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VENTO NORTE: Capítulo 06



Cena 01/ Residência Trajano Ferraço/ Suíte principal.

Enquanto Regina e Celso dormem, uma transição através da janela ocorre. Do escuro, passa a clarear. Amanhece. Celso e Regina acordam e continuam abraçados.

Regina: Bom dia! 

Celso: Bom dia! (se levanta da cama e se dirige até a janela a abrindo) que hoje tenhamos um excelente dia! 

Regina: É o que espero! 

Regina e Celso se levantam e se dirigem até o banheiro. 

Cena 02/ Residência Flores Viana/ Suíte principal/ Dia.

Rosália acorda zonza. Ela olha para o quarto e se dirige cansada e amarga até o banheiro. 

Cena 03/ Residência Trajano Ferraço/ Sala de Jantar/ Dia.

Regina e Celso estão a mesa tomando café enquanto Melissa se dirige correndo até a mesa. 

Celso: Mantenha a calma (risos), as torradas não sairão correndo! 

A menina ri. 

Celso: E Carlos? Por que ele não veio com você? 

Melissa: Eu não o vi saindo do quarto. Acredito que ainda não tenha acordado. 

Celso: Depois você diz que eu devo compreende-lo... Nosso filho é um caso perdido! Nunca se interessou em estudar, sempre cabulou aulas, zerou as provas, repetiu esse ano... Ele está se tornando um marginal!

Regina: Eu conversarei com ele! Tenha paciência meu amor!

Carlos se dirige até a mesa com o uniforme amarrotado, sentando-se na mesa. Ao pegar um pão, o pai o impede. 

Celso: (estressado) Não! Você irá para a escola sem tomar o café da manhã! Terá que aprender a acordar na hora certa e exata! Você precisa ter limites e disciplina! Olha essa roupa, toda amarrotada, suja... Vergonha da família!

Regina: Celso! 

Celso: Não Regina! Não podemos ser tolerantes, não podemos ser fracos... O que ele vai se tornar? Um assaltante? Um meliante? Olha... Até para ser um marajá, é preciso ter disciplina, estudo e muita determinação!

Regina: Por favor! Eu preparo um omelete, uns ovos mexidos num instante, nosso filho... 

Celso: (com a voz exaltada) Eu já disse! Ele irá para a escola sem comer nada! 

Carlos: Não se preocupe mamãe, eu me viro, eu me viro. Sempre me virei, nunca precisei do senhor para nada, sempre pegando no meu pé, implicando com todos os meus amigos... 

Celso: (exaltado) Seus amigos? Que amigos? Que amigos!!! O Vicente? Conheço bem o pai dele, vive no bordel e o filho certamente deve viver em volta daquelas mulheres lá. Segue o exemplo do pai. Você não! Foi educado para ser totalmente o oposto dessa gente!. Se eu souber que você anda lá metido com aquelas pessoas, você vai apanhar tanto, mas tanto... Você está bem avisado! 

Regina: Por favor... Vamos manter a compostura! 

Carlos: Eu desisto! Eu desisto! Não se preocupe comigo! Deveria se preocupar com a sua filha! Dez anos e vive rodeada de garotos, inclusive já beijou um e pelo pouco que me disseram língua a língua, na rua da escola. 

Close em Melissa surpresa e envergonhada e nas expressões surpresas de Regina e Celso. Carlos se retira da mesa. 

Celso: (exaltado) Carlos! Carlos! Menino malcriado!

Celso olha fixamente para Melissa. 

Cena 04/ Bordel Le Blanc/ Quarto/ Dia.

Laura se apronta enquanto o cliente está banhando-se. Se ouve apenas o som do chuveiro. Ela pega o dinheiro que está na mesa e se retira do quarto. 

Cena 05/ Residência Trajano Ferraço/ Sala de estar/ Dia.

Celso olha fixamente para Melissa. 

Celso: E você, não diz nada? O que você quer? Você é uma criança! Quer ser falada por todas as pessoas da cidade com dez anos de idade? Eu não te criei para você ser uma menina usável, que todos usam, mas que ninguém assume ou casa! Se você não entrar nos trilhos, eu te dou uma surra, como dei em seu irmão, só que ao contrário dele, você vai direto pra rua, vai, vai, vai, pra rua! Tão precoce e já rodando bolsinha... Vai se familiarizar muito com aquele prostíbulo que tem no outro lado da avenida. 

Regina: Por favor Celso! Pare! 

