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LÁGRIMAS EM SILÊNCIO - Capítulo 45

 



Novela de Adélison Silva 

Personagens deste capítulo

JANA
LAURA
GIOVANA
PAULO
REBECA
CÁSSIA
BEATRIZ
JORGE
ROSENO
FÁTIMA
KALEB
MARIA
PANDORA
DARLAN
KIRA
VANESSA

CENA 01/ INT/ MOTEL/ SUITE/ NOITE

Beatriz está sentada na cama, enrolada em um lençol. Fátima está de pé à sua frente, furiosa, enquanto Jorge fica atrás de Fátima, também enrolado em uma toalha.

 

FÁTIMA
 (furiosa)

- Eu me abri com você, falei das minhas suspeitas, sua serpente. Abri meu coração, confiei... E você não passa de uma vadia, uma piranha ordinária.

 

BEATRIZ
 (tentando se explicar)

- Fátima, cê tem toda razão, viu? Espera só me vestir, podemos sentar e conversar melhor.

 

FÁTIMA

- Cê ainda acha que quero conversar contigo, sua puta?
(partindo-se para cima de Beatriz)

- Vou lhe dá na cara, sua desgraçada! Pra aprender a não mexer com homem casado.

 

Jorge intervém, segurando Fátima para impedi-la de atacar Beatriz.

 

JORGE

- Te acalme, mulher!

 

FÁTIMA

- Me solte, viu Jorge? Que vou dar é na cara dessa vadia!

 

JORGE
 (preocupado)

- Pense no bebê, Fátima! Cê não pode se alterar assim.

 

FÁTIMA

- E cê pensou no nosso filho, quando veio para cá com essa piranha?

 

Jorge tenta explicar, mas Fátima não dá chance, desferindo um tapa na cara de Jorge. Enquanto Fátima discute com Jorge, Beatriz se veste apressadamente. Ela sai do motel a pé, deixando para trás a confusão e a fúria de Fátima.

 

FÁTIMA
 (enfurecida)

- Isso mesmo, vá te embora, desgraça! Cê não é nada, sua piranha dos infernos. Fique longe do marido dos outros!

 

Fátima se senta no chão e começa a chorar. Jorge tenta se aproximar para consolá-la, mas ela não permite, empurrando-o com raiva.

 

 

CENA 02/ EXT/ COLÉGIO CENTRAL/ PÁTIO/ DIA

Maria vê Pandora conversando com alguns colegas e decide se aproximar.

 

MARIA
 (olhando séria)

- Oi Pandora!

 

PANDORA

- Oi Má! Tá tudo bem?

 

MARIA

- Podemos conversar a sós um tiquinho?

 

Pandora, surpresa assente.

 

PANDORA
 (preocupada)
- Claro! Com licença, viu gente?

 

Pandora se afasta dos colegas acompanhando Maria.

 

PANDORA

- O que foi meu amor? Cê parece angustiada.

MARIA

(com voz trêmula)

- Só preciso saber de uma coisa. Painho lhe procurou?

 

PANDORA
 (confusa)
- Ah, sim, ele me convidou e a gente foi tomar sorvete. Seu pai é um amorzinho, viu Maria? Gostei muito de conversar com ele. Oh minha linda, ele tá preocupado com cê, ele acha que cê tá ficando isolada, trancafiada demais dentro do quarto. Vamos voltar a fazer os programinhas que agente fazia? Cê gostava tanto.

 

MARIA
 (em prantos)
- Por favor, Pandora, fique longe de meu pai. Eu lhe imploro!

 

Pandora fica perplexa, sem entender completamente a situação. Antes que ela possa perguntar, Maria sai correndo, deixando Pandora confusa e preocupada.

 

PANDORA
(sussurrando para si mesma)
- Oxente, mas que tá acontecendo?

 

 

CENA 03/ INT/ CAMPA/ DIA

Giovana está no CAMPA, enquanto Kira está em seu apartamento. Elas conversam por telefone.

GIOVANA

- Oi Kira!

 

KIRA

- Oi, minha linda! Olha, quero fazer uma proposta, e já adianto que não aceito um "não" como resposta, viu?

 

GIOVANA
 (curiosa)
- O que cê tá tramando, hein Kira? Cê já percebeu que cê manda e eu obedeço, né? Não consigo lhe contrariar.

