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Débora - Capítulo 20


Débora
CAPÍTULO 20

uma novela de
FELIPE LIMA BORGES

escrita por
FELIPE LIMA BORGES

baseada nos capítulos 3 a 5 do livro de Juízes

 No capítulo anterior: Jaziel conta a Débora porque Sama lhe deixou. Indo embora, eles percebem uma movimentação de pessoas na frente da casa de Sangar e entram. O juiz, definhando, pede a Débora que se lembre do que ele lhe falou, e diz para jamais se esquecer de colocar Deus à frente de suas decisões, e que o que ele disse acontecerá se for esse o destino traçado por Deus a ela. As últimas palavras de Sangar é falar a Débora que enfrentar tudo, até mesmo a morte, é o destino de um juiz de Israel. Sangar então falece e Débora desaba a chorar. 7 dias de luto se passam em toda a terra de Israel. Débora, rebatendo comentário de Éder, diz que coloca sim as coisas de Deus à frente de tudo em sua vida, mas que não é necessário sacrificar a vida pessoal para amar a Deus sobre todas as coisas. Najara relembra Sísera do favor que lhe pediu, e ele pergunta o que ela faria se descobrisse que Jeboão tem um caso com outra mulher, ao que ela desconversa dizendo que não sabe dizer. Jaziel encontra Sama na rua e inventa justificativa para falar com ela. Nira e Debir se preparam para partir no dia seguinte. Em conversa entre Aliã, Débora e Éder, Débora contribuiu para o assunto, mas Éder não gosta e insinua que retaliará. Ambos se desentendem em público, mas Débora, ciente de que não fez nada de errado, é firme em dizer que não se calará. Elian chega no momento em que Éder dá uma bofetada na noiva. Aliã e o povo o contêm, mas ele diz para Débora que não a suporta, e ela diz que não o ama e que o que menos quer na vida é o casamento. Débora ainda diz que está claro que o casamento de ambos é impossível de se dar certo. Aliã a apoia e Elian, acuado, desmancha o noivado. Éder diz que isso não ficará assim e vai embora. Sísera invade a casa de Nira e flagra ela e seu pai aos beijos na cama. Apesar das explicações do pai, Sísera apenas observa os objetos dali e vai embora. Com Elian indignado e Débora contente, Tamar descobre que o noivado da filha acabou. Nira manda Jeboão embora e chama Debir para partirem imediatamente. Ao descobrir da traição do marido pela boca do filho, Najara, escondida, pega seu punhal e guarda nas vestes. Nira e Debir saem da cidade à carroça, mas ela é vista por Jeboão, que os persegue. Sísera e Najara não encontram nada na casa de Nira, e correm para a entrada da cidade. No lado de fora de Harosete, Jeboão grita por Nira e o casal combina entre si de mata-lo. Jeboão questiona Nira sobre a situação. Sem que os três percebam, Najara e Sísera os observam do portão da cidade.
FADE IN:

