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VILAREJO - Capítulo 41 (Últimas Semanas)


Anteriormente em Vilarejo!


ANA CATARINA: - Eu não quis dizer isso…


ANTÔNIO: [Interrompe] - Naturalmente não quis dizer, mas disse muitas outras coisas. Palavras ferem, Ana Catarina e as suas me feriram e muito nos últimos tempos. O que me manteve de pé, por mais que eu quisesse negar, foi o amor que eu sinto e sempre senti por vosmecê. Eu já disse uma vez e vou repetir, vou provar minha inocência, custe o que custar. [Aproxima-se da porta].


ANA CATARINA: - Espera, onde vosmecê está indo? [Aproxima-se ainda mais].


ANTÔNIO: - Eu estou cuidando do nosso futuro. Não esqueça, aconteça o que acontecer, eu nunca menti sobre o meu amor por vosmecê. [Conclui saindo logo em seguida].


ANA CATARINA: [Estranha] - Está acontecendo alguma coisa e eu preciso descobrir o que é. Vou averiguar! [Pega a bolsa e um chapéu e em seguida sai de casa, decidida a seguir Antônio].

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AMÁLIA: [Serve uma das xícaras, dissolve um torrão de açúcar e prepara-se para entregar, quando de repente sente um arrepio e deixa a xícara cair no chão].


MARIA DO CÉU: [Aproxima-se rapidamente] - Amália, vosmecê está bem? Sente-se mal?


AMÁLIA: [Angustia-se] - Não sei, de repente senti um mal pressentimento. Como se algo de ruim tivesse para acontecer. [Fala colocando a mão no peito].

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CARLOTA: [Assusta-se] - Eu ouvi, tem alguém lá fora, Zeferino. Corra! [Grita].


VICENTE: [Percebe que pode ser descoberto, corre e vai até onde seu cavalo estava. Em seguida, monta e sai a galope].


[Carlota e Zeferino correm para o lado de fora da senzala e o avistam se afastar.]


ZEFERINO: - O desgraçado do rei dos ciganos!


CARLOTA: - Vicente! [Surpreende-se]. - Faça alguma coisa, Zeferino. Vá atrás dele com os seus capangas e evite que ele dê com a língua nos dentes. Agora dessa vez, vosmecê não pode errar. Não pode! [Grita nervosa].

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ZEFERINO: - Pode rezar, que a sua alma tá encomendada. [Aperta o gatilho].


VICENTE: - Meu filho! [Grita, jogando-se na frente de Antônio, sendo atingido à queima roupa no peito].


ANTÔNIO: [Grita] - Pai!


VICENTE: [Cai no chão após ser baleado].


VLADIMIR: [Entra bruscamente na tenda] - O que está acontecendo acá?


ANTÔNIO: - Seu desgraçado! [Corre na direção de Zeferino].


ZEFERINO: [Ergue a arma na direção de Antônio e atira mais uma vez, agora atingindo-lhe na cabeça].


ANTÔNIO: [Leva as mãos à cabeça e ensanguentado, cai no chão em seguida].


[Ao se aproximar da tenda, Ana Catarina ouviu o segundo disparo.]


ANA CATARINA: - Antônio! [Sussurra desesperada].


- Fique agora, com o capítulo de hoje!


Capítulo 41 (Últimas Semanas)

Cena 01 - Acampamento dos Ciganos [Interna/Tarde]

[Atordoada com a confusão que estava acontecendo no acampamento e em meio aos disparos que tinha acabado de ouvir, Ana Catarina estava transtornada com a possibilidade de perder Antônio.]


ANA CATARINA: - Antônio! [Repetiu].


LEONORA: - Ana Catarina, não vá. É perigoso! 


ANA CATARINA: - Eu não posso ficar acá, sem fazer nada e sem saber se Antônio está bem. Eu preciso fazer alguma coisa. [Corre em direção a tenda].


[Enquanto isso, no interior da tenda. Vicente estava caído de um lado, enquanto Antônio estava inconsciente do outro. Ao perceber o que tinha acontecido, Vladimir partiu para cima de Zeferino.]


VLADIMIR: - Desgraçado! [Tenta desarmá-lo aos gritos, enquanto segura as mãos de Zeferino].


ZEFERINO: - Me solta, seu cigano maldito.


[Tiros são disparados para o alto durante a briga.]


ZEFERINO: [Deixa a arma cair]. 


