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Passional - Episódio 02

 




PASSIONAL


Capítulo 2


Série criada e escrita por

LUAN MACIEL




CENA 1. CASA DE PETRÔNIO E ISABELA. QUARTO DE PETRÔNIO. INT/ NOITE 

CONTINUAÇÃO IMEDIATA DO CAPÍTULO ANTERIOR. A CÂMERA CONTINUA FOCANDO EM ALFREDO QUE ESTÁ PARADO NA PORTA. MADALENA E PETRÔNIO ESTÃO SENTADOS UM AO LADO DO OUTRO NA CAMA. O OLHAR DE MADALENA É UM MISTO DE PAVOR E SERIEDADE. ALFREDO VAI NA DIREÇÃO E A SEGURA COM MUITA FORÇA. PETRÔNIO FICA TOTALMENTE APREENSIVO.


ALFREDO — Como você teve coragem de fazer isso, Madalena? Você é muito pior do que eu imaginava. (P) Eu sempre soube que você é apaixonado pela minha mulher, Petrônio. Mas você terá que se contentar em ver ela comigo. A coitada da sua mulher morreu de desgosto em estar casada com um homem tão fraco como você.

MADALENA — (séria) Alfredo…. Como você tem coragem de dizer uma coisa dessas? Eu não vou deixar que você use a morte da Márcia para atingir seja quem for. Isso é inadmissível. Que espécie de monstro você é?

ALFREDO — Com quem você pensa que está falando, Madalena? Eu sou seu marido e você me deve respeito. Por acaso eu estou falando alguma mentira. (T) Para mim já chega dessa conversa sem sentido. Eu vou embora dessa casa e você vai vir comigo..Entendeu?

PETRÔNIO — Solta a Madalena agora mesmo, Alfredo. Você não vai tratar ela assim na minha frente. Não vai mesmo. 


ALFREDO SOLTA O BRAÇO DE MADALENA. ELE E PETRÔNIO SE ENCARAM. O CLÍMAX FICA MAIS EVIDENTE.

ALFREDO — Como você é patético, Petrônio. Está se humilhando pela Madalena e você ainda nem se tocou que ela nunca vai me largar. Você sempre será um fracassado..

MADALENA — Já chega, Alfredo. Você está indo longe demais. Qual é o seu problema? Eu nunca dei motivos para você duvidar da minha fidelidade. Eu nunca te trairia. 

ALFREDO — Não fale assim comigo, Madalena. A minha paciência já está acabando com você. Eu não vou mais perder o meu tempo nesse lugar vamos embora. 


ALFREDO PUXA MADALENA PARA FORA DO QUARTO. PETRÔNIO SEGURA SUAVEMENTE NAS MÃOS DE MADALENA.


PETRÔNIO — Você precisa sair dessa relação tóxica, Madalena. Você não merece passar por essa humilhação. É só você dizer que não quer mais que eu vou te ajudar..

MADALENA — Eu sinto muito, Petrônio. Mas eu não tenho escolha. Eu não posso deixar os meus filhos agora nesse momento. Eu espero que você possa entender. 

ALFREDO — Bem que eu tentei te avisar, Petrônio. Você nunca vai se igualar a mim. Nunca mais procure a minha esposa para o seu próprio bem. (P) Vamos, Madalena. 


ALFREDO SAI LEVANDO MADALENA COM ELE. PETRÔNIO FICA PARADO SEM TER NENHUMA REAÇÃO.

CORTA RÁPIDO PARA/


CENA 2. CASA DE PETRÔNIO E ISABELA. SALA. INT/ NOITE 

A CASA ESTÁ CHEIA DE PESSOAS. O CAIXÃO COM O CORPO DE MÁRCIA ESTÁ NO MEIO DA SALA. A CÂMERA CONTINUA MOSTRANDO ALFREDO PUXANDO MADALENA LEMAS MÃOS E INDO NA DIREÇÃO DA SAÍDA. A CÂMERA VAI INTERCALANDO VOM ISABELA E TIAGO QUE ESTÃO PARADOS SEM ACREDITAR NO QUE ESTÃO PRESENCIANDO. MADALENA SE SOLTA DAS MÃOS DE ALFREDO E ELA SE APROXIMA DO CAIXÃO ONDE MÁRCIA ESTÁ.


ALFREDO — O que você pensa que está fazendo, Madalena? Eu já disse que nós vamos embora agora mesmo. Não queira me contrariar. Vai ser bem pior para você.

MADALENA — (triste) Será que você não tem um pingo de sensibilidade, Alfredo? Eu quero me despedir da minha amiga. Será que nem isso eu posso fazer?

ALFREDO — Está bem, Madalena. Você tem 1 minuto. 


MADALENA SE APROXIMA DO CAIXÃO ONDE MÁRCIA ESTÁ. AS LÁGRIMAS ESCORREM PELO ROSTO DE MADALENA. ISABELA E TIAGO OLHAM PARA ELA EM SILÊNCIO.


MADALENA — Eu sinto muito, minha amiga. Você não pode imaginar a falta que você irá fazer. Não só para o seu marido e sua filha. Mas também para mim. Você era uma irmã para mim. Agora você vai poder descansar. 


MADALENA PEGA UMA ROSA QIE ESTÁ SOBRE UM MÓVEL DE MADEIRA E COLOCA EM CIMA DAS MÃOS JÁ GÉLIDAS DE MÁRCIA. MADALENA LEVANTA SEU OLHAR PARA ISABELA E DEPOIS OHE DÁ UM FORTE ABRAÇO. 

MADALENA — Eu sei que eu nunca vou me igualar a sua mãe, Isabela. Mas eu quero que você saiba que eu sempre vou estar aqui para o que você precisar. 

ISABELA — (emocionada) Eu não tenho palavras para agradecer por tudo que está fazendo por mim e pelo meu pai, Madalena. Eu sempre serei grata a você.


ISABELA ESBOÇA UM SORRISO TÍMIDO. A CÂMERA MOSTRA A FALTA DE PACIÊNCIA DE ALFREDO. ELE SEGURA MADALENA PELOS BRAÇOS NOVAMENTE.. ISABELA NÃO GOSTA DISSO.


ISABELA — (firme) Solta ela agora mesmo, Alfredo. Eu não vou falar de novo. Aqui na minha casa eu não vou admitir que você trate a Madalena dessa maneira covarde. 

ALFREDO — Quem você pensa que é para falar assim comigo, fedelha? Você não passa de uma comunista igual aquela idiota da minha filha. Mas eu acredito que não vai demorar muito para que vocês tenham o que merecem. 

MADALENA — Alfredo…. Já chega. Você está passando de todos os limites. (P) Eu sinto muito, Isabela…. Tiago….

TIAGO — Você não tem de nada, Madalena. O seu único erro foi ter se casado com esse homem tão preconceituoso. (T) A Isabela e a Marina são melhores do que você jamais será, Alfredo. 

ALFREDO — Vamos embora, Madalena. Eu não vou ficar aqui ouvindo essas ofensas desses baderneiros. 



MESMO A CONTRAGOSTO MADALENA VAI EMBORA ACOMPANHADA DE ALFREDO. ISABELA E TIAGO OLHAM PARA ESSA CENA SEM PODER FAZER ABSOLUTAMENTE NADA.

