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Na Boca Do Povo - Capítulo 34

 

Capítulo 34

Cena 01 – Mansão Martins de Andrade [Interna/Tarde]

(Furioso, Durant encara Evandro caído no chão, que retribui o olhar fuzilando Durant).

 

EVANDRO: Como foi capaz de levantar essa mão imunda e me bater? (Pergunta furioso).

DURANT: Levanta daí, seu canalha. Vem brigar que nem homem! Repete tudo o que você me disse, repete.

LUIZA HELENA: Não Durant, por favor não faça nada que arrisque a sua liberdade. Eu estou te pedindo! (Diz enquanto segura Durant para que ele não avance em cima de Evandro).

EVANDRO: Esse seu atrevimento vai te custar muito caro, sabia seu pintorzinho de viaduto?

DURANT: Isso, ameaça... Já vi que você não tem coragem de me enfrentar, você é um verme.

EVANDRO: Eu vou colocar você no seu lugar... (Evandro vai até a mesinha da sala e pega o telefone).

LUIZA HELENA: O que você vai fazer, Evandro? O que você vai fazer? (Questiona).

EVANDRO: O que deveria ter sido feito há muito tempo. Alô, é da segurança? Tem um invasor aqui dentro, preciso que ele seja escoltado até a sua! (Diz enquanto fala ao telefone).

DURANT: Me enfrenta sozinho, precisa de segurança para te ajudar? Vem aqui, me fala o que você tem para dizer me olhando nos olhos.

LUIZA HELENA: Durant, por favor... Vá embora, eu não quero que te aconteça nada!

DURANT: Então ele tem razão? Você me trocou simplesmente para conseguir uma posição melhor na alta sociedade? A soberba subiu a sua cabeça?

LUIZA HELENA: Não diz isso, por favor. Não fala assim comigo, Durant! (Diz enquanto chora).

DURANT: Era bonito demais para ser verdade, você nunca esteve realmente comigo, esteve?

(Dois seguranças entram na sala da mansão).

EVANDRO: Aí está ele, podem jogar no olho da rua sem dó, nem piedade! (Diz olhando para Durant).

SEGURANÇA: Sim senhor! (Diz ao segurar Durant pelo braço).

DURANT: Em mim ninguém encosta, tira a mão de cima. Eu sei muito bem o caminho da saída dessa casa, caminho esse que eu não pretendo refazer. Desculpem os transtornos, com licença! (Diz olhando para Luiza Helena, em seguida vai embora e os seguranças o seguem).

LUIZA HELENA: Espera Durant, espera... (Vai atrás de Durant).

EVANDRO: Você fica, nem mais um passo! (Diz antes que Luiza Helena cruze a porta).

 

Cena 02 – Gravadora Som Brasil [Interna/Tarde]

Música da cena: Sampa – Caetano Veloso

(Imagens externas da cidade de São Paulo são mostradas, as principais avenidas da cidade seguem com um fluxo extremamente frenético. Em seguida, aparece a fachada da gravadora Som Brasil).

 

SECRETÁRIA: A senhora já pode entrar, segunda porta do corredor a esquerda! (Diz após colocar o telefone de volta no gancho e olhar para Lola/Amara).

LOLA/AMARA: Obrigada! (Diz ao ficar de pé na recepção da gravadora).

(Após seguir o caminho indicado pela secretária, Lola/Amara chegou até a sala do produtor musical).

EDU: Eu juro que não acreditei quando a secretária me ligou para te anunciar! (Diz ao ver Lola/Amara parada na porta de sua sala).

LOLA/AMARA: Eu vim a respeito da proposta que você me fez há algum tempo, ela ainda está de pé?

EDU: Quem não gostaria de produzir um disco de retorno de Amara Ferraz? É claro que a proposta ainda está de pé, entra, senta... Vamos conversar!

LOLA/AMARA: Eu aceito o projeto, vamos produzir o CD. Você pode me explicar um pouco mais sobre o projeto?

EDU: Com o maior prazer do mundo! Para o seu retorno, eu pensei em algo bem grande, mas intimista ao mesmo tempo... (Edu começa a descrever o projeto para Lola/Amara que ouve atentamente).