VLADIMIR: [Acerta um soco em Zeferino, que cai no chão e em seguida sobe em cima dele para enforcá-lo] - Eu vou te matar, seu calhorda. Eu vou te matar! [Grita].


ZEFERINO: [Começando a perder o folêgo, observa ao redor e percebe um tacho de cobre. Rapidamente, arrasta uma das mãos e com dificuldade consegue alcançá-lo. Em seguida ele o acerta na cabeça de Vladimir, que cai ao seu lado].


ZEFERINO: [Levanta-se tentando recobrar o fôlego e em seguida pega sua arma de volta] - Eu vou voltar para acertar nossas contas. Eu volto! [Diz apontando a arma para Vladimir e em seguida foge pelos fundos].


[Neste momento, Ana Catarina invade a tenda.]


ANA CATARINA: - Antônio! [Avista o marido caido no chão e se aproxima dele].


VLADIMIR: [Se arrasta ainda tonto e se aproxima de Vicente] - Bato… Bato, fala comigo, bato. Vosmecê não pode me deixar. Me responde, bato! [Chora ao lado do corpo de Vicente].


Tradução: Bato = Pai.


LEONORA: - Ele está morto, Vladimir. Seu pai foi assassinado! [Diz aos prantos, após pousar a mão no ombro de Vladimir].


VLADIMIR: [Horroriza-se ao perceber que Leonora tem razão e coloca o corpo de Vicente em seu colo e em seguida o abraço] - Não bato, vosmecê não pode me deixar. Bato fala comigo, bato! [Grita].


Cena 02 - Fazenda Santa Clara [Externa/Tarde]

Música da cena: Corre - Gabi Luthai

[Com a transição de cenas, surgem os campos da fazenda de Ana Catarina. Sozinhos, Miguel e Maria do Céu passeavam enquanto apreciavam as belas paisagens.]


MARIA DO CÉU: - Eu ainda não me acostumei ainda com essa vista tão linda. Quando ficava presa no sótão, ficava imaginando como seria sair. Isso acá, não é nem um terço do que sonhei.


MIGUEL: - Seria clichê dizer que de todas essas paisagens, nenhuma é mais bela que vosmecê?


MARIA DO CÉU: - Certamente, Miguel. [Sorri ao responder]. - Nunca terei como agradecer toda essa revolução que promoveu em minha vida. Vosmecê e Tomásia viverão em meu coração para sempre. Se hoje estou acá, posso desfrutar desse passeio de tão boas companhias, isso é graças aos dois.


MIGUEL: - Eu te amo, Maria do Céu. Quero passar o resto dos meus dias ao seu lado, te mostrando todo o mundo do qual vosmecê foi privada de conhecer. [Aproxima-se para beijá-la].


[Oficiais de justiça se aproximam e interrompem o momento.]


OFICIAL DE JUSTIÇA: - Miguel Soares? [Confirma].


MIGUEL: - Sim, sou eu. O que desejam? [Estranha].


OFICIAL DE JUSTIÇA: - É ele mesmo, guardas. Prendam-o! [Ordena].


MARIA DO CÉU: - Prendê-lo? Não, isso não pode ser…


MIGUEL: - Vosmecê não pode me prender, eu não fiz nada. [Desespera-se ao ser imobilizado por dois guardas].


OFICIAL DE JUSTIÇA: - Tarde demais, negro fujão. Sua vida mentirosa e cheia de mordomias acabou, há de voltar para seus donos. Levem-no agora mesmo. [Grita].


[Os guardas arrastam Miguel, que tenta se soltar, mas é em vão.]


MARIA DO CÉU: - Miguel! [Grita ao tentar ajudá-lo].


OFICIAL DE JUSTIÇA: - Não tente impedir o trabalho da justiça, mocinha. Se tentar, mandarei prendê-la por desacato!


MIGUEL: - Maria, volte para a fazenda e peça ajuda. Avise a Ana Catarina o que aconteceu, ela há de nos ajudar. Vá!


[Os guardas algemam Miguel e o conduz até a charrete].


MARIA DO CÉU: [Observa tudo, nervosa].


Cena 03 - Casarão D’ávilla [Interna/Tarde]

[Temerosa com o que podia acontecer se Vicente contasse para alguém o que tinha ouvido durante sua conversa com Zeferino, Carlota caminhava de um lado para o outro na senzala.]


