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Entre Laços Quebrados - Capítulo 24 | Últimos Capítulos

 

 



ENTRE LAÇOS QUEBRADOS | CAPÍTULO 24

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Criada e escrita por: Vicente de Abreu
Produção Artística: Ezel Lemos


Essa obra pode conter representações negativas e estereótipos da época em que é ambientada.



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CENA 01: EXT. FACHADA DO PRÉDIO.


Débora paga o motorista do táxi, seus pensamentos ainda estão turbilhonados. Ela sai apressadamente, determinada a confrontar Rubi.

À distância, Rubi chega à esquina, com um sorriso radiante no rosto. Débora a segue de perto, respirando fundo para controlar a raiva que cresce dentro dela.

DÉBORA: (chamando) Rubi!

Rubi vira-se, surpresa ao ouvir seu nome.


A câmera foca no rosto de Débora, incrédula com tudo aquilo. Lutando contra sua fúria, e procurando forças para entender tudo.


CONTINUAÇÃO


CEMA 02: INT. LANCHONETE - NOITE 

Débora e Rubi estão sentadas à mesa, o ambiente tranquilo ao redor com o som de murmúrios distantes de outras conversas. Débora está visivelmente ansiosa, os dedos tamborilando na mesa, enquanto olha para Rubi, que parece desconfortável, mas com um toque de ironia no olhar.

DÉBORA: (entrando profundo, tentando controlar o tremor na voz) Então, no pier... Vocês se conheceram lá. Ele ia lá com frequência?

RUBI: (assente, com um leve sorriso irônico, evitando os olhos de Débora) Sim, ele ia lá quase todas as semanas. Sempre que tinha uma desculpa de trabalho ou algo assim. Foi onde começamos a nos aproximar.

Débora engole em seco, os dedos apertando a xícara de café com força.

DÉBORA: (ele falava sobre mim?)

RUBI: (hesita por um momento antes de responder, um toque de ironia na voz) Sim, ele falava. Disse que vocês estavam passando por um momento difícil, que você estava sempre ocupada com o trabalho e que ele se sentia... negligenciado.

Débora sente o tremor aumentar em suas mãos, mas mantém o olhar fixo em Rubi.

DÉBORA: (ele disse isso, é? E você acreditou nele? Acreditou que eu o estava negligenciando?)

RUBI: (sorri de lado, um pouco amarga) Eu... não sei. No começo, parecia que ele estava apenas desabafando. Mas depois... as coisas foram ficando mais intensas entre nós.

As lágrimas começam a se acumular nos olhos de Débora, mas ela pisca rapidamente para afastá-las.

DÉBORA: (de um tom ansioso e nervoso, mas tentando manter a calma) Rubi, preciso entender. Como foi para você... você se apaixonou por ele?

RUBI: (troca o tom de ironia por uma expressão triste, os olhos fixos na mesa) Sim, Débora. Eu me apaixonei por ele. E por mais que eu tente justificar de algum jeito, eu sei que foi errado. Ele me deu atenção, me fez sentir especial... mas eu percebi que para ele, eu era apenas uma amante. Nada mais.

DÉBORA: (seus olhos marejados, mas decidida a entender mais) Você vai deixá-lo?

RUBI: (solene, mas com um ar de resignação) Eu pensei muito sobre isso. A verdade é que... eu também o amo. Mas sei que ele não vai me escolher. Ele tem uma vida com você, uma vida que eu nunca terei.

Débora fica em silêncio por um momento, absorvendo as palavras de Rubi.

DÉBORA: (a voz quebrando de emoção) Eu ainda o amo, Rubi. Por mais que tudo isso doa, eu não consigo deixar de amá-lo.

RUBI: (um olhar de compreensão, mas também de dor) Eu entendo, Débora. Eu também o amo. Você acha que ele é capaz de nos amar ao mesmo tempo?

Débora hesita, a pergunta ressoando em sua mente.

DÉBORA: (se esforçando para ser honesta, mas cheia de dúvidas) Eu... eu não sei. Eu não sei se ele é capaz de amar duas pessoas assim. Tudo isso é tão confuso para mim.

RUBI: (fitá-la nos olhos, buscando sinceridade) Débora, você acha que ele pode amar alguém como eu? Alguém que é... diferente?

DÉBORA: (um momento de hesitação, depois pergunta de maneira direta) Rubi, você é uma drag queen?

RUBI: (ri suavemente, mas com um tom amargo) Não, Débora. Eu sou transsexual.

Débora parece surpresa, mas mantém a compostura.

DÉBORA: (muito direta, quase desafiante) Prove.

RUBI: (um olhar firme, mas com uma dor palpável) Débora, eu não preciso te mostrar nada. Eu sou quem eu sou, e não é algo que eu possa simplesmente... provar. Mas se isso te ajudar a entender, eu posso te dizer que, de todo o meu corpo, a única parte que me causa desconforto é... meu órgão genital.