Celso: Desculpe Regina! Mas eu não quero dois filhos perdidos! Um filho criminoso e uma filha que vende o corpo por migalhas. Eu não quero! Não quero! Não aceito! E é por isso que sou dessa forma! Eu lamento, também não gosto de usar essas palavras, essas expressões... Mas não se pode ser leviano... 

Melissa se retira assustada e triste da sala de jantar. 

Regina se senta triste e aos prantos. Celso se aproxima e a consola. Close nos dois abraçados. 

Cena 06/ Residência Muniz/ Sala de estar/ Dia.

Vicente e Helena estão tomando café da manhã até que Roberto aparece e dá um beijo em Vicente e em Helena.

Helena: Perdeu a hora meu amor? Eu posso lhe preparar ovos mexidos, ou se preferir um omelete. 

Roberto: Não obrigado, estou atrasado, aceito apenas um café. 

Helena: Não faz bem ir trabalhar de estomago vazio... 

Roberto: Helena, eu estou bem, apenas me sirva um pouco de café por favor! 

Helena: Está certo (serve Roberto)

Enquanto Roberto bebe o café, Helena o observa chateada.

Cena 07/ Residência Fontes/ Sala de jantar/ Dia.

Eleonora, Alberto e Vera estão sentado a mesa tomando café. 

Alberto: (termina o café) Bom... Você já terminou? Precisamos ir. Ontem a noite eu liguei para o médico e foi muito difícil agendar uma hora do dia dele...

Vera: Claro, podemos ir sim! (respira fundo)

Eleonora: Não há de ser nada minha filha! (entrega para Vera uma medalhinha de Santa Rita) ela há de lhe proteger e lhe dar coragem! 

Vera: Obrigada dona Eleonora (abraça a sogra)

Cena 08/ Residência Trajano Ferraço/ Sala de jantar/ Dia.

Regina ainda está muito abalada. Ela olha para o relógio que há na sala. 

Regina: Ah... Eu deveria estar acompanhando mamãe até a clínica hoje... Mas estou exausta... 

Celso: Vá descansar meu amor! Eu trago uma comidinha gostosa para nós comermos no almoço e prometo voltar mais cedo do mercado hoje. 

Celso a beija. Ela se dirige até o corredor triste e cansada. 

Cena 09/ Hospital Municipal/ Recepção/ Dia.

Vera e Alberto se dirigem até o balcão. A recepcionista está fazendo anotações. 

Alberto: Nós viemos para a consulta do doutor Edmundo, a paciente é minha esposa, Vera Fontes. 

Joana: Ah sim, ele já está lhe aguardando senhora. É naquela direção, vá reto, primeira porta a esquerda (aponta para o corredor) 

Alberto: Obrigado.

Vera e Alberto se dirigem até o corredor. 

Cena 10/ Hospital Municipal/ Sala de Edmundo/ Dia.

Vera e Alberto entram na sala e se dirigem até o doutor Edmundo (57 anos) que se levanta e os cumprimenta. 

Alberto: (apertando a mão dele) Muito prazer, sou Alberto, essa é minha esposa Vera. 

Vera: (apertando a mão) Muito prazer! 

Edmundo: O prazer é todo meu (aponta para as cadeiras) podem se sentar! 

Vera: Obrigada! 

Alberto: Agradecido!

Edmundo: Bom... O que lhe aflige senhora? Seu marido telefonou e disse que anda sentindo dores musculares, anda tendo desmaio, dores fortes na cabeça... 

Vera: É isso mesmo doutor! 

Edmundo: Bom... Você precisará fazer alguns exames entre eles o de sangue e é provável que uma radiografia.

Close em Vera e Alberto assustados. 

Abertura:


Vinheta de intervalo: 


Cena 11/ Hospital Municipal/ Sala de Edmundo/ Dia.

(continuação da cena anterior) 

Vera: É mesmo necessário fazer tantos exames?

Edmundo: Pelo que seu marido contou por ligação, sim, é necessário. Precisamos encontrar a fonte dessas crises que a senhora anda tendo. 

Alberto segura na mão de Vera.

Vera: Está certo! (gesticula com a cabeça formulando um sim)

Cena 12/ Escola/ Sala de aula/ Dia.

Enquanto a professora escreve no quadro Carlos e Vicente conversam. 

Carlos: Eu não suporto mais meu pai... Acredita que por um atraso ele me deixou sem café da manhã hoje? 

Vicente: Que situação chata... O meu já anda meio distraído... Sinto que ele e minha mãe não estão tão bem... 

