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Entre Laços Quebrados - Capítulo 25 | Últimos Capítulos

 

 



ENTRE LAÇOS QUEBRADOS | CAPÍTULO 25

ÚLTIMOS CAPÍTULOS

Criada e escrita por: Vicente de Abreu
Produção Artística: Ezel Lemos


Essa obra pode conter representações negativas e estereótipos da época em que é ambientada.



ANTERIORMENTE


CENA 01: INT. SALA DE REUNIÕES DE PACIENTES. DIA


Guilherme e a fisioterapeuta estão reunidos com Luciana, Marlene e Serginho. Há uma sensação palpável de expectativa e gratidão no ar.

GUILHERME: (sorrindo calorosamente) Luciana, é com muita alegria que compartilhamos esta notícia. Seu progresso foi notável. Você está pronta para dar o próximo passo e continuar sua recuperação em casa.

Luciana olha para Guilherme com olhos brilhantes, transbordando gratidão e uma nova determinação.

LUCIANA: (com voz embargada) Obrigada, doutor Guilherme. Finalmente vou para casa! 

Guilherme assente, sua expressão agora revelando não apenas a satisfação do dever cumprido, mas também o vínculo emocional que se formou durante as semanas intensas no hospital. Luciana, apoiada por seus amigos, levanta-se da cadeira, pronta para abraçar o futuro com renovada esperança e força.

GUILHERME: Luciana, por favor, espere um momento.

Luciana vira-se para ele, uma mistura de curiosidade e surpresa em seu olhar.

LUCIANA:  (suavemente) O que foi, doutor Guilherme?

Guilherme olha nos olhos dela, escolhendo suas palavras com cuidado.

GUILHERME:  (sério, mas com gentileza) Eu sei que você passou por muita dor, Luciana. Mas há algo que você precisa saber... Seu filho, ele... ele não morreu de fato.

Luciana fica sem palavras, seus olhos se arregalam com uma mistura de incredulidade e esperança. Guilherme respira fundo, andando em direção de Luciana e se aproximando. Ele segura as mãos dela. 

GUILHERME: (continuando) Eu posso levá-la até ele.

Luciana leva a mão ao peito. A câmera dá um close nos rostos de Guilherme e Luciana, ambos sentindo uma mistura avassaladora de emoções.


CONTINUAÇÃO:

CENA 02: INT. SALA DE REUNIÕES DE PACIENTES. DIA


LUCIANA: (tremendo, com lágrimas nos olhos) Meu filho... ele está vivo? Onde ele está, doutor?

Guilherme solta um suspiro profundo, como se se preparasse para uma revelação ainda mais pesada.

GUILHERME: (com um tom grave) Luciana, sua situação é mais complicada do que parece. Minha esposa, Heloísa, comprou seu filho... com a ajuda de sua mãe, Iná.

O choque atravessa a sala como um raio. Luciana fica imóvel, o rosto transformado em uma máscara de incredulidade e traição. Marlene leva a mão à boca, seus olhos arregalados de horror. Serginho franze a testa, incrédulo, e a fisioterapeuta observa, alarmada.

LUCIANA: (sussurrando) Comprou...? Minha mãe? Não, isso não pode ser verdade. Por quê? Como ela pôde fazer isso?

GUILHERME: (com voz pesada) Ela estava desesperada, Luciana. Heloísa sempre quis um filho e, quando soube da sua situação, viu uma oportunidade. Iná... Ela concordou em ajudar por dinheiro. Eu só descobri recentemente e estou disposto a desmascará-las para que você possa ter seu filho de volta.

LUCIANA: (angustiada e furiosa) O que esperar da Iná? Ela me abandonou! (pausa) Eu preciso vê-lo. Agora.

GUILHERME: (firmemente) Vamos até ele. Vou te levar até onde ele está. Mas precisamos ser cuidadosos. Heloísa é imprevisível.

Luciana se levanta, sua determinação renovada e a raiva queimando em seus olhos. Marlene e Serginho se aproximam, oferecendo apoio silencioso, prontos para enfrentar o que vier pela frente.

SERGINHO: (com firmeza) Estamos com você, Luciana. Vamos trazer seu filho de volta.


