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Saramandaia - capítulo 3

 

SARAMANDAIA ��️ – CAPITULO


Web novela adaptada e escrita por: Luan Maciel

Baseada na obra homônima de: Dias Gomes

Produção Executiva: Ranable Webs


CENA 1: INTERIOR. FAZENDA DE TIBÉRIO. CASA GRANDE.

SALA. TARDE

CONTINUAÇÃO IMEDIATA DO CAPÍTULO ANTERIOR. ZÉLIA VAI

SAINDO DE TRÁS DA PORTA DEIXANDO TIBÉRIO

COMPLETAMENTE TRANSTORNADO. ELA SE APROXIMADE

SEU AVÔ E O ENCARA DE UM JEITO SÉRIO. TIBÉRIO TENTA

DESVIAR O OLHAR, MAS ZÉLIA PARECE IRREDUTÍVEL.

TIBÉRIO (surpreso): - Minha neta…. Há quanto tempo você

estava aí? Eu já disse que eu não gosto dessa mania de você

ficar ouvindo atrás da porta. Eu queria te explicar que….

ZÉLIA (interrompendo): - Não me venha com os seus discursos

morais, Vô. Você mais do que ninguém sabe o perigo que esse

homem significa para nossa cidade, e agora ele vem aqui. Essa

história está muito mal contada para o meu gosto.


TIBÉRIO: - É melhor você esquecer essa história, Zélia. Ficar

enfrentando o Zico Rosado não vai te levar a lugar nenhum.

ZÉLIA FICA MUITO NERVOSA COM O JEITO QUE SEU AVÔ

TRATA TODA ESSA SITUAÇÃO. ELA SE CURVA E O OLHA NOS

OLHOS.

ZÉLIA (firme): - Eu sei muito bem que você está escondendo

algo de mim, senhor Tibério Villar. Mas eu quero saber o que o

Zico Rosado queira dizer quando disse que você afastou ele da

minha mãe. Eu não quero saber mais desses segredos.

TIBÉRIO (enigmático): - Esquece essa história pela amor de

Deus, Zélia. Você está em um caminho que não tem volta.

ZÉLIA: - Se você não quer me contar, ótimo. Eu vou descobrir

sozinha o que você está escondendo. Pode ter certeza disso.

ZÉLIA VAI SAINDO DA SALA TOTALMENTE DECIDIDA. A

CÂMERA FOCA NO OLHAR SÉRIO DE TIBÉRIO. ELE ESTÁ

INDIFERENTE.

//


CENA 2: EXTERIOR. FAZENDA DE TIBÉRIO. CASA GRANDE.

ESCADARIA. TARDE

CLOSE EM ZICO ROSADO DESCENDO AS ESCADAS FA CASA

GRANDE COM UMA CERTA PRESSA. NESSE MOMENTO UM


DOS PEÕES DA FAZENDA VEM CAVALGANDO NA DIREÇÃO DO

VILÃO. ELE DESCE DO CAVALO E CUMPRIMENTA ZICO

ROSADO.

ZICO ROSADO (firme): - Você conseguiu descobrir o que eu te

ordenei? Para onde está indo essa quantia enorme que o seu

patrão movimenta todos os meses? Eu sei que é para a Vitória.

Mas eu quero saber onde aquele traidora está.

PEÃO (figurante): - Ela está no Rio de janeiro, senhor Zico

Rosado. Mas isso não é tudo. A dona Vitória está voltando

para Bole-Bole. E pelo o que eu entendi ela deve chegar

amanhã.

ZICO ROSADO FICA BALANÇADO AO SABER DO REGRESSO DE

VITÓRIA. EM QUESTÃO DE SEGUNDOS EKE FICA COM RAIVA.

ZICO ROSADO (enraivecido): - Então quer dizer que depois de

todos esses anos a Vitória vai voltar para a cidade? Eu faço

questão de transformar a vida dela em um inferno.

PEÃO (figurante): - O senhor deseja mais alguma coisa, Zico

Rosado? Eu não quero que o meu patrão saiba que eu estou

trabalhando para o senhor. Eu não sei o que iria acontecer.


