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ENTRE MÁSCARAS - Capítulo 5

 

ENTRE MÁSCARAS 

Capítulo 05


CENA 1/ MOTEL/ QUARTO DE ALINE/ NOITE/ INT. 

Trilha sonora: Ódio - Alberto Rosenblit


Continuação imediata da última cena do capítulo anterior. Aline paralisa diante de Eric. Ele a empurra para dentro do quarto. Aline cai no chão e acaba soltando o lençol que cobria seu corpo. Eric pisa no lençol para impedir que Aline a pegue. Ele aponta o revólver para Aline, assustada, nua, caída no chão. No instante em que ele se prepara para apertar o gatilho, Ivan pula da cama e avança na frente de Aline para protegê-la, Mauro entra a tempo de avançar em cima de Eric e impedir que ele atire em Aline. A arma dispara e acerta o abajur que está numa banquinha do lado da cama. Mauro toma o revólver do amigo. 

MAURO — Você não pode isso, meu amigo! Queres ver o sol nascer quadrado? 

Aline, ainda no chão, nua, tenta se cobrir com o lençol, antes debaixo dos pés de Eric. Ela chora compulsivamente. Ivan joga um maço de dinheiro no chão e vai embora, enquanto os olhos de Eric e seu revólver o acompanham até a porta. 

ERIC (P/Ivan) — Vá e não ouse tocar em sua mais nunca em qualquer parte do corpo da minha mulher. Ela é minha. 

Eric pega o maço de dinheiro. O seu olhar cintilante penetra o olhar amedrontado de Aline. 

ERIC (P/Aline/ Exaltado) — Se vista, pois você está ridícula assim. (Respira fundo). Você está parecendo uma vagabunda. Vendendo seu corpo como se fosse uma mercadoria. 

ALINE (Gritando) — Eu faço com meu corpo o que eu bem quiser e você não tem nada a ver com isso. (Pega a roupa e se veste). Eu vou me vestir, mas não porque você está mandando e sim porque eu não quero mostrar meu corpo para um vigarista como você… Aliás, a partir de hoje eu não fico mais no seu apartamento. E não ouse vim atrás de mim porque eu não me responsabilizo pelo vier a fazer com você

ERIC — Não conhecia esse lado valente! Acha mesmo que pode comigo? Você prometeu que não ia vender seu corpo. 

ALINE — Foi um erro meu! Ninguém manda em mim e eu não ia ficar naquele apartamento sem fazer nada. 

MAURO (Exaltado) — Parem vocês dois! 

ERIC — Você vai voltar comigo, Aline! (A pega pelo braço). A pior dor que um homem pode sentir é a da traição. 

ALINE — Você não é nada meu. Nunca foi. Apenas uma aventura de um dia no passado. 

Os três saem do motel. 

A música se encerra por aqui.

Corta para:

CENA 2/ APARTAMENTO DE RODRIGO/ SALA DE ESTAR.QUARTO DE RODRIGO/ NOITE/ INT. 

Rodrigo olha as estrelas no céu pela janela. Neste instante, Sabrina se aproxima dele e o abraça. 

RODRIGO — Está vendo as estrelas, meu amor? O céu hoje está tão lindo. 

SABRINA — É uma bela noite para nós nos amarmos. Ultimamente estamos tão afastados. O nosso relacionamento parece que esfriou. 

RODRIGO — Impressão sua, meu amor! (beija Sabrina). O nosso casamento é daqui há alguns meses. O nosso amor está se fortalecendo a cada dia. 

SABRINA — É.. Deve ter sido impressão minha!

Os olhos de Sabrina viram-se na direção da mesa e percebe que lá se encontra um envelope. Ela se solta dos braços do noivo e vai à mesa pegar o envelope. 

SABRINA — Não tinha visto esse envelope. Você trouxe hoje? O que é? (Vê no envelope uma dedicatória de Diego). Presente de Diego? Que Diego? Aquele Diego?

Sabrina volta para os braços de Rodrigo com o envelope em mãos. 

RODRIGO — Aquele Diego mesmo. Acredita que agora somos amigos? A primeira impressão é a que fica, mas às vezes ela engana. O meu orgulho não me fez perceber o quão legal é o Diego. Qualquer dia eu o chamo para jantar ou almoçar aqui. 

SABRINA (Abre o envelope) — Realmente você tinha razão. O Diego tem talento para fotografar. (Vê a foto que Diego fez de Rodrigo). Essa sua foto ficou belíssima! Você ficou até mais bonito do que já é. 

RODRIGO — E ele não faz uso de photoshop! Confesso que eu achava o Vini talentoso e realmente é. Não estou desmerecendo o trabalho dele, mas Diego é realmente excepcional. Parece que ele faz milagres. A iluminação, a posição da câmera. Ele consegue valorizar cada silhueta do meu corpo e a dos outros modelos. 

SABRINA — Eu estou impressionada com o trabalho dele, mas você… os seus olhos brilham ao falar de Diego. 

RODRIGO — Você está com ciúmes de um amigo meu?

SABRINA — Ciúmes de você? Eu só estou estranhando a amizade repentina de vocês. Até alguns dias atrás vocês se odiavam. 

