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VILAREJO - Capítulo 53 (Última Semana)



Capítulo 53 (Última Semana)

Cena 01 - Posto Policial [Interna/Tarde]

[Surpresa com o que Filipe estava propondo, Carlota continuava ouvindo tudo o que ele lhe dizia.]


BARÃO FILIPE: - E então, vosmecê estaria disposta a fugir dessa espelunca? [Questiona com malícia].


CARLOTA: - Pode apostar que sim, meu caro. Não vou passar meus últimos dias limpando lavabo da prisão, mas não vou mesmo. O que preciso fazer para que vosmecê me tire deste lugar?


BARÃO FILIPE: - Excelente! Porém, só vou poder trabalhar nesse plano depois da minha audiência, onde irei depenar a Ana Catarina. A audiência foi marcada, iria te contar ontem, mas vosmecê resolveu me aprontar essa… A audiência vai acontecer dentro de algumas semanas.


CARLOTA: - Semanas? Quer dizer que eu vou permanecer nesse chiqueiro por semanas? [Irrita-se].


BARÃO FILIPE: - Prioridades… É pegar ou largar!


CARLOTA: [Sem saída, resolve tomar uma decisão imediata] - Está bem, eu aceito. Qual é o plano? [Questiona].


BARÃO FILIPE: - O plano é bem articulado e precisa seguir muitos detalhes para dar certo. Primeiro… [Filipe então começa a narrar o que imaginou para a fuga de Carlota, que lhe ouve atentamente, sem interrupções].


Cena 02 - Casa dos Lobato [Interna/Noite]

[A noite chega com uma enorme lua cheia. Em seguida amanhece a luz do sol irradia toda a cidade. A noite surge novamente e mais uma vez o dia amanhece. Imagens externas percorrem a cidade, conforme podemos observar acontecimentos.]

Música da cena: Flor de Lis - Melim


  • Laura e Ricardo passeiam pela cidade;

  • Açucena mostra um sapatinho de crochê para Pedro;

  • Pintores finalizam a pintura da casa da família Lobato;

  • Antônio consola Ana Catarina pela ausência de Mila;

  • Mila pensa em Ângelo;

  • Maria do Céu e Miguel passeiam na cachoeira;

  • Juvenal assina a carta de alforria de Tomásia em sinal de sua lealdade;

  • Madalena lê a sorte nas cartas;

  • Antônio e Leonora se aproximam;

  • Joana dança para Vladimir com as outras ciganas.



SEMANAS DEPOIS…

[Surge a fachada da casa da Família Lobato. No interior do imóvel, todos estavam reunidos na sala de jantar, enquanto confraternizaram.]


JUVENAL: - Um brinde aos noivos! [Diz ao erguer uma taça].


TODOS: - Aos noivos! [Repetem].


AMÁLIA: - Espera, espera… Está faltando algo importante, vosmecê não pode esquecer.


JUVENAL: - O que falta de tão importante, minha senhora? [Questiona].


AMÁLIA: - O momento mais esperado, o pedido!


Música da cena: Corre - Gabi Luthai

[Miguel surge diante de Maria do Céu, carregando consigo uma pequena caixa preta de veludo, ajoelhando-se diante dela em seguida.]


MIGUEL: - Maria do Céu Ribeiro Alves, minha Maria… Aqui, diante de todos os nossos amigos e familiares, gostaria de reforçar o meu pedido publicamente. Vosmecê quer se casar comigo? [Pergunta ao abrir a caixa, revelando um lindo anel de ouro branco].


MARIA DO CÉU: [Emociona-se] - É claro que eu aceito e aceitaria outras mil vezes.


MIGUEL: [Levanta-se, coloca o anel no dedo de Maria do Céu e em seguida a beija, selando o compromisso.]


[Diante a alegria dos convidados, Antônio reparou que Ana Catarina estava triste.]


ANTÔNIO: - O que foi? Vosmecê parece triste! [Questiona].


ANA CATARINA: [Olha para Mila e em seguida disfarça] - Não é nada, estou apenas pensando na audiência de amanhã.


ANTÔNIO: - Não se preocupe com isso. Logo tudo se resolverá, vosmecê vai ver. [Completa].


