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Na Boca Do Povo - Capítulo 48 (Últimos Capítulos)

 


Capítulo 48 (últimos capítulos)

Cena 01 – Mansão Martins de Andrade [Interna/Manhã]

(Caída no chão de bruços, Luiza Helena permanecia imóvel).

EVANDRO: (Desce a escada e se aproxima de Luiza Helena para checar a sua pulsação) Está vendo o que você fez? A culpa foi toda sua. (Diz enquanto se debruça sobre Luiza Helena).

(Evandro observa os sinais vitais de Luiza Helena através de seu pulso e percebe que ela ainda está viva).

EVANDRO: Está viva! E agora, o que eu faço? Se eu não dizer nada, ela pode dar com a língua nos dentes.

(Evandro fica de pé e caminha pela sala de um lado para o outro observando o corpo de Luiza Helena, enquanto pensa no que deve fazer em seguida).

 

Cena 02 – Paróquia San Gennaro [Interna/Manhã]

(Todos estavam atônitos com a revelação que Caruso havia acabado de fazer, enquanto Maria Rita em choque, não conseguia se defender das acusações).

 

MARCELO: Eu vou te matar, ninguém vai desonrar a imagem da minha noiva assim, eu vou acertar as contas como se faz na Paraíba, eu vou tirar seu sangue! (Marcelo corre na direção de Caruso e o derruba. Em seguida, começa a agredi-lo).

PADRE: (Grita) Parem de brigar, parem de brigar! Isso é um desrespeito com a casa de Deus.

FRANCESCA: (Levanta-se rapidamente e vai ao encontro de Maria Rita para tentar ampará-la) Façam alguma coisa, esses dois vão se matar! (disse enquanto observava Marcelo e Caruso rolarem pelo chão aos socos).

(Durant e Zeca correram para apartar a briga e haviam conseguido segurar Marcelo, controlando sua fúria, quando Caruso levantou-se do chão com o rosto machucado).

CARUSO: Você devia descontar essa sua raiva nela, ela que é uma vagabunda. Que culpa eu tenho se a sua noiva é uma garota de programa? Mais rodada que catraca de ônibus? Metade de São Paulo deve ter levado a sua noiva pra cama, carregue isso com você, otário!

RAFAEL: Agora chega, eu vou acabar com a raça desse cara! (Rafael tenta avançar em Caruso, mas é contido por Betinha).

BETINHA: Rafael, não! (Diz segurando namorado pelo blazer, para que ele não brigue).

MARCELO: (Se desvencilha de Durant e Zeca bruscamente) Me soltem! E você? Vai ficar aí parada, não vai se defender? Dizer que isso tudo que ele disse é mentira? Fala alguma coisa! (Grita com Maria Rita).

CARUSO: Responde Ritinha, eu estou mentindo? (Pergunta em alto e bom som).

MARIA RITA: Eu não posso mais mentir! Ele está certo, eu fui garota de programa. Me perdoe não ter tido antes, mas não era algo que eu me orgulhava, fiz devido a necessidade e as circunstâncias... (Diz aos prantos).

ANDREINA: Questo está mais emocionante que a novela das nove! (Sussurra para Lola/Amara e Gioconda).

GIOCONDA: Calada, schifosa!

LOLA/AMARA: Coitada da Maria Rita, ela não merecia passar por tamanha humilhação. (Pensa em voz alta entre os convidados).

MARCELO: Como? Então tu tá me dizendo que esse cara tá falando a verdade? Você era mulher da vida e não me disse nada?

MARIA RITA: (Engole seco e responde em seguida) Sim, eu escondi o que fazia de todos que estão aqui presentes e peço perdão por desapontá-los. Senhoras e senhores, o casamento está cancelado! (Levanta o vestido e sai correndo pela igreja em direção a sacristia).

FRANCESCA: (Vai atrás de Maria Rita).

CARUSO: Bom, já fiz o que tinha de fazer aqui. Desejo a todos uma excelente festa! (Debocha).

LAÍS: (Levanta-se bruscamente) É ele, não resta a menor dúvida.

INSPETOR ERIBERTO: (Estranha o comportamento de Laís) Ele? Ele quem?

LAÍS: É ele! Ele é o cara que estava seguindo a Suzana na noite em que ela foi assassinada. Ele é o cara da moto que seguiu a Suzana! (Grita).

