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Débora - Capítulo 27


Débora
CAPÍTULO 27

uma novela de
FELIPE LIMA BORGES

escrita por
FELIPE LIMA BORGES

baseada nos capítulos 3 a 5 do livro de Juízes

 No capítulo anterior: Eloá e Danilo desconfiam do comportamento de Darda na competição do desjejum. Débora conta para os pais sobre o que vai fazer, e Elian a despreza e a diminui. Ainda diz ter certeza de que ela nunca mais voltará para Betel. Ele continua dizendo que a filha é egoísta, desesperada por atenção e que a promessa de liberdade de Deus jamais viria das mãos de uma mulher, muito menos de uma como ela. Já que é a última vez que eles se veem, Débora pede um abraço do pai, mas ele se recusa dizendo que se o fizer estará compactuando com as ideias dela. Na Fortaleza, Sama desabafa que está pagando pelas escolhas erradas que fez. Seu casamento abusivo, agora levada para ali... Espera que Iru venha visita-la com sua filha, mas não se surpreenderia se nunca mais a visse. Hanna conta para Sísera que um homem rico pagou sua dívida, e que agora seu sonho está relacionado às feiticeiras. Najara prova os pratos e decide eliminar a candidata que teve o trigo derrubado por Darda. Injustiçada, a moça tenta se explicar, mas Najara não dá ouvidos. Por fim, Najara é pega por uma crise de espirros, e conclui ter vinda de um dos pratos. Furiosa, elimina mais uma, e Eloá e Danilo sabem que Darda pode estar relacionada com isso. Laís se surpreende com a presença de Gadi e os dois se agarram afoitamente. Tamar diz que, mesmo de um jeito torto, acredita que Elian aprendeu a sentir algo pela filha. Ele diz que enquanto ela for a criança imatura de sempre, não mudará. E que seria muito melhor se ela tivesse se casado com Éder. Adélia e Laila resolvem abrir a loja em sua casa. Baraque volta para casa e diz à esposa Sara e aos pais Renê e Abinoão que ainda vai encontrar o tesouro de sua família. Jaziel, Tamar e Elian encontram Débora e Lapidote, e Elian faz questão de dizer que foi ali arrastado. Débora então diz que é hora de falarem as verdades. E revela saber que foi o pai quem expulsou Lapidote e Misael 26 anos atrás.
FADE IN:

CENA 1: EXT. BETEL – RUAS – NOITE
Apesar da pouca luz, é possível notar a palidez do rosto de Elian, que olha para Lapidote.
ELIAN
Nós tínhamos um acordo...
LAPIDOTE
Quando aceitei o acordo já havia contado a verdade para ela. Débora sabe da verdade há muito tempo.
DÉBORA
Sim. Sei do ato vil de meu pai há mais tempo do que ele imagina.
Elian, deslocado, a encara.
DÉBORA
Mas não precisa se preocupar, meu pai, pois não farei nada. Assim como não fiz há 20 anos. Era só mesmo para o senhor enfrentar tudo que se tem que enfrentar em um último encontro como esse.
ELIAN
Você quer saber?! Eu fiz mesmo tudo isso! E não me arrependo nem um pouco! Você devia estar casada com Éder! Devia honrar a escolha de seu pai! Agora que quer ir se matar, que vá! Vá lá fazer sua diferença, vá lá mudar o mundo! Vamos ver quanto tempo você dura. Particularmente, acho que amanhã Tamar já recebe a notícia de que terá que partir para sepultar sua filha.
TAMAR
Pare, Elian!!!
Deixando a desesperada esposa, a chorosa filha e os preocupados Lapidote e Jaziel para trás, Elian simplesmente vira e vai embora a passos apressados.
Débora tem um princípio de choro, mas Lapidote se aproxima e a segura nos braços.
LAPIDOTE
Débora. Débora, meu amor! Fique firme! Fique firme em seu propósito. Não se abata.
DÉBORA
(limpando as poucas lágrimas) Tudo bem... Está bem.
Ela respira fundo, Lapidote a solta e ela olha para Jaziel.
DÉBORA
Por que está com suas coisas?
JAZIEL
Bem... Eu partirei com você.
DÉBORA
O quê?! Vai lutar comigo?! Isso é ótimo! Terei uma grande ajuda!
JAZIEL
Não, minha amiga...  Infelizmente não estou emocionalmente apto para isso. Vou é me tratar. Tentar me curar... Preciso ver o que Israel ainda tem a me oferecer.
DÉBORA
Hum... Pois tome cuidado, Jaziel.
JAZIEL
Não sou eu quem está indo desafiar um império.
Débora sorri.
DÉBORA
Tudo bem. Então caminharemos um trecho juntos.
Tamar abraça a filha e fica grudada nela.
TAMAR
E você tome muito cuidado, minha filha... Seja prudente. E, por favor, não demore a voltar... Não podemos passar tanto tempo sem ter notícias...
DÉBORA
Mãe, se tudo der certo, vocês terão notícias minhas mesmo eu estando distante.
Tamar faz que sim... Débora vira para o marido. Ele pega as mãos dela.
LAPIDOTE
Débora... No momento em que a vi... Eu com 14 anos e você com 12... eu soube que ali na minha frente poderia estar o meu grande amor. A mulher por quem eu seria capaz de dar minha vida. Só nunca pensei que um dia ela é quem se arriscaria em prol de todos, até mesmo de mim.
DÉBORA
Sim, até de você, meu amor. Faço isso também pelo futuro de nossa família.
LAPIDOTE
Se houver algo que eu possa fazer para ajudá-la, e que não estou fazendo, diga-me. Por favor, diga-me que farei minha função de marido e a ajudarei.
DÉBORA
Lapidote, você já me ajuda tanto, todos os dias, de formas que nem imagina!
Lapidote sorri suavemente.
DÉBORA
Nunca, jamais se sinta culpado ou pense que está fazendo menos do que deveria. Pois você é o melhor que eu poderia ter.
LAPIDOTE
Obrigado, meu amor.
Débora, sorrindo emocionada, passa a mão no rosto dele.
DÉBORA
Vou sentir tanto a sua falta...
Lapidote então se aproxima e a beija, um beijo não muito rápido, um beijo de despedida...
Por fim seus lábios se desgrudam.
DÉBORA
Isso foi maravilhoso...
Lapidote sorri.
DÉBORA
Bem... Acho que está na hora.
Débora ainda abraça a mãe enquanto Jaziel abre a passagem secreta. Ela então pega suas coisas e segura em uma só mão. A outra fica grudada na de Lapidote, mesmo com eles se afastando. Por fim só seus dedos se tocam... até que eles também se desprendem. Débora deixa um último olhar de carinho para o marido antes de se abaixar e passar pelo buraco na muralha. Lapidote, com os olhos marejados, a observa sumir na escuridão...

CENA 2: EXT. CAMPO – NOITE
Débora e Jaziel caminham silenciosamente pelos campos. Cada vez mais Betel fica para trás...
Caminham até amanhecer.

CENA 3: EXT. VILAREJO – DIA
Débora e Jaziel chegam às ruínas do vilarejo destruído pelos hazoritas. Ela franze a testa.
DÉBORA
Os corpos...
JAZIEL
Os malditos devem tê-los descartados...
Débora olha com pesar para o amigo.
Então coloca suas coisas no chão.
DÉBORA
Acho que é aqui que nos separamos.
JAZIEL
Sim. E se ainda posso te dar um conselho, não se separe da sua espada. (apontando com a cabeça) Está aí?
Ela olha para suas coisas.
DÉBORA
Sim. Jaziel, se hoje eu posso fazer o que estou fazendo, também é graças a você. Espero revê-lo em breve.
JAZIEL
Antes quero ouvir sobre o que estará aprontando por aí.
Ela sorri.
DÉBORA
Ore, viu, Jaziel? Não desanime. Não se esqueça de Deus. Ele não se esquece de nós. Às vezes... Ele está nos testando, para ver se somos dignos de uma grande bênção que nos reserva.
JAZIEL
Então meu teste está durando anos.
DÉBORA
Não fale assim...
JAZIEL
Não vou te atrasar e tomar mais do seu tempo.
Então eles se abraçam...
Se soltam.
JAZIEL
Shalom, Débora.
DÉBORA
Shalom, Jaziel.
Ele vira e sai levando suas coisas. Débora o observa se distanciar...