CARLOTA: - O que será que aconteceu? Será que o Zeferino conseguiu alcançá-lo? Ele não pode falar. Não pode! Se ele falar a verdade, tudo virá abaixo e eu não vou acabar na ruína, não vou. [Pensa em voz alta].


Cena 04 - Acampamento dos Ciganos [Interna/Tarde]

[Debruçados sobre o corpo de Vicente, Leonora e Vladimir só voltaram a si quando ouviram gritos de Ana Catarina.]


ANA CATARINA: - Ele está vivo… Obrigada, meu Deus!


LEONORA: - Com um tiro na cabeça e ainda vive? Só pode ser um milagre.


ANA CATARINA: - Um médico… Precisamos de um médico para atendê-lo imediatamente. 


LEONORA: [Olha para Vladimir] - Infelizmente o seu pai morreu, não há mais nada que possamos fazer. Agora o seu irmão tem chance, ajude-o a salvar a vida de Antônio, Vladimir. Ele é sangue do seu sangue…


ANA CATARINA: [Olha para Vladimir com os olhos marejados] - Busque um médico, Vladimir. Eu suplico! Chame Miguel em minha fazenda, ele saberá ajudá-lo.


VLADIMIR: [Visivelmente abalado e com os olhos vermelhos, Vladimir deixou o pai no chão, levantou-se e saiu da tenda].


ANA CATARINA: - Vosmecê vai ficar bem, Antônio. Eu não vou deixar nada te acontecer, nada. Porque eu… [Balbucia e em seguida fica em silêncio]. - Porque eu… Eu amo você! [Chora].


LEONORA: - Vamos rezar, minha filha. Deus há de salvar a vida dele! [Conclui].


[Do lado de fora, o homem da máscara de ferro observava toda a cena e notou quando Vladimir saiu.]


HOMEM: - O que será que aconteceu lá dentro? [Questiona-se sem usar a máscara que cobria seu rosto, revelando-se enfim, o comandante Juvenal Ribeiro Alves, pai de Maria do Céu].


Cena 05 - Casarão D’ávilla [Interna/Tarde]

[Quando Zeferino adentrou na senzala, carregando alguns machucados na face, Carlota logo tratou de se aproximar].


CARLOTA: - E então? O que aconteceu? [Pergunta].


ZEFERINO: - Serviço feito, vassuncê não precisa mais se preocupar.


CARLOTA: [Estranha] - Só isso que vosmecê tem a me dizer? Eu quero mais detalhes, eu preciso de mais. Vosmecê ameaçou o Vicente? Ele aceitou permanecer calado?


ZEFERINO: - O cigano chefe não vai mais falar, mas não vai falar porque não pode. O lugar para onde io mandei ele, não dá mais para se comunicar com os vivos.


CARLOTA: [Horroriza-se levando as duas mãos à boca] - Vosmecê matou o Vicente?


ZEFERINO: - Io não tive saída, era isso ou ele dava com a língua nos dentes. Por isso dei um jeito dele não deixar testemunhas.


CARLOTA: - Vosmecê quer dizer que tinha mais alguém com ele?


ZEFERINO: - Tinha sim, era sinhozinho Antônio.


CARLOTA: - O que vosmecê está dizendo? Vosmecê matou o meu filho, seu imprestável? [Grita].


ZEFERINO: - Io não tive escolha, ele estava sabendo, de repente ele veio pra cima de mim e…


CARLOTA: - Infeliz, você é um idiota. Um completo imbecil! [Aproxima-se de Zeferino e lhe desfere uma bofetada].


Cena 06 - Fazenda Santa Clara [Interna/Noite]

[Completamente abatida com os últimos acontecimentos, Mila se preparava para sair quando Vladimir se aproximou.]


MILA: - Vladimir, perdoe-me de não lhe receber como se deve, acontece que estou de saída. Preciso ajudar Amália.


VLADIMIR: - Sua mãe pediu para que eu viesse até acá, preciso levar o médico ao acampamento, é urgente.


MILA: [Estranha] - Alguém doente?


VLADIMIR: - Sofremos um atentado e entre os feridos… Está Antônio, o marido de vossa mãe.


MILA: - Céus! É grave? Justo agora!


VLADIMIR: - “Justo agora”? [Repete]. - O que quer dizer com isso, xaborrí?

Tradução: Xaborrí = Menina.


