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VILAREJO - Capítulo 36 (Últimas Semanas)





Capítulo 36 (Últimas Semanas)

Cena 01 - Banco D’ávilla [Interna/Noite]

[Carlota encarava Ana Catarina, ansiosa para que ela descesse de seu pedestal.]


CARLOTA: - E então, minha querida nora? Um gato comeu vossa língua?


ANA CATARINA: - Vosmecê é tão baixa, mas tão baixa. Como tem a coragem de inventar tamanha infâmia? Mila é filha do meu marido e não de Antônio. Vosmecê sequer sabe o que é ser mãe, pois o Antônio nem ao menos é seu filho. Já soube o que vosmecê fez com vossa irmã, não tem vergonha? Além de assassina, ladra de crianças.


CARLOTA: - Ora, não queira mudar de assunto. Eu sei muito bem, vosmecê quer alterar o contexto da história, mas não vai adiantar. Eu sei muito bem que Emília é filha de Antônio, não adianta negar. Eu vi o sinal no antebraço dela, esse é o mesmo sinal que Antônio e o pai dele possuem no mesmo lugar. Vosmecê sempre se julgou tão esperta, mas foi deixado à mercê da própria sorte.


ANA CATARINA: - Eu já disse, não sei do que vosmecê está falando.Vosmecê inventou isso tudo, porque como a boa bisca que é, não quer largar o osso, mas já lhe adianto que isso não irá funcionar, vosmecê vai ter que deixar esse banco, pois agora ele também me pertence. A justiça já sabe que estou viva e já lhe antecipo a notícia de que em breve, o próximo veredito será o seu, por assassinato.


CARLOTA: [Gargalha] - Desça desse pedestal de uma vez por todas, Ana Catarina ou vosmecê me fará sair as ruas e gritar aos quatro ventos o que descobri. É isso o que vosmecê quer? Que sua filha descubra a verdade assim, como mixirico de interior?


ANA CATARINA: - Eu não quero continuar essa conversa, vosmecê deve estar bêbada. Vou retornar com o oficial de justiça para lhe destituir dessa cadeira. [Fala ao dar meia volta].


CARLOTA: - Eu te dou uma semana. Serei generosa, uma semana para contar a verdade ao Antônio ou… Para molhar bem a minha mão, me deixando ficar na direção do banco, naturalmente. Uma semana, Ana Catarina. Nada além disso! [Completa].


ANA CATARINA: [Olha para trás, encara Carlota e em seguida vai embora sem dizer nada].


Cena 02 - Praça do Centro [Externa/Noite]

Música da cena: Flor de Lis - Melim

[Com a transição de cenas, surgem algumas imagens externas das ruas da cidade. Passeando, Pedro e Açucena conversavam sobre o futuro casamento.]


PEDRO: - Eu notei que vosmecê está muito séria e não deu uma palavra desde quando nós saímos do acampamento. O que houve?


AÇUCENA: - Na verdade, eu estou preocupada. Essa negação da minha avó com o nosso casamento. É que ela é tudo o que eu tenho, não quero perdê-la e nem casar sem a sua bênção, para mim isso seria terrível, entende?


PEDRO: - Eu entendo sim, minha ciganinha. Acontece que sua avó é uma mulher mais velha, presa aos antigos costumes, as coisas mudaram. Ela tem que entender e aceitar que nos amamos e que eu te farei muito feliz. Vosmecê há de ver, logo ela irá amolecer o coração e aprovar nossa relação.


AÇUCENA: - Eu espero que seja assim, Pedro. Eu espero, de verdade! [Conclui].


Cena 03 - Casa dos Lobato [Interna/Noite]

[Com fome e sede, Maria do Céu permanecia inquieta em seu quarto, sem notícias de Tomásia após ouvir seus gritos após ser espancada por Graça.De repente, ouviu alguém abrir a porta de seu quarto e foi nesse momento, que Graça entrou carregando consigo uma bandeja, nela continha um prato de sopa, um copo d’água e um pão, posicionado ao lado do prato.]


GRAÇA: - Vejo que vosmecê voltou a ficar empalidecida, está vendo? Se me ouvisse e não inventasse de ficar saindo, não teria tido uma recaída, mas, não se preocupe. Sua tia está acá e vai cuidar de vosmecê, trouxe o seu jantar. Coma tudinho!