Débora se mostra desconfortável com a resposta de Rubi, mas tenta manter a calma.

DÉBORA: (tentando processar tudo, sua voz um pouco mais suave) Eu... eu não sei o que dizer.

Rubi percebe a confusão e a dor nos olhos de Débora e decide ser honesta.

RUBI: (um olhar firme, mas cheio de tristeza) Débora, eu sei que tudo isso é difícil de entender. Eu só queria que você soubesse que, mesmo sendo amante, eu nunca quis te machucar. Eu só queria ser amada. E agora, tudo que posso fazer é lidar com essa realidade... e talvez, um dia, encontrar paz.

Débora, ainda lutando contra as lágrimas, se levanta lentamente.

Débora sai em silêncio, deixando Rubi sentada à mesa, absorvendo o peso de tudo que foi dito.


CENA 03: INT. MANSÃO ROSSI. BANHEIRO SUÍTE HELOÍSA E GUILHERME. NOITE.

A câmera foca em Heloísa, sorridente e amorosa, enquanto dá banho em seu filho, Matheus, que ri e brinca com a água. O ambiente é acolhedor e iluminado, com brinquedos de banho espalhados.


HELOÍSA: (Brincando com Matheus) Quem é o bebê mais lindo do mundo? É o Matheus! Sim, é você!

Matheus gargalha e bate na água, espirrando. Heloísa ri junto, mas de repente, o riso dela começa a se tornar mais forçado. A música de fundo começa a se distorcer levemente.

MATHEUS: (Voz suave e infantil) Mamãe...

A expressão de Heloísa muda. Ela congela, um olhar de confusão e pavor nos olhos.

HELOÍSA: (Voz trêmula) O... o que você disse?

Matheus, agora com uma expressão séria e voz distorcida, responde.

MATHEUS (Voz Alterada): Eu não sou seu filho.

A voz reverbera e ecoa na mente de Heloísa, as palavras repetindo-se incessantemente. O sorriso dela desaparece, substituído por uma expressão de terror absoluto. Ela recua, quase tropeçando na banheira.

HELOÍSA: (Nervosa, quase chorando) Não... não! Você é meu filho! Você é o Matheus!

As vozes na cabeça de Heloísa tornam-se mais altas e insistentes, ecoando as palavras de Matheus, misturadas com risos e sussurros incompreensíveis. A câmera treme ligeiramente, refletindo a crescente desordem mental de Heloísa.

VOZES: (Vozes de Matheus) Eu não sou seu filho. Eu nunca fui seu filho. Ele vai te deixar. Todos vão te deixar.

HELOÍSA: (Gritando, segurando a cabeça) Pare! Saia da minha cabeça!

Matheus começa a chorar, assustado com o comportamento da mãe. A câmera treme violentamente, a iluminação da cena piscando e distorcendo.

Guilherme ouve os gritos e barulhos vindo do banheiro e corre, com o coração acelerado.

GUILHERME: (Preocupado) Heloísa? O que está acontecendo?

Guilherme entra correndo e vê Heloísa, completamente descontrolada, aos prantos, com olhos arregalados e olhar vazio, enquanto Matheus chora alto na banheira.

HELOÍSA: (Desesperada, olhando fixamente para Matheus) Guilherme, por favor, me ajude! Ele... ele disse que não é nosso filho! As vozes... elas não param!

Guilherme, com expressão de choque e horror, tenta se aproximar. Matheus está soluçando, tremendo de medo.

GUILHERME: (Tentando manter a calma) Heloísa, calma. Ele é nosso filho. Você precisa se acalmar. 

Guilherme pega Matheus da banheira, tentando confortá-lo, enquanto Heloísa se contorce no chão, os olhos vidrados e lágrimas escorrendo pelo rosto. As vozes na cabeça dela se intensificam, tornando-se ensurdecedoras.

VOZES: Você está louca. 

HELOÍSA: (Sussurrando entre soluços, as mãos agarrando os cabelos) Eu... eu não consigo... por favor, me ajude... eu não estou bem...

Guilherme, com Matheus nos braços, olha para Heloísa com um misto de preocupação e desespero, sem saber como ajudá-la. A cena termina com Heloísa em um estado de completo colapso, as vozes na cabeça dela continuando a ecoar.


CORTA PARA: 


CENA 04: EXT. CLÍNICA PSIQUIÁTRICA - MANHÃ SEGUINTE

A câmera mostra a fachada de uma clínica psiquiátrica moderna e bem cuidada. O clima está nublado, refletindo a atmosfera tensa e incerta.

