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Passional - Episódio 9






PASSIONAL


Episódio 9


Série criada e escrita por

LUAN MACIEL 


 







CENA 1. HOSPITAL. CORREDOR. INT/ DIA

CONTINUAÇÃO IMEDIATA DO CAPÍTULO PETRÔNIO, DIONÍSIA E LAURINDO ESTÃO EM SILÊNCIO ESPERANDO POR NOTÍCIAS. PARA A SURPRESA DE TODOS OMAR APARECE NO CORREDOR DO HOSPITAL E ELE VAI NA DIREÇÃO DE DIONÍSIA. ELA FICA SÉRIA.


DIONÍSIA — (séria) O que você veio fazer aqui, Omar? Eu não quero discutir mais uma vez com você. Eu estou cansada de tudo. 

OMAR — Você querendo ou não a Madalena também é minha filha, Dionísia. E além disso tem uma coisa que você e o Laurindo precisam saber. (P) Eu sei exatamente quem foi a responsável por nossa filha estar entre a vida e a morte. 

LAURINDO — Do que é que você está falando, Omar? Como assim você sabe quem fez isso com a nossa filha? Explique isso. 

PETRÔNIO — (ponderando) Vamos deixar eles falar. Você pode contar tudo, Omar. Eu sinto que você está pisando em ovos conosco. Diga para nós quem fez isso com a Madalena. 


OMAR RESPIRA FUNDO. ELA OLHA FIXAMENTE PARA DIONÍSIA.


OMAR — (tomando coragem) A verdade é apenas uma, Dionísia. A responsável por mandar tentar matar a Madalena foi a minha própria filha. Ela não aceita dividir a herança com a Madalena.

DIONÍSIA — Como é que é, Omar? Eu sempre soube que você voltar para a nossa vida seria um erro. Você é o culpado de tudo isso estar acontecendo. Eu te odeio, Omar Bianchini. 

PETRÔNIO — Você não está sendo justa, Dionísia.Eu vejo nos olhos do Omar que ele veio aqui para redimir os próprios erros. Não podemos ficar acusando um ao outro. 

OMAR — (firme) Pode deixar, Petrônio. Esse ressentimento que a Dionísia sente por mim não é de hoje. (P) Eu entendo o que você está passando, Dionísia. Mas não pense que eu também não estou sofrendo. 


DIONÍSIA SE APROXIMA DE OMAR. ELA DÁ UM TAPA NA CARA DE OMAR QUE NÃO FAZ NADA. PETRÔNIO E LAURINDO FICAM SURPRESOS COM A ATITUDE DE DIONÍSIA.


DIONÍSIA — (alterando a voz) Escura bem o que eu irei te dizer, Omar. Se alguma coisa acontecer com a minha filha eu nunca irei te perdoar. A nossa vida estava boa antes de você aparecer. Porque você teve que voltar?

OMAR — Eu não posso morrer sem o perdão da nossa filha, Dionísia. Você pode até não acreditar em mim, mas eu me arrependi de tudo o que eu fiz com você. Eu quero reparar os meus erros. Mas você parece não querer facilitar. 

LAURINDO — (sério) Já chega dessa discussão sem sentido. Isso não vai levar a gente a lugar nenhum. Vocês entenderam? 

PETRÔNIO — O Laurindo está coberto de razão. O que nós devemos fazer agora é nos unir pelo bem da Madalena. Chega dessa discussão que não vai servir para nada. O passado deve ficar no passado.


DIONÍSIA CONTINUA ENCARANDO OMAR. O SILÊNCIO VOLTA A PREDOMINAR NO AMBIENTE. TODOS ESTÃO MUITO AFLITOS.

CORTA PARA/


CENA 2. APARTAMENTO DE MÔNICA E ALBANO. QUARTO. INT/ NOITE 

AS HORAS SE PASSAM E O DIA VIRA NOITE. A CÂMERA FOCA EM ALBANO QUE ESTÁ SENTADO EM CIMA DA CAMA. AO SEU LADO REM UMA MALA. A PORTA FO QUARTO SE ABRE E VEMOS MÔNICA ENTRAR. ELA PERCEBE O QUE ESTÁ ACONTECENDO. ELA DEMONSTRA MUITA FRIEZA AO OLHAR PARA ALBANO.


MÔNICA — (fria) Eu posso saber o que está acontecendo aqui, Albano? Eu não estou acreditando que você irá jogar tudo fora por causa de uma filha bastarda do meu pai.

ALBANO — Que mundo que você vive, Mônica? Eu não estou fazendo por causa da sua irmã. Eu faço porque eu tenho uma coisa que você nunca vai saber o que é: Caráter. 

MÔNICA — Você quer mesmo me dar uma lição de moral, Albano? Nao se esqueça que fui eu que te sustentei durante os últimos anos. Você quer mesmo saber? Eu me cansei de você, Albano.

ALBANO — Eu não quero ficar do lado de uma pessoa que manda matar a própria irmã. Você não passa de uma assassina.


ALBANO SE LEVANTA DA CAMA. MONICA O OLHA COM ÓDIO.


MÔNICA — (ardilosa) E o que você queria que eu fizesse, Albano? Que aquela bastarda ficasse com tudo que é meu por direito? Eu fiz o que precisava ser feito. 

ALBANO — Você nunca vai conseguir me convencer de que o que você está fazendo é a coisa certa, Mônica. Nunca!!!

MÔNICA — E quem foi que disse que eu preciso da sua aprovação, Albano? Você sempre foi um homem fraco e desprezível. Nem mesmo conseguiu me dar prazer. Isso eu tive que buscar em outros lugares. Até para isso você é inútil.