 

KIRA

(sorrindo)

- Não vou mentir, meu poder de persuasão é realmente uma de minhas melhores virtudes. No entanto, ironicamente, ainda não consegui conquistar o que mais desejo nesse momento.

 

GIOVANA
(sorrindo)
- Nem vou perguntar o que é, pois já imagino. Mas diga aí, qual é o convite que cê tem pra fazer?

 

KIRA
 (entusiasmada)
- Vou fazer um jantarzinho íntimo só pra nós duas, então cê trate de vim, viu?

 

GIOVANA

- Nossa, tem nem a opção do não?

 

KIRA
- Não, essa opção não tem. Apenas sim, me espera que estarei aí, linda e bela como sempre.

 

GIOVANA

- Olhe, sei se vou não, viu Kira?

 

KIRA
- E porque não? Me diga um motivo convincente.

 

GIOVANA

- Sei lá! Hoje tá barril, viu? Sentindo muita falta de Raul.

 

KIRA

- Mas um motivo pro cê vim. Não é bom cê ficar sozinha nessas horas.

 

GIOVANA
- Vá bem, então. Acho que cê tá certa, eu vou.

 

KIRA
- Oba! Já vou então preparar tudo aqui, viu?

 


 

CENA 04/ EXT/ FEIRA DE SANTANA/ OFICINA DO JORGE/ DIA

Jorge e Roseno estão trabalhando sob o capô de um carro enquanto Fátima observa de longe, seus olhos atentos e desconfiados.

 

JORGE
 (suspirando)
- Ela me flagrou com Beatriz, Roseno. Agora tá fazendo uma marcação cerrada em mim. Cê tinha que ver, viu? O barraco que ela fez no motel.

 

ROSENO

- Mas tu também vacila, né bicho? Não era cê mesmo que tava dizendo que iria se dedicar agora ao casamento, ao filho que tá vindo e não iria mais procurar doutora?

 

JORGE

- Era, mas não foi... O diabo é que aquela doutora me tenta de um jeito que não consigo resisti. O chamego da nega é bom, viu?

 

ROSENO
- Pois te aprume, viu? Fátima tá ali de butuca lhe fuzilando com os olhos.

 

JORGE

- Mas tá certo, viu? Vou ter que dá uma quietada, a gravidez de Fátima é de alto risco. Não posso colocar a vida de meu filho em jogo, né?

 

ROSENO

- Pois é, pense bem nisso... Disfarça, viu? Mas olha que delicinha a galega que tá chegando.

 

Jorge olha meio de lado e percebe uma mulher atraente se aproximando. Fátima, percebendo as olhadas do marido, começa a fingir que está passando mal e coloca a mão na barriga.

 

FÁTIMA
- Ai, não tô me sentindo bem Jorge!

 

Jorge imediatamente deixa suas ferramentas de lado e corre até Fátima, preocupado.

 

JORGE
 (preocupado)
- Fátima, o que cê tá sentindo? Respira fundo, tenta manter a calma, viu? O que cê quer que eu faça?

 

Fátima, com um sorriso dissimulado, olha para Jorge.

 

FÁTIMA
 (fingindo)
- Só fique aqui comigo, tô com uma tontura, um mal estar.

 

Jorge, preocupado, tenta ajudá-la, enquanto Roseno observa a situação com uma expressão preocupada em seu rosto.

 

 

CENA 05/ EXT/ COLÉGIO CENTRAL/ QUADRA/ DIA

Estão Pandora e Darlan conversando.

 

PANDORA
 (perplexa)
- Realmente não entendo, viu Darlan? Maria veio me procurar, queria saber se eu havia encontrado o pai dela. E quando eu disse que sim, ela simplesmente desabou em lágrimas.

 

DARLAN

- Por isso que lhe digo, Pandora. Esse cara tá fazendo alguma coisa contra Maria. Ele pode tá ameaçando ela.

 

PANDORA

- Não faz sentido, eu conversei com ele, pareceu sincero. Ela tá muito preocupado com a filha. A gente pode tá sendo injusto, Darlan. Maria tá evitando ele, assim como tá nos evitando.

 

DARLAN

- E se a gente tiver certo? Se ele realmente tiver abusando dela? Pior ainda, Pandora, esse cara pode ter abusado de Maria a vida toda.

 

PANDORA

- Essa é uma acusação muito grave. E sinceramente, não acho que ele tenha feito isso.