CENA 1: EXT. HAROSETE – ARREDORES – DIA
Sísera e Najara continuam escondidos atrás do portão da cidade e observando, lá fora, Jeboão, Nira e Debir. Diante do silêncio desses dois, Jeboão parece entender tudo.
JEBOÃO
Então é isso... Sempre foi isso. Bem que desconfiei. Fui tolo de não dar ouvidos à minha própria consciência. Todo esse tempo e tudo bem embaixo do meu nariz... e escolhi não perceber.
Nira o encara quieta. Debir então toma a frente.
DEBIR
É isso mesmo! Tudo não passou de um plano para arrancar o seu ouro. Você foi só uma peça, Jeboão. Um objeto que usamos.
Jeboão olha desesperado para Nira.
JEBOÃO
Como pôde?... Me enganou... Me usou, me iludiu!... Pensei que... que...
NIRA
Que eu te amasse?
Nira ri de Jeboão.
NIRA
Olhe para você, olhe para Debir. Onde que uma mulher como eu iria me interessar por uma carniça igual a você?!
Jeboão, atordoado, mal parece acreditar no que ouve.
NIRA
Eu não sinto nada por você. Só nojo e repulsa.
JEBOÃO
Mas... Nossas noites... Nossas tardes... Nossos momentos juntos...
NIRA
Eu só te usei, velhote! Sacrifiquei o meu corpo e a minha intimidade em prol de meu sonho com o meu verdadeiro amor, Debir! (abraçando Debir) O meu homem, a minha vida, o meu tudo!
JEBOÃO
Maldita!!! Os dois, malditos!!!
Nira ri do escândalo de Jeboão.
JEBOÃO
Vocês me humilharam! Como ousam?! Eu sou o pai do Capitão! Como ousam fazer isso com o pai do Capitão???!!!
NIRA
Não é difícil. Fica fácil quando se olha para esse seu rosto nojento, esse seu corpo de cabrito seco, essas pelancas caídas e essa quantidade de pelos tal qual as dezenas de anos que tem nas costas. Velho nojento, podre, iludido! Nunca me teve de verdade, e nem em seus mais loucos sonhos poderia!
Encarando os dois, Jeboão parece quase explodir de ódio.
DEBIR
Eu o mato ou vamos embora e deixamos esse estrume aí?
JEBOÃO
Vou denunciá-los ao meu filho! Vou contar tudo a ele! Vou mandar prendê-los! Vocês dois serão mortos!!!
NIRA
Sísera já sabe de tudo, esqueceu?! E aparentemente ele não gostou nada do ato do pai.
JEBOÃO
Não interessa!!! Vou fazer questão de fazê-los pagar do mesmo jeito! Vou atrás de Sísera agora mesmo!
Quando Jeboão vira para a cidade, Najara e Sísera se revelam no portão.
NAJARA
Não será necessário.
Jeboão se assusta e paralisa. Najara, seguida do filho, caminha com o nariz empinado e os passos firmes. Nira e Debir se entreolham com medo e se aproximam um do outro.
Quando Najara chega ali, Jeboão olha de Nira e Debir para a esposa e Sísera. Tensão no ar...


CENA 2: EXT. BETEL – RUAS – DIA
Caminhando pela rua, Sama observa várias pessoas comprando estátuas de deuses e outros amuletos de idolatria.
VENDEDOR
(para Sama) Deseja algo, mocinha? Uma estátua de Baal para a prosperidade de sua vida? Ou talvez de Astarte? Garanto que ela lhe ajudará a arrumar o homem dos seus sonhos!
SAMA
Só as sementes, mesmo. Obrigada.
E vira para sair, mas paralisa ao dar de cara com Jaziel.
JAZIEL
Sama, oi...
Sama não gosta de encontra-lo, e se ajeita.
JAZIEL
Eu... só queria lhe pedir uma informação.
SAMA
Outra?
Sama sai andando e Jaziel a acompanha.
JAZIEL
É que eu preciso de um endereço, um lugar em que fomos juntos uma vez. Quero levar os meus pais. Não! Uns amigos! São uns amigos que eu quero levar...
SAMA
Betel nem é tão grande assim, e você sempre foi bom de lembrança.
JAZIEL
(sem jeito) Mas isso acontece...
Sama então para e olha para ele.
SAMA
Jaziel, está na hora de parar. De parar de arrumar justificativas para a gente se falar. Acabou, e você precisa aceitar e conviver com isso. Já está tudo explicado, foi tudo colocado sobre a mesa. Agora cada um segue o seu caminho!
Jaziel fica sem jeito e olha para baixo.
Então olha para ela.
JAZIEL
(ressentido) Então é assim.
SAMA
Sim, é assim. Infelizmente.
Ressentido, ele aperta os lábios.
JAZIEL
Muito bem. Adeus, Sama.
SAMA
Adeus, Jaziel.
Jaziel sai dali imediatamente. Observando-o se afastar, Sama deixa escapar uma lágrima... que logo ela limpa.