CENA 05: INT. RECEPÇÃO DA CLÍNICA - MANHÃ

Guilherme entra na clínica carregando Matheus em um braço e segurando a mão de Heloísa com o outro. Heloísa parece desorientada, os olhos fixos em algum ponto distante. Guilherme se aproxima do balcão de recepção, onde uma enfermeira simpática, os recebe.

ENFERMEIRA: (Bem-humorada, mas profissional) Bom dia. Em que posso ajudar?

GUILHERME: (Nervoso, mas tentando manter a calma) Minha esposa... ela precisa de ajuda. Urgente.

ENFERMEIRA: (Olha para Heloísa, preocupada) Entendi. Por favor, preencham este formulário e a Dra. Esther vai atendê-los em breve.

Guilherme preenche rapidamente o formulário, enquanto Heloísa murmura algo inaudível. Ele entrega o formulário de volta à enfermeira.

ENFERMEIRA: (Levemente sorrindo) Por aqui, por favor.

A câmera segue Guilherme, Heloísa e Matheus enquanto são guiados por um corredor até uma sala de espera confortável. Após alguns minutos, a Dra. Esther (Christiane Torloni), uma psiquiatra experiente e empática, entra na sala.

Dra. Esther: (Sorrindo calorosamente) Olá, sou a Dra. Esther. Por favor, venham comigo.

CENA 06: INT. CONSULTÓRIO DA DRA. ESTHER - MANHÃ

O consultório é acolhedor, com móveis confortáveis e decoração suave. Heloísa se senta em uma poltrona, ainda visivelmente perturbada, enquanto Guilherme segura Matheus em seu colo.

ESTHER: (Suave e compreensiva) Heloísa, Guilherme, o que está acontecendo? Como posso ajudar?

HELOÍSA: (Confusa, segurando a cabeça) As vozes... elas não param. Dizem que Matheus não é meu filho... que eu não sou uma boa mãe...

ESTHER: (Mantendo a calma) Entendo. Vamos começar devagar. Guilherme, pode nos contar o que aconteceu ontem?

GUILHERME: (Suspirando profundamente) Ontem à noite, Heloísa estava dando banho no Matheus. Ela começou a ouvir vozes dizendo que ele não é nosso filho. Ela surtou... eu a encontrei em completo desespero.

ESTHER: (Anotando em seu caderno) Heloísa, você já ouviu essas vozes antes?

HELOÍSA: (Nervosa, os olhos cheios de lágrimas) Sim... às vezes... mas ontem foi pior. Eu... eu pensei que estava perdendo a cabeça.

De repente, Heloísa começa a se agitar na cadeira, seu rosto contorcendo-se de angústia.

HELOÍSA: (Gritando, segurando a cabeça) As vozes... elas estão aqui de novo! Elas não param! Estão dizendo que eu sou um monstro!

Guilherme se levanta rapidamente, tentando segurá-la, mas Heloísa empurra-o violentamente, derrubando uma mesa com itens médicos.

HELOÍSA: (Chorando histérica) Eu não posso... eu não posso mais! Elas vão me destruir!

ESTHER: (Calmamente, mas com autoridade) Guilherme, mantenha a calma. Enfermeira, precisamos de ajuda aqui!

Duas enfermeiras entram correndo e tentam segurar Heloísa, que se debate freneticamente. A Dra. Esther se aproxima com uma seringa.

ESTHER: Heloísa, olhe para mim. Vamos te ajudar. Isso vai te acalmar.

Heloísa tenta resistir, mas as enfermeiras a seguram firmemente enquanto Dra. Esther aplica a injeção. Lentamente, Heloísa começa a se acalmar, os olhos lacrimejando e os movimentos enfraquecendo.

HELOÍSA: (Sussurrando entre soluços) Por favor... faça as vozes pararem...

ESTHER: (Com firmeza e compaixão) Vamos cuidar de você, Heloísa. Um passo de cada vez.


CORTA PARA: 

CENA 07: INT. QUARTO DE PACIENTE.

Heloísa é levada a um quarto de paciente, simples, mas confortável. Ela se senta na cama, ainda em estado de choque. A Dra. Esther entra com uma equipe de enfermeiros.

ESTHER: (Serena) Heloísa, vamos começar com uma medicação leve para ajudar a acalmar sua mente. E amanhã, começaremos a terapia.

HELOÍSA: (Sussurrando) Eu só quero que as vozes parem…


CORTA PARA:

CENA 08: INT. SALA DE VISITAS. DELEGACIA- MAIS TARDE

Virginia está sentada, olhando fixamente para a porta, perdida em pensamentos. A porta se abre com um rangido e Guilherme entra, seus passos pesados ecoam no pequeno espaço. Seus olhares se encontram.

VIRGINIA: (incrédula, mas decidida) Guilherme... Você veio.

Guilherme assente lentamente, sua expressão atordoada e confusa.

GUILHERME: (sussurrando) Virginia... O que está acontecendo? Eu estava com a Heloísa resolvendo algumas questões médicas, e..