ALBANO — Você realmente quer tocar novamente nesse assunto, Mônica? Então vamos lá. (P) O meu sonho sempre foi ser pai e eu até cheguei a pensar que eu poderia ser estéril. Mas eu fiz alguns exames meses atrás. A única pessoa que pode ser estéril aqui é você.


MÔNICA FICA DESCONTROLADA. ALBANO SE MANTÉM FIRME.


ALBANO — (firme) Você sempre foi uma mulher seca por dentro, Mônica. Por isso e por outras coisas que eu estou indo embora. Eu quero me desquitar de você o quando antes. 

MÔNICA — (gritando) Você está mentindo. Como você ousa insinuar que eu seja estéril, Albano? Você que sempre foi um marido aquém do que eu esperava. 

ALBANO — Eu fiz mais do que eu poderia, Mônica. Eu aguentei todas as suas crises. Eu cansei de ser conivente com você.

MÔNICA — (furiosa) Some da minha frente, Albano. A partir de agora você é um inimigo para mim. Eu espero que você não queira fazer nada contra mim. Aí então sentirá o peso do meu ódio. 


ALBANO PEGA SUA MALA ENCIMA DA CAMA E SAI PELA PORTA DO QUARTO. CLOSE EM MÔNICA QUE NÃO DEMONSTRA NENHUMA REAÇÃO.

CORTA PARA/


CENA 3. HOSPITAL. CAPELA. INT/ NOITE

O SILÊNCIO É ENSURDECEDOR DENTRO DA CAPELA. MARINA ESTÁ TERMINANDO DE FAZER UMA ORAÇÃO. PACO ESTÁ SENTADO NA FRENTE DELA. LOGO APÓS MARINA QUE ESTAVA AJOELHADA SE LEVANTA E ELA VOLTA OS SEUS OLHOS NA DIREÇÃO DE PACO QUE A OLHA COM UM BRILHO DIFERENTE.


MARINA — (abatida) Eu nem sei o que te dizer, Paco. Depois de todas aquelas palavras fortes que eu te disse você ainda tem a sensibilidade de vir aqui me apoiar. Eu não te mereço.

PACO — Sabe de uma coisa, Marina. Eu estava me lembrando aqui agora. Quando nós recebemos a notícia da morte do meu irmão você esteve ao meu lado todos os dias que vieram depois. Ficar ao seu lado agora é o mínimo que eu poderia fazer. E além disso o que eu sinto por você não vai morrer assim tão facilmente.

MARINA — Tudo o que eu posso fazer é te agradecer, Paço. Eu também queria te pedir perdão. Eu nunca deveria tentar te afastar de mim. Eu não consigo me ver longe de você.

PACO — Eu não tenho nada que te perdoar, Marina. Você sempre foi a mulher que eu queria ao meu lado. Nada vai mudar isso. Eu estou com você para o que você precisar. 


MARINA E PACO FICAM UM NA FRENTE DO OUTRO. ELES DEIXAM A PAIXÃO FALAR MAIS ALTO E SE BEIJAM COM MUITO AMOR.

TRILHA SONORA: https://youtu.be/Fxu-pE74m5A?si=_30Ho7e3XHeEss0v 

PARA A SURPRESA DE MARINA E PACO QUEM TAMBÉM VEM ENTRANDO É O DELEGADO FLORES QUE OLHA PARA ELES DE UM JEITO BEM CÍNICO. MARINA VAI FICANDO MUITO NERVOSA.


DELEGADO FLORES — Que cena mais deprimente. Vocês não imaginam o prazer que eu vou sentir quando eu matar vocês dois com as minhas próprias mãos. Podem ter certeza. 

MARINA — Como você descobriu onde nós estávamos, Flores? Depois de tudo que você fez com a Isabela você ainda acha pode nos ameaçar? É melhor você ir embora. 

PACO — (furioso) Eu espero por esse encontro há muito tempo. (P) Você matou o meu irmão. Eu nunca esqueci das últimas palavras do Luciano. Ele disse o seu nome. Altair Flores!

DELEGADO FLORES — Você ainda consegue se lembrar do rosto dele? O que eu fiz foi pelo bem do meu país. Depois que eu matei ele eu fiz o mesmo com muitas outras pessoas. Eu teria o mesmo com a Isabela se vocês não tivessem se intrometido. 


PACO TOTALMENTE FORA DE SI. ELE TENTA PARTIR PARA CIMA DO DELEGADO FLORES, MAS MARINA O IMPEDE.


PACO — (nervoso) Me solta, Marina. Eu quero matar esse desgraçado. Eu preciso vingar a morte do meu irmão.

MARINA — Isso não vale a pena, Paco. O Luciano não iria querer isso de você. Você não pode cair na provocação desse maldito.

DELEGADO FLORES — Você realmente acha que eu estou blefando, garota? Você ainda não conheceu quem realmente eu sou. A propósito você está presa por invasão de propriedade e crimes contra a pátria.

PACO — Você não pode fazer isso. Isso é totalmente arbitrário. 

MARINA — Eu já esperava por isso, Paco. É assim que a polícia da ditadura age. Tudo o que eles querem é silenciar tofos que são contra eles. Mas vocês nunca vão me calar. 

DELEGADO FLORES — Eu vou te deixar uma chance de salvar a sua namorada, negrinho. Você tem 48 horas para convencer a Isabela a trocar de lugar com essa sua namorada. Se ela não aceitar, ou você demorar mais tempo eu juro que eu mato ela. 