 

Cena 03 – Mansão Martins de Andrade [Interna/Tarde]

(Luiza Helena se vira e encara Evandro de frente).

 

LUIZA HELENA: O que mais você quer? O seu espetáculo não foi suficiente? Precisava expulsar o Durant assim? (Diz ao se aproximar).

EVANDRO: Eu fiz o melhor, foi pensando em você. Você deveria me agradecer, eu evitei você de cometer uma besteira.

LUIZA HELENA: Você é um completo doente, precisa de ajuda. Ainda dá tempo de desistir dessa loucura, eu posso te levar em um bom profissional e você vai se curar.

EVANDRO: Não me trate como doente, querida. Eu estou perfeitamente lúcido, tanto que vou perdoar esse seu chilique na presença do pintor. No entanto, espero que isso não se repita, pois eu não terei mais consideração. Da próxima vez eu acabo com a raça do pintor e coloco a filha dele na cadeia, entendeu?

LUIZA HELENA: Não, eu prometo que isso não irá se repetir. Não faça nada contra a minha filha e nem com o Durant, por favor.

EVANDRO: Tudo depende de como você vai se comportar e se me obedecer, pode ser que tudo saia bem. Você vai ser uma boa menina, não vai?

LUIZA HELENA: (Engole seco para não chorar).

EVANDRO: Eu não ouvi, responda em voz alta!

LUIZA HELENA: Sim! Eu farei tudo o que você me orientar.

EVANDRO: Muito bem, você verá que só tem a ganhar se seguir os meus conselhos. (Conclui).

 

Cena 04 – Na Boca do Povo, Redação [Interna/Tarde]

Música da cena: Fogo – Karin Hils

(A produção da revista é apresentada a todo vapor. O maquinário imprime página por página da próxima edição, enquanto os funcionários finalizam a produção. Em seguida, na recepção, Betinha surge após sair do interior do elevador).

 

BETINHA: (Caminha pelo corredor da revista procurando por alguém).

ÂNGELO: Perdida? (Pergunta ao sair de sua sala e encontrar Betinha).

BETINHA: Eu estou procurando a Fernanda, sabe dizer se ela está ou onde eu posso encontrá-la?

ÂNGELO: Eu acho que a Fernanda já foi, ela não estava se sentindo muito bem. Sabe como é, né? Enjoos, essas coisas.

BETINHA: Sei sim!

ÂNGELO: Você não me parece muito bem, está acontecendo alguma coisa? (questiona ao notar a expressão de Betinha).

BETINHA: Aconteceu! Parece que o mundo está desabando na minha cabeça, tudo está acontecendo ao mesmo tempo e agora eu tenho que lidar com a loucura da minha irmã em se envolver com o pior cara da face da terra.

ÂNGELO: Eu não estou entendendo o que você quer dizer. Do que você está falando?

BETINHA: Evandro Britto, é dele que eu estou falando. Ele e a minha irmã estão juntos. Descobri hoje cedo, dei de cara com ele na hora do café da manhã.

ÂNGELO: O que? (Pergunta surpreso).

BETINHA: Essa foi a mesma cara que eu fiz quando descobri. Algo nessa história não me desse, não me cheira bem. Não sei, é como se algo estivesse acontecendo às escondidas, tipo um complô sabe? É estranho ver a minha irmã com aquele homem, que é tão diferente dela.

ÂNGELO: Será que isso tem a ver com o que a Suzana queria me contar? (Pensa em voz alta).

BETINHA: Desculpa, eu não entendi. (Estranha o comentário do advogado).

ÂNGELO: Nada, eu apenas pensei em voz alta. Mas para lhe ser bem sincero, eu também não confio nele e essa história não está me cheirando nada bem. Precisamos investigar um pouco mais!

BETINHA: Concordo plenamente, inclusive, como eu posso ajudar? Eu preciso saber quais as reais intenções desse homem com a minha irmã.

ÂNGELO: Acho que temos mais assuntos em comum do que a gente imagina. Não quer entrar? Podemos continuar essa conversa com mais privacidade, sabe como é, as paredes tem ouvidos. (Diz convidando Betinha para adentrar em sua sala).