CENA 3: EXT. HAROSETE – ARREDORES – DIA
Jeboão, assustado, olha para Najara.
JEBOÃO
Najara! Meu amor! Não é nada do que parece!...
SÍSERA
O senhor se justifica demais, pai.
JEBOÃO
Cale a boca! Cale a sua boca, Sísera!
De repente Najara arranca o punhal das vestes e o aponta para o marido. Sísera se surpreende, mas não reage.
NAJARA
Respeito, Jeboão! Respeite o Capitão do reino!
Nira e Debir estão apreensivos com o que pode acontecer ali. Mantendo a lâmina apontada para Jeboão, Najara se aproxima devagarinho.
NAJARA
Eu estava certa nesse tempo todo... Os sumiços, os atrasos, as justificativas atravessadas... Todo esse tempo e você estava mesmo com uma amante.
Uma raiva parece surgir no semblante de Jeboão.
JEBOÃO
Estava. Estava mesmo. Pois eu não a suportava mais. Há tempos você não passa de um peso em minha vida, uma fadiga interminável!
NAJARA
Seu maldito! Ninguém me trairá e ficará impune!
Jeboão força uma risada.
JEBOÃO
E o que você vai fazer?! Me matar?! Você, Najara?! Vai me matar na frente do nosso filho?! (apontando Nira e Debir) Com testemunhas?! O que é que isso aqui virou?!
NAJARA
Seu canalha! Como pude ser tão ingênua de me apaixonar por você na nossa mocidade?! E ainda correr atrás! Você é a pior criatura que eu já tive o desprazer de enxergar!
JEBOÃO
Suponho que esteja falando com um espelho!
De repente, num ataque de fúria, Najara ataca Jeboão com o punhal e finca a lâmina em seu estômago. Sísera observa tenso, mas se mantém parado. Nira e Debir, espantados, parecem começar a se desesperar.
DEBIR
Vamos sair daqui!
Debir puxa Nira e os dois correm para a carroça. Sobem apressados.
Najara arranca o punhal de Jeboão e desfere outros sucessivos golpes em seu peito e barriga.
O corpo dele então desaba e cai com os olhos esbugalhados. Uma poça de sangue se forma rapidamente ao redor.
Sísera encara o pai morto...
Najara nota a carroça de Nira e Debir começando a se afastar rapidamente.
NAJARA
Vagabunda!!!
Najara então atira o punhal na direção de Nira! A arma rasga o ar girando. Debir, que se movimentou com antecedência, pula atrás de Nira a tempo... e o punhal crava na costa dele. Nira olha, mas Debir cai da carroça e fica estirado no chão.
NIRA
DEBIR!!!
Desesperada, Nira pula da carroça e se abaixa ao lado do amado.
Sísera, por sua vez, ainda olha confuso para o corpo de Jeboão.
SÍSERA
O pai está morto... Meu pai está morto...
Najara olha para ele.
NAJARA
Não se preocupe, eu darei jeito de ocultar tudo isso.
Debir agoniza olhando para Nira, que chora copiosamente sobre ele.
DEBIR
Fuja... Nira, fuja...
NIRA
Não!...
DEBIR
Fuja, Nira... O mais rápido que puder... Eu... te amo...
Nira pega as mãos dele.
NIRA
Eu também te amo!...
Najara olha para Nira, e ela percebe.
Chorando sem parar e a muito custo, Nira deixa Debir e corre para a carroça.
NAJARA
(para Sísera) Vá atrás dela!
Nira sobe. Desesperada, olha para Najara e Sísera. Bate as rédeas do cavalo e sai rápido.
SÍSERA
Estou a pé. Vou precisar voltar e mandar realizarem buscas!
NAJARA
Pois faça isso rápido! Essa rameira não vai ficar impune pelo que fez comigo!
Nira vai embora olhando para trás, sem tirar os olhos do corpo de Debir, cada vez mais distante.
E Sísera olha novamente para o corpo ensanguentado do pai por alguns segundos... E então vira e volta para a cidade.
Najara, por sua vez, encara com desprezo o marido morto.

