Type Here to Get Search Results !

Marcadores

Maré Alta - Capítulo 24

   






MARÉ ALTA 

CAPÍTULO 24


Criada e escrita por: Luan Maciel 

Produção Executiva: Ranable Webs




CENA 01. MANSÃO DA FAMÍLIA ASSUNÇÃO. SALA DE ESTAR. INTERIOR. NOITE 

Continuação imediata do capítulo anterior. A câmera mostra GREGÓRIO continua em choque ao descobrir que LÍVIA está grávida. Logo depois a nossa protagonista consegue soltar o seu braço deixando o vilão ainda mais nervoso. GREGÓRIO fica andando de um lado para o outro bem pensativo.0


Gregório — (sem acreditar) Eu não estou acreditando que você fez isso, Lívia. Onde é que você está com a cabeça? Ficar grávida de um homem que é meu inimigo. Isso está errado. 

Lívia — É só nisso que você consegue pensar. Em si mesmo. Por sua causa e do Tom o Cassiano está morto. Isso sim está errado. 

Gregório — Não me culpe por isso também, Lívia. Você acha que pode me responsabilizar por tudo de ruim que acontece nessa cidade? 

Lívia — Vejamos…. Você matou a minha mãe, tentou matar o meu pai e ainda quer destruir com a vila de pescadores. Então eu tenho motivos suficientes para pensar assim.


GREGÓRIO fica encarando LÍVIA com bastante frieza.


Gregório — Essa gravidez não pode acontecer de jeito nenhum. Você está me ouvindo, Lívia? 

Lívia — Eu não vou tirar o meu filho só porque você quer. Você não manda em mim igual acha que manda nessa cidade. Você é bem pior do que eu imaginava. 

Gregório — Eu não aceito que o sangue da nossa família se misture com esse tipo gente. Isso não vai acontecer. Eu não vou deixar. 


LÍVIA ainda não acredita em tudo o que ela está ouvindo. GREGÓRIO continua enfrentando sua neta.


Lívia — (séria) Escura uma coisa, Gregório Assunção. Você não vai encostar um só dedo no meu filho. Eu não vou deixar. 

Gregório — Isso é tudo o que você queria não é, Lívia? Você conseguiu jogar o nome da nossa família na lama. Está satisfeita? 


LÍVIA não diz absolutamente nada. Ela vai embora da mansão totalmente indiferente. GREGÓRIO fica parado no meio da sala de estar sem demonstrar nenhuma reação.

CORTA PARA/


CENA 02. ARREDORES DE PORTO DA AREIA. CASEBRE. QUARTO. INTERIOR. NOITE

CASSIANO está sentado na cama e em pé na sua frente está SAMUEL. O semblante de CASSIANO está bastante sério, pois ele não consegue se lembrar de nada de seu passado. SAMUEL percebe a angústia de nosso protagonista e vai se sentando ao seu lado. CASSIANO o encara.


Samuel — Eu posso imaginar o que deve estar passando em sua cabeça. É difícil a gente não saber quem é, mas eu sei que você vai conseguir se lembrar. Pode acreditar.

Cassiano — (pensativo) Eu queria ter essa sua certeza, Samuel. Não pense que eu não sou grato por você ter salvo a minha vida. 

Samuel — Não se preocupe com isso agora, meu amigo. O importante é você conseguir se recuperar. O que você passou não foi simples. Agora você precisa descansar.

Cassiano — Eu sei que você está certo, Samuel. Mas eu quero saber quem eu sou. Apenas isso.


CASSIANO fica visivelmente cabisbaixo. SAMUEL toca em sua mão de uma maneira bastante paternal. 


Samuel — Sabe de uma coisa, meu amigo. Eu nunca tive filhos. E isso é algo que me corrói por dentro. Mas vendo você assim eu imagino como deve ser um pai orgulhoso. 

Cassiano — Eu posso não lembrar quem eu sou, mas eu acho que estou lembrando o meu nome. Cassiano…. Eu acho que esse é meu nome. 

Samuel — Isso sim é uma ótima notícia, Cassiano. Eu tenho certeza que você vai recuperar a sua memória. E eu vou te ajudar nisso. 


