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BUDAPESTE - CAPÍTULO 08

 


BUDAPESTE - CAPÍTULO 8

Escrita por:

Wanderson Albuquerque

Cena 01 – Mansão Angyal - Jardim – Ext. - DIA

Lorenzo e Emese conversam no jardim na mansão. Ela está sentada com seu roupão.

Lorenzo: Eu tenho algumas notícias sobre o Konrad que talvez sejam coisas a se preocupar.

Emese: E o que seriam?

Lorenzo (entrega fotos): Bom, ele foi visto pelos nossos seguranças indo em direção a uma floresta aqui perto de Budapeste, mas logo em seguida, ele sai da estrada principal e vai por uma de terra. Nessa aqui (aponta para foto), mostra ele indo até essa cabana. Ela não fica muito longe da estrada principal, mas é algo estranho.

Emese (curiosa): Mas não há registros na contabilidade dele ter alguma propriedade no nome dele, apenas imóveis fora do país.

Lorenzo: É esse o problema. Seria muito melhor se fosse dele.

Emese: Como assim?

Lorenzo: Essa cabana era de um dos soldados do Governo Húngaro. Ele também era filiado ao Partido da Cruz Flechada-Movimento Húngaro, o qual tinha os mesmos ideais do Partido Nazista Alemão.

Emese: Sim, sim! Foi por isso que fizeram aquele monumento às margens do Rio Danúbio, onde tem aqueles sapatos de ferro para homenagear as vítimas que eram fuziladas as margens do rio.

Lorenzo: Exatamente. Os Sapatos são símbolo, porque durante o período da Segunda Guerra, várias fábricas fecharam, então eram vistos como artigos de luxo. Então, antes do fuzilamento, os judeus tinham que tirá-los e os milicianos do Partido da Cruz Flechada vendiam.

Emese: Tudo que o Konrad faz é milimetricamente bem pensado.

Lorenzo: E ainda tem mais, é bem provável que o Senador seja um aliado dele, já que eles têm bastante contato.

Emese: Preciso fazer algo. Temos que reunir o máximo de provas contra o Konrad e denunciá-lo.

Cena 02 – Parlamento Húngaro – Escritório – Int. – Dia.

O Senador Fridrich fuma seu cigarro em seu escritório no Parlamento. Um homem de preto está na sala.

Homem: O senhor tem certeza?

Fridrich: Eu quero que você elimine esse rapaz. De preferência, quero que seja morto de um jeito que não tenha chances nenhuma de sobrevivência.

Homem: Tenho uma ótima ideia pra isso. O senhor pode considerar feito.

O homem se prepara pra sair, mas Fridrich tem algo a dizer

Fridrich: Espere, não acabei. Quero que você me garanta que esse garoto vai morrer mesmo, quero provas, precisarei fotos, o que você quiser fazer.

Homem: Mobilizarei alguns homens para o trabalho. 

Cena 03 – Angyal Alimentos – Escritório – Int. – Dia.

O escritório tem uma vista para a cidade de Budapeste, na qual, se observa o Rio Danúbio e também o Parlamento Húngaro. Gabor está folheando os papéis, sua secretária anuncia a entrada de uma mulher.

Gabor: Pode pedir pra entrar.

Bórbala: Muito Obrigada por me receber, Gabor.

Gabor (surpreso): A senhora era a última pessoa que eu imaginaria ver aqui.

Bórbala: Por favor, não vamos ser tão formais, pode me chamar pelo meu nome. Bom, eu não vim até aqui atoa, mas antes aceitaria um café. Posso sentar?

Gabor: Claro, perdão minha falta de educação. Queira sentar-se, por favor. Jaméle, traga dois cafés, por favor.

Jámele assente e Bórbala senta-se na cadeira.

Gabor: E qual o motivo de sua visita?

Bórbala: Eu recebi o convite do casamento de vocês. Obviamente, o meu marido não gostou nada da ideia.

Gabor: É o que se espera de gente homofóbica mesmo.

Bórbala: Não quero que a conversa siga esse rumo. Eu amo meu filho e isso basta. Quero saber do que vocês precisam para o casamento.

