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Débora - Capítulo 05

 


Débora
CAPÍTULO 05

uma novela de
FELIPE LIMA BORGES

escrita por
FELIPE LIMA BORGES

baseada nos capítulos 3 a 5 do livro de Juízes

 No capítulo anterior: Lapidote pede Débora em casamento. Após o choque, ela aceita e diz que ele precisa falar com a sua mãe. Elian conta a Tamar que viu a filha e Lapidote se beijando, e que precisam cortar isso, dado a idade da garota e a profissão do pai do garoto. Tamar é contra impedi-los, e diz que se houver mesmo algo, dará sua permissão. Débora volta com Lapidote e o apresenta à família como seu namorado. Tamar e Elian, esse a contragosto, permitem o namoro. Em outro dia, Débora leva Lapidote até a palmeira onde nasceu, e ali ele grava as iniciais de ambos em uma semente de tamareira, que é amarrada a um cordão e entregue à garota como o símbolo do compromisso deles até o casamento. Elian visita a sapataria de Misael e diz a ele que aquilo não é suficiente para sustentar Débora. E completa sugerindo que ele e Lapidote vão embora de Betel, mediante um pagamento que lhe fará.
FADE IN:

CENA 1: INT. SAPATARIA – DIA
Atrás de um andaime de madeira na rua em frente, Lapidote observa os homens na sapataria sem conseguir ouvi-los. Lá dentro, surpreso e preocupado, Misael encara Elian.
MISAEL
Desculpe, Elian, mas o que você está dizendo é um absurdo.
ELIAN
Não é absurdo, é o certo. Débora é uma ótima filha, uma garota incrível; merece o melhor. Estou apenas garantindo o bem-estar, o futuro de minha menina. Eu sei que não é bom ouvir algo ruim dos filhos, mas Lapidote não é bom o suficiente para ela.
MISAEL
Somente o dinheiro é capaz de fazer alguém bom o suficiente para Débora?
ELIAN
Dinheiro coloca pão e leite na mesa. Além de um mínimo de conforto.
MISAEL
Lapidote terá plena capacidade de dar o mínimo de conforto à sua filha, Elian. Há anos tenho uma reserva para ele, e além do mais, logo terá seu próprio trabalho!
ELIAN
Eu não quero me alongar, sei que o tempo de nós dois é precioso. Amanhã os filisteus devem vir cobrar os impostos, e você pode aproveitar a bagunça que aqueles malditos causam e fugir com o seu filho. Débora e nem ninguém perceberá, estarão todos “distraídos” com os soldados.
MISAEL
(revoltado) Eu não posso fazer isso! Vim de longe, finalmente consegui me estabelecer em minha cidade natal, Deus nos abençoou e Lapidote está com a vida se encaminhando!
ELIAN
Com a quantidade que eu vou lhe dar, poderão recomeçar ainda mais fortes em outro lugar.
Por alguns instantes Misael parece pensar...
Mas, por fim, balança a cabeça que não.
MISAEL
Não vou! Isso é um completo absurdo!
ELIAN
Você tem que ir, Misael! Aceite o dinheiro que vou dar e vá!
MISAEL
Se você quer que nossos filhos terminem, eu conversarei com Lapidote e eles terminarão.
ELIAN
Isso não existe! Os jovens sempre dão jeito de escaparem por entre os dedos e se encontrarem às escondidas! Fazem de tudo para ir contra os pais!
MISAEL
Você acha que Débora faria isso?
Elian parece perder as palavras.
MISAEL
Pois estou achando que conheço a sua filha melhor do que você mesmo.
ELIAN
Chega! Chega!!!
Ele se aproxima de Misael.
ELIAN
Se você não for embora amanhã, eu darei um jeito de atrair confusão com os filisteus até essa sua sapataria aqui.
Misael, arrasado, o encara.
ELIAN
Passarei mais tarde para deixar o dinheiro.
Elian então dá meia volta e sai. Lá fora, Lapidote se esconde por um instante. Constatado que o sogro já foi, ele volta para a sapataria e encontra seu pai ainda abalado.
LAPIDOTE
Pai!... Pai, o que aconteceu? Vi o senhor Elian e o senhor conversando, mas não consegui ouvir nada... O que houve?!
Misael está atordoado...