Cena 03 - Fórum [Interna/Manhã]

[Com a transição de cenas, podemos ver o amanhecer. Logo as pessoas começavam a se aproximar do fórum da cidade. Todos estavam curiosos para saber o desfecho da audiência que decidiria qual o destino dos bens de Ana Catarina, a Condessa de Burgos.]


LEONORA: - Veja a cara do Barão, parece ter o rei na barriga. [Comentou ao observá-lo de longe].


ANA CATARINA: - Na verdade, ele está se sentindo vitorioso e com isso, deseja me desestabilizar emocionalmente. Eu conheço Filipe Coimbra há muito tempo e já sei como funcionam seus truques.


JUVENAL: - Acalmem-se, não se deixem levar pela prepotência desse crápula. Em breve ele terá o que merece!


ANTÔNIO: - O meu irmão deve chegar dentro de pouco tempo com a surpresa que preparamos. [Explica].


[Neste momento, o meirinho se aproxima para anunciar o início da audiência.]


MEIRINHO: - O excelentíssimo juiz irá iniciar a audiência, todos de pé! [Orienta].


JUIZ: [Se aproxima e logo se acomoda em sua majestosa cadeira. Em seguida, começa a ler um documento em voz alta] - Senhoras e senhores, estamos acá reunidos para a audiência de embargo do testamento, onde a beneficiada Ana Catarina D’ávilla Vaz de Coimbra Guerra tem seus bens, fruto do casamento com Álvaro Vaz de Coimbra, onde contraíram matrimônio na cidade de Burgos, provincia da Espanha. De acordo com os autos, o cunhado da beneficiária contesta o testamento, sob acusação de adultério e falsa paternidade, ludibriando a vítima. 


[Ana Catarina e Filipe se encaram.]


JUIZ: - Que comece a audiência! [Bate o martelo].


Cena 04 - Acampamento Cigano [Interna/Tarde]

[De longe, Bibiana observou Vladimir e Joana se despedirem e logo se aproximou da filha.]


BIBIANA: - Vosmecês fazem um bonito casal, sabia?


JOANA: [Sorri].


BIBIANA: - O que foi? Acaso falei algo engraçado? [Estranha].


JOANA: - Não, é que ainda não me acostumei com isso. Há algum tempo, a senhora odiava tanto os ciganos e agora tudo mudou, inclusive a senhora faz gosto de me ver apaixonada por um, parece até história desses livros que li.


BIBIANA: - O que é passado, fica no passado minha filha. Esqueça os erros que cometi anteriormente e vamos olhar para o futuro. Para o que vamos construir a partir de agora. De acordo?


JOANA: - De acordo! [Diz ao abraçar a mãe].


Cena 05 - Estação de Trem [Interna/Tarde]

Música da cena: Apesar de Você - Chico Buarque

[Com a transição de cenas, surge a estação de trem. Passageiros caminhavam de um lado para o outro, enquanto outros se despediam de familiares. Na plataforma, Vladimir se aproximou de Miguel, que parecia esperar.]


VLADIMIR: - Demorei muito? Ele já chegou? [Questiona].


MIGUEL: - Não, vosmecê foi bem pontual. Pelos meus cálculos ele deve estar chegando nesse trem.


[A locomotiva estaciona e logo os passageiros começam a descer.]


VLADIMIR: - Quanta gente! [Diz enquanto observa os passageiros deixarem o trem].


MIGUEL: - Aí está ele! [Diz ao observar um passageiro sair do trem].


Cena 06 - Fórum [Interna/Tarde]

[A audiência estava ocorrendo conforme planejado e após o juiz chamá-lo, Filipe estava depondo diante todos os presentes.]


BARÃO FILIPE: - O meu irmão era um homem bom, mas muito ingênuo. Ele sempre gostou de viajar e conhecer lugares. Foi assim com o Brasil, ele decidiu vir até esse país, desbravá-lo. Éramos muito unidos, só que nessa viagem, infelizmente não pude vir com ele. Para sua tristeza, pois foi nessa única vez e derradeira, que ele conheceu essa golpista!


ANA CATARINA: [Levanta-se e grita] - Isso é mentira, vosmecê que é um golpista  e está fazendo tudo isso por causa do dinheiro, vosmecê só se interessa pelos bens de vosso irmão, nada além disso.