Virginia levanta-se com um olhar determinado, mas também com um peso emocional óbvio em seus ombros.

VIRGINIA: Eu fui presa porque denunciei Heloísa. Mas isso não é tudo.

Guilherme franze a testa, esperando por mais, mas sem estar preparado para o que vem a seguir.

VIRGINIA: Heloísa... ela comprou Matheus. Ele não é seu filho com ela.

Guilherme fica paralisado, os olhos arregalados de choque e incredulidade.

GUILHERME: (negando, incrédulo) O quê? Como assim?

VIRGINIA: Luciana, a sua paciente Guilherme, ela é a mãe biológica de Matheus, ainda estava em coma quando Heloísa comprou a guarda dele da avó. Ela fez isso sem que Luciana e você soubessem.

Guilherme sente o chão sumir sob seus pés, sua mente tentando processar as palavras de Virginia.

GUILHERME:  (com voz trêmula) Isso não pode ser verdade... Eu não posso acreditar que ela fez isso.

Virginia se aproxima lentamente.

VIRGINIA: Eu sinto muito, Guilherme. Eu sei que é difícil de aceitar. Mas você precisa saber a verdade.

Guilherme se afasta, lutando para conter as emoções que ameaçam transbordar.

GUILHERME: (olhando para o nada) Eu... eu confiei nela. Eu amava Matheus como se fosse meu filho...

Virginia abaixa a cabeça, sua própria angústia refletida em seu rosto.



BUENOS AIRES. ARGENTINA. 


CENA 09: INT. LOJA DE VESTIDOS DE NOIVA. TARDE

[TRILHA ON: Perhaps, Perhaps, Perhaps]

Iná, está em frente ao espelho, vestindo um deslumbrante vestido de noiva com detalhes delicados de renda argentina. Ela gira, observando cada ângulo do vestido com admiração e ansiedade.

INÁ: (Para si mesma, suspirando) Que perfeito!

De repente, a porta se abre, e Hector, seu noivo argentino, entra, os olhos se iluminando ao vê-la.

HECTOR: (Com um sorriso que ilumina a sala) ¡Dios mío! Iná, te ves increíble.

Ele se aproxima dela, deixando-a sem fôlego enquanto passa os braços ao redor dela e a gira suavemente.

INÁ: (Rindo, um pouco envergonhada) Gracias, mi amor. O que você acha?

HECTOR: (Beijando sua bochecha) Estás hermosa. Estou sem palavras.

Iná dá uma volta para ele, mostrando o vestido com um sorriso triunfante.

INÁ: (Brincando) Você acha que podemos dançar o tango nisso?

HECTOR: (Rindo) Claro que sim, vamos começar agora mesmo. (Começa a balançá-la suavemente, como se estivessem dançando tango, fazendo-a rir ainda mais.)

INÁ: (Entre risos) E se eu pisar no seu pé durante a dança?

HECTOR: (Com um ar dramático) Ah, meu amor, eu suportarei a dor por você.

Eles continuam dançando, misturando passos de tango imaginários com risadas.

INÁ: (Finalmente, olhando-o com ternura) Eu mal posso esperar para dançar de verdade com você no nosso casamento.

HECTOR: (Olhando-a com adoração) Eu também não, minha querida. Será o dia mais bonito de nossas vidas.

Eles se abraçam, perdidos no momento, enquanto a cena se dissolve em um clima de amor e promessas para o futuro.


CORTA PARA: 

CENA 10: INT. APARTAMENTO.  MAIS TARDE.


HECTOR: (Carinhosamente) Iná, eu estava pensando... você nunca fala sobre sua família no Brasil. 

Iná, de repente, parece tensa, desviando o olhar por um momento.

INÁ:  (Com frieza) Não quero falar sobre isso, Hector.

Hector olha para ela, percebendo a mudança de tom abrupta.

HECTOR: (Com preocupação) Iná, o que aconteceu?

Iná suspira profundamente, seus olhos se enchem de tristeza.

INÁ: (Com voz trêmula) Eu... eu tenho uma filha no Brasil. Mas... ela me abandonou. E meu netinho... ele faleceu pouco depois de nascer. Nunca mais tive notícias deles. Isso é muito difícil para mim, Hector!

Hector fica em silêncio, absorvendo as palavras dela com compaixão.

HECTOR: (Colocando a mão sobre a dela) Meu amor, eu sinto muito. Eu não sabia...

INÁ: (Com lágrimas nos olhos) Eu não queria te contar isso. Mas... é parte de mim. Por isso vim para a Argentina, depois que minha filha me deixou. Eu precisava recomeçar, tentar esquecer...

Hector a abraça com ternura, deixando que ela se apoie nele.

HECTOR: (Com voz suave) Você não precisa esquecer, Iná. Eu estou aqui para você. Sempre estarei.

