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O PREÇO A SE PAGAR - CAPITULO 04


 Cena 01/Loja Betânia/Int/Dia

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior. 

Betânia e Rebeca conversam. 


Betânia — (sem acreditar) Como é? Foi isso mesmo que escutei? 

Rebeca — Eu vou na ordenação dele. Preciso ver com meus próprios olhos se vai ser esse mesmo o caminho que o Pedro vai escolher pra vida dele. 

Betânia — Você só pode ter ficado louca, Rebeca. Depois de todo esse tempo, você ainda tem dúvidas do caminho que o Pedro quer trilhar pra vida dele? 

Rebeca — Preciso saber se ele ainda gosta de mim. Se ele ainda me ama, como eu ainda.../

Betânia — (completa) Como você ainda o ama.

Rebeca — É isso mesmo, Betânia. (T) Você, mais do que ninguém sabe o quanto eu sofri, quando o Rufino levou o Pedro pro seminário, praticamente a força, arrastado. 

Betânia — Mas se o Pedro não quisesse mais ser padre, ele já tinha saído de lá, Rebeca. Aceita isso, minha irmã e pare de sofrer. Você tá de casamento marcado com o Jeferson. Daqui algumas semanas, você vai subir ao altar e dizer sim pra esse homem que é completamente apaixonado por você. (T) Esquece o Pedro de uma vez por todas. Pois foi isso que ele fez com você. Te esqueceu! 

Rebeca — Não... não... alguma coisa me diz que o Pedro ainda me ama. Meu coração me diz que ele ainda gosta de mim. 

Betânia — Você vai estar colocando sua relação com Jeferson em jogo, se você fizer essa loucura. 

Rebeca — Estou fazendo isso pelo Jeferson também. Só assim vou poder me entregar pra ele, de corpo e alma, como ele merece. 

Rebeca abraça Betânia. 

Betânia — Você sabe que sempre vou estar do seu lado. E se é isso mesmo que quer fazer, conta comigo.

Rebeca — Que bom ouvir isso, Betânia. Eu sabia que podia contar com minha maninha. 


Cena 02/Loja Betânia/Frente/Ext/Dia

Zinha digere o que acabou de escutar.


Zinha — Então a Rebeca vai na ordenação do Pedro... quem não vai gostar nada disso é o seu Rufino. Ele precisa saber disso o mais rápido possível pra que ele tome providências. E eu, como uma boa cristã, preciso ser a portadora dessa notícia, que vai impedir que a tentação da Rebeca, possa tentar estragar esse momento sagrado e tão bonito do menino Pedro, que finalmente vai se tornar padre!  

Quando Zinha vira-se, pra seguir apressada pra casa de Rufino, Vladimir lhe dá um susto. 

Vladimir — Buhhh! 


Zinha se assusta e bate com sua bolsa nele. 


Zinha — Que brincadeira sem graça, Vladimir. 

Vladimir — Tava fazendo o quê? Escutando a conversa alheia? 

Zinha — Não é da sua conta. E agora me dá licença, pois tenho mais o que fazer, ao invés de ficar conversando com gente perturbada. 

Vladimir — (grita) Sua fofoqueira! 


Zinha vira, fecha a cara pra Vladimir, mas sem continuar seguir seu caminho, com passos rápidos. 


Cena 03/Seminário/Jardim/Ext/Tarde

Pedro está sentado perto de uma árvore, lendo a Bíblia. Januário aproxima-se. 


Januário — Posso me sentar? 

Pedro — Claro, padre. Quero aproveitar ao máximo a companhia do senhor. 

Januário — Encontrando conforto na palavra de Deus?

Pedro — Estou lendo um pouco... me preparando pra amanhã. (T) Confesso que estou um pouco nervoso, até com medo, de fazer alguma coisa de errado.

Januário — Depois de uma longa caminhada, o dia da ordenação é o dia que todo seminarista sonha que aconteça. É um momento muito especial e bonito. Onde você se sente mais do que nunca ligado a Deus. E tendo a certeza que você foi o escolhido por ele, pra semear suas palavras pelo mundo, não importado onde esteja. 