ZICO ROSADO: - Com isso você não precisa se preocupar. Eu

estou te pagando bem o suficiente pelo o seu silêncio. Agora vá

embora e finja que esse encontro nunca aconteceu.

O PEÃO MONTA NO CAVALO E SAI CAVALGANDO PELA

FAZENDA. LOGO DEPOIS ZICO ROSADO ENTRA NO CARRO E

VAI EMBORA.

//


��️ TRANSIÇÃO DE TEMPO: ANOITECE ��️


CENA 3: INTERIOR. CASA DE LEOCÁDIA. QUARTO DE JOÃO

GIBÃO. NOITE

JOÃO GIBÃO ESTÁ DEITADO NA CAMA TOTALMENTE IMERSO

EM SEUS PENSAMENTOS. NESSE MOMENTO A PORTA DO

QUARTO VAI SE ABRINDO LENTAMENTE E PODEMOS VER

LUA VIANA ENTRAR NO QUARTO E SENTAR NA CAMA AO

LADO DO IRMÃO.

LUA VIANA (preocupado): - O que está acontecendo com você,

João? Desde que você foi embora daquela manifestação no

coreto que eu estou te sentindo diferente. Eu sinto que você

está escondendo algo de mim, mas não sei o que é.


JOÃO GIBÃO (disfarçando): - Você está enganado, meu irmão.

Eu apenas estou cansado e estou querendo dormir. É apenas

isso.

LUA VIANA: - Se você não quer me contar, eu entendo. Mas eu

quero que você saiba que apesar de eu ser o prefeito e estar

atarefado nessa guerra política contra o Zico Rosado eu ainda

sou seu irmão. Nada do que aconteça vai mudar isso.

LUA VIANA DÁ UM FORTE ABRAÇO EM JOÃO GIBÃO. DEPOIS

QUE LUA VIANA SAI DO QUARTO JOÃO GIBÃO CHORA.

TRILHA SONORA:  (Meu

Mundo e Nada Mais – Guilherme Arantes)



JOÃO GIBÃO (abatido): - Eu queria te contar toda a verdade,

irmão. Mas eu tenho medo do que você iria sentir se soubesse

que eu sou um monstro. Eu prefiro que as coisas fiquem assim.

A CÂMERA VAI SE APROXIMANDO AINDA MAIS DE JOÃO

GIBÃO. PODEMOS VER CLARAMENTE QUE A CORCUNDA NAD

COSTAS DE NOSSO PROTAGONISTA ESTÁ CADA VEZ MAIOR.

//


CENA 4: INTERIOR. TREM EM MOVIMENTO. VAGÃO. NOITE

A CÂMERA MOSTRA QUE O TREM ESTÁ EM MOVIMENTO.

CORTE. AGORA DENTRO DO TREM PODEMOS VER VÁRIAS


PESSOAS DIFERENTES UMA DA OUTRA. POR FIM A CÂMERA

FOCA NO ROSTO DE VITÓRIA QUE ESTÁ TOTALMENTE

PENSATIVA.

VITÓRIA (pensando): - Depois de todos esses anos longe eu

vou ter que enfrentar alguns fantasmas do meu passado. Isso

ainda me deixa com medo. Mas isso é algo que eu preciso

fazer.

A CÂMERA VAI SE AFASTANDO DO ROSTO DE VITÓRIA.

CLOSE EM PEDRO QUE SE LEVANTA E ELE ACABA

ESBARRANDO EM UMA JOVEM QUE PASSAVA ALI NESSE

MOMENTO. ELA É ESTELA (GABRIELA MEDVEDOVSKI). ELES SE

OLHAM.

PEDRO (sendo cordial): - Mil desculpas, moça…. Eu sou mesmo

um desastrado. Eu não te vi chegando. Me perdoe o

transtorno.

ESTELA (sorrindo): - Você não precisa se desculpar não. Eu

estava distraída e não vi que você estava indo em minha

direção. A propósito eu me chamo Estela. Estela Rosado.

A CÂMERA MOSTRA O PAVOR NO OLHAR DE VITÓRIA. ELA

SEGURA PEDRO PELO BRAÇO COM CERTA FORÇA.


VITÓRIA (enfática): - Pedro…. Vamos para outro vagão agora

mesmo. Eu não quero você perto dessa garota. Me obedeça.