Eles ficam abraçados por um momento, compartilhando o peso do passado de Iná.

INÁ: (Após um momento, com um suspiro) Obrigada, Hector. Por me entender.

HECTOR: (Beijando sua testa) Te amo, Iná. 


RIO DE JANEIRO. BRASIL.


CENA 11:  INT. APARTAMENTO DE RUBI. NOITE

[ INSTRUMENTAL ON: Whitesnake - Is This Love (Instrumental)]

O apartamento está à meia luz, criando uma atmosfera íntima e misteriosa. Otávio entra pela porta, cansado do trabalho, e é recebido por Rubi, que está usando lingerie provocante. Ela sorri ao vê-lo. E o serve com uma taça de vinho.


RUBI: (abraçando Otávio) Você demorou, amor. Senti sua falta.

Ela desliza as mãos pelo corpo de Otávio, tirando suavemente seu terno enquanto o beija. Ele se deixa levar pelo toque dela, relaxando.

OTÁVIO: (sorrindo) Não aguentei esperar para te ver.

Eles se dirigem ao quarto, onde velas estão acesas, criando uma luz suave que dança pelas paredes. Rubi guia Otávio até a cama, onde o faz sentar.

RUBI: (voz suave) Relaxe, vou cuidar de você hoje.

Ela começa a massagear os ombros de Otávio, seus dedos habilidosos aliviando a tensão do dia. Ele fecha os olhos, aproveitando o momento.

OTÁVIO: (suspirando) Isso é perfeito.

Rubi se ajoelha na frente de Otávio, olhando intensamente para ele antes de beijá-lo com paixão. Ele a puxa para o colo dele, intensificando o beijo.


CORTA PARA:

CENA 12: INT. BANHEIRO - MINUTOS DEPOIS

[ INSTRUMENTAL CONT. ] 

Otávio está tomando um banho relaxante quando Rubi entra sorrateiramente. Ela se aproxima dele, sua pele ainda brilhando com o desejo.

RUBI: (sussurrando) Posso me juntar a você?

Ela lentamente entra no chuveiro com ele, seus corpos se encontrando sob a água quente. Rubi o envolve em seus braços, seus lábios buscando os dele em um beijo cheio de promessas.

OTÁVIO: (entre suspiros) Você é incrível.

Eles se entregam um ao outro, perdidos na intimidade e no desejo, enquanto o vapor do chuveiro envolve a cena.


CORTA PARA: 

CENA 13: INT. QUARTO - NOITE

Rubi e Otávio estão deitados na cama, envoltos pela atmosfera romântica. Ela o olha com carinho, mas percebe a expressão distante em seu rosto. Rubi se aproxima mais, buscando contato.

RUBI: (suavemente) O que foi, amor? Parece que algo está te incomodando.

Otávio suspira, tentando encontrar as palavras certas.

OTÁVIO: (olhando para o teto) É... eu não sei. Acho que estou cansado demais hoje.

RUBI: (preocupada) Cansado? Mas você parecia animado quando chegou.

Ela acaricia seu rosto, buscando entender o que está acontecendo.

OTÁVIO: (evitando o olhar dela) Eu sei, mas... o dia foi longo, e estou meio esgotado.

Rubi sente a frustração começar a crescer dentro dela. Ela se afasta um pouco, o olhar tornando-se mais intenso.

RUBI: (firme) Você está brincando comigo, Otávio? Preparei tudo isso para nós dois, e agora você simplesmente... não está no clima?

OTÁVIO:  (tentando explicar) Não é isso, Rubi, é só que...

Rubi se levanta, e veste seu roupão, sua expressão misturando raiva e tristeza. Otávio permanece na cama, visivelmente desconfortável. O clima é denso.

RUBI: (fingindo calma) Tudo bem, Otávio. Eu entendo. Já passei por isso antes, sabe? Homens como você, que só querem que a gente os satisfaça, sem se importar com o que a gente sente.

Otávio fica surpreso com as palavras dela. Ele se senta na cama, tentando buscar uma resposta.

OTÁVIO:  (negando) Não, Rubi, você está exagerando. Não é nada disso.

Rubi dá um passo à frente, cruzando os braços, olhando fixamente para ele.

RUBI: (cínica) Claro, você diz que não é nada. Mas, sempre é assim. 

OTÁVIO: (com sinceridade) Eu não estou mentindo, Rubi. É só…

RUBI: (sarcástica) Ah, não é sobre mim? E sobre o que é, então? 

OTÁVIO: Não meu bem, não é nada!

RUBI: Você transou com a sua mulher hoje? Não sobrou nada pra sua amante!?

OTÁVIO: Rubi, o que é isso? Você está estranha. Você está bêbada?