 

DARLAN

- Não dá pra esperar e continuar na dúvida. Já decidi, vou procurar a mãe de Maria e falar das nossas suspeitas e pedi pra ela ler o diário da filha.

 

PANDORA

- Vai com calma, viu Darlan? Olha lá como cê vai abortar esse assunto com ela.

 

DARLAN

- Sei que não vai ser uma conversa fácil. Mas não dá pra ver tudo isso e não fazer nada. A não ser se cê fosse lá na casa de Maria e pegasse o diário.

 

PANDORA

- E como farei isso, se Maria nem quer falar comigo?

 

DARLAN

(firme)

- Então não temos opção.

 

 

CENA 06/ EXT/ RUA/ PRAÇA/ TARDE

Vanessa e Rebeca estão sentadas em um banco, tendo uma conversa.

 

VANESSA

- Venha cá, e Júnior hein? Cê desistiu mesmo de seu Pirulito?

 

REBECA

- Júnior não quer saber de mim não, né Vanessa? Pra quê insisti? Era tão bom o nosso chamego, mas ele não me quer mais.

 

VANESSA
- Oh nega, a culpa é daquele pai dele, né? Do pai dele e o seu, né? Porque Deus me perdoe, mas pastor Moisés hein?

 

REBECA

- Mas eles tão certo, eu fui desobediente e Deus me castigou.

 

VANESSA

- Não diga besteira, menina!

 

REBECA

- Painho já disse, quando ele voltar do congresso vai achar um marido pra mim. E vai ser um homem de igreja, viu?

 

VANESSA
 (indignada)

- Isso é um absurdo! Cê não pode simplesmente aceitar casar com um homem que seu pai escolheu pro cê. E o amor fica onde?

 

REBECA

- O amor vem depois, painho mesmo me disse.

 

VANESSA
- Não tô ouvindo isso, não. Rebeca, minha linda, escute. Se Júnior não lhe quer, beleza, compreendo cê não insisti. Mas também não precisa, cê sair casando com um homem que cê nem conhece.

 

REBECA

- Mas se não é pra ser Júnior, por mim pode ser qualquer outro. Não me faz diferença.

 

VANESSA

- Mas que coisa, não te avexe, o homem certo vai lhe aparecer.

 

 

CENA 07/ INT/ CLÍNICA BIO IN VITRO/ RECEPÇÃO/ TARDE

Darlan entra na clínica com uma expressão decidida no rosto. Ele se aproxima da recepção, onde Cássia está ocupada organizando alguns papéis.

 

DARLAN
- Com licença, eu gostaria de falar com Jana, por favor.

 

CÁSSIA
 (amigável)
- Aguarde um tiquinho que ela já tá vindo, viu?

 

DARLAN

- Obrigado!

 

Jana vai se aproximando da recepção.

 

JANA

- Cássia, ver pra mim aquela paciente de Dra. Beatriz. Parece que ela quer remarcar a consulta pra outro dia.

 

CÁSSIA

- Claro, já vou ver isso agora. Ah, esse rapaz quer falar com cê.

 

JANA

- Pois não.

 

DARLAN

- Sou Darlan, sou amigo de sua filha, Maria. Será que a gente poderia conversar um pouco? É um assunto um pouco delicado.

 

CÁSSIA

- Pode ir lá, Jana. Aqui tá tranquilo.

 

JANA

- Vem comigo!

 

 

CORTA PARA:

CENA 08/ INT/ CLÍNICA BIO IN VITRO/ SALA RESERVADA/ TARDE

Darlan está tenso enquanto entra na sala reservada da clínica acompanhada de Jana.

 

JANA
- Maria já me falou sobre você. Ela gosta muito do cê, viu?

 

DARLAN

- Sério? Pois saiba que sou completamente apaixonado por ela.

 

JANA
- E é sobre isso que cê quer conversar comigo? Sobre a relação de cês dois?

 

DARLAN

- Sim e não. Maria de uns tempos pra cá, vem evitando a mim e a Pandora. Ela tá agindo muito estranho e sei que algo muito grave tá acontecendo.

 

JANA
- Olhe Darlan, Maria é uma menina muito tímida, ela sempre teve dificuldades em se relacionar com outras pessoas. Antes de conhecer Pandora, ela simplesmente não tinha amiga nenhuma. E em relação aos garotos então, ne se fala.

 

DARLAN

(cauteloso)

- Olhe dona, eu tenho pra mim que a coisa é muito mais séria que isso.