O DELEGADO FLORES VAI LEVANDO MARINA COMO SUA PRISIONEIRA. CLOSE EM PACO QUE FICA TOTALMENTE SEM SAÍDA. 

CORTA PARA/


CENA 4. CASA DE ALFREDO E GAEL. SALA. INT/ NOITE 

GAEL VEM ENTRANDO DENTRO DE CASA TOTALMENTE TRANSTORNADO DEPOIS QUE VIU ISABELA TIAGO SE BEIJANDO. ELE OLHA PARA ALFREDO QUE ESTÁ JOGADO NO SOFÁ DA SALA. ELE TENTA PASSAR POR SEU PAI SEM FAZER BARULHO, KAS ALFREDO SEGURA A MÃO DE GAEL E O OLHA COM RAIVA. 


ALFREDO — Eu posso saber onde você passou o dia todo, Gael? Você nem precisa responder. Pela a sua cara eu já posso imaginar que você esteve atrás da filha do Petrônio. Vai dizer que eu sou errado? 

GAEL — Até agora eu não consigo entender porque a Isabela escolheu o infeliz do Tiago ao invés de ficar comigo. Mas isso não vai ficar assim. Isso eu posso garantir. 

ALFREDO — (nervoso) Eu quero que você fique bem longe dessa garota, está me ouvindo, Gael? Ela é filha daquele desgraçado do Petrônio. E a propósito você já soube o que houve com a traidora da sua mãe? 

GAEL — Eu não quero saber absolutamente nada sobre essa mulher. Não adianta você querer me dizer alguma coisa. 


ALFREDO UM JORNAL EM CIMA DE GAEL. AO KER A NOTÍCIA DE QUE MADALENA ESTÁ ENTRE A VIDA E A MORTE ELE FICA BALANÇANDO. 


GAEL — (sem acreditar) O que você está querendo dizer com isso, pai? Que você quer que eu vá até o hospital ver essa mulher? Isso não vai acontecer. Já esqueceu que ela te desmoralizou? 

ALFREDO — Eu estou te contando isso para saber de que lado você vai ficar. Se você pensar em voltar para o lado da sua mãe, eu não pensarei duas vezes em te renegar como filho.

GAEL — O que co de está me pedindo é para ver a mulher que me deu a vida morrer. Eu não sei se consigo fazer isso.

ALFREDO — Deixa de ser fraco, Gael. Tem momentos em nossas vidas que demonstrar firmeza em nossas decisões. A sua mãe não passa de uma traidora. Ela tem que sentir na pele a dor da rejeição. Eu espero ter sido bastante claro. 


GAEL CONCORDA COM A CABEÇA. ALFREDO SE LEVANTA DO SOFÁ E SEGURA O ROSTO DE GAEL COM MUITA BRUTALIDADE.



ALFREDO — (cruel)  Quando eu falar com você eu espero uma resposta direta. Você está me ouvindo, Gael? Fala….

GAEL — Eu entendi sim, pai. Por favor me solta. Você está me machucando. Eu estou ficando sem ar. 



ALFREDO SOLTA GAEL. 


ALFREDO — Eu sinceramente espero que você não queira mudar de lado, Gael. Não vê no que a fraqueza da sua mãe fez com a sua irmã. Eu vou destruir ela e o Petrônio aos poucos.

GAEL — Porque a Isabela disse que foi você entregou ela para o Doi-Codi? Me diga que você não fez isso, pai. 

ALFREDO — (ardiloso/ mentindo) Isso é uma mentira que a sua mãe e o Petrônio inventaram sobre mim, meu filho. Você está vendo como eles querem acabar comigo? Nós precisamos ficar unidos. A sua mãe não é o que ela parece ser. 


GAEL ACREDITA CEGAMENTE NAS PALAVRAS DE ALFREDO. QOS POUCOS A CÂMERA NO OLHAR FALSO DE ALFREDO. 

CORTA PARA/


CENA 5. APARTAMENTO DE OLÍVIA. SALA. INT/ NOITE 

UMA BATIDA NA PORTA É OUVIDA. OLÍVIA CAMINHA ATÉ A PORTA E A ABRE. LOGO DEPOIS ELA VÊ NONATO PARADO EM SUA FRENTE. SEM DIZER ABSOLUTAMENTE NADA OLÍVIA COMEÇA A CHORAR E NONATO A CONSOLA COM UM ABRAÇO. ELES SE SENTAM NO SOFÁ E OLÍVIA OLHA FIXAMENTE PARA NONATO. 


OLÍVIA — (chorando) Eu sou mesmo uma idiota, Nonato. Eu desperdicei 20 anos da minha vida atrás de um homem que nunca me amou de verdade. Mas você sempre esteve comigo. Me perdoa, Nonato. 

NONATO — A culpa não foi sua, Olívia. Você estava apaixonada pelo Alfredo, e é compressível que você quisesse ser amada.

OLÍVIA — E o que eu ganhei com isso, Nonato? O Alfredo não reconhece que é pai do Tiago. Isso me machuca muito.

NONATO — Você sabe exatamente o que eu penso sobre esse assunto, Olívia. Você tem que enfrentar o Alfredo. A pobre da Madalena está na cama de um hospital quase morrendo e ele fazendo o que bem entende. Isso não está certo. 


OLÍVIA FICA COM MUITO MEDO. NONATO SEGURA SUA MÃO.


OLÍVIA — (apavorada) Eu não sei se eu vou conseguir fazer isso, Nonato. O Alfredo já me ameaçou várias vezes. Eu não quero que ele se vingue de mim no meu filho.