CENA 2: INT. CASA DE TAMAR – COZINHA – DIA
Enquanto Tamar cozinha, Débora varre o chão, mas seus pensamentos parecem distantes dali.
DÉBORA (NAR.)
O namoro com Lapidote me fez desgrudar da infância de uma forma que, provavelmente, já havia acontecido com todas as meninas da minha idade. E agora eu pensava como nunca no meu futuro.
Débora continua a varrer, mas olha para Tamar.
DÉBORA
Mãe... Como é o início do casamento? Logo que casa.
Tamar sorri.
TAMAR
Como você imagina que seja?
DÉBORA
Bom, eu nunca pensei muito nisso... Mas ultimamente imagino que Lapidote seria um excelente marido. Trabalhador, ajudador, carinhoso...
TAMAR
Geralmente as moças imaginam alto como deve ser, e depois acabam se decepcionando. Muitos homens mudam depois que casam...
Débora parece um pouco preocupada.
DÉBORA
Será que Lapidote pode mudar?
TAMAR
Filha, em menor ou maior grau, tudo muda depois do casamento. Mas não se preocupe, pois não são todos que mudam drasticamente. Pelo o que vejo em nossos amigos, vizinhos, Lapidote parece ser genuinamente um bom rapaz.
Débora fica aliviada.
TAMAR
O namoro é a fase de se conhecerem, e vocês terão bastante tempo para isso.
DÉBORA
Se depender do meu pai, muito tempo.
TAMAR
Débora... Não se preocupe com o seu pai, está bem?
Débora levanta uma sobrancelha e continua seu serviço.

CENA 3: INT. SAPATARIA – DIA
Lapidote aguarda Misael lhe explicar o que aconteceu.
LAPIDOTE
(preocupado) E então, meu pai?...
MISAEL
Lapidote, arrume e guarde tudo.
LAPIDOTE
Oi?... Quê?! Arrumar o quê?!
MISAEL
Tudo, Lapidote, tudo! Arrume tudo e guarde!
Lapidote fica sem reação. Observa o pai se sentar.
LAPIDOTE
(se aproximando) Pai!... O que foi que aconteceu?! Por que não me conta?!
Misael começa a chorar.
MISAEL
Me desculpe, meu filho... Me perdoe... mas não posso contar o motivo...
LAPIDOTE
O motivo de quê?
MISAEL
De irmos embora...
LAPIDOTE
Irmos embora? Para onde, por quê?!
MISAEL
Já disse que não posso contar...
LAPIDOTE
Foi Elian, não foi? É claro que foi.
Misael olha levemente surpreso para o filho.
LAPIDOTE
Já disse, eu não fui fazer a entrega, fiquei ali fora observando-os, mas não pude ouvir nada. O que foi que ele disse, pai?
Misael continua a derramar lágrimas, e Lapidote entende.
LAPIDOTE
Claro, o meu namoro com a Débora... E por isso quer que a gente vá embora.
Misael não confirma e nem nega.
LAPIDOTE
Esse homem não teve coragem e dignidade de vir falar comigo.
MISAEL
Pare, Lapidote! Você só tem 14 anos!
LAPIDOTE
Mas mais honra que ele!
Misael tenta se acalmar.
LAPIDOTE
Pai, não fique assim... Vai doer muito, mas eu vou terminar com ela. Só que nós temos um compromisso firmado, e ele permanecerá. Quando formos mais velhos e eu tiver mais dinheiro e respeito, vou pedir a mão dela definitivamente. Por enquanto nós vamos nos afastar, e o senhor e eu não precisaremos ir embora de Betel.
MISAEL
Lapidote, você não entende! Elian vai me dar uma quantia em dinheiro para irmos embora! Justamente para que não haja contato algum entre Débora e você!
LAPIDOTE
Não aceite esse dinheiro, pai!
MISAEL
Se não aceitarmos, se não fizermos assim, ele incitará os filisteus contra nós.
Lapidote então olha revoltado para a rua.
LAPIDOTE
Maldito...
MISAEL
Precisamos arrumar tudo e irmos.
LAPIDOTE
(levantando) Vou ver Débora antes.
MISAEL
Não, Lapidote! Não dá para fazer isso!
LAPIDOTE
Pai, eu preciso ver minha amada antes de partir! Preciso falar com ela, não posso ir dessa forma!
MISAEL
É melhor não, Elian saiu furioso daqui. Amanhã você tenta se despedir, caso tenhamos tempo e oportunidade. Agora me ajude a organizar tudo.
Com raiva e um tanto desesperado, Lapidote começa a guardar as coisas com o seu pai.