Gabor: De nada. Está tudo organizado. Meus pais ajudaram com uma boa quantia e tanto eu e o Vencel trabalhamos, então dinheiro não é problema.

Bórbala: Ótimo. Mas quero que vocês dois se precisarem de qualquer coisa, me avisem. Eu me sinto péssima por ter permitido que o Fridrich fizesse tudo que fez com o Vencel e eu fui totalmente omissa.

Gabor: Sim, você foi. Se você veio até aqui e espera que eu tenha compaixão por você ou empatia pelo seu casamento falido, perdeu seu tempo.

Bórbala: Não, eu vim até aqui pra prestar o meu apoio. Em breve sairei daquela casa.

Gabor: Ótimo. O seu filho está te esperando e espero que você faça jus.

Gabor dirige-se até a porta e abre.

Bórbala: Bem que o Vencel disse que você tinha muita personalidade.

Gabor: O problema do Vencel é perdoar com muita facilidade quem o machucou. Eu não vou deixar que o meu futuro marido seja magoado por ninguém. Queira se retirar, por favor. (aponta para porta)

Bórbala assente e vai em direção a porta. Ela para.

Bórbala: Obrigada por cuidar dele.

Ela sai e Gabor fecha a porta.

Cena 03 – Avenidas de Budapeste – Dia

O dia está nublado. Muitas pessoas estão com agasalhos e com guarda-chuvas. A temperatura está cada vez mais baixa. Os corvos no céu gritam em seu coro agonizante. Os olhos negros são focados. Eles param em lugares altos e começam a ecoar o grito novamente.

Cena 04 – Anker Köz– Cafeteria – Int. Dia

Zóltar está esperando alguém em uma mesa da cafeteria. Ele percebe que há uma pessoa te observando de longe, ele ri de canto de boca.

Zóltar (para aí): Eles já estão agindo.

Neste momento, um homem de terno chega e o cumprimenta, é Sayorb, um apresentador do telejornal principal do país.

Sayorb: Então, Zóltar, você parecia muito transtornado no telefone, fiquei preocupado e precisei vir o mais rápido que pude.

Zóltar: Sayorb, preciso de um favor enorme.

Sayorb: É claro, você sabe que pode contar comigo. Você fez muito por mim e preciso retribuir, acredito que essa hora tenha chegado.

Zóltar: Muito Obrigado, meu amigo. Então… Há um grupo neonazista fazendo vítimas e possíveis outras atrocidades em todo o país.

Zóltar conta toda a história para Sayorb que parece ficar incrédulo a cada nova informação.

CORTA PARA:

Cena 05 – Haras Kovács – Escritório. – INT.

András está em seu computador e pesquisa em seu computador “Melánia Angyal”

Pesquisas: Melánia Angyal: Uma das mulheres mais poderosas da Hungria

Pesquisas: O legado de Melánia Angyal influencia outras mulheres.

Pesquisas: Melánia Angyal foi a mulher mais poderosa da década de 80

Pesquisas: Melánia Angyal: Era uma descendente de ciganos?

András (surpreso): A Melánia era cigana?

Kimerul entra na sala e ouve o nome da mãe de Emese.

Kimerul: Estava procurando sobre a família da Emese, não é?

András: Sim, já que o senhor não me conta, tive que buscar por conta própria.

Kimerul: Nunca foi provado que a Melánia, de fato, tinha descendência cigana. A década de 80 foi uma época difícil para os ciganos no país. Durante a Cortina de Ferro, os ciganos húngaros sofreram discriminação sistemática, sendo frequentemente sujeitos a estigmatização, segregação e pobreza. Eles enfrentaram dificuldades em termos de acesso à educação, emprego, moradia e serviços básicos. Se a Melánia tinha descendência cigana, ela conseguiu esconder muito bem para não sofrer retaliação.

András: A Emese, ela tem uma tia, com certeza deve saber alguma coisa. A Emese sabe de tão pouco, parece que ninguém quer contar nada da história da família pra ela.

Kimerul: E nem deveria.

András (irritado): Chega de mistérios, pai. Eu quero saber o que de tão grave a família dela fez.

Kimerul (seco): O pai da Emese, era descendente de nazistas.

András fica estarrecido com a informação.