CORTA PARA/


CENA 3. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT/ MANHà

A IMAGEM MOSTRA O AMANHECER NA CIDADE MARAVILHOSA. EM FORMA DE CLIPE VANOS VENDO DIVERSAS PEQUENAS CENAS QUE CONTEMPLAM A BELEZA NA CAPITAL CARIOCA: PESSOAS ANDANDO NA ORLA DA PRAIA, O TRÂNSITO DE CARROS, SOLDADOS DO EXÉRCITO PATRULHANDO POR TOFA A CIDADE. A ÚLTIMA IMAGEM QUE VEMOS É A FACHADA DA SEDE DO DOI-CODI.

FUNDE PARA/



CENA 4. SEDE DO DOI-CODI. PORÃO. SALA DE TORTURA. INT/ MANHà

A CÂMERA MOSTRA EM FORMA DE CLOSE UM JOVEM ESTIRADO PELOS BRAÇOS EM UMA ESPÉCIE DE TRILHO E ELE ESTÁ TOTALMENTE DESACORDADO. A PORTA DA SALA SE ABRE E LOGO DEPOIS O DELEGADO FLORES ENTRA TOMANDO UMA XÍCARA DE CAFÉ. ELE SE APROXIMA DO JOVEM E O OLHA FRIAMENTE. O DELEGADO FLORES PEGA O RESTO DO CAFÉ QUENTE QUE ESTÁ EM SUA XÍCARA E JOGA NA CARA DO JOVEM QUE ACORDA GRITANDO DE DOR.



DELEGADO FLORES — (sádico) Olha só quem resolveu acordar. Então….. Você pensou na proposta que eu te fiz? Essa é a única chance de você sair daqui com vida. 

JOVEM — Eu já diszynil vezes, seu maldito.  Eu não vou entregar a localização dos meus amigos. É melhor você desistir, pois nunca vai conseguir acabar com o nosso movimento. Você ouviu? Nunca!

DELEGADO FLORES — Você acha mesmo que eu não sei quem vocês são? Eu sei absolutamente tudo sobre vocês. Inclusive o seu nome. (P) Xavier!!!!!


A CÂMERA MOSTRA O SEMBLANTE DE XAVIER MUDAR DE UMA HORA PARA OUTRA. O DELEGADO FLORES SORIR ARDILOSAMENTE . XAVIER VAI FICANDO COM MEDO. 


DELEGADO FLORES — Você achou que iria conseguir esconder de mim a sua identidade? Olha só para onde você está, seu infeliz. Você está no fim da estrada. Quem dá a última palavra aqui sou eu. Você está perdido. (P) O que a sua família vai sentir quando o seu corpo desaparecer? 

XAVIER — Eu faço o que você quiser, Flores. Mas não faz nada com a minha família. Eu estou te suplicando. 

DELEGADO FLORES — Agora é tarde demais para isso. Eu vou atrás de cada daqueles seus amigos comunistas e vou trazer todos eles para cá. Será que eles serão tão fortes como você? É o que eu irei tirar a prova. 

XAVIER — (gritando)  Sei desgraçado!!!! Você tem sorte de eu estar preso aqui. A minha vontade é de matar, Flores. 


O DELEGADO FLORES CONTINUA SORRINDO.  O SEMBLANTE DE XAVIER MUDA DE RAIVA PARA DESESPERO. ELE BAI FICANDO CADA VEZ MAIS SEM ESPERANÇA.


DELEGADO FLORES — Eu sou estou defendendo o meu país de arruaceiros como você e os seus amigos. Mas chegado de conversa. É a sua última chance. Onde estão os seus amigos? Fale agora que já estou sem paciência.

XAVIER — Eu não aguento mais. Eu desisto. Eu falo para você onde os meus amigos se reúnem, Flores. Mas você tem que me prometer que não vai fazer nada contra a minha família. Eu tenho a sua palavra? 

DELEGADO FLORES — Diga logo o que eu quero saber. Eu não tenho tempo para perder com suas bobagens. 

XAVIER — Os meus amigos se reúnem todos os dias em pensão em Marechal Hermes. (P) Pronto eu já disse o que você queria saber. Agora ne solta. Cumpra com sua palavra.

DELEGADO FLORES — Você acha mesmo que eu vou perder essa oportunidade de ver uma comunista morrer. Mas não vou mesmo. Você foi enganado, seu infeliz. 


O DELEGADO FLORES LIGA UMA MÁQUINA DE ELETRICIDADE E COMEÇA A TORTURAR XAVIER. A CENA FICA SEM NENHUM SOM APENAS COM OS GRITOS DE XAVIER QUE ECOAM NO PORTÃO DO DOI-CODI. MESMO APÓS VÁRIOS MINUTOS DE TORTURA XAVIER CONTINUA VIVO. SEM PENSAR DUAS VEZES O DELEGADO FLORES PEGA SUA ARMA EM SUA CINTIRA E DÁ UM TIRO NA TESTA DE XAVIER O MATANDO NA HORA. O SANGUE ESCORRE PELO ROSTO FALECIDO DE XAVIER. O DELEGADO SE DEMONSTRA SATISFEITO.

CORTA PARA/


CENA 5. CASA DE ALFREDO E MADALENA. SALA. INT/ MANHà

A CÂMERA  ACOMPANHA OS PASSOS DE ALFREDO QUE VAI ANDANDO LENTAMENTE PELA SALA DE SUA CASA. AO FUNDO PODENOS OUVIR O BARULHO DE DUAS VOZES VINDO DA COZINHA. O SEMBLANTE DE ALFREDO VAI MUDANDO DRASTICAMENTE AO PERCEBER QUE AS VOZES  SÃO DE MARINA E PACO. ELE FICA TOTALMENTE ENFURECIDO.



ALFREDO — Eu não posso acreditar que a Marina foi capaz xfr fazer isso. Ela trouxe aquele negrinho até a minha casa. Eu não vou aguentar essa afronta calado. Não vou mesmo. 


CLOSE NO OLHAR ENDURECIDO DE ALFREDO. ELE VAI BA DIREÇÃO DA COZINHA DISPOSTO A TIRAR MARINA E PACO DALI NA BASE DA FORÇA SE FOR NECESSÁRIO.

FUNDE PARA/


CENA 6. CASA DE ALFREDO E MADALENA. COXINHA. INT/ MANHÃ

DE UMA FORMA MAIS INTIMIDTA VEMOS MARINA E PACO TOMAR CAFÉ DA MANHÃ. ELRS CONVERSAM SOBRE O QUE ACONTECEU NA NOITE PASSADA. TEMPO. ALFREDO ENTRA NA COZINHA E ELE PEGA MARINA PELO BRAÇO COM MUITA TRUCULÊNCIA. PACO SE LEVANTA DA MESA COM RAPIDEZ.


ALFREDO — Quantas vezes eu tenho que falar que eu não quero saber desse negrinho em minha casa? Parece que você gosta de me desafiar, Marina. É melhor você não testar a minha paciência. 

MARINA — Eu não vou admitir que você fale assim com o Paco, pai. Você não tem nenhum direito de falar assim com ele. Você não passa de um homem preconceituoso. 

PACO — Está tudo bem, Marina. Eu sei exatamente o que o seu pai pensa sobre mim. Eu não deveria ter ficado aqui. Eu vou embora agora mesmo. (P) Eu não vou ficar no mesmo lugar que esse homem.

ALFREDO — Agora você se lembra que eu sou seu pai, Marina? Eu quero que você e esse negrinho sumam da minha frente. Vão embora antes que eu faça algo a respeito.


MARINA E PACO SE LEVANTAM DA MESA BEM NERVOSOS. ALFREDO OS ENCARA FRIAMENTE. MARINA FICA TENSA.


MARINA — Eu não sei porque você tem que ser assim, pai? Será que você não consegue entender que eu amo o Paco? Nada do que você fale ou faça vai me fazer mudar de ideia. Que espécie de monstro você é? 