CENA 4: INT. CASA DE TAMAR – QUARTO DE DÉBORA – NOITE
A noite cai.
Cansada, Débora vai até sua janela e escora. Fica observando as ruas e casas sem realmente vê-las...
DÉBORA
Por que você não veio me ver hoje?...
Então ela pega algo em um bolso do vestido, é o cordão com a semente de tamareira. Aperta-a bem firme em sua mão.
DÉBORA
Só espero que esteja tudo bem.
Ela guarda a semente com o cordão, vai até o pé de sua cama, ajoelha e começa a orar em silêncio.

CENA 5: INT. CASA DE TAMAR – COZINHA – DIA
Na manhã seguinte, sentada à mesa com os seus pais, Débora tenta finalizar sua comida bem rapidamente.
TAMAR
Mas o que é isso, minha filha? Desse jeito vai ter uma indigestão...
DÉBORA
(quase que de boca cheia) Preciso ver Lapidote, ele não veio ontem e nem mandou recado!
ELIAN
Não se preocupe, ele pode ter tido algum imprevisto.
Débora vira o último copo de suco e se levanta.
DÉBORA
Já vou! Shalom!
Quase tropeçando, Débora corre para a porta e sai.
ELIAN
Rum...
Tamar olha para o marido.
TAMAR
Elian, você tem alguma coisa a ver com o fato de o Lapidote não ter vindo ontem?
Cínico, ele olha para ela.
ELIAN
Eu? (ri) E por que eu teria algo a ver com isso? Estava aqui, trabalhando... Não faz o menor sentido. Claro que não tenho a ver.
Tamar levanta uma sobrancelha e continua a comer.

CENA 6: EXT. BETEL – RUA PRINCIPAL – DIA
Jaziel e Sangar estão conversando tranquilamente quando alguém grita perto dali.
ALGUÉM
Filisteus!!! Os filisteus estão vindo!!!
Gritos e correria tomam conta das ruas.
SANGAR
Lá vem os malditos...
JAZIEL
Você está com o dinheiro do imposto pronto?
Sangar apenas o olha.
JAZIEL
Digo, não quero que o amigo ganhe outra cicatriz...
SANGAR
(olhando a correria do povo ao redor) Estou cansado disso. Até quando nos submeteremos a essa humilhação? Ao julgo filisteu!
JAZIEL
Há tempos é assim. O povo precisa orar mais, se voltar mais para Deus.
SANGAR
Concordo, mas também precisamos fazer algo aqui, contra eles! Nos reunir, formar um exército, treinar! E, com o tempo, teremos condições de fazer uma rebelião e destruir os filisteus!
JAZIEL
(desanimado) Me desculpe, Sangar, mas eu não acredito nessa possibilidade. Não são os homens de outrora, os de Moisés e Josué. São apenas camponeses, pastores, comerciantes... Mal sabem segurar uma espada. Nós precisamos é de um novo juiz, há tempos eu venho dizendo isso. Desde que Eúde morreu foi só ladeira abaixo.
Então o som dos cavalos aumenta e logo o Comandante filisteu e seus soldados chegam ali e impedem a movimentação do povo. Ao ver Sangar, o Comandante sorri do alto de seu cavalo. Então desce e, com outros dois soldados, se aproxima dele e de Jaziel.
COMANDANTE
Coloquem-nos no meio.
Os homens agarram Jaziel e Sangar e os leva para o meio da rua, no centro da roda formada pelo povo acuado.
Débora vem de outra rua. Ao ver Jaziel e Sangar parados no meio da rua, se preocupa.
DÉBORA
Ah, não...
Então ela se abaixa e procura outra pessoa.
DÉBORA
Lapidote, Lapidote...
Olha em cada rosto, mas não encontra. Então se levanta para procura-lo em outro lugar, mas um soldado filisteu a flagra se afastando.
SOLDADO
Onde pensa que vai?
Logo o filisteu a leva para junto do povo acuado.
O Comandante circula Jaziel e Sangar.
COMANDANTE
Povo de Betel! É um prazer anunciar-lhes que se faltar uma mísera moeda na contabilidade do imposto, esses dois animais vão perder a cabeça aqui mesmo!
Jaziel engole em seco, e a revolta de Sangar só aumenta... O Comandante sorri com os rostos preocupados dos hebreus.