CASSIANO esboça um sorriso de gratidão. Ele e SAMUEL trocam olhares como se fossem pai e filho realmente. 


Cassiano — (sorrindo) Eu não sei como te agradecer por tudo que você está fazendo por mim, Samuel. Você é um ótimo amigo. 

Samuel — Eu digo o mesmo, Cassiano. Agora tentar descansar. Você vai ficar melhor acredite. 


SAMUEL sai do quarto deixando CASSIANO sozinho. Assim que ele fecha os olhos a imagem de LÍVIA vem em sua cabeça. CASSIANO fica bastante confuso. 

CORTA PARA/

CENA 03. CASA DE TOM. QUARTO. INTERIOR. NOITE

A câmera mostra que TOM e ANA ROSA estão deitados na cama  em um clima de intimidade intenso. Logo depois ANA ROSA se levanta da cama apenas de calcinha e sutiã e vai se servindo uma taça de chzampanhe. TOM olha para ela de uma forma bastante ardilosa. Ela retribui o olhar.


Tom — (ardiloso) Pelo o que eu posso ver você sabe apreciar algo bom, não é mesmo, Ana Rosa? Mas a gente precisa fazer alguma coisa para impedir desse filho da Lívia tirar de nós a fortuna do Gregório. 

Ana Rosa — Aquela desgraçada da Lívia fez isso de propósito. Eu não vou deixar que ela fique com nada que lembre do Cassiano. 

Tom — Essa sua inveja da Lívia dos como algo tão ridículo, Ana Rosa. Mas eu sei o quando você quer se vingar da Lívia. E isso vai servir muito bem para o que estou planejando fazer. 

Ana Rosa — Nada me faria mais feliz do que ver a Lívia destruída. É o que eu mais quero. 


O ódio de ANA ROSA por LÍVIA está estampado em seu rosto. TOM se levanta da cama e vai se aproximando dela. 


Tom — Você é ambiciosa e bastante ardilosa, Ana Rosa. Vamos deixar a poeira baixar antes que fazer o que a gente deseja. 

Ana Rosa — Eu não quero esperar a poeira baixar não, Tom. O meu sangue está fervendo de ódio. Eu quero acabar com a Lívia agora. 

Tom — Parece que você não pensa, Ana Rosa. Se a gente fizer qualquer coisa agora contra a Lívia vai ficar na cara que fomos nós.


ANA ROSA concorda com TOM. Eles ficam frente a frente. 


Ana Rosa — (ponderando) Pensando melhor eu acho que você está certo, Tom. Mas eu não abro mão de acabar com a Lívia. Ouviu?

Tom — Enquanto a gente espera a poeira baixar porque você não vem aqui e ne beija? 


TOM e ABA ROSA se aproximam um do outro. Eles se beijam com muito desejo. Eles transam ali mesmo.

CORTA PARA/


CENA 04. CASA DE FÁTIMA. SALA DE ESTAR. INTERIOR. NOITE 

LENITA está sentada no sofá tomando uma xícara de chá. Nesse momento uma batida na porta pode ser ouvida. Ela se levanta e abre a porta. LENITA fica surpresa ao ver o DELEGADO AUGUSTIN parado em sua frente. Ele vai entrando na casa. LENITA percebe o semblante sério dele. 


Lenita — (séria) O que você veio fazer aqui, Augustin? Eu já disse para você que essa história do Cassiano ser seu filho não é verdade. Você precisa esquecer isso. 

Delegado Augustin — O assunto que me traz aqui é o Cassiano, mas não é o que você está pensando. Eu quero saber onde o seu filho está, Lenita. Ele é o principal suspeito da morte da testemunha que o acusou de pertencer a rede de turismo sexual. 

Lenita — Que espécie de brincadeira é essa, Augustin? O meu filho está morto e a culpa é toda sua. Você deixou que levassem ele da Delegacia. Eu nunca vou te perdoar. 

Delegado Augustin — Eu não sabia que isso tinha acontecido, Lenita. Eu nem sei o que dizer.


O DELEGADO AUGUSTIN tenta se aproximar de LENITA, mas ela se recusa. LENITA fica muito magoada. 


