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AMOR DE VERÃO - Capítulo 23

 



CENA 01: COBERTURA DE HELENA. INTERIOR. NOITE

Continuação imediata do capítulo anterior. Helena e Vicente estão frente a frente, a expressão de ambos não é nada boa.


VICENTE – Me diz, Helena! Como você teve coragem de demitir a sua própria filha?

HELENA – A Ana agiu de maneira irresponsável! Acima da relação de mãe e filha, há a de patroa e empregada.

VICENTE – Para com esse discursinho patético, Helena, isso não me convence. Aquela agência é tão sua quanto da Ana, e você sabe disso. Se aquele lugar está de pé, você deve muito a Ana.

HELENA – Aquele lugar continua sendo o meu sonho, a minha idealização! A Ana foi um adendo. (P) Vicente, você precisa entender que a Ana precisa ser punida, pelo menos uma vez na vida.

VICENTE – Você está se escutando? Você quer punir a nossa filha. Se fosse pela "falta de responsabilidade" dela, eu até concordaria. Mas não é. É pela sua amargura em saber que a Ana estava se envolvendo com um "casinho" seu, que aconteceu há mais de trinta anos atrás, e você não foi capaz de superar.

HELENA – Eu não vou admitir que você palpite na minha vida pessoal, nós não temos mais nada/

VICENTE – A partir do momento que a sua vida pessoal envolve a minha filha, ela também me envolve! A Ana está machucada, ela não tem culpa de ter se apaixonado pelo Celso, ela nem sabia quem ele era.

HELENA – (perdendo o controle) Ela não sabia, mas, em um momento, passou a saber! E, mesmo assim, continuou pintando e bordando com ele pelas minhas costas! Ela não vale nada!

VICENTE – Esse seu chilique agora, só comprovou o meu ponto de que você está fazendo tudo isso com a Ana, por vingança. (P) Eu não vou passar a mão na cabeça dela e dizer que ela estava certa nesse ponto, pois ela não estava. Ela deveria ter te contado e ela queria ter contado, só não achou a melhor oportunidade. Tudo bem você ficar chateada. Mas, a partir do momento em que você nem se coloca à disposição para escutá-la, não tenta resolver o problema como a adulta que você tanto diz ser, chegando ao ponto de humilhar a sua própria filha, você perde a razão. (P) Sabe o que você é, Helena? Uma mulher frustrada, incapaz de amar a si mesma!


No impulso, Helena desfere um tapa no rosto de Vicente, que fica incrédulo. 


HELENA – Eu não vou admitir esse desrespeito dentro da minha própria casa! Vai embora, Vicente!

VICENTE – Eu vou…


Vicente respira fundo, dá as costas para ela e caminha até a porta. Ao abrir, Vicente olha uma última vez para Helena.


VICENTE – Você está se tornando uma megera da pior espécie, Helena. Não foi por essa mulher que eu me apaixonei. Eu não te reconheço mais.


Enfim, ele sai. Helena, furiosa, corre até a porta e tranca, começando a ter uma crise de choro.


CENA 02: RIO DE JANEIRO. EXTERIOR. DIA


(Música de fundo: Devolva-me - Adriana Calcanhotto)


Pessoas caminham pelo calçadão. Outras jogam vôlei na areia. As ondas do mar batem nas pedras e fazem volume. Mais um dia se inicia na trama. Corte para a fachada de um prédio. 


CENA 03: APARTAMENTO DE GABRIELA. SALA. INTERIOR. DIA
(Música encerra) A campainha da casa toca. Lourdes caminha até a porta e a abre. Ela se depara com Jéssica.


JÉSSICA – Bom dia, eu quero falar com a Gabriela.

LOURDES – Pode entrar. 


Jéssica entra e caminha um pouco pela casa e Lourdes fecha a porta.


LOURDES – O quarto dela fica na segunda porta a direita.

JÉSSICA – Ah, obrigada.

LOURDES – Só vou deixar bem claro que esse encontro só vai acontecer porque eu quero ver ela feliz. Por mim a gente nunca mais precisaria ver vocês.

JÉSSICA – Senhora, eu entendo que você esteja assim por todas as coisas que aconteceram. Eu preciso que saiba que não sou desse jeito, eu agi por impulso, num momento da minha vida que eu estava sendo controlada pelo meu namorado, eu quero me desculpar.

LOURDES – Pede perdão para a Gabriela. Suas ações prejudicaram a vida dela, não a minha.


Lourdes sai em direção a outro cômodo, deixando Jéssica sozinha.