NONATO — Eu sei que você está com medo, Olívia. Mas esse é o momento de enfrentar o Alfredo e ter sua vida de volta. 

OLÍVIA — E o que eu vou dizer para todos eles, Nonato? Que fui amante do Alfredo por mais de 20 anos e que o meu filho é um filho ilegítimo? Eu não consigo fazer isso.

NONATO — Se for necessário então que assim seja, Olívia. O que você não pode fazer é continuar aqui chorando por alguém que não te ama. Eu sempre te amei, Olívia. Eu sempre vou estar ao seu lado para o que você precisar de mim. 


OLÍVIA FICA TOCADA COM AS PALAVRAS DE NONATO. ELA OLHA NOS OLHOS DE NONATO QUE ESBOÇA UM SORRISO.


OLÍVIA — Eu não tenho palavras para te agradecer por tudo que você está fazendo por mim, Nonato. Estou sem palavras. 

NONATO — O que eu sinto por você nunca esteve perto de acabar, Olívia. Ele só aumentou durante esses 20 anos. Mas acima de qualquer coisa eu sempre respeitei a sua escolha. 

OLÍVIA — (aflita) Você pode me acompanhar até o hospital, Nonato? Eu não vou conseguir enfrentar todos sozinha. 

NONATO — É claro que sim, Olívia. Eu sempre estarei com você.


OLÍVIA ABRAÇA NONATO COM MUITA FORÇA. ELE FECHA OS OLHOS E SORRI. ELES FICAM ABRAÇADOS EM CUMPLICIDADE.

CORTA PARA/


CENA 6. HOSPITAL. CAPELA. INT/ NOITE

A CÂMERA DÁ UM CLOSE NO ROSTO DE PACO QUE ESTÁ TOTALMENTE DESTROÇADO. ELE SÓ CONSEGUE FICAR DE CABEÇA BAIXA E SEM REAÇÃO. A PAZ QUE HÁ DENTRO DA CAPELA VAI O CORROENDO POR DENTRO. A CÂMERA DÁ UM CORTE E VEMOS PETRÔNIO ENTRAR NA CAPELA DO HOSPITAL. ELE VAI CAMINHANDO DA DIREÇÃO DE PACO E PERCEBE QUE ALGO DE ERRADO ESTÁ ACONTECENDO. 


PETRÔNIO — Paco…. Faz horas que você e a Marina vieram até a capela. Por falar nela onde está a Marina? (P) Diz alguma coisa. 

PACO — (angustiado) Ela foi levada pelo Doi-Codi, Petrônio. O Flores falou que se eu não entregar a Isabela para ele em 48 horas ele vai matar a Marina. Eu não sei o que fazer. 

PETRÔNIO — Eu não estou acreditando que isso esteja acontecendo de novo. Até quando o Flores vai infernizar a nossa uvida? 

PACO — Petrônio…. Eu sei todo o inferno que a Isabela passou, mas eu não posso deixar a Marina morrer. Eu sinto muito. 


O SEMBLANTE DE PETRÔNIO VAI FICANDO BEM MAIS RÍGIDO. ELE E PACO ESTÃO CLARAMENTE DE LADOS OPOSTOS. 


PETRÔNIO — Eu entendo a dor que você está sentindo Paco. Eu já senti isso não há muito tempo atrás. Mas eu não posso permitir que o Flores chegue perto da minha filha. Isso está fora de cogitação, Paco. 

PACO — Eu entendo a sua preocupação, Petrônio. Mas eu não posso deixar que nada aconteça com a Marina. Eu espero que você possa ne entender, Petrônio. 

PETRÔNIO — É claro que eu te entendo, Paco. Eu quero que você saiba que eu tenho medo que o Flores se aproxime novamente da minha filha. Eu não vou permitir essa troca.

PACO — Mas infelizmente não é você ou eu que vamos escolher isso, Petrônio. Eu vou agora mesmo falar com a Isabela. Se ela não quiser ir tudo bem, mas do contrário você não vai poder fazer absolutamente nada.

PETRÔNIO ADMIRADO COM FORÇA DE PACO. ELE ESTICA SUAS MÃOS PARA CUMPRIMENTAR PACO QUE FICA CONFUSO.


PACO — (confuso) O que significa isso, Petrônio? Eu achei que você iria se irar quando eu dissesse que irei falar com a Isabela. E você estica suas mãos para me cumprimentar. Eu não estou entendendo mais nada.

PETRÔNIO — Eu admiro muito a sua coragem de me enfrentar, Paco. Eu não quero que a Isabela se coloque em risco de novo. Mas eu não te impedir de tentar ajudar a salvar a Marina. 

PACO — Eu não sei como te agradecer, Petrônio. Você não sabe como isso significa para mim. Muito obrigado de verdade.

PETRÔNIO — Só me promete uma coisa, Paco. Não deixa a minha filha correr perigo. Eu não quero ver ela sofrer tudo de novo. O que ela passou nas mãos do Flores foi algo asqueroso.


PACO CONCORDA COM A CABEÇA. ELE E PETRÔNIO APERTAM AS MÃOS SOBRE O SILÊNCIO QUE FAZ DENTRO DA CAPELA. 

CORTA PARA/


CENA 7. MANSÃO DE OMAR BIANCHINI. ESCRITÓRIO. INT/ NOITE 

OMAR ESTÁ SENTADO EM SUA PTRONA CARACTERÍSTICA. EM SUA FRENTE ESTÁ ALBANO E ELES ESTÃO COM UM SEMBLANTE LEVES E DE PURA HARMONIA. OMAR OFERECE UM COPO DE WHISKY PARA ALBANO QUE ACEITA E O BEBE. OMAR TEM O OLHAR BEM SÉRIO. ALBANO ENTENDE O OLHAR DE OMAR.