Lenita — Eu não quero te ver nunca mais na minha frente, Augustin. O que senti alguma vez por você foi embora com a morte do meu filho. 

Delegado Augustin — Eu prometo que eu vou descobrir o que aconteceu com o Cassiano. Isso é o minino que eu posso fazer, Lenita. 

Lenita — Agora é tarde demais, Augustin. O meu filho já está morto. É melhor você ir embora. 


O DELEGADO AUGUSTIN segura as mãos de LENITA. 


Delegado Augustin — (firme) Eu não vou adorar enquanto não descobrir a verdade, Lenita. Eu vou descobrir quem fez isso. Eu prometo.

Lenita — Porque isso tinha que acontecer com o meu filho, Augustin. Isos não é justo. 


LENITA cai em lágrimas. O DELEGADO AUGUSTIN a abraça lhe consolando. Eles ficam se olhando em silêncio.

CORTA PARA/


CEN 05. CASA DE ZÉ BATALHA E ONDINA. SALA. INTERIOR. NOITE

A porta da sala vai se abrindo lentamente e FRANCHICO entra dentro de casa. Ele olha agora ZÉ BATALHA que está com os seus pensamentos bem longe. Em seguida ele olha para FRANCHICO que está bem na sua frente. ZÉ BATALHA se levanta do sofá e fica parado na frente de seu filho.


Zé Batalha — Eu posso saber onde você estava, meu filho? Eu sei que o seu barco chegou ao cais de manhã. Onde você esteve durante o dia? 

Franchico — (sério) Eu precisava esfriar a minha cabeça, pai. Eu e a Baby a gente não consegue se acertar. Sempre acontece alguma coisa para nos afastar.

Zé Batalha — Será que você não tem dificultado as coisas, Franchico? Eu sei como você pode ser teimoso quando algo sai do controle.

Franchico — Isso nunca daria certo, pai. Eu e a Baby somos de mundos totalmente diferentes. Ela é rica e está acostumada com outro tipo de vida. Eu não quero mais pensar nisso. 


FRANCHICO está irredutível. ZÉ BATALHA toca no ombro de seu filho e o olha de uma forma bastante séria.


Zé Batalha — Eu não imaginava que você era tão preconceituoso, meu filho. O fato da Baby ser uma jovem abastada isso não deveria ser motivo para afastar vocês dois.

Franchico — Eu não sei se eu consigo acreditar nisso, pai. O Rubinho vive cercando a Baby. Isso está me deixando ainda mais inseguro. 

Zé Batalha — Está vendo, meu filho. O problema não é a diferença de classes sociais entre você e a Baby. E sim a presença do Rubinho. Se você gosta mesmo dela você tem que lutar.


FRANCHICO fica bastante pensativo. ZÉ BATALHA olha apra seu filho com bastante calma e tranquilidade. 


Franchico — (concordando) Você está certo, pai. Eu acho que eu peguei pesado demais com a Baby. Eu não sei se ela vai querer me ouvir. 

Zé Batalha — É claro que a Baby vai te ouvir, meu filho. Dá para ver nos olhos dela o quanto ela te ama. Não deixa ela escapar assim. 


FRANCHICO sorri animado. Ele sai de casa com bastante pressa. A câmera mostra o sorriso de ZÉ BATALHA. 

CORTA PARA/


CENA 06. VILA DOS PESCADORES. CASA DE SANDOVAL. SALA. INTERIOR. NOITE

SANDOVAL está andando de um lado para o outro parecendo estar bastante preocupado. Nesse instante a porta da casa vai se abrindo e LÍVIA entra demonstrando estar bastante triste. SANDOVAL fica na frente de sua filha e mesmo sem dizer nada eles se entendem com o olhar. 


Sandoval — (preocupado) Onde você estava, Lívia? Eu estava aqui morrendo de preocupação. Você não pode ficar por aí nesse estado. 

Lívia — Eu fui procurar o meu avô. Mas tudo saiu errado. Ele é pior do que eu estava imaginando. Como eu pude me enganar assim? Ele é um verdadeiro monstro. 

Sandoval — O que foi que o Gregório fez com você, minha filha? Se ele encostar um só dedo em você eu não respondo por mim. 