 

Cena 05 – Ruas de São Paulo [Externa/Tarde]

Música da cena: Um Pôr Do Sol Na Praia – Silva e Ludmilla

(Pelas ruas e nos estabelecimentos comerciais, o Inspetor Eriberto investigava sobre os últimos passos de Suzana pela vizinhança, tentando coletar alguma informação útil).

 

INSPETOR ERIBERTO: (Sonda com alguns clientes no interior de um bar de esquina sobre o fluxo do bairro).

LAÍS: (Enquanto isso, Laís cruza a fachada do bar carregando uma mala de rodinhas e em seguida, atravessa a rua).

(Depois de caminhar pelas ruas tranquilas do bairro da Penha, Laís por fim chegou até sua casa).

LAÍS: (Abre a porta de casa e a dá uma volta pelo cômodo principal do imóvel, como se estivesse se recordando de momentos vividos ali. Em seguida, ela coloca a mala encostada em uma parede e vai até a cozinha preparar um chá. De longe, notamos a presença de um envelope marrom em cima de uma mesinha de centro).

 

Cena 06 – Mansão Martins de Andrade [Interna/Tarde]

(Desolada, Luiza Helena resolveu se abrir com Eva sobre os últimos acontecimentos entre ela e Evandro).

 

EVA: Esse homem nunca me enganou, bem que o Demétrio sempre avisou, ele não passa de uma sanguessuga. Você precisa dar um jeito de sair dessa teia, minha filha!

LUIZA HELENA: Mas como, Eva? Ele está ameaçando a integridade da minha filha e matar o Durant. Depois de tudo o que ele vomitou em cima de mim nas últimas horas, não dá para duvidar dele. Você acha que ele está blefando? (Questiona).

EVA: Eu sinto calafrios quando vejo esse canalha andando pela casa. Afaste-se dele, eu temo pela sua vida, menina.

LUIZA HELENA: Eu preciso encontrar um jeito de afastá-lo daqui e proteger minha filha e o homem que amo. Eu preciso pensar, mas na minha cabeça não vem nada, parece que estou dando voltas e voltas. Meu Deus, o que eu faço?

EVA: Não é o momento de se desesperar agora, você precisa agir com frieza e cautela como ele está fazendo. Descanse e reflita, assim você encontrará uma forma de se livrar desse crápula.

LUIZA HELENA: Eu vou subir, não tenho cabeça de ir para a revista hoje.

EVA: Está bem, depois eu subo e levo alguma coisa para você beliscar...

LUIZA HELENA: (Abraça Eva) Eu não sei o que seria de mim sem você aqui para me dar forças, Evinha.

EVA: Eu não vou te abandonar, eu prometo.

(Após a conversa com Eva, Luiza Helena resolve subir para descansar em seu quarto. Ao andar pelo corredor, percebe a porta do seu quarto entreaberta e instantaneamente desconfia de algo).

LUIZA HELENA: (Anda apressadamente e ao entrar em seu quarto, se depara com Evandro mexendo em suas coisas) Mas o que significa isso? (Pergunta).

EVANDRO: (Para de vasculhar as coisas de Luiza Helena e olha para ela).

 

 

Cena 07 – Mansão Martins de Andrade [Interna/Tarde]

(Furiosa, Luiza Helena continua cobrando explicações a Evandro).

 

LUIZA HELENA: Eu fiz uma pergunta, o que você faz mexendo nas minhas coisas?

EVANDRO: Calma, eu não estou roubando nada. Apenas estou procurando os seus documentos, mas já encontrei!

LUIZA HELENA: E para que você quer os meus documentos? (Estranha).

EVANDRO: Para que mais, Luiza Helena? Para o nosso casamento, consegui adiantar alguns procedimentos e encontrei um juiz de paz que aceite nos casar enquanto antes...

LUIZA HELENA: Eu não quero me casar com você, eu já disse. Qualquer coisa, menos isso! Me dá os meus documentos, me dá! (Diz ao avançar em cima de Evandro).

EVANDRO: (Empurra Luiza Helena na cama com violência) Eu acho que você ainda não entendeu? Você não está podendo escolher alguma coisa. Além disso, você está ficando muito petulante, mas eu vou te mostrar do que eu sou capaz...

LUIZA HELENA: O que você vai fazer? (Pergunta aterrorizada ao se levantar).