Sabrina se desapega dos braços de Rodrigo e vai na direção do quarto. Neste instante, Rodrigo fica pensativo. Insert Flash da cena 31 do capítulo 4: 

O garçom serve os convidados. Enquanto Leonardo conversa com os outros modelos, Rodrigo e Diego saem e vão ao estacionamento, onde a cena continua. Eles se encostam 

RODRIGO — É um sonho ir para Barcelona. 

DIEGO — Eu já viajei para alguns países, mas para Espanha será a primeira vez. 

RODRIGO — Durante todo esse tempo que eu sou modelo já viajei para vários países também. Me admira muito não termos nos conhecido antes. 

DIEGO — Eu também não sei como não nos conhecemos antes. 

RODRIGO — Infelizmente, no mundo eu sou praticamente sozinho. Só eu e minha noiva. Os meus pais não me apoiam. Principalmente meu pai. Os meus irmãos me apoiam, mas cada um tem sua vida. 

DIEGO — Desde cedo eu saí de casa. Meus pais nunca apoiaram minhas escolhas, nem minha sexualidade. 

RODRIGO — Você é gay?

DIEGO — Eu tenho um namorado. (Abre um sorriso). Ele é o que me motiva a viver. (Mudando de assunto). Você disse que está noivando. Quando vai ser o casamento?

RODRIGO — Brevemente!

DIEGO — Você realmente a ama? Não senti tanto entusiasmo quando você falou dela. 

RODRIGO (Nervoso) — Claro que eu a amo. 

Neste instante, Diego abre a porta do carro, pega um envelope e entrega para Rodrigo. 

Fim do insert. 

Ele reflete por alguns segundos, mas antes de abrir para a boca para concluir o que tinha refletido, desisti de falar. Vai ao QUARTO, onde a cena continua. Sabrina está de bruços deitada na cama. Rodrigo a surpreende com um beijo no pescoço. Sabrina abre um sorriso. 

RODRIGO — Eu só tenho olhos para você! 

SABRINA — Desculpa eu ter saído daquela forma da sala. (Beija Rodrigo na boca). Fui infantil!

Eles se beijam mais uma vez. 

Corta para:

CENA 3/ APARTAMENTO DE ERIC/ SALA DE ESTAR/ NOITE/ INT. 

Eric abre a porta. Ele traz consigo Aline, a segurando pelo braço, e a joga no sofá. 

ERIC (Gritando) — Você disse que não ia mais vender seu corpo, não foi, vadia?  

ALINE (Gritando) — E quem te disse que eu tenho que obedecer às suas ordens? Eu não sou nada sua. Nunca fui e nem quero ser. (Fica frente a frente com Eric). Maldita hora que você reapareceu na minha vida. Achei que eu teria um pouco de paz, mas pelo visto não. 

ERIC — Eu te amo! 

ALINE — Eu te odeio! Eu errei uma vez quando me envolvi com você a primeira e errei novamente quando me deixei envolver com você pela segunda vez. (Exaltada). Canalha! É isso que você é. 

ERIC — Se eu fosse você, não me chamava disso. Posso ser legal quando quero, mas também posso ser muito perigoso. (Retira o revólver da cintura e aponta na testa de Aline). Sabia que eu teria maior prazer em apagar uma menina malcriada como você. (Faz o barulho do revólver com a boca). Só não faço isso porque ainda preciso muito de você. (Retira o revólver da testa de Aline e finge emoção). Mas infelizmente eu te amo também. Palavras sinceras de um pobre amante 

ALINE — A cada dia eu me convenço de que eu não te conheço. 

ERIC — Eu tenho tudo para te conquistar. Na verdade, já te conquistei e você nem percebeu. 

Eric vai à sua maleta de trabalho, que está em cima de uma banquinha na sala, e a pega. Volta-se para Aline e abre a maleta na sua frente. Retira de dentro dela um pequeno envelope e abre. Retira de dentro dele algumas fotos e um pen-drive. 

ERIC — Está vendo isso? 

Aline pega as fotos e franze a testa ao ver o que contém nelas. Não hesita em rasgá-las. 

ALINE — Nunca pensei que você fosse descer tão baixo!

ERIC — Perdeu seu tempo rasgando essas fotos! Tenho cópias e cópias dessas fotos. (Sarcástico). Ah… Se você quiser tocar fogo no pen-drive pode tocar também. Eu tenho as cópias também (Gargalha). É, minha querida, você não tem saída. 

ALINE — Quanto você quer para sumir de minha vida? Eu faço qualquer coisa para você sumir da minha vida. 

ERIC — Faz? (Sarcástico). Sabia que você me deu uma excelente ideia? Mas eu vou te poupar do que eu iria fazer. 

ALINE — Eu vou na polícia te denunciar!

ERIC — Você acha mesmo que pode comigo? (Exaltado). Vai na policia vai! Se você fizer isso amanhã o Brasil vai ficar sabendo que a filha de Glauco, um dos maiores empresários do país, se prostitui. Tenho vários contatos e tem vários jornalistas interessados nessa notícia. 