CENA 7: INT. SAPATARIA – DIA
Na sapataria já não há mais nada a não ser uma carroça com as coisas e Lapidote e Misael prontos para partir. Esse, com cautela, olha para as ruas além.
MISAEL
Há alguns soldados passando, mas acho que dá para ir.
LAPIDOTE
(choroso) Isso não é justo, meu pai! Eu nem pude vê-la! Como poderei partir sem me despedir?! O que ela vai pensar?! O que vai ser?! Não é justo!
MISAEL
(gritando) VOCÊ PRECISA--
Misael se interrompe e respira.
MISAEL
Você precisa entender. Deus haverá de nos dar o melhor! Ore por Débora, um dia vocês poderão se explicar!
LAPIDOTE
Quando?!
Misael não tem resposta.
MISAEL
Vamos. Vamos, vamos indo!... Temos que aproveitar enquanto eles não chegam aqui.
Então rapidamente eles montam na carroça e partem dali o mais rápido que conseguem.

CENA 8: EXT. BETEL – RUAS – DIA
Os soldados filisteus arrombam as portas, viram as barracas, agridem o povo, tudo para arrancar à força as moedas dos impostos.

CENA 9: EXT. BETEL – RUA PRINCIPAL – DIA
Acuado junto ao povo, Débora aguarda aflita. De repente ela nota numa rua que passa por ali, mas lá na frente, uma carroça e a clara silhueta de Lapidote. Cruzam aquela rua e somem. Seus olhos arregalam e seus pensamentos vão a toda velocidade!
Ela então olha para o soldado que está bem próximo. Como sair dali? Pensa, pensa, pensa...
Então ela nota um objeto metálico que, na correria do povo, deve ter caído. Sem o soldado perceber ela estica o braço e o pega.
DÉBORA
O que é isso aqui?
O soldado olha para ela.
SOLDADO
Cale a boca.
DÉBORA
(olhando sua própria mão fechada) Mas há algo aqui...
O soldado agarra o braço dela e abre sua mão: Débora então bate, com toda sua força, o objeto no rosto do homem, que cai para trás, o nariz sangrando. Ela aproveita para correr. Os outros soldados não a veem, e aquele ainda está sangrando no chão.

CENA 10: EXT. BETEL – RUAS – DIA
Débora corre o mais rápido que pode pelas ruas vazias de Betel. A cada cruzamento tenta localizar a carroça de Lapidote.
Quando finalmente a encontra, lá na frente, ela dispara ainda mais rápido.
DÉBORA
Lapidote! Lapidote!!!
Perto do portão da cidade, Lapidote ouve e olha para trás.
LAPIDOTE
Débora?! Débora! É a Débora, meu pai! Ela está vindo!
DÉBORA
Lapidote!!!
MISAEL
Se aquieta, Lapidote! Precisamos nos distanciar da cidade!
Eles então passam pelo portão e tomam o campo. Débora continua a correr.

CENA 11: EXT. BETEL – RUA PRINCIPAL – DIA
Outro soldado finalmente nota aquele soldado caído com as mãos tapando o nariz ensanguentado.
SOLDADO 2
Ei, o que é isso?! O que aconteceu aqui?!
SOLDADO
Uma garota... Estava aqui... A maldita me pregou uma armadilha!... E fugiu...
O soldado 2 faz que não.
SOLDADO 2
Se o Comandante souber disso, você será humilhado e açoitado. (espiando o Comandante) Vá atrás dessa garota, eu cubro para você.
O soldado então se levanta e, com uma mão no nariz, corre pela rua por onde Débora foi.

CENA 12: EXT. BETEL – ARREDORES – DIA
Ali no espaço mais aberto, Débora já está quase alcançando a carroça de Lapidote e Misael.
DÉBORA
Esperem!!! Por favor!... Para onde estão indo?! O que aconteceu?!
MISAEL
Não conte nada, Lapidote! Se a ama, fique quieto!
Lapidote olha aflito para ela, que se esforça mais e os alcança de vez. Apesar do movimento, os dois estendem suas mãos um para o outro e se seguram. As lágrimas caem dos olhos de Lapidote, e Débora, correndo, está confusa e desesperada.
Então ele nota o soldado filisteu saindo da cidade e vindo naquela direção.
LAPIDOTE
Oh, não...
Misael olha para trás e vê o homem.
MISAEL
Eles nos descobriram, temos que sumir!
LAPIDOTE
(segurando a mão dela) Débora, eu vou voltar! Eu prometo que eu voltarei! Me perdoe! Por favor, me perdoe! E espere por mim! Eu vou voltar, Débora!
Débora, correndo e segurando firme a mão dele, começa a chorar.
LAPIDOTE
Eu te amo! Eu te amo muito, Débora!
Ela está transtornada.
LAPIDOTE
Diga! Diga o mesmo para mim, por favor! Diga que me ama, Débora!
Mas ela não diz, só chora.
LAPIDOTE
Eu voltarei para você! Me espere!
Ambos choram quando a velocidade da carroça aumenta e suas mãos são separadas. Cansada, Débora para de correr e observa a carroça se distanciando cada vez mais, com Lapidote olhando para ela.
Lágrimas, cansaço...
O soldado filisteu finalmente chega ali e agarra a garota. Vira-a para ele e mete-lhe uma bofetada no rosto. Débora mal parece sentir, seus olhos logo viram para a carroça. O filisteu também olha para os dois se distanciando, mas não pode alcança-los. Então volta puxando Débora.