 

JANA

(preocupada)

- O que cê tá querendo dizer? Não tô entendendo.

 

DARLAN

- Eu acho que tudo tem a ver com o padrasto dela, o seu marido, Paulo.

 

JANA
- Olhe garoto, não tô entendendo bem o que cê tá querendo dizer, mas não tô gostando do rumo dessa prosa.

 

DARLAN

- Sei que é um assunto muito sério, se vim aqui é que tô muito preocupado com Maria. Mas acho que seu marido tem abusado de Maria.

 

JANA
 (se alterando)

- Vai embora daqui rapaz, e fique longe de minha filha, viu?

 

DARLAN

- Olhe o diário, ler o diário de Maria. Se existe alguma coisa, na certa Maria escreveu lá.

 

JANA
- Cê é muito impertinente moleque! Imagine se o homem que tô a quase trinta anos, iria fazer alguma coisa contra minha filha.

 

DARLAN

- Só quero ajudar, não ignore isso que lhe disse, só ler o diário dela.

 

JANA

(gritando)
- Sai daqui, que já mandei! E fiquei longe de minha filha seu abusado!

 

Darlan sai, Jana senta no banco com a mão na cabeça preocupada.  

 

 

CENA 09/ EXT/ PRAIA/ CALÇADA/ TARDE

Pandora sai do trailer, carregando um açaí nas mãos, quando se depara com Paulo, que está se aproximando. Surpresa, ela o cumprimenta com um sorriso amigável.

 

PAULO

- Olá Pandora! Que coincidência, viu? Era exatamente o que eu tava indo fazer, comprar um açaí pra mim. Cê espera eu pegar o meu?

 

PANDORA
 (educada)
- Claro!

 

Paulo logo volta com seu açaí.

 

PAULO
 (sorrindo)

- É meu lanche preferido, sabe? Adoro açaí.

 

Os dois começam a andar pela calçada, desfrutando do açaí enquanto conversam.

 

PAULO
 (suspirando)
- Realmente não sei como lidar com as coisas, especialmente com Maria. Mas a culpa é minha, viu? Na verdade sou um arcaico, meus pais me criaram assim, não tivemos muita intimidade. Por conta disso também não sei como me aproximar de minha filha.

 

PANDORA

- E porque cê simplesmente não conversa com ela, assim como tá coversando comigo aqui agora?

 

PAULO

- Porque existe um muro entre nós dois, e não dá pra ser ultrapassado.

 

PANDORA
- Entendo. Maria me procurou lá no colégio.

 

PAULO

- E foi? E aí cê conseguiu conversar com ela?

 

PANDORA

- Ela estava angustiada e pediu pra que eu ficasse longe do cê. Desculpe minha invasão, mas aconteceu algo entre cês dois?

 

PAULO

- Não queria falar sobre isso, mas acho que no cê posso confiar. Complicado... Pandora, Maria sempre teve ciúmes de mim. Eu sempre olhei pra isso de uma forma natural. No meu ver, é normal uma filha ter ciúme de seu pai. Ela tem ciúme de mim até com a mãe dela, as vezes eu com a mãe dela e sempre vinha se enfiava em nosso meio. Mas isso quando ela era pequena. Agora depois de mocinha a coisa começou a ficar mais evidente e comecei a me preocupar mais ainda.

 

PANDORA

- Mas se incomodava por quê? O que exatamente Maria fazia?

 

PAULO

- Na verdade nunca havia feito nada assim de concreto, só ficava implicando comigo com tudo o que fazia. E nunca entendi o porquê. Mas agora que ela descobriu que não sou pai biológico dela, ela começou a se insinuar pra mim. Veja bem minha situação Pandora, como vou falar essas coisas com a mãe dela? Por isso que pedi pro cê aproximar dela, e tentar achar uma forma de tirar essas coisas da cabeça dela.

Pandora fica olhando para Paulo se sentindo ainda mais confusa.

 

CENA 10/ INT/ CASA DA RAVENA/ SALA DE ESTAR/ TARDE

Laura está sentada em um sofá, visivelmente preocupada. Kaleb está próximo, tentando tranquilizá-la.

 

LAURA

- E agora, como vai ser?

 

KALEB

- Bem, como o crime aconteceu no Acre, o julgamento vai ter que ser lá. Cê fez muito bem em ter contado toda a verdade para o delegado.

 

LAURA

- E eles vão atrás de Ravena?