ALFREDO — (ardiloso) Você pode falar o que você quiser, Marina. Mas nada muda o fato de vocês são comunistas. E para mim isso já basta para que eu tenha desprezo por vocês. Eu quero é distância de vocês.


PACO — Vamos embora, Marina. Nós não temos mais nada o que fazer nesse lugar. (T)  Você é desprezível, Alfredo. Você está tão cego que não consegue ver como a Marina é uma mulher especial. 



MARINA E PACO PASSAM POR ALFREDO. ELE OS OLHA DE UM JEITO QUE HÁ MUITO DESPREZO. MARINA ENCARA ALFREDO.


MARINA — (séria)  Eu espero que um dia você se arrependa de tudo que está fazendo comigo, pai. Mas eu não quero que quando isso acontecer seja tarde demais. 

ALFREDO — Isso nunca vai acontecer, Marina. Você pode esquecer que você tem pai, pois a partir de hoje você não é mais minha filha. Suma da minha vida. 

PACO — Já chega,  Alfredo.  O que você está falando é um absurdo. Isso não está certo. Ela é sua filha. 

MARINA — Deixa ele, Paco. Se ele quer assim que seja. (P) Eu prometo que nunca mais eu vou te procurar, Alfredo. Mas você não vai conseguir me afastar da minha mãe. 

ALFREDO — Isso é o que nós vamos ver, garota. Você não sabe do que eu sou capaz de fazer. Agora vá embora!!!!


AS LÁGRIMAS ESCORREM PELO ROSTO DE MARINA. ELE E PACO VÃO EMBORA SEM OLHAR PARA TRÁS.  A CÂMERA MOSTRA QUE ALFREDO SE MANTÉM PARADO COM O OLHAR VAZIO E SEM REAÇÃO.

CORTA PARA/


CENA 7. AVENIDA ATLÂNTICA. TÁXI. EXT/ MANHà

EM UM PLANO GERAL A CÂMERA ANDANDO PELA AVENIDA ATLÂNTICA TOTALMENTE VAZIA DE MOVIMENTO DE CARROS. CORTE DESCONTÍNUO PARA DENTRO DO TÁXI. PODEMOS VER JANAÍNA COM OS OLHOS VIDRADOS NA JANELA DO TÁXI VENDO TUFO AO SEU REDOR. TEMPO. O TÁXI PARA EM UM SEMÁFORO E PERTO DALI ALGUNS JOVENS SENDO AGREDIDOS E PRESOS POR OFICIAIS DO DOI-CODI.  ISABELS VAI FICANDO CADA VEZ MAIS HORRORIZADA. O TAXISTA VAI PERCEBENDO CACDA GESTO DELA. 



JANAÍNA — (incrédula)  Eu não posso acreditar no que os meus olhos estão vendo. Porque é que ninguém faz nada a respeito? Isso não está certo. A situação está bem pior do que eu imaginava.


O SEMBLANTE FE JANAÍNA FICA ABATIDO. O TAXISTA SE VIRA PARA ISABELA E TENTNA ACALMAR A JOVEM. 


TAXISTA — Eu posso ver através do seu olhar que você está muito impactada com tudo isso que está vendo. (P) Eu sei que isso é horrível, mas você vai se acostumar.

JANAÍNA — Me acostumar? Como eu posso me acostumar com uma barbárie dessas? Isso não está certo. Que espécie de ditadura é essa que não podemos fazer o que queremos? Algo precisa ser feito urgentemente. 

TAXISTA — Você acha que é a primeira jovem que eu ouço falar sobre mudança em nosso país? Não queira enfrentar essa ditadura de peito aberto. Muitos jovens já tentaram fazer isso. E só Deus sabe onde eles estão. 

JANAÍNA — Eu não consigo ver tudo isso que está acontecendo e ficar de olhos fechados. Ainda mais o meu pai sendo quem ele é. (P) Essa ditadura instaurada no Brasil tem que ter um fim. 


O TAXISTA OLHA PARA JANAÍNA INTRIGADO. ELA ESTÁ SÉRIA.


TAXISTA — Do que é que você está falando, senhorita? O que o seu pai pode ter haver com toda essa história? Eu não estou conseguindo entender o que quis dizer.

JANAÍNA — (desconversando) É melhor você esquecer o que eu disse. Tudo o que eu quero é ir embora desse lugar. Você pode me levar até a minha casa? Por favor!

TAXISTA — É claro que sim, senhorita. Eu vou te levar agora.



JANAÍNA FICA PERDIDA EM SEUS PENSAMENTOS. O TAXISTA SEGUE O SEU CAMINHO. ELA FICA OLHANDO OUTROS JOVENS SENDO PRESOS E ISSO A DEIXA MUITO PERPLEXA.

CORTA PARA/


CENA 8. PENSÃO DE CLEONICE. SALA DE ESTAR. INT/ MANHà

NO MEIO DA SALA SENTADOS NO SOFÁ ESTÃO MARINA, PACO, TIAGO E ISABELA QUE ESTÃO PRESTANDO ATENÇÃO NO QUE É DITO NO RÁDIO QUE ESTÁ LIGADO. A CÂMERA MOSTRA CLEONICE ENTRANDO NA SALA COM UMA BANDEJA DE SUCO EM SUAS MÃOS. A TENSÃO ENTRE TODOS É INEVITÁVEL



REPÓRTER — (em off) Já passam de 30.os jovens rebeldes presos no dia de hoje pelo Doi-Codi. Os responsáveis não quiseram nos informar para onde esses jovens serão levados. Voltamos mais tarde com mais boletins diários. 


MARINA SE LEVANTA E DESLIGA O RÁDIO. PODEMOS VER QUE ELA FICOU MUITO INCOMODADA COM O QUE ACABA DE OUVIR. PACO TENTA ACALMAR ELA, MAS SEM SUCESSO. 


MARINA — Até quando isso vai continuar acontecendo? Já fazem meses que estamos vivendo debaixo dessa ditadura. Quantos amigos mais nós vamos ter que perder até isso tet um fim?

ISABELA — A Marina está certa. Nós precisamos fazer alguma coisa para expor esses crimes horrendos que vem acontecendo.  Nós não podermos ser omissos.

CLEONICE — E o que você está pensando em fazer, Isabela? Você e todos aqui estão cansados de saber tudo o que eu perdi desde que essa ditadura foi instaura em nossos país. Eu gosto de todos vocês, mas isso está ficando perigoso.

TIAGO — (sensato) Você não pode estar falando sério, Cleonice. Se nós ficarmos de braços cruzados a situação só vai piorar ainda mais. Precisamos persistir. 

PACO — Mãe…. Eu sei que você nunca superou a morte do meu irmão. Mas o que nós estamos fazendo é pelo bem maior. Eu sei que você quer nos proteger. Mas tem uma hora que você vai ter que deixar a gente fazer o que for preciso para que isso não continue acontecendo. 


CLEONICE FICA PENSATIVA. NONATO ENTRA NA PENSÃO TOTALMENTE TRANSTORNADO. TODOS FICAM AFLITOS.


CLEONICE — Nonato…. O que foi que aconteceu com você? Eu posso ver nos seus olhos que tem algo de errado? (P) Fala de uma vez, meu irmão. Eu estou te pedindo. 

NONATO —  É o Xavier. Ele foi pego pelo Doi-Codi. Una dessas infelizmente ele já deve estar morto. Eu sinto muito..