CENA 13: EXT. BETEL – RUA PRINCIPAL – DIA
O Comandante nota o soldado chegando ali puxando Débora pelo braço e se aproxima.
COMANDANTE
Quem é essa?
O soldado fica levemente apreensivo e passa rapidamente a mão no nariz.
SOLDADO
Uma atrevida. Fala demais!
COMANDANTE
Estou precisando de hebreus assim para minha diversão. Me dê ela aqui.
O Comandante pega Débora pelo braço e a leva para junto de Jaziel e Sangar.
COMANDANTE
Se faltar uma moeda dos impostos, vocês terão suas cabeças decepadas.
Débora, atordoada, olha para Jaziel e Sangar.
Logo todos os soldados voltam para ali com os sacos de moedas. Espalham tudo sobre o chão e contam. Por fim, um deles se levanta para anunciar. O povo espera apreensivo.
SOLDADO 3
Não falta nada. Está tudo certo.
O Comandante visivelmente não gosta de ouvir isso.
COMANDANTE
Contem de novo!
SOLDADO 3
Tudo?
COMANDANTE
Obviamente!
Mais alguns minutos se passam, e o mesmo soldado anuncia novamente.
SOLDADO 3
Como anteriormente, senhor. Os valores estão corretos.
O Comandante fica raivoso.
COMANDANTE
Mas apanharão!
SANGAR
Por quê?! O que fizemos?!
COMANDANTE
Porque eu quero, pedaço de estrume! Chicote!
Logo um soldado se aproxima com um chicote e o entrega ao Comandante.
COMANDANTE
Malditos!
Ele começa a chicotear as costas de Sangar, Jaziel e também de Débora. O povo grita apavorado, e os soldados os ameaçam com as espadas. Caída, Débora não tem o que fazer a não ser o semblante de dor a cada chicotada desferida em seu corpo.
Logo Elian e Tamar chegam ali. Ao ver a filha caída e sendo açoitada com os dois, ela corre gritando, mas soldados a impedem de avançar.
TAMAR
Débora!!!
Caída, Débora percebe a mãe e o pai assustados em meio ao povo.
Cansado, o Comandante para, olha para eles aos seus pés e se aproxima de Sangar que, com dificuldade, levanta o olhar para o homem.
COMANDANTE
(olho no olho) Você quer dizer algo?
SANGAR
Sim... A sua hora... vai chegar...
O Comandante cospe no rosto de Sangar e se afasta.
COMANDANTE
Até breve. (para os soldados) Vamos!
Então todos eles sobem em seus cavalos e partem dali. Tamar e Elian correm até Débora.
TAMAR
Filha, minha filha! Débora! Você está bem, Débora?! Está machucada?!
DÉBORA
(com dor) Sim, sim... Estou bem...
Eles a ajudam a se levantar.
TAMAR
Meu Deus do céu!...
DÉBORA
Não se preocupem comigo... Há algo maior para se preocupar...
ELIAN
Do que está falando?!
DÉBORA
Lapidote... e Misael... foram embora...
TAMAR
O quê?!
DÉBORA
Aqui...
Débora sai correndo.
TAMAR
Espere...

CENA 14: EXT. BETEL – ENTRADA – DIA
Débora chega no portão da cidade. Para um lado se afastam os filisteus em seus cavalos. Ela olha para outro lado, por onde a carroça de Lapidote e Misael partiu. Volta a chorar... Tamar e Elian a alcançam.
TAMAR
Oh, minha filha...
Tamar então abraça Débora, que chora compulsivamente no ombro da mãe. Elian afaga o cabelo da garota.
ELIAN
(olhando para o horizonte) Está tudo bem... Vai ficar tudo bem...
Em Tamar com Débora e Elian ao lado, parados na entrada e de costas para a cidade, IMAGEM CONGELA
CONTINUA...
FADE OUT:


No próximo capítulo: Ao partirem em busca de pistas de Lapidote e Misael, Débora e Jaziel fazem uma grande descoberta no deserto.







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