Cena 06 – Anker Köz– Cafeteria – Int. Dia

CONT. DA CENA

Zóltar: É por isso que eu preciso da sua ajuda.

Sayorb: Mas meu amigo, se até a polícia está suja com isso de neonazistas, como eu vou poder te ajudar?

Zóltar: Preciso que você me entreviste para o jornal, ao vivo, sem cortes. A Hungria precisa saber o que está acontecendo e também isso vai me proteger, porque ficaria totalmente na cara. O que eu tenho contra eles é muito pouco, mas eles devem achar que eu sei muito, é por isso que a entrevista vai me salvar.

Sayorb: Ótimo! Eu vou te ajudar sim. Vou mudar a pauta do jornal de hoje. Quero você no estudo às 18h.

Zóltar: Fechado!

Zóltar aperta a mão de Sayorb

Cena 07 – Haras Kovács – Escritório. – INT

Kimerul: A família da Emese tem um passado criminoso e terrorista. Eles são a pior espécie, András. O avô da Emese fazia parte do exército alemão, era um homem de confiança do Heinrich Himmler.

András (confuso): Me perdoe a ignorância, pai, mas quem seria esse cara?

Kimerul (nervoso):  Esse crápula foi um merda nazista que ocupava as posições-chave no regime de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Ele era o comandante da SS (Schutzstaffel), uma organização paramilitar responsável por muitos dos crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos pelo regime nazista, como por exemplo, o Holocausto. Seu bisavô morreu em um dos campos de concentração e esse homem estava lá.

András está gelado, tentando processar toda a informação jogada. Ele dá um passo para trás e fica de boquiaberto.

Kimerul: O avô da Emese, era braço direito desse homem, era ele quem encontrava os judeus em Berlim e levava para os campos de concentração. Esse vagabundo, ainda conseguiu fugir para Budapeste quando acabou a segunda guerra e o Tribunal de Nuremberg começaria a punir os indivíduos que participaram ativamente do regime nazista e foram responsáveis por atrocidades durante o período do Terceiro Reich na Alemanha.

András: Mas como isso pode ser tão bem escondido?

Kimerul: O avô da Emese veio para Budapeste e conseguiu se estabelecer aqui. Virou dono de uma padaria, teve uma esposa e dois filhos.

András (ainda em choque): E o que aconteceu com ele, a esposa e o outro filho?

Kimerul (ri em deboche): Esse verme morreu assassinado. Mataram ele, porque a polícia o reconheceu. A esposa acabou cometendo suicídio se jogando no rio Danúbio. O outro filho ninguém sabe por onde anda. Dizem que foi criado por uma família irlandesa. O pai da Emese foi criado em um orfanato e herdou um dinheiro que o crápula do pai tinha.

Cena 08 – Mansão Angyal – Biblioteca – Int.

Sebestyénne está avaliando toda a biblioteca e como está empoeirada, Lorenzo e Emese entram no mesmo instante. A biblioteca da Mansão fica do lado de fora. Ela é enorme e conta com uma arquitetura gregoriana.

Emese: Acho que já passou da hora de mandar fazer uma faxina geral aqui.

Sebestyénne: Essa biblioteca só fora limpa duas vezes, depois ficou abandonada. Você fez a sua própria no seu escritório.

Emese: Sim. É isso que me incomoda, esse cômodo poderia ser aproveitado até como uma estufa.

Lorenzo: Eu acho a ideia muito boa, por sinal.

Emese: Mas não tenho tempo de coordenar isso, por enquanto, peça para limparem, acho que há coisas aqui que precisam ser jogadas. Tenho certeza que os cupins já fizeram a festa com esses livros.

Sebestyénne: Vou pedir para as faxineiras limparem tudo. Caso seja necessário, chamarei outras para separar os livros que já não servem mais.

Lorenzo: Ótimo, Sebestyénne.

Emese: Por favor, cuidem disso. Eu tenho muitas coisas pra resolver... Ah, Lorenzo, já ia me esquecendo, você vai ser meu acompanhante no casamento do Gabor e do Vencel, tudo bem?

Sebestyénne (rindo): Acompanhante, é? Hum.

Emese (fingindo raiva): Qual o problema, Sebestyénne?