RUBI: Eu quero saber a verdade! Só fala! Você gosta mais dela do que gosta de mim? Ela deve ser uma linda mãe pros seus filhos, né?

OTÁVIO: (desdenhoso) Continua, continua! Você bebeu, isso é só a bebida falando.

Angel se aproxima de Otávio e finge lhe dar um beijo, afastando-se novamente.

RUBI: Se queria só um caso, podia ter pego uma funcionária, como todos os homens fazem! Você estava me procurando no pier, você quem me queria! Era uma coisa específica.

Otávio se levanta frustrado.

OTÁVIO: Eu estava curioso, eu estava interessado! É... é assustador, mas eu não consegui evitar.

RUBI: (acendendo um cigarro) Fui um experimento pra você.

OTÁVIO: (nervoso) Não! Você não foi um experimento para mim.

RUBI: (desdenhosa, irônica) Hm... você acha que é o único cara hétero que me tem como fantasia? Ah... você troca de mulher toda hora, Otávio!

OTÁVIO: (nervoso) Eu nunca estive com mais ninguém, só com você...

RUBI: (curiosa, irônica) Hm... e daquela vez? E daquela vez que estávamos fazendo, e você brincou com o meu... você estava pronto?

OTÁVIO: (irritado) Eu fiz aquilo por você! Eu achei que você estava se excitando, achei que estava gostando!

RUBI: (furiosa) Você é gay?

OTÁVIO: (tampando os olhos, abismado, irritado) Não, não! Eu não sou gay!

RUBI: (abaixando o tom) Já ficou com homens?

OTÁVIO: Não! Eu nunca fiquei com homens. Eu não me interesso por eles, nem um pouco. Você acha que eu nunca pensei sobre isso? (pausa) Eu só gosto de você, eu não sei por que, eu só gosto!

RUBI: (entristecida) Se eu mudar de sexo, então... então você ainda vai me querer?

OTÁVIO: (sério) O que é... fala, Rubi. Você quer dinheiro pra fazer isso?

Rubi para por um momento, com as mãos no rosto enquanto chora. O silêncio paira no quarto.

RUBI: (voz trêmula) Você realmente quer que eu mude!

OTÁVIO: (suspiro profundo e lento) Não sei, Rubi! Você está realmente me deixando maluco.

RUBI: (enfurecida, triste) Eu só quero saber a verdade! Quem é você?

OTÁVIO: Eu não sei! Quando eu estava na faculdade, eu... eu fui a uma livraria pornô. Daquelas que tem na Barra ou no Leblon, escondido, com tudo o que se possa imaginar. Eu só tinha uma Playboy velha desde os meus quatorze anos, então fui procurar algo mais adulto. Tinha uma sessão de revistas mais reservadas, com capas cobertas por papel marrom, mas eu consegui ver o título: "Eles que são elas." Fiquei todo sem graça, muito nervoso, mas acabei me excitando um pouco. Nada daquilo fazia sentido pra mim, nunca tinha pensado em algo assim antes.

O silêncio volta a predominar no quarto, deixando o clima tenso entre os dois.

RUBI: (com olhar vazio) Eu sou só uma fantasia que ganhou vida!

OTÁVIO: Não é isso! Não foi o que eu quis dizer.

RUBI: Eu sou alguma coisa pra você?

OTÁVIO: (irritado) Sim, você é! É muita coisa pra mim.

RUBI: Se separa dela!

OTÁVIO: (nervoso) Eu... eu não posso!

Novamente, os dois ficam em silêncio. Rubi se afasta aos poucos de Otávio. A câmera dá um close lento em seu rosto, mostrando sua maquiagem borrada pelas lágrimas.

OTÁVIO: (tentando se aproximar e abraçar Rubi) Rubi, o que está fazendo?

RUBI: (caminhando até a porta) Sai do meu apartamento!

OTÁVIO: (balançando a cabeça, negando, entristecido) Não!

RUBI: (gritando, furiosa) SAI AGORA! (pausa) Seu porco imundo!


CENA 14 : INT. SALA DE ESTAR. MANSÃO ROSSI. NOITE

Guilherme está sentado no sofá, visivelmente perturbado. Ele olha fixamente para o nada, com um ar perdido e confuso. Heloísa entra na sala, usando uma bata de hospital psiquiátrico, seu rosto ainda mostrando os sinais de preocupação e tristeza.

HELOÍSA: (com voz suave) Guilherme, querido... Você está bem?

Guilherme não responde de imediato. Ele olha para Heloísa por um momento, seus olhos cheios de dor e confusão.

HELOÍSA: (caminhando lentamente em direção a ele) Guilherme, por favor, não faça isso. Não me afaste. Estou aqui.

Ela se senta ao lado dele, mas Guilherme se afasta.

GUILHERME: (com um suspiro pesado) Heloísa, eu só... Eu só preciso de um tempo para processar tudo o que está acontecendo aqui em casa.