JUIZ: - Ordem… Ordem! [Diz ao bater o martelo na base de madeira]. - Se a senhora não permanecer em silêncio durante o depoimento, serei obrigado a pedir que se retire.


ANTÔNIO: - Acalme-se, meu amor ou vai acabar perdendo a razão. Sente-se! [Disse ao conduzir Ana Catarina a cadeira].


JUIZ: - O senhor pode continuar de onde parou.


BARÃO FILIPE: - Como dizia, excelência. Nesse viagem ao Brasil, meu irmão conheceu essa mulher ardilosa, que logo tramou um plano sórdido de adentrar em sua vida e se apoderar de um título, um nome e toda sua fortuna. Ela sabia que meu irmão era um homem de bom coração, mas não ao ponto de cair numa conversa fiada tão simples assim, por isso inventou que esperava um filho dele, para que ele se compadecesse e se casasse com ela, mas na verdade esse filho era de outro. Do advogado que está ao seu lado! [Grita].


[Os espectadores da audiência se chocam com a revelação.]


BARÃO FILIPE: - É por isso que o senhor deve fazer justiça e impedir que ela continue sujando o nome de minha família e usufruindo de bens que não lhe correspondem. [Completa].


JUIZ: - Silêncio… Silêncio! [Grita com os demais, que haviam iniciado um burburinho].


Cena 07 - Casa dos Lobato [Interna/Tarde]

[Sozinha em casa, Mila ouviu a campainha tocar e resolveu ir ver quem era.]


MILA: - Rosaura! Que surpresa… Se veio procurar minha mãe, ela não está acá.


ROSAURA: - Eu não vim procurar a minha menina, eu vim falar com vassuncê. Será que podemos conversar? [Questiona].


MILA: [Surpreende-se com o pedido].


[Alguns instantes depois, Mila e Rosaura surgem sentadas na sala de estar, enquanto conversavam.]


ROSAURA: - Eu sei que vassuncê está magoada com o que vossa mãe fez. Não estou acá para justificar os erros dela, pois sei que o que ela fez, foi muito errado. Ninguém tem o direito de esconder algo desse jeito do outro, principalmente sendo algo tão importante quanto isso.


MILA: - Olha Rosaura, eu…


ROSAURA: [Interrompe] - Olha menina, vassuncê tem que entender que mãe a gente só tem uma e que se ela fez o que fez, foi para te proteger, pois tinha gente ruim que estava disposta a matá-la, assim como fizeram com seu avô e sua tia, que Deus os tenha na santa paz. Se a sua mãe errou, foi tentando acertar. Nenhuma mãe erra por querer, pra fazer um filho sofrer… Isso que vassuncê tá fazendo com ela já é maldade, está partindo o coração da pobrezinha. Hoje, ela está no tribunal sendo desmoralizada por toda gente desse vilarejo. Não acha que ela já sofreu e foi julgada demais? Vassuncê deveria apoiá-la nesse momento e não ser mais uma das que julgam.


MILA: [Observa Rosaura, pensativa].


Cena 08 - Mosteiro São Francisco, Rio de Janeiro [Interna/Tarde]

Música da cena: Rosa - Fagner

[Os seminaristas se dividiam para realizar as tarefas domésticas do mosteiro, dentre eles estava Ângelo que cozinhava para o jantar dos demais.]


SEMINARISTA ÂNGELO: [Sovava uma massa de pão, quando de repente se distraiu lembrando de Emília] - Como será que ela está? [Pergunta-se em voz alta]. 


Cena 09 - Fórum [Interna/Tarde]

[Após o depoimento de Filipe, todo o júri estava tendencioso a questionar a moral de Ana Catarina. Enquanto isso, Antônio tentava ganhar tempo, enquanto Miguel e Vladimir não retornavam da rua.]


JUIZ: - Senhor Guerra, não podemos esperar mais. Precisamos dar continuidade a audiência, o júri precisa se reunir para tomar uma decisão perante os fatos apresentados.


ANTÔNIO: - Só mais um momento, excelência. Eu reafirmo que é realmente importante, não estou lhe fazendo perder tempo.


BARÃO FILIPE: - Isso é uma jogada, excelência. Trata-se de uma artimanha dessa corja, para ganhar mais tempo e ludibriar o júri. [Esbraveja].


