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Destinos Ligados (Reprise) - Capítulo 01

 


Capítulo 01:

 

São Paulo – 2019.

Cena 01 – Espaço Arca, Vila Leopoldina [Interna/Noite]

Música da cena: Agora Só Falta Você – Sky e Anne Jezini

 

(Os modelos da Paradise Models desfilam na semana de moda paulistana São Paulo Fashion Week, enquanto Malu é entrevistada por um grupo de jornalistas e fotografada nos bastidores do evento).

 

JORNALISTA 01: Malu, uma palavrinha, Malu... (O jornalista tenta chamar a atenção de Malu, que já está sendo entrevistada por outro).

JORNALISTA 02: Estamos aqui com ela, Malu Germai, considerada a imperatriz do mundo da moda, ela quem lançou diversas celebridades para as passarelas de todo o mundo. O que você está achando dessa noite, Malu? 

MALU: Estou muito feliz com o resultado dessa primeira noite do Fashion Week, é engrandecedor ver como a moda evolui e como a minha agência acompanhou essa evolução, não buscando apenas o melhor, mas preocupada com a sociedade em não estereotipar corpos, abaixo aos padrões, todos os corpos são lindos e essa beleza plural que procuramos trazer ao mundo da moda.

JORNALISTA 01: Malu e o que mais te inspira a pensar assim? Seria o seu passado humilde? Uma empresária que começou debaixo e nunca se deixou afundar pela crítica?

MALU: É... (Malu fica estática ao recordar o passado).

 

Primeira Fase / Cidade de Cunha – Interior de São Paulo – 1993.

 

Cena 02 – Praça do Coreto [Externa/Dia]

 

(Malu estava sentada num banco da praça folheando uma revista de modas enquanto aguardava alguém).

 

IGOR: Adivinha quem é? (Perguntou Igor, cobrindo os olhos de Malu).

MALU: O amor da minha vida! (Responde Malu para logo em seguida beijá-lo). Precisamos conversar, tenho algo para contar.

IGOR: O que houve amor? É sobre aquilo? Ainda não veio?

MALU: Não. Estou apavorada, com muito medo. A minha mãe vai me matar, ela jamais vai aceitar que fiquemos juntos. Ela quer que eu me case com o César, filho do coronel, mas eu não o amo, não me importo com o dinheiro e que sejamos pobres, eu quero ficar com você, eu quero amar e ser amada, só isso.

IGOR: Acalme-se. Eu não vou abandonar você, se você estiver realmente grávida, eu vou cuidar de você e do nosso filho, nada faltará aos dois, eu juro.

 

Cena 03 – Casa de Marlene [Interna/Noite]

 

MARLENE: O que está acontecendo Maria Lúcia? Você mal tocou no jantar.

MALU: Nada mamãe, não está acontecendo nada. (Malu disfarça enquanto desliza o garfo pelo prato).

MARLENE: Tem certeza? Há dias estou notando você meio abatida. Aposto que andou comendo aquelas porcarias na rua, dá nisso. Já te falei para não sair comendo essa comidinha de gentalha na praça, esses imundos nem sequer higienizam as mãos para cozinhar, deve estar com uma infecção ou algo do tipo... 

MALU: Não mãe, eu não tenho nada. Que coisa! (se aborrece). 

MARLENE: Tá nervosa... Bem, eu fiz sua sobremesa favorita, quem sabe isso não te anima? Doce de jaca! 

MALU: Vou vomitar! (Malu coloca a mão na boca e corre em direção ao banheiro para vomitar).

 

ALGUNS MINUTOS DEPOIS...

 

MALU: Ai, mãe... Que susto! (Malu dá de cara com Marlene ao abrir a porta do banheiro).

MARLENE: Diz que não é o que eu estou pensando, Maria Lúcia, diz!

MALU: Eu não sei do que a senhora está falando. (Disfarça). Deve ter sido o pastel que comi de tarde na pracinha, como a senhora falou. 

MARLENE: Você tá grávida, Maria Lúcia?

MALU: Que absur...

MARLENE: Me responde garota! (Marlene agarra Malu violentamente pelos braços). Diz pra mim que você não cometeu a estupidez de engravidar agora, diz!

MALU: Tá bem! (Grita). Eu estou grávida.

