Type Here to Get Search Results !

Primeira Impressão com o Senhor X - Crítica "A Inveja Mata" - Programa 09


Saudações intergalácticas, meus terráqueos prediletos! Não podem imaginar o grande prazer e alívio que sinto em finalmente poder falar com humanos depois de 1 semana viajando pelo espaço frio, escuro e silencioso rumo ao meu planeta natal. Nem mesmo as espetaculares imagens de Marte e Júpiter em minhas janelas ou as dezenas de horas de filmes e podcasts que consumi puderam suprir o vazio que em mim se formou depois que pisei em seu pequena planeta azul e que se ampliou desde que os deixei para trás...

Mas não nos apegamos a sentimentalismo, pois há algo mais potencialmente prejudicial às minhas emoções, tanto quanto é às minhas vísceras: o buraco de minhoca o qual estou buscando a fim de encurtar a viagem e alcançar o outro lado da galáxia em um tempo que não os 100.000 anos usuais. Apesar de já tê-lo usado algumas vezes há milhares de anos, a experiência nunca é tranquila, e o trauma parece querer manifestar seus sintomas conforme vou me aproximando dessa – devo admitir – maravilha. Não quero dizer que todo o percurso por esse túnel através do tecido espacial seja assustador, mas o é em momentos pontuais, que acontecem sem a menor cerimônia: solavancos violentos, quedas de energia, sons absurdamente horripilantes, como que gorjeios vindos do coração de buracos negros ou de criaturas inimagináveis mesmo em minha mente... Mexer com as possibilidades do universo como faz o buraco de minhoca de fato acaba gerando essas experiências, no mínimo, inexplicáveis. Só espero que eu consiga sair bem do outro lado.

x x x

Mais algumas horas de aproximação e contemplação se passaram, e finalmente ele se agiganta em minha frente, como que um colossal espelho redondo vitoriano: no lugar da moldura, uma borda de pura energia azulada, e no lugar do vidro, uma fina pele branca e opaca... É lindo, mancebos.

A nave finalmente entra e, se é que isso é possível, dentro do buraco de minhoca o silêncio é ainda maior, como se o som ou a noção do mesmo viesse das luzes das estrelas, as quais naturalmente desapareceram e ficaram para trás. Nesse momento, não estou tecnicamente em lugar algum do espaço, e tudo que espero para essa travessia é o menor número possível de surpresas desagradáveis enquanto falo com vocês sobre a webnovela de hoje, que se trata de A Inveja Mata, escrita por Igor Gonçalves e exibida no Ranable Webs. Confiram a sinopse:

Eloiza mora de favor na mansão de sua irmã lsadora e tem uma inveja fora do comum. E sua inveja prevalecerá ainda mais quando conhecer Maíra, que vive cercada de amor com seu marido Hugo e seu filho Rodrigo.”

Intenso, não? Calma, ainda nada aconteceu nada com a nave, tudo segue tranquilo. Falo sobre a inveja de nossa protagonista (e vilã, arrisco dizer) Eloiza, a qual será o fio condutor da trama. Mas sabem o que não é intenso nesse capítulo de estreia? A intenção do texto em nos situar no cenário, em nos introduzir adequadamente os personagens e em nos fazer acreditar que os diálogos que ali estão acontecendo são reais e, por consequência, naturais. Ou seja, mancebos, é uma amálgama de praticamente TODOS os grandes problemas sobre os quais viemos discutindo desde o primeiro programa.

Para começar, essas personagens são adultas? Se sim, em idade mais madura? Ou ainda são adolescentes? Um texto cuja formatação quer emular um roteiro audiovisual não pode se dar ao luxo de nos fazer perceber em que faixa etária estão seus personagens só cenas à frente, e ainda por dedução, já que ligamos os pontos com base no local onde uma delas trabalha. Se bem que, pelo estilo dos diálogos, talvez todas elas sejam crianças, mas não crianças em suas vidas reais, e sim crianças brincando de adultos.

E conforme a leitura vai avançando, mais e mais vezes esses problemas vão se repetindo. Rodrigo, filho da aparentemente boazinha Maíra, e que em minha mente foi e voltou entre 3 e 45 anos, só teve sua idade revelada na 5° cena, e através de um diálogo expositivo, de uma descrição robótica e de um conjunto de obra completamente vazio em carga emocional. E olha que nessa cena o rapaz desabafa sobre a incompreensão dos pais para com ele, decide criar um canal no YouTube sobre sua “fase emo” e o cria de fato. Primeiro, quem fala tudo aquilo sozinho, e com uma velocidade de decisão que em muito excede o de minha nave? E segundo: de novo, estamos falando de um texto que segue, ainda que com falhas graves, o modelo de um roteiro audiovisual. A narração simplesmente dizer “Rodrigo vai no notebook e cria seu canal” não faz o leitor vibrar, nem faz que nele acenda uma chama de curiosidade, empolgação, torcida, curiosidade; não nos faz sentir nada! E isso é muito triste.