JUIZ: - Já esperamos demais, Senhor Guerra. Devo concordar com o Barão, por isso nós iremos prosseguir a audiência. [Ergue o martelo para bater].


[Neste momento, Vladimir e Miguel abrem as portas do tribunal.]


ANTÔNIO: - Não ainda, senhor juiz. A minha testemunha acaba de chegar… [Afirma].


BARÃO FILIPE: - Testemunha? Que testemunha? [Questiona assustado].


ANTÔNIO: - Senhor juiz, eu convoco para depor, Valete. O homem de confiança e fiel escudeiro do conde.


VALETE: [Surge logo atrás de Vladimir e Miguel].


BARÃO FILIPE: [Surpreende-se ao ver o empregado de confiança do irmão no tribunal].




Cena 10 - Fórum [Interna/Tarde]

[Nervoso com o que Valete poderia dizer, Filipe tratou de tentar enganar o juiz.]


BARÃO FILIPE: - O senhor não pode se deixar levar por um criado, excelência. Isso é mais uma armadilha para tirá-lo do foco.


ANTÔNIO: - Isso não é verdade, excelência. Valete foi mais que um criado, ele foi o verdadeiro melhor amigo do conde durante muitos anos, até a sua morte. 


VALETE: - Amigo e conselheiro, trago comigo um diário. Acá, o conde anotava tudo o que acontecia em sua vida, com muitos detalhes e cronologia. [Grita ao erguer um pequeno livro].


BARÃO FILIPE: - Isso é mentira, meu irmão não faria tamanha idiotice.


JUIZ: - Confesso que estou curioso para ouvir e ler o que esse homem tem a dizer.


BARÃO FILIPE: - Senhor juiz…


JUIZ: - A testemunha será ouvida! [Bate o martelo, interrompendo Filipe].


[Instantes depois, Valete surge na cadeira das testemunhas e começa a relatar como era a vida do conde.]


VALETE: - O conde era um homem muito justo e leal aos seus amigos. Não se importava em doar o que tinha em prol dos necessitados. Com Ana Catarina foi assim, quando ele a viu desprotegida, logo se apaixonou por ela. A condessa nunca quis lhe magoar ou que ele criasse expectativas que ela não poderia suprir, por isso lhe alertou diversas vezes que não poderia retribuir o que ele sentia por ela e mesmo assim, ele soube esperar. Quando nos mudamos todos para a Espanha, ele novamente lhe pediu uma chance e mais uma vez ela negou, agora era porque tinha acabado de descobrir que estava grávida. Foi aí que ele tomou a decisão de assumir a criança como sua e fazer de Ana Catarina, sua esposa. A condessa nunca enganou o conde, ele sempre soube de tudo.


BARÃO FILIPE: - Isso é mentira! [Grita ao se levantar].


JUIZ: - Creio que não, barão. [Disse enquanto folheava o diário do conde]. - Aproxime-se, por favor.


BARÃO FILIPE: [Vai até onde o juiz esta].


JUIZ: - Reconhece essa letra? [Questiona mostrando diário].


BARÃO FILIPE: - Senhor juiz…


JUIZ: [Interrompe] - Devo lembrar, que vosmecê está sob o juramento da corte, de dizer apenas a verdade. Repetirei a pergunta, reconhece essa letra?


BARÃO FILIPE: [Encara o juiz e se vê encurralado] - Parece com a do meu irmão…


ANTÔNIO: - Não parece, excelência. É a letra do Conde de Burgos. 


JUIZ: - Foi o que pensei a comparar com a assinatura do testamento. Diante aos fatos, já tomei uma decisão. Os bens deverão retornar a herdeira por direito, visto quê, em nenhum momento ela enganou ou ludibriou seu esposo na época. Decreto que os bens sejam desbloqueados e devolvidos a condessa de Burgos, Ana Catarina D’ávilla Vaz de Coimbra Guerra, assim como derrubo a partir de agora, a liminar que concedia direito ao senhor Filipe Coimbra de morar na propriedade Fazenda Santa Clara. [Bate o martelo].


BARÃO FILIPE: - Não! [Grita].


ANTÔNIO: - Vosmecê venceu! [Abraça Ana Catarina].


ANA CATARINA: - Não teria conseguido sem a sua ajuda, Antônio. Obrigada… Por tudo! [Beija Antônio].