MARLENE: (Solta Malu) Grávida? Grávida... É do César? Claro que é... Mas isso é ótimo. Vamos apressar o casamento, vamos fazer com que ele compre uma boa casa, vamos ficar ricas e depois...

MALU: Não é do César! (Malu interrompe a euforia de Marlene).

MARLENE: Não é do César? De quem é então?

MALU: Do Igor...

MARLENE: Igor? O filho do padeiro? Você quer me dizer que cometeu a burrice de se envolver com o filho do padeiro e ficou grávida dele?

MALU: Ele vai assumir, ele disse que vai se casar comigo, que vamos... (Malu não consegue terminar, pois é interrompida por sua mãe, que a esbofeteia).

MARLENE: Você não vai ter esse filho. Mais alguém está sabendo dessa sua burrada?

MALU: A senhora ficou maluca? É claro que eu vou ter o meu filho. O Igor já sabe e virá falar com a senhora, vamos ficar juntos. Eu não quero me casar com o César, eu não o amo. 

MARLENE: (Dá outra bofetada em Malu) Você é uma pobre idiota que não sabe o que diz. O que está esperando? Que vai se casar, ter uma linda criança e ser feliz para sempre? Claro que não, minha querida. O final dessa história vai muito além disso, você vai ter uma penca de crianças, vai viver suja, descabelada e ficar numa cozinha de padaria, se acabando enquanto seu marido não cresce e vocês passam necessidades, acorda sua idiota! (Grita). Precisamos corrigir isso!

MALU: Eu já disse que não vou fazer um aborto.

MARLENE: Vem aqui... (Marlene arrasta Malu para o quarto). Você vai ficar aqui até amanhã, pensando na burrada que você fez enquanto eu decido o que farei com você.

MALU: A senhora vai me trancar? Não pode fazer isso, mamãe. O Igor está esperando uma resposta, ele precisa acertar tudo...

 

(Marlene tranca Malu no quarto e vai para a sala, onde permanece inquieta sentada no sofá, com um ar de mistério).

 

Cena 04 – Casa Santa Clara [Interna/Manhã]

 

(Irmã Felícia estava arrumando alguns livros na prateleira, quando ouviu o telefone tocar).

 

IRMÃ FELÍCIA: Casa Santa Clara, bom dia. (Respondeu a freira ao atender o telefone). Sim, temos vagas. Podemos ajudar com toda a certeza, não se preocupe com esses detalhes, somos altamente sigilosos e optamos pelas melhores alternativas. Sim, entendo perfeitamente. Fica combinado então, estarei aguardando vocês aqui nos próximos dias.

 

Cena 05 – Casa de Marlene [Interna/Manhã]

 

(Marlene caminha em direção a porta, pois alguém está batendo)

 

MARLENE: Você! Eu sabia que viria. (Diz Marlene ao abrir a porta e se deparar com Igor).

IGOR: Desculpe a hora, chegar assim sem ser avisado... Acontece que precisava falar com a senhora.

MARLENE: Não precisa de rodeios rapaz, já estou sabendo de tudo, a minha filha me contou. Que bom que tudo se resolveu e que ela colocou a cabeça no lugar, tomando a melhor decisão.

 IGOR: A senhora já sabe de tudo? Que bom que a senhora nos aceita. Eu prometo que vamos agilizar todos os tramites para...

 MARLENE: Você não está me entendendo bem, rapaz! (Marlene interrompe). A minha filha vai se casar sim, mas não é com você.

 IGOR: Como assim?

MARLENE: A minha filha viajou ontem para São Paulo com o noivo, os dois resolveram antecipar o casamento e ficarão por lá mesmo. Eu também devo ir nos próximos dias. Espero que você supere essa história inconsequente que tiveram e siga seu rumo. Só que antes, preciso te entregar isso aqui... (Marlene pega um envelope que está sob a mesa). Maria Lúcia deixou essa carta para você, agora se me permite tenho algumas coisas para fazer, com licença. (Marlene fecha a porta na cara de Igor).

 

(Igor anda desnorteado pelas ruas com a carta, quando de repente senta em uma calçada, toma coragem e abre o envelope).

 

IGOR: (Abre o envelope e começa a ler a carta).