CENA 03: INT. CLÍNICA PSIQUIÁTRICA - SALA DE TERAPIA - DIA

A sala de terapia é um espaço austero, com paredes brancas, uma mesa de madeira simples e duas cadeiras estofadas. Uma janela pequena deixa entrar uma luz fraca e fria, refletindo o ambiente sombrio. O tic-tac de um relógio na parede parece ecoar no silêncio da sala.

Heloísa, está sentada em uma das cadeiras, com os olhos fixos no chão. Seu rosto está pálido e cansado, marcado por olheiras profundas. Suas mãos tremem levemente, ela brinca nervosamente com um lenço.Esther, está sentada à sua frente, com um bloco de notas em mãos. Seus olhos são gentis, mas firmes, enquanto observa Heloísa.

ESTHER: (voz calma e suave) Heloísa, eu quero que você se sinta segura aqui. Pode me contar o que está acontecendo?

Heloísa levanta os olhos, sua expressão é de dor e desespero. Ela respira fundo antes de começar a falar.

HELOÍSA: (voz trêmula) Desde que... desde que eu perdi o bebê... tudo mudou. Eu me culpei tanto... e então as vozes começaram.

Esther faz uma anotação rápida, sem desviar o olhar de Heloísa.

ESTHER: (voz acolhedora) Pode me contar mais sobre essas vozes? O que elas dizem?

Heloísa aperta o lenço com mais força, suas mãos tremem visivelmente.

HELOÍSA: (olhos cheios de lágrimas) Elas me culpam, Esther. Elas dizem que foi minha culpa, que eu não mereço ser mãe... Elas não me deixam em paz.

Esther inclina-se ligeiramente para frente, demonstrando empatia.

ESTHER: (voz firme, mas compassiva) Heloísa, quero que feche os olhos por um momento. Vamos fazer um exercício juntos. Respire fundo... inspire... expire...

Heloísa fecha os olhos e tenta seguir as instruções, sua respiração é irregular no início, mas gradualmente começa a se acalmar.

ESTHER: (continuando) Agora, imagine um lugar onde você se sinta segura. Pode ser qualquer lugar... Onde você se sente em paz?

Heloísa parece hesitar, mas então uma leve expressão de alívio atravessa seu rosto.

HELOÍSA: (sussurrando) O jardim da minha avó... Eu costumava brincar lá quando era criança.


~ INICIO DO FLASHBACK ~ 

CENA 04: EXT. JARDIM DA CASA DA AVÓ - FLASHBACK - DIA

Heloísa, aos oito anos, corre pelo jardim florido da casa de sua avó. O sol brilha intensamente, e os pássaros cantam alegremente. É um contraste marcante com o presente sombrio.

Heloísa ri e colhe flores, mas a cena muda abruptamente para uma noite escura dentro da casa.

CENA 05: INT. CASA DE HELOÍSA - QUARTO DOS PAIS - FLASHBACK - NOITE

A jovem Heloísa espreita pela porta entreaberta do quarto dos pais. Seu pai, MÁRIO (Murilo Benício), um homem robusto com expressão endurecida, grita e gesticula violentamente.

MÁRIO: (gritando) Você é inútil! Nem consegue dar um irmão para a Heloísa!

CLARA (Camila Morgado), a mãe de Heloísa, encolhe-se na cama, lágrimas escorrendo por seu rosto.

CLARA: (suplicante) Mário, por favor... eu tento...

Mário a golpeia, e Clara cai no chão, soluçando. Heloísa se encolhe atrás da porta, seus pequenos ombros tremendo de medo e impotência.

~ FIM DO FLASHBACK ~


Heloísa está de volta à sala de terapia. Seus olhos estão fechados, mas as lágrimas escorrem pelo seu rosto. Esther observa Heloísa com uma expressão de profunda compaixão, compreendendo a raiz da dor que ela carrega.

HELOÍSA: (com voz quebrada) Meu pai... ele culpava minha mãe por não conseguir ter mais filhos. Ele batia nela, Esther. E eu... eu não podia fazer nada. Eu me sinto tão impotente... tão culpada...