DELEGADA RAQUEL: (Levanta-se rapidamente e encara Caruso).

CARUSO: (Ao perceber a presença da delegada e do inspetor, se assusta e deixa a igreja correndo).

DELEGADA RAQUEL: (Tira a arma da bolsa e começa a correr pela igreja na direção em que Caruso saiu).

INSPETOR ERIBERTO: (Atravessa entre os convidados rapidamente com a arma em punho e corre para alcançá-los).

PROFESSOR THIAGO: Animado o casamento, não? (Diz em tom de brincadeira).

ENRICO: Fica quieto! (Responde dando um tapa no ombro de Thiago).

 

Cena 03 – Ruas de São Paulo [Externa/Manhã]

(Caruso corre pela rua enquanto tira as chaves do carro do bolso do carro e destrava a porta do automóvel. Quando Raquel consegue se aproximar, ele dá partida).

DELEGADA RAQUEL: Eu mandei você parar, infeliz! (Atira na direção dos pneus).

(Caruso arranca com o carro e sai em alta velocidade).

DELEGADA RAQUEL: Você não vai fugir, ah mas não vai mesmo! (Raquel começa a correr na direção onde guardou seu carro, porém é surpreendida por Eriberto em uma viatura).

INSPETOR ERIBERTO: Vambora! (Grita ao abrir a porta).

DELEGADA RAQUEL: (Entra no carro rapidamente) Vamos, vamos, vamos! (Grita para que Eriberto não perca o carro de Caruso de vista).

(O carro de Caruso segue em alta velocidade pelas ruas da cidade, enquanto a viatura com Eriberto e Raquel ultrapassam os outros veículos no intuito de alcançá-lo).

CARUSO: (Observa a viatura pelo retrovisor) Vocês não vão me pegar! (Grita).

DELEGADA RAQUEL: (Fala no rádio) Atenção todas as unidades, veículo do modelo sedan, na cor preta, de placa XY9-12G9. O meliante está seguindo em direção a zona sul, estamos perseguindo-o, mas precisamos de reforços. Repito, precisamos de reforços!

INSPETOR ERIBERTO: Se segura! (Diz ao acelerar o carro e prosseguir ultrapassando os carros em alta velocidade).

 

Cena 04 – Paróquia San Gennaro [Interna/Manhã]

(Os convidados permaneciam na igreja comentando sobre o acontecido. Sentado nos degraus do altar, Marcelo era confortado por Ítalo e Zeca).

 

ZECA: Levanta daí, você precisa reagir!

MARCELO: E o que você quer que eu faça? Você não sabe como eu estou me sentindo.

ÍTALO: Faça o óbvio! Se a Maria Rita fez o que fez, ela teve os seus motivos. O senhor sempre me ouviu e me aconselhou tanto, agora não consegue agir 1% do que sempre me instruiu a fazer? (Questiona o tio).

DURANT: (Sai da sacristia e vai ao encontro de Betinha e Rafael) Nada feito, a sua mãe se trancou e não quer falar com ninguém. Porque você não tenta? Se sua mãe fez o que fez, foi em sacrifício por nós, não podemos agir como os outros e apedrejá-la.

RAFAEL: Claro tio! Ela é a minha mãe e nunca vai deixar de ser. Eu vou lá! (Rafael vai até a sacristia e deixa Durant a sós com Betinha).

BETINHA: Espero que ele consiga colocar a cabeça da Maria Rita no lugar e que tudo se resolva.

DURANT: Eu também, mas a propósito, você viu a sua mãe? Até agora eu não a encontrei! (Questiona procurando Luiza Helena com o olhar entre os convidados).

BETINHA: Claro que não, pai e não vamos falar sobre isso, agora não é o momento. Eu vou lá fora, preciso respirar um pouco. (Responde secamente enquanto se afasta).

(Enquanto caminha, Betinha ouve sem querer Tamara ligando para alguém, porém Tamara não percebe).

TAMARA: Atende Evandro, atende! (Fala consigo mesma enquanto liga para Evandro).

BETINHA: (Ao ouvir o nome de Evandro, Betinha se esconde atrás da porta da igreja para ouvir do que se trata a conversa).

