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Destinos Ligados (Reprise) - Capítulo 02

 


Capítulo 02:


Cena 01 - Consultório Médico (Casa Santa Clara) [Interna/Tarde]

(Apesar do susto após saber que estava esperando dois e não apenas um bebê, Malu havia ficado encantada com a notícia).

 

 

MALU:  Meu Deus, que benção... Duas menininhas! (Disse emocionada).

MÉDICA: Não fui clara? Não ouviu querida? (A médica limpa o abdômen de Malu e retira as luvas). Acabamos por aqui, você pode pedir para que a próxima paciente entre, por gentileza? (Disse com certa rispidez).

MALU: (Levanta-se da maca e vai embora sorridente).

 

Cena 02 – Casa de Rosana e Francisco [Interna/Tarde]

 

FRANCISCO: Não deveríamos ter voltado para casa hoje, o médico só iria te liberar amanhã. (Francisco apoia Rosana e ajuda a sentar num sofá).

ROSANA: E o que queria que eu fizesse? Aquele lugar estava me deprimindo, me enlouquecendo. Eu não conseguia parar de pensar no que aconteceu. Como acha que estou me sentindo? Eu me sinto impotente, incapaz. Nem um filho eu consigo te dar, esse foi o terceiro que perdi, fico me perguntando a Deus que mal eu fiz para pagar na terra dessa forma, eu só queria ser mãe.

FRANCISCO: Jamais volte a repetir isso, você é uma mulher incrível. Se você quer tanto me dar um filho, existem outros meios, nós podemos adotar e amar uma criança da mesma forma, pois amor não falta no nosso lar. (Beija Rosana). Eu te amo!

 

Cena 03 – Casa Santa Clara [Externa/Tarde]

 

Meses Depois...

 

MALU: (Caminhava apressada com a mão na barriga, enquanto atravessava o pátio em direção ao interior da casa) Irmã Fátima, Irmã Fátima! (grita).

IRMÃ FÁTIMA: Menina, olha o tamanho da sua barriga, você não deveria correr no seu estado. Qual o motivo desse nervosismo?

MALU: A Amélia, a bolsa dela estourou, ela está sentindo muitas dores. Eu acho que o bebê vai nascer, venha comigo! (Malu e Irmã Fátima caminham apressadamente em direção do local onde Amélia está).

 

(Amélia começa a dar à luz ao seu filho, enquanto Malu e Irmã Fátima rezam na capela)

 

IRMÃ FÁTIMA: Ave Maria cheia de graça, o senhor é convosco...

MALU: Bendito é o fruto do vosso ventre Jesus... (Continua a oração).

 

(Na sala de parto)

 

AMÉLIA: (Grita quando sente uma nova contração, em uma das mãos segura um sapatinho de crochê que fez para o filho).

MÉDICA: O bebê está quase nascendo, as contrações estão intensas e a dilatação está total, a próxima contração que sentir, faça força para baixo. Vamos lá!

AMÉLIA: (Sente uma nova contração e empurra, como a médica pediu).

 

(Na capela)

 

IRMÃ FÁTIMA: Santa Maria mãe de Deus, rogai por nós pecadores...

MALU: Agora e na hora de nossa morte, amém... (Conclui, nesse momento um vento percorre toda a capela e apaga a chama das velas).

 

(Na sala de parto)

 

MÉDICA: Nasceu! (A médica corta o cordão umbilical enquanto a criança chora).

AMÉLIA: Meu filho, ele está bem? Deixe-me segurá-lo, eu quero vê-lo, eu quero tocar, beijar... (Amélia sente a vista embaçar).

MÉDICA: Enfermeira, leve o menino! (A médica entrega o bebê a uma enfermeira envolto numa manta, ainda sujo do sangue de Amélia). Você sabe o protocolo querida, não se pode ter contato com a criança.

AMÉLIA: Meu filho, eu preciso ver o meu filho... Meu filho... (As palavras começam a desaparecer junto da voz de Amélia). Meu... Filho... (Amélia desfalece, deixando o sapatinho que segurava cair)

 

Cena 04 – Casa Santa Clara [Interna/Manhã]

 

Dias depois...

 

(Malu observava carros partirem pela janela, enquanto chovia intensamente numa manhã sombria de inverno).