ESTHER: (voz suave, mas firme) Heloísa, você era apenas uma criança. Não era sua culpa. As vozes que você ouve são ecos daquela dor, daquela culpa que não é sua para carregar. Vamos trabalhar juntas para silenciá-las. Você merece encontrar paz.

Heloísa abre os olhos, a expressão no rosto mistura tristeza e uma determinação perturbadora.

HELOÍSA: (evitando o olhar de Esther) Eu sempre quis ser mãe... Sentia que, se eu tivesse um filho, poderia fazer tudo certo. Poderia proteger, amar, ser a mãe que a minha nunca pôde ser...

Ela faz uma pausa, respirando fundo, mas sua respiração fica cada vez mais rápida e irregular.

HELOÍSA: (com uma intensidade crescente) Eu comecei a trabalhar no hospital da família do meu marido... Era como se cada criança nascida ali fosse uma oportunidade... uma chance de reparar meu passado.

Esther inclina-se um pouco, sentindo a tensão na voz de Heloísa.

ESTHER: (com delicadeza) Heloísa, o que aconteceu no hospital?

HELOÍSA: (os olhos arregalados, a voz vibrando) Havia uma paciente... Ela estava em coma, Esther! Eu vi uma chance. Uma chance de finalmente ser mãe.

Esther sente o peso das palavras, o coração apertando em solidariedade e preocupação.

HELOÍSA: (sorrindo maniacamente) Eu comprei o bebê dela, pela avó! Dei a ela dinheiro, uma promessa de uma vida melhor... E levei o bebê para casa. Disse ao meu marido que era nosso. E durante um tempo... durante um tempo eu realmente acreditei que era.

Os olhos de Heloísa começam a brilhar de uma maneira perturbadora. Esther sente a mudança na sala, uma energia opressiva crescendo.

HELOÍSA: (rindo histericamente) Eu fiz o que tinha que fazer! Eu dei a ele uma vida melhor! Ele é meu! Meu!

Ela se levanta abruptamente, os olhos arregalados e cheios de uma fúria descontrolada. Esther permanece calma, mas está claramente alerta.

ESTHER: (com firmeza) Heloísa, sente-se. Precisamos continuar nossa conversa.

HELOÍSA: (gritando) NÃO! Vocês não entendem! Ninguém entende! Ele é meu filho! E eu farei o que for preciso para mantê-lo!

Ela começa a derrubar objetos ao redor da sala, o caos se instalando. Esther sinaliza discretamente para a equipe de segurança, mas mantém a voz calma e controlada.

ESTHER: (tentando acalmar) Heloísa, por favor, escute-me. Estamos aqui para ajudar. Vamos passar por isso juntas.

HELOÍSA: (em um colapso total, gritando e chorando) Ninguém pode me ajudar... Ninguém...

A equipe de segurança entra na sala, aproximando-se de Heloísa com cuidado. Ela finalmente colapsa no chão, soluçando descontroladamente, enquanto Esther se ajoelha ao lado dela. Heloísa continua a chorar, os soluços ecoando pela sala, enquanto a equipe de segurança e Esther trabalham juntos para trazê-la de volta à calma.


CENA 06: INT. SALA DE ESTAR - FIM DE TARDE

A porta da frente se abre com força, revelando Otávio, visivelmente machucado, com o rosto inchado e uma expressão furiosa. Débora, que estava sentada no sofá lendo um livro, se levanta rapidamente, assustada com a entrada abrupta do marido.

DÉBORA: (surpresa) Otávio? O que você está fazendo aqui tão cedo?

OTÁVIO: (entrando com dificuldade) Tive uma... conversa com Arnaldo.

DÉBORA: (ironicamente) Conversa? Parece mais que vocês resolveram discutir com os punhos. Você está horrível!

OTÁVIO: (sarcasticamente) Você devia ver o outro cara.

Débora se aproxima de Otávio, preocupada. Ela pega uma toalha e começa a limpar o sangue do rosto dele, sem notar a mala que ele deixou perto da porta.

DÉBORA: (suavemente) Senta aqui. Deixa eu cuidar disso.

