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VENTO NORTE: Capítulo 09

 


Cena 01/ Residência Fontes/ Suíte principal/ Dia. 

(cont. da cena anterior)

Instrumental: (que dura até o fim da cena 03)



(não se ouve vozes até a cena 03, apenas se vê a emoção do momento) 

Close em Alberto abraçando aos prantos o corpo de Vera. Eleonora entra correndo no quarto e se depara com Vera morta e com o filho desesperado. Ela se choca e faz o sinal da cruz devido ao falecimento da nora. 

Cena 02/ Residência Trajano Ferraço/ Suíte principal/ Dia. 

(cena sem som)

Eleonora um pouco abalada diz á Regina que Vera faleceu. Regina abraça a avó aos prantos. Close em Regina desesperada. Celso que está sentado sob o sofá se choca. As crianças que estão observando através do corredor, se dirigem até o pai. Os três se abraçam. Close em Regina se dirigindo à Celso e as crianças e os abraçando. Close nos quatro.

Cena 03/ Cemitério/ Noite. 

Close no céu. A câmera se dirige em uma transição minuciosamente detalhada até o chão. Close nos familiares, amigos e curiosos em volta enquanto o caixão é colocado sob a cova. Close em Alberto tentando se manter forte, logo após close em Regina aos prantos. Regina joga a primeira rosa junto à primeira camada de terra, logo após Alberto joga uma rosa e uma camada de terra. Transição de tempo, todos vão embora. 

(a sonoplastia continua, mas dessa vez em um tom mais baixo devido às falas dos personagens)

Regina: (se dirige até a lápide da mãe aos prantos) Adeus mamãe, adeus! Sentirei falta de nossas conversas, de suas cantigas, de seus quitutes e principalmente de seu carinho e afeto... Obrigada, obrigada e obrigada, por tudo! (desolada) 

Regina se dirige até o pai e o abraça. O tempo vai passando, Regina vai embora e Alberto fica totalmente sozinho. Alberto olha fixamente para a lápide de Vera. 

Alberto: (desolado) Com você vivi os melhores anos de minha vida, os melhores verões, invernos. Foram trinta e cinco anos de uma trajetória, de uma história, de um conto lindo, que me resplandece, me faz sentir vivo. Esses dias estávamos planejando as próximas férias em família... Londres, Paris, talvez algo mais modesto como o morro da boa vista ou angra, mas não deu tempo, não deu... Ah meu amor... (pausa profunda) Sonhávamos em passar o resto de nossos dias juntos, um ao lado do outro, como aqueles casais, que nós víamos no parque, no calçadão, em nossas viagens, casais que permaneciam juntos após cinquenta, sessenta ou setenta anos... (derrama uma lágrima) de todos os sonhos que tive ao seu lado, esse é o que mais lamento jamais poder se concretizar. Lembro-me de quando a cortejava em sua janela, como em Romeu e Julieta de Shakespeare. Seu pai não aceitava nosso namoro devido as nossas diferenças financeiras. Enquanto você era filha de um banqueiro, eu era filho de um professor (ri), recordo as fugas, os piqueniques, as histórias que contávamos. Tínhamos tanto a dizer um para o outro. Obrigado Vera, obrigado! Agradeço por você ter me dado uma filha zelosa, um lar de amor e respeito, um lar cheio de cumplicidade. Adeus minha eterna namorada, minha eterna donzela. (chora) 

Close em Alberto aos prantos. Ele se afasta da lápide desnorteado. Close na lápide de Vera.  


Enquanto ocorre o close na lápide, fica visível ao fundo um raio. Close no céu. Começa a chover.

Cena 04/ Residência Trajano Ferraço/ Sala de estar/ Noite. 

Regina, Celso e as crianças chegam em casa exaustos. 

Celso: Vá descansar meu amor! (beija Regina no rosto). 

Regina se dirige até o corredor desolada. 

Celso: Vão se aprontar para dormir crianças, não se esqueçam de escovar os dentes e beber um copo de leite. 

Melissa: (triste) Boa noite papai!

Carlos: (triste) Boa noite pai!

Melissa e Carlos se dirigem até o corredor com a cabeça baixa. Close em Celso. 

Cena 05/ Rua/ Noite. 

Alberto anda desnorteado e triste pela rua enquanto chove. Ele quase é atropelado. Close em Alberto

Cena 06/ Residência Flores Viana/ Sala de jantar/ Noite. 

Rosália está jantando sozinha na mesa. Ela olha para o lugar de Gustavo e fica apreensiva. Ao pegar uma taça de vinho, ela quebra a taça devido à raiva.

Rosália: (com a mão ensanguentada) Ah, droga! Malditas estatísticas... Mais uma prova de que Deus é um ser místico, inexistente. Como alguém que provoca tanto sofrimento, tanto vazio e tanta injustiça, pode ser de fato real e o pior... Venerado, venerado... Merda de crença, merda de convenções religiosas. 

Rosália se retira da mesa com a mão ensanguentada e um pouco estressada. 

Cena 07/ Bar/ Noite. 

Close em Alberto entrando no bar e se dirigindo até o balcão. 

Alberto: Uma dose de conhaque por gentileza. 

O balconista se vira e pega a garrafa, servindo no copo, Alberto bebe. Close em Alberto.

Cena 08/ Residência Trajano Ferraço/ Suíte principal/ Noite. 