ALINE — Você não teria coragem de fazer isso!

ERIC — Você não sabe do que eu sou capaz. Então é melhor ficar de bico calado!

Aline arregala os olhos diante da ameaça de Eric, que pega o maço de dinheiro dado por Ivan e mostra para Aline. 

ERIC — Está vendo esse dinheiro? Vai ficar comigo!  Vai ficar bem guardadinho. 

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CENA 4/ RIO DE JANEIRO/ RUAS DA CIDADE/ MADRUGADA/ EXT. 

Trilha sonora: Free My Mind - Alok

Mostrar as ruas movimentadas de carro e vazias de pessoas a pé. Os bares lotados de pessoas curtindo a noite. Pessoas indo para a boate. Vista aérea dos prédios iluminados e do Cristo Redentor. 

Corta para

CENA 5/ CASA DA FAMÍLIA ALENCAR/ QUARTO DE MAURO/ MADRUGADA/ INT. 

Mauro deitado na cama, pensa no que Eric lhe disse horas antes. Insert Flash da cena 33 do capítulo 4:

Eric e Mauro bebem Whisky enquanto conversam. 

MAURO — E como vai com a tal mulher que você está namorando?

ERIC — A cada dia ela está mais envolvida. Ela está carente porque descobriu que a mãe quase a abortou. A relação com o pai era ruim e agora com a mãe. 

MAURO — Eu estou até ansioso para conhecer essa sua namorada!

ERIC — Eu vou apresentá-la a você. Inclusive, acho que você já deve ter visto. Ela é bem discreta, mas já deve ter saído em alguma coluna social. Aline Morais, filha de Glauco e Yolanda Morais. 

MAURO — Peraí? Você não está me dizendo que está namorando a herdeira da Farmacêutica Morais?

Mauro fica pensativo. 

Fim do insert. 

Para por uns segundos e continua na cama. Agora sem pensar em nada. Alguns segundos depois, ele se levanta e vai até a sua escrivaninha, onde se encontra uma garrafa de Whisky. Ele abre a garrafa e enche um copo americano, que também está na escrivaninha. 

MAURO — Há tanto tempo eu sonhei em me aproximar daquela família. (Bebe um pouco do Whisky). Agora eu não posso desperdiçar essa oportunidade. (Bebe mais um pouco de Whisky). Isso não poderia ter vindo em melhor momento. 

Anda por alguns minutos pelo quarto, enquanto continua a beber o Whisky. 

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CENA 6/ RIO DE JANEIRO/ RUAS DA CIDADE/ TARDE/ EXT. 

Trilha sonora: Samba do Avião - Tom Jobim 



Letreiro mostra: 3 semanas depois 

Mostrar o Cristo Redentor iluminado pelo sol. As praias lotadas de pessoas. Ambulantes passando pelas ruas vendendo picolés e algodão doce. Ruas engarrafadas de carro. Vista aérea dos prédios da cidade.

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CENA 7/ MANSÃO CAVALCANTI/ SALA DE ESTAR/ TARDE/ INT. 

Guiomar e Sabrina se sentam no sofá, no instante em que a empregada traz consigo uma bandeja de café. Em seguida, a empregada volta para cozinha. 

GUIOMAR — Fazia meses que não sentávamos no sofá para ter uma conversa de mãe e filha. 

Sabrina se levanta e conversa com a mãe, enquanto anda pela sala. 

SABRINA — Estava precisando conversar com a senhora. Às vezes acho que você é a pessoa com que eu mais me sinto à vontade para conversar. 

GUIOMAR — Para você vim aqui em casa assim tão de repente acredito que tenha algo muito urgente para falar comigo. 

SABRINA — A minha vida está insuportável! Rodrigo está cada dia mais distante de mim. (Se emociona). A vida dele só se resume a trabalho, trabalho e trabalho! Desfiles, ensaios e mais ensaios. Nem me casei ainda e já prevejo muita dor de cabeça. (Põe a xícara na mesa de centro). O pior que eu amo aquele homem. Agora mesmo era para ele estar em casa, mas eu tenho certeza que não está. 

GUIOMAR — É… nunca falei para você que vida de adulto era fácil e muito menos de mulher quase casada! (Bebe um pouco de café). É só o início, minha filha! Vai se acostumando. Você não tem noção do que eu aguentei para manter o meu casamento com seu pai. 

SABRINA — Nossa! Ainda bem que não somos da mesma geração. Não sei se eu me sujeitaria a tanta humilhação para manter um casamento. Parece até que estamos falando do século XIX, mas estamos no século XXI, mamãe! 

GUIOMAR — Mas os valores da família continuam e tem que ser preservado. Você tem que se submeter a tudo isso ou vai perder o seu futuro marido. Se você o ama, tem que aceitar o fato de que ele tem uma carreira de muito sucesso. Os assédios são normais nesse meio. 

SABRINA — Tenho medo de tanta coisa! (Volta a se sentar). De ser infeliz, de perder o Rodrigo, de não ter filhos! 