 

IRMÃ FÁTIMA: Os pais de Amélia acabaram de partir. A pobre mãe dela estava desconsolada, já o pai parecia mal se importar, tampouco quis se despedir da filha, se recusou a levar o corpo e lhe dar um enterro junto ao seio familiar, eu vi quando entregou uma grande soma em dinheiro para a Irmã Felícia e disse para ela se livrar do corpo e que na cidade diria que a filha tinha morrido num acidente aéreo.

MALU: (Permanece observando a chuva através da janela) Eu não quero esse final para a minha história...

IRMÃ FÁTIMA: O que disse?

MALU: Esse final, a Amélia seria uma mãe incrível e sequer pôde conhecer o filho. Morreu e seu corpo foi deixado para trás, ficando para um passado que fazem questão de esquecer. Eu nunca quis vir para esse lugar, eu não tenho vergonha da minha gravidez e o pai das minhas filhas jamais me abandonou, pelo contrário, ele queria esse filho tanto quanto eu. Tenho certeza que o Igor não me esqueceu e permanece me procurando até hoje.

IRMÃ FÁTIMA: Você ama mesmo esse rapaz, não é?

MALU: Eu tomei uma decisão irmã e vou precisar da sua ajuda.

IRMÃ FÁTIMA: Decisão? Qual foi minha filha?

MALU: Eu não vou entregar as minhas filhas, eu vou fugir com elas, preciso que me ajude a fugir.

IRMÃ FÁTIMA: Fugir? Mas isso é uma loucura menina. Jamais uma moça conseguiu escapar desse lugar, muito menos não entregar a criança.

MALU: (Se aproxima de Irmã Fátima e segura suas mãos) Por isso mesmo, a senhora precisa me ajudar, eu não quero perder as minhas filhas, sem elas eu morreria. Eu até já escolhi os nomes dela, eu vou fugir e procurar o Igor, juntos nós iremos para outro lugar e teremos elas bem longe daqui.

IRMÃ FÁTIMA: Não sei se isso é uma boa ideia, me parece muito arriscado. (Senta na cama de Malu).

MALU: (Senta ao lado da Irmã) E é arriscado, eu sei. A senhora tem o coração bom, nobre, eu tenho a certeza disso. A senhora concorda mesmo como que fazem com essas moças nesse lugar? Não existe uma crueldade como essa, se livrar de uma criança como se fosse um objeto, eu amo as minhas filhas e quero ficar com elas.

IRMÃ FÁTIMA: Não, eu não concordo. A Irmã Felícia ameaça todas as irmãs desse lugar, vivemos isoladas nesse fim de mundo e somos obrigadas e acobertar essas barbaridades. Tudo bem, eu não sei como, mas irei te ajudar... Que Deus nos ajude!

MALU: (Abraça Irmã Fátima) Obrigada, a senhora não vai se arrepender.

IRMÃ FÁTIMA: Assim eu espero, mas fiquei curiosa... Qual nomes você escolheu?

MALU: Os nomes das bonecas que tinha quando era criança, Ingrid e Isabela.

 

Cena 05 - Padaria [Externa/Tarde]

 

(Marlene caminhava em direção a padaria onde Igor trabalhava, que atualmente era administrada por um parente distante).

 

MARLENE: Boa tarde, me vê duas baguetes de pão francês por favor.

PADEIRO: Boa tarde senhora, pode deixar. Estão fresquinhas, acabaram de sair do nosso forno, eu vou pegar.

MARLENE: Escuta, você tem notícias daquele rapaz que trabalhava aqui? É que minha filha e ele eram muito amigos, desde que ela se casou e foi viver em outra cidade, eles perderam o contato.

PADEIRO: Ele está muito bem, acabei de receber essa carta dele com algumas fotos, esteja lendo bem na hora que a senhora chegou.

MARLENE: Ah, que jóia. Posso dar uma olhada nessas fotografias?

PADEIRO: (Faz um sinal com a cabeça, consentindo que Marlene olhe as fotografias).

MARLENE: Ele está estudando? Que coisa boa. E essa moça que está com ele em várias fotos? É namorada dele?

PADEIRO: Sim, ele disse na carta que conheceu essa moça na faculdade e que eles estão se conhecendo. (Entrega a sacola com os pães).

