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VILAREJO - Capítulo 35

 



Capítulo 35

Cena 01 - Acampamento [Externa/Noite]

[Carlota sentiu um frio na espinha quando ouviu a voz de Antônio vir logo atrás dela, quando se girou, enfim, o encarou de frente.]


ANTÔNIO: - Não me ouviu? Quero que vosmecê repita o que acabara de dizer! [Fala firmemente].


CARLOTA: - Meu filho, eu posso lhe explicar tudo…


LEONORA: - Ela disse a verdade! [Responde, interrompendo Carlota]. - Ela não é a sua mãe, eu sou. Vosmecê cresceu acá, em meu ventre, mas a Carlota tramou tudo com os seus avós, para ficar com vosmecê, mas és o meu filho.


CARLOTA: - Isso é uma infâmia, vosmecê está mentindo. Não acredita nela, meu filho.


ANTÔNIO: - Chega! [Grita]. - Eu quero a verdade… A verdade! E o meu pai? Quem é o meu pai? [Questiona].


LEONORA: - O seu pai está bem na sua frente. Em suas veias correm o sangue dos ciganos. Vicente é o seu pai…


VLADIMIR: [Horroriza-se com a informação].


ANTÔNIO: - O Vicente é o meu pai? [Repete com a voz trêmula].


VICENTE: - Sim, meu filho. Eu soube de tudo isso há pouco tempo!


VLADIMIR: - Bato, como pode esconder esse segredo? Vosmecê disse que não tinha mais nada para me dizer… [Diz estarrecido].

Tradutor: Bato = Pai.


LEONORA: - Eu me apaixonei pelo Vicente quando era muito novinha. O nosso romance era proibido, meus pais diziam que eu jamais me casaria com um cigano sem bens. Quando eu descobri que estava grávida, o meu pai… Seu avô, disse que mataria o Vicente se eu voltasse a vê-lo. Foi nesse momento que eu descobri que Carlota também estava apaixonada pelo Vicente, mas ele não a queria. Carlota insistia, mesmo sendo uma mulher casada. Quando ela engravidou do seu primeiro marido, o General Rodolfo Guerra, ele teve que se ausentar para um combate no Uruguai, quando ela estava grávida de um filho dele. Só que fatidicamente, ela sofreu uma perda espontânea… [Relata com a voz embargada].


ANTÔNIO: - E depois disso?


LEONORA: - Depois disso, essa diaba teve a ideia de que eu deveria entregar o meu filho, para que a sociedade não me julgasse. Ela criaria como se fosse dela, no lugar do filho morto. Eu me recusei é claro, mas o meu pai não permitiu que eu ficasse com vosmecê. Passei toda a gravidez trancada em casa e quando dei a luz, ele nos separou e me mandou para uma casa de veraneio no Nordeste do país. Vivi anos exilada, com o maior vazio que podia sentir por dentro. Sem os meus dois grandes amores.


ANTÔNIO: [Leva as duas mãos à cabeça e anda de um lado para o outro].


Cena 02 - Fazenda Santa Clara [Interna/Noite]

Música da cena: Vilarejo - Marisa Monte

[Com a transição de cenas, imagens externas da cidade são apresentadas. Em seguida, a fachada da Fazenda Santa Clara é mostrada. No interior da casa, Ana Catarina caminhava com dificuldade ao receber a visita de Rosaura.]


ROSAURA: - Não, não e não. Io não me conformo, minha menina. Como vassuncê não mandou me chamar? Io teria vindo imediatamente cuidar de vassuncê. Que perigo, meu Deus. Que perigo!


ANA CATARINA: - Ah, Bá… Não precisa se preocupar, não mandei te chamar, porque tudo aconteceu muito rápido e eu já estou fora de perigo, não precisa se preocupar. [Senta-se com ajuda de Rosaura].


ROSAURA: - Onde está o seu marido? Nunca mais vi o menino Antônio. Ele te trata bem?


ANA CATARINA: - Não sei e não tenho interesse em saber… [Responde sem dar muita importância].


ROSAURA: - Ainda com essa história de vingança? Até quando, menina? Vassuncê ama o Antônio e ele também te ama. Por quê continuar com isso? 