GUIOMAR — É o que eu estou te falando, minha filha! Você só vai ser infeliz se você quiser, vai perder seu futuro marido se você quiser. Basta fingir que ele continua no trabalho. Não importa se ele está na praia, na boate… para todos os efeitos, ele está fazendo sessão de fotos! Insegurança só vai te fazer mal e vai levar o seu relacionamento para o buraco.

Sabrina fica pensativa. 

Corta para:

CENA 8/ APARTAMENTO DE MARISA/ SALA DE ESTAR/ TARDE/ INT. 

Marisa anda pela sala com o celular em mãos. Neste instante, alguém bate na porta. Marisa vai à porta, apreensiva, e a abre, se deparando com Ivone, que entra enquanto fala. 

IVONE — Pela sua expressão, dá para ver bem que você esperava o ricaço. Você não esquece ele mesmo. Parece que você nasceu para sofrer. A gente podia estar fazendo tanta coisa legal, mas você prefere ficar aqui sofrendo por um amor que só faz você sofrer. 

Ivone se senta no sofá, enquanto Marisa vai ao armário e pega um copo e uma garrafa de Whisky. Em seguida, enche o copo com a bebida. Senta-se no sofá ao lado da amiga. 

MARISA — Sermão agora não! 

IVONE — Eu só quero o melhor para você, minha amiga! Eu não posso tomar decisões em seu lugar. O máximo que eu posso é te aconselhar e é isso que eu estou fazendo. 

MARISA — Por mais que eu tente, não consigo esquecer aquele homem. Eu o amo muito. Não consigo me imaginar sem ele. 

IVONE — No fundo, você sabe que ele nunca vai ser seu. Não precisa nem ser muito inteligente para saber disso. 

MARISA — Ele vai sim! Nem que eu faça loucuras, mas eu vou ter aquele homem. 

IVONE — Você tem um cigarro aí? (Pega o cigarro com a amiga). Eu não falo mais nada. 

MARISA — De mim eu sei me cuidar! A qualquer momento 

Ivone respira fundo em sinal de desistência em convencer a amiga de continuar se encontrando com Glauco. 

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CENA 9/ RIO DE JANEIRO/ RUAS DA CIDADE/ NOITE/ EXT. 

Trilha sonora: Sleep - Allen Stone 



Vista aérea dos prédios. Motociclistas passando pelas ruas da cidade. Pessoas andando pela cidade. Cristo Redentor redentor iluminado e Pão-de-açúcar. Vista frontal do hospital Santa Mônica e da Mansão da Família Morais. 

Corta para:

CENA 10/ MANSÃO MORAIS/ QUARTO DE MARCOS/ NOITE/ INT. 

Trilha: A mesma música da cena anterior

Marcos, de pé, bebe um pouco de água, que estava em um copo em uma banquinha ao lado da cama. Ele anda pelo quarto, sem muita dificuldade. Glauco, se aproveitando da porta do quarto estar entreaberta, entra no cômodo para conversar com o filho. 

GLAUCO — Fico feliz que já esteja tudo bem com você, Marcos! A minha vida virou de ponta a cabeça desde o dia do seu acidente. 

MARCOS — Consciência pesada é triste, não é, papai? Eu não esqueci do tapa que o senhor me deu instantes antes de eu entrar naquele carro e acelerar quase até a morte. 

A música se encerra por aqui. 

GLAUCO — Reconheço que me excedi um pouco!

MARCOS — Reconhece porque sabe que nada do que eu disse naquela noite é mentira. 

GLAUCO (Mente) — Eu já não tenho mais nada com a Marisa e vim aqui no quarto em missão de paz. O seu acidente me fez pensar que eu estava deixando minha família de lado e isso não é bom. 

MARCOS — Pena que demorou mais trinta anos para o senhor perceber isso, se é que é verdade isso que o senhor está falando. 

GLAUCO — Você não confia mesmo em mim, não é, meu filho? 

MARCOS — Eu tento, mas é difícil confiar em uma pessoa que só olha para o próprio umbigo! A sua família sempre foi deixada para segundo plano e o senhor não tem o perfil de mudar de pensamento de uma hora para outra. Sempre foi cabeça dura. Mas eu também quero paz…Paz para viver a minha vida, paz para me casar com Beatriz, paz para continuar a minha carreira no ciclismo e no skate. 

GLAUCO — Talvez eu tenha depositado muita expectativa em você de ser o meu sucessor na empresa. Mas eu te amo, meu filho… Do meu jeito, mas te amo! 

Eles se abraçam. 

Corta para:

CENA 11/ BOATE NIGHT FEVER/ NOITE/ INT. 

Trilha sonora: Free My Mind - Alok 



Rodrigo e Diego dançam e se divertem. Eles foram até o barman e pediram duas cervejas. Eles bebem a noite toda. 

RODRIGO — Fazia tempo que eu não me divertia tanto. Eu tenho o costume de vim aqui com a minha namorada. 

DIEGO — Somos dois então. Faz um tempinho já, mas eu venho com meu namorado também. Qualquer dia eu te levo no atelier dele. 

RODRIGO — Ele trabalha com quê? 

DIEGO — Com moda! Ele é estilista. O meu celular descarregou, senão eu mostrava uma foto dele.

