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O PREÇO A SE PAGAR - CAPÍTULO 72. ÚLTIMA SEMANA

 



Cena 01/Delegacia/Int/Noite

Patrício, Salatiel, Eva, Pedro, Rebeca, Moisés e Carmem. Patrício examina 

o bilhete. 


Eva E agora? O que vamos fazer?

Patrício Esperar!

Rebeca (revolta) Esperar?! Esperar que ele mate meu filho, 

delegado? É isso?


Pedro tenta controlar Rebeca. 


Pedro Calma, Rebeca! 

Rebeca (desesperada) Como eu posso ficar calma, sabendo que 

nosso filho está nas mãos daquele louco, que pode fazer 

qualquer maldade com ele pra me atingir, Pedro? 

Eva Não vamos pensar no pior, Rebeca. 


Pedro, chorando , abraça Rebeca.


Pedro Vai ficar tudo bem, meu amor. Não vou deixar que o 

Rufino faça nada contra o nosso filho. Eu lhe prometi 

isso, lembra?


Rebeca desaba. 


Rebeca (lamenta) Só quero meu filho de volta. Só isso!

Carmem Nós entendemos seu desespero, querida. 

Moisés Deixa o delegado explicar melhor... 

Patrício Eu entendo seu desespero como mãe, Rebeca. Mas o 

meu esperar não quer dizer que vamos ficar de braços 

cruzados. Vou pedir reforço, dar uma busca na região, 

pois creio que eles não estejam longe. Mas precisamos 

esperar seu próximo contato. 

Rebeca É a mim que ele quer. Eu sei disso. 

Eva O Rufino é louco. Doente. Sinto que sou eu quem 

preciso dar um fim nisso... 

Moisés Todos nos temos algum motivo pra acabar com a vida 

dele, Eva... 

Rebeca Sou eu quem sempre lhe incomodei e despertei sua 

fúria, com a minha persistência de lutar pelo amor do 

Pedro. Ele vai usar o Joaquim pra conseguir me pegar e 

se vingar. 

Pedro Precisamos estar preparados pra pegá-lo quando ele 

voltar a se manifestar. 

Patrício Preciso estar a par de tudo. Qualquer notícia, bilhete, me 

comuniquem de imediato. Prender o Rufino e fazer ele 

pagar pelos seus crimes é uma questão de honra pra 

mim. E não vou descansar um segundo se quer pra 

conseguir isso. 


Cena 02/Delegacia/Frente/Ext/Noite

Eva, Moisés, Carmem seguem indo embora, conversando. Corta para 

Rebeca abraçando Pedro. 


Rebeca Só quero que esse pesadelo acabe logo. 

Pedro Hoje esse pesadelo vai ter fim, Rebeca. 

Rebeca Sinto que nunca vamos ter paz, sossego, pra sermos 

felizes, Pedro. 

Pedro Acredita em mim. Tudo vai terminar bem!

Rebeca Não quero nem pensar se ele tocar num fio do cabelo do 

nosso Joaquim... 

Pedro Se ele machucar nosso filho, eu sou capaz de matá-

lo com minhas próprias mãos. E que Deus me perdoe!


Cena 03/Hospital/Quarto/Int/Noite

Licurgo está na cama. Clóvis do seu lado. 


Licurgo Então o senhor é irmão do padre Januário?

Clóvis E você é o menino que ele pegou pra cuidar e sempre 

falava com tanto carinho? Que mundo pequeno, não?!

Licurgo O mundo é um ovo... (risos) 

Clóvis Não acredito que nessa vida seja por acaso, meu 

querido. Tudo tem um propósito. E com nosso encontro 

não foi diferente. 

Licurgo Por que o senhor nunca apareceu?

Clóvis Sempre fui um homem muito doente. E com a idade 

meu estado só foi piorando. Além disso, eu moro na 

Itália. Bem longe do Brasil. 

Licurgo Onde fica o papa não é?

Clóvis É sim. E por esses fatores nunca consegui visitar meu 

irmão com a frequência que desejava. Lamentei muito 

sua morte. Mas nessa mesma época estava internado e 

por pouco não fui junto com meu mano. 

Licurgo Mas agora o senhor está bem, né? 

Clóvis Não sou mais nenhum rapazinho, Licurgo. E sei que 

meus dias aqui na Terra já estão no fim. (T) Sabe de 

uma coisa. O que mais lamento e me entristece e não ter 

conseguido passar mais tempo com meu irmão. Meu 

único parente até então vivo. Se eu pudesse voltar 

atrás...

Licurgo Uma vez padre Januário me falou um frase, que ele 

disse ser de um homem muito bondoso, que agora está 

no céu: “ninguém pode voltar atrás e fazer um novo 

começo. Mas qualquer um pode recomeçar e fazer um 

novo fim”. 

Clóvis Chico Xavier. Foi ele quem disse essa frase.