MILA: - Miguel é o médico de confiança e amigo de minha mãe, estava indo ao encontro dele. Acontece que Miguel foi preso sob falsa acusação de ter fugido da casa de uma senhora. Só que Miguel é forro há muito tempo, somente minha mãe pode ajudá-lo. Precisamos dar um jeito de ajudar os dois. Faremos o seguinte, eu vou até a cidade ver o que posso fazer por Miguel, vosmecê vem comigo e pega uma carona de charrete até a cidade, lá certamente encontraremos o médico da cidade e ele poderá ajudar Antônio. [Responde caminhando em direção a saída da casa].


VLADIMIR: - Vamos! [Conclui ao acompanhar Mila].




Cena 07 - Mercearia da Paz [Interna/Noite]

Música da cena: Flor de Lis - Melim

[Com a transição de cenas, surgem algumas imagens externas da cidade. As ruas são apresentadas iluminadas com suas luminárias a gás. Em seguida, surge a fachada da mercearia.]


CÂNDIDA: [Conta o dinheiro enquanto fecha o caixa e percebe Joana distraída] - E agora, o que deu em vosmecê?


JOANA: [Observa a movimentação na rua] - Não sei, estou achando que está muito movimentado. Ao mesmo tempo, tenho uma angústia em meu peito, como se fosse um mau pressentimento. 


CÂNDIDA: - Não, minha filha. Não vai começar com essas coisas esotéricas. Vosmecê sabe que isso é lorota, não existe.


JOANA: [Com uma sensação que lhe sufocava, caminhou até a porta e observou a movimentação da rua] - Senhora, boas noites. Sabe dizer se aconteceu algo de estranho? Notei que as ruas estão deveras movimentadas. [Pergunta a uma desconhecida].


MULHER 1: - Deve ser por causa do ataque que teve lá para as bandas do acampamento dos ciganos.


JOANA: - Santo Cristo! [Leva a mão ao peito].


CÂNDIDA: [Aproxima-se] - O que foi? O que houve?


MULHER: - Ué, vosmecês não souberam? É só o que comenta, parece que os ciganos estavam metidos com contrabando e foram atacados. Queimaram coisas e até mataram gente.


JOANA: [Desespera-se].      


Cena 08 - Posto Policial [Interna/Noite]

[Sozinho em uma cela, Miguel estava desnorteado e não atinava no que iria fazer, só que precisava sair daquele lugar e provar que era alforriado.]


MARIA DO CÉU: - Miguel… Miguel! [Gritou ao entrar correndo e se aproximar das grades].


MIGUEL: - Meu amor, vosmecê não deveria ter vindo acá, nesse lugar.


AMÁLIA: - Meu filho, o que fizeram com vosmecê? Isso é uma injustiça.


GUARDA: - Vosmecês têm apenas alguns minutos, não se demorem. [Retira-se].


MARIA DO CÉU: - Sim, isso é uma injustiça e vamos provar isso. Tenho certeza que Ana Catarina há de nos ajudar, ela é uma mulher influente e não deixará vosmecê preso acá.


GRAÇA: - Se eu fosse vosmecê, não teria tanta certeza disso, minha sobrinha.


MARIA DO CÉU: - Titia? [Surpreende-se ao ver a tia se aproximar].


MIGUEL: - O que essa mulher está fazendo acá? [Questiona indignado].


GRAÇA: - Eu vim fazer um trato. Vamos conversar? [Pergunta a Maria do Céu].


MARIA DO CÉU: [Encara Graça].      


Cena 09 - Acampamento [Interna/Noite]

Música da cena: Vilarejo - Marisa Monte

[Imagens externas da cidade são apresentadas, em seguida surge o acampamento cigano. Entre os que estavam sãos, os ciganos tentavam salvar o que havia restado após o ataque de Zeferino e seus capangas. No interior de uma das tendas, o médico da cidade examinava Antônio.]


ANA CATARINA: - E então, doutor? Como ele está? 


MÉDICO: [Termina de arrumar os curativos na cabeça de Antônio] - Nada bem, condessa. Apesar da bala ter passado de raspão, o impacto provocou uma contusão. 


ANA CATARINA: - Entendo, mas ele vai ficar bem, não é? Quando recobrará a consciência? [Pergunta aflita].


MÉDICO: - Eis a questão, condessa. Com a contusão, Antônio entrou em estado de coma profundo e não há como prever quando ele irá acordar.


ANA CATARINA: - Como assim? O senhor é médico, não pode não ter uma previsão de quando ele vai acordar. Não! [Grita]. - Ele vai acordar, ele tem que acordar.