RODRIGO — Que incrível! Vocês devem formar um bonito casal. 

Eles continuam a beber e dançar. 

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CENA 12/ APARTAMENTO DE RODRIGO/ QUARTO DE RODRIGO.SALA DE ESTAR/ NOITE/ INT 

Trilha sonora: Aliança - Tribalistas 


Sabrina rola de um lado para o outro na cama, tentando esconder com os braços os olhos inchados de tanto chorar. Ela escuta o barulho de um carro estacionando próximo do prédio e vai à varanda ver. Percebe que é Rodrigo, que conversa com Diego. Ela o vê saindo do carro e entrando no prédio. Neste instante, Sabrina vai à SALA DE ESTAR, onde a cena continua, ela fica de pé e de frente à porta, esperando o noivo. Menos de um minuto depois, Sabrina observa o trinco da porta se mexer e a porta se abre. Rodrigo se depara com Sabrina, e arregala os olhos, surpreso. Para disfarçar o espanto, ele cessa o silêncio instalado no local. 

RODRIGO — Ainda acordada, meu amor? A essa hora você já está dormindo. 

SABRINA — E a essa hora você geralmente já está em casa. 

RODRIGO — Desculpe! Eu esqueci de avisar. (Mente). Fiz um ensaio até tarde e não tive como voltar mais cedo. 

SABRINA — Por acaso, foi um ensaio de uma empresa de bebida? (Ri). Porque é disso que você cheira: a bebida. Você não sabe mentir de jeito nenhum. Espero que não esteja saindo com nenhuma vagabunda. Pelo visto, esse Diego está te levando para o mau caminho, não é? De uma hora para outra você fez uma amizade com ele, que parece uma amizade de décadas. 

RODRIGO — Reconheço que eu menti! É porque eu realmente bebi além do que eu normalmente bebo, mas isso não vai mais se repetir. 

SABRINA — Às vezes eu acho que você não me ama de verdade. Sempre arranja um motivo para não me ter por perto. 

RODRIGO — Você está sendo injusta comigo. Não é porque eu saí com um amigo, que eu vou deixar de gostar ou gostar menos de você. 

Rodrigo se aproxima de Sabrina, que não resiste ao beijo na boca dado pelo noivo. 

A música se encerra por aqui.

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CENA 13/ APARTAMENTO DE THALES E DIEGO/ SALA DE ESTAR/ NOITE/ INT. 

Diego entra no apartamento e se depara com Thales dedicado a desenhar as peças de roupa. O silêncio se instala no local. Diego vai na direção do quarto e constata que o namorado nem percebeu a sua presença. 

DIEGO — Ainda trabalhando, meu amor? 

THALES — Estou ocupando meu tempo. Você parece que está gostando mesmo desse novo emprego, não é? Nunca vi você chegando tão tarde do trabalho e nunca vi você tão dedicado como agora. Não que você nunca tenha sido, mas agora você mergulhou de vez. 

DIEGO — A equipe é boa sim, mas eu fui me divertir com um amigo. 

THALES — Desde que nos conhecemos, você nunca saiu para se divertir sem mim. 

DIEGO — Os tempos mudam. Também tenho que dedicar tempo aos meus amigos. 

Thales silencia diante da fala do namorado e retorna a desenhar. Diego vai para o quarto. 

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CENA 14/ RIO DE JANEIRO/ RUAS DA CIDADE/ TARDE/ EXT. 

Trilha sonora: De bem com a vida - Alberto Rosenblit 



Letreiro Mostra: Quatro dias depois 

Mostrar o Cristo Redentor iluminado pelo sol da manhã. Vista aérea da cidade, do bondinho passando. Das praias amontoadas de pessoas. Ruas engarrafadas de carros. Vista aérea dos prédios da cidade. 

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CENA 15/ MANSÃO MORAIS/ TARDE/ INT. 

Aline entra na mansão depois de semanas sem aparecer por lá. O fim da tarde se aproxima. Poucos instantes depois, Yolanda e Glauco entram e se deparam com a filha em pé na sala. 

ALINE (P/Glauco) — Eu só vim pegar algumas coisas minhas. 

GLAUCO (P/Aline) — A casa é sua! Não precisa dar explicações do que vem ou não fazer aqui. 

ALINE — Pois bem! Mas eu não pretendo demorar. Só vou pegar algumas roupas e dinheiro que eu deixei aqui. Com licença!

Aline sobe as escadas, enquanto Yolanda e Glauco se entreolham. 

YOLANDA — Você viu que ela nem falou comigo. 

GLAUCO — Certamente ainda está tentando engolir a história do aborto. Não é fácil para um filho ou filha saber que poderia não ter nascido. 

YOLANDA — Você quis posar de santo, limando a minha relação com Aline. Mas eu vou dar a volta por cima. 

GLAUCO — Eu acho que você deveria ocupar sua mente com aquela história da contratação de mais empregados. 

YOLANDA — Eu vou subir para o quarto. 

Yolanda sobe, enquanto Glauco fica pensativo por alguns segundos. O seu celular toca e ele percebe que se trata de Marisa. 