MARLENE: Que notícia maravilhosa, fico muito feliz por ele. Posso ficar com uma fotografia dessas? Ele mandou tantas, tenho certeza de que a minha filha ficará muito feliz em ter notícias dele.

PADEIRO: Pode ficar sim.

MARLENE: Obrigada pelos pães e pela foto, pode ficar com o troco. (Diz Marlene ao pagar).

 

Cena 06 – Casa Santa Clara [Interna/Noite]

 

Uma semana depois...

 

(Malu havia começado a organizar seus objetos pessoais que iria levar na fuga)

 

IRMÃ FÁTIMA: (Entra no quarto de Malu com um envelope nas mãos) Já está com quase tudo pronto, não é?

MALU: Sim, fugirei amanhã mesmo. O que é isso nas suas mãos?

IRMÃ FÁTIMA: A Irmã Felícia pediu para te entregar, foi a sua mãe que mandou junto com o dinheiro do pagamento.

MALU: Estranho, minha mãe nunca me escreveu durante todos esses meses. Me dá aqui, deixe-me ler. (Malu abre a carta e começa a ler).

IRMÃ FÁTIMA: (Percebe uma mudança na expressão de Malu) O que foi menina? O que diz nessa carta?

MALU: (Nervosa, amassa a carta e abre o envelope com violência até encontrar a fotografia) Minha mãe diz aqui que o Igor se casou e me mandou uma foto dele e a esposa, felizes e em lua-de-mel. Ele me esqueceu, ele não quer saber de mim e nem das minhas filhas, eu estou sozinha.

IRMÃ FÁTIMA: Se acalme, você não pode se emocionar demais, pode fazer mal aos bebês.

MALU: Eu estou sozinha, Irmã Fátima, sozinha. (A bolsa de Malu estoura).

IRMÃ FÁTIMA: Veja, sua bolsa estourou. As suas filhas irão nascer Malu!

MALU: (Inclina-se com forte dores).

 

(Irmã Fátima conduz Malu até a cama para que ela se sente).

 

MALU: Eu não posso dar à luz aqui, eles vão roubar as minhas filhas, Irmã.

IRMÃ FÁTIMA: Acalme-se, precisamos pensar nos bebês agora. Não se preocupe, ninguém vem buscar os bebês durante a noite, muito menos de madrugada. Eu vou te levar para o ambulatório!

MALU: Prometa Irmã, prometa que não vai deixar ninguém tirar as minhas filhas de mim, prometa Irmã Fátima!

IRMÃ FÁTIMA: Eu prometo menina, agora precisamos ver a médica, suas filhas vão nascer!

MALU: Está bem, eu confio na senhora. Vamos! (Irmã Fátima ajuda Malu e juntas as duas vão até ao ambulatório).

 



Cena 07 – Casa Rosana e Francisco [Interna/Noite]

 

FRANCISCO: Depois de amanhã irei ao interior, vou dar olhada nuns freezers que vi num anúncio no jornal, o do nosso quiosque está bem ruim. Você vai comigo?

ROSANA: Vou ficar em casa sem fazer nada está me desesperando. Já está na hora de ocupar a minha vida de novo com alguma coisa.

FRANCISCO: Querida, você não acha que está na hora de falarmos sobre aquilo?

ROSANA: Adoção? Eu não sei se conseguiria amar um filho que não saiu de mim, esse assunto ainda é um tabu para mim, não sei se sou capaz de levar uma adoção à frente.

FRANCISCO: Pense da seguinte forma, trata-se de um processo reverso. Quando você engravida, você escolhe ser mãe, escolhe porque acredita que naquele momento você está preparada para o que vem depois, só que adotando, é o nosso filho ou filha que irá nos escolher, isso não significa nada para você? Vamos dar um lar, amar e acolher uma criança que foi rejeitada por alguém.

ROSANA: Mas Francisco, acontece que...

FRANCISCO: (Interrompe Rosana) Acontece que eu não vou colaborar para que você engravide de novo e passe por todo aquele sofrimento, o médico foi bem realista, outra hemorragia daquela pode te levar a morte. Eu não vou aceitar que você queira continuar se matando por um sonho que possui outras portas a serem abertas, não conte comigo para isso.