MARINA — Está vendo porque nós não podemos parar, Cleonice.as um de nossos amigos foi vítima desses malditos. E ainda tem o Gael que quer nos entregar. Infelizmente as coisas só vão voltar ao normal quando essa ditadura maldita acabar. 

ISABELA — O Gael quer fazer o quê? O Gael pode ser o que for, mas ele entregar a nós dessa forma covarde não está certo. Ele tem que ouvir algumas verdades. 


ISABELA SAI PENSÃO SEM OLHAR PARA TRÁS. TIAGO TENTA IR ATRÁS DELA, MAS MARINA O IMPEDE. TODOS FICAM TENSOS.

CORTA PARA/


CENA 9. CASA DE DIONÍSIA E LAURINDO. QUARTO DO CASAL. INT/ MANHà

UMA MULHER JÁ IDOSA ESTÁ SENTADA EM SUA CAMA COM O PENSAMENTO MUITO LONGE. ELA É DIONÍSIA. O SEU SEMBLANTE É UM MISTO DE PREOCUPAÇÃO E AFLIÇÃO. ELA NAO PERCEBE QUANDO A PORTA DO QUARTO SE ABRE E SEU MARIDO LAURINDO ENTRA. ELE SE SENTA AO SEU LADO E TOCA SUAVEMENTE EM SUAS MÃOS. ELE ENCARA DIONÍSIA E ESTRANHA O OLHAR DE SUA ESPOSA.



LAURINDO — O que foi que houve com você, minha velha? Desde que você recebeu aquele telefonema ontem a noite que você está diferente. Tem alguma coisa que você quer me contar? Você sabe que pode confiar em mim. 

DIONÍSIA — Eu sinto muito por ter que te dizer isso, Laurindo. Mas foi o Omar que me ligou. Ele quer conhecer a nossa filha. (P) Eu não quero a Madalena descubra toda a verdade. Por favor, me ajuda!!! 

LAURINDO — (sério) Eu sempre soube que esse dia iria chegar, meu amor. Nós não podemos continuar escondendo a verdade da Madalena. Ela merece saber a verdade. Nós não podemos tirar isso dela. 

DIONÍSIA — Você não está entendendo a gravidade da situação, Laurindo. Se nós contarmos a verdade para a nossa filha o que ela vai pensar de mim. Eu não quero isso.


DIONÍSIA SE LEVANTA DA CAMA TOTALMENTE ANGUSTIADA. LAURINDO TAMBÉM SE LEVANTA FICANDO AO LADO DELA.


LAURINDO — Eu sei que você está com medo, Dionísia. Mas esconder esse segredo da Madalena seria um erro. Por mais erros que o Omar tenha cometido ele ainda é o pai biológico dela. Você não pode negar esse fato.

DIONÍSIA —  Você sabe o que eu sofri quando o Omar me abandonou, Laurindo? Eu estava sozinha e perdida. Se não fosse por você eu não sei o que seria de mim. 

LAURINDO — Eu entendo a sua mágoa, meu amor. Mas eu não posso continuar escondendo esse segredo da nossa filha. Eu sinto muito, mas eu vou contar a verdade para ela. 


NESSE MOMENTO LAURINDO PERCEBE QUE CÉLIA ESTÁ PARADA AO LADO DA PORTA OUVINDO A CONVERSA. ELA ENTRA NO QUARTO E SE APROXIMA DE SEUS PAIS.


CÉLIA — (ponderando) O meu pai está certo, mãe. Por mais que seja difícil, a verdade é sempre o melhor caminho. 

LAURINDO — Eu sempre vou estar ao seu lado, meu amor. Mas chegou a hora da Madalena saber de toda a verdade. E será você que terá que contar, Dionísia. 

DIONÍSIA — Vocês estão certos. Eu naoyposso continuar sendo tão egoísta dessa forma. Eu vou contar a verdade para a Madalena. Eu só espero que ela possa me perdoar.

CÉLIA — Eu só fico pensando como a Madalena vai receber essa notícia. Do dia para a noite ela vai descobrir que tudo o que ela sempre acreditou não passa de uma mentira. É melhor vocês se prepararem. Essa conversa não vai ser nada fácil.



DIONÍSIA E LAURINDO SE OLHAM. CÉLIA ENCARA SEUS PAIS. 

CORTA PARA/

CENA 10. CASA DE MADALENA E ALFREDO. SALA. INT/ DIA

AS HORAS SE PASSAM. CLOSE EM MADALENA QUE ESTÁ SENTADA NA MÁQUINA DE COSTURA. A PORTA DA SALA SE ABRE E ALFREDO ENTRA DEMONSTRANDO ESTAR MUITO ALTERADO. DE LONGE MADALENA PERCEBE O CHEIRO DE ÁLCOOL VINDO DE ÁLCOOL VINDO DE SEU MARIDO. ALFREDO OLHA PARA MADALENA COM ÓDIO.


MADALENA — Eu não estou acreditando que você já está bêbado, Alfredo. Nós tínhamos um combinado. Mas parece que você não é homem para honrar sua palavra.

ALFREDO — (alterado) Olha como você fala comigo, Madalena. O que você achou que eu iria fazer depois que eu peguei você e aquele infeliz do Petrônio tão juntos um do outro? Vai ter coragem de negar?

MADALENA — Eu já te falei que não aconteceu nada, Alfredo. Mas esse ódio que você sente pelo Petrônio te deixa cego a ponto de você não ver a verdade. Você é doente, Alfredo. 



ALFREDO FICA MAIS DESEQUILIBRADO. ELE PEGA MADALENA PELOS CABELOS. MADALENA COMEÇA A GRITAR. ALFREDO DÁ UM TAPA FORTE NA CARA DE MADALENA QUE A DEIXA NO CHÃO E SEM REAÇÃO.


ALFREDO — Eu tanto que te avisei, Madalena. Isso é culpa sua. Olha só para como a nossa família está indo de mal a pior. A nossa filha é uma comunista e o nosso outro filho é um irresponsável. Você é uma decepção como mãe. 

MADALENA — Eu estou cansada de toda essa situação, Alfredo. Eu não mereço ser humilhada dessa maneira. O nosso casamento acabou faz anos e você não está querendo admitir. Eu só aturo isso pelos meus filhos. 

ALFREDO — Você nunca vai conseguir arrumar um homem melhor que eu, Madalena. Você acha mesmo que a sociedade vai aceitar que você se envolva com o marido da sua amiga falecida? Você será mal vista. 

MADALENA — Eu só quero ter paz, Alfredo. Você só sabe me humilhar. Será que é tão difícil entender isso? 


ALFREDO FICA MAIS NERVOSO DO QUE ANTES. MADALENA RESPIRA FUNDO ENQUANTO ENCARA O SEU MARIDO.


ALFREDO — Eu acho melhor você sair da minha frente, Madalena. Não me obrigue a fazer algo do qual você não irá gostar. Porque você não procura saber o que a sua filha está fazendo.  Você é uma mãe relapsa.

MADALENA — Você sabe muito bem que isso não é verdade, Alfredo. Eu faço o que eu posso pelos meus filhos. Eu só lamento saber que você estragou o Gael a ponto de ser uma pessoa que eu não reconheço. 

ALFREDO — O Gael pode ter todos os defeitos do mundo, mas pelo menos ele não é comunista igual a sua filha. Você mimou demais essa garota, Madalena. Está satisfeita?

MADALENA — Esse sempre foi o seu problema, Alfredo. Você gosta de me responsabilizar por tudo de ruim que acontece com nossos filhos. Mas a culpa é sua também. Se você fosse um pai mais presente, quem sabe as coisas seriam diferentes. (P) Agora eu vou atrás da Marina. Eu vou tentar reverter tudo o que você fez.