(Música de fundo: Só vejo você - Tânia Mara)


CENA 04: APARTAMENTO DE GABRIELA. QUARTO. INTERIOR. DIA

Jéssica entra no quarto de Gabriela, e o clima é tenso. Gabriela a encara com uma expressão surpresa.


GABRIELA – Jéssica? Como você me achou?

JÉSSICA – Eu consegui o seu endereço, sua mãe deve ter alguma coisa a ver. 


Jéssica fica com uma expressão triste.


JÉSSICA – Gabriela, eu... Eu sinto muito por tudo o que aconteceu. As minhas atitudes foram idiotas e elas que te trouxeram para essa cadeira de rodas. Eu não devia ter agido daquela forma, mas, eu sei que não dá para mudar o passado e eu nunca vou conseguir apagar a dor que você sentiu e ainda sente.

GABRIELA – (Suspira) Infelizmente, não dá. Mas, talvez, possamos encontrar um jeito de seguir em frente.


Jéssica olha para Gabriela, surpresa.


JÉSSICA – Você quer dizer... recomeçar?

GABRIELA – Sim, recomeçar. Mas, dessa vez, só nós duas, sem ninguém para dar opinião..


Jéssica assente, emocionada.


JÉSSICA – É tudo o que eu quero. (P) Eu só tenho uma condição: vir te visitar todos os dias. 

GABRIELA – Tudo bem, mas você pode acabar enjoando de me ver aqui todos os dias.

JÉSSICA – Não, eu não vou enjoar. Eu quero estar ao seu lado sempre que puder.


Jéssica dá um beijo na testa de Gabriela.


JÉSSICA – Até amanhã.

GABRIELA – Até amanhã.


Jéssica sai do quarto e Gabriela fica sorridente e risonha. (Música encerra)


ABERTURA:



CORTE:


CENA 05: CASA ROSADA. ESCRITÓRIO DE HELENA. INTERIOR. DIA

Helena está recebendo Ilana em seu escritório. As duas se abraçam e se acomodam em um sofá no canto da sala.


ILANA – Cadê a Ana? Não veio trabalhar hoje?

HELENA – Eu demiti a Ana.

ILANA – Demitiu?! Como assim?

HELENA – Ilana, eu não te contei antes porque eu não tive tempo, mas, eu reencontrei o Celso.

ILANA – Reencontrou?

HELENA – Sim.

ILANA – E aí?

HELENA – E aí que eu descobri que ele e a Ana estavam tendo um caso.

ILANA – (choque) Meu deus do céu, Helena? E a Ana sabia quem ele era?

HELENA – Não. Pelo menos foi o que ela disse, mas eu nem sei se acredito mais.

ILANA – E por isso você a demitiu?

HELENA – Eu disse à ela que foi por ela ter me deixado na mão, faltado ao trabalho no dia depois da briga que tivemos. Mas, no fundo, foi por causa disso mesmo. A relação entre eu e ela ficou estremecida e isso ia prejudicar o ambiente de trabalho.

ILANA – Meu Deus, eu nem sei o que dizer…

HELENA – Pior foi ontem. O Vicente foi até a minha casa e falou um monte, mas eu nem dei ouvidos.

ILANA – Por falar no Vicente, tem algumas coisas que eu preciso te falar.

HELENA – (confusa) Que coisas?

ILANA – Eu estou trabalhando na companhia de teatro do Vicente.


Helena levanta rapidamente do sofá, incrédula. 


HELENA – Como é que é?

ILANA – (levantando) Lembra de quando você falou para eu retomar o meu sonho? Então, eu pesquisei por companhias e acabei encontrando uma próxima à minha casa. Eu nem me toquei que era a do Vicente e fui até lá, ele acabou me convencendo a ficar.

HELENA – Poxa, Ilana, por que você não me contou?

ILANA – Não tive oportunidade, a gente não se encontrou mais.

HELENA – Você podia ter me mandando uma mensagem falando. Por que não fez isso?

ILANA – Pensava que você ia ficar chateada.

HELENA – Mais chateada estou agora em saber que você estava me omitindo o fato de estar trabalhando ao lado do meu ex-marido!


Ilana baixa a cabeça e respira fundo. Helena desconfia.


HELENA – Tem mais alguma coisa que eu não sei?

ILANA – Tem sim. Mas, vendo o jeito que você reagiu agora, é melhor nem falar.

HELENA – Não, não. Começou, agora fala tudo que tem pra falar.

ILANA – Helena, no começo, a minha relação com o Vicente era estritamente profissional, mas foi se tornando uma amizade… E transformou-se em amor.