 

Cena 05 – Mansão Martins de Andrade [Interna/Manhã]

(Evandro caminha de um lado para outro sem saber o que fazer com Luiza Helena inconsciente no chão da sala, enquanto ouve seu celular tocar).

 

EVANDRO: (Tira o celular do bolso e ao ver o nome de Tamara na tela do celular, fica ainda mais irritado) Agora eu não tenho tempo para você, sua lacraia de laboratório. (Diz ao recusar a chamada).

(Após chegar do supermercado, Eva encontra a empregada da casa conversando com o jardineiro do lado de fora em clima de romance. Na cozinha, ela deixa as sacolas em cima da bancada e resolve ir conferir se Luiza Helena precisa de alguma coisa).

EVA: Meu Deus, meu Deus... O que foi que você fez com ela? (Questiona ao se deparar com Luiza Helena caída ao lado da escada).

EVANDRO: Eu? Eu não fiz nada! Não é nada disso que você está pensando. Eu estava na biblioteca quando ouvi um barulho, quando saí, me deparei com a Luiza Helena aí, caída no chão desacordada. (Disfarça).

EVA: (Se agacha e checa se Luiza Helena ainda está respirando) Ela está viva, está respirando. Eu vou chamar um médico agora mesmo! (Levanta-se rapidamente e pega o telefone fixo que fica ao lado do sofá da sala de estar).

EVANDRO: Era exatamente isso que eu ia fazer, por isso o celular! (Mostra o celular na palma da mão).

EVA: (Encara Evandro e não acredita em sua versão da história. Em seguida disca o número do médico que costumava atender Evandro e espera a chamada completar).

(O celular de Evandro toca novamente, dessa vez ele resolve se afastar um pouco e atender).

EVANDRO: (Atende) O que é que você quer? Se eu não te atendi antes é porque eu não quero falar com você!

TAMARA: (Caminha pela área externa da igreja enquanto fala ao telefone) Presta atenção, apenas me escute! O Caruso está prestes a ser capturado e se ele for capturado, existem grandes chances dele dar com as línguas nos dentes!

EVANDRO: Como? Onde foi isso?

TAMARA: Aqui na Mooca, você acredita que ele fez uma cena ridícula no casamento da mãe do namorado da Betinha? Foi patético!

EVANDRO: (Se afasta um pouco) A secretária prima do pintor?

BETINHA: (Continua ouvindo escondida atrás da porta).

TAMARA: Enquanto ele gritava aos quatro ventos que a noiva era uma biscateira, uma convidada o reconheceu, disse que era amiga da secretária que morreu no túnel, só que para o azar dele, a delegada era amiga da noiva e estava presente. Não deu outra, ela saiu atrás dele... Duvido muito que ele consiga escapar. E agora, você pretende fugir?

EVANDRO: Claro que não, alguém precisa ficar aqui para calar a boca daquele imbecil e quem melhor que eu? Agora vê se não perde mais tempo me importunando, você recebe dinheiro para ficar de olho nas coisas e não para me incomodar. (Encerra a ligação na cara de Tamara e se aproxima da escada).

(Luiza Helena abre os olhos e sente dores pelo corpo).

EVA: Graças a Deus você acordou! (Diz ao perceber que Luiza acordou).

LUIZA HELENA: O que aconteceu? O meu corpo está inteiro está doendo! (Geme de dor).

EVA: Não se mexa, o Doutor Monteiro já está a caminho. Ele vai te examinar!

EVANDRO: Estávamos discutindo, você se desequilibrou e caiu pela escada. Felizmente você está viva! Eu vou ficar com você, meu amor... (Diz ao se aproximar de Luiza Helena).

LUIZA HELENA: (Se afasta de Evandro, nervosa) Não toque em mim! Você foi o responsável por essa queda. Você queria me ver morta assim como matou o Demétrio, a Suzana e o Ângelo. Você é um assassino! (Grita).

EVANDRO: Eu acho que essa queda afetou a sua cabeça! Olha os absurdos que você está dizendo. Já vi que está ótima e não precisa de ajuda, eu vou para a revista. Qualquer coisa me liguem. (Levanta-se e vai embora).

LUIZA HELENA: Eu estou com medo, Eva... Será que aconteceu alguma coisa com o meu bebê? (Questiona a governanta).

EVA: Não pense coisas ruins, menina. O médico já está vindo e você verá que foi apenas um susto! (Responde).