[Todos comemoram a vitória de Ana Catarina.]


Cena 11 - Acampamento Cigano [Externa/Tarde]

[Bibiana se aproximou de Madalena que estendia roupas no varal.]


BIBIANA: - Vosmecê quer ajuda, Madalena? [Questiona].


MADALENA: [Não responde].


BIBIANA: - Madalena? Vosmecê me ouviu?


MADALENA: [Retorna de seus pensamentos] - Oi… Desculpe! O que disse? [Pergunta].


BIBIANA: - Vosmecê está bem? Parece distante. Algum problema?


MADALENA: - Não, apenas estava pensando nas coisas que estão para acontecer…


BIBIANA: - Coisas? Mas de que coisas vosmecê está falando? 


MADALENA: - Coisas que vi nas cartas e as cartas não mentem. [Conclui pensativa].


Cena 12  - Fórum [Externa/Tarde]

[Quando as portas do fórum se abriram, uma multidão começou a sair de lá. Quando Ana Catarina e Antônio desciam a escada, se surpreenderam ao avistar Mila esperando.]


ANTÔNIO: - Mila, o que vosmecê faz acá?


MILA: - Vim falar com vosmecês, principalmente com a senhora. [Direciona-se a Ana Catarina].


ANA CATARINA: - A mim? [Surpreende-se].


MILA: - Sim, mamãe. Digamos que um anjo me abriu os olhos e clareou meus pensamentos. Achei que não deveria esperar mais, por isso resolvi vir até acá. Eu sei que o que fez não foi certo, assim como também conheço a mãe amorosa que me embalou durante toda a vida. Entendi que o que fez, não foi por maldade ou simplesmente era uma questão de sobrevivência, digamos assim e eu sei que também errei por te julgar, não querer conversar e… E eu acho que estou dando voltas e voltas, parece que nem sei onde chegar. [Fala confusa].


ANA CATARINA: - Por que não começa através de um abraço? [Emociona-se ao abrir os braços para acolher Mila].


[Antônio e Leonora observam a cena em silêncio].


MILA: [Abraça a mãe] - Me desculpe, mamãe… Eu fui fui uma boba! [Chora].


ANA CATARINA: - Está tudo bem, sua mãe está acá e nunca vai te abandonar, filha. [Abraça a filha, emocionada].


ANTÔNIO: - Sem querer ser estraga prazeres, mas será que não está faltando mais alguém nesse abraço? [Pergunta meio sem jeito].


MILA: - É claro… Papai! [Responde]


ANTÔNIO: [Abraça as duas].


LEONORA: [Observa os três].


MILA: - Vosmecê também, vovó! [Disse se referindo a Leonora].


ANA CATARINA: - A avó mais jovem e bonita de todas, que fique claro.


[Os quatro se abraçam na porta do fórum, em meio a multidão.]


Cena 13 - Posto Policial [Interna/Noite]

Música da cena: Apesar de Você - Chico Buarque

[Com a transição de cenas, o sol se põe e a noite logo chega. As luzes da cidade começam a se acender e logo se diminui a movimentação nas ruas. Em seguida, surge a fachada do posto policial. No interior do local, Carlota recebia a visita de Filipe.]


CARLOTA: - Como assim? Como pode ter perdido tudo? Isso não pode ser possível.


BARÃO FILIPE: - É a mais pura verdade. Aquela desgraçada não conseguiu derrotar apenas vosmecê, ela conseguiu provar que ser uma bisca é ser digna de uma fortuna. Duvido muito que o juiz aceite que recorremos ao julgamento. Ela vai ficar com tudo… Com tudo, entendeu? [Responde irritado].


CARLOTA: - Maldita Ana Catarina. Mil vezes maldita! [Esbraveja]. - Somente a morte será o suficiente para que ela pague todo esse tormento que vem nos fazendo sofrer. Somente! E agora? O que vamos fazer? [Questiona].


BARÃO FILIPE: - Eu tenho algumas economias para molhar a mão de algumas pessoas, mas não é o suficiente. Vosmecê vai precisar entrar junto, se quiser ajudar.


CARLOTA: - Eu dou o que tenho… Guardo algum dinheiro no cofre do meu escritório no banco. Diga que é uma parte essa que vosmecê está dando, servirá como um adiantamento. O restante, será pago apenas quando eu sair dessa pocilga, entendeu?