Otávio se senta pesadamente na cadeira. Débora continua limpando as feridas dele com delicadeza, mas a tensão no ar é palpável.

DÉBORA: (brincando, mas com um tom de preocupação) Um dia isso vai acabar mal.

OTÁVIO: (suspirando) Eu sei. Mas dessa vez foi diferente, Débora.

Débora para de limpar as feridas por um momento, olhando para Otávio, intrigada.

DÉBORA: (dúvida) Diferente como?

Otávio respira fundo, tentando manter a calma. Ele levanta a cabeça e olha diretamente nos olhos de Débora.

OTÁVIO: (sereno) Eu vendi o apartamento do Rio.

DÉBORA: (chocada) Você o quê? Mas por quê?

OTÁVIO: (decidido) Porque eu percebi que era hora de fazer algumas mudanças. É hora de me comprometer de verdade com você, Débora. Sem distrações, sem desculpas.

Débora fica em silêncio, absorvendo a informação. Ela olha para a mala perto da porta e finalmente percebe sua presença.

DÉBORA: (suavemente) A mala... você está falando sério?

OTÁVIO: (nodando) Estou. Quero estar aqui, com você. Quero que a gente construa algo juntos, sem sombras do passado.


BUENOS AIRES. ARGENTINA. 


CENA 07: INT. SALA DO JUÍZO - FIM DE TARDE

Uma pequena sala, iluminada pela luz suave que entra através de uma janela grande. O chão de madeira range levemente sob os passos de Iná e Hector enquanto caminham para a frente, onde o juiz, um homem de meia-idade com um semblante sereno, os espera.

Iná veste um vestido branco simples, porém elegante. Hector está em um terno escuro, nervoso mas sorridente. Eles seguram as mãos, compartilhando um momento de cumplicidade silenciosa.

O juiz se ajusta em seu lugar, observando o casal com um leve sorriso.

JUIZ: (calmamente) Estamos aqui reunidos para celebrar a união de Iná e Hector em matrimônio. Vocês escolheram este momento para confirmar diante de mim e um ao outro os votos que os unem.

Iná e Hector trocam olhares, suas mãos entrelaçadas se apertam levemente.

JUIZ: (CONT'D) (para Iná) Iná, você aceita Hector como seu legítimo esposo, prometendo amá-lo e respeitá-lo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias de sua vida?

INÁ: (emocionada) Sim, aceito.

O Juiz se vira para Hector.

JUIZ: E você, Hector, aceita Iná como sua legítima esposa, prometendo amá-la e respeitá-la na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias de sua vida?

HECTOR: (sorrindo) Sim, aceito.

O Juiz sorri e pega uma pequena caixa de veludo contendo as alianças.

JUIZ: As alianças, por favor.

Hector abre a caixa e pega uma das alianças, deslizando-a no dedo de Iná.

HECTOR: Iná, com esta aliança, eu me comprometo a te amar e cuidar de você por toda a minha vida.

Iná pega a outra aliança e a coloca no dedo de Hector.

INÁ: Hector, com esta aliança, eu me comprometo a te amar e cuidar de você por toda a minha vida.

O Juiz fecha a caixa e observa o casal por um momento, antes de se endireitar e anunciar.

JUIZ: Pela autoridade a mim concedida, eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.

Hector e Iná se inclinam um para o outro, compartilhando um beijo doce e carinhoso. Quando se afastam, seus rostos estão radiantes de felicidade.

O Juiz sorri para eles.

JUIZ: (CONT'D) Parabéns. Que sua vida juntos seja repleta de amor e alegria.

Iná e Hector agradecem com um aceno de cabeça, seus sorrisos são amplos e genuínos. Eles caminham de mãos dadas para fora da sala, prontos para começar sua nova vida juntos.


FADE OUT.

MANHÃ SEGUINTE:


CENA 09: INT. APARTAMENTO DE HECTOR- DIA

A atmosfera é leve e cheia de expectativa enquanto Iná e Hector, organizam suas últimas coisas para a viagem. Iná está radiante, movendo-se com energia pela sala, enquanto Hector a observa com um sorriso carinhoso.

INÁ: (animada) Mal posso esperar para você conhecer o Brasil, Hector! Você vai adorar as praias, a comida... é tudo tão diferente daqui.