CENA 4: EXT. BETEL – RUAS – DIA
Débora analisa as frutas de uma das barracas.
DÉBORA (NAR.)
Acredito não ser surpresa que poucas semanas depois, Lapidote e eu voltamos a nos aproximar.
Um par de mãos tampa os olhos de Débora e ela sorri.
DÉBORA
Jaziel?...
LAPIDOTE
Nem de longe.
DÉBORA
Ah, Lapidote!
Ela se desvencilha das mãos e vira para ele com um sorriso grande.
LAPIDOTE
Como você está?
DÉBORA
Ah, indo... E sorrindo de vez em quando.
LAPIDOTE
É, anda sendo difícil sorrir com a idolatria generalizada.
Débora respira fundo.
DÉBORA
Às vezes eu gostaria de saber que palavras usar para convencer esse povo a sair disso, mas não consigo encontrar nenhuma... e acaba que me sinto menor e mais fraca ainda.
LAPIDOTE
Embora seja admirável, você não precisa carregar o peso de todo o povo nos seus ombros, Débora.
Tristonha, ela faz que sim.
LAPIDOTE
Escute, você está muito ocupada?
DÉBORA
Não... Na verdade estou com um tempo livre. A essa hora cavalgaria com o Jaziel, mas ele anda indisposto desde que minha prima o deixou... E está muito difícil reanima-lo. Está aí outro motivo que me deixa mal, não conseguir ajudar alguém que tanto considero. Bem, mas sim, estou livre.
LAPIDOTE
Então gostaria de convidá-la a dar um passeio comigo.
Débora sorri.
DÉBORA
Eu aceito.
Lapidote sorri satisfeito e os dois saem juntos pela rua.

CENA 5: INT. PALÁCIO – SALA DO TRONO – DIA
Sísera está de pé diante do trono de Jabim.
JABIM
Quero um relatório, Capitão, sobre como anda o caso Israel.
SÍSERA
Os 900 carros estão prontos, soberano. Já passaram pela manutenção e limpeza. E os nossos soldados já conhecem a geografia local. Estamos na fase de organizar as tropas de acordo com as estratégias. Quero atacar os locais corretos e inibir qualquer reação dos hebreus.
JABIM
Ótimo. Aguardarei ansioso por novidades suas. Quero esse ataque para logo.
SÍSERA
(reverenciando) Assim será feito, meu senhor.
Jabim o olha num misto de satisfação e ansiedade.