 

Cena 06 – Ruas de São Paulo [Externa/Manhã]

(Caruso continuava percorrendo as ruas em alta velocidade enquanto era perseguido por Raquel e Eriberto).

 

DELEGADA RAQUEL: (Já usando um colete a prova de balas, abre a janela do carro, inclina-se e começa a atirar na direção dos pneus do carro de Caruso).

CARUSO: (Abaixa a cabeça ao ouvir os disparos, mas continua dirigindo).

DELEGADA RAQUEL: Vai, vai, vai! Não perde ele de vista, cola nele! (Fala orientando Eriberto).

INSPETOR ERIBERTO: Ele não vai conseguir fugir por muito tempo, você sabe porquê!

DELEGADA RAQUEL: Não quero arriscar de jeito nenhum...

(Várias viaturas fecham a rua, interditando o fluxo de pessoas para que ninguém se machuque).

CARUSO: (Freia o carro bruscamente ao perceber a presença de vários carros da polícia logo a frente).

INSPETOR ERIBERTO: Na mosca! Eu não disse? (Vibra ao perceber que Caruso não terá mais como fugir).

DELEGADA RAQUEL: (Desce da viatura e usa o megafone para falar) Não adianta mais fugir, todo o quarteirão está cercado pela polícia. Entregue-se agora e tudo terminará bem!

CARUSO: (Permanece no interior do carro sem saber como prosseguir).

 

 

Cena 07 – Paróquia de San Gennaro [Interna/Manhã]

(Desolada após ser humilhada na frente de todo o bairro, Maria Rita não queria falar com ninguém e foi por isso que Francesca resolveu voltar junto com Rafael para junto dos convidados).

 

DURANT: E então, conseguiram falar com ela? (Questiona).

FRANCESCA: Non, a pobrezinha está destroçada. Também pudera, ela foi tão humilhada e exposta na frente de todos.

RAFAEL: Ela está destruída e se sentindo culpada, mesmo quando eu disse que não tinha que se envergonhar e que eu a amava muito.

DURANT: E ela não tem mesmo do que se envergonhar! Ninguém aqui nesse recinto é melhor ou pior do que a minha prima para julgá-la ou olhar para ela de forma diferenciada. (Fala em um tom de voz mais elevado).

(Os convidados presentes começam a observar enquanto Durant gritava).

DURANT: O que a minha prima fez para sobreviver é a realidade de muitas mulheres que são mães, esposas, filhas, irmãs e nenhuma faz porque é a melhor opção, muito pelo contrário, elas fazem justamente pela falta de oportunidade. A minha prima fez isso quando ficou viúva, se viu sozinha com um filho pequeno e num país onde o desemprego é o nosso sobrenome, quem pode julgar uma mãe amorosa, uma prima parceira e uma grande mulher como ela? Quem? Quem for hipócrita o suficiente para fazer isso agora sem olhar para os próprios pecados, que se revele. Quero parabenizar esse exemplo de pessoa! (Grita).

PADRE: O que esse bom homem está falando é a mais pura verdade! Ninguém pode julgar nossos atos além do nosso senhor todo poderoso. Lembrem-se de Maria Madalena e o quanto Jesus gostava dela. Acalmai-vos e não julgai uns aos outros! (Fala orientando aos fiéis).

ZECA: (Senta-se ao lado de Marcelo no degrau do altar) Eles têm razão, macho. A única pessoa que pode tirar a Maria Rita daquela sacristia, é você. Faça alguma coisa, cadê aquele amor que você dizia sentir toda vez que a via passar em frente ao restaurante?

MARCELO: (Encara Zeca nos olhos).

(Na sacristia, Maria Rita estava visivelmente abalada após a humilhação que acabara de sofrer).

MARIA RITA: (Chorava enquanto observava o buquê quando ouviu batidas na porta) Eu já disse que não quero ver ninguém!

MARCELO: Sou eu! Será que eu posso falar com você? (Questiona do lado de fora).

MARIA RITA: (Surpreende-se ao ouvir a voz do noivo e se aproxima da porta, sem abri-la).