PEDRO (confuso): - Mãe…. Por que você está agindo dessa

forma? Eu nunca vi você falar nesse tom comigo. Eu não

consigo entender essa sua reação. Tem algo que não está me

contando.

VITÓRIA: - Não discuta comigo, menino. Eu tenho os meus

motivos disso você pode ter certeza. Agora vamos embora.

VITÓRIA SAI ANDANDO E ELA VAI PUXANDO PEDRO ATRÁS

DELA. ESTELA FICA PARADA NO MEIO DO VAGÃO SEM

ENTENDER O QUE FOI QUE ACABOU DE ACONTECER.

//

��️ BOLE-BOLE ��️


CENA 5: INTERIOR. CASA DE DONA REDONDA E SEU

ENCOLHEU. SALA. NOITE

SEU ENCOLHEU (TADEU MELLO) ESTÁ PARADO NA JANELA

ABERTA OLHANDO PARA A CIDADE QUE ESTÁ MUITO

QUIETA. DONA REDONDA (GRACE GIANOUKAS) APARECE EM

CENA COMENDO UM QUINDIM E LIMPANDO O RESTO DE

SEUS DEDOS. LOGO DEPOIS ELA SE APROXIMA DE SEU


ENCOLHEU E ELES VÊEM JOÃO GIBÃO PASSAR PELA JANELA

DELES E DONA REDONDA OLHA PARA JOÃO GIBÃO COM

DESDÉM.

DONA REDONDA (desdenhando): - Olha só aquele esquisito do

João Gibão. Eu não sei como a Leocádia não sente vergonha de

ter um filho assim. Ele não passa de um esquisito.

SEU ENCOLHEU (ponderando): - Você não acha que está sendo

um pouco exagerada, Redondinha? Você como umas damas da

nossa cidade deveria ter compaixão. Você não acha isso?

DONA REDONDA: - Não vai me dizer que está com pena desse

esquisito Encolheu? Essa cidade já foi melhor frequentada. Eu

sinto pena da Maria Aparadeira em ter uma filha que se

apaixone por alguém tão insignificante assim.

SEU ENCOLHEU FICA EM SILÊNCIO. DONA REDONDA

COMEÇA A FICAR INCOMODADA COM JEITO PACÍFICO DE

SEU MARIDO.

DONA REDONDA (irritada): - Quer mesmo saber de uma coisa,

Encolheu? Às vezes essa sua calma me incomoda. Tudo que eu

faço é pelo bem dessa cidade. E você sabe muito bem disso.


SEU ENCOLHEU (intrigado): - Até hoje eu não consigo entender

essa sua implicância com o João Gibão Redondinha. O que ele

fez para você sentir essa raiva toda?

DONA REDONDA: - Eu não acredito que você está me

perguntando isso, Encolheu. Eu não sou obrigada a ficar aqui

ouvindo você defender esse esquisito. Eu vou me deitar.

DONA REDONDA VAI SAINDO DA SALA MUITO IRRITADA.

SEU ENCOLHEU FICA EM SILÊNCIO E OBSERVANDO SUA

ESPOSA.

//


CENA 6: EXTERIOR. PRAÇA. NOITE

CLOSE EM MARCINA QUE ESTÁ SENTADA NO BANCO DA

PRAÇA E ELA OLHA OARA O CÉU ESTRELADO QUE ILUMINA A

NOITE DE BOLE-BOLE. NESSE MOMENTO JOÃO GIBÃO VEM SE

APROXIMANDO A PASSOS LENTOS. ELE E MARCINA SE

OLHAM.

MARCINA (séria): - João…. A gente precisa conversar. Você

sabe que eu te amo e que eu enfrentei a minha família para a

gente ficar juntos. Mas eu sinto que você está se afastando

cada vez mais de mim. Se estiver acontecendo alguma coisa

pode falar.


JOÃO GIBÃO (respirando fundo): - Eu estive pensando melhor

nesse assunto, Marcina. Eu também amo você, mas eu não

posso ser egoísta ao ponto de querer você ao meu lado e ver

todos dessa cidade falar mal de você. Que futuro eu poderia te

dar?