MARIA DO CÉU: - Onde está Tomásia? O que vosmecê fez com ela? Já fazem dias que eu não tenho notícias dela. Me diga, o que vosmecê fez com Tomásia? [Grita, nervosa].


GRAÇA: - Eu apenas apliquei um corretivo naquela escrava metida, nunca mais ela vai mexer no que não lhe diz respeito. Agora vosmecê vai comer antes que eu perca o resto da paciência que eu tenho. Coma! [Grita].


MARIA DO CÉU: - Eu não vou comer nada, enquanto não puder sair desse quarto e não tiver notícias da minha amiga. Me deixe ver a Tomásia, titia. Eu imploro! [Ajoelha diante Graça, suplicando].


GRAÇA: - Já que vosmecê não vai colaborar e prefere morrer, vou colaborar com seus planos, já que sou uma boa pessoa. [Joga a bandeja no chão, derrubando tudo]. - Morra de fome e sede, assim já me adianta o lado. Vosmecê não vai mais sair desse quarto e nem se mancomunar com aquela escrava mentirosa. [Sai, batendo a porta com força].


MARIA DO CÉU: [Puxa a porta tentando abrir, mas sem sucesso] - Tia… Tia, me deixa sair. Tia! [Grita].


Cena 04 - Ruas da Cidade [Externa/Noite]

[De longe, Miguel observava a fachada da casa, quando sorrateiramente, um criado saiu do interior da casa, abriu o portão e se aproximou de Miguel, em meio a penumbra.]


MIGUEL: [Entrega dinheiro ao criado] - E então, conseguiu a informação de qual falamos?


CRIADO: - Sim, sinhô. Tomásia tá na senzala, queimando de febre depois de uma surra que levou e a outra pessoa que me falou, io não conheço, mas pelos gritos que ouvi, só pode estar presa no sótão.


MIGUEL: - Presa no sótão? [Questiona desesperado].


Cena 05 - Fazenda Santa Clara [Externa/Noite]

Música da cena: Rosa - Fagner

[Em seu quarto, Mila penteava-se em frente ao espelho quando se distraiu.]


MILA: [Recorda do último encontro que havia tido com o seminarista Ângelo, que não percebeu quando alguém entrou em seu quarto.]


ANA CATARINA: - Mila… Mila! [Repete].


MILA: - Oi… Mamãe, nem te vi entrar. Desculpe! [Fala ao retornar a si].


ANA CATARINA: - Vosmecê estava distraída, distante. Está tudo bem?


MILA: - Está sim, o jantar já está pronto? Veio me chamar para descer? [Questiona].


ANA CATARINA: [Cerra os olhos observando a filha e depois responde] - Minha filha, eu te conheço muito bem. Já tive a sua idade e sei o que esse seu olhar e suspiros significa. Vosmecê está apaixonada por algum rapaz do vilarejo?


MILA: - Apaixonada, eu? Claro que não, mamãe. De onde tirou isso? Aliás, melhor nem falar. Vamos jantar, que já está ficando tarde.


ANA CATARINA: - Está bem, se vosmecê prefere assim… Vamos ao jantar, mas antes eu quero te dizer uma coisa, minha filha.


MILA: - Aconteceu algum problema, mamãe? A senhora está me assustando.


ANA CATARINA: - Aconteça o que acontecer, saiba que eu te amo muito, mas que a mim mesma e tudo o que eu fiz, foi para acertar. Jamais faria algo para te magoar! [Conclui].


Cena 06 - Acampamento Cigano [Externa/Noite]

Música da cena: Apesar de Você - Chico Buarque

[Com a transição de cenas, surge o acampamento cigano. Alguns membros cantavam e comiam em volta da fogueira, enquanto outros transitavam de um lado para o outro. Sozinho e tentando se aquecer do frio da noite, o homem mascarado observava todos de longe.]


HOMEM: [Observa o pessoal cantar e dançar alegremente, quando de repente, lembra-se da noite em que presenciou. Neste momento, ele se recorda de uma coisa de seu passado e percebe que conhece Carlota] - Aquela mulher… Aquela mulher, eu sei quem ela é, eu sei. [Pensa em voz alta].