 

“Igor, enquanto você está lendo essa carta nesse momento, significa que estou seguindo a minha vida. Resolvi optar pelo acordo que minha mãe tinha feito e me casarei com o César, essa é a melhor escolha que fiz. Quanto a gravidez, resolvi interromper, aproveitei que ainda está no início e cuidarei desse assunto indesejado quando chegar em São Paulo. Queria uma aventura e consegui ao te encontrar, espero que você seja feliz, pois seguirei em frente com a minha vida, ao lado de um homem de verdade, que pode me dar tudo o que eu mereço, coisa que você jamais seria capaz. Adeus, Maria Lúcia”.

 

(Igor se levanta com lágrimas nos olhos e anda sem rumo, ainda em choque com as palavras de Malu).

 

Cena 06 – Casa de Marlene (Quarto de Malu) [Interna/Manhã]

 

(Marlene abre a porta do quarto da filha e se depara com ela sentada na cama, com olheiras e um pouco despenteada, com aparência de quem não dormiu toda a noite).

 

MALU: Mãe! Eu preciso sair, o Igor está me esperando... O que ele deve estar pensando? Nós havíamos combinado de nos encontrar e conversar juntos com a senhora sobre a nossa situação.

MARLENE: (Abre a porta do guarda roupa, retira uma mala, estende sobre a cama e começa a colocar as roupas de Malu dentro dela).

MALU: Mas o que a senhora está fazendo? Não ouviu o que eu disse? Mãe! (grita).

MARLENE: Você é burra, garota? Ainda não entendeu? Eu já corrigi parte da sua burrada. Não tem mais Igor, nunca deveria ter tido. Eu já dispensei aquele paspalho, você está indo fazer uma viagem agora, uma longa viagem.

MALU: Viajar? Eu não vou viajar, a senhora ficou fora de si.

MARLENE: (Fecha a mala de Malu e encara a filha, sorrindo com ironia) Pobre idiota! O que está pensando? Que vai se envolver com o filho do padeiro, ficar grávida e estragar todos os meus planos? (Segura com força o braço de Malu). Eu não estou sugerindo uma viagem de férias, não estou dando opções. Você vai e pronto, vamos! (Marlene arrasta Malu com uma das mãos, enquanto carrega a mala com a outra).

 



Cena 07 – Hospital Geral de Alagoas [Interna/Manhã]

 

Maceió, Alagoas.

 

(Francisco, médicos e enfermeiros corriam pelo corredor do hospital geral empurrando uma maca carregando Rosana)

 

ROSANA: Eu não quero perder o meu filho, eu não quero perder de novo! (Rosana chorava compulsivamente enquanto se contorcia de dor, seu semblante era de terror).

ENFERMEIRA: Paciente grávida de vinte e três semanas, fortes dores abdominais e uma intensa hemorragia.

MÉDICO: Precisamos identificar a origem do sangramento e levá-la para a ultra, precisamos checar a situação fetal. O senhor não pode passar daqui! (O médico orientou Francisco, que a essa altura já estava diante da sala de exames). Eu entendo a sua aflição de pai e marido, mas peço que confie em nosso trabalho, faremos o possível para salvar os dois.

 

(Francisco permaneceu aguardando na sala de espera, andou de um lado para o outro, encarou o relógio diversas vezes e o médico não havia vindo dar um parecer da situação de saúde de Rosana e o bebê).

 

FRANCISCO: Que demora, eu vou enlouquecer sem notícias! (A essa altura, Francisco já falava sozinho consigo mesmo).

MÉDICO: (Sai de uma das salas com um olhar sombrio).

FRANCISCO: Como eles estão? O que está acontecendo? Já faz horas que eles estão lá dentro.

MÉDICO: Infelizmente as notícias que eu trago não são boas, a sua esposa perdeu o bebê, não haviam batimentos cardíacos.

FRANCISCO: (Chora).

MÉDICO: Francisco, olha pra mim! Você precisa ser forte, quando a Rosana acordar ela vai precisar de você forte, para que ela possa superar essa perda. Talvez seja o momento que vocês devam repensar o método de conceber um bebê, existem outras maneiras de vocês se tornarem pais. Esse é o terceiro aborto em um ano e meio. Eu sei que vocês querem muito ser pais, mas isso vai acabar matando-a. Outra hemorragia como essa pode ser fatal!