Sebestyénne (disfarçando): Nada demais, apenas estou chocada com o fato do Gabor se casar.

Lorenzo: Será uma honra acompanha-la.

Emese: Ótimo, precisarei comprar meu vestido e o seu terno. Ligarei para o alfaiate.

Cena 09 – Traktorok Agro – Sala – Int.

Frank toma um café enquanto assina uns papéis. Felícia entra em sua sala sem autorização.

Frank: Faltou bem pouco pra você atravessar a parede desse jeito.

Felícia: Ah, a sua secretária é um amor. Ela já me conhece. Acredita que ela me reconheceu? Ela sabe que eu sou uma hipista.

Frank: Só não vá deixar a fama subir a sua cabeça.

Felícia: Se eu estivesse mesmo famosa, eu não estaria conversando com você aqui, meu querido.

Frank: E qual o motivo da sua ilustre presença?

Felícia: Ah, o Otávio disse que tinha alguns dias que você estava querendo sair com a gente, então vim almoçar com você.

Frank: Felícia, eu adoraria, mas só hoje eu preciso enviar dez planejamentos para clientes nossos no Brasil.

Felícia: Ótimo, o meu país! Mas eu não me desloquei até aqui pra você rejeitar o meu convite. Anda! Vamos almoçar!

Frank: Você não vai desistir, não é?

Felícia: Claro que não. Eu monto uma barraca aqui na sua sala e só saio quando formos almoçar.

Frank: Vou pegar meu casaco e vamos.

Frank vai até a poltrona e pega um casaco e sai com Felícia.

Cena 10 – Monster Grill – Escritório – Int. - DIA

Konrad abre a porta do seu escritório, ao fechar a porta, ele leva um susto com Barbara que está sentada em sua cadeira.

Konrad: Posso saber o que você está fazendo aqui?

Barbara (cinicamente) Senti sua falta, docinho.

Konrad: Eu não tenho tempo para suas brincadeiras, Barbara.

Barbara: Você está em um péssimo humor, pelo visto, mas não se preocupe. Trago uma notícia boa.

Konrad: E qual seria?

Barbara: Temos uma missão

Konrad: Por que nós precisamos provar sempre o nosso valor? Será que tudo que nós já fizemos não basta?

Barbara: Konrad, às vezes eu tenho uma impressão de que você seja burro mesmo. Precisamos fazer isso, porque o jogo começou. As peças do tabuleiro estão se mexendo.

Konrad: O nosso plano já vai começar? Não é um pouco precipitado demais?

Barbara: Claro que não! É questão de tempo até termos a opinião pública ao nosso favor. Se eles já ficaram uma vez, com certeza vão ficar novamente (rindo).

Konrad: E o que temos que fazer?

Barbara: Vamos explodir o parlamento húngaro!

Cena 11 – Clínica Veterinária – Recepção. – Dia

A recepcionista está anotando algumas coisas, anotando umas datas para próximas consultas. Emese chega em passos rápidos.

Emese (ofegante): Desculpa o atraso, cheguei muito tarde. Alguma consulta pra agora a tarde?

Recepcionista: Não, mas aquele moço ali quer falar com você. Insistiu em ficar esperando.

Emese olha e se depara com András sentado no sofá da recepção. Ele solta um sorriso.

András: Eu não tinha nada pra fazer, mas precisava vir conversar com você.

Emese assente e o chama para entrar no consultório.

Cena 12 – Restaurante. – Dia

Felícia e Frank estão almoçando e conversando.

Frank: Eu lembro muito bem quando o Otávio caiu. Quase que ele quebrou o braço na virada de ano. Nossa, como ele é desastrado (rindo)

Felícia: Sim, ele é um tonto.

Frank: Mas creio que você não me chamou pra almoçar só pra falar do Otávio ou relembrar o passado.

Felícia: Isso, você acertou. Eu realmente vim pedir um favor enorme, talvez seja o maior que eu já pedi alguém.

Frank: Felícia, você pode contar comigo sempre que quiser. Eu sou seu amigo, eu te considero uma irmã. Kérem, não faça suspense.