 

Cena 08 – Casa Santa Clara [Interna/Noite]

 

(Sala de parto)

 

MÉDICA: Então, vamos começar o trabalho. Como se sente? Muita dor? Como vão essas contrações?

MALU: As contrações estão se aproximando cada vez mais.

MÉDICA: Deixe-me examinar! (Começa a examinar Malu).

 

(Irmã Fátima observa em um dos corredores da Casa Santa Clara, a Irmã Felícia sair de sua sala e caminhar em direção ao seu quarto, pois já estava na hora dela se recolher. Irmã Fátima então andou sorrateiramente sem fazer barulho até entrar na sala de Irmã Felícia).

 

IRMÃ FÁTIMA: Vamos lá Fátima, essa informação só pode estar aqui e eu vou achar. (Irmã Fátima começa a vasculhar a mesa de Irmã Felícia).

 

(Sala de parto)

 

MÉDICA: O primeiro bebê já está completamente encaixado, preciso que você empurre, já consigo sentir.

MALU: (Empurra quando sente uma nova contração).

MÉDICA: Vamos, empurre Maria Lúcia, força!

MALU: (Aperta as mãos e empurra).

 

(Na sala da Irmã Felícia)

 

IRMÃ FÁTIMA: Cadê? Onde está? Vamos, tem que aparecer... (Fala consigo mesma até encontrar uma agenda e começar a folheá-la). Aqui, está aqui o que estava procurando, agora vou anotar essas informações e entregar nas mãos da pessoa certa, Deus é conosco e vai nos ajudar.

 

(Sala de parto)

 

MALU: (Segue fazendo força até que nasce o primeiro bebê).

MÉDICA: Nasceu a primeira menina e como chora, enfermeira leve para limpeza e os primeiros exames por favor, aparentemente ela está bem, mas como nasceu com oito meses, é bom que seja observada melhor.

MALU: Eu quero ver a minha filha, doutora. Por favor, peça para que a enfermeira traga o meu bebê.

MÉDICA: Infelizmente não podemos minha querida, temos ordens de que as mães não devem ter contato com os bebês, evita sofrimento. Lembre-se, esses bebês não são seus!

MALU: São meus sim, minhas filhas. (Malu volta a sentir contrações).

MÉDICA: É, pelo o que vejo sua outra filha também já quer dar o ar da graça, vamos lá. Quando a contração vier forte, empurra!

 

 

Cena 09 – Casa Santa Clara [Madrugada/Interna]

 

(Já havia passado algumas horas após o parto quando Malu acordou sentada em uma cadeira de rodas, ela era empurrada por um corredor da Casa Santa Clara, por ser madrugada, tudo estava em absoluto silêncio).

 

MALU: Para onde estão me levando? Minhas filhas? Onde estão minhas filhas? O que fizeram com elas?

IRMÃ FÁTIMA: Fale baixo, não faça barulho. Eu estou levando você para conhecer as meninas escondido, ninguém pode saber, ou estaremos em maus lençóis. (Respondeu enquanto continuava empurrando a cadeira de rodas).

 

(No berçário)

 

MALU: Irmã, eu nem sei como agradecer por tudo que está fazendo.

IRMÃ FÁTIMA: Aqui está uma... (Irmã Fátima coloca um bebê no colo de Malu).

MALU: Minha filha! (Se emociona).

IRMÃ FÁTIMA: (Entrega o outro bebê) Aqui está a outra. Bom, não temos muito tempo. Eu consegui informações importantes sobre as meninas, a Irmã Felícia conseguiu famílias diferentes, elas serão adotadas por pais diferentes, ambos os casais virão buscá-las na segunda-feira, ou seja, nós só temos dois dias para pensar em algo ou você perderá suas filhas para sempre.

MALU: Dois dias? Vamos fugir amanhã à noite e precisaremos muito da sua ajuda Irmã.

IRMÃ FÁTIMA: Eu vou ajudar vocês, eu prometo. Precisamos ir agora, podemos ser pegas e se isso acontecer, você jamais voltará ver suas filhas.

 

Cena 10 – Estrada (Carro de Francisco) [Externo/Manhã]

 

FRANCISCO: Já estamos quase chegando e você não deu uma palavra, está tudo bem?

ROSANA: Está sim, aliás, vai ficar. Eu acordei com um sentimento estranho, sabe? Eu estou sentindo que algo está para acontecer, algo que vai mudar as nossas vidas.