ALBANO — Eu sei que a gente nunca teve uma relação bão e tal, Omar. Mas sinceramente eu não sei mais para quem recorrer. Você é a única pessoa que eu conheço que pode me ajudar. Eu vou pedir o desquite para a sua filha e eu não tenho para onde ir. Eu não queira ter que te pedir abrigo, mas você é a minha única opção. 

OMAR — (firme) Você não tem nada que sentir vergonha, Albano. Eu não vou negar que você não era o modelo de marido que eu queria para a Mônica. Eu sempre te achei muito sem sal para o meu gosto. Mas depois do que você fez para me avisar o que a Mônica fez eu passei a ver o homem de hombridade que você é. Você pode ficar o tempo que desejar. 

ALBANO — Muito obrigado, Omar. Eu sei que a Mônica vai querer fazer uma guerra comigo por causa do desquite, mas eu. Ak tenho medo. Depois de anos eu finalmente posso fazer o que eu quero. Eu estou livre. 

OMAR — Em uma coisa você tem razão, Albano. A Mônica vai fazer de tudo para transformar a sua vida em um inferno. Principalmente que eu não vou estar mais por perto. 


ALBANO ESTRANHA O TOM NA VOZ DE OMAR. 


ALBANO — (sem entender) Do que é que você está falando, Omar? Eu estou sentindo você um pouco misterioso. 

OMAR — Eu vou te contar uma coisa, mas isso não pode sair daqui, Albano. Eu espero ter sido bem claro. Entendeu? 

ALBANO — É claro que eu entendi, Omar. Você pode contar o que está te afligindo. Eu sinto que você está bem mais diferente.

OMAR — Nem mesmo a Mônica pode saber o que eu irei te contar, Albano.  A verdade é que eu tenho poucos meses de vida. Eu tenho uma doença incurável. Eu quero que você me prometa que não vai deixar a Mônica fazer nenhum mal contra a minha filha Madalena. Me promete, Albano.


ALBANO FICA SURPRESO COM A REVELAÇÃO DE OMAR. ELE ESTÁ VISIVELMENTE EM CHOQUE. OMAR SE MANTÉM FIRME.


ALBANO — (em choque)  Eu nem sei o que te dizer,  Omar. Eu sinto muito que você esteja passando por isso. (P) É claro que eu prometo que vou impedir a Mônica de continuar fazendo as loucuras que vem fazendo. Você tem a minha palavra.

OMAR — Eu agradeço por sua ajuda, Albano. Tudo o que a Mônica quer é o meu dinheiro. Mas se depender isso nunca vai acontecer. O que ela fez é imperdoável. 

ALBANO — Eu concordo plenamente com você, Omar. É por isso que eu pedi o desquite para a sua filha. Eu sinto nojo das atitudes que a Mônica vem tendo. Ela é muito fria. 

OMAR — Eu quero a sua ajuda para mais uma coisa, Albano. Eu quero.wue você me ajude a colocar a Mônica atrás das grades. O que ela fez é crime e precisa pagar por isso.


ALBANO FICA PENSATIVO.  LOGO DEPOIS ELE CONCORDA COM OMAR. O SEMBLANTE DE OMAR É DE QUEM QUER JUSTIÇA.

CORTA PARA/


CENA 8. HOSPITAL. LEITO HOSPITALAR. INT/ NOITE 

A CÂMERA FOCA EM UM ÂNGULO MAIS FECHADO MADALENA WUE ESTÁ DEITADA NO LEITO DO HOSPITAL. ELA VEM SE RECUPERANDO DE UMA DELICADA CIRURGIA. A PORTA DO LEITO HOSPITALAR VAI SE ABRINDO E ALFREDO ENTRA SORRATEIRAMENTE E VAI CAMINHANDO NA DIREÇÃO DE MADALENA. ALFREDO OLHA COM ÓDIO PARA MADALENA.



ALFREDO — Aí está você, sua maldita. Você não imagina o quanto eu te odeio. Eu gostaria de te matar agora mesmo. Mas alguém chegou mais cedo do que eu. Você está onde merece. 


AOS POUCOS MADALENA VAI ABRINDO OS OLHOS. ELA FICA APAVORADA AO VER ALFREDO EM SUA FRENTE. MADALENA TENTA APERTAR O BOTÃO PARA CHAMAR A ENFERMEIRA, MAS ALFREDO CONSEGUE IMPEDIR. 


ALFREDO — (ardiloso)  Você vai conseguir chamar ajuda, sua desgraçada? Tudo que está acontecendo na minha vida é culpa sua. Eu vou acabar com você, Madalena.

MADALENA — (com dificuldade para respirar) Alfredo…. O que você está fazendo aqui? Foi você que mandou me matar? Eu sou a mãe dos seus filhos. Porque você fez isso comigo? 

ALFREDO — Para o seu azar não fui eu que fiz isso, Madalena. Mas vontade não me falta. (T) Mas eu vim aqui para te dizer apenas uma coisa. Você nunca vai ser feliz com aquele infeliz do Petrônio. Se você insistir nessa idéia eu mato ele. 

MADALENA — Porque você não me deixa em paz, Alfredo? Não basta ter destruído a minha vida por quase 30 anos? Eu nunca consegui ser feliz ao seu lado. Agora você quer me negar ser feliz com quem me ama de verdade? 