CENA 3: EXT. VILAREJO – DIA
Triste, Débora cruza as ruínas do vilarejo... Um cenário de desolação e morte.
Quando sai do outro lado, ela olha para trás, observa uma última vez a destruição... e vira para partir.
Mas para ao ver um vulto se mexer. Olha... Há um barulho... Franze a testa e encara o ponto onde acha ter visto o movimento, mas não identifica nada de diferente. Então Débora abre suas coisas, pega a espada e se aproxima com cuidado...
Ela é cautelosa, segura a espada com firmeza... Barulho... Parece mesmo estar vindo dali... Do outro lado de uma parede inclinada... uma massa escura... grande... no chão... se mexendo...
Ao perceber do que se trata, Débora abaixa a espada e vai até lá correndo.
DÉBORA
Meu Deus!...
Ela corre e para derrapando ao lado de um cavalo, um grande cavalo escuro ainda com a cela. Caído em meio aos destroços, o animal agoniza...
DÉBORA
Há quanto tempo você estará aqui, meu Deus!...
Débora percebe que a corda dele está presa a um poste de madeira que, por sua vez, está preso por um nó em meio aos destroços. Apesar da força, o cavalo não conseguiria desprender o nó. Identificando o problema, ela faz força, desata o nó e tira a corda do meio do entulho.
DÉBORA
Vamos...
Débora tenta puxar o animal, estimulando-o a se levantar... Percebendo a possibilidade, o cavalo se esforça e rapidamente se põe de pé. Diante dela ele fica sobre as patas traseiras e relincha. Ao voltar à posição normal, Débora sorri e passa a mão na crina.
DÉBORA
Muito bem! O que acha de uma água fresquinha, hum? Vamos!
Ela volta, pega suas coisas, guarda a espada, e depois sai dali guiando o cavalo, puxando-o pela corda.

CENA 4: INT. CASA DO AMOR – QUARTO – DIA
Deitado, Gadi assiste Laís, nua, se levantar da cama e se vestir.
GADI
Sempre pontual em sua saída.
Laís, ajeitando o cabelo, olha para ele.
LAÍS
Para mim a ética profissional é muito importante.
GADI
“Profissional”... “Trabalho”... Esses termos que você tanto usa não combinam com o que acontece entre nós dois durante a noite.
LAÍS
Mas não pode negar que é o que é.
GADI
Laís... Mas você... não sente o mesmo? Não concorda comigo?
LAÍS
A minha função é atender ao fogo das entranhas de meus clientes, Gadi.
GADI
Laís... Eu estou sendo sincero. Já estive com outras mulheres, inclusive meretrizes. Mas com você... é diferente.
Laís continua a se arrumar.
LAÍS
Eu já disse que você é bom. Já o elogiei antes. E se não for por meio de pagamento, durante o ato não sou de elogiar o cliente. Mas você é bom sim, Gadi. Nunca neguei. Com você não sinto a repulsa velada que sinto com os outros...
Gadi sorri.
GADI
Quero te pedir uma coisa.
LAÍS
Diga.
GADI
Quero acompanha-la.
LAÍS
Acompanhar? A mim? Até onde?
GADI
Lá embaixo...
Laís fica meio sem jeito, pensa... Mas faz que sim.
LAÍS
Tudo bem. Claro...
Gadi então se levanta e se veste. Logo os dois saem do quarto.