Cena 07 - Gazeta do Vilarejo [Interna/Noite]

Música da cena: Amor Gitano - Beyoncé ft. Alejandro Fernández

[Todos já haviam saído e encerrado o expediente no jornal, enquanto Antônio era o único que permanecia no local. Sentado em sua mesa, o advogado lia edições antigas do jornal, notícias sobre Gonçalo e suas filhas, com intuito de iniciar suas investigações sobre o caso.]


ANTÔNIO: - “O milionário Gonçalo D’ávilla sofre atentado na estrada e tem sua vida ceifada ao lado das duas filhas.” [Lê em voz alta]. - Eu preciso descobrir tudo o que está por trás desse dia e provar de uma vez por todas que eu nunca estive envolvido nessa sujeirada hedionda. [Pensa em voz alta].


Cena 08 - Fazenda Santa Clara [Interna/Noite]

Música da cena: Quem Tome Conta de Mim - Paula Toller

[Algumas imagens externas da cidade são apresentadas. Em seguida surge a área da propriedade de Ana Catarina, pouco movimentada durante o horário. Ela já havia se recolhido após o jantar, quando alguém bateu em sua porta.]


ANA CATARINA: - Pode entrar! [Respondeu].


MIGUEL: - Eu descobri novidades sobre Maria do Céu.


ANA CATARINA: - Venha, sente-se… Me conte o que aconteceu! [Disse conduzindo o amigo].


MIGUEL: - A tia dela descobriu que ela saia de casa, espancou a Tomásia e a prendeu de novo no sótão, ela não pode mais sair.


ANA CATARINA: - Mas isso é absurdo, ela não pode prender a Maria do Céu como se ela fosse uma delinquente. Isso é inadmissível, precisamos fazer alguma coisa para tirá-la de lá.


MIGUEL: - Eu preciso mesmo da sua ajuda, vosmecê é a única que pode me ajudar a libertá-la.


ANA CATARINA: - Claro, meu amigo. Vosmecê está coberto de razão, faço questão de ajudá-los. Vamos deter essa megera… [Levanta-se e caminha pelo quarto].


MIGUEL: [Nota que Ana Catarina também está aflita] - Vosmecê também não está tendo um bom dia, não é? O que houve?


ANA CATARINA: - Estou com um problema, ainda não sei como contorná-lo. Carlota descobriu que Emília é filha de Antônio e vai me chantagear com isso. Ela me deu o prazo de uma semana para tomar uma decisão.


MIGUEL: [Preocupa-se] - Céus! E agora, o que vosmecê pensa em fazer?


ANA CATARINA: - Primeiro vamos dar um jeito de resgatar Maria do Céu, depois disso, precisamos encontrar uma prova cabal que coloque aquela bandida de vez na cadeia. [Completa].


Cena 09 - Estação de Trem [Externa/Manhã]

Música da cena: Carinhoso - Céu

[O dia amanhece e as ruas começam a ganhar movimento. Pessoas percorrem de um lado para o outro em meio às charretes e carruagens. Em seguida, ouvimos o som da locomotiva se aproximando e por fim, surge a fachada da estação de trem. Vladimir e os ciganos tentavam ganhar alguns trocados na entrada do local, conforme os passageiros chegavam no local.]


JOANA: [Se aproxima do local e ao avistar Vladimir de longe, sorri. Em seguida vai até o encontro dele] - Olá, como vai? Sabia que iria encontrá-lo acá.


VLADIMIR: - Gají, que bom vê-la. [Olha em volta]. - Sua mãe não há de gostar te ver falando comigo.

Tradução: Gají = Mulher não cigana.


JOANA: - Creio que não, a partir de agora, minha mãe não há mais de implicar com a nossa amizade. Tenho certeza disso! [Responde animada].


Cena 10 - Confeitaria Doce Deleite [Interna/Manhã]

[Após receber um recado, Ricardo saiu da redação e foi até a confeitaria da cidade. Ao adentrar no local, percorreu entre algumas mesas e em seguida, acomodou-se em uma no fundo, num local mais reservado.]


RICARDO: - Confesso que quando recebi seu recado, fiquei muito surpreso. Não imagino o que a Condessa de Burgos espera de mim.