ALFREDO SEGURA O BRAÇO DE MADALENA COM  MUITA FORÇA E ÓDIO. MADALENA COMEÇA A GRITAR. O VILÃO SE ENFURECE. 


ALFREDO — Cala a boca, sua maldita. Não me obriga a fazer algo que você não vai gostar. É melhor você me obedecer, Madalena. 

MADALENA — (com medo) O que você ainda quer comigo, Alfredo? Olha a situação que você me deixou. Não está satisfeito? 

ALFREDO — Eu só vou estar satisfeito quando eu acabar com você e com o Petrônio de uma vez por todas. Você entende? 


MADALENA CONTINUA GRITANDO. ALFREDO VAI FICANDO CADA VEZ MAIS VIOLENTO. UM ENFERMEIRO ENTRA NO LEITO HOSPITALAR E TIRA ALFREDO DE CIMA DE MADALENA.


ENFERMEIRO — O que você pensa que está fazendo?  Você não pode ficar aqui. Zé você não sair eu vou chamar a segurança. 

ALFREDO — (furioso) Dessa vez você deu sorte, Madalena. Mas da próxima vez ninguém vai te salvar da minha fúria. 

MADALENA — Vai embora daqui, Alfredo. Eu não quero mais te ver. 

ENFERMEIRO — Você ouviu o que a paciente disse. Vá embora agora. 

ALFREDO VAI EMBORA DO LEITO HOSPITALAR TOTALMENTE DESCONTROLADO. MADALENA FINALMENTE RESPIRA ALIVIADA.

CORTA PARA/


CENA 9. CASA DE PETRÔNIO E ISABELA. SALA. INT/ NOITE 

CLOSE EM ISABELA E TIAGO QUE ESTÃO GRUDADOS UM NO OUTRO CURTINDO UM MOMENTO MAIS ÍNTIMO. NESSE MOMENTO PACO ENTRA NA CASA DEIXANDO ISABELA E TIAGO TOTALMENTE ASSUSTADOS. ELES PERCEBEM QUE O SEMBLANTE DE PACO ESTÁ DIFERENTE. ISABELA FICA INTRIGADA.


ISABELA — (séria) Paco…. O que foi que houve com você? Para você entrar desse jeito em minha casa algo deve ter acontecido. 

PACO — (angustiado) Eu juro.qie eu não queria ter que fazer isso, Isabela. Mas eu não tenho opção. Você precisa me ajudar. Vocês não sabem, mas a Madalena foi esfaqueada e está internada no hospital. Ela foi operada agora a noite. 

TIAGO — Porque vocês não falaram nada, Paco? Se vocês tivessem falado alguma coisa nós poderíamos estar no hospital com vocês. A Madalena é uma boa pessoa. Ela não merece isso. 

ISABELA — O Tiago está certo, Paco. A Madalena é como se fosse uma mãe para mim. Vocês não podiam esconder isso de mim. Vamos até o hospital agora. Eu preciso ver a Madalena. 


PACO CONTINUA COM O SEMBLANTE SÉRIO. ALGO VAI DEIXANDO ISABELA CADA VEZ INCOMODADA.


ISABELA — (aumentando o tom de voz) O que você está escondendo de nós, Paco? Seja o que for eu quero saber a verdade.

PACO — (chorando) O Flores pegoua Marina. Ele disse que se eu não te entregar em 48 horas ele vai matar a Marina. Eu não quero fazer isso, Isabela. Mas eu não posso deixar a Marina morrer. 

ISABELA — Eu não acredito que esse inferno está acontecendo de novo. O Flores nunca vai me deixar levar uma vida em paz. Não bastou ele me estuprar diversas vezes? Aquele homem é um verdadeiro monstro. 

TIAGO — (mantendo a calma) Você precisa ficar calma, Isabela. Nós vamos encontrar uma maneira de salvar a Marina sem te colocar em risco. Eu te prometo isso.


ISABELA SE LEVANTA DO SOFÁ E OLHA COM SERIEDADE PARA TIAGO. O CLIMA VAI SE TORNANDO INSUSTENTÁVEL. 


ISABELA — Não faça promessas que você não.pode cumprir, Tiago. Não foi você ou o Paco que estiveram nos porões do Doi-Codi sendo torturados dia e noite. Eu vi e ouvi diversas pessoas morrerem sem ter feito nada de grave.

PACO — Você tem toda a razão, Isabela. Mas agora não é isso que está em jogo e sim a vida da Marina. Eu estou te suplicando. Me ajude a salvar a Marina. Eu não sei mais o que fazer. 

TIAGO — Você não pode fazer um pedido desses, Paco. Se a Isabela se entregar sabe lá o que o Flores vai querer fazer com ela. 

ISABELA — (decidida) Eu sei que você quer me proteger, Tiago. Mas quem deve fazer essa escolha sou eu. Dito isto eu aceito te ajudar, Paco. Eu não posso continuar fugindo assim. O Flores precisa ser detido o quanto antes. 


TIAGO FICA INCONSOLÁVEL. PACO ESBOÇA UM SORRISO SE AGRADECIMENTO. A CÂMERA ESTÁ FOCALIZADA NO OLHAR DECIDIDO DE ISABELA. 

CORTA PARA/


CENA 10. GALPÃO ABANDONADO. INT/ NOITE 

PODEMOS VER DE FORMA PANORÂMICA QUW O GALPÃO É TOTALMENTE SUJO E ABANDONADO. WM QUESTÃO DE SEGUNDOS O DELEGADO FLORES ENTRA E ELE JOGA MARINA NO CHÃO COM MUITA BRUTALIDADE. SEM PENSAR DUAS VEZES O VILÃO VAI AGREDINDO MARINA DE UMA FORMA VIOLENTA.