MADALENA SAI BATENDO A PORTA DA SALA. A CÂMERA FOCA NO OLHAR DE ALFREDO QUE FICA INSATISFEITO.

CORTA PARA/


CENA 11. CLUBE DOS MARINHEIROS. ENTRADA. EXT/ DIA

VÁRIOS JOVENS DO CLUBE DE MARINHEIROS VÃO DESCENDO AS ESCADAS DA INSTITUIÇÃO. O FOCO CENTRAL ESTÁ EM GAEL QUE ESTÁ EMDESTAQUE NO MEIO DE TODOS ALI. DEPOIS DE ALGUNS SEGUNDOS GAEL PERCEBE A PRESENÇA DE ISABELA. SEM PENSAR DUAS VEZES ELE VAI NA DIREÇÃO DE ISABELA COM UM SORRISO NO ROSTO. ASSIM QUE GAEL SE APROXIMA DE ISABELA ELA LHE DÁ UM TAPA NA CARA. GAEL FICA CONFUSO COM A ATITUDE DELA. 



ISABELA — (furiosa) O que é que tem de errado com você, Gael? Será que você não consegue perceber que tudo que você está fazendo é errado? Você já foi melhor que isso. 

GAEL — Eu posso saber porque você fez isso, Isabela? Eu quero saber exatamente do que eu estou sendo acusado. Isso só pode ser coisa da infeliz da minha irmã.

ISABELA — Como você é cínico, Gael. Eu sei que você está tentando desmoralizar o nosso movimento. Eu não achei que fosse tão baixo assim. Estou decepcionada.

GAEL — Será que você não me entende, Isabela? Tudo o que eu estou fazendo é para te salvar. Eu te amo. O seu lugar não é perto desses comunistas. Você precisa ver o quão errado esse caminho é. 


A DISCUSSÃO ENTRE ISABELA E GAEL VAI FICANDO MAIS INTENSA. AGORA ELES ESTÃO SOZINHOS E SE OLHAM SÉRIOS.


ISABELA — Eu não preciso ser salva, Gael. Muito menos por alguém como você. Eu jamais me envolveria com alguém como você. Você é um set asqueroso, Gael. 

GAEL — Quer mesmo saber a verdade Isabela? Eu quero é mais que você quebre a cara junto desses comunistas. Eu queira te salvar porque eu amo você, mas parece que os meus sentimentos não tem importância. Você ainda vai se arrepender de tudo que vem fazendo. 

ISABELA — Finalmente você está deixando a sua máscara cair, Gael. Agora sim eu estou vendo quem você é de verdade. (P) Não se esqueça que você tem a morte do irmão do Paco nas suas costas.  Você sempre vai conviver com isso. 

GAEL — Eu não fiz isso por mal, Isabela. Tudo o que eu sempre quis é o bem do meu país. A morte do Luciano não foi minha culpa. Eu não poderia fazer nada. 


ISABELA NÃO ACREDITA EM GAEL. ELA DÁ AS COSTAS PARA GAEL. ELE FICA IRRITADO. LOGO DEPOIS GAEL PUXA ISABELA PELO BRAÇO E A BEIJA APAIXONADAMENTE. 

TRILHA SONORA: https://m.youtube.com/watch?v=w1G3rqVil1s

O SOM DA TRILHA VAI DIMINUINDO AOS POUCOS. ISABELA EMPURRA GAEL QUE FICA COM MAIS ÓDIO.


ISABELA — Nunca mais ouse fazer isso, Gael. Eu tenho nojo de você. Nojo da sua voz, do seu cheiro… Tudo que vem de você.  Eu nunca mais eu quero te ver.

GAEL — Eu não mereço ser tratado assim, Isabela. Eu faria qualquer coisa pelo seu bem. Você não pode imaginar o quão apaixonado eu sou por você. 


ISABELA FICA EM SILÊNCIO. SEM QUE ELA OU GAEL PERCEBA UMA VERANEIO DO DOI-CODI SE APROXIMA EM ALTA VELOCIDADE. UM OFICIAL DO DOI-CODI DESCE DA VERANEIO. ELE PEGA ISABELA COM MUITA TRUCULÊNCIA E A JOGO DENTRO DA VERANEIO QUE SAI EM DISPARADA. GAEL TENTA CORRER ATRÁS, MAS ELE NÃO TEM SUCESSO.  A CÂMERA MOSTRA O DESESPERO DE GAEL.

CORTA PARA/


CENA 12. APARTAMENTO DO DELEGADO FLORES. SALA DE ESTAR. INT/ DIA

O LOCAL É BEM SOTURNO. O DELEGADO FLORES ANDA PELA SALA DE ESTAR DO APARTAMENTO E PARECE QUE ESTÁ PROCURANDO ALGUMA COISA. ELE PEGA O PALETÓ QUE ESTÁ SOBRE O SOFÁ E VAI INDO NA DIREÇÃO DA PORTA. BESSE EXATO MOMENTO ELE OIVE ALGUÉM BATER NA PORTA. ASSIM QUE O DELEGADO FLORES ABRE A PORTA ELE DÁ DE CARA COM JANAÍNA QUE VAI LOGO ENTRANDO E COLOCANDO SUA MALA POR ALI MESMO. O DELEGADO FLORES PARECE NÃO GOSTAR NENHUM POUCO DE VER SUA FILHA ALI. 


DELEGADO FLORES — O que você está fazendo aqui, Janaína? Eu pensei que tinha deixado claro da última vez que eu falei com você que não era para a senhorita ter voltado para o Brasil. Depois que você foi para a Europa parece que você gosta de me desafiar.

JANAÍNA — Eu passos 2 anos morando fora do país e quando eu volto é assim que você me recebe? (P) Você achou mesmo que eu iria ficar longe do meu país nesse momento tão delicado. Eu vou ficar aqui. 

DELEGADO FLORES — Não queira me desafiar, garota. Se eu estou falando que você vai voltar para a Europa é porque você irá. Aqui a última palavra é a minha.

JANAÍNA — Do que é que você está com medo, pai? Que eu descubra que você é um torturador? Eu não te reconheço mais. Onde está o homem que eu admirava?


O DELEGADO FLORES VAI SE ENDURECENDO. JANAÍNA SE MANTÉM PARADA E NÃO DEMONSTRA TER MEDO DE SEU PAI.


DELEGADO FLORES — Eu não vou ficar discutindo isso com você, Janaína. Eu tenho os meus motivos para fazer o que eu faço. Você não iria entender. (T) Não vai me dizer que está simpatizando com esses comunistas?

JANAÍNA — (ponderando)  Essa não é a questão, pai. Você está fazendo sabe lá Deus o que com pessoas inocentes. Isso não está certo. Você precisa reconsiderar. 

DELEGADO FLORES — Reconsiderar? Essas pessoas não passam de arruaceiros que querem acabar com o bem estar do povo brasileiro. Se eu tiver que matar alguns deles eu não vou pensar duas vezes. Você entendeu? 

JANAÍNA — Eu não posso acreditar no que eu estou ouvindo. Você é um homem desprezível e asqueroso. Eu tenho nojo de ser sua filha. Mas em uma coisa você tem razão. Eu nunca deveria ter voltado para o Brasil. 


JANAÍNA COSPE NA CARA DO DELEGADO FLORES QUE FICA INCRÉDULO DIANTE DA REAÇÃO DE SUA FILHA. O JEITO QUE JANAÍNA OLHA PARA SEU PAI É COM MUITA MÁGOA.