ANA CATARINA: - Pedi para te chamarem pois o assunto que tenho para tratar com vosmecê é urgente, precisarei do seu apoio como jornalista e como sócio do jornal.


RICARDO: [Estranha] - Continuo não entendendo do que se trata. Como posso ajudá-la?


ANA CATARINA: - Preciso da sua ajuda para libertar uma moça que está sendo mantida em cárcere privado, presa como se fosse um animal. A tia a mantém prisioneira, certamente para não deixá-la administrar os próprios bens.


RICARDO: - Mas isso é muito grave, condessa. Posso saber de quem estamos falando?


ANA CATARINA: - Creio que o senhor conhece perfeitamente a família a qual me refiro. A pessoa que está prendendo essa jovem chama-se Maria da Graça Lobato, sua futura sogra.


RICARDO: [Fica horrorizado e levanta] - Sinto muito, mas creio que não posso lhe ajudar.


ANA CATARINA: - Pelo contrário, creio que pode sim. Uma notícia divulgada no jornal sobre essa história, faria com que essa megera libertasse a jovem a qual tenho muito apreço.


RICARDO: - Eu sinto muito em fazer essa desfeita, condessa. Acontece que pretendo me casar com a filha dessa mulher e não ficaria de bom tom caluniar a minha sogra. Com licença! 


ANA CATARINA: - Nem se fosse um pedido da sua sócia na Gazeta do Vilarejo? [Questiona repentinamente].


RICARDO: - Como disse? [Surpreende-se].


ANA CATARINA: - Eu pretendia ter essa conversa com vosmecê de uma outra forma, mas em meio a situação, não tive outra alternativa. Não quero tirar sua autoridade e nem mandar no jornal, apenas preciso que escute toda a história dessa jovem. Tenho certeza que depois que ouvir tudo o que tenho a dizer, vosmecê há de me entender. Sente-se, por favor. 


RICARDO: [Encara Ana Catarina por um breve momento e em seguida, senta-se novamente].


Cena 11 - Banco D’ávilla [Interna/Manhã]

[Carlota havia se levantado da esteira onde estava com Zeferino e logo tratou de se vestir.]


ZEFERINO: - Quer dizer que agora é vassuncê que está com a faca e o queijo na mão? Por essa, a outra metida a condessa não esperava. O quanto vamos lucrar com isso?


CARLOTA: [Sorri] - O que ganhamos? Acho que vosmecê não entendeu, aqui quem ganha sou eu. Sou a mente pensante acá, por isso nada mais justo. Agora que Ana Catarina está em minhas mãos, ela já entendeu como serão as regras. Ou ela desiste de uma vez dessa vingança estúpida e enche meus bolsos com muito dinheiro, ou eu espalho a história de que Mila não é filha do conde. [Conclui sorridente].


Cena 12 - Casa dos Lobato [Interna/Tarde]

[Irritada após ouvir alguém bater insistentemente em sua porta, Graça resolveu descer.]


GRAÇA: - Mas que inferno, será que não tem ninguém para abrir essa porta, acá? [Grita enquanto desce a escada].


[Graça percorre parte da sala e vai até a porta, abrindo-a em seguida.]


GRAÇA: - Boas tardes! Não estava esperando vosmecês, aconteceu alguma coisa? [Fala ao abrir a porta e se deparar com Ana Catarina, Ricardo e Miguel].


ANA CATARINA: - Aconteceu. Aconteceu sim! Nós já sabemos que vosmecê está mantendo Maria do Céu em cárcere privado, lá em cima no sótão e viemos exigir que a solte imediatamente.


GRAÇA: - Sinto muito, mas eu não sei do que a senhora está falando. Agora se me permite, tenho mais o que fazer. [Tenta fechar a porta].


ANA CATARINA: [Segura a porta] - Sabe, claro que sabe. Se vosmecê não soltar Maria do Céu agora mesmo, vou divulgar toda essa sua história monstruosa no jornal, para toda a cidade ficar sabendo. E então, Graça. Vai ou não vai nos deixar entrar? [Questiona decidida].



[A imagem congela focando em Ana Catarina parada na porta de Graça, surge um efeito de uma pintura envelhecida e o capítulo se encerra].


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