DELEGADO FLORES — (violento) Isso é pouco perto do que você merece, sua comunista desgraçada.  Você nunca deveria ter invadido o Doi-Codi. Agora você vai sofrer se consequências. 

MARINA — (gemendo de dor) Eu não me arrependo. Você pode me matar se você quiser, mas eu nunca vou me render diante de você. A Isabela nunca vai ser sua, Flores. Nunca!!!

DELEGADO FLORES — Se eu fosse você eu não contaria com isso, sua infeliz. Porém acaso você sabe qual é o sentimento mais poderoso? O medo. Eu tenho certeza que o negrinho do seu namorado não vão pensar dias vezes em trocar você pela Isabela. E então eu terei de volta o que eu mais quero. 

MARINA — Você é um doente, Flores. Você passou dias estrupando a Isabela e ainda tem a coragem de insinuar que se apaixonou por ela. Você me dá nojo. Eu sinto odio de alguém como você. 


O DELEGADO SORRI MALICIOSAMENTE. ELE PEGA MARINA QUE ESTÁ NO CHÃO E A COLOXA EK UMA CADEIRA. O VILÃO DÁ UM TAPA NA CARA DE MARINA QUE COSPE SANGUE NO CHÃO.


DELEGADO FLORES — (manipulador)  Seja qual for o final dessa história eu vou sair vencedor. Se a Isabela não trocar de lugar com você eu ainda terei a chance de matar a líder desse movimento que tanto vem me causado problemas.

MARINA — Essa sua sede de sangue não tem fim, Flores? Já fazem meses que estamos lutando contra essa ditadura imposta por essa governo militar e isso parece não ter fim. 

DELEGADO FLORES — Sabe quando isso vai ter fim, Marina? Quando nós homens de bem conseguirmos eliminar do Brasil comunistas como você. Quem não for a nosso favor é contra nós. Você consegue entender isso?

MARINA — Eu nunca vou entender isso, seu desgraçado.  Milhares de jornalistas, estudantes, músicos e outras áreas da sociedade estão sendo mortos sem motivo. Eu nunca vou desistir de lutar pela vida de quem não pode mais se defender. 


O DELEGADO FLORES SEGURA MARINA PELO PESCOÇO. ELA NÃO DEMONSTRA ESTAR COM MEDO DO JEITO VIOLENTO DO VILÃO. 


DELEGADO FLORES — (ameaçador) Escura bem o que eu vou ge falar, garota. A Isabela é minha está me ouvindo? Eu até cheguei oferecer um acordo para o seu irmão me ajudar. Mas aquele fraco do Gael não quis aceitar. 

MARINA — (respirando com dificuldade) O Gael pode ser o que for, mas ele jamais faria mal para a Isabela. Eu cheguei a conhecer a sua filha, Flores. Como alguém tão doce igual a Janaína pode ser sua filha. Ela merecia um pai melhor.

DELEGADO FLORES — Cala a sua boca, sua comunista imunda. Eu tirei a minha filha daquela pensão que é um antro de comunistas. Ela nunca vai ser igual a você. 

MARINA — Isso é o que nós vamos ver, seu assassino. Eu queria apenas a liberdade para todos dessa nação. Mas agora eu ver a sua derrocada, Flores. Eu verei isso sem dúvida. 


O DELEGADO FLORES FICA FORA DE SI. ELE DÁ UMA CORONHADA NA CABEÇA DE MARINA QUE VAI NO CHÃO DESACORDADA.

CORTA PARA/


CENA 11. HOSPITAL. ENTRADA. EXT/ NOITE 

ALFREDO VEM SAINDO PELA ENTRADA DO HOSPITAL. ELE ESTÁ VISIVELMENTE TRANSTORNADO. PARA A SUA SURPRESA QUEM ESTÁ VINDO NA DIREÇÃO OPOSTA É OLÍVIA E NONATO. O SEU SEMBLANTE VAI FICANDO CADA VEZ MAIS NERVOSO.  ELE VAI OLHANDO COM MUITO ÓDIO PARA OLIVIA QUE FICA COM MEDO.  NONATO PROTEGE ELA DE ALFREDO.


ALFREDO — (irritado) O que você acha que está fazendo aqui, Olívia? E ainda mais acompanhada desse homem? Eu exijo uma resposta agora mesmo. Pode começar a falar. 

OLÍVIA — Eu cansei de basear a minha vida na sua, Alfredo. Eu não devo mais satisfação da minha para você. Chegou a hora da Madalena saber toda a verdade sobre o que você fez comigo. 

NONATO — O momento das suas mentiras cair por terra finalmente chegou, Alfredo. Você humilhou muito a Olívia. Mas isso nunca mais vai acontecer. Isso eu prometo. 

ALFREDO — Isso é coisa sua, não é, Nonato? Eu sempre soube que você tinha inveja de mim. Mas eu não vou permitir que você queira tirar a Olívia. Ela é minha e nada vai mudar isso. 


ALFREDO FICA CADA VEZ MAIS INSTÁVEL. NONATO O ENFRENTA. 


OLÍVIA — (séria) Já chega, Alfredo. Eu cansei de ficar esperando uma demonstração de carinho da sua parte. Nem mesmo o nosso filho você teve coragem de assumir. Para mim esse nosso relacionamento já deu o que tinha que dar. 