HELENA – (processando) Ilana, você tá querendo me dizer o que eu estou pensando?

ILANA – Vicente e eu nos apaixonamos.

HELENA – Isso só pode ser uma piada de péssimo gosto! Como assim você se apaixonou pelo meu ex-marido?

ILANA – Aconteceu, Helena. Eu não pude evitar.

HELENA – Podia evitar sim! A priori, nem aceitando trabalhar na companhia dele. Vocês jamais teriam se aproximado.

ILANA – Pra quê esse alvoroço todo? Você nem o amava verdadeiramente. Pensava que ia ficar chateada por eu não ter contado logo, mas não por eu estar me envolvendo com ele.

HELENA – Quem é você pra dizer o que eu sinto ou deixo de sentir?

ILANA – Não é isso que eu estou querendo dizer, Helena. 

HELENA – Ele é o meu ex-marido, você deveria ter o mínimo de bom senso!

ILANA – Helena, eu tô vendo que essa conversa não vai a lugar nenhum, então é melhor eu ir e voltar quando estiver mais calma.

HELENA – Você está fazendo comigo, a mesma coisa que a Ana fez! Aliás, você tanto criticou a Paula, mas pelo visto é idêntica a ela! Você é a junção da Ana e da Paula! Uma piranha!


Ilana não suporta aquelas palavras e desfere uma bofetada na cara de Helena, que coloca a mão no rosto, incrédula. 


ILANA – Que absurdo, meu Deus! Que absurdo! Helena, se ouve. Escuta as coisas que você está me falando. Isso não condiz com você, não condiz com a sua personalidade! Que tipo de mulher você está se tornando? Você ainda vai se arrepender de tudo isso que me disse. E espero que seja logo, pois se for tarde, talvez eu nem queira retomar uma amizade com você. 


Ilana pega sua bolsa e deixa a sala, revoltada. Furiosa, Helena pega um vaso e joga na porta, dando um grito de ódio. Na sequência, ela vai até a sua mesa e pega o celular, iniciando uma ligação. 


HELENA – Alô?! Celso? Me encontra hoje no meu apartamento, eu vou te mandar o endereço. 


CENA 06: APARTAMENTO DE GABRIELA. SALA. INTERIOR. DIA

Gabriela e Lourdes estão na sala de estar, assistindo tv.


GABRIELA – Mãe, eu queria te perguntar... O que você achou da Jéssica?

LOURDES – Bom, ela parece ser uma boa moça, Gabriela. Ela pediu desculpas e disse um monte de coisas, mas/

GABRIELA – (corta) Mas você não gosta da mãe dela, não é?

LOURDES – Eu não gostei do pouco que eu vi sobre ela, isso me deixa preocupada. Tenho medo de que isso possa trazer mais dor para você no futuro, uma pessoa não muda de pensamento sobre algo tão rápido assim. 

GABRIELA – Eu sei, mãe. Eu também fico preocupada com isso. Mas a Jéssica não é responsável pelas atitudes da mãe dela. 

LOURDES – Eu só quero proteger você de qualquer coisa que possa te magoar.

GABRIELA – Eu sinto que preciso dar uma chance para a Jéssica. Talvez tudo possa ser diferente, não custa tentar.


Lourdes olha preocupada para Gabriela, que está decidida.


CENA 07: COMPANHIA DE TEATRO. FACHADA. EXTERIOR. DIA

Henrique fica parado observando o interior da companhia com uma expressão carregada de ressentimento. O segurança se aproxima dele, tentando evitar problemas.


SEGURANÇA – Ei, amigo, posso te ajudar com alguma coisa?

HENRIQUE – Eu não preciso da sua ajuda! A rua é pública e só estava passando.

SEGURANÇA – Claro, todos têm o direito de estar aqui. Mas percebi que você está observando a companhia há algum tempo e já causou problemas aqui antes. Não queremos mais confusões, certo?

HENRIQUE – Você não pode me proibir de estar aqui.

SEGURANÇA – Eu não estou te proibindo de nada, mas já tivemos problemas que envolvem você. E, sinceramente, você não é bem-vindo aqui depois do que fez.


Henrique olha com raiva para o segurança e vai embora.


CENA 08: COMPANHIA DE TEATRO. SALA DE ENSAIOS. INTERIOR. DIA

Marina, André, Bárbara, Daniel e Rose estão saindo do palco no intervalo dos ensaios.


DANIEL – Rose, você, como sempre, está incrível hoje! Sua atuação é impressionante.

ROSE – Obrigada… Eu sempre faço o melhor que eu posso, mesmo enferrujada depois de tanto tempo sem atuar.