GLAUCO — Alô? Por sorte a minha mulher foi para o quarto. Pode falar.

MARISA (off) — Eu queria te encontrar. Todo dia penso em você. Durmo e acordo pensando em você. 

GLAUCO — Eu já tomei uma decisão e vou comunicar a você daqui a pouco. Hoje mesmo apareço por aí, meu amor! 

No instante em que Glauco fala essa última frase, Aline desce a escada e se esconde atrás da parede próxima a escada, ao perceber que o pai está falando com a Marisa. 

MARISA (off) — Não vejo a hora de encontrar novamente, meu amor!

GLAUCO — Eu também te amo, querida. 

A ligação é encerrada. Aline arregala os olhos ao descobrir que o pai continua a se encontrar com Marisa. Glauco sai e em seguida Aline sai, carregando duas bolsas com roupas, sem que o pai perceba. 

Corta para:

CENA 16/ CARRO DE ERIC/ TARDE/ INT. 

Eric está à espera de Aline dentro do carro. 

ERIC — Aline foi fabricar as roupas, não é possível. Que demora. (observa Aline se aproximando com duas Bolsas). Finalmente!

Aline abre a porta traseira e coloca as bolsas. Em seguida, abre a porta dianteira e senta ao lado de Eric. Coloca o cinto. 

ALINE — Acelera, Eric! Segue o carro do papai! 

ERIC — Por quê? 

ALINE — Sem perguntas! Só segue. 

Eric acelera e segue o carro de Glauco. 

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CENA 17/ APARTAMENTO DE MARISA/ SALA DE ESTAR/ TARDE/ INT. 

Marisa bebe um pouco de Whisky e fuma um pouco, enquanto espera Glauco. Passa alguns minutos e a campainha toca. Ela coloca o cigarro no cinzeiro e o copo numa banquinha. Em seguida, fica na frente do espelho e faz um penteado no cabelo. A campainha continua a tocar. Ela vai à porta e abre, se deparando com Glauco esbanjando um sorriso no rosto. Ele a beija na boca. 

GLAUCO — Eu quis fazer essa surpresa para você!

MARISA — Fazia tempo que eu não via você tão feliz. 

Glauco dá mais um beijo. 

GLAUCO — Eu decidi que a melhor coisa a fazer é ficar com você. Passei dias pensando e percebi que é uma perda de tempo continuar casado com uma mulher que eu não amo. 

MARISA — Confesso que a sua decisão me pegou de surpresa. Mas fez o dia de hoje se tornar o dia mais feliz da minha vida. (Gritando). Eu sou a mulher mais feliz do mundo!

GLAUCO — Vou dar entrada nos papéis de divórcio e oficializar o meu relacionamento com você. 

MARISA — Por muito tempo, acreditei que esse dia não ia acontecer. Mas que bom que tudo terminou assim. 

GLAUCO — Apôs chegou! Não foi uma decisão fácil, mas segui o meu coração. 

MARISA — Que bom, meu amor! Tudo no final deu certo e vamos ser felizes para sempre. 

GLAUCO — Só vou pedir para você esperar mais três dias porque tenho que deixar tudo certo com a minha esposa e com os meus filhos também. Eles têm que saber da minha decisão, embora sejam adultos. 

MARISA — Eu espero! 

GLAUCO — Para comemorar, nós vamos fazer uma viagem daqui há três dias. O lugar vai ser surpresa. Na hora você vai saber. 

MARISA — Adoro uma surpresa!

GLAUCO — Eu queria ter ficado mais tempo com você, mas eu tenho que resolver algumas coisas. 

MARISA — Pode ir resolver suas coisas. Agora eu estou mais tranquila!

Glauco beija mais uma vez Marisa e sai logo em seguida. Alguns segundos depois, a campainha toca. Marisa abre toda animada, achando se tratar de Glauco. 

MARISA — Esqueceu alguma coisa, meu… 

Marisa não consegue terminar ao constatar que não se tratava de Glauco e sim de Aline, que traz consigo um envelope em mãos. A expressão dá lugar a uma expressão de espanto. 

Trilha sonora: Tenso Leve - Alberto Rosenblit 



MARISA — Ah, é você (Intrigada). Como você descobriu que moro aqui? 

Aline entra sem que Marisa a convide para entrar. 

ALINE — Foi bem simples! Só segui meu pai. Inclusive, sei que ele acabou de sair daqui. (Mudando de assunto). É esse muquifo que ele paga para você morar? Coitada!

MARISA — Se você veio até aqui para me ridicularizar, pode ir embora! O meu dia está perfeito para você vim estragar. 

ALINE — Não, eu vim te fazer uma proposta! Quanto você aceita para sumir da vida do meu pai? Sei muito bem quais são os seus planos, carreirista de quinta! Conheço muito bem pessoas da sua laia. Mas a mim você não engana. Nunca me enganou. 

MARISA — Eu não vou aceitar que você entre aqui para me ofender. 

Aline entrega o envelope a Marisa. 

ALINE — Aqui está o dinheiro para você sumir. Tem dinheiro suficiente para você viver por bastante tempo. 