 

KALEB

- Na certa que sim, né Laura? Era ela que estava no volante do carro. Foi ela que não prestou socorro. Cê vai responder por omissão, e também por ter fugido e vindo aqui pra Salvador. Ravena será condenada por homicídio. Cabe o juízo analisar se teve ou não a intenção de matar. Agora é bom cê arrumar suas coisas, ver direitinho. Vamos ver o dia do julgamento para cê poder ir.

 

LAURA

- Fizemos muito errado ter saído do Acre sem ter resolvido isso.

 

KALEB

- Fizeram sim. Cê tá tendo sorte, que conseguir um jeito de cê responder tudo isso ainda em liberdade. Mas isso graça a sua confissão, e ter contado a verdade de que Ravena era a motorista.

 

LAURA

- Não vejo a hora de todo esse pesadelo acabar.

 

 

 

CENA 11/ INT/ CASA DA JANA/ QUARTO DA MARIA/ TARDE

Maria vai saindo do banho enrolada na toalha, e fica amedrontada ao ver Paulo em seu quarto.

 

MARIA

- O que cê tá fazendo aqui?

 

PAULO

- Estive com sua irmãzinha, hoje tomamos açaí.

(entregando)

- Veja, trouxe um pouco pro cê.

 

MARIA

- Agradecida, mas não quero não.  Poderia dá licença? Quero vestir minha roupa.

 

PAULO

- Pandora me falou que cê foi conversar com ela, pedir pra ela ficar longe de mim. Oh filha, porque me trata assim com tanta frieza? A gente sempre se deu tão bem.

 

MARIA

- Não tô lhe tratando com frieza. Por favor, deixa eu vestir minha roupa.

 

PAULO

- Pode se vestir em minha frente. Não tem problema eu ver, sou o seu pai.

 

MARIA

(com ódio)

- Cê não é meu pai! Tenho nojo do cê. Sai do meu quarto, quero vestir minha roupa!

 

PAULO

(apontando o dedo)

- Escute aqui menina, até agora fui muito carinhoso com cê. Mas não vou admitir falta de respeito para comigo. Cê sabe que lhe amo. E tudo o que cê quis sempre lhe dei. Fui sempre carinhoso com cê, não vou aturar seu desprezo.

Paulo vai até a porta e a tranca.

 

MARIA

- O que cê tá fazendo?

 

PAULO

- Vou fazer do cê uma mulher. Minha menina cresceu é hora de aprender coisa nova.

 

MARIA

(chorando de nervoso)

- Se cê me tocar eu juro que conto pra mainha!

 

PAULO

- Cê não vai fazer isso. Sabe por quê? Se cê abrir essa sua boquinha, eu mato cês duas. Cê tá certa, viu Maria? Não sou mesmo seu painho. Agora vou lhe mostrar como o seu painho agiria se estivesse em meu lugar.

 

Paulo se aproxima de Maria. CORTA para cena mostrando apenas a porta do quarto e o grito de desespero de Maria em off.

 

 

MARIA

(off)

- Não!

(gritando)

- Nãão!

 

 

CENA 12/ INT/ CASA DA RAVENA/ QUARTO DA PANDORA/ TARDE

Pandora está sentada em sua cama, segurando o telefone enquanto conversa com Darlan.

 

DARLAN
 (preocupado)
- Fui até a clínica e falei com a mãe dela. Ficou foi nervos, e ordenou que me afastei de Maria.

 

PANDORA

- Claro que ela não iria acreditar, né Darlan? Cê acha mesmo que ela iria deixar de acreditar em um marido que ela convive há anos pra acreditar em garoto que ela nem se quer conhece?

 

DARLAN

- Mas não desisti não, viu? Tenho que ajudar Maria. Esse monstro não vai mais continuar abusando dela.

 

PANDORA

- Darlan, vai com calma, a gente ainda não tem certeza de nada.

 

DARLAN

- Cê ainda tem dúvida, Pandora? Não tenho provas, mas dúvida tenho mais não. Tá óbvio que Maria tá sofrendo muito pressão desse cara, por isso nos evita.

 

PANDORA
 (pensativa)
- Olhe, me encontrei com Paulo novamente hoje. Nós conversamos bastante... Não sei, Darlan, algo nele me faz pensar que ele não é totalmente culpado. Talvez Maria esteja confusa sobre seus sentimentos em relação a ele.