Felícia: Bom, como você bem sabe, eu sou a atleta oficial do haras dos Kovács, eles são como uma família pra mim, mas ultimamente estão passando por um período difícil, então pensei que você poderia ajudar.

Frank: Entendo. Felícia, veja bem, o meu ramo é totalmente diferente do deles. Eu vendo tratores e faço o cultivo da soja. Não há nada de interessante lá pra mim.

Felícia: Eu sei e entendo. Mas será que não há algo a fazer?

Frank: Acredito que não... Eu posso fazer uma proposta de sociedade, mas acho difícil eles aceitarem. O Kimerul ama aquele haras.

Felícia: Também acho. Deve ter algo que eu possa fazer.

Frank: Já sei! Minha família também cuida de muitos bois, acho que eu posso alugar algum pedaço das terras e deixar até eles se reestruturarem.

Felícia (comemora): Você é maravilhoso! Obrigada!

Felícia sai de sua cadeira e vai até Frank e o enche de beijo.

Cena 13 – Clínica Veterinária – Consultório – Dia

Emese põe seu jaleco no sofá ao lado da porta. András senta-se na cadeira em frente a mesa de Emese. Ela senta ainda surpresa.

Emese: Você era a última pessoa que eu imaginaria me procurar aqui. Não lembro de ter contado aonde ficava minha clínica.

András: Não se subestime, Emese. Você é Emese Angyal. A Hungria inteira conhece o seu nome.

Emese: Você tem razão. É que minha cabeça está a mil, não estou raciocinando muito bem. Mas qual o motivo da sua visita?

András: Eu estava aqui perto e decidi conversar com você. Tomei a liberdade de pesquisar algumas coisas sobre o seu primo, o Konrad. Ele comprou o Monster Grill.

Emese: Sim, eu já estou sabendo disso. Não é novidade.

András: Então cheguei atrasado (risos).

Emese: Sim, você chegou.

András: De qualquer forma, se seu primo comprou o Monster Grill, ele tem alguma intenção por trás. Acho necessário você ver isso direito.

Emese: Já passou pela minha cabeça mesmo ver o que ele está fazendo. Sinto que estou há dois passos atrás dele.

András: Pensando nisso, coloquei um funcionário lá no Monster Grill que vai nos dar as informações necessárias.

Emese: Fico feliz que esteja me ajudando, András. Mas a troco de quê?

András (suspira): Além de eu achar você incrivelmente linda, também me sinto incomodado com o fato de nazistas andarem por aí achando que estão fazendo a coisa correta. Eu me identifico com a sua história e quero te ajudar.

Emese (corada): Muito obrigada, András. Então... Isso é o inicio de uma parceria que vai dar muito certo.

András (estende a mão): Com certeza!

Emese retribui o aperto de mão. Eles se olham por um instante e riem.

Cena 14 – Monster Grill – Escritório – Int. - DIA

Konrad (surpreso): O quê? Você ficou completamente louca? Melhor… Vocês estão loucos?

Barbara: Não estou entendendo o seu tom, Konrad. Nós precisamos fazer isso! Imagina só! Vai estar em todos os jornais do mundo inteiro. Já consigo até imaginar as manchetes.

Konrad: Isso é loucura! Eu me recuso a fazer isso.

Barbara: Imaginei que você fosse se cagar de medo, mas já sabe. Se o parlamento explodir e você não estiver nessa missão, eu iria fazer questão de colocar uma granada na sua boca.

Konrad: Não se atreva a me ameaçar.

Barbara (se aproxima): Já estou, meu querido. Ah, outra coisa, se uma coisa que eu sei fazer bem é tortura. Eu vou fazer questão da sua namoradinha sofrer, já posso até ouvir os gritos dela “Por favor, Barbara, pare, está doendo muito” (risada maléfica)

Konrad (raiva): Se encostar em um fio de cabelo dela, eu juro que te mato.

Barbara (deboche): Mata nada! Você é um imprestável! Sempre foi. Nem dar cabo da sua prima chata você conseguiu. Escuta só o que eu vou te falar: Foi a última vez que você me ameaçou, da próxima vez, corto seus dedos fora e jogo no Rio Danúbio.

Barbara pega sua bolsa e sai acenando pra Konrad que pega um vaso e joga na parede.