Marisa olha para o envelope e olha assustada para Aline. 

Corta para:



CENA 18/ APARTAMENTO DE MARISA/ SALA DE ESTAR/ TARDE.NOITE/ INT 

Trilha sonora: O mesma música da cena anterior

Marisa franze a testa para Aline, diante da proposta. 

MARISA — Dá para perceber que você não sabe nada da minha vida! Acha mesmo que você vai me subornar com essa porcaria? (Pega o envelope e joga no chão). Acho que você deveria procurar algo melhor para fazer do que vim comprar briga comigo. Nos próximos dias, você terá uma surpresinha.

ALINE — Acho que aqui quem está precisando procurar algo melhor para fazer é você. Se relacionar com homem casado não é uma coisa muito correta para uma pessoa que quer se mostrar exemplar. Com o meu pai você não vai se encontrar mais. 

Marisa respira fundo. 

MARISA (Gritando) — Sai daqui! Sai daqui!

ALINE — É o último recado que eu estou dando! Se afasta do meu pai. 

Aline encara Marisa com um olhar amedrontador e sai em seguida. 

A música se encerra por aqui.

Corta para:

CENA 19/ APARTAMENTO DE ERIC/ SALA DE ESTAR/ NOITE/ INT.

Eric fica intrigado com a atitude de Aline de seguir o pai. Ele anda pela sala, enquanto Aline está sentada no sofá. 

ERIC — Até agora eu ainda não entendi o que você foi fazer naquele apartamento. 

ALINE — Fui resolver um problema de família, mas já deu tudo certo. 

ERIC — Você foi atrás daquela mulher que estava naquele dia com seu pai, não é? 

ALINE — Fui. Ela precisava ouvir algumas coisas. 

Eric enche um copo com Whisky e bebe um pouco. 

ERIC — Logo vi que aquela mulher era muito vagabunda para ser uma simples amiga da família. 

ALINE — O meu pai sempre mente dizendo que terminou o relacionamento com ela, mas isso nunca acontece. Ele engana as duas mulheres ao mesmo tempo. 

ERIC — Na sua família parece que todo mundo guarda um segredo. Seu pai mente para sua mãe, a sua mãe mentiu para você e você mente para os dois… na verdade, para sua família toda, inclusive os irmãos. 

ALINE — Não estou entendendo!

ERIC — Estou falando do fato de você esconder dos seus pais que ganha dinheiro se prostituindo. 

ALINE — Isso não vem ao caso agora. 

ERIC — Os seus irmãos também têm segredos?

ALINE — Quem é você para falar de segredos? Nunca me contou como um homem que não tinha onde cair morto conseguiu de uma hora para outra um apartamento, um carro. 

ERIC — Foi herança de uma tia minha!

ALINE — Você acha que eu não conheço seus truques. 

Eric agarra Aline e a beija na boca para encerrar a discussão. 

Corta para:

CENA 20/ MANSÃO MORAIS/ SALA DE ESTAR/ NOITE/ INT. 

Glauco anda de um lado para o outro na sala, apreensivo e ansioso. O celular toca e ele se assusta. 

GLAUCO — Alô? Finalmente você ligou. Está tudo certo? Pois faça exatamente como eu pedi. Não pode ter margem para erro. Tem que ser tudo no dia e hora marcado.

Yolanda desce as escadas. Glauco encerra a ligação. 

GLAUCO (P/Yolanda) — Até me casa os problemas da empresa aparecem. 

YOLANDA — O nosso casamento ultimamente está tão morno. Nada de emocionante acontece. 

Yolanda se aproxima do marido. 

GLAUCO — Já passamos da época tinhamos sexo com mais frequencia. Não somos mais jovens. Deixa isso para os nossos filhos. (Beija a esposa). Um beijinho ainda vai. 

Corta para:

CENA 21/ APARTAMENTO DE MARISA/ SALA DE ESTAR/ NOITE/ INT. 

Marisa liga uma caixinha de som e dança agarrada a uma garrafa. Ivone, sentada no sofá, ri da amiga feliz. Marisa abaixa um pouco o som para conversar com a amiga. 

Trilha sonora: A loba - Alcione 

MARISA — Hoje é o dia mais feliz da minha vida, minha amiga. Finalmente a minha vida vai dar um salto. 

IVONE — Só uma coisa me intriga nessa história. Em um dia ele aponta um revólver na sua cabeça e assim do nada resolve terminar tudo com a esposa e iniciar oficialmente um relacionamento com você. Estranho tudo isso. 

Neste instante, a campainha toca. Marisa abre a porta e um florista lhe entrega um buquê de flores. Marisa agradece o rapaz com um simples inclinar de cabeça. Em seguida, ela fecha a porta e sente o aroma das flores. Observa que junto com o buquê veio um bilhete. 

A música se encerra por aqui.

MARISA — “Minha querida, esse é o meu pedido de desculpas pelo transtorno que lhe fiz passar quando apontei aquela maldita arma na sua cabeça. Não é de meu feitio fazer isso. Aquele revólver é só para minha segurança. Essa cidade está cada dia mais insegura. Fiz aquela brincadeira de mau gosto com você, mas isso não vai mais acontecer. Te amo!” (P/Ivone) Está vendo, Ivone? Ele explicou agora do porquê agiu daquela forma naquele dia. 

IVONE — É… pelo visto, nada mais faz você tirar aquele homem da cabeça. 

MARISA — E você sempre disse que ele nunca largaria a esposa para viver comigo. (Volta a cheirar as flores). Errou feio!

IVONE — Eu falei o que normalmente ocorre. É muito difícil um homem largar um casamento de anos para viver com outra mulher. E pelo que eu já ouvi falar, ela tem uma parcela das ações daquela empresa. Prevejo uma guerra! Me admira muito ela não ter vindo aqui ainda. 

MARISA — Pelo que eu entendi, ele ainda não falou com ela, mas me deu três dias para acertar tudo. A papelada do divorcio, a revelação da separação aos filhos. Eles já são adultos então acho que não será problema… na verdade, a filha dele talvez seja um problema, mas eu vou saber dominar a fera. Hoje ela veio aqui e quase estragou meu dia, mas não conseguiu. Tentou me subornar, mas não conseguiu. O dinheiro ficou aí, mas eu nem toquei nele. 

IVONE — Tudo que eu quero, minha amiga, é que você seja feliz. Eu sempre vou estar do seu lado para o que precisar. 

Ivone e Marisa se abraçam. 

Corta para: 

CENA 22/ MANSÃO VARELA/ SALA DE JANTAR/ NOITE/ INT. 

Ágata, Virgílio, Ana Clara, Beatriz e Marcos estão sentados à mesa. Wilma põe o jantar à mesa. Cada um serve à sua maneira. A mesa está farta de comida. Macarronada, um prato de salada, suco e um pudim. 

VIRGÍLIO — Finalmente, depois de semanas a atmosfera dessa casa voltou a ser feliz. Todo mundo reunido. Minha mulher, minhas filhas e meu genro. (Enche o copo de suco). Tudo isso graças a Deus!

Beatriz e Marcos se beijam. 

MARCOS (P/Beatriz) — Era uma chatice conversar com o meu amor só por mensagem. Tava com saudade de te ver pessoalmente. 

ANA CLARA — Agora a transa vai ser todo dia. (Ri). Desculpa!

ÁGATA (P/Ana Clara) — Minha filha, cadê os bons modos que eu e teu pai te ensinamos? 

Marcos e Beatriz, inicialmente constrangidos com a fala de Ana Clara, gargalham logo em seguida. 

BEATRIZ (P/Ágata) — Não se preocupe, mamãe! É normal nessa idade falar esse tipo de bobagem. 

MARCOS — E a Clarinha não falou nenhuma mentira, não é, meu amor? (beija Beatriz mais uma vez e passa a mão na cabeça de Ana Clara). Ela já está na idade de falar essas coisas mesmo. 

Beatriz dá um beliscão no braço de Marcos. 

BEATRIZ (Sussurra P/Marcos) — Meu amor, se contenha! 

Todos riem, enquanto Virgílio enche o prato de comida. 

Corta para:

CENA 23/ RIO DE JANEIRO/ RUAS DA CIDADE/ MANHÃ.TARDE/ EXT. 

Trilha sonora: De Bem com a Vida - Alberto Rosenblit 



Letreiro mostra: dois dias depois

Vista aérea da cidade. Cristo redentor iluminado pelo sol. O bondinho passando. Aviões e pássaros passando no céu. Vista aérea dos prédios. Pessoas andando nas ruas. Carros e ônibus passando pelas ruas da cidade. 

corta para:

CENA 24/ PRAIA DE IPANEMA/ TARDE/ EXT. 

Trilha sonora: A mesma música da cena anterior

Sabrina, Rodrigo e Aline estão curtindo a praia. Eles correm pela areia da praia. Depois de algum tempo rindo e curtindo o sol, eles se sentam e descansam um pouco. Rodrigo abraça a irmã. 

RODRIGO (P/Aline) — Tava com saudade da minha maninha! A gente é irmão, mora na mesma cidade e quase não nos vemos. 

SABRINA (interrompe) — Da mesma forma é na minha família. Quase não vejo meu irmão, mas também quase não tenho ido visitar a minha família. 

Sabrina em seguida se levanta e vai tomar banho de mar, enquanto Rodrigo e Aline continuam conversando. 

ALINE — A minha vida teve uma mudança de uma hora para outra. Estou vivendo… quer dizer, na verdade, não é um romance e sim um fogo de palha, melhor dizendo. Um homem que todos os seus defeitos, mas que pelo menos me ama. Coisa que, hoje, eu vejo que os meus pais não me deram. 

RODRIGO — Acho que você está exagerando um pouco. Também não é assim. Eles podem não ser os melhores pais do mundo, mas também não podemos dizer que eles não deram amor. 

ALINE — Você fala isso como se fosse simples. Não foi você que a mamãe quis abortar. 

RODRIGO — Você vai ficar remoendo essa história até quando? Isso ficou no passado. Vai dizer que você nunca errou. Ela pensou aquilo no momento de