Daniel e Rose trocam olhares, e um clima surge entre eles.


ANDRÉ – Estou animado para a estreia desse musical, com a volta da minha mãe, provavelmente os ingressos vão esgotar!

MARINA – Com certeza! 

DANIEL – E para aproveitar o intervalo e comemorar a volta da nossa grande estrela, que tal um lanche rápido na lanchonete? Por minha conta, ein?

MARINA – Agora você falou minha língua!

BÁRBARA – Ah, se é você que vai pagar, então eu quero!


Os 5 saem da sala de ensaios fazendo um burburinho e comemorando.


CENA 09: MANSÃO DE PAULA. SALA. INTERIOR. TARDE

Paula e Miriam estão sentadas no sofá, abraçadas, enquanto assistem televisão. Miriam está inquieta. Paula percebe.


PAULA – O que você tem, minha filha?

MIRIAM – Nada.

PAULA – Tem certeza?

MIRIAM – Quando é que meu pai vai voltar?

PAULA – Ele disse que dentro de um mês. 

MIRIAM – Em um mês pode acontecer tanta coisa…

PAULA – O que quer dizer com isso?

MIRIAM – Mãe, eu vou iniciar a quimioterapia, não é?

PAULA – Sim. Sua primeira sessão já está marcada.

MIRIAM – Os meus cabelos vão cair?

PAULA – É a reação natural do corpo ao tratamento…


Miriam para no tempo, reflete e respira fundo.


MIRIAM – Mãe, eu quero fazer algo… e eu preciso da sua ajuda.

PAULA – (tensa) O quê?

MIRIAM – Será que você pode raspar a minha cabeça?


O olhar de Paula expressa o choque que ela teve nesse momento. Miriam nota.


MIRIAM – Por favor… É só isso que te peço. 


CORTE RÁPIDO:


(Música de fundo: Who Wants To Live Forever - Queen)


CENA 10: MANSÃO DE PAULA. BANHEIRO. INTERIOR. TARDE

Miriam está sentada em uma cadeira. Paula está atrás dela, já com lágrimas no rosto.


PAULA – Você tem certeza que é isso que você quer fazer?

MIRIAM – É melhor agora do que depois, mãe. Vamos.


Paula liga a máquina na tomada e, com muita dor no coração, aperta o botão para iniciar. É possível ouvir o barulho. CAM foca no olhar de Miriam. À medida que Paula vai raspando seus cabelos, eles vão caindo no chão e ela percebe, lágrimas vão tomando conta de seu olhar. Um choro silencioso, mas que carrega muito sofrimento consigo. O tempo vai passando e visualizamos vários takes de Paula chorando deliberadamente enquanto raspa o cabelo da filha. Miriam permanece chorando em silêncio. Ao final, a jovem se encara no espelho, completamente careca e tendo que encarar uma nova realidade. 


CENA 11: RIO DE JANEIRO. EXTERIOR. NOITE

Anoitece na trama. Takes de várias ruas vazias, com baixa iluminação. Corte para a fachada do prédio de Helena.


CENA 12: COBERTURA DE HELENA. INTERIOR. NOITE

(Música encerra) Helena está apenas de camisola, andando de um lado para o outro. A campainha toca e ela corre para atender. Ao abrir, é Celso. 


HELENA – Que bom que você veio!

CELSO – Você tá de camisola… quer que eu espere enquanto coloca uma roupa?

HELENA – Não… Eu quero que você me veja assim.

CELSO – Como é que é?

HELENA – Entra, Celso.


Celso respira fundo e adentra ao apartamento. Helena tranca a porta.


CELSO – Por que você me chamou até aqui? Decidiu que era o momento de conversarmos?

HELENA – A gente pode conversar, sim, mas não agora.

CELSO – Então o que eu estou fazendo aqui?

HELENA – Celso, que quero te fazer um pedido. Posso?

CELSO – Não sei se estou gostando do rumo dessa conversa, Helena…


(Música de fundo: Nada Sério - Joanna)


Em um ato impulsivo, Helena retira a parte de cima da camisola e fica com os seios à mostra.


CELSO – (surpreso) O que é isso, Helena???

HELENA – Vai me dizer que você não sente nada olhando para mim assim?

CELSO – (nervoso) Helena, eu não sei o que dizer… Você me pegou desprevenido…

HELENA – Então não fala mais nada. Se entrega pra mim só por essa noite.


Helena agarra Celso e começa a beijá-lo. Ele é resistente no começo, mas logo cede ao encanto da mulher e se envolve no beijo.


ENCERRAMENTO (com trilha):




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