CENA 6: EXT. CAMPO – PALMEIRA – DIA
Débora e Lapidote vêm caminhando pelo campo verdejante até chegarem à mais alta e bonita palmeira daquela região.
LAPIDOTE
Muito tempo se passou, mas a palmeira continua aqui, firme, acontecendo o que acontecer.
DÉBORA
Ainda bem, não é?
Lapidote ri.
DÉBORA
Sabe, apesar de muito tempo ter se passado, eu não me esqueci de tudo o que aconteceu.
Lapidote respira fundo.
DÉBORA
Eu sofri muito, pois te amava. Eu te amava muito, Lapidote. Mas nunca me esqueci que você saiu sem me dar um único motivo para isso. E eu sei que você sabia das razões, pois seu pai o mandou não me contar caso me amasse. Pelo jeito... você amava mesmo. Para bem ou para mal, você me amava.
Ele faz que sim...
LAPIDOTE
Parece que chegou a hora de se abrir as porteiras da verdade...
Débora logo se senta aos pés da palmeira, e Lapidote faz o mesmo.
Ele então parece buscas palavras enquanto aprecia a linda paisagem ao redor.
LAPIDOTE
Débora... O que vou lhe contar é muito perigoso, uma vez que pode colocar em risco seu relacionamento com o seu pai.
Ela franze a testa.
DÉBORA
Meu pai?! (pequena pausa) Espere... Não diga que meu pai tem envolvimento no sumiço de vocês.
Visivelmente com dificuldade, Lapidote faz que sim para ela.
LAPIDOTE
Apesar da dor da separação que ambos experimentamos, Elian fez isso por amor, Débora. Por considerar muito sua filha.
Ela parece bastante afetada pelo que descobriu.
DÉBORA
Não... Seja lá o que ele tiver feito, fez por egoísmo. Aquele homem... só pensa nele mesmo. Em sua aparência, em como será visto, e bem-visto, pelo povo. Tudo para ele é aparência.
LAPIDOTE
Eu preciso que você me prometa que não confrontará o seu pai, que não contará nada a ele e, principalmente, que não guardará mágoa dele.
DÉBORA
É difícil... Posso prometer as primeiras coisas, agora não guardar mágoa?! Ninguém pode me privar disso. Meu pai me decepciona desde que eu ainda nem o conhecia.
LAPIDOTE
Tudo bem. Vou confiar em você. (pequena pausa) Na época... Elian não aceitava o nosso relacionamento. Ele queria alguém melhor para você. Na verdade, alguém com mais dinheiro.
Débora respira fundo e revira os olhos.
DÉBORA
Que coisa mais superficial.
LAPIDOTE
No dia anterior ao da minha partida, seu pai visitou a sapataria do meu pai e ofereceu uma quantia em dinheiro para ele ir embora. Se meu pai não aceitasse, ele incitaria os filisteus contra nós. Ao menos foi o que ele ameaçou.
Débora ouve imaginando tudo com desprezo.
LAPIDOTE
Não teve jeito, meu pai se sentiu forçado a partir. Eu quis muito encontra-la e me despedir de você, Débora, mas meu pai não permitiu, ele sabia que se isso acontecesse o seu pai poderia revidar. Elian de fato não queria mais nenhum encontro entre você e eu.
Respirando rápido e bastante afetada, Débora olha para os lados e engole em seco.
Vira para ele.
DÉBORA
E então?
LAPIDOTE
Não houve jeito... Eu... queria muito falar com você na época, Débora. Realmente eu não pude... É isso... Fomos primeiro para Ramá, depois partimos para um pequeno vilarejo além das montanhas e ali vivemos. Anos depois meu pai morreu e então eu atendi seu pedido de ser sepultado em sua cidade natal. Fiquei meses nesses campos até não conseguir mais me conter e vir encontra-la, bem aqui.
Débora arqueia as sobrancelhas.
DÉBORA
Pouco depois de vocês sumirem, minha mãe até suspeitou de envolvimento do meu pai. Mas logo nem ela mais conseguia acreditar nisso.
LAPIDOTE
Por favor, não odeie o seu pai... Tente perdoá-lo, Débora.
DÉBORA
O meu cesto está cheio de coisas que preciso perdoar, mas não sei se terei capacidade para isso.
Lapidote fica tristonho...
LAPIDOTE
Naquele tempo... o que foi que você pensou que poderia ter nos motivado a partir daquela forma?
DÉBORA
Olha, Lapidote, eu sempre pensei, pensei, pensei... mas nunca encontrei algo que fazia completo sentido. Nossa, o quanto eu sofri, o quanto chorei... E era tão nova...
Lapidote fica meio sem jeito.
LAPIDOTE
Eu sinto muito... Eu nunca a esqueci... Em todo esse tempo eu nunca a esqueci.