Pedro — Só peço que dê tudo certo. Meu pai sonhou tanto com esse momento. 

Januário — E você, sonhou com isso? (T) Pedro, não existe algo mais frustrante na vida de alguém, do que você se sentir na obrigação de realizado o sonho por esse pessoa. Na época, quando o Rufino te trouxe pra cá, eu conversei muito com ele, tentando explicar que ser padre é algo que se descobre. Uma vocação, que aflora, que nasce. Não sendo algo imposto, forçado, como ele fez com você. 

Pedro — Hoje eu me sinto preparado e escolhido, padre Januário. No começo, relutei mesmo em aceitar que era isso que eu queria pra minha vida. Mas depois de muito conversar com Deus, ouvir meu pai, vi que é esse o caminho que devo seguir. 

Januário — E novamente eu te falo: é um caminho que será sem volta. Se tem alguma dúvida, esse é o momento da reflexão final e de decidir se é isso mesmo que vai querer pro resto da sua vida, Pedro. 


Januário beija a testa de Pedro, que abraça Januário e logo em seguida deita no seu colo e fica ali, quieto, pensativo. 


Januário — (pra si) Seja feliz, Pedro. É isso que desejo pra você e pra Rebeca! 


Cena 04/Casa Moisés/Sala/Int/Tarde

Moisés e Meirinho estão almoçando. 


Moisés — Hoje a pesca foi melhor do que ontem. 

Meirinho — Nos rendeu um bom pescado. 

Moisés — E principalmente um bom dinheiro. Um dinheiro que só engrossa o dinheiro que vejo juntando pro barco novo. 

Meirinho — Vamos lá no terreiro hoje, pedir pra Iemanjá. 

Moisés — Não sou muito disso, Meirinho. Mas pede lá por mim... 

Rebeca entra apressada.

Moisés — Oi, Rebeca. Chegou na hora. Acabei de colocar a comida na mesa. 

Meirinho — Tá servida? 

Rebeca — Obrigada. Mas tô sem fome! Bom apetite pra vocês...

Moisés levanta e se aproxima de Rebeca. 

Moisés — Tá tudo bem? 

Rebeca — Vai ficar tio... vai ficar... 


Rebeca beija o rosto de Moisés e vai pro seu quarto. 


Meirinho — O que ela quis dizer com isso? 

Moisés volta a se sentar e comer. 

Moisés — A Rebeca é muito ajuizada. Não preciso me preocupar. (t) Agora vamos comer em paz!


Cena 05/Casa Moisés/Quarto Rebeca/Int/Tarde

Rebeca acaba de colocar sua mala em cima da cama e começa a pegar algumas roupas e colocar dentro da mala. 


Rebeca — Estou indo Pedro... estou indo meu amor! 


Cena 06/Casa Moisés/Sala/Int/Tarde

Moisés acaba de abrir a porta. É Jeferson. 


Jeferson — Oi, seu Moisés! A Rebeca está? 

Moisés — Tá sim. Acabou de chegar... vocês brigaram?

Jeferson — Não. Por que a pergunta?

Moisés — É que a Rebeca chegou de um jeito... 

Jeferson — Onde ela está?

Moisés — Lá no quarto.

Jeferson — Agora o senhor me preocupou. Vou lá ver o que ela tem... com licença!


Jeferson vai pro quarto de Rebeca. 


Cena 07/Quarto Rebeca/Int/Tarde

Rebeca pega a caixinha, onde guarda o anel que Pedro te deu e coloca dentro da mala. Jeferson entra.


Jeferson — Que mala é essa, Rebeca? Vai viajar? 


Cena 08/Bar de Turíbio/Int/Tarde

Turíbio está no balcão. Licurgo serve os clientes. Filipa entra. Os homens presentes, não consegue disfarçar os olhares que lançam sobre a beleza de Filipa, que não faz questão nenhuma de esconder seu belo corpo. 


Filipa — Tudo certo, por aqui? 

Turíbio — Tava onde? 

Filipa — Esqueceu que fui no salão da Maria Tundá? Fui ficar mais linda pra você, meu Tutu!


Filipa beija Turíbio. Licurgo passa perto de Filipa. 


Filipa — Cuidado, Licurgo. Vai estranhar minha unha. Tá secando aqui...

Licurgo — Desculpa, dona Filipa. 

Filipa — Que cara é essa, Turíbio?

Turíbio — Tava precisando de ajuda no bar e não tinha ninguém pra me ajudar a servir os clientes, cuidar da cozinha. Graças ao Licurgo, que consegui dar conta. 

Filipa — Esqueceu que te falei que tinha salão marcado pra hoje? E além do mais, a Isabel devia estar aqui, te ajudando. 

Turíbio — Pois é. Devia, mas não estava. Quando voltei, ela tinha sumido. E até agora não deu as caras. 


Licurgo vê Isabel se aproximando. 


Licurgo — (grita) A Isabel... Isabel tá chegando. 

Isabel — Grita mais alto, tem gente que ainda não ouviu... 

Turíbio — Posso saber onde você estava, Isabel?

Isabel — Tava atrás do homem que eu amo. 

Turíbio — Que conversa é essa, menina. Tá falando de quem? 

Isabel — Vou pro meu quarto. 

Isabel saí do bar, indo pra casa. Turíbio vai atrás. 

Filipa — A chapa vai esquentar, Licurgo. 

Licurgo — Não gosto de briga... briga é ruim. 

Filipa — Mas as vezes é necessário pra se pontuar certos assuntos... 


Cena 09/Casa Turíbio/Sala/Int/Tarde

Isabel entra, seguida por Turíbio. Turíbio pega seu braço, com força, fazendo-a vira-se pra ele. 


Turíbio — Não me deixa falando sozinha, menina. Me respeita, que sou seu pai! 

Isabel — Me solta. O senhor está me machucando!

Turíbio — Me explica então, que conversa é essa de ir atrás do homem que ama... quem é ele?

Isabel — Eu amor o Jeferson, pai. É ele o homem que amo. 

Turíbio — Você foi atrás de um homem comprometido?

Isabel — É ele quem eu amo!  

Turíbio — Sua desavergonhada! 


Turíbio dá um tapa em Isabel. 


Turíbio — Não criei filha minha, pra ficar correndo atrás de homem comprometido, que vai se casar. 

Isabel — Pode me bater quanto o senhor quiser, que não vou desistir de conquista-lo. 

Isabel corre pro seu quarto. Turíbio fica furioso, tira seu cinto. 

Turíbio — Vai apanhar, até criar vergonha na cara. 

Filipa chega e impede Turíbio de ir atrás de Isabel. 

Filipa — Chega, Turíbio. Bater não vai adiantar nada. 

Turíbio — Escutou tudo o que ela disse, Filipa. Tava atrás do Jeferson. Ele tá noivo da Rebeca, vão se casar. Não criei a Isabel pra ser esse tipo de mulher, que fica correndo atrás de homem comprometido. 

Filipa — Mas bater não vai adiantar nada. Pelo contrário, só vai deixa-la com raiva de você e com mais vontade de ir atrás dele. 

Turíbio — Então o que eu faço? Não sei onde errei com essa menina. Não quer nada com a vida. 

Filipa — Você sabe que o sonho dela é ser modelo. 

Turíbio — Mas não temos condições pra isso. 

Filipa — Deixa que eu converse com ele. (T) Tenta se acalmar e volta lá pro bar. O Licurgo ficou lá sozinho... 


Filipa beija Turíbio e vai pro quarto de Isabel. Turíbio pega a foto de Basileu, em cima do móvel. 


Turíbio — Pelo menos você me dá orgulho, meu filho. Muito orgulho. Não vejo a hora de você voltar terminar seus estudos e voltar pra casa. Seu pai tá morrendo de saudade.... 


Turíbio coloca a foto de Basileu no lugar. Respira fundo e volta pro bar. CAM detalha foto de Basileu.






Cena 10/Rio de Janeiro/Ext/Tarde

Corta para: 


Cena 11/Apto de Basileu/Sala/Int/ Tarde

Um apartamento simples, sem muito conforto. Um pouco bagunçado: livros espalhados, um notebook aberto, embalagem de pizza aberta em cima da mesa. CAM vem passando pela sala. Roupas jogas pela chão. 


Cena 12/Apto de Basileu/Quarto/Int/Tarde

Na cama, Basileu e Tina estão deitados após transarem. Momento. 


Basileu — Que cara é essa? Não foi bom?

Tina — Não é isso...

Basileu — Então qual o motivo dessa ruguinha aqui na sua testa? (passando a mão) 

Tina — Você vai me abandonar! 

Basileu — Tenho que voltar pra Jandaia. Minha família está lá. 

Tina — E eu, Basileu? Não represento nada pra você?

Basileu — Você sabe que eu te amo. Mas tenho que voltar. Meu pai precisa de mim. 

Tina — Eu também preciso de você. 

Basileu — Vem comigo. Vamos nos casar e morar em Jandaia. Termos uma família.

Tina — Você sabe que não posso. Tenho que acabar minha faculdade. 

Basileu — Não estou indo pra outro país. É só outro estado, Tina. 

Tina — Mas pra mim vai ser como se você tivesse ido pra outro planeta. 

Basileu ajeita Tina no seu peito e lhe dá um beijo. 

Basileu — Meu estágio está acabando, minha vida aqui no Rio também. Ter te conhecido foi uma das melhores coisas que aconteceu. E nunca vou te esquecer, Tina. 

Tina — E seu eu te disser que estou grávida. Você fica comigo? 


Cena 13/Casa Rufino/Sala jantar/Int/Tarde

Rufino está almoçando. Narcisa acaba de lhe servir suco. 


Narcisa — Deseja mais alguma coisa?

Rufino — Não. Pode se retirar. Se precisar eu chamo. 

Narcisa deixa Rufino almoçar. 

Rufino — Logo você vai estar de volta, meu filho. E vai ficar aqui, do meu lado. 


Cena 14/Casa Rufino/Sala/Int/Tarde

Narcisa abre a porta. É Zinha.


Narcisa — Zinha? 

Zinha — Preciso falar com o seu Rufino.

Narcisa — Ele está almoçando. E não gosta de ser interrompido na hora da refeição. 

Zinha — Mas é urgente. 


Zinha entra, empurrando Narcisa. 


Cena 15/Casa Rufino/Sala jantar/Int/Tarde

Zinha entra, esbaforida. Narcisa logo atrás. 


Narcisa — Desculpa, seu Rufino. Mas ela foi entrando... 

Zinha — É muito sério e urgente que tenho pra falar com o senhor. (virando-se pra Narcisa) E em particular. 

Rufino — Tudo bem, Narcisa. Pode ir. 

Narcisa deixa os dois sozinhos. 

Rufino — Então, dona Zinha. O que de tão sério e urgente que fez a senhor vir na minha casa, atrapalhar minha refeição, que considero um momento tão sagrado. 

Zinha — Eu sei. Mas é muito sério o que tenho pra contar. 

Rufino — Então desembucha logo. Sou homem direito, objetivo e gosto que todos sejam assim quando venham falar comigo. 

Zinha — Tudo bem, então. (T) Eu, por acaso, da maneira mais inesperada do mundo, acabei descobrindo que.../


Rufino bate a mão na mesa, já nervoso. 


Rufino — (sem paciência) Fala logo, dona Zinha. Já estou perdendo a paciência com a senhora. 

Zinha — Eu descobri que a Rebeca vai pra capital, ver a ordenação do Pedro! 


Rufino reage. 


FIM DO CAPÍTULO 04





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