MÉDICO: - Eu sinto muito, minha filha. Minha obrigação é de ser realista diante tal situação. Há uma chance de que ele não acorde e se acordar, não sabemos se terá alguma sequela. Eu sinto muito!   


ANA CATARINA: [Debruça-se sob o peito de Antônio e chora]. 


Cena 10 - Porto de Pelotas [Interna/Noite]

[Após um grande navio atracar no porto, passageiros começaram a desembarcar. Entre eles, surge um homem bem vestido e muito distinto.]


BARÃO FILIPE: [Coloca a mala no chão e limpa-se da poeira adquirida na viagem] - Até que enfim desembarquei nesse fim de mundo. A larápia veio se esconder no quinto dos infernos, mas não se escondeu o suficiente. Eu vou te encontrar, Ana Catarina e quando te pegar, vosmecê há de pagar muito caro. [Pensa em voz alta. Em seguida, pega a mala e novamente e desaparece entre a multidão.]


Cena 11 - Acampamento dos Ciganos [Interna/Noite]

[Abatida e trajando preto, Leonora chorava copiosamente enquanto observava Madalena e Açucena preparar o corpo de Vicente para o ritual de passagem.]


MADALENA: [Pousa uma moeda de ouro no interior do caixão com Vicente já deitado] - Uma moeda para pagar a sua passagem desse mundo ao mundo dos mortos, rom. Bendita foi a tua vida entre os teus!

Tradução: Rom = Homem cigano.


AÇUCENA: [Acaricia o rosto de Vicente] - Já mandei preparar tudo o que a senhora pediu, vovó.


MADALENA: [Passa a mão no cabelo de Vicente, arrumando-o] - Serviremos todas as suas comidas prediletas. Seu povo sempre terá boas lembranças suas. Vá em paz na travessia do grande rio!


LEONORA: [Olha para o lado e percebe uma tesoura de prata em cima de uma cômoda, em seguida a segura].


AÇUCENA: [Assusta-se] - O que pensa em fazer, gají? 

Tradução: Gají = Mulher não cigana.


MADALENA: - O que a nossa tradição pede. A partir do momento em que Leonora passou a viver como mulher de Vicente e entre os nossos, ela passou a ser uma de nós. A tradição precisa ser cumprida, está em nosso sangue.


LEONORA: [Em silêncio, enquanto lágrimas escorrem em sua face, Leonora corta o próprio cabelo. Antigamente, as viúvas ciganas cortavam o próprio cabelo em sinal de luto ao perder marido ou filho].


Cena 12 - Casarão D’ávilla [Interna/Noite]

[Irritado, Zeferino permanecia em silêncio na senzala, enquanto Carlota caminhava de um lado para o outro, tentando encontrar uma alternativa].


CARLOTA: [Observa Zeferino de cara feia] - Não adianta me olhar assim, vosmecê é o culpado. Precisamos pensar em uma forma de nos livrarmos de qualquer culpa no ataque aos ciganos. Por mais que eles tenham visto sua cara, será a palavra deles contra a nossa.


ZEFERINO: - Já disse que o serviço foi bem feito, ninguém há de dar com a língua nos dentes. Se der, eu acabo com quem ousar.


CARLOTA: - E deixará um rastro de sangue, seu inútil? Claro que não. O pessoal responsável pelo departamento militar eu consigo engabelar e tentar reverter a culpa, mas preciso de uma prova contundente, uma prova que nos tire do alvo desse furação.


ZEFERINO: [Observa Carlota e questiona] - Que tipo de prova, vassuncê quer?


CARLOTA: [Aproxima-se do capitão do mato] - Onde está a arma que utilizou?


ZEFERINO: [Estranha] - Está acá, por que? [Respondeu mostrando a arma].


CARLOTA: [Segura a arma] - Porque vamos plantar essa arma em outro lugar. Quem mais odeia Antônio a ponto de querer vê-lo morto, concretizando sua própria vingança? [Pergunta com cinismo].


ZEFERINO: [Sorri ironicamente] - Acho que comecei a entender o que vassuncê quer dizer…


CARLOTA: [Ergue a arma e a observa] - Eu vou tirar a Ana Catarina de vez do meu caminho e dessa vez é pra valer, depois disso vou me encarregar de jogar a última pá de cal e de quebra, vou ficar com tudo que é dela. [Conclui radiante].


[A imagem congela focando em Carlota segurando a arma, surge um efeito de uma pintura envelhecida e o capítulo se encerra].


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