FRANCISCO: Mudar nossas vidas? Sensitiva agora? Que história é essa Rosana?

ROSANA: Não sei, só sei que estou sentindo isso.

FRANCISCO: Então tá, se você está dizendo... Vou aceitar.

 

Cena 11 – Casa Santa Clara [Interna/Tarde]

 

IRMÃ FÁTIMA: (Entra no quarto de Malu) Tenho um plano, precisamos conversar. Não posso demorar aqui, pois temos que começar a dar andamento.

MALU: Tudo bem, estou prestando atenção, pode começar!

 

(Algumas horas depois, durante a noite Irmã Fátima e Malu começam a colocar o plano em prática).

 

MALU: (Anda escondida pelos corredores carregando uma pequena mala de mãos e caminha em direção a garagem).

 

(No berçário)

 

IRMÃ FÁTIMA: (Sem ser vista, pois a enfermeira responsável está cochilando no quarto ao lado, Irmã Fátima coloca cada gêmea em um cesto sob um carrinho e cobre ambos os cestos com lençóis de modo que aparente ser uma trouxa de roupa suja).

 

(Na garagem)

 

MALU: (Anda de um lado para o outro, aflita com a demora de Irmã Fátima).

 

IRMÃ FÁTIMA: (Sussurra ao chegar) Jesus! Pensei que não fosse ter coragem de te ajudar a colocar essa loucura em prática.

 

MALU: Eu serei eternamente grata e jamais vou esquecer o que está fazendo por nós, mas onde estão as minhas filhas?

IRMÃ FÁTIMA: Estão aqui! (Responde ao tirar o lençol que cobre os bebês).

MALU: A senhora conseguiu!

IRMÃ FÁTIMA: Também trouxe comigo a chave da caminhonete, você me disse que sabia dirigir não foi?

MALU: Sim, eu sei. O Igor me ensinou no carro que fazia entregas pela padaria.

IRMÃ FÁTIMA: Bom, agora só precisamos esperar mais um pouco. Logo o porteiro irá se retirar para dormir, ele costuma ser sempre muito pontual. Vamos empurrar o carro sem fazer muito barulho até o lado de fora e aí sim, você estará finalmente livre desse lugar para viver com as suas filhas.

MALU: Antes de mais nada, preciso fazer uma coisa.

IRMÃ FÁTIMA: O que?

MALU: (Malu tira da mala dois pequenos pares de sapatos de crochê, um par rosa e outro vermelho) São sapatinhos que a Amélia fez para as minhas filhas, ela disse que teria que ser em cores diferentes e que isso me ajudaria a não confundir os bebês. Os vermelhos vão ficar nos pezinhos da Isabela (coloca os sapatinhos nos pés de Isabela) e os rosas vão ficar nos pezinhos da Ingrid! (Coloca nos pés de Ingrid). Agora estamos prontas!

 

Cena 12 – Estrada (Carro de Francisco) [Externa/Noite]

 

FRANCISCO: Nem acredito que conseguimos resolver tudo isso só hoje. Agora quero chegar em casa, tomar um banho e dormir.

ROSANA: Do jeito que está dirigindo, teremos sorte se chegarmos até a próxima cidade com vida. Para que tanta pressa, Francisco? Vai acabar batendo se continuar assim e eu não quero morrer hoje.

FRANCISCO: Calma amor, eu sei o que estou fazendo.

 

Cena 13 – Casa Santa Clara – Garagem [Externa/Noite]

 

(Irmã Fátima e Malu observam o porteiro caminhar rumo ao interior da Casa Santa Clara para se recolher).

 

IRMÃ FÁTIMA: Chegou a hora, não temos mais como voltar atrás. Pronta?

MALU: Mais pronta do que nunca, só quero sair daqui pra sempre.

IRMÃ FÁTIMA: Então vamos!

 

(Irmã Fátima e Malu empurram o carro em direção a saída em ponto morto, de modo que praticamente não se podia ouvir).

 

MALU: (Entra no carro) Obrigada por tudo Irmã, por toda ajuda que me deu durante esses meses. Jamais vou esquecer da senhora!

IRMÃ FÁTIMA: Toma, leva isso. (Irmã Fátima estende a mão com um pacote para Malu).