MARCELO: Eu estava errado... Aliás, eu errei por não te defender na frente de todos. Independentemente do que você fez ou não fez para sobreviver em meio ao caos, isso não apaga a nossa história e nem o que temos vivido nos últimos tempos. Eu fiquei magoado sim, mas por você não ter confiado em mim, no homem que escolheu para ser o seu companheiro. Poxa, se você não confia em mim o suficiente para te defender dos seus próprios anseios, quem fará isso? Além disso, eu não deixei de amar você pelo o que aquele canalha vomitou no meio da igreja, pelo contrário, eu te amo ainda mais por ter conseguido suportar isso firme e forte em nome da sua família. Não me importa o passado, nós dois seremos feitos de vida presente e do futuro que nos espera. (Diz parado em frente a porta).

MARIA RITA: (Abre a porta e fica parada olhando para Marcelo).

MARCELO: Graças a Deus você abriu a porta...

MARIA RITA: Você ainda quer se casar comigo, mesmo sabendo do meu passado? (Pergunta chorosa).

MARCELO: Com toda a certeza do mundo, tigresa!

MARIA RITA: (Abraça Marcelo fortemente).

MARCELO: (Retribui o abraço na mesma intensidade) E então, você vai continuar deixando a igreja toda te esperando ou vai casar comigo logo?

(Alguns instantes depois, Marcelo e Maria Rita surgem novamente no altar, em frente ao padre e perante todos os convidados na igreja).

PADRE: Maria Rita Cunha Durant, é de sua livre e espontânea vontade se unir em matrimônio a Marcelo Pereira da Silva, para amá-lo e respeitá-lo, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, até que a morte os separe?

MARIA RITA: Sim, padre! (Responde olhando Marcelo nos olhos).

PADRE: Marcelo Pereira da Silva, é de sua livre e espontânea vontade se unir em matrimônio a Maria Rita Cunha Durant, para amá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, até que a morte os separe?

MARCELO: Oxente, pode apostar que sim! (Responde também olhando Maria Rita nos olhos, enquanto seca as lágrimas da noiva).

(Todos sorriem da resposta eufórica do noivo).

PADRE: Então, o que o homem uniu, o homem não pode separar. Eu vos declaro, marido e mulher. O noivo pode beijar a noite! (Orienta o casal).

Música da cena: Jeito Sexy – Sambô

(Maria Rita e Marcelo ficam de pé e se beijam intensamente. Em seguida ela pula em seu colo e os dois continuam se beijando de maneira exaltada enquanto são aplaudidos pelos convidados).

 

Cena 08 – Mansão Martins de Andrade [Interna/Tarde]

(Imagens externas mostram a cidade agitada em seu início de tarde. Em seguida, surge a fachada da Mansão Martins de Andrade).

 

DURANT: E então doutor, como os dois estão? (Pergunta sentado ao lado de Luiza Helena na cama).

DR. MONTEIRO: Felizmente ela vai se recuperar muito bem e não há nenhum risco para o bebê, milagrosamente a queda não afetou a gestação, porém mesmo assim eu prefiro que ela permaneça em repouso por alguns dias e que faça uma ultrassonografia na semana que vem para observarmos melhor o desenvolvimento do feto.

LUIZA HELENA: Eu falei! Eu disse que estava bem, foi só um susto. Eu e o bebê estamos sãos e salvos. (Responde segurando o colar cervical que o médico havia colocado em seu pescoço).

DR. MONTEIRO: (Assina uma receita e entrega para Durant) Eu receitei aqui alguns analgésicos para o caso das dores no corpo persistirem. No mais, qualquer anormalidade, me liguem imediatamente. Se cuide!

LUIZA HELENA: Pode deixar, doutor. Muito obrigada! Eva, por favor acompanhe o doutor até a porta.

EVA: Claro, por aqui doutor. (Diz conduzindo o médico até a saída).

DURANT: Eu fiquei com muito medo de te perder, não sabe o susto que eu tive quando a Eva me ligou e contou que você tinha caído da escada. (Diz após ficar com Luiza Helena).

LUIZA HELENA: Eu também tive medo, pensei que fosse morrer. (Responde meio sem jeito).

DURANT: Você sempre foi tão cuidadosa, não entendo como foi cair da escada. Você se sentiu mal?

LUIZA HELENA: Não! Na realidade eu estava fugindo.

DURANT: Fugindo? Fugindo de que? De quem? (Questiona).