HELOÍSA: (com os olhos marejados) Eu entendo... Mas não podemos simplesmente ignorar o que está acontecendo.

Guilherme olha para ela, sua expressão misturando mágoa e frustração.

GUILHERME: (com a voz trêmula) Não é fácil... Virginia disse coisas que... que me deixaram confuso.

Heloísa franze a testa, preocupada.

HELOÍSA: O que ela disse?

Guilherme desvia o olhar, evitando o contato visual.

GUILHERME: Nada... esquece. Não é importante agora.

Heloísa tenta tocar a mão de Guilherme, mas ele se afasta sutilmente.

HELOÍSA: Guilherme, por favor... Eu estou aqui para você, seja o que for.

Guilherme olha para o chão, perdido em seus pensamentos.

GUILHERME: (com voz baixa) Eu só... eu só preciso de um tempo, Heloísa. Um tempo para entender tudo isso.

Heloísa abaixa a cabeça, lutando para conter as lágrimas.

HELOÍSA: (com um suspiro) Eu estarei aqui quando você estiver pronto para conversar.

Ela se levanta lentamente e sai da sala, deixando Guilherme sozinho com seus pensamentos tumultuados.


CENA 15: INT. APARTAMENTO DE RUBI. QUARTO. 

[ TRILHA ON: Elza Soares — Espumas ao Vento (Áudio Oficial) ]


Rubi se olha no espelho, seus olhos ainda úmidos refletindo uma determinação fria enquanto aplica cuidadosamente a maquiagem. Veste uma lingerie ousada e um vestido justo que realça suas curvas, preparando-se para enfrentar a noite nas ruas do Rio de Janeiro.


CENA 16: EXT. RUAS DO RIO DE JANEIRO. 

[ TRILHA CONT.]


Caminhando pelas calçadas movimentadas, Rubi passa despercebida por muitos, seu olhar perdido na multidão. Chega então à locadora, um prédio discreto com uma fachada comum, mas nos fundos, a atmosfera muda completamente. Luzes vermelhas banham as janelas e uma música suave e sedutora ecoa pelo ambiente.

Ela adentra o lugar, onde prostitutas dançam em vitrines, exibindo-se como mercadorias atrás de vidro. A atmosfera é carregada de uma sensualidade sombria.


CENA 17: LOCADORA CINE LUZ VERMELHA. INT. 

[ TRILHA CONT.]

Rubi encontra seu lugar entre as cortinas, esperando pelos clientes que virão, escondendo suas emoções profundas por trás de um sorriso forçado e gestos estudados.

Ao longo da noite, Rubi se apresenta para vários clientes por hora. Cada encontro é um jogo de sedução ensaiado, onde ela se transforma na fantasia que eles desejam. O tempo passa em um borrão de rostos desconhecidos, mãos ávidas e palavras sussurradas. A tristeza em seus olhos se mistura com uma determinação cada vez mais rígida.


CENA 18: CIDADE DO RIO DE JANEIRO. AMANHECER. 

[ TRILHA CONT.]


A câmera capta o movimento agitado do calçadão de Copacabana em um dia ensolarado. Turistas caminham despreocupadamente, alguns sentam-se nas mesas dos quiosques à beira-mar, desfrutando de caipirinhas geladas. Ao fundo, o som suave das ondas quebrando na praia.


CENA 19: INT. HOSPITAL VITAL ROSSI. COZINHA.  MANHÃ

O ambiente é movimentado, com funcionários indo e vindo, cumprimentando-se e trocando pequenas conversas. Otávio entra pela porta principal da cozinha. Ele olha ao redor, buscando familiaridade no ambiente.

À distância, ele avista Arnaldo, que está no centro de um grupo de funcionários, todos rindo das piadas que ele conta animadamente. Otávio se aproxima lentamente, ouvindo fragmentos das piadas que envolvem comentários depreciativos sobre relacionamentos com travestis.

ARNALDO: (entre risadas maliciosas) ... e o sujeito nem percebeu que era um cara! Imagina a cara dele quando descobriu!

Arnaldo percebe a presença de Otávio e seu sorriso se alarga, seus olhos brilham com a expectativa de reação.

ARNALDO: Ei, pessoal, olha só quem chegou! O famoso Otávio! Tava falando justamente de você, cara.

Otávio se aproxima com uma expressão fechada, ignorando os risos nervosos dos outros funcionários.

OTÁVIO: (com calma, mas firme) O que você estava dizendo, Arnaldo?

ARNALDO: (com sarcasmo) Ah, só contando umas histórias aqui, você sabe como é...

OTÁVIO: (sério) Não, Arnaldo, eu não sei como é. O que exatamente você estava dizendo sobre mim? 

Os outros funcionários ficam em silêncio, observando a tensão entre os dois.