HECTOR: (sorrindo) Estou ansioso para ver tudo o que você ama tanto. E você, está preparada para voltar para casa?

Iná para por um momento, olhando para Hector com ternura.

INÁ: (suavemente) Casa é onde estivermos juntos, Hector. Mas sim, estou muito feliz por voltar para o Brasil com você.

Os dois terminam de fechar a mala juntos, trocando olhares cúmplices cheios de amor e antecipação. Hector segura a mala enquanto Iná pega sua bolsa.

HECTOR: (pronto) Estamos prontos?

INÁ: (sorrindo) Sim, vamos!


CORTA PARA:

CENA 10: EXT. AEROPORTO DE BUENOS AIRES - DIA

Iná e Hector caminham de mãos dadas pelo saguão movimentado do aeroporto. Iná está inquieta de excitação enquanto olha ao redor.

INÁ: (animada) Olha só, Hector, aquele é o balcão da nossa companhia aérea! Logo estaremos decolando.

HECTOR: (sorrindo) Mal posso esperar para ver o Brasil pelos seus olhos, Iná.

Eles se aproximam do balcão e apresentam seus documentos. Após o check-in, caminham juntos em direção ao portão de embarque, aproveitando cada momento juntos.


RIO DE JANEIRO. BRASIL.


CENA 11: INT. CRECHE-ESCOLA - DIA

[ TRILHA ON: Cordeiro De Nana]


A creche-escola é colorida e vibrante, cheia de risadas infantis. Guilherme de postura firme, caminha ao lado de Luciana,nervosa e com o coração apertado. Eles entram na área de recreação, onde as crianças estão brincando.

Eles olham ao redor, procurando um rosto familiar. Guilherme avista Matheus, brincando alegremente com outros meninos. Seus olhos se enchem de lágrimas.

LUCIANA: (emocionada) É ele... Meu Deus, é ele.

Guilherme faz um gesto para a professora, que está de olho nas crianças. Ela se aproxima com um sorriso acolhedor.

PROFESSORA: Boa tarde, senhor Rossi. Em que posso ajudar?

GUILHERME: (olhando para Matheus) Poderia trazer o Matheus aqui, por favor?

A professora acena e chama uma ajudante que trás Matheus. Ele vem animado.. Luciana não consegue desviar os olhos, lágrimas escorrendo pelo rosto.

GUILHERME: (sorrindo) Matheus, essa é uma amiga do papai.

Matheus olha curioso para Luciana, que tenta se recompor, mas falha. Guilherme se ajoelha e sorri para Matheus.

GUILHERME: Oi, campeão. Pode vir aqui um pouquinho?

Matheus corre para Guilherme, que o levanta e o coloca nos braços de Luciana. Ela o segura apertado, chorando de emoção. Matheus, confuso, abraça-a de volta.

MATHEUS: (voz infantil) Ela tá chorando!

LUCIANA: (chorando) São lágrimas de felicidade, querido. Estou tão feliz de te ver.

Guilherme, com os olhos marejados, observa a cena. Ele coloca a mão no ombro de Luciana, dando-lhe apoio.

GUILHERME: (para Matheus) Essa moça gosta muito de você, sabia?

Matheus sorri inocentemente e abraça Luciana mais forte. Luciana fecha os olhos, tentando gravar cada segundo desse momento.

MATHEUS: (sorrindo) Eu também gosto dela, papai. 

LUCIANA: (abraçando-o forte) Eu também, meu anjinho. Eu também.

A professora, percebendo a profundidade do momento, se afasta discretamente. Guilherme dá um suspiro profundo, olhando para Luciana e Matheus com um sorriso misturado à tristeza. Guilherme entrega Matheus para a professora novamente e se vira lentamente junto de Luciana.

Luciana acena, sentindo o calor e a vida do filho ainda nos braços. A câmera se afasta lentamente, capturando a intensidade do reencontro.


CORTA PARA:

CENA 12: CAFETERIA LEBLON. INT. 