LUIZA HELENA: Do Evandro! Ele descobriu que eu estava grávida, veio tirar satisfações e ficou enlouquecido quando soube que o filho era seu. Discutimos e eu tentei fugir dele, ele me segurou pelos braços com força e quando dei por mim, me desequilibrei e caí, aí eu só me lembro de acordar algum tempo depois. (Conclui).

 

Cena 09 – Delegacia [Interna/Tarde]

Música da cena: Fogo – Karin Hils

(Com a transição de cenas, visualizamos os grandes prédios da cidade através de imagens aéreas, em seguida surge a fachada da delegacia. No interior do local, Caruso estava algemado na sala de Raquel, enquanto era interrogado).

 

DELEGADA RAQUEL: Pense bem, quanto mais tempo você permanecer assim em silêncio, pior fica a sua situação. (Diz enquanto caminha atrás de Caruso de um lado para o outro).

CARUSO: (Permanece em silêncio).

INSPETOR ERIBERTO: Nós já temos evidências de que você está envolvido no atentado que vitimou a secretária da revista e agora uma testemunha ocular. Sabemos que você não é o mentor desse crime, porque você não facilita e entrega de uma vez o seu comparsa? (Questiona parado no canto da sala).

DELEGADA RAQUEL: Caruso, você sabe que a justiça é favorável a pessoas que colaboram com a justiça, não sabe? Se você contribuir e contar a verdade, eu posso incluir isso no seu inquérito. Fazendo isso, o júri que vai te julgar pode pesar um pouco menos a mão. E então, o que me diz?

CARUSO: (Reflete por alguns segundos e em seguida responde) Está bem, eu vou falar quem é que está por trás e encomendou os assassinatos.

DELEGADA RAQUEL: (Se aproxima da mesa, encosta-se e olha para Caruso de frente) Eu já imagino quem seja, mas prefiro que me confirme. Quem está encomendando e porquê?

CARUSO: Evandro Britto. Ele é quem está por trás de todos os assassinatos. Foi ele quem me pagou para que matasse a secretária Suzana e que perseguisse o advogado quando ele descobriu todos os podres dele. (Revela).

 

Cena 10 – Santa Casa de Guararema [Interna/Tarde]

Música da cena: Best Part – Daniel Caesar, H.E.R.

(O carro de Fernanda dirigia adentrou na cidade de Guararema enquanto ela estava fascinada com a beleza natural da cidade. Ao chegar no hospital, ela logo tratou de estacionar o automóvel em uma das vagas).

 

FERNANDA: (Entra no hospital e vai até a recepção) Bom dia! Eu sou a jornalista que estão esperando. Vim fazer uma matéria sobre a inauguração do espaço oncológico infantil.

RECEPCIONISTA: Claro, já estávamos lhe esperando. Aguarde um momento enquanto aviso a assistente social.

FERNANDA: Tudo bem, eu aguardo. (Responde de maneira gentil).

 

Cena 11 – Umbu-Cajá, Restaurante Nordestino [Interna/Noite]

Música da cena: Me Leva – Alice Caymmi

(O DJ tocava enquanto os convidados dançavam na pista de dança, incluindo os noivos. Garçons serviam as mesas com os convidados na festa de casamento de Maria Rita e Marcelo. Betinha estava inquieta após a conversa que havia escutado entre Tamara e Evandro).

 

RAFAEL: Que cara é essa? Aconteceu alguma coisa? (Questiona enquanto dança com Betinha).

BETINHA: (Observa Tamara caminhando em direção ao banheiro feminino) Nada não, amor. Apenas fiquei emotiva com tudo o que aconteceu hoje!

RAFAEL: Você deveria ter ido visitar a sua mãe com o meu tio. Ela podia ter morrido, até quando você vai continuar com esse orgulho?

BETINHA: Eu vou até o banheiro, me espera aqui, eu não demoro. (Beija Rafael e o deixa sozinho em seguida).

(Betinha se aproxima do banheiro quando outra convidada sai de lá. Ao adentrar, percebe que está sozinha com Tamara, que por sua vez está dentro de uma das cabines).

TAMARA: (Sai da cabine e dá e cara com Betinha parada ao lado da porta) Nossa, que susto. Não sabia que você estava aí!

BETINHA: (Tranca a porta com a chave).