EVANDRO: Você vai descobrir muito em breve! (Evandro sai do quarto de Luiza Helena e a tranca por fora).

LUIZA HELENA: (Corre até a porta e tenta abri-la) Evandro, abre essa porta... Evandro! (Grita).

EVANDRO: Hora de mostrar ao pintor do que eu sou capaz. (Pensa em voz alta, em seguida caminha pelo corredor sorrindo sarcasticamente).

 

Cena 08 – Chesca’s, Restaurante Italiano [Interna/Tarde]

Música da cena: I Won’t – Colbie Caillat

(Imagens noturnas são apresentadas, em seguida surge a fachada do restaurante de Francesca).

 

FRANCESCA: Chega, io non vou mais ficar de braços cruzados, io vou procurar o mio bambino! (Diz ao caminhar em direção à porta).

ANDREINA: Io vou junto, sorella. Io vou sair pelas ruas e vou até la polizia se for preciso! (Vai junto apoiando a irmã).

GIOCONDA: Io também vou fazer alguma coisa, non vou conseguir ficar em casa esperando. Vou com vocês!

(Juntas as três vão até a rua para procurar por Enrico, mas antes mesmo de se afastarem do restaurante, são surpreendidas).

ANDREINA: Sorella, sorella! Olha ali...(Chama a atenção da irmã para que ela olhe na direção indicada).

GIOCONDA: Ai, mio San Gennaro! O nipote está são e salvo.

FRANCESCA: Mio Enrico, mio bambino! (Corre ao avistar Enrico e abraça o filho fortemente).

ENRICO: O que foi, mamma? Porque vocês estão assim, tão nervosas? (Questiona estranhando a reação da mãe, tia e avó).

FRANCESCA: Como o que aconteceu? Você quase matou a sua família de susto, desaparecendo. Onde você estava, Enrico?

ENRICO: Eu fui fazer o que deveria ter feito há muito tempo.

FRANCESCA: E io posso saber o que seria isso?

ENRICO: Claro que pode, mamma. Eu fui até a polícia denunciar o ataque que sofri e que me deixou preso nessa cadeira de rodas.

GIOCONDA: Dio mio! (Diz surpresa ao ouvir o que o neto estava fazendo na rua).

FRANCESCA: Bambino! Porque você non me disse? Eu teria ido com você. Sabe quantos riscos correu, saindo assim sozinho?

ENRICO: Não me leve a mal, mamma. Mas eu só fiz o que o meu coração pediu para fazer e com relação a sair sozinho, terei que me adaptar a nova fase e a senhora também, eu preciso voltar a sair, me locomover sozinho. Eu não quero ser mais dependente do que já me tornei, espero que você me entenda.

FRANCESCA: (Se agacha e olha o filho nos olhos) Io non só entendo, como tenho muito orgulho de Dio ter me escolhido para ser a sua mamma, Enrico! (Os dois se abraçam).

 

Cena 09 – Casa de Durant [Interna/Tarde]

(Durant não queria continuar em casa sofrendo por Luiza Helena e por isso havia resolvido voltar a vender seus quadros. Ele e Rafael caminhavam juntos em direção à rua, enquanto ele carregava duas telas embaladas embaixo do braço).

 

RAFAEL: O senhor não pode simplesmente abrir mão da mulher da sua vida assim, tio. O senhor precisa lutar pelo amor dela... (Diz ao abrir o portão para que o tio saia).

DURANT: Você ainda é muito jovem para entender essas coisas, Rafael. Talvez um dia você compreenda, mas certas vezes a gente cansa de dar murro em ponta de faca e as vezes é isso que eu sinto. (Diz ao passar pelo portão).

RAFAEL: (Vai até a calçada) Como assim?

DURANT: Eu e a Luiza Helena temos uma história conturbada há duas décadas, as vezes eu acho que não nascemos para ficarmos juntos mesmo com todo esse amor. Parece que o destino sempre irá nos separar, então se ela quer casar com aquele canalha para ser a venenosa dos holofotes, eu não vou me opor. Agora ela não venha mudar de ideia depois, que eu não sou idiota.

RAFAEL: O senhor acha mesmo que vai conseguir resistir se ela aparecer?

(De longe, Caruso assiste a cena em um carro com vidros escuros).