CENA 5: INT. CASA DE ADÉLIA – SALA – DIA
Vindo de outro cômodo, Laila chega à sala e se surpreende com a presença da irmã, escorada na mesa.
LAILA
Adélia? Ainda não foi?
Adélia olha para ela.
ADÉLIA
É... Estou imaginando a nossa lojinha bem aqui... O balcão... As prateleiras... As mesas com os clientes...
LAILA
É... Vamos precisar fazer uma boa mudança nessa sala. Uma verdadeira transformação.
ADÉLIA
Uhum, irmãzinha... Bom, mas enquanto isso não se resolve, eu vou para a rua, que ainda é o meu lugar.
Adélia pega o cesto com os doces e pendura no pescoço.
LAILA
Tenha um bom dia.
Adélia beija a irmã.
ADÉLIA
Shalom.
E sai.

CENA 6: INT. CASA DO AMOR – DIA
Hanna vem dos fundos e encontra Sísera chegando ali no balcão.
HANNA
Sísera? Está vindo cada vez mais cedo... Abandonou o desjejum com a mamãe?
Sísera agarra o braço de Hanna com força.
SÍSERA
Não venha com desrespeito com a minha mãe, está entendendo?
Hanna ri.
HANNA
Não tenho medo de você, Sísera. Principalmente agora que vou começar a estudar a arte da feitiçaria.
Sísera solta o braço dela, onde fica uma marca avermelhada.
SÍSERA
É justamente sobre isso que eu vim falar. Sirva-me.
Hanna serve vinho para ele, que bebe.
HANNA
Pode dizer.
SÍSERA
Você não pode simplesmente tomar decisão de abandonar o nosso negócio, visto que nós dois colocamos dinheiro nesse lugar.
HANNA
Não se preocupe, Sísera. Você não será prejudicado. Tudo será acertado com o próximo dono.
SÍSERA
O correto seria você pedir a minha permissão para sair.
HANNA
Sísera, não conteste muito não. Pois você, como oficial e Capitão do exército, não poderia jamais se envolver nesse negócio. Queira você, queira não, goste você ou goste não, a verdade é que está em minha mão.
Sísera ri.
SÍSERA
Acha mesmo que eu permitiria a sua entrada no palácio? O rei jamais a ouvirá.
HANNA
Sísera, em breve serei uma feiticeira. E certamente terei capacidade de usar minha magia para invadir o palácio da forma que eu bem quiser. Ou ainda, quem sabe, visitar Jabim em seus sonhos...
Sísera faz que não devagar... Hanna ri.

CENA 7: INT. SAPATARIA DE LAPIDOTE – DIA
Ajoelhado e com as mãos para cima, Lapidote ora fervorosamente...
LAPIDOTE
...e que o Senhor proteja minha esposa! Traga-a de volta para casa sã, salva e, se possível... vitoriosa.

CENA 8: EXT. CAMPO – RIACHO – DIA
Ajoelhada embaixo das árvores e com as mãos para cima, Débora também ora com fervor...
DÉBORA
...além de proteção, força, ajuda e sabedoria. Quero servi-Lo, Senhor... Quero servi-Lo. Amém.
Débora então abre os olhos e olha. As árvores sob as quais está estão à margem de um riacho, no qual o cavalo mata sua sede. Ela se senta ao pé da árvore e observa o animal. Então franze a testa.
DÉBORA
Ora... Você é uma garota... (pequena pausa) Os hazoritas certamente a encontrarão. Farão você lutar do lado errado... Hum... Acho que lhe darei um nome. Uma garota?... Hum... O que acha de Pérola? Pérola? O que você acha, Pérola?
A égua levanta a cabeça, vira para Débora, lambe os beiços e volta a beber água.
DÉBORA
(sorrindo) Acho que nos entendemos. Pérola. Um bom nome.
Débora respira fundo.
DÉBORA
Pouco tempo depois, Débora arruma a cela de Pérola, prende suas coisas e monta; sorri e faz um afago no animal.
DÉBORA
Vamos, garota. Vamos porque nossa jornada é longa.
Pérola relincha e dispara, deixando o riacho para trás e avançando pelo vasto campo que se estende à frente. Nisso, IMAGEM CONGELA
CONTINUA...
FADE OUT:


No próximo capítulo: Eloá e Danilo se aproximam de Darda. A competição das candidatas continua. Sama começa a avaliar as crianças. E Éder provoca Lapidote.

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