DELEGADO FLORES — Faça o que você quiser, Janaína. Eu tenho que sair agora. Mas quando eu voltar eu espero que você não esteja aqui. (P) Volte para a Europa que será melhor para você. Esse é seu último aviso..

JANAÍNA — Pode deixar, Delegado Milton Flores. Eu não pretendo ficar no seu caminho. Eu não vou ficar no mesmo teto que você. Mas para a Europa eu não volto.

DELEGADO FLORES — Você sempre foi muito arrogante, minha filha. Você puxou esse temperamento da sua falecida mãe. (P) Eu acho bom você seguir o que eu estou falando. Você não vai gostar de me desobedecer.


O DELEGADO FLORES SAI DEMONSTRANDO MUITA FRIEZA. JANAÍNA CONTINUA NO MEIO DA SALA DE ESTAR AINDA SEM ACREDITAR NO QUE ACABA DE OUVIR DE SEU PAI. 

CORTA PARA/


CENA 13. MANSÃO DA FAMÍLIA PELLEGRINI. SALA DE ESTAR. INT/ DIA

CLOSE MAIS FECHADO EM MÔNICA E ALBANO QUE ESTÃO SENTADOS NO SOFÁ DA SALA FE RDTAR E ELES PARECEM BEM IMPACIENTES. A EMPREGADA LHES ENTREGA UMA XÍCARA DE CAFÉ, MAS A IMPACIÊNCIA DE MÔNICA VAI FICANDO INTOLERÁVEL. ELA DESCONTA SUA RAIVA NA EMPREGADA. 



MÔNICA — (irritada) Eu não quero saber da droga desse café. Eu quero saber porque o meu pai nos chamou até aqui. Eu não posso ficar aqui parada perdendo tempo enquanto ele não resolve dar as caras. 

EMPREGADA — Isso eu não vou saber te responder, senhorita. Somente o seu pai pode lhe responder a respeito.

MÔNICA — É claro que você não sabe. Você não passa de uma relés empregada. Saia da minha frente agora mesmo. Vá chamar o meu pai que é o melhor que você pode fazer.

ALBANO — (sensato) Se acalma, Mônica. Se o seu pai nos chamou até aqui ele deve ter alguma boa razão. 


MÔNICA DISPARA UM OLHAR DE DESPREZO PARA ALBANO. A EMPREGADA SAI. O CLÍMAX DA CENA VAI AUMENTANDO.


MÔNICA — Não mande me acalmar, Albano. Você mais do que qualquer um sabe tudo que está em jogo aqui. Se o meu pai não nos ajudar será o fim dessa vida de regalias que nós temos. E isso não pode acontecer de forma nenhuma. 

ALBANO — Eu estou cansado de saber disso, Mônica. Mas ficar humilhando a empregada do seu pai não vai nos ajudar em nada. Será que você não consegue ver isso?

MÔNICA — Desde quando você virou defensor da classe doméstica, Albano? Mas vamos parar de discutir na frente desse tipo de gente.  Eu não tenho tempo para isso. 

ALBANO — É você quem está discutindo, Mônica. Eu apenas estou fazendo o que a minha consciência pede. Eu prefiro manter a minha consciência limpa. 

MÔNICA — Não me faça rir, Albano. Consciência limpa? Isso não vai impedir que a gente entre na miséria. O importante é garantir o nosso futuro com o dinheiro do meu pai. Isso sim é importante. 

ALBANO FICA EM SILÊNCIO. A CÂMERA GIRA E MOSTRA ONAR PARADO NO ALTO DA ESCADA DA MANSÃO DEMONSTRANDO ESTAR PRESENCIANDO A DISCUSSÃO A UM CERTO TEMPO. MÔNICA E ALBANO SE ENTREOLHAM. 


OMAR — (firme) Se vocês pararem com essa discussão tupiniquim eu poderei começar a falar tudo o que eu quero. De uma coisa vocês podem ter certeza. O que eu tenho para falar vai surpreender vocês dois.


MÔNICA E ALBANO FICAM INTRIGADOS. DE LONGE A CÂMERA VAI FOCANDO EM OMAR QUE VAI DESCENDO AS ESCADAS DE MÁRMORE DA MANSÃO. TENSÃO.

CORTA PARA/


CENA 14. CEMITÉRIO. EXT/ DIA

O CEMITÉRIO ESTÁ TOTALMENTE VAZIO DE PESSOAS. A ÚNICA PESSOA QUE AINDA ESTÁ ALI É PETRÔNIO QUE ESTÁ PARADO EM FRENTE AO TÚMULO DE SUA ESPOSA. ELE NÃO CONSEGUE IMPEDIR QUE AS LÁGRIMAS ESCORRRAM POR SEUS OLHOS. ELE SEBTE ALGUÉM TOCAR EM SEU OMBRO. QUANDO ELE SE VIRA ELE FICA CARA A CARA COM MADALENA. ELE PERCEBE QUE O OLHO DELA ESTÁ FERIDO. 



PETRÔNIO — (surpreso) Madalena???? O que você está fazendo aqui? O que foi que houve com você? Não precisa nem dizer nada. Eu sei que foi o Alfredo. Até quando você vai suportar essa situação? Você não merece isso. 

MADALENA — Eu não quero falar sobre isso, Petrônio. Eu quero esquecer por um momento os problemas que eu tenho com o meu marido. Eu vim te apoiar nesse momento tão difícil. (P) A Isabela não deveria estar aqui? 

PETRÔNIO — Essa é uma pergunta que eu não sei te responder, Madalena. Eu já estou ficando preocupado. A minha filha e a sua envolvidas nesse movimento contra a ditadura né deixa aflito. Eu não sei o que fazer.

MADALENA — Eu também estou preocupada, Petrônio. Por mais que eu acredite que eles estão fazendo algo de bom isso não deixa de ser perigoso. Isso me assusta.


MADALENA FICA MAIS PREOCUPADA. PETRÔNIO A CONSOLA.


MADALENA — Eu sei que a gente cria os nossos filhos para o mundo, mas eu não estou preparada para ver qualquer um dos meus filhos irem antes de mim. Essa não é abordem natural das coisas. Esse é o meu medo. 

PETRÔNIO — Eu entendo perfeitamente o que você está dizendo, Madalena. Depois de tudo o que eu estou passando nesses últimos dias eu vejo que não posso mais negar o que eu estou sentindo. Eu não quero mais ficar nenhum segundo longe de você.

MADALENA — Não faz isso comigo, Petrônio. Você não pode entender a situação delicada que está me colocando. Se o Alfredo sonhar que eu estou aqui com você eu bem sei o que ele é capaz de fazer comigo. 

PETRÔNIO — Eu não consigo entender porque você insiste em viver nesse casamento em que você não é respeitada, Madalena. Será que você não percebe que está recebendo somente migalhas? Isso não está certo.


SILÊNCIO TOTAL DE MADALENA. TEMPO. PETRÔNIO TOCA SUAVEMENTE EM SUAS MÃOS. ELES SE OLHAM. 


PETRÔNIO — Eu quero que você saiba de uma coisa, Madalena. Eu sempre vou estar aqui para o que você precisar. Apensar de tudo eu te amo como o primeiro dia que eu te vi. Eu sempre vou querer o seu bem. 

MADALENA — Eu naos.ei.nem.o.aie te dizer, Petrônio. Sinceramente eu queria poder corresponder aos seus sentimentos, mas eu não posso. Eu sinto muito.


OS OLHOS DE MADALENA E PETRÔNIO FICAM FIXOS UM NO OUTRO. PETRÔNIO SE APROXIMA AINDA MAIS E A BEIJA COM MUITA PAIXÃO. MADALENA TENTA RESISTIR, MAS ELA ACABA CEDENDO. ELES SE BEIJAM APAIXONADAMENTE. 