DURANT: Eu tenho que fazer isso, vai ser melhor para todos nós. Agora eu tenho que vender essas telas, que o pão não vai brotar em cima da mesa, não é mesmo? Até mais tarde, depois continuamos a conversa.

RAFAEL: Está bem, tio. Vai com Deus!

DURANT: (Observa a rua e ao perceber que não há fluxo de veículos, ele caminha pela avenida).

CARUSO: Hora de ir cumprimentar o capeta, pintor! (Diz ao acelerar o carro e ir na direção de Durant).

RAFAEL: (Ouve o barulho dos pneus cantando no asfalto e logo se assusta).

DURANT: (Ao perceber que o carro está vindo em sua direção, tenta voltar para não ser atingido em cheio, mas o carro o acerta de raspão, levando-o ao chão).

RAFAEL: Tio! (Grita).

CARUSO: (Para o carro muitos metros a frente e observa a cena pelo retrovisor. Rafael e outros moradores do bairro ajudam Durant, em seguida dá partida e sai pela rua rapidamente).

RAFAEL: Tio, você está bem? (Diz ao ver Durant se levantar do chão com ajuda de algumas pessoas que estavam passando pelo local).

DURANT: Estou sim! Foi só um susto, não se preocupa... Eu estou bem. Que barbeiro, hein? Nem vi quando ele apareceu.

RAFAEL: O senhor vai achar que eu estou ficando louco, mas eu poderia jurar que o carro veio pra cima do senhor propositalmente. Parecia que o motorista sabia o que estava fazendo e queria te atropelar!

DURANT: (Olha para Rafael atordoado e assustado com a possibilidade de alguém ter tentado lhe atropelar propositalmente).

 

Cena 10 – Casa de Suzana [Interna/Noite]

Música da cena: Me Leva – Alice Caymmi

(Imagens externas da capital paulista são apresentadas, em seguida surgem as ruas do Bairro da Penha e a fachada da casa de Suzana).

 

LAÍS: (Sai do banheiro enrolada numa toalha no corpo e outra na cabeça para secar os cabelos. Em seguida ela vai até a sala, senta-se no sofá e olha para o envelope em cima da mesinha, perdendo-se em seus pensamentos logo em seguida).

FLASHBACK

Na noite do assassinato de Suzana...

(Suzana arrumava algumas mudas de roupas em uma pequena mala enquanto era observada por Laís, que estava parada na porta do quarto).

LAÍS: Eu ainda acho que você está se precipitando, para que fugir de algo que você nem tem certeza? E se isso for coisa da sua cabeça, amiga? (Questiona).

SUZANA: Você diz isso porque não descobriu o que eu descobri e nunca olhou aquele homem nos olhos. De longe se percebe que ele é capaz de... (Pausa ao sentir um arrepio no corpo).

LAÍS: Capaz de que? De te matar? (Completa a frase que Suzana temia acabar).

SUZANA: Não só disso, ele é capaz de desaparecer com o meu corpo para não deixar pistas. Se ele vai ou não cumprir, eu prefiro não ficar em casa esperando. Vou para a casa de uma tia em Campinas e de lá eu vejo o que faço e para onde eu vou. (Diz ao fechar a mala e sair do quarto).

LAÍS: (Acompanha Suzana pela casa) E porque não vamos a polícia? Podemos pedir apoio aquele programa, como é mesmo que se chama? (Diz tentando lembrar).

SUZANA: Programa de apoio a testemunha? Até eu conseguir, o Evandro já teria me matado. É melhor assim! Agora eu preciso que você me escute com atenção, se por ventura eu não conseguir chegar até Campinas e você souber que algo me aconteceu, você vai entregar esse envelope a alguém muito importante. Essa pessoa vai saber como neutralizar esse bandido, entendeu? (Diz entregando o envelope para Laís).

LAÍS: (Segura o envelope e começa a temer pela vida da amiga) Suzana, você está começando a me assustar falando desse jeito.

SUZANA: Faça o que eu disse, talvez não precise. Tudo dará certo, eu creio que dará. Agora eu tenho que ir, o táxi chegou. Se cuida amiga e não esquece do que eu te falei. Se algo me acontecer, está nas suas mãos fazer justiça, entendeu? (Pergunta olhando nos olhos de Laís).