 

DARLAN

- Do que cê tá dizendo Pandora?

 

PANDORA

- Não sei. E se não for ele que tá abusando dela, e sim ela que tá se insinuando pra ele.

 

DARLAN

- Venha cá Pandora, foi ele que lhe falou isso?

 

PANDORA

- Sim, foi. Ele me contou uma história que me deixou confusa. Sabe?

 

DARLAN

- Pandora, esse cara tá simplesmente querendo jogar a culpa pra cima de Maria. Isso só reforça a nossa desconfiança. Ele pode ser muito mais perigoso do que se pensa. Maria tá correndo muito risco ao lado desse cara.

 

 

CENA 13/ INT/ CASA DA JANA/ BANHEIRO/ TARDE

A água do chuveiro cai em cascata sobre Maria, seus olhos estão inchados de tanto chorar. Com violência, ela esfrega seu corpo, o sangue escorre pela suas pernas escorreno pelo ralo.

 

MARIA
 (chorando)
- Quero morrer! Que nojo de tudo isso!

 

Ela se encolhe sob o jato d'água, abraçando seus próprios braços como se pudesse se proteger do mundo.

 

 

CENA 14/ INT/ APT DA KIRA/ SALA DE ESTAR/ NOITE

Kira e Giovana estão sentadas no sofá, ambas com expressões intensas e emotivas.

 

KIRA

- Quando? Só quero saber quando? Quando que a gente vai viver tudo isso que a gente tá sentindo?

 

GIOVANA

- Muito difícil pra mim. Kira, cê não tem ideia do quanto lhe desejo. Mas não posso simplesmente esquecer Raul, não é tão fácil quanto parece.

 

KIRA

- Sei que é difícil. E também não tô pedindo pro cê esquecer Raul. Gih, entendo seu luto, a sua dor. E respeito, muito tudo isso. Mas também sinto uma paixão que queima dentro de mim. Poxa, o próprio Raul já lhe libertou de tudo isso. Ele queria que cê fosse feliz e não se prendesse a ele. Vamos viver tudo isso que a gente tá sentindo.

 

GIOVANA

- Desculpa, mas ainda não consigo. Agora preciso ir embora.

 

KIRA

- Vá, mas não quero mais ver cê indo embora. Nem irei olhar pra trás. Não aguento vendo cê indo.

 

Giovana hesita por um momento, parece prestes a dizer algo, mas então simplesmente vira-se e sai, deixando Kira sozinha na sala.

 

CENA 15/ INT/ CASA DA JANA/ SALA DE JANTAR/ NOITE

Jana entra na sala de jantar e fica surpresa ao ver a mesa toda arrumada, com um janta servido. Paulo, com um sorriso carinhoso, se aproxima.

 

JANA
 (surpresa)
- Uau, nego! Que coisa mais linda! Cê fez tudo isso?

 

PAULO
 (sorrindo)
- Quis fazer algo especial pra nós. Sente-se, minha linda.

 

Jana se senta, ainda admirada com o gesto romântico de Paulo.

 

JANA

- E Maria ondé que tá?

 

PAULO
 (com calma)
- Maria tava com uma dor de cabeça, nada sério, só um pouco de cansaço. Ela preferiu descansar. Mas não se preocupe, ela já jantou.

 

JANA
 (sorrindo)
- Espero que não seja nada grave. Assim que Giovana estiver de volta, quero marcar uma consulta pra Maria com ela. Passou da hora de Maria ter um acompanhamento psicológico.

 

PAULO
- Mas acredito que não há nada que temos que nos preocupar, Só apenas coisa da idade.

 

JANA

- Cê nem imagina quem me procurou hoje lá na clínica.

 

PAULO

- Oxente, quem foi?

 

JANA

- Aquele rapaz, Darlan. Um que tava com Maria aqui na frente.

 

PAULO

- Gostei desse rapaz não,viu? Quero ele de chamego com Maria não.

 

JANA

- Nem que eu quero, um tremendo de um abusado.

 

PAULO

- Mas diga aí, o que foi que ele queria?

 

JANA
- Vem com insinuações. Dizendo que cê poderia tá abusando de Maria.

 

PAULO

(se alterando)

- Eu mato essa desgraça!

 

JANA

- Calma Paulo! Claro que não acreditei nisso!

 

PAULO

- Eu vou matar esse moleque! Quem ele pensa que é pra se meter em minha família!  








 

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