Luciana e Guilherme estão sentados em um café discreto. A expressão de Luciana é empolgada, enquanto Guilherme ouve atentamente, absorvendo cada palavra. Guilherme está ao seu lado, visivelmente perturbado pela revelação e pelas dúvidas que isso trouxe à sua mente.

LUCIANA: (sorrindo emocionada) Guilherme, você já pensou no porquê do nome "Matheus"? É tão bonito... (pausa, percebendo a expressão séria de Guilherme) O que foi?

GUILHERME: (suspira, olhando para Luciana) Luciana, eu... Eu preciso entender isso melhor. Eu sempre acreditei que Matheus fosse meu filho…mas agora...

Luciana coloca a mão sobre a dele, com carinho.

LUCIANA: (com ternura)  O amor que você deu a ele todos esse tempo, é o que importa. Nada vai mudar isso.

GUILHERME: (olhando para Luciana com gratidão) Você sempre me surpreende com sua força, Luciana.

LUCIANA: (decidida) Guilherme, preciso ver Otto. Ele também faz parte da minha vida, mesmo que tudo tenha sido tão complicado.

GUILHERME: (assentindo, tentando esconder a insegurança) Claro, podemos ir até lá. Mas, Luciana, prometa que vamos conversar sobre tudo isso. Juntos.

Luciana sorri, reconhecendo a preocupação de Guilherme.

LUCIANA: (abraçando Guilherme) Prometo. 

Os dois se levantam e se preparam para sair.


CORTA PARA:

CENA 13: EXT. CLÍNICA DE REABILITAÇÃO - DIA

[ TRILHA ON: Dido - My Lover's Gone (Audio)]

Luciana e Guilherme chegam à clínica. Estão nervosos, mas unidos. Luciana respira fundo antes de entrar, preparada para enfrentar Otto e todas as consequências de seu passado.O ambiente é sereno, mas tenso. Luciana segura a mão de Guilherme com firmeza, buscando apoio.

LUCIANA: (sussurrando para si mesma) Estou pronta.

Eles caminham pelo jardim da clínica, observando os pacientes em atividades terapêuticas. Entre eles, Otto está sentado em um banco, olhando para o horizonte com uma expressão perdida.

GUILHERME: (suavemente) Ele está ali.

Luciana engole em seco, sentindo o coração bater mais rápido. Ela caminha decidida na direção de Otto, que lentamente percebe sua presença.

OTTO: (com um misto de surpresa e felicidade) Luciana… você veio.

LUCIANA: (controlando suas emoções) Otto.

Eles se encaram por um momento tenso, como se todo o peso do passado estivesse presente entre eles.

OTTO: (com uma voz trêmula) Você está bem?

LUCIANA: (com um sorriso forçado) Estou. E você?

OTTO: (olhando para o chão, hesitante) Melhorando, aos poucos.

LUCIANA: (com sinceridade, mas com uma leve mágoa) Eu ouvi dizer que você voltou.

OTTO: (assentindo, com um suspiro) Sim, estou tentando... de verdade.

Otto baixa a cabeça, sabendo do que Luciana está se referindo.

OTTO: (com uma voz fraca) Eu visitei você no hospital... quando você estava em coma.

Luciana fica chocada, suas mãos tremem levemente.

LUCIANA: (num sussurro) O quê?

OTTO: (com remorso profundo) Eu pedi perdão... por tudo. Pelo que aconteceu... pelo que eu causei.

LUCIANA: (em um silêncio pesado, olhando para Otto com uma mistura de dor e indignação) Você... pediu perdão?

OTTO: (com os olhos marejados) Sim. Mas... eu sei que palavras não mudam o que aconteceu. Não mudam o que você passou por minha causa.

Luciana fecha os olhos por um momento, lutando contra as lágrimas que ameaçam cair.

LUCIANA: (num tom calmo, mas cortante) Não, Otto. Palavras não mudam nada.

Otto engole em seco, sentindo o peso das palavras de Luciana.

OTTO: (com desespero na voz) Luciana, eu...

LUCIANA: (cortando-o com firmeza) Você escolheu partir, Otto. E isso teve consequências... consequências que eu carregarei para sempre.

OTTO: (com um suspiro pesado) Eu sei... e eu não posso desfazer isso. Eu fui fraco.