Lívia — Ele não fez nada, pai. Pelo menos nada fisicamente. Eu acabei contando para ele que eu estou grávida. Ele ficou muito furioso. 


SANDOVAL vai ficando cada vez mais fora de si. LÍVIA tenta acalmar o seu pai, mas SANDOVAL está irredutível. 


Sandoval — Porque você foi fazer isso, Lívia? Você sabe o quanto o seu avô é um homem prepotente. Ele não vai aceitar isso. 

Lívia — Ouvir aquelas palavras duras do meu próprio avô não foi fácil, pai. Mas eu não vou deixar a negatividade dele me abalar. 

Sandoval — Você está coberta de razão, Lívia. Eu não vou deixar que o Gregório te faça mal.


LÍVIA esboça um sorriso sincero. Ela abraça SANDOVAL. 

Lívia — (emocionada) Eu fico tão feliz em saber que eu tenho você comigo, pai. Eu nunca me senti tão bem assim antes. 

Sandoval — Foi um erro ter ficado longe de você, minha filha. Eu não vou cometer esse erro de novo. Disso você pode ter certeza.


A emoção toma conta de LÍVIA e SANDOVAL. Eles voltam a se abraçar em um gesto de carinho entre pai e filha.

CORTA PARA/


PORTO DA AREIA, ALGUNS MESES DEPOIS.


CENA 07. ARREDORES DE PORTO DA AREIA. ALTO MAR. EXTERIOR. DIA 

Em plano geral a câmera mostra um barco muito simples em alto mar. Aos poucos a imagem vai sendo aproximada e vemos que CASSIANO e SAMUEL estão dentro do barco e os olhos do nosso protagonista vão olhando tudo ao redor. Aos poucos CASSIANO leva suas mãos a cabeça e ele começa a se lembrar do acidente de helicóptero que ele sofreu alguns meses atrás. SAMUEL se preocupa.


Samuel — (aflito) Está tufo bem com você, Cassiano? Parece que você não está bem. Você começou a passar mal de repente. 

Cassiano — Eu não sei, Samuel. Eu comecei a ter flashes de um helicóptero caindo no mar. Mas eu não sei o que isso significa. 

Samuel — Isso é um sinal de que a sua memória está voltando aos poucos. Vamos comemorar. Você está melhorando. 

Cassiano — Eu tenho as minhas dúvidas, Samuel. Já fazem meses que tudo aconteceu e eu não consigo me lembrar de nada. As vezes eu penso que eu nunca vou me lembrar. 


CASSIANO está muito abatido. SAMUEL o conforta. 


Samuel — Você precisa ter calma, Cassiano. A memória é algo bastante delicado. Você não vai recuperar a sua memória da noite para o dia. Você precisa ser paciente.

Cassiano — Eu só queria me lembrar de quem eu realmente sou. É só isso que eu quero. 

Samuel — Eu tenho certeza que você vai conseguir recuperar a sua memória, Cassiano. Você é um homem bom. Eu sei que vai conseguir. 


CASSIANO respira fundo. Ele e SAMUEL se olham. 


Cassiano — (agradecido) Eu nem sei como agradecer tudo o que você tem feito por mim, Samuel. Você tem sido um verdadeiro pai para mim. 

Samuel — Está sendo um prazer te ajudar, Cassiano. Acredite quando eu digo que a recíproca é verdadeira. Você está sendo como o filho que eu nunca tive. 


CASSIANO e SAMUEL sorriem. Eles apertam as mãos em um momento de bastante cumplicidade. 

CORTA PARA/


CENA 08. PORTO DA AREIA. CASARÃO DE ELEANOR. SALA DE ESTAR. INTERIOR. DIA

Lívia está no centro da cena e o seu barrigão de grávida está cada vez mais evidente. Ao seu lado estão ELEANOR e CLARICE que estão cada vez mais admiradas com a gravidez de nossa protagonistas. As lágrimas vão escorrendo dos olhos de LÍVIA e ELEANOR fica ao lado de sua neta. 


Eleanor — Porque você está chorando, Lívia? Eu pensei que você estava feliz com a sua gravidez. Aconteceu alguma coisa que você não está querendo nos contar? 