TAMARA: Ué, porque você está trancando a porta, amiga? (Vai até a pia lavar as mãos para disfarçar).

BETINHA: Porque eu não quero que ninguém atrapalhe o nosso ajuste de contas.

TAMARA: Ajuste de contas? Do que você está falando, Betinha? Não é de hoje que eu estou sentindo que você está agindo de uma forma muito estranha comigo. Aconteceu alguma coisa?

BETINHA: Do que eu estou falando? Da ligação que você fez para passar o serviço ao Evandro hoje cedo. Eu ouvi cada palavra, não foi ninguém que me contou. Vai negar?

TAMARA: Evandro? Amiga, você deve ter ouvido mal. Eu estava falando com outra pessoa! (Responde enquanto seca as mãos).

BETINHA: Eu te conheço desde criança para te dizer na cara que você mente muito mal, Tamara. Meu Deus, como eu fui idiota em acreditar que você cruzou o país para vir atrás da gente por amor, por carinho. Era tudo por interesse, não era? Você veio por conta do dinheiro da Luiza Helena e pelo o que o Evandro deve está te proporcionando, não é?

TAMARA: Amiga, agora chega! Me dá essa chave, eu quero sair desse banheiro. Agora! (Grita).

BETINHA: Não me chame de amiga, sua falsa! Confessa que você está mancomunada com o Evandro, confessa! (Diz aos gritos).

TAMARA: (Respira fundo e por fim, revela sua verdadeira face) Está bem, foi você quem pediu! Eu não vim mesmo para cá por conta da nossa amizade, na verdade não acho que vocês mereçam a boa vida que tem, eu te acho sonsa, sem graça... Nem com o Rafael você combina, aposto que eu seria muito mais mulher pra ele do que você jamais foi e jamais será.

BETINHA: (Acerta um tapa na cara de Tamara com força).

TAMARA: (Encara Betinha com a mão no rosto, onde Betinha acabara de esbofetear) Você acha que eu vou aceitar isso também? Você está enganada, sua cretina. Você não vai me bater e vai ficar por isso mesmo, toma! (Devolve o tapa).

BETINHA: Toma você, sua mentirosa! (Revida com um tapa ainda mais forte, fazendo com que Tamara caia no chão).

TAMARA: Não se atreva voltar a me tocar de novo, se não eu começo a gritar.

BETINHA: Grita, pode gritar à vontade. Com essa música alta, ninguém vai te ouvir. Eu vou te ensinar o que acontece a pessoas ordinárias como você! (Em seguida, Betinha parte para cima de Tamara).

(Betinha e Tamara rolam pelo chão do banheiro enquanto brigam, porém Betinha leva a melhor. Entre bofetadas e puxões de cabelo, Betinha rasga o vestido da Tamara).

BETINHA: (Levanta-se do chão cansada e ofegante, em seguida olha-se no espelho e arruma o cabelo) Sabe Tamara, dizem que violência não é o mais recomendado, mas tem horas que a gente perde a cabeça. Sinto que não deveria ter sujado as minhas mãos com esse seu perfume barato e vulgar, mas só de saber que o Evandro está prestes a cair e que você vai afundar junto, já me fez valer a pena. (Retoca o batom).

TAMARA: (Com o rosto marcado, cabelo assanhado e o vestido rasgado deixando sua lingerie à mostra, Tamara sentou-se no chão do banheiro).

BETINHA: Eu vou abrir a porta agora e voltar para a festa. Ah e antes que eu me esqueça, lembranças ao Evandro... Amiga! (Diz em tom irônico. Em seguida, chuta Tamara, atravessa o banheiro e abre a porta, deixando Tamara sozinha).

TAMARA: (Levanta-se e se encara no banheiro, limpando o rosto, visivelmente irritada).

 

Cena 12 – Delegacia [Interna/Noite]

(Após deixar Caruso em uma cela após o depoimento de confissão de todos os seus crimes, Eriberto retornou para a sala de Raquel).

 

DELEGADA RAQUEL: E então? Como foi? (Pergunta ao avistar Eriberto entrar em sua sala).

INSPETOR ERIBERTO: Coloquei ele em uma cela separado, do jeito que os outros presos ficaram eufóricos com a chegada dele, o Caruso não iria durar mais que uma noite detido.