TRILHA SONORA: https://youtu.be/k3l_A6J2Mk4?si=KXt04Ky6TZ5_8Ann 

SEM QUE MADALENA OU PETRÔNIO POSSAM PERCEBER UMA SENHORA QUE PASSA PELO CEMITÉRIO VÊ O BEIJO DE NOSSOS PROTAGONISTAS. O SEU SEMBLANTE É DE DESAPROVAÇÃO. 

CORTA PARA/


CENA 15. SEDE DDO DOI-CODI. CORREDOR. EXT/ DIA

DE UMA FORMA MAIS FECHADA A CÂMERA ACOMPANHA ISABELA QUE ESTÁ SENDO LEVADA POR UM OFICIAL DO DOI-CODI QUE USA DE MUITA TRUCULÊNCIA. ISABELA SE DEBATE TENTANDO SE SOLTAR, MAS SEM SUCESSO. O OFICIAL PARA POR UN MOMENTO E OKHA FRIAMENTE PARA ISABELA.



OFICIAL — Eu sinceramente espero que você tenha se despedido da sua família. Depois que você atravessar esse corredor a sua vida não será a mesma. É isso que comunistas que nem você e os seus amigos merecem. 

ISABELA — (gritando) Você não pode fazer isso comigo. Eu tenho os meus direitos. (P) O meu pai nunca vai desistir de me encontrar. Vocês são uns monstros. 

OFICIAL — Você nos chama de monstros, mas somos nós que queremos manter a ordem nesse país fadado ao fracasso. Você querendo ou não vai ficar aqui.

ISABELA — Você acha que isso me assusta? Eu sei muito bem tudo o que acontece aqui dentro. Eu conheço muitas histórias de pessoas que desapareceram. 


O OFICIAL DO DOI-CODI SORRI. A TRANQUILIDADE VAI SUMINDO DO ROSTO DE ISABELA. ELA FICA DESESPERADA. 


OFICIAL — Uma coisa eu posso te garantir, garota. As histórias que você ouviu são mais leves co.que realmente acontece aqui. Você acaba de entrar no inferno. 

ISABELA — É por causa de pessoas como vocês que eu faço o que eu estou fazendo isso. Eu nunca vou abrir mão do que eu acredito ser o certo. Vocês não vão né calar.

OFICIAL — Quer apostar que você está errada, garota? Você não conhece o poder de quem está por trás desse lugar.  Você vai implorar para te matar. Pode ter certeza disso.

ISABELA — Faça o pior que você puder. Eu não tenho medo.



SEM NENHUMA PIEDADE O OFICIAL DO DOI-CODI DÁ UM SOCO NO ESTÔMAGO DE ISABELA QUE CAI DE JOELHOS. 


OFICIAL — Me responda uma pergunta. Você não tem um amigo que está sumido desde ontem? Ele foi a última da nossa sala de tortura. E adivinha só. Nós chegamos até você graças ao fato dele ter entregado todos vocês. 

ISABELA — (em negação) Você está mentindo. O Xavier nunca seria capaz de fazer uma coisa dessas. Eu não acredito. 

OFICIAL — Acredite no que você quiser. Mas a verdade é que ele entregou vocês no último momento. Que decepção, não é mesmo? 


O OLHAR DE ISABELA DEMONSTRA A SUA DESCRENÇA. O OFICIAL LEVA ISABELA ATÉ A SALA DE TORTURA. A PORTA SE FECHA E NÃO OUVIMOS ABSOLUTAMENTE MAIS NADA.

CORTA PARA/


CENA 16. MANSÃO DA FAMÍLIA PELEGRINI. SALA DE ESTAR. INT/ DIA

A CÂMERA MOSTRA OMAR TERMINANDO DE DESCER AS ESCADAS DA MANSÃO. MÔNICA E ALBANO SE LEVANTAM DO SOFÁ E FICAM OLHANDO FIXAMENTE PARA O PATRIARCA DA FAMÍLIA PELLEGRINI. OMAR SE APROXIMA DE MÔNICA PRIMEIRAMENTE E AGORA PODEMOS VER QUE ELE TEM UM ENVELOPE EM SUAS MÃOS. MÔNICA PERCEBE E FICA INTRIGADA. 


MÔNICA — (impaciente) Eu posso saber o porquê de você ter nos chamado até aqui, meu pai? E que envelope é esse em suas mãos? Você está tão misterioso. 

OMAR — Você é bem direta, minha filha. Então eu vou falar logo o que eu quero lhes dizer. (P) Eu resolvi reformular o meu testamento. Eu apenas estou lhes informando para vocês não serem pegos de surpresa.

MÔNICA — Que espécie de brincadeira é essa? Eu não vou aceitar isso de forma nenhuma, meu pai. Você só pode estar louco se acha que eu vou ficar sem fazer nada.

ALBANO — O que você pode fazer, Mônica? O seu pai tem todo o direito de reformular o testamento. Isso é totalmente legal diante da justiça. Você está de mãos atadas. 


MÔNICA SE IRRITA COM AS PALAVRAS DE SEU MARIDO. OMAR OLHA FRIAMENTE PARA SUA FILHA QUE ESTÁ MUITO NERVOSA. 


MÔNICA — Eu não quero saber dos termos técnicos, Albano. Eu não vou deixar um homem que está fora de seu juízo perfeito tirar o que é meu por direito. (P) Isso não vai acontecer. Está ouvindo, pai? Não vai mesmo.

OMAR — Aí que está, Mônica.. Você não pode fazer absolutamente nada. Dentro de 15 dias eu irei até o tabelião para mudar o meu testamento. Até esse imprestável do seu marido sabe sobre isso.

ALBANO —Não tente me humilhar, Omar. Isso é uma coisa que eu jamais vou aceitar. Eu não sou o mesmo homem que você costumava humilhar. Estou te avisando. 

MÔNICA — Eu só quero saber uma coisa, pai. Porque você resolveu mudar o testamento assim tão de repente? Aconteceu alguma coisa que fez você tomar essa decisão. Eu te conheço muito bem. Não tente me enganar. 


OMAR OLHA FRIAMENTE PARA MÔNICA. ELA VAI FICANDO CADA VEZ MAIS IMPACIENTE. ALBANO APENAS OBSERVA.


OMAR — Já que você quer saber a verdade, então é isso que você vai ter. (T) Eu tive uma filha fora do casamento. E eu irei incluir ela no meu testamento. Eu sei que você não vai gostar disso. Mas essa é a minha vontade. 

MÔNICA — (sem acreditar)  Eu não posso acreditar no que eu estou ouvindo. Diga que você está brincando, pai. Eu não vou deixar que você dê para uma bastarda aquilo que é meu. Antes que isso aconteça eu te interno. 

ALBANO — Mônica…. Presta atenção no que você está falando. Se isso for mesmo verdade, não tem nada que você possa fazer. O seu pai parece ciente do que ele quer.

MÔNICA — Eu já disse para você não me contrariar, Albano. (P) Você não vai me humilhar dessa forma, pai. Vamos embora, Albano. Não temos mais nada o que fazer aqui. 


MÔNICA SAI DA MANSÃO BUFANDO DE ÓDIO. ALBANO VAI ATRÁS DELA. A CÂMERA FOCA NO OLHAR SÉRIO DE OMAR. 