Lívia — (chorando) Eu queira tanto que o Cassiano estivesse aqui comigo. Esse é o momento mais importante da minha vida e o homem que eu amo não está aqui.

Clarice — Eu nem posso imaginar o que você está sentindo, minha amiga. Mas você tem que tentar seguir em frente. Ele iria querer isso.

Eleanor — A Clarice está coberta de razão, minha neta. O Cassiano era um bom homem. Agora você precisa focar no seu filho. 


LÍVIA está visivelmente abalada. ELEANOR e CLARICE se olham em silêncio sem saber exatamente o que dizer. 


Lívia — Eu entendo tudo o que vocês estão né dizendo. Mas eu sinto falta do Cassiano. Ele é o homem que eu amo e o pai do meu filho. 

Clarice — A gente te entende, Lívia. Mas você não pode se entregar assim desse jeito. 

Eleanor — A gente precisa fazer justiça para o que fizeram com o Cassiano, minha neta. Enquanto nós estamos aqui o seu avô e o Tom estão livres. Você acha isso justo? 


A câmera mostra um brilho diferente nos olhos de LÍVIA. 


Lívia — (firme) A senhora está certa, Vó. Eu não posso deixar que a morte do Cassiano fique por isso mesmo. Eu preciso honrar a memória dele. Eu vou fazer justiça.


LÍVIA está cada vez mais decidida. ELEANOR e CLARICE ficam muito animadas com o novo fôlego de LÍVIA.

CORTA PARA/


PORTO DA AREIA, ANOITECE.


CENA 09. CASA DE ZÉ BATALHA E ONDINA. QUARTO DO CASAL. INTERIOR. NOITE

ZÉ BATALHA está sentado na beira da cama totalmente perdido em seus pensamentos. A porta se abre e ONDINA entra no quarto e fica parada na frente de seu marido. ZÉ BATALHA olha para sua esposa de um jeito bastante sério. ONDINA vai se aproximando ainda mais de ZÉ BATALHA. 


Ondina — A gente precisa ter uma conversa muito séria, Zé. Eu sei que você está chateado comigo, mas isso é algo que não pode esperar. E você vai ter que me ouvir. 

Zé Batalha — (sério) Se for sobre a nossa filha eu já disse tudo o que eu queria. É melhor a gente não tocar mais nesse assunto, Ondina. 

Ondina — Eu sei muito bem como você pensa, Zé. Mas o assunto é outro. A Açucena esteve aqui e ela disse que o Enrico está ajudando o Gregório e o Tom a destruir com a vila. 


ZÉ BATALHA fica em estado de choque. O seu olhar vai mudando radicalmente. ONDINA fica em silêncio. 


Zé Batalha — Isso não pode ser verdade, Ondina. O Enrico é um pescador como qualquer outro. Isso iris prejudicar ele da mesma forma.

Ondina — Infelizmente eu acredito que isso seja verdade, Zé. Se alguém não fizer nada a gente vai perder tudo que nós temos. 

Zé Batalha — Eu não vou ficar de braços cruzados, Ondina. O Enrico vai ter que me dizer a verdade olhando nos meus olhos. 


ZÉ BATALHA se levanta da cama bastante nervoso. ONDINA tenta acalmar o seu marido. Ele está irredutível. 


Ondina — (apreensiva) Você precisa se acalmar, Zé. Se tudo isso for verdade você pode estar correndo perigo. Pensa melhor, por favor. 

Zé Batalha — Eu sinto muito, Ondina. Mas eu não vou ficar parado. Não dessa vez. O Enrico vai saber que ele não pode fazer o que quer. 


ZÉ BATALHA sai do quarto totalmente decidido. ONDINA pensa em ir atrás dele. O seu olhar é de aflição.

CORTA PARA/


CENA 10. SOBRADO DO PREFEITO ANÍBAL. SALA DE ESTAR. INTERIOR. NOITE 

O PREFEITO ANÍBAL e ROSELI estão sozinhos na sala de estar e eles estão curtindo um momento a dois. Nesse momento GREGÓRIO entra no sobrado portando toda a sua arrogância de costume. O PREFEITO ANÍBAL se levanta do sofá e fica frente a frente com o vilão que o enfrenta. 