LAÍS: (Abraça Suzana) Nada vai te acontecer! Se cuida, Suzana e me manda notícias assim que chegar lá na casa da sua tia.

SUZANA: Agora eu já vou amiga, beijo! (Diz ao pegar a mala e deixar a casa).

LAÍS: (Coloca o envelope em cima da mesinha de centro e em seguida vai até a janela observar a partida de Suzana. Olhando para a rua, ela vê Suzana entrar no táxi e o veículo seguir rumo ao local indicado por Suzana. Em seguida, ela nota a presença de um homem parado numa moto sem capacete, trata-se de Caruso. Em seguida ele coloca o capacete e começa a seguir o táxi).

FIM DO FLASHBACK

Atualmente.

LAÍS: Eu vou cumprir o que te prometi, amiga. Eu vou fazer justiça! (Suzana abre o envelope e lê as instruções de Suzana) Ângelo Vasconcelos... O que será que tem aqui de tão importante que você queria que eu entregasse a esse homem? (Se pergunta em voz alta olhando para o pen-drive que havia no interior do envelope).

  

Cena 11 – Ruas da Mooca [Interna/Noite]

Música da cena: Tarantella Napoletana - Instrumental

(O restaurante estava completamente lotado após passar tantos dias fechados. Gioconda ajudava na cozinha implicando com o tempero do chef, enquanto Lola/Amara ajudava a atender a clientela no salão. Andreina estava incumbida de auxiliar no atendimento também, porém distraiu-se a olhar a rua).

 

FRANCESCA: (Sorrateiramente caminhou pelo salão em meio aos clientes e os cumprimentou, em seguida foi sondar o que a irmã estava fazendo) Então é assim que você me ajuda, maledetta?

ANDREINA: Io me cansei dessa vida de trabalho. Non nasci para isso! Nasci para arrumar um bom marido e ser dona da mia própria casa. Inclusive acho que vou realizar esse sonho no Brasil! (Diz olhando para a frente).

FRANCESCA: Como assim? Io non estou entendendo o que você quer dizer. (Estranha o comentário da irmã).

ANDREINA: Como non está entendendo, sorella? Por acaso você está cega? Vai dizer que nunca reparou no partidão do restaurante em frente? (Fala se referindo a Zeca).

FRANCESCA: Io non estou cega, tanto que estou vendo muito bem você querendo abocanhar os homens da vizinhança, mas esse daí é proibido, pode ir tirando os olhos dele e volte ao trabalho. Non vai ficar comendo de graças as minhas custas, tem que trabalhar.

ANDREINA: Mamma mia! Que jeito de falar, sorella. Io já vou entrar e ajudar a atender. (Entra no restaurante).

FRANCESCA: Era só o que me faltava! Essa maledetta schifosa querendo olhar para o bode velho. Logo hoje que ele está tão bonito, viril e charmoso... O que io estou dizendo, mi San Gennaro? (Resmunga olhando para Zeca em seu restaurante e em seguida volta ao trabalho).

 

Cena 12 – Mansão Martins de Andrade [Interna/Noite]

(Após ficar parte da tarde trancada, Luiza Helena havia acabado adormecendo e só despertou quando ouviu alguém destrancar a porta).

 

LUIZA HELENA: (Abre os olhos ao ouvir alguém abrir a porta).

BETINHA: (Entra no quarto) Trancada? O que significa isso?

LUIZA HELENA: Ah, é você? Acho que não perceberam que eu estava aqui dormindo e trancaram por acidente, só isso. (Diz ao se sentar na cama).

BETINHA: Você não acha que tem muita coisa estranha acontecendo nessa casa ultimamente, Luiza Helena?

LUIZA HELENA: Eu não entendi o que você quis dizer! (Disfarça para que a irmã mude de assunto).

BETINHA: Eu sou sua irmã, sua amiga. Se abre comigo e me diz a verdade. O que é que está acontecendo? Porque você resolveu se envolver com esse homem de caráter duvidoso? Me diga de uma vez! (Diz encurralando a irmã).

LUIZA HELENA: (Olha para Betinha pensando se conta ou não a verdade).

 

A imagem foca em Luiza Helena olhando para Betinha. A cena congela e vira uma capa de revista.



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