CORTA PARA/


CENA 17. ARREDORES DA CASA DE MADALENA E ALFREDO. RUA. EXT/ TARDE 

A TARDE JÁ DESPONTA NO HORIZONTE. DE LONGE PODEMOS OLÍVIA QUE ESTÁ PARADA DO OUTRO LADO DA RUA DA CASA DE MADALENA E ALFREDO. A CÂMERA VAI SE APROXIMANDO DE OLÍVIA QUE ESTÁ COM O OLHAR NA CASA DE SEU AMANTE. ELA NÃO PERCEBE, MAS ALFREDO CHEGA ATRÁS DELA E A SEGURA PELO BRAÇO COM FORÇA. ELA SE ASSUSTA.


ALFREDO — (sussurrando) O que você pensa que está fazendo aqui, Olívia? Eu fui muito claro que eu não queria ver você aqui. Parece que você gosta de brincar com coisa séria. É melhor você ir embora agora. 

OLÍVIA — Você não entende, Alfredo. Eu estou cansada de ver você viver um casamento fracassado com a Madalena enquanto eu só recebo migalhas. Você nunca nem mesmo assumiu o nosso filho. O Tiago merece saber que é seu filho. Você não acha?

ALFREDO — Você ficou louca? Eu nunca reconheci esse rapaz como meu filho. No máximo ele é um acidente que você deveria ter evitado. Eu não vou deixar você e o seu filho destruírem a minha filha família. 

OLÍVIA — Como você pode ser tão baixo assim, Alfredo? O Tiago também é seu filho. Se eu soubesse que você era assim eu jamais teria me envolvido com você. (P) Eu vou fazer de tudo para tirar você da minha vida.


ALFREDO SORRI. ELE OLHA DE UM JEITO AMEAÇADOR PARA OLÍVIA QUE COMEÇA A FICAR COM MEDO. TENSÃO. 


ALFREDO — Você acha mesmo que pode me abandonar, Olívia?  Você pode até não querer admitir, mas você não vive sem mim. (P) Eu vou te avisar de novo. Se você tentar com o meu casamento eu acabo com você antes. 

OLÍVIA — O que eu estou te pedindo não é muito, Alfredo. Eu só quero que você tenha uma relação mais estreita com o seu filho. O Tiago nunca disse, mas eu sei que ele sente a falta de uma figura paterna. Isso o machuca. 

ALFREDO — Se depender de mim as coisas vão continuar como estão. E além disso o seu filho é um desses comunistas. Ele jamais vai ser meu filho. Esqueça essa história. 


OLÍVIA ENGOLE A SECO AS PALAVRAS DE  ALFREDO. ELA DÁ AS COSTAS PARA SEU AMANTE E FAZ A MENÇÃO DE ATRAVESSAR A RUA. ALFREDO CONTINUA SEGURANDO EM SEU BRAÇO. ELE OLHA PARA OLÍVIA COM MUITO DESEJO.


ALFREDO — Onde você pensa que está indo, Olívia? Quer saber de uma coisa? Você continua tão bela quanto no dia que eu te conheci. Vamos esquecer de tudo que aconteceu aqui. Eu quero você hoje. E eu sei que você também quer. 

OLÍVIA — Me solta, Alfredo. Eu estou muito decepcionada com você. Nesses mais de 25 anos eu não imaginava que você seria esse homem tão desprezível que você está demonstrando ser. Eu tenho asco de você, Alfredo. 

ALFREDO — Eu sei que você vai esquecer de tudo isso, Olívia. Depois de um bom vinho e uma noite de amor você vai esquecer tudo que aconteceu. Não adianta você resistir. 


OLÍVIA TENTA SE FAZER DE DIFÍCIL, MAS ELA NÃO CONSEGUE. ALFREDO A BEIJA COM MUITA VOLÚPIA. ELA SE ENTREGA.

CORTA PARA/


CENA 18. BAIRRO DE MARECHAL HERMES. RUA. EXT/ TARDE 

UM TÁXI VEM PARANDO BEM DEVAGAR. TEMPO. DEPOIS DE ALGUNS SEGUNDOS MADALENA E PETRÔNIO DESCEM DO TÁXI E ELES FICAM SE OLHANDO. PARA A SURPRESA DE SURPRESA DE MADALENA E PETRÔNIO QUE NÃO ESTAVAM ESPERANDO GAEL VEM NA DIREÇÃO DELES. ELE ESTÁ ANGUSTIADO. MADALENA PERCEBE A AFLIÇÃO DE SEU FILHO. 


MADALENA — Meu filho…. O que foi que aconteceu com você? Eu estou te sentindo muito angustiado. (P) Você não precisa ter segredos para mim. Eu sou sua mãe.

GAEL — Eu não sei como dar uma notícia dessas, mãe. Eu juro que eu tentei impedir. Mas eu não fui rápido o suficiente. Eu não sei como você vai me olhar depois de saber sobre isso, Petrônio. Eu me sinto tão impotente.

PETRÔNIO — ( preocupado) Do que é que você está falando, Gael? Você está começando a me deixar aflito. Fale de uma vez o que você está querendo. É melhor você ir direto ao assunto. 

GAEL — A Isabela foi levada pelos oficiais do Doi-Codi, Petrônio. Eu não sei onde é que ela foi levada. Mas eu juro para você que eu vou salvar ela. Eu prometo. 


PETRÔNIO FICA ATÔNITO. MADALENA NÃO CONSEGUE ACREDITAR NO QUE ACABA DE OUVIR. PETRÔNIO SE APROXIMA DE GAEL E OLHA BEM SÉRIO.


PETRÔNIO — Eu só tenho uma pergunta para te fazer, Gael. Porquê? (P) Será que o ódio que você sente pela sua irmã é tanto assim que você deixou que a minha filha fosse levada no meio desse fogo cruzado? 

MADALENA — Você está exagerando, Petrônio. Você não está vendo como o Gael está abalado com essa história? Você deveria pensar melhor no que está falando. 

GAEL — Eu não tive culpa, Petrônio. A veraneio com os oficiais do Doi-Codi apareceu do nada e levaram a Isabela. Você precisa acreditar em mim. 

PETRÔNIO — Eu queria acreditar em você, Gael. Eu sei que você ama a minha filha, mas eu não consigo ver a verdade no que você fala. Eu só quero a minha filha de volta.


O SEMBLANTE DE PETRÔNIO FICA MUITO TRISTE. MADALENA OLHA PARA PETRÔNIO. GAEL PERCEBE ALGO DIFERENTE QUE ESTÁ ACONTECENDO. 


MADALENA — Eu nem posso imaginar o que você está sentindo agora, Petrônio. Mas não é justo você culpar o meu filho por essa tragédia horrível. Isso não está certo.

PETRÔNIO — Eu entendo que você está protegendo o seu filho, Madalena. Mas eu não vou passar a não na cabeça do Gael toda vez que ele erra. Ele precisa arcar com as consequências do que ele faz. Só assim ele vai aprender.

MADALENA — Se é assim que você pensa eu só posso lamentar, Petrônio. Eu sinceramente espero que a Isabela consiga sair desse inferno. Mas você está errado sobre o meu filho. Ele é um.bom rapaz. Eu sei muito bem disso.


PETRÔNIO NÃO DIZ NADA. ELE E MADALENA TROCAM OLHARES BEM PROFUNDOS. GAEL PERCEBE E NÃO GOSTA NADA DO QUE ELE ESTÁ PRESENCIANDO.  PETRÔNIO VAI ANDANDO PELA RUA ENQUANTO MADALENA O OBSERVA. A IMAGEM CONGELA NO OLHAR SÉRIO DE MADALENA. 


FIM DO  CAPÍTULO
























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