BARÃO FILIPE: [Observa Carlota com desconfiança] - Verei o que posso fazer.


Cena 14 - Fazenda Santa Clara [Interna/Noite]

Música da cena: Coleção - André Leonno

[Ana Catarina abre as portas da fazenda Santa Clara e em seguida, percorre parte da sala de estar e observa ao redor.]


ANA CATARINA: [Sorri emocionada] - De volta ao meu lar, onde pretendo construir lembranças boas e sonhar com o futuro.


[Em seguida Antônio entra.]


ANTÔNIO: - Meu amor, vosmecê mal chegou e já tem visitas! [Diz ao se aproximar].


ANA CATARINA: - Visitas? [Questiona surpresa].


ANTÔNIO: - É, pessoas interessadas em comemorar a sua vitória!


[Neste momento entram na sala: Rosaura, Leonora, Mila, Maria do Céu, Miguel, Amália, Vladimir, Joana, Laura, Ricardo, Pedro, Padre Júlio e Açucena.]


ANA CATARINA: - Entrem, sejam todos bem vindos. Acá, também será abrigo de todos! [Fala sorridente e em seguida se aproxima para receber a todos].


Cena 15 - Casa dos Lobato [Interna/Manhã]

Música da cena: Corre - Gabi Luthai

[Após a noite dar lugar ao amanhecer, surge a fachada da casa da família Lobato, agora revigorada com uma nova pintura.]


Meses depois…


TOMÁSIA: - Vassuncê tá linda demais, menina. Parece inté uma princesa!


MILA: - Realmente, amiga. Vosmecê parece uma rainha… Seu vestido é lindo.


LAURA: - Precisamos adiantar logo, o noivo não pode esperar muito.


[As três admiravam Maria do Céu vestida de noiva.]


JUVENAL: - Posso entrar? [Diz ao abrir a porta e logo se surpreende]. - Minha filha, vosmecê está radiante, é a noiva mais linda do mundo. Sua mãe estaria emocionada se estivesse viva.


MARIA DO CÉU: [Olha-se refletida no espelho e gira. Revelando um belíssimo e volumoso vestido, bordado a mão, com detalhes em pérolas e uma grande grinalda, cobrindo a cabeça] - Vamos logo, hoje começa o dia mais feliz da minha vida e nada pode dar errado. Nada! [Completa].


Cena 16 - Posto Policial [Interna/Manhã]

[O oficial de justiça ainda não havia chegado no posto policial, enquanto os guardas conversavam entre si. Sozinha em sua cela, Carlota caminhava de um lado para o outro como se estivesse ansiosa. Quando um dos guardas saiu para ir ao banheiro, não percebeu que estava sendo seguido.]



HOMEM: [Imobiliza o guarda por trás, dando-lhe um golpe de mata-leão].


BARÃO FILIPE: - Não faça muito barulho, ainda temos outro lá dentro. [Orientou ao se aproximar].


HOMEM: [Solta o guarda, que cai no chão desmaiado].


[Ao adentrar na recepção, Filipe se aproxima do outro guarda sorrateiramente e lhe dá uma coronhada com o cabo do revólver que manuseava.]


BARÃO FILIPE: - Vamos, ela está na carceragem. Precisamos ser rápidos, antes que o oficial chegue para iniciar seu expediente.


HOMEM: [Vai na frente, conforme orientado por Filipe, enquanto manuseia uma espingarda].


CARLOTA: - Céus, até que enfim… Pensei que não daria certo! [Disse ao avistar Filipe e seu capanga. Carlota estava despenteada e com a roupa suja].


HOMEM: [Abre a cela].


BARÃO FILIPE: - Pois vosmecê estava enganada, sou um homem de palavra. Agora está em liberdade! [Sorriu].


CARLOTA: [Aproxima-se de Filipe e lhe dá um beijo nos lábios].


BARÃO FILIPE: - Pronta para o próximo passo? [Questiona].


CARLOTA: - Matar Ana Catarina D’ávilla? Sempre estive pronta! [Conclui sorridente, ao fugir do posto policial].


[A imagem congela focando em Carlota e Filipe fugindo, surge um efeito de uma pintura envelhecida e o capítulo se encerra].





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