Música: I look to you – Whitney Houston (acompanha cena 04, 05 e 06)


Cena 04/Jandaia/Praia/Ext/Noite

Rebeca, com um vestido branco, vem caminhando em direção ao mar, 

segurando palmas brancas. Ela se aproxima da água e observa o mar. 


Rebeca Iemanjá, Rainha do Mar... Estou aqui, de mãe pra mãe, 

pra te pedir, com meu coração dilacerado: proteja meu 

filho. Livre meu pequeno de qualquer maldade, que 

aquele louco do Rufino possa vir a fazer contra ele. (T) 

A senhora é mãe e entende todo meu sofrimento. Por 

isso não permita que nada de ruim lhe acontece com 

meu Joaquim e que ele volte pros meus braço, mãe 

Iemanjá... 


Rebeca joga as palmas no mar. Em seguida ajoelha, de frente pro mar, e 

abre seus braços, fecha seus olhos em silêncio, de cabeça baixa. Passa uns 

segundos e o mar começa a ficar iluminado. Um brilho que vem das 

profundezas do mar e as palmas são sugadas pro interior das águas, com se 

Iemanjá tivesse aceitado a oferenda. Instantes. 








Cena 05/Casa Rufino/Oratório/Int/Noite

Eva, com terço nas mãos, e Pedro, estão ajoelhados de frente pro altar. 

Dão-se às mãos e curvam suas cabeças diante das imagens de Nosso 

Senhor e de Nossa Senhora. 


Pedro Meu Pai e minha mãe santíssima. Proteja meu filho, que 

foi um filho concebido em pecado, mas é fruto de um 

amor puro e verdadeiro... 


Pedro continua falando, sem áudio. Instantes. 


Cena 06/Igreja Patrício/Int/Noite

Patrício e Lívia estão ajoelhados, no altar. 


Patrício Obrigado por ter vindo. 

Lívia Sempre que você precisar eu estarei do seu lado, meu 

amor...


Patrício pega na mão de Lívia, que sorri. Os dois fecham os olhos. Patrício 

começa a falar:


Patrício Senhor, meu Pai todo poderoso. Eu te peço: proteja a 

vida do pequeno Joaquim. Não permita que nenhum mal 

lhe seja feito. Me ajude a prender o Rufino e fazer com 

que ele pague pelas maldades que fez. Pelas vidas que 

matou, que prejudicou... 


Patrício continua falando, sem áudio. Instantes. 


Fusão para:


Cena 07/Casa Turíbio/Sala/Int/Noite

Turibio , Basileu, Tina .


Turíbio Estou esperando, Basileu. Pode abrir o bico e me contar 

tudo o que se passou nessa casa, sem que eu me desse 

conta. 

Basileu Desde que eu cheguei em Jandaia, a Filipa vem dando 

em cima de mim. No começo eu não percebi suas 

verdadeira intenções. Mas aos poucos fui me dando 

conta do seu real interesse em mim, já que ela foi 

investindo cada vez mais. 

Filipa É mentira, Turíbio. É tudo invenção desse louco! 

Basileu Eu tentava evitar qualquer situação embaraçosa, mas 

Filipa continua em cima e eu sempre afastando. 

Tina É verdade, seu Turíbio. Quando eu vim visitar o Basileu 

eu percebi como a Filipa ficava incomodada com minha 

presença. 

Filipa Não se intrometa, garota. Além do mais você não tem 

moral nenhuma pra falar de mim.

Basileu Respeita a minha namorada e futura esposa, Filipa.

Filipa (debocha) É um trouxa mesmo. Foi traído, descobriu 

tudo e mesmo assim aceita a traíra de volta e o filho que 

teve com o amante... 


Tina finge que não escuta e continua falando. 


Tina Sou mulher e sei quando uma mulher deseja um homem. 

É, sinto muito em falar, a Filipa não gosta do senhor.

Filipa (p/Turíbio) Você não vai acreditar numa invenção dessas, não é mesmo?


Turíbio, cabisbaixo, se aproxima de Filipa 


Filipa Eu sou a sua .../


Antes que Filipa termine de falar, Turíbio a esbofeteia.


Turíbio (grita) Você não passa de uma grande vadia!

Filipa , com a mão no rosto, o olha assustada.


CENA 08. CASA DE ZINHA/QUARTO/NOITE.

ZINHA vai até o guarda roupas e pega sua caixa misteriosa.

Com a caixa nas mãos, caminha até a cama, se senta e abre a caixa. De dentro da caixa pega um sapatinho de bebê de crochê, azul. Ela beija o sapatinho.


ZINHA (olhos marejados) Não podia permitir que minha honra ficasse manchada em meio ao povo de Jandaia... Imagina só eu, uma mulher religiosa, com um filho nos braços, fruto de um caso com o prefeito da cidade... Rufino!


CORTA PARA


FIM DO CAPÍTULO 72





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