Cena 15 – ANOITECE EM BUDAPESTE

O Sol desaparece para dar o ar a noite gélida de Budapeste. A Neblina paira por toda cidade. Há um alerta para os motoristas tomarem cuidado.

Cena 16 – TV HÚNGARA – Estúdio. – INT.

Zóltar entra no estúdio do telejornal acompanhado de István, Zaco e Aranka. Ambos ficam por trás das câmeras, eles esperam o apresentador Sayorb chamá-lo.

Sayorb: A Seguir, temos uma entrevista exclusiva com o jornalista número um desse país, Zóltar que fará uma alerta para a população da Hungria.

Os produtos chegam perto de Zóltar e colocam o microfone e outros aparelhos para começar a entrevista. Zóltar vai para a bancada e o Aranka, Zaco e István ficam atrás das câmeras.

Sayorb: Como está o coração, meu amigo?

Zóltar: Estou um pouco ansioso, mas acredito que dará tudo certo.

Sayorb: Vamos entrar no ar em dez segundos.

CORTA PARA:

Cena 17 – Academia – Salão – Int.

Emese acaba de chegar. Ela está vestida com sua roupa de academia. Em um dos armários, ela retira uma luva e coloca em sua mão. Ao fechar a porta do armário, ao lado está Konrad parado sorrindo pra ela.

Konrad: Olá, priminha.

Emese (se assusta): Você está maluco? Eu quase tive um treco aqui.

Konrad (debocha): Uma pena que você não caiu morta. Ia ser uma delícia ver você agonizando no chão.

Emese: Para a sua tristeza, você irá precisar de muito mais do que um susto.

Konrad: Olha, não me dê ideias, hein? Eu não sou um homem de dar sustos. Vou lá e faço.

Emese: Está me ameaçando, Konrad?

Konrad: Eu encararia como um conselho. O que eu disse há dias é verdade, Emese. Eu vou acabar você, não se preocupe, será lento e doloroso. Quero ver você agonizar diante dos meus pés.

Emese: Estou an-sio-sa(fala devagar).

Konrad dá um tapa de leve no armário e sai. Emese consegue respirar aliviada após a saída dele.

Cena 18 – TV HÚNGARA – Estúdio. – INT.

Sayorb: Hoje eu tenho o prazer de entrevistar esse grande amigo de longa data. Zóltar é o presidente do Jornal da cidade. Ele está aqui por um motivo sério e que vai servir de alerta.

Zóltar: Olá, Húngria. Estou aqui hoje em uma missão, se é que pode se dizer assim. Há algum tempo, venho investigando alguns crimes em nosso país. Todos os crimes tem o mesmo padrão, sempre com mensagens nas entrelinhas, o pior, mensagens de ódio e de cunho nazista. Aquele atentado com as pessoas em frente ao Parlamento Húngaro não foi feito pela mesma pessoa que matou o jovem Luca. O Padrão é diferente. Em Debrecen, uma jovem judia faleceu segurando uma rosa que não é encontrada aqui em nosso país e estranhamente, a rosa estava em outro crime que seguia o mesmo padrão. Quero dizer para todos os cidadãos húngaros, estou aqui ao vivo para todo o país, porque a polícia de Budapeste não pode me proteger, então estar aqui me dá margem contra esse grupo neonazista. Aliás, o delegado Orsolya é um dos membros desse grupo

Zóltar retira uma foto do bolso e aponta para a câmera. Na foto em questão, o delegado Orsolya está de camisa regata e em um dos seus braços está tatuado uma suástica.

Aranka (sussurra): Como ele conseguiu essa foto?

Zaco (sussurra): O Partisan!

Zóltar (cont.): Estou aqui de peito aberto e fazendo um juramento em nome dos meus ancestrais. Eu irei pegar todos esses nazistas filhos da puta

A Cena encerra.

A História não tem conexão real com a realidade. O preconceito e o ódio jamais deverão ser aceitos em qualquer sociedade! Apologia ao Nazismo no Brasil é crime previsto no art. 20, da Lei nº 7.716/89 do Código Penal, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.

DENUNCIE!

Fim do Capítulo 8


E hoje, às 21h, você acompanha as fortes emoções de:

 

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