LUCIANA: (com um tom mais elevado) Fraco? Você não entende o que causou, Otto! Você me deixou sozinha, lutando contra tudo, e quando pensei que poderia confiar em você... você simplesmente fugiu!

OTTO: (com os olhos marejados) Eu estava assustado! Eu não sabia como lidar com aquilo tudo. Com o que eu tinha feito com você.

LUCIANA: (com um riso amargo) E eu? Como você acha que eu me senti?  (com os olhos cheios de lágrimas) Você acha que fez algum bem agora? Depois de tudo?

Otto abaixa a cabeça, lutando para conter as próprias lágrimas.

OTTO: (com a voz embargada) Eu sei... Eu sei que eu fui o motivo de tudo isso. Eu nunca vou me perdoar por isso.

LUCIANA: (num silêncio pesado) E eu? Você acha que eu devo te perdoar?

Otto olha para ela, seus olhos cheios de dor e arrependimento, mas sem esperança.

OTTO: (num murmúrio) Eu não espero que você me perdoe. Eu só queria que você soubesse o quanto sinto muito.

Luciana fica em silêncio por um longo momento, lutando internamente com suas emoções. Finalmente, ela respira fundo.

LUCIANA: (num tom final, com os olhos fixos nos de Otto) Eu nunca vou esquecer o que você fez. E nunca vou perdoar.

Ela se vira lentamente, caminhando ao lado de Guilherme. Otto a observa, impotente diante das consequências de suas escolhas.

Luciana segue em frente, sem olhar para trás. A câmera foca em Otto, solitário no banco, perdido em seus próprios pensamentos e arrependimentos.


CENA 14: INT. CLÍNICA PSIQUIÁTRICA - TARDE.

Heloísa lentamente abre os olhos, confusa, em um quarto estéril e tranquilo da clínica psiquiátrica. Ao se sentar na cama, percebe a presença de Esther ao lado, observando-a com seriedade. A tensão no ar é palpável.

ESTHER: (suavemente) Heloísa, você acordou. Como está se sentindo?

Heloísa franze a testa, tentando lembrar do que aconteceu. Antes que ela possa responder, a porta se abre abruptamente, revelando dois POLICIAIS que entram com firmeza no quarto.

POLICIAL 1: Heloísa Rossi?

Heloísa olha confusa para Esther, que agora mantém um semblante firme, quase imperturbável.

HELOÍSA: (o tom começando a subir) O que está acontecendo aqui?

POLICIAL 2: (sério) Heloísa Rossi, você está sendo presa pela compra ilegal do filho de Luciana dos Santos González.

Heloísa fica pálida, os olhos arregalados de incredulidade. Ela balança a cabeça, recusando-se a acreditar no que está ouvindo.

HELOÍSA: (impetuosamente) Isso é um engano! Eu não fiz isso!

Esther olha para Heloísa com uma mistura de compaixão e determinação.

ESTHER: (suavemente) Heloísa, eu não tive escolha. Eu não podia mais ignorar o que descobri.

Heloísa se levanta abruptamente, uma mistura de raiva e desespero cruzando seu rosto. Ela avança em direção a Esther com um grito estridente.

HELOÍSA: (furiosa) Você me traiu! Você não tinha o direito!

Heloísa sente o mundo desmoronar ao seu redor. Ela se levanta bruscamente, encarando Esther com fúria intensa. Esther permanece firme, enfrentando o furacão emocional de Heloísa com calma estudada.

Heloísa avança para Esther com mãos trêmulas, pronta para atacar, mas os policiais a seguram firmemente.


HELOÍSA: (furiosa) Você me traiu! Eu confiei em você!


Os policiais intervêm rapidamente, segurando Heloísa enquanto ela luta freneticamente. A confusão e a dor se transformam em um novo colapso emocional, Heloísa soltando gritos de angústia enquanto é algemada.

Esther assiste à cena com uma mistura de dor e determinação, sabendo que essa é a consequência inevitável de suas ações.


ESTHER: (sussurra) Eu sinto muito, Heloísa. Mas era o que eu tinha que fazer.