ANA CATARINA: - Porque eu não posso esquecer, Bá. Não posso… Antônio Guerra ajudou Carlota a destruir a minha vida, mataram o meu pai e a minha irmã. Eu não consigo perdoar… A Carlota só não está na cadeia ainda, porque ainda não consegui encontrar nada que a incriminasse. Pois a única testemunha do crime, está do lado dela, o Zeferino. Enquanto isso, darei um jeito de tirar tudo que ela tem… Um cão sem companhia não mete medo em ninguém!


ROSAURA: - É, minha filha. Peço a Deus que vassuncê esteja realmente certa de suas escolhas, pois se vassuncê descobrir que Antônio não teve realmente nada a ver com isso, há de sofrer muito. [Conclui].


Cena 03 - Casa dos Lobato [Externa/Noite]

[Com a transição de cenas, surge a área externa da casa da família Lobato, mas precisamente no quintal. Presa ao tronco, despenteada e com alguns arranhões no rosto, Tomásia tremia de pavor, enquanto Graça a observava ao lado de outros empregados.]


GRAÇA: - Eu disse para vosmecê não se meter onde não era chamada, não disse? Mas vosmecê é uma negra abusada, adora agir como senhora do próprio nariz, mas nem senhora vosmecê é. Não passa de um animal e eu vou ensiná-la como deve se comportar. 


TOMÁSIA: - Não sinhá, io prometo que não vou fazer mais, só não me bata… [Implora].


GRAÇA: [Levanta a mão segurando uma chibata].


[Do quarto no sótão, Maria do Céu continuava tentando sair para salvar a escrava, quando de repente começou a ouvir gritos.]


MARIA DO CÉU: - Tomásia… [Murmura instantaneamente]. - Tia Graça, me tira daqui… Alguém me ajuda… Tomásia… Tomásia! [Grita tentando abrir a porta].


[Do lado de fora da casa, Graça continuava chicoteando Tomásia freneticamente, abrindo feridas em suas costas, fazendo com que sangue corresse até seus membros inferiores.]


GRAÇA: - Creio que com a surra que lhe dei, vosmecê há de aprender a nunca mais mexer no que não lhe pertence. [Respondeu olhando para a escrava, que estava praticamente desmaiada. Em seguida, aproximou-se do outro empregado que havia assistido tudo]. - Deixe ela a noite inteira aí, ao relento. Sem água e sem comida. Pela manhã, coloque salmoura nas feridas dessa infeliz. Assim ela vai entender que não pode ficar contra o que digo acá. [Conclui entregando a chibata ao negro e retorna para o interior da casa].


Cena 04 - Acampamento dos Ciganos [Externa/Noite]

[Os ventos começavam a correr cada vez mais fortes, enquanto o céu anunciava uma tempestade. Antônio continuava transtornado após descobrir a verdade sobre sua origem, enquanto todos tentavam se recompor.]


CARLOTA: - Meu filho, vosmecê não pode acreditar nisso que essa louca está dizendo. Tem mais! Mesmo que isso fosse verdade, pouco importa. Fui eu quem te criou, quem te deu tudo, que te proporcionou essa vida boa…


ANTÔNIO: - A minha vida é um inferno! [Grita]. - A minha vida é um inferno e tudo isso por sua causa. Vosmecê não é a minha mãe, vosmecê não passa de uma mulher fria, que apenas se importa consigo mesma. Por isso que eu nunca me identifiquei com nada daquilo.


CARLOTA: - Então vosmecê vai ficar do lado dessa doidivana? Vosmecê é realmente como dizem o ditado, o sangue chama. Fraco igual sua verdadeira mãe, fraco! [Grita].


LEONORA: - Eu vou matar essa desgraçada… [Tenta avançar em Carlota, mas é contida por Vicente].


VLADIMIR: - Essa história não é verdade, só pode ser um pesadelo.


ANTÔNIO: - Vosmecê tem razão, meu amigo. Essa história só pode ser mesmo um pesadelo. Eu preciso sair desse lugar!


LEONORA: - Espera, meu filho. Para onde vosmecê vai? Nós precisamos conversar, eu tenho muito o que te contar. [Fala ao se aproximar de Antônio, com os olhos em lágrimas].


ANTÔNIO: - Eu não sou seu filho. Quero desaparecer, sumir e fingir que isso nunca aconteceu. [Completa indo embora].


[De longe, Madalena observava toda a discussão, mas algo lhe chamava muito a atenção, além do fator principal.]


MADALENA: [Nota que o homem mascarado não parava de olhar para Antônio e Carlota, como se os conhecesse] - Que estranho, será que esse gadjó conhece essa gente? [Questiona-se].

Tradução: Gadjó = Homem não cigano.


Cena 05 - Mercearia da Paz [Externa/Noite]

[Encurralada, Cândida percebia que não dava mais para continuar escondendo o seu passado de Joana, principalmente pelo fato que também dizia respeito a vida dela.]


CÂNDIDA: - Está bem, Joana. Vosmecê venceu, eu vou te contar a verdade. Tudo o que vosmecê leu nessas cartas é verdade. O seu pai foi um cigano! [Responde apontando para as cartas que Joana estava segurando, logo após reconhecê-las].


JOANA: - Eu quero saber toda a história, é a minha vida. Me conta! Por qual motivo a senhora escondeu tudo isso? Acaso tinha vergonha dele ser um cigano?


CÂNDIDA: - Porque ele me abandonou! [Grita]. - Ele apenas brincou comigo, me usou e depois que me desonrou, sumiu no mundo com a trupe dele. Ele nem sequer soube que eu estava grávida. Me prometeu mundos e fundos e era tudo mentira. Mentira. É por isso que odeio tudo que esteja interligada a essa gente. São todos uns mentirosos. Escuta, Joana… Eu te proíbo terminantemente de ter qualquer tipo de contato com essa gente.


JOANA: [Joga as cartas em cima do balcão da mercearia] - Tarde demais, mamãe. Eu cansei de ter uma vida comandada, de não ter as rédeas do meu destino. Vosmecê não pode mais decidir com quem eu posso ou não me relacionar. A senhora perdeu esse direito quando resolveu me esconder uma parte tão importante da minha vida. [Sai da mercearia e sobe até em casa, deixando Cândida estarrecida].


Cena 06 - Fazenda Santa Clara [Interna/Noite]

[Sozinha em seu quarto, Ana Catarina observava a tempestade através da janela. Raios iluminavam o céu, conforme os trovões ecoavam nos arredores da fazenda. Foi nesse momento em que Ana Catarina ouviu um barulho vindo do corredor.]


ANA CATARINA: [Vai até a porta e abre, deparando-se com Antônio] - Antônio! Vosmecê está todo encharcado, aos pandarecos…


ANTÔNIO: [Vira-se para Ana Catarina, visivelmente abalado].


ANA CATARINA: - O que houve? Por quê vosmecê está assim, tão triste?


ANTÔNIO: - O mundo está desabando na minha cabeça, a minha vida toda é uma mentira. Acabei de descobrir que os meus pais não são quem eu pensava. A Carlota mentiu pra mim o tempo todo. [Abraça Ana Catarina, chorando].


ANA CATARINA: [Sem reação no primeiro momento, logo resolve ceder e abraça fortemente Antônio junto ao seu corpo] - Venha comigo, vamos entrar em seu quarto. Vosmecê deve trocar de roupa, para não pegar uma pneumonia e tomar algo quente. Vai ficar tudo bem, eu vou cuidar de vosmecê. Eu estou ao seu lado, nada de ruim vai acontecer. [Completa levando Antônio ao interior do quarto dele, lhe apoiando].




Cena 07 - Gazeta Vilarejo [Externa/Manhã]

Música da cena: Esquadros - Gal Costa

ALGUMAS SEMANAS DEPOIS…

[O dia amanhece e anoitece rapidamente, mostrando uma transição de tempo. Em seguida, surgem algumas ruas da cidade e por fim a fachada da sede do jornal, Gazeta do Vilarejo. Em sua mesa, Ricardo estava distraído analisando alguns textos, quando Laura se aproximou.]


LAURA: - Atrapalho? [Questionou ao se aproximar].


RICARDO: - Laura! Vosmecê nunca atrapalha. É sempre muito bom vê-la. Passeando?


LAURA: - Fui acertar com a modista algumas pendências e como estava nas redondezas, resolvi te visitar. Como estás?


RICARDO: - Ah, eu fiquei muito melhor agora. Como está a sua agenda de compromissos para o almoço desta tarde?


LAURA: [Estranha] - Nada de novo, somente o trivial. Almoço em casa, com a minha mãe e meu irmão.


RICARDO: [Levanta-se e se aproxima de Laura, passando a segurar a mão dela] - O que vosmecê acha de almoçar comigo? No cassino servem ótimas refeições. É um convite especial e eu não vou aceitar não como resposta, só para constar.


LAURA: [Olha para a mão de Ricardo segurando a dela] - Não sei se devemos. Acho que nos aproximamos rápido demais e as pessoas vão comentar…


RICARDO: - Comentar o quê? Que eu e vosmecê somos um homem e uma mulher, ambos desimpedidos? [Questiona ao interromper]. - Eu não ligo para o que os outros dizem. Eu me importo apenas com o que eu sinto e com vosmecê. Eu sou apaixonado por vosmecê e nunca escondi isso, Laura. Antes sofria por ser um sentimento platônico, não queria atrapalhar seu relacionamento e tão pouco interferir nas suas escolhas. Só que agora… Agora é diferente, eu não quero mais sonhar acordado e perder essa oportunidade que está bem diante de mim.


LAURA: - Mas Ricardo…


RICARDO: [Surpreende Laura com um beijo apaixonado nos lábios].


Cena 08 - Acampamento Cigano [Interna/Manhã]

[Açucena varria a tenda, enquanto Madalena escolhia os feijões adequados para cozinhar, quando ouviram alguém chamar batendo palma.]


AÇUCENA: - Pedro, vosmecê acá tão cedo? Aconteceu alguma coisa?


PEDRO: - Aconteceu algo muito sério, eu preciso conversar com vosmecê. Posso entrar?


AÇUCENA: - Claro, entre… [Respondeu dando passagem para que Pedro entrasse na tenda].


PEDRO: - Como vai. Dona Madalena? [Perguntou ao entrar].


MADALENA: - Estaria melhor se vosmecê não tivesse acá. [Responde sem dar muita importância e sem parar de fazer o que estava fazendo].


AÇUCENA: - Vovó! [Fala com o olhar de repreensão]. - Não dê importância ao que ela diz, Pedro. Então, o que vosmecê gostaria de falar comigo? 


PEDRO: [Se ajoelha diante Açucena, retira uma pequena caixa do bolso e a posiciona de frente para Açucena] - Açucena Kalitch, vosmecê me daria a honra de se tornar a minha esposa? [Pergunta ao abrir a caixa, revelando um anel de ouro branco, com uma pequena pedra de cristal].


AÇUCENA: - Céus! [Surpreende-se].


MADALENA: [Olha para os dois rapidamente ao perceber o que estava acontecendo e cair em si].


PEDRO: - E então, casa ou não? [Pergunta novamente].


AÇUCENA: - Sim, sim, sim… Mil vezes sim! [Responde colocando o anel no dedo].


MADALENA: - Não… A maldição, vosmecês não podem se casar, a má sorte, a má… [Cai da cadeira ao chão, desmaiada].


AÇUCENA: - Vovó! [Grita ao correr para socorrê-la].


Cena 09 - Fazenda Santa Clara [Interna/Manhã]

Música da cena: Acreditar no Seu Amor

[Algumas imagens dos campos de São José dos Vilarejos são apresentadas. Em seguida, surgem algumas imagens da Fazenda Santa Clara. Ana Catarina preparava-se para sair e espairecer um pouco, aproveitando o dia ensolarado, quando cruzou com Miguel, que retornava da rua com um semblante de preocupação.]


ANA CATARINA: - Miguel, está tudo bem com vosmecê? Que cara é essa? Aconteceu alguma coisa? [Perguntou].


MIGUEL: - A Maria do Céu, ela sumiu. Não a vejo há muitos dias, estou desesperado.


ANA CATARINA: - Mas como sumiu? Isso não pode ser… Ninguém desaparece assim, do nada. Já procurou na casa dela?


MIGUEL: - Não, eu não posso. A tia de Maria do Céu não permite que ela saia, por algum motivo ela dizia que a Maria era doente e que por isso tinha que ficar sempre em casa, mas ela não está doente, eu sei que não.


ANA CATARINA: - Isso não é bom, eu não tenho um bom pressentimento. A família de Maria do Céu não é flor que se cheire, temo pela vida dela. Precisamos ajudá-la de alguma forma. Isso é um dever, pois o pai dela era muito amigo do meu pai e tenho certeza de que faria o mesmo por mim.


MIGUEL: - Vosmecê tem algo em mente? [Questiona aflito].


ANA CATARINA: - Tenho sim, pode ficar tranquilo. Não vou abandonar os meus amigos. Irei ajudá-los! [Completa].

 

Cena 10 - Banco D’ávilla [Interna/Tarde]

Música da cena: Além do Paraíso - Antônio Villeroy

[Com a transição de cenas, surge o banco da família D’ávilla. Quando Carlota adentrou em sua sala, notou que havia uma pilha de correspondências e as olhou com um certo temor.]


CARLOTA: - Céus, a que ponto cheguei. Agora tenho medo de um pedaço de papel. Isso não pode ser, não pode! 


[Mesmo receosa, após um breve momento Carlota tomou coragem e resolveu se aproximar da mesa onde estavam os envelopes e começou a checá-los.]


CARLOTA: - Conta, conta, conta, mais uma conta, conta… [Falava enquanto revisava os envelopes]. - Este não. Estão é bom! [Afirmou ao notar a presença de um envelope maior que os demais, resolvendo abri-lo]. - Não é possível… Desgraçada, essa mulher deve ter pacto com o demônio. Como pode ser possível conseguir tudo o que quer? [Resmungou furiosa, amassando o papel].


Cena 11 - Acampamento Cigano [Externa/Noite]

Música da cena: Sem Poupar Coração - Nana Caymmi

[Sozinha e com um semblante melancólico, Leonora observava a movimentação do acampamento quando Vicente se aproximou.]


VICENTE: - Um tostão por cada pensamento…


LEONORA: - Vicente… Nem te vi chegar! [Responde].


VICENTE: - É, eu vinha te observando de longe, vosmecê com esse olhar triste e distante. Está pensando no Antônio, acertei?


LEONORA: - Não posso negar. Já fazem semanas que o Antônio descobriu a verdade e ele segue nos ignorando. Penso se algum dia o meu filho será capaz de nos perdoar? [Questiona com tristeza].


VICENTE: - Claro que vai, minha linda. O mundo caiu na cabeça dele, precisamos dar esse tempo para ele se reorganizar emocionalmente e aí sim, ele entenderá as coisas e vai nos procurar. Eu acredito nisso, vosmecê deveria fazer o mesmo.


LEONORA: - É, vosmecê pode ter razão. [Completa desanimada].


Cena 12 - Banco D’ávilla [Interna/Noite]

[Sozinha no banco, Carlota se preparava para sair quando deu de cara com uma visita indesejada.]


CARLOTA: - Vosmecê não desiste mesmo, não é? O que faz acá? [Diz ao abrir a porta].


ANA CATARINA: - Nossa, quanta falta de educação. Isso é jeito de falar com a família? [Responde com o questionamento ao entrar].


CARLOTA: - Vosmecê deveria parar com esses joguinhos, eu já estou pelas tampas com isso. O que veio fazer acá? Diga de uma vez! [Esbraveja].


ANA CATARINA: - Como vosmecê já deve ter recebido o veredito do juiz, aquela cadeira não lhe pertence, pois o banco agora não é apenas seu, ele também é de minha propriedade. Isso é, enquanto eu não expor todos os seus podres em praça pública. [Senta-se na cadeira onde Carlota costumava fazer o mesmo].


CARLOTA: - Pobre idiota! Sabe qual é a diferença entre nós duas, Ana Catarina? Acontece que eu sim sou inteligente e sem articular as coisas, enquanto vosmecê não passa de uma amadora. [Ironiza].


ANA CATARINA: - Ora, Carlota. Por que vosmecê não para de joguinhos de uma vez por todas e sai das nossas vidas? Seria tudo tão mais fácil.


CARLOTA: - Ué, porque eu não vou deixar o meu trabalho no banco.


ANA CATARINA: [Estranha a frieza da madrasta] - Eu posso saber o motivo de tanta segurança? Vosmecê não tem mais nada.


CARLOTA: - Isso é o que vosmecê pensa, tenho muito mais cartas na manga do que pode imaginar, como a de uma certa paternidade desconhecida, em segredo.


ANA CATARINA: [Encara Carlota e se encosta na cadeira].


ANTÔNIO: - Imagina o baque que será para o pobre Antônio… Primeiro descobre que sua mãe é outra, que foi enganado durante praticamente toda a sua vida. Depois disso, como se fosse pouco, ele descobre que Emília Coimbra na verdade é Emília Guerra, filha dele. O que acha disso, minha nota? [Pergunta satisfeita].



[A imagem congela focando em Ana Catarina a encarar Carlota, surge um efeito de uma pintura envelhecida e o capítulo se encerra].


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