FRANCISCO: (Observou o que o médico lhe disse atentamente com lágrimas nos olhos, tentando se recompor).

 

Cena 08 – Casa Santa Clara (Palmeira dos Índios - AL) [Externa/Manhã]

Dias depois... 

(Um táxi estaciona na porta de um casarão antigo, de muros extremamente altos).

 

MALU: Que lugar é esse? Mãe, isso é sequestro. A senhora não deu uma palavra o caminho inteiro, o que vai fazer comigo? Que lugar é esse?

MARLENE: Sequestro? (Sorri). Querida, eu sou a sua mãe, não posso te sequestrar.

IRMÃ FELÍCIA: (Abre o portão e caminha em direção ao táxi) Bom dia Dona Marlene! É ela, não é? (pergunta olhando pela janela do táxi).

MALU: A senhora conhece essa freira? Que lugar é esse, mamãe?

MARLENE: Você logo verá, tome sua mala, desça. (Marlene empurra Malu de modo que ela não tenha alternativa a não ser descer).

MALU: A senhora não vai descer? (Questiona amedrontada com feição de que está pressentindo o que vai acontecer).

MARLENE: Vou... (Marlene fecha a porta do táxi), mas não agora, só daqui nove meses, quando se livrarem do meu problema!

MALU: Como assim? Mamãe, a senhora não pode dizer isso. É de uma vida que estamos falando, é seu neto.

MARLENE: Realmente, não posso dizer isso. O correto seria: O problema é seu e não meu. Até alguns meses querida! (Acena). Vamos moço, para a rodoviária sem perder tempo!

MALU: Não! (Grita, enquanto começa a bater na porta do carro que começa a se movimentar). A senhora não pode me deixar aqui, mãe!

 

(O carro se afasta em alta velocidade)

 

IRMÃ FELÍCIA: Bom, agora que você já fez esse showzinho deprimente, precisamos entrar. Aqui nós temos horários e seguimos com muita disciplina.

MALU: Eu não vou a lugar algum, eu vou embora agora mesmo!

IRMÃ FELÍCIA: Seguranças! (Grita a freira, atraindo a atenção de dois homenzarrões que saem de dentro do casarão e seguram Malu). Pelo o que vejo, essa mocinha que acabou de chegar vai nos dar muito trabalho, porém iremos domá-la. Levem-na para dentro!

 

(Os seguranças carregam Malu por um extenso corredor, vazio e silencioso enquanto algumas freiras a observam. Malu grita e tenta se desvencilhar dos seguranças, porém eles são mais fortes e continuam segurando-a. Um dos seguranças abre uma das portas e lança dentro quarto com muita violência e por conta disso, Malu vai ao chão).

 

MALU: O que vocês vão fazer comigo? (Malu chora enquanto continua ao chão).

IRMÃ FELÍCIA: Vejo que a sua mãe não te educou muito bem e também não te contou onde você está. Esta casa recebe moças como você, que deram um mau passo. Aqui você permanecerá durante a gravidez e depois...

MALU: Depois... O que acontece depois?

IRMÃ FELÍCIA: Depois nos livramos da criança. Damos para adoção, vendemos para algum casal mais necessitado, se é que me entende! (Conclui).

MALU: (Observa a freira incrédula e horrorizada com o que acabara de ouvir).

IRMÃ FELÍCIA: Bom, agora que estamos esclarecidas e você já se prestou a esse papelão, uma irmã trará alguns lençóis e toalhas limpas, o almoço será serviço ao meio dia, não se atrase. Você não quer ser uma gestante sem almoço, quer?

 MALU: Não senhora.

IRMÃ FELÍCIA: Ótimo, se você se comportar desse jeito, iremos nos entender muito bem. Te vejo no refeitório, esteja lá na hora acordada. (Sai do quarto, deixando a porta entre aberta).

 

(Irmã Fátima entra sem ser vista e sem fazer barulho)

 

IRMÃ FÁTIMA: Não chore, minha querida. Levante-se do chão, eu me chamo Fátima e vou te ajudar a ter uma estadia mais amena nesse local.

MALU: Eu não quero entregar meu filho, o pai sequer imagina que estou aqui. Ele quer assumir, casar comigo, minha mãe está fazendo isso em nome de sua ambição. (Responde enquanto se levanta com ajuda da irmã).