Os policiais finalmente algemam Heloísa, levando-a à força para fora do quarto enquanto ela lança olhares de fúria pura para Esther.


CENA 15: CIDADE DE BÚZIOS. ANOITECER.

[TRILHA ON: Nada Será Como Antes - Hecto e Ney Matogrosso - Videoclipe]

A luz do sol começa a ceder espaço para as sombras suaves da noite sobre a península de Búzios. O oceano, calmo e reflexivo durante o dia, agora se transforma em um espelho negro que reflete as estrelas recém-emergentes. O som das ondas quebrando suavemente na costa se mistura com o murmúrio distante das conversas dos pescadores retornando do mar.

Luciana chegou em Búzios no final da tarde, quando o sol mergulhava no horizonte e tingia o céu de tons dourados e rosados. O vento quente do litoral acariciava seu rosto enquanto ela caminhava pela rua de paralelepípedos, carregando uma pequena mala com rodinhas que rangiam suavemente a cada passo.

À medida que se aproximava da praia, os aromas misturados de sal marinho e comida fresca dos restaurantes à beira-mar enchiam o ar. Ela parou por um momento para observar os barcos coloridos balançando suavemente na água cristalina do porto.


CORTA PARA: 

CENA 16: INT. CASA - BANHEIRO - NOITE

Luciana fica diante do espelho do banheiro, segurando uma tesoura trêmula. Ela observa cada canto do ambiente, relembrando os momentos dolorosos ali vividos. Lágrimas escorrem por seu rosto enquanto decide agir. Com determinação, começa a cortar seu cabelo longo, mecha por mecha. Cada corte é um rompimento com o passado, um ato de libertação. Seu choro se mistura com uma expressão de fúria contida, desafiando tudo o que a machucou.

A noite avança lá fora, os sons da cidade ecoam na quietude do banheiro. Os fios de cabelo caem ao redor dela, formando um tapete de lembranças cortadas. Quando termina, Luciana ergue o olhar para o espelho. Seu novo visual revela uma mulher transformada, com um corte de cabelo que simboliza sua coragem de seguir em frente. Respira fundo, seu rosto marcado pelo cansaço e pela determinação.

Ela se afasta do espelho lentamente, deixando para trás não apenas seu cabelo, mas também um capítulo doloroso de sua vida.


CORTA PARA:

CENA 17: INT. PENSÃO DE INÁ. MAIS TARDE. 

Iná, entra na sala acompanhada por Hector e suas bagagens.. Ele observa tudo com curiosidade.

 INÁ: (sorrindo, nostálgica) Aqui é onde eu cresci, Hector. Onde tudo começou. 

HECTOR: (encantado) É uma casa linda, Iná. Cheia de história. 

INÁ: Sim, muita história. Vem, vou te mostrar o resto. 


CORTE PARA: 

CENA 17: INT. CORREDOR. PENSÃO DE INÁ. 

[ TRILHA CONT. ]

Iná e Hector caminham pelo corredor, a atmosfera carregada de mistério e expectativa. Iná abre a porta de um quarto específico com uma expressão sombria.

INÁ: (olhando ao redor, sombria) Este era o quarto da minha filha, Luciana. Ela... (pausa, como se buscasse coragem) Ela ficou em coma por um tempo.

HECTOR: (triste, compreensivo) Deve ter sido muito difícil para você. 

INÁ: (empolgada) Foi, mas a vida continua, não é?


Iná aos poucos abre a porta para entrar no quarto.


CORTE PARA: 

CENA 17: INT. QUARTO. PENSÃO DE INÁ. 

[ TRILHA OFF. ] 

 O quarto está meticulosamente arrumado, um contraste estranho com a tensão no ar. De repente, Iná para abruptamente. No centro do quarto, Luciana está de pé reluzente, os olhos fixos em sua mãe. Hector se mantém na porta, atônito.

INÁ: (em choque, sussurrando) Luciana...?

LUCIANA: (voz firme) Olá, mãe. Ainda se lembra de mim?


A câmera fecha em um close de Luciana, cujos olhos brilham com uma intensidade perturbadora, transmitindo uma presença que vai além das palavras. 


FIM DO CAPÍTULO.









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