Ela olha para ele.
LAPIDOTE
Eu quero uma nova chance, quero fazer tudo diferente, Débora.
Ela deixa escapar um sorrisinho.
LAPIDOTE
O quê?...
DÉBORA
É que foi isso que o meu pai pediu à minha mãe quando voltou para casa. Mas eu sei que nós dois somos completamente diferentes...
LAPIDOTE
Eu jamais, jamais faria aquilo que fiz por livre e espontânea vontade. Jamais a abandonaria, jamais a deixaria, jamais a faria sofrer!... Como poderia fazer isso com a flor mais linda que já encontrei? Com uma pessoa que tanto eu amava... Que tanto amo.
DÉBORA
Ama... Então, depois de todo esse tempo, ainda me ama.
Ele sorri.
LAPIDOTE
Não está claro?
Ela fica desconcertada e sorri.
LAPIDOTE
Não houve um único dia em que não pensei em você, que não quis largar tudo e vir correndo para os seus braços! O quanto eu temi que já tivesse se casado... Mas, graças ao bom Deus, e ao que parece, Lapidote nasceu para Débora... e Débora nasceu para Lapidote.
Mais próximos, eles sorriem com cumplicidade. Então ela tira do bolso da veste um objeto que entrega a ele: a semente de tamareira presa a um cordão. Ao ver, Lapidote fica surpreso.
LAPIDOTE
Débora! É a mesma?!
DÉBORA
Sim! A mesmíssima!
Ele admira a semente em suas mãos... Passa o dedo nas gravuras que fez anos atrás, as iniciais dos nomes de ambos.
LAPIDOTE
Minha fé me trouxe de volta até aqui, até esse momento... Agora eu quero saber se estava certo, se ainda há um recomeço para nós dois.
DÉBORA
E quando foi que a fé de um hebreu o levou ao erro?
Entendendo tudo, Lapidote sorri e eles aproximam, aproximam, aproximam até seus lábios se tocarem e se beijarem com um poço de sentimentos envolvidos...
Então ela se afasta um pouquinho.
DÉBORA
Eu preciso dizer algo... que não consegui dizer antes.
Ele presta atenção.
DÉBORA
Eu te amo.
E novamente eles se beijam. A mão dele acaricia o rosto dela, e a mão dela acaricia o cabelo dele.
DÉBORA
Que saudade!...
E beijam mais um pouco...
Até que param.
DÉBORA
É melhor assim.
Os olhos dela estão marejados.
LAPIDOTE
Sim... Claro.
DÉBORA
É o suficiente para eu saber... que o meu sonho não morreu.
Suas lágrimas transbordam dos olhos e se derramam em seu rosto corado. Lapidote sorri para ela e a abraça.
SEMANAS DEPOIS...
Naquele mesmo local, porém com tendas, mesas, adornos e (principalmente) pessoas para todos os lados, acontece o casamento de Débora e Lapidote. Ela, de vestido e com a cabeça coberta por um véu, e ele, com uma linda veste comprida, estão de frente para o ancião Aliã.
Eles seguem as instruções do ancião. Débora dá 7 voltas em torno de Lapidote... Ele repete as palavras de Aliã e toma do cálice de vinho... Levanta o véu dela... Ela repete as palavras do ancião e também toma do vinho... E, por fim, Aliã os declara marido e mulher.
O povo grita em comemoração quando os dois, sorrindo, se aproximam e trocam um beijo apaixonado. Flores e cereais são jogados para o alto e colorem o ar ao redor, causando uma chuva sobre os recém-casados.
Ali perto, Tamar cutuca Elian por causa do semblante descontente do marido.
Jaziel nota Sama sorrindo ao lado de um homem, seu novo namorado.
JAZIEL
(murmurando) Como pode?... Tão rápido...
Afastado de todos, Éder observa escondido a felicidade de Débora e Lapidote. Raivoso, ele vira as costas e sai pisando duro. No entanto Isabel, prima de Débora, nota-o e o observa com um olhar triste.
Felicíssimos, Débora e Lapidote passam pelas pessoas, que sorriem e jogam mais flores e cereais em cima deles. No meio de todos, eles param e olham um para o outro.
LAPIDOTE
Meu amor...
DÉBORA
Meu eterno amor...
E se beijam. Um beijo carregado de um amor outrora impossível, mas que agora tinha tudo para ser para o resto da vida.
No beijo apaixonado do casal sob a chuva de cores, IMAGEM CONGELA
CONTINUA...
FADE OUT:


No próximo capítulo: O reino de Hazor, liderado por Sísera, ataca Israel e anuncia uma era de escravidão. 20 anos se passam, uma nova fase começa, e Débora sente um chamado.

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