MARCINA: - Eu não estou acreditando que você está me

dizendo isso agora, João. Quantas vezes eu te disse que isso

não me importa. O que importa é o que eu sinto por você.

MARCINA TENTA SE APROXIMAR DE JOÃO GIBÃO, MAS ELE

SE AFASTA. AS LÁGRIMAS ESCORREM PELO ROSTO DELA.

JOÃO GIBÃO (firme): - Não pense bem por um momento que eu

estou feliz em tomar essa decisão, Marcina. Eu amo você, mas

eu preciso pensar no que é melhor pra você. Vai ser melhor

assim.

MARCINA (decepcionada): - Quer mesmo saber o que eu acho,

João? Que você não passa de um covarde. Se você me amasse

de verdade iria enfrentar tudo e todos para ficar comigo.

JOÃO GIBÃO: - Tudo o que eu estou fazendo é pelo seu bem,

Marcina. Você pode não acreditar, mas essa é a realidade.


JOÃO GIBÃO VAI INDO EMBORA DA PRAÇA DEIXANDO

MARCINA ALI SOZINHA. ELA COMEÇA A CHORAR

COPIOSAMENTE.

TRILHA SONORA:  (Eu sei que

vou Te Amar – Maysa)



//


CENA 7: INTERIOR. CASARÃO DA FAMÍLIA ROSADO. SALA DE

ESTAR. NOITE

A CÂMERA MOSTRA QUE UMA MULHER ENTRA NO CASARÃO

DE UM JEITO COMPLETAMENTE DESESPERADO. ESSA

MULHER É RISOLETA (FLÁVIA ALESSANDRA) QUE OLHA PARA

TODOS OS LADOS COMO SE ESTIVESSE PROCURANDO POR

ALGUÉM. LOGO DEPOIS CÂNDIDA ADENTRA NA SALA DE

ESTAR E É PERCEPTÍVEL EM SEU ROSTO QUE ELA NÃO ESTÁ

CONTENTE AO VER RISOLETA EM SUA FRENTE.

CÂNDIDA (furiosa): - O que você pensa que está fazendo aqui

em minha casa? Como tem coragem de aparecer aqui depois de

todos esses anos? Vá embora antes que eu mesma te expulse

daqui pelos cabelos. Eu estou te avisando.


RISOLETA (com coragem): - A senhora sabe exatamente o que

eu estou fazendo aqui, dona Cândida. Eu quero saber apenas

uma coisa. Onde está a minha filha? Eu tenho esse direito.

CÂNDIDA: - Você perdeu esse direito quando foi embora e

abandonou a Estela. Você está conseguindo me irritar. Esse é o

seu último aviso. Vá embora antes que o meu filho te veja aqui.

RISOLETA ESTÁ IRREDUTÍVEL. CÂNDIDA A PEGA PELO

BRAÇO COM MUITA FORÇA. ELAS SE ENCARAM.

RISOLETA (séria): - Faz muito tempo que eu não tenho medo

da figura que o seu filho exerce sobre a vida de todos nessa

cidade. Eu errei em ter abandonado a minha filha, mas isso

nunca mais vai acontecer. A Estela vai saber quem é a mãe

dela de verdade.

CÂNDIDA (irônica): - Não me faça rir, Risoleta. O que de bom

você poderia trazer para a vida da minha neta? Ela já tem uma

mãe, e nada do que faça vai mudar isso.

RISOLETA: - Até parece que você não me conhece, Cândida. Eu

jamais vou desistir de reconquistar o amor da minha filha. E

pela última vez a Helena não é mãe da Estela. Eu sou.


PARA A SURPRESA DE RISOLETA QUE FICA SEM REAÇÃO

ZICO ROSADO ENTRA NO CASARÃO E ELE NÃO CONSEGUE


ESCONDER A RAIVA QUE ELE ESTÁ SENTINDO. FORMIGAS

COMEÇAM A SAIR DE SEU NARIZ, E ISSO DEIXA RISOLETA

APAVORADA.


A IMAGEM CONGELA NO OLHAR DE PAVOR DE RISOLETA.

AOS POUCOS A IMAGEM VAI GANHANDO UM EFEITO

COMO SE TRANSFORMASSE EM UMA MOLDURA.

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