois formam um lindo casal! [Concordou].


[Em meio a dança, Pedro aproveitou para se declarar mais uma vez para sua esposa.]


PEDRO:  - Eu te amo, minha ciganinha. Quero construir uma vida ao seu lado. Vou arrumar um bom emprego e logo mais, nós dois teremos a nossa própria casa e filhos, muitos filhos.


AÇUCENA: - Muitos filhos?


PEDRO: - Pelo menos uns dez. Oito meninos e duas meninas…


AÇUCENA: - E se forem oito meninas e dois meninos? Acaso vai amá-los com menos intensidade? [Questiona].


PEDRO: - De certo que não, seriam todos uma mistura nossa. Um pouco de mim e um pouco de vosmecê. Amarei o que vier integralmente, assim como eu amo vosmecê.


AÇUCENA: - Assim como eu também te amo! [Concluiu beijando-o nos lábios].


[De longe, Madalena os observava segurando algo nas mãos.]


MADALENA:  [Olha mais uma vez para a carta de tarot que havia puxado e observou os noivos silenciosamente].


Cena 10 - Acampamento dos Ciganos [Interna/Manhã]

Música da cena: Flor de Lis - Melim

[O dia amanhece e imagens da cidade são apresentadas. As imagens percorrem as belas paisagens do vilarejo e em seguida surge o acampamento cigano. No interior da tenda, o médico ainda estava surpreso com a rápida recuperação de Antônio.]


MÉDICO: - É realmente surpreendente a sua melhora, Senhor Guerra.


ANTÔNIO: - Eu sou forte, não vai ser uma bala de raspão que vai me tirar do jogo.


ANA CATARINA: - Não vai mesmo. Esperamos que a partir de agora, vosmecê fique bem longe de todas as malas.


MÉDICO: - Pelo o que vejo, vosmecê já está sendo muito bem cuidado por uma enfermeira amorosa e dedicada. Vou deixá-los a sós, se precisarem de mim, não exitem em me procurar.


LEONORA: - Pode deixar, Doutor. Venha comigo, vou acertar o seu pagamento. [Disse ao sair acompanhando o médico].


ANA CATARINA:  [Aproximou-se de Antônio e sorriu] - Vosmecê deveria descansar agora, já se esforçou muito.


ANTÔNIO: [Sorri] - Eu estou bem, não se preocupe. Já dormi demais, agora preciso acertar contas pendentes.


ANA CATARINA: [Estranha] - Contas pendentes? Do que se refere?


ANTÔNIO: - Em breve vosmecê saberá. Muito em breve! [Responde em tom misterioso].


Cena 11 - Casarão D’ávilla [Interna/Manhã]

[Carlota preparava-se para sair, quando notou Zeferino estranho.]


CARLOTA: - Onde esteve? Vosmecê não voltou a noite toda. [Disse ao ver o capitão do mato].


ZEFERINO:  - Por aí… Io estive por aí! [Responde de maneira vaga].


CARLOTA:  [Estranha] - Que bicho te mordeu? Vosmecê está agindo de forma estranha.


ZEFERINO:  - Não aconteceu nada…


CARLOTA: - Tem certeza? É que vosmecê…


ZEFERINO:  [Interrompe Carlota] - Já disse que não. Por que? Aconteceu alguma coisa? [Pergunta com ironia].


CARLOTA: - Não, não aconteceu nada demais. [Disfarça].


ZEFERINO: - Foi o que pensei. Agora io vou sair, tenho muito trabalho. Até mais ver! [Disse ao sair].


CARLOTA:  [Observa-o sair e permanece desconfiada].


Cena 12 - Casa dos Lobato [Interna/Manhã]

Música da cena: Carinhoso - Céu

[Após o casamento, Pedro havia levado Açucena para viver em sua casa, enquanto não arrumava um bom emprego e uma casa para os dois. Depois da noite de núpcias, Açucena despertou ao lado do marido, que permanecia dormindo.]


AÇUCENA: [Sorri ao acordar ao lado de Pedro. Em seguida observou o quarto e resolveu levantar sem fazer barulho. Sua intenção era preparar um café da manhã surpresa para os dois. Ao se levantar, vestiu um hobby de seda que havia ganhado de Laura].


[Ao sair do quarto, Açucena fechou a porta lentamente para não fazer barulho. Ao observar o extenso corredor da casa, pensou para que lado seguir.]


AÇUCENA: - Essa casa é muito grande… Vou acabar me perdendo! [Falou consigo mesma].


[Neste momento, Açucena ouviu um barulho vindo do sótão.]


AÇUCENA: - Que barulho foi esse? [Perguntou a si mesma. Ao se virar, notou a escada que dava acesso ao sótão.]


[Instantaneamente, Açucena sentiu a vontade de ver o que estava acontecendo e resolveu subir. Ao chegar ao segundo andar da casa, notou a porta do sótão e cismada, pensou em voltar, porém novamente ouvir barulhos estranhos.]


AÇUCENA: [Respira fundo e em seguida, toma coragem e gira o trinco da porta, porém percebe que ela está trancada].


[No interior do cômodo, Maria do Céu se aproximou rapidamente.]


MARIA DO CÉU: - Titia? É a senhora? Titia, me deixe sair deste lugar, por tudo que há de mais sagrado… [Disse ao se aproximar da porta pelo lado de dentro].


AÇUCENA: [Surpreende-se] - Quem está aí? 


MARIA DO CÉU: - Sou eu, Maria do Céu! [Responde sem entender nada].


AÇUCENA: [Aterroriza-se].


Cena 13 - Acampamento dos Ciganos [Interna/Tarde]

[Dentro da tenda, Leonora e Ana Catarina observavam Vladimir, Antônio e o Oficial de Justiça conversarem.]


OFICIAL DE JUSTIÇA: - Fico realmente muito feliz em vê-lo restabelecido, Senhor Guerra. Mas a que devo a honra do convite? Assim que recebi a sua mensagem, mal pude acreditar no que estava lendo.


ANTÔNIO: - Soube que o senhor preferiu se deixar levar por boatos ao invés de investigar mais a fundo o que houve. O senhor sabe que eu sou advogado, conheço as leis e tenhos meus contatos na capital, não sabe?


OFICIAL DE JUSTIÇA: [Incomoda-se] - Eu não sei onde pretende chegar com essa conversa, Senhor Guerra.


VLADIMIR: [Sorri com ironia] - Entende, claro que o senhor entende onde ele quer chegar, pois foi o senhor mesmo que acusou meu povo de fazer o que não fez.


ANTÔNIO: - A corte nomearia outro oficial para o nosso vilarejo após saber de sua conduta arbitrária. Por isso o chamei aqui, para pôr fim em boatos e lhe dar provas contundentes, o meu depoimento de principal vítima. Quero esclarecer de uma vez todo e qualquer mal entendido.


OFICIAL DE JUSTIÇA: - Pois bem, estou a todo ouvidos.


ANTÔNIO: - Não foi a minha esposa que tentou me matar no outro dia. Quem atirou em mim e em Vicente Guerrero… Meu pai… Foi Zeferino, capitão do mato da fazenda de minha mãe. Foi ele que e seus comparsas que invadiram o acampamento e tentaram me matar! [Conclui].


[A imagem congela focando em Antônio, surge um efeito de uma pintura envelhecida e o capítulo se encerra].


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