Conforme as cenas vão passando o leitor tem de presenciar mais diálogos expositivos, mais personagens introduzidos só pelo nome (e até mesmo surgindo inicialmente em falas) e mais cenas narradas robótica e burocraticamente. Mas, assim como o espaço interestelar, o capítulo fica um tanto mais literariamente nocivo. Por favor, não pensem que sou eu, estou apenas dando minha primeira impressão, e vocês mesmos podem constatar: Eloiza, ao ver Maíra em seu local de trabalho, automaticamente já se pergunta se aquela mulher está ali para roubar sua vaga. Mancebos... pensem comigo. Uma empresa com dezenas ou até centenas de pessoas, de diversos níveis hierárquicos em diversas áreas e departamentos... Será mesmo que um funcionário pensaria isso ao ver uma pessoa desconhecida chegando ali? “Ah, mas essa pessoa foi falar com seu chefe, e ela pode também estar vestida ou munindo ferramentas que são do seu tipo de serviço”, podem dizer. Bom, então por que é que o texto não se encarregou em me descrever isso? Percebem o que quero dizer?!

E a situação só se agrava! Por que é que Eloiza pensa mal de Maíra e a trata por “fulaninha” quando seu chefe Flavio a chama para conversar, ao que ela também já responde com um singelo e sutil questionamento: “Quer me demitir?”. Fora a dedução iluminada cosmicamente de que a “fulaninha” está ali para lhe roubar a vaga, não há razão alguma para Eloiza detestar tanto assim a novata Maíra! Não há um motivo sequer apresentado pelo texto, nem mesmo características físicas que poderiam indicar um preconceito (nada!) velado! E o buraco fica ainda mais fundo ao constatarmos que ela coloca toda a culpa de seus atrasos e péssimos atendimentos ao clientes, problemas apontados por Flavio e que vêm acontecendo há tempos, na “fulaninha”, que chegou ali HOJE! Olhem, tudo isso me faz pensar apenas que alguma coisa nisso tudo tem sérios problemas: ou Eloiza, ou o texto. A diferença é que se fosse a primeira, o segundo teria algum mérito.

Não bastando tudo isso, ainda nos deparamos com abreviações como “vc” no lugar de “você” e um uso de pontuações bastante deficiente. A apresentação visual, ou seja, a formatação, não tem absolutamente nada de interessante, nem mesmo se dá ao trabalho de diferenciar o tamanho ou a cor dos cabeçalhos, ou até mesmo de destacar as falas das descrições, e muito menos diferenciar o espaçamentos entre as frases. Se ainda esse quesito fosse agradável aos olhos, teríamos algo para aliviar nossa experiência.

Bem, depois de um período incrivelmente curto, finalmente saio do buraco de minhoca, do outro lado da galáxia, e a sensação não é nada agradável. Mas, infelizmente... não estou falando sobre o trajeto através do túnel espacial.




Novela:  A Inveja Mata

Autor: Igor Gonçalves

Capítulos: 15

Emissora: Ranable Webs

Clique aqui para ler o 1° capítulo

Saiba mais sobre a novela


            É com grande surpresa que chego ao outro lado do buraco de minhoca sem ter passado por nenhum daqueles incômodos surpresas. Agora é só direcionar a nave para o quadrante correto e avançar à toda potência. Mais uns 10 dias e, acredito, já estarei em minha terra natal. A única coisa que me intriga nesse momento é a escuridão desse ponto da galáxia. Não vejo nenhuma estrela à frente, apesar de com certeza estar no espaço. Bem, não deve ser nada demais... Veremos.

            Por hoje é isso, mancebos. Gostaram do programa? Têm dúvidas ou reclamações? É só dizerem abaixo. Querem a crítica da estreia de alguma webnovela ou websérie? Peçam abaixo e prometo tentar lhes atender, como tentei (e pude) atender todos os pedidos até agora. Perderam o programa da semana passada? Cliquem aqui e poderão lê-lo. Eu vou ficando por aqui, e espero que vocês fiquem bem por aí. Bebam muita água para que possamos nos ver bem no próximo domingo! Até lá!

Postar um comentário

0 Comentários
* Please Don't Spam Here. All the Comments are Reviewed by Admin.