DELEGADA RAQUEL: Fez muito bem, inspetor. O réu será muito útil para o júri! Agora mudando de assunto, sabe o que é isso que eu tenho nas mãos? (Questiona erguendo um documento).

INSPETOR ERIBERTO: Não acredito! É o que estou pensando?

DELEGADA RAQUEL: Eu mexi os meus pauzinhos. Fiz uma ligação aqui, outra ali e consegui em caráter de urgência esse mandado de prisão, já podemos colocar as mãos em Evandro Britto e vai ser agora! (Afirma eufórica).

 

Cena 13 – Santa Casa de Guararema [Interna/Noite]

(Acompanhada da assistente social do hospital, Fernanda conhecia as alas da Santa Casa enquanto as duas conversavam).

 

ASSISTENTE SOCIAL: Quando o César me ligou dizendo que mandaria uma jornalista para fazer uma matéria sobre a ala de oncologia recém-inaugurada, eu não imaginei que fosse uma menina tão jovem.

FERNANDA: Pois é, mas eu posso garantir que apesar da pouca idade, eu prezo muito o que faço e tenho verdadeira paixão pelo jornalismo. Asseguro que farei o meu melhor com relação a matéria que sairá no Diário de Notícias.

ASSISTENTE SOCIAL: Tenho certeza que sim! Temos uma parceria de longa data com o jornal do César, se ele lhe recomendou, tenho certeza que você é extremamente competente. Já estamos chegando na ala oncológica.

(Após conhecer várias salas, Fernanda percebe que a assistente social ainda não havia lhe mostrado uma elas).

FERNANDA: E essa sala aqui? Você não me mostrou o que tem nela? (Questiona).

ASSISTENTE SOCIAL: É verdade, com a conversa eu acabei me distraindo. Venha comigo! (Diz ao abrir a porta e adentrar no quarto coletivo).

FERNANDA: (Segue a assistente social pelo quarto onde estão diversos pacientes).

ASSISTENTE SOCIAL: Essa ala comporta pacientes sem família, como pode ver boa parte está aqui há algum tempo, não recebem visitas e permanecem aqui até ter alta, depois são direcionados até um abrigo do governo. Agora podemos voltar para a ala oncológica. (Retorna para a saída).

FERNANDA: É claro, podemos sim! (Fernanda vai atrás da assistente social).

(De repente Fernanda para de caminhar e fica estática).

ASSISTENTE SOCIAL: Algum problema, Fernanda?

FERNANDA: Eu tive impressão de ter visto alguém conhecido.

ASSISTENTE SOCIAL: Algum conhecido, nessa ala? (Estranha).

FERNANDA: (Caminha apressada e vai até a cama. Ao se aproximar, fica completamente chocada com o que acabara de ver) Meu Deus, eu não posso acreditar no que os meus olhos estão vendo!

ASSISTENTE SOCIAL: (Aproxima-se de Fernanda) Você conhece ele? (Pergunta se referindo ao paciente que Fernanda observa incrédula).

(Neste momento, podemos notar que o paciente que dorme em um dos leitos é Ângelo).

FERNANDA: Conheço sim! (Responde emocionada).

 

Cena 14 – Na Boca Do Povo, Redação [Interna/Noite]

(Sozinho na revista por conta do horário, Evandro esvaziava o cofre com dinheiro na sala da presidência, ele estava optando por se prevenir caso alguma coisa lhe acontecesse).

 

EVANDRO: (Coloca o dinheiro em uma maleta).

DELEGADA RAQUEL: Vai a algum lugar, Evandro? (Questiona parada na porta ao lado de Eriberto).

EVANDRO: Não, eu apenas estou organizando algumas coisas. A que devo a honra da visita? (Responde pousando a maleta no chão).

INSPETOR ERIBERTO: Sério que você não sabe?

EVANDRO: Claro que não! Eu sou um homem idôneo, trabalhador e presidente de uma revista tradicional brasileira, patrimônio da cultura paulistana e há anos no mercado.

DELEGADA RAQUEL: Está bem, Evandro. Se você prefere assim, vamos dar uma voltinha? Temos um mandado de prisão contra você, faça o favor de nos acompanhar e lembre-se, tudo o que você fizer ou disser será usado contra você! (Diz ao algemar Evandro).

 

A imagem foca em Evandro algemado. A cena congela e vira uma capa de revista.


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