IRMÃ FÁTIMA: Vamos ter muito tempo para conversar nos próximos meses. Agora você deveria tomar um banho, trocar de roupas e se recompor até a hora do almoço. Lá atrás tem um pátio com outras moças, você pode ir até lá e conversar com quem quiser. Não fique triste, tudo vai ficar bem!

 

Cena 10 - Jardim – Casa Santa Clara [Externa/Tarde]

(A tarde chegou e estava bem ensolarada. As grávidas caminhavam pela propriedade na área de convivência. Depois de algumas horas, Malu ainda continuava estarrecida com tudo o que havia lhe acontecido).

 

 

IRMÃ FELÍCIA: Bom, agora você já está mais tranquila e aproveitando o sol do fim de tarde, cheque sua agenda com a Irmã Fátima, temos médicos especialistas que farão seu pré-natal. Não é proibido que se relacione com as outras moças, pode se enturmar, afinal... Você vai passar muito tempo aqui.

 

(Irmã Felícia atravessou todo o pátio, até entrar na casa).

 

MALU: Oi! (Disse ao se aproximar de uma moça sentada num dos bancos do grande jardim da Casa Santa Clara, era Amélia, que estava a tricotar).

AMÉLIA: Oi, você é nova aqui, não é? É a primeira vez que te vejo aqui. O meu nome é Amélia, e o seu?

MALU: Meu nome é Maria Lúcia, mas todos me chamam de Malu, cheguei há poucos dias. Com quanto tempo você está?

AMÉLIA: Quase seis, é um menino. E você?

MALU: Estou com quase três, ainda não passei num médico para acompanhar, sabe? Como você veio parar aqui?

AMÉLIA: A minha história não é muito diferente das outras moças que estão aqui. O meu pai é candidato a prefeito na minha cidade, acha que seria viável para os interesses políticos dele uma filha grávida e abandonada pelo namoradinho? Ele me jogou aqui e fez toda cidade acreditar que fui estudar na Suíça, ele disse que é mais elegante. (As duas permanecem em silêncio por alguns segundos).

MALU: Meu caso é um pouco diferente, é quase um sequestro. Minha mãe queria que eu me casasse com um homem rico, mas eu me apaixonei por um que era pobre, mas incrível e muito honesto, ele quer esse filho tanto quanto eu e quer casar comigo. Minha mãe ficou enlouquecida quando soube da minha gravidez e me trouxe para cá, sem sequer me dizer para onde estávamos vindo e agora estou aqui, incomunicável, sem saber como estão as coisas e o que o Igor está pensando.

 

Cena 11 - Rodoviária [Interna/Noite]

 

(Igor estava sentado num banco da rodoviária, enquanto encarava sua passagem e pensava em Malu)

 

- Passageiros com destino a Santa Catarina, embarque pela plataforma dezenove em dez minutos. (A voz saía de uma caixa de som próxima ao teto).

 

IGOR: É, você me deixou, preferiu casar com outro só por conta do dinheiro, esqueceu do amor que tínhamos e matou o nosso filho. (Igor fala enquanto olha foto de Malu que tirou da carteira). Eu não consigo te odiar mesmo com tudo isso, mas eu também preciso seguir minha vida.

 

(Igor recolhe a mochila, coloca nas costas e caminha em direção a plataforma de embarque sem olhar para trás).

 

Cena 12 - Consultório Médico (Casa Santa Clara) [Interna/Tarde]

 

MÉDICA: Vejamos o que temos aqui... (A médica acabara de colocar gel na barriga de Malu e começa a realizar o primeiro exame de ultrassonografia, até ficar em silêncio).

MALU: O que foi doutora? Tem alguma coisa errada com o bebê? Ele está bem?

MÉDICA: Está sim. (Vira o monitor de modo que Malu consiga ver). Está vindo isso aqui? Este é o coração do seu bebê...

MALU: Sim, eu consigo ver.

MÉDICA: Isso aqui, é o outro coração. Você está grávida de gêmeas univitelinas, idênticas!

MALU: Gêmeas? Eu vou ter gêmeas? (Se surpreende).

  

A imagem foca no rosto de Malu, a cena congela e o capítulo encerra ao som de uma câmera fotografando.



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