MALU: O que é isso? (Abre o pacote e se depara com um grande maço em dinheiro).

IRMÃ FÁTIMA: São as minhas economias, você fará uso melhor do que eu, afinal eu jamais teria como usufruir desse dinheiro, eu recebi de minha família e sempre deixei guardado para usar numa emergência, essa é uma. Siga em paz e vá com cuidado, Deus abençoe vocês três!

 

(Malu e Irmã Fátima se abraçam em despedida e Malu segue viagem)

 

MALU: Conseguimos meninas, conseguimos. Finalmente vamos ser felizes longe daquele lugar. (Fala enquanto dirige). Precisamos descobrir o paradeiro do pai de vocês, ele precisa saber de tudo o que aconteceu, ele precisa conhecer vocês. Não vejo a hora de chegar num local que tenha um telefone e ligar pra ele. (Observa as filhas pelo retrovisor).

 

(O carro de Francisco e Malu seguem em lados opostos da estrada, enquanto Francisco permanece dirigindo em alta velocidade visivelmente sonolento).

 

(No carro de Francisco)

 

ROSANA: Francisco, Francisco! (Rosana grita pelo marido). Acorda, o carro Francisco, acorda!

 

(No carro de Malu)

 

MALU: (Sorri enquanto olha as filhas serenas no banco de trás, sem perceber o clarão que se aproxima).

 

(No carro de Francisco)

 

FRANCISCO: (Acorda atordoado com os gritos de Rosana e tenta tirar o carro da contramão, porém está perto demais para evitar a colisão).

 

(O carro de Francisco bate no carro de Malu e os veículos giram sem controle pela estrada. O carro de Francisco consegue frear, porém o de Malu fica na beirada de uma ribanceira).

 

 

ROSANA: Seu infeliz! Eu falei para você ir devagar, poderia ter nos matado. (Rosana discute com o marido que segue tonto, enquanto tira o cinto de segurança). Será que você matou o motorista do outro carro? Precisamos ir até lá! (Rosana desce do carro mancando e caminha lentamente em direção do carro de Malu).

MALU: Minhas filhas, as minhas filhas!

ROSANA: Você está bem? Tá ferida?

MALU: Não, preciso sair daqui e tirar minhas filhas de dentro desse carro antes que ele caia. Por favor, tira elas daí enquanto eu tento soltar o cinto, ele emperrou.

ROSANA: Está bem, eu vou tirar os bebês e já venho te ajudar com o cinto, acho que o meu marido tem um canivete no carro, podemos cortar. (Rosana abre a porta da caminhonete devagar para que o carro não caia na ribanceira e retira o cesto com Isabela). Eu vou colocá-la bem ali e já venho tirar o outro cestinho! (Rosana dá alguns passos com o cesto, para deixar o bebê num lugar seguro, quando ouve os gritos de Malu e o barulho do carro que começara a balançar). Francisco, me ajuda... O carro vai cair!

 

(O carro com Malu e Ingrid começa a balançar com mais intensidade até cair na ribanceira e capotar algumas vezes).

 

FRANCISCO: Meu Deus! (Francisco fica aterrorizado ao presenciar o carro de Malu cair no fundo da ribanceira).

ROSANA: Você precisa ir lá, temos que salvá-la. Ela está com um bebê lá embaixo, precisamos chamar uma ambulância.

FRANCISCO: Não, nós não podemos. Se chamarmos alguém, a polícia vai saber que nós batemos no carro dela e vão me prender por imprudência no trânsito, serei processado e eu não quero ir para cadeia.

ROSANA: Você ficou maluco? Não podemos deixá-las lá embaixo!

FRANCISCO: Você não entende? Independentemente do que façamos, a justiça vai nos culpabilizar. Eu vou embora, levanta daí, vamos.

ROSANA: Você perdeu a razão. O que pretende? Já não basta não querer prestar socorro, quer que eu deixe esse bebê aqui para morrer no frio? Eu não vou fazer isso.

FRANCISCO: Então você traz a menina e depois daremos um jeito de entregá-la a autoridade, eu só não quero ficar aqui para o flagrante. Você vem ou não Rosana?

  

(A imagem foca em Rosana encarando Francisco, a cena congela e o capítulo encerra com o som de uma câmera fotografando).



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