Close em Regina chorando sob a cama vendo uma foto da mãe. Close em Regina

Cena 09/ Bar/ Noite. 

(cena sem som) 

Instrumental: (até o fim da cena)


Close em Alberto se embriagando. Ele bebe copos e mais copos de cerveja, chopp, conhaque, vodca e etc. O tempo passa com uma transição minuciosamente detalhada. Ele pega uma garrafa de chopp e se dirige até a saída do bar. 

Cena 10/ Rua/ Noite. 

Enquanto chove, Alberto anda desnorteado pela rua, com o som de carros em volta. Devido à embriaguez, Alberto quase é atropelado uma vez. As buzinas dos automóveis começam a tocar para alertar o homem. Alberto não percebe que há um carro vindo sob a neblina. Ele é atropelado e jogado para o outro lado da rua. Close em Alberto ferido após ser atropelado.

Abertura: 


Vinheta de intervalo: 


Cena 11/ Residência Trajano Ferraço/ Suíte principal/ Noite. 

Regina está sentada sob a cama inconformada, até que ocorre uma rajada de vento, ela olha para os lados e se dirige até o espelho inquieta. Close nela pondo a mão no peito, preocupada.

Cena 12/ Rua/ Noite. 

Close em Alberto estirado sob a rua. Uma multidão começa a se formar em volta. Plano geral. 

Cena 13/ Residência Trajano Ferraço/ Sala de estar. 

Celso está ouvindo o rádio. Foco na voz do narrador: 

Narrador: A equipe que será mandada em meados de agosto e setembro para a Itália, ainda não está formada, o exército brasileiro está fazendo convocações em todo país, é provável...

A voz do narrador fica desfocada. Close em Celso aflito. 

Cena 14/ Rua/ Noite. 

Close em Alberto jogado na rua. Uma ambulância se dirige até o local do acidente. Enfermeiros descem do automóvel e vão em direção à Alberto, o colocam na maca e o levam até o automóvel. Close na ambulância saindo às pressas com a sirene tocando. 

Cena 15/ Hospital municipal/ Recepção/ Noite. 

A porta do hospital se abre com Alberto sob a maca. Edmundo que está com sua apostila sai do corredor e se depara com Alberto naquela situação. Emundo se dirige até a recepcionista. 

Edmundo: O que aconteceu com o senhor Alberto? 

Joana: Foi atropelado no bairro Santa Teresa, o motorista prestou socorro, parece que esse homem estava embriagado e não avistou o carro. 

Close em Edmundo chocado.

Cena 16/ Residência Fontes/ Sala de estar/ Noite. 

A sala está vazia, o telefone toca. Alguns minutos depois Eleonora se dirige até o aparelho eletrônico. 

Eleonora: (tel) Pois não? (aflita) Ah meu Deus, não, não, não! Alberto, não! 

Ela corre em direção ao corredor e deixa o telefone cair no chão. Close no telefone caído sob o chão. 

Cena 17/ Residência Trajano Ferraço/ Suíte principal/ Noite. 

Regina está escrevendo em seu diário sob a escrivaninha. Se escuta apenas o som de seu pensamento.

Regina: Pensei que jamais vivenciaria um dia tão cansativo e sem vida quanto esse... Dizem que é o dever dos filhos enterrar os pais, foi o que eu fiz, mas perder um pai, uma mãe, é muito além de uma simples frase, de um simples conto. Nós não estamos preparados para enterrá-los como os poetas dizem. Fico apreensiva, apenas penso em minha vida de agora em diante... Penso em Celso, penso nas crianças... Penso em mim mesma... Os destinos que Deus reserva para cada um de nós é sempre um mistério. Fico pensando em que rumo minha vida seguirá daqui em diante, em que destinos Deus designou para mim. Com mamãe, éramos felizes agora nossa família está incompleta. Está desfalcada.  

Close em Regina apreensiva e reflexiva, com um olhar avulso e pra baixo. 

O telefone toca, ela se vira rapidamente para a direção da porta. Ela fica preocupada e aflita, como se estivesse pressentindo algo. 

Regina: (apreensiva) Papai!. 

(Corte minuciosamente bem feito entre a cena 17 e a cena 18) 

Cena 18/ Hospital municipal/ Recepção/ Noite. 

Close em Regina se dirigindo desnorteada até Eleonora. 

Eleonora e Regina se abraçam. 

Regina: (finaliza o abraço) Como está meu pai? 

Eleonora: Eu não sei, ninguém me diz nada filha... Pelo que consta ele está sendo operado...

Regina chora e abraça Eleonora. Close nelas abraçadas. 

Cena 19/ Hospital municipal/ Sala de cirurgia/ Noite. 

Os médicos estão operando Alberto. Close nos médicos se empenhando para salvar o paciente.

Cena 20/ Hospital municipal/ Recepção/ Noite. 

Eleonora e Regina estão sentadas aflitas, até que avistam Edmundo. 

Regina: (aflita) Doutor como está meu pai? 

Eleonora: (aflita) Ele está bem? Diga doutor, diga! 

Edmundo faz suspense. Close em Regina e Eleonora preocupadas junto à uma sonoplastia de fundo.

Instrumental: 


A imagem fica em preto e branco, como se fosse um filme dos anos 40. Gancho em Regina e Eleonora desnorteadas. 

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