ARNALDO: (desafiador) Ah, relaxa, Otávio, só tô brincando... ou você tem algo a esconder?

OTÁVIO: (firme) Não são brincadeiras quando você usa isso para humilhar alguém. Isso não é engraçado.

ARNALDO: (com raiva) Ah, e o que você vai fazer? Me bater por isso?

Arnaldo tenta empurrar Otávio, mas Otávio se esquiva habilmente e rapidamente o domina, segurando-o com firmeza.

ARNALDO: (gritando) Me solta, seu idiota!

Otávio ignora os gritos de Arnaldo e, com controle impressionante, começa a dar uma surra em Arnaldo, mantendo-o sob controle enquanto outros funcionários tentam separá-los.

OTÁVIO: (calmamente) Você não vai mais falar desse jeito de ninguém enquanto estiver aqui.

Arnaldo, agora visivelmente machucado e humilhado, é afastado por outros funcionários enquanto Otávio se afasta, respirando fundo para se acalmar.

CORTA PARA:

O corredor do hospital fica silencioso novamente, os ecos da briga ainda pairam no ar. Otávio, com o semblante sério, ajusta seu terno e continua seu caminho, enquanto os funcionários restantes observam, reflexivos.


CENA 20: INT. QUARTO. HOSPITAL VITAL ROSSI.  - DIA

Guilherme, adentra acompanhado pela fisioterapeuta. Seu semblante carrega um peso oculto, uma mistura de preocupação e profissionalismo. Luciana, deitada na cama com olhos atentos, percebe imediatamente.

GUILHERME (com voz controlada) Bom dia, Luciana. Como você tem se sentido?

Luciana, notando a tensão que Guilherme tenta disfarçar, decide não comentar.

LUCIANA (com um sorriso tímido) Estou melhorando aos poucos, doutor.

Enquanto Guilherme realiza o exame meticuloso, Serginho e Marlene acompanham ao redor, criando uma atmosfera de cuidado silencioso. Ele verifica os sinais vitais de Luciana com intensa concentração, suas mãos ágeis transmitindo tanto a seriedade da situação quanto a promessa de esperança.


DIAS DEPOIS…

[ TRILHA ON: Nada Será Como Antes - Hecto e Ney Matogrosso]


CENA 21: INT. QUARTO. HOSPITAL VITAL ROSSI. DIA

[ TRILHA CONT. ]

Os dias se desenrolam em uma sequência de pequenos progressos. Luciana começa movendo os dedos dos pés timidamente, evoluindo para tentar sentar-se com apoio, e finalmente, erguendo-se com cautela, apoiada por Guilherme e sua assistente. Cada movimento é uma conquista, cada sorriso uma vitória compartilhada com sua equipe médica.

Guilherme observa com uma mistura de orgulho profissional e emoção contida. Ele testemunha não apenas a recuperação física de Luciana, mas também sua resiliência e determinação crescentes


CENA 22: INT. SALA DE REUNIÕES DE PACIENTES. DIA

[ TRILHA CONT. ]


Guilherme e a fisioterapeuta estão reunidos com Luciana, Marlene e Serginho. Há uma sensação palpável de expectativa e gratidão no ar.

GUILHERME: (sorrindo calorosamente) Luciana, é com muita alegria que compartilhamos esta notícia. Seu progresso foi notável. Você está pronta para dar o próximo passo e continuar sua recuperação em casa.

Luciana olha para Guilherme com olhos brilhantes, transbordando gratidão e uma nova determinação.

LUCIANA: (com voz embargada) Obrigada, doutor Guilherme. Finalmente vou para casa! 

Guilherme assente, sua expressão agora revelando não apenas a satisfação do dever cumprido, mas também o vínculo emocional que se formou durante as semanas intensas no hospital. Luciana, apoiada por seus amigos, levanta-se da cadeira, pronta para abraçar o futuro com renovada esperança e força.

GUILHERME: Luciana, por favor, espere um momento.

Luciana vira-se para ele, uma mistura de curiosidade e surpresa em seu olhar.

LUCIANA:  (suavemente) O que foi, doutor Guilherme?

Guilherme olha nos olhos dela, escolhendo suas palavras com cuidado.

GUILHERME:  (sério, mas com gentileza) Eu sei que você passou por muita dor, Luciana. Mas há algo que você precisa saber... Seu filho, ele... ele não morreu de fato.

Luciana fica sem palavras, seus olhos se arregalam com uma mistura de incredulidade e esperança. Guilherme respira fundo, andando em direção de Luciana e se aproximando. Ele segura as mãos dela. 

GUILHERME: (continuando) Eu posso levá-la até ele.

Luciana leva a mão ao peito. A câmera dá um close nos rostos de Guilherme e Luciana, ambos sentindo uma mistura avassaladora de emoções.


FIM DO CAPÍTULO. 










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