Prefeito Aníbal — Eu posso saber o que significa isso, Gregório? Quem te deu permissão para invadir a minha casa desse jeito? Fale logo. 

Gregório — (ardiloso) Eu faço o que eu quero nessa cidade, Aníbal. E você sabe muito bem disso. Faz meses que eu estou esperando a ordem judicial para colocar aquela vila de pescadores no chão. O que você me diz? 

Roseli — Você não pode fazer isso, Aníbal. Diversas famílias vão perder duas casas e não terão para onde ir. Pense bem nisso. 

Gregório — Não se intrometa nisso, mulher. Isso não é assunto para você. E sim para o Aníbal. 


O PREFEITO ANÍBAL vai se enfurecendo. ROSELI toma coragem e enfrenta GREGÓRIO que a olha com desprezo. 


Prefeito Aníbal — Nunca mais ouse falar assim com a Roseli, Gregório. Eu nunca vou ajudar você a destruir com a vila de pescadores. 

Gregório — Você não tem escolha, Aníbal. Eu mando e  desmando nessa cidade. Você não vai conseguir impedir o progresso chegar. 

Roseli — Saia daqui imediatamente. Você não é bem-vindo nessa casa, Gregório. Você ouviu tudo o que o Aníbal te disse. Vá embora.


GREGÓRIO olha o PREFEITO ANÍBAL com ódio. ROSELI fica encarando ele sem nenhum tipo de medo. 


Gregório — (frio) Quem você acha que é para me desafiar, Aníbal? Se eu quiser eu tiro prefeitura em um estalar de dedos. Ouviu? 

Prefeito Aníbal — Fora da minha casa , Gregório. Eu não tenho medo das suas ameaças. 


GREGÓRIO vai embora, mas antes lança um olhar de ódio para O PREFEITO ANÍBAL que o encara. 

CORTA PARA/


CENA 11. PORTO DA AREIA. PRAÇA. EXTERIOR. NOITE

Em plano geral a câmera que a praça da cidade está totalmente vazia. A lua vai brilhando a noite estrelada. BABY está sozinha na praça. Ela não percebe quando FRANCHICO vai se aproximando dela lentamente. Ao se virar a patricinha da de cara com FRANCHICO e eles ficam se olhando. 


Baby — (magoada) O que você veio fazer aqui, Franchico? Veio me humilhar ainda mais? 

Franchico — Eu sei que eu errei com você, Baby. Eu não deveria ter dito todas as coisas que eu disse. Se eu pudesse, eu voltava atrás.

Baby — Agora é tarde demais, Franchico. Eu estou muito magoada com você. Eu estava disposto a largar tudo para ficar com você.

Franchico — Eu estava inseguro, Baby. Eu fiquei com medo de te morder. Você não consegue ver isso? Eu gosto de você demais, Baby. 



BABYEse levanta do banco da praça. Ela tenta ir embora da praça, nas antes FRANCHICO a segura pelo braço.


Baby — Me solta, Franchico. Eu não consigo mais acreditar em você. Você permitiu que o Rubinho estrague algo de especial que nós tínhamos. Isso não vai voltar.

Franchico — Porque você tem que ser tão teimosa, Baby? Eu estou aqui abrindo o meu coração e você parece que não se importa.

Baby — Não fui eu que jogou tudo para o alto por um besteira qualquer Franchico. Não se esqueça de tudo o que você me disse. 


Sem dizer absolutamente nada FRANCHICO dá um beijo apaixonante em BABY. Ela o empurra com raiva.


Franchico — (sério) Porque a gente não consegue se entender, Baby? Eu estou aqui tentando me desculpar, mas você não dá um refresco. 

Baby — Porque eu não fui suficiente para você, Franchico? Eu te amo tanto, mas parece que você não consegue se esquecer que somos de classes sociais diferentes. Eu acho que é melhor você não me procurar mais. 


BABY vai embora da praça deixando FRANCHICO totalmente inconsolável. Ele fica com um semblante triste.