Carlos: Sua situação também é bem delicada... Seus pais correm o risco de se separarem?

Vicente: (triste) Eu sinto que sim...

Carlos: Que pesado... Sua vida vai se tornar um inferno aqui na escola se a sua mãe se separar do seu pai... Olha o caso do Rubinho... Os pais deles são separados e ninguém liga para ele, conversa com ele... Todos o ignoram... E a mãe dele vive sendo apontada quando vem à reuniões escolares... 

Vicente: Também pudera... A culpa de uma separação sempre é da mulher! Se um homem se separa, é por que a esposa não soube satisfaze-lo como mulher... 

Carlos: Exatamente! 

Close em Carlos e Vicente. 

Cena 13/ Hospital Municipal/ Sala de exames/ Dia.

Vera está tirando sangue enquanto Alberto segura em sua mão. 

Cena 14/ Casa de modas/ Externa/ Dia.

Close em Rosália, vestindo luto, descendo do carro de aluguel e entrando na loja. Close na fachada da casa.


Cena 15/ Casa de modas/ Recepção/ Dia.

Rosália se dirige até a modista Tatiana (25) 

Tatiana: Rosália... Eu soube o que houve... Olha... 

Rosália a interrompe. 

Rosália: Eu não quero a sua piedade, a sua pena, está certo? Só apareci aqui para encomendar algumas peças. Todas negras e discretas. Pegue modelos de dez , vinte, trinta anos atrás, pouco importa. Quero essa encomenda até dia dez. 

Tatiana: Quantas peças? 

Rosália: Trinta. 

Tatiana: Mas o prazo é muito curto... Não dará para finalizar todas as roupas até dia dez...

Rosália: Isso é um problema seu, sou sua cliente a muitos anos, se não quiser perder meu apoio sob a alta sociedade, terá que se dedicar integralmente às minhas encomendas.

Tatiana: (chocada) De acordo... Seus vestidos ficarão prontos dentro de uma semana.

Rosália: Excelente! 

Rosália se dirige até a saída. Close em Tatiana. 

Cena 16/ Hospital Municipal/ Sala de radiografia/ Dia.

Vera está deitada sob o aparelho de raio x. Close nela e em Alberto a observando. 

Cena 17/ Sala de Edmundo/ Dia.

Alberto, Vera e Edmundo estão sentados conversando. 

Edmundo: Eu irei receitar um medicamento para a senhora não sentir mais dores. 

Vera: Está certo! Mas doutor... Quanto tempo para sabermos o resultado desses exames? 

Edmundo: Bom... Duas ou três semanas... Talvez um mês... 

Alberto: (abraça Vera) Fique tranquila meu amor, não há de ser nada! 

Cena 18/ Dentro do automóvel/ Dia.

Rosália está sentada no banco do passageiro enquanto o motorista (45) dirige. Ela olha para a praia e fica reflexiva. 

Rosália: Pare o carro! Aqui. (paga o motorista)

Ela sai do carro. 

Corta p/ rua.

Cena 19/ Calçadão carioca/ Dia. 

Ela se dirige pensativa até a praia.

Cena 20/ Praia da barra/ Dia. 

Ela olha para a praia, para as pessoas em volta... Close no mar e nas palavras que ficam sublinhas sob o mar. 

Um mês depois

Cena 21/ Hospital municipal/ Sala de espera/ Dia. 

Vera, Regina e Alberto esperam sentados na recepção do hospital. 

Joana: Senhora Vera Fontes, o doutor Edmundo vai lhe atender. 

Vera respira fundo e Regina, Alberto e ela se dirigem até o corredor do hospital. 

Cena 22/ Hospital municipal/ Sala de Edmundo/ Dia. 

Vera, Regina e Alberto entram na sala. Vera e Alberto se sentam e Regina fica ao lado da mãe, segurando em sua mão.. 

Edmundo: Como foi comunicado ontem à senhora, os relatórios acabam de sair. 

Regina: O que mamãe tem doutor? 

Regina: Não me esconda nada... 

Alberto: É algo grave? 

Edmundo faz suspense. 

Alberto: Diga doutor! Estamos aflitos! 

Edmundo: Foi localizado um nódulo em seu seio esquerdo. Como consta nos altos, é provável que a senhora possua neoplasia, em uma situação já avançada... 

Close em Vera, Regina e Alberto em transe, chocados junto à um instrumental de fundo.

Instrumental: 


A imagem fica em preto e branco, como se fosse um filme dos anos 40. Gancho na expressão chocada de Vera, Regina e Alberto.



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