ALFREDO — Eu não estou acreditando que você está falando disso novamente, Olívia. Eu já disse que aquele comunista não é meu filho. Eu jamais vou assumir a paternidade dele.

NONATO — Como você é patético, Alfredo. O Tiago é um dos melhores jovens que eu conheço. Se você não quer assumir que é o pai dele então quem perde é você.

OLÍVIA — Agora você consegue entender porque eu não quero absolutamente mais nada com você, Alfredo? Você renega até mesmo o seu próprio filho. Isso não é atitude de homem. 


A CÂMERA FOCA NO JEITO AMEAÇADOR DE ALFREDO. EM SEGUIDA VEMOS QUE OLÍVIA E NONATO DÃO AS MÃOS O QUE DEIXA O VILÃO AINDA MAIS FORA DE SI.


ALFREDO — Vocês não sabem onde estão se metendo. Eu não vou deixar que vocês fiquem me tirando de otário. Eu posso acabar com vocês dois quando eu bem entender.

OLÍVIA — (sendo corajosa) Faça o que você quiser, Alfredo. Eu não tenho medo das suas ameaças. Se você me der licença eu tenho uma visita para fazer para a Madalena. 

ALFREDO — Você não ouse fazer isso, Olívia. Eu não respondo por mim. Você só pode estar querendo destruir a minha vida. 

NONATO — Você nunca mais vai encostar a sua mão na Olívia, seu maldito. Eu farei questão de proteger ela de tudo que você tente fazer, Alfredo. Agora saia da nossa frente.



OLÍVIA E NONATO ENTRAM DE MÃOS DADAS NO HOSPITAL. A CÂMERA GIRA E MOSTRA O ÓDIO ESTAMPADO NO ROSTO DE ALFREDO.

CORTA PARA/


CENA 12. HOSPITAL. LEITO HOSPITALAR. INT/ NOITE

A CÂMERA MOSTRA A APREENSÃO NOS OLHARES DE DIONÍSIA, LAURINDO E CÉLIA QUE ESTÃO DO LADO DA CAMA DE MADALENA QUE AINDA ESTÁ MUITO ABALADA. EM SEGUIDA PETRÔNIO ENTRA NO QUARTO E RLR VAI NA DIREÇÃO DE MADALENA. ELE VAI FICANDO CADA VEZ MAIS TENSO.


DIONÍSIA — (preocupada) Ainda bem que você apareceu, Petrônio. O Alfredo tentou matar a minha filha. Se não fosse pela ajuda do enfermeiro eu nem sei o que teria acontecido. 

LAURINDO — (mantendo a calma) Você precisa manter a calma, minha velha. O mais importante é que a nossa filha está fora de perigo. (P) Petrônio…. O que foi que aconteceu? Eu estou te achando um pouco aflito. O que foi dessa vez? 

MADALENA — O meu pai está certo, Petrônio. Eu sei que você está querendo me contar alguma coisa. Eu estou certa?

PETRÔNIO — Sim, você está certa, Madalena. Eu sinto muito ter que dizer isso. O Flores levou a Marina como refém para um lugar onde ninguém sabe. Ele quer fazer uma troca da Marina pela Isabela. Se ele não conseguir fazer essa troca ele vai matar a Marina. 


TODOS ALI PRESENTES FICAM EM CHOQUE. MADALENA COMEÇA A FICAR DESESPERADA. PETRÔNIO TENTA CONSOLAR ELA.


MADALENA — (desesperada) A minha filha???? Por isso tem que estar acontecendo? Eu preciso sair desse hospital agora.

DIONÍSIA — Você tem certeza do que está falando, Petrônio? Não tem nenhuma chance de isso não ser nenhum engano? 

CÉLIA — Olhe o estado que o Petrônio está, mãe. A senhora acha mesmo que ele falaria algo dessa gravidade sem ter certeza?

PETRÔNIO — Infelizmente essa é a mais pura verdade, Dionísia. O Paco me contou isso aos prantos e eu acredito nele. Nós temos que arranjar um jeito de salvar a Marina. Nem ela nem a minha merecem ficar a mercê de alguém como o Flores.


MESMO COM MUITA DIFICULDADE MADALENA CONSEGUE SENTAR NA CAMA DO LEITO HOSPITALAR. ELA E PETRÔNIO FICAM TROCANDO OLHARES BEM SÉRIOS.


MADALENA — (séria) Petrônio…. Me promete que nada de mal vai acontecer com a minha filha. Eu não iria suportar perder qualquer um dos meus filhos. Me promete.

PETRÔNIO — É claro que eu prometo, Madalena. Eu juro que eu vou fazer de tudo para salvar a Marina. Eu vou fazer isso como se ela fosse a minha própria filha. Eu juro para você.

LAURINDO — Toma muito cuidado, Petrônio. Eu fiquei sabendo de história desse Delegado Flores que são assustadoras. Você é um bom homem. Cuidado!

CÉLIA — Essa é a mais pura verdade, Petrônio. Você foi preso injustamente pelo governo militar e quase morreu. Talvez você não consiga escapar de novo. Você sabe bem disso.

PETRÔNIO — (firme) Eu não tenho escolha. É a vida da Marina que está em jogo. Eu preciso salvar ela custe o que custar.


MADALENA E PETRÔNIO DÃO AS MÃOS EM UM MOMENTO DE CUMPLICIDADE. O SILÊNCIO REINA SOBERANO NO LOCAL. A CÂMERA DÁ UM FOCO NO OLHAR DESESPERADOR DE MADALENA.


A IMAGEM CONGELA NO OLHAR DE MADALENA. 






















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