CORTA PARA/


CENA 12. PENSÃO DE JOSEFA. QUARTO. INTERIOR. NOITE

A câmera mostra que o pequeno JUCA está dormindo tranquilamente em sua cama. Logo depois a janela do quarto vai sendo aberta pelo lado de fora, e depois de alguns segundos MISAEL entra no quarto e se aproximando sorrateiramente de JUCA que não percebe nada.

Misael — (sussurrando) Eu fiquei muitos meses fora da cidade. Mas agora eu vou começar a minha vingança. Você vai vir comigo, Juca. A sua mãe não vai ter outra opção a não ser ir embora comigo. 


MISAEL coloca as suas mãos na boca de JUCA que arregala os seus olhos com bastante medo. MISAEL o encara. 


Misael — É melhor você nem pensar em gritar, Juca. Não me obrigue a fazer algo que eu não quero. Você vai vir comigo. Entendido? 


JUCA balança a cabeça concordando. MISAEL tira as mãos da boca de JUCA. Ele vai deixando seu filho com medo. 


Juca — (apavorado) O que você quer comigo? Eu lembro de você. Se você não sair daqui eu juro que eu vou gritar. Vá embora daqui. 

Misael — Você não vai fazer absolutamente nada. E sabe porquê? Eu sou o seu pai. E você vai vir comigo querendo ou não. 


Em um ato monstruoso MISAEL tira um pano de seu bolso e coloca na boca de JUCA que desmaia logo em seguida. Sem perder muito tempo MISAEL leva JUCA embora sem alarde. 

CORTA PARA/

CENA 13. CASA DE TOM. SALA DE ESTAR. INTERIOR. NOITE

ABA ROSA está andando de um lado para o outro parecendo estar cada vez mais nervosa e incontrolável. TOM entra em sua casa e percebe o estado que ANA ROSA se encontra. O vilão não demonstra nenhum sentimento por ANA ROSA que vai ficando cada vez mais descontrolada. 


Tom — (ardiloso) Eu posso saber porque você está me olhando desse jeito, Ana Rosa? Já fazem muitos meses que eu estou vendo que você está ficando bem desequilibrada. 

Ana Rosa — Você está me chamando de louca, Tom? Eu não esori louca. Está me ouvindo? 

Tom — Isso é você que está dizendo, Ana Rosa. Mas eu sei exatamente o que você está querendo. Mas Isso não vai acontecer. 

Ana Rosa — O que é que você está dizendo, Tom? Você me fez esperar meses para eu me vingar da Lívia e agora está dizendo que eu não ver aquela maldita destruída? 


TOM sorri maliciosamente. ANA RODA fica muito irritada.


Tom — Você é mais patética do que eu imaginava, Ana Rosa. Você nunca vai chegar aos pés da Lívia. Ela sim é mulher para mim. Você não fazer nada com ela. 

Ana Rosa — Você acha que pode me enganar desse jeito, Tom? Você não vai me fazer de idiota. 

Tom —  Você não passa de uma pobre coitada, Ana Rosa. Você sempre quis ter a vida que a Lívia tem e até o homem que você amava eu matei. Você não pode fazer nada. 


ANA ROSA fica descontrolada. Ela dá um tapa em TOM. 


Ana Rosa — (furiosa) Você não sabe do que uma mulher rejeitada é capaz de fazer, Tom. Você vai pagar caro por essa humilhação. 

Tom — Você não se cansa dessas ameaças vazias, Ana Rosa? Eu só sei que eu vou dormir. Amanhã eu quero você longe da minha casa. Eu espero ter sido claro.


TOM sai da sala de estar com um sorriso diabólico em seu rosto. A câmera mostra que ANA ROSA fica fora de si. 

CORTA PARA/


CENA 14. PORTO DA AREIA. RUA. EXTERIOR. DIA 

LÍVIA vai andando pela rua de PORTO DA AREIA e a todo momento ela vai se lembrando dos momentos que passou ao lado de CASSIANO. Nesse momento ela atravessa a rua sem olhar e um carro para bem na frente dela. Em seguida GREGÓRIO desce do carro e ele fica frente a frente com LÍVIA que o olha de uma maneira bem séria. 


Gregório — (autoritário) Você não olha mais para anda, Lívia? Eu poderia ter te machucado. Olha o estado que você está. Eu não pensei que você poderia chegar mais baixo ainda. 

Lívia — Qual é o seu problema, Vô? Você é o homem mais desprezível que eu já conheci. Você matou a minha mãe, tentou matar o meu pai e está envolvido na morte do Cassiano. Eu vou te colocar na cadeia. 

Gregório — Você ainda não desistiu dessa ideia, Lívia? Quantas vezes eu tenho que falar que eu nunca vou ser preso. Você entendeu? 

Lívia — Eu não vou descansar enquanto você não pagar por todos os seus crimes, Gregório Assunção. A justiça vai ser feita. 


GREGÓRIO segura LÍVIA pelo braço com força. A nossa protagonista olha para o seu avô com muita mágoa. 


Gregório — Você me acha desprezível, Lívia? Tudo o que eu fiz ou que eu ainda irei fazer é para o seu bem. Você ainda verá que tenho razão. 

Lívia — Eu realmente sinto muito que você pense assim. Mas eu não vou deixar a morte do Cassiano ser esquecida. O seu lugar e do Tom é na cadeia. Isso que eu vou fazer. 

Gregório — Boa sorte tentando fazer isso, sua mal agradecida. Eu ainda mando nessa cidade. 


GREGÓRIO solta o braço de LÍVIA. Ela o confronta. 


Lívia — (séria) Você foi a pior decepção da minha vida, Vô. Você tirou tudo de mais precioso que eu tinha. Eu nunca vou esquecer isso. 

Gregório — Eu faço questão de fazer da sua vida um verdadeiro inferno. Esse filho que você está esperando nunca vai ter nenhum afeto da minha parte. Você morreu para mim. 


GREGÓRIO entra em seu carro e vai embora. LÍVIA fica parado no meio da rua totalmente abalada com tudo o que ela acabou de ouvir de GREGÓRIO . 

CORTA PARA/


CENA 15. ARREDORES DE PORTO DA AREIA. FEIRA LIVRE. EXTERIOR. NOITE

FÁTIMA está andando tranquilamente por um feira ao ar livre e ela está no meio de outras pessoas. A câmera gira e mostra que CASSIANO está na posição contrária. Ele está acompanhando de SAMUEL e eles estão fazendo um passeio para que CASSIANO possa se distrair. 


Cassiano — (intrigado) O que nós estamos fazendo aqui, Samuel? Que lugar que é esse? 

Samuel — Esse é um lugar que eu sempre venho, Cassiano. Eu achei que você iria godtarbdbe vir em um lugar que não fosse minha casa. 

Cassiano — Você estava certo, Samuel. Eu estava precisando respirar um pouco. Eu ainda não sei o que foi que me fez ficar desse jeito. 

Samuel — Tenha calma, Cassiano. Tudo vai ficar bem. Agora vamos conhecer a feira? 


CASSIANO balança a cabeça concordando. Logo depois a câmera dá um corte mostrando FÁTIMA se aproximando de CASSIANO aos poucos. Assim que vê o nosso protagonista ela não acredita no que os seus olhos estão vendo. 


Fátima — Eu não acredito no que os meus olhos estão vendo. Isso não pode ser verdade. O Cassiano está morto. Eu devo estar louca. 


CASSIANO e SAMUEL vão se aproximando ainda mais de onde FÁTIMA está. Ela vai chegando mais perto de nosso protagonista. Ela toca em seu ombro e CASSIANO se vira.


Fátima — (surpresa/ em choque) Cassiano? É você mesmo? Você não pode imaginar quanto tempo eu sonhei com esse momento. 


As lágrimas escorrem pelos olhos de FÁTIMA. CASSIANO fica bastante confuso, pois ele não consegue reconhecer FÁTIMA. O nosso protagonista faz carinho no rosto dela. 


A imagem congela no olhar confuso de CASSIANO. Aos poucos uma onda invade a tela dando efeito e encerrando o capítulo. 




Tags

Postar um comentário

0 Comentários
* Please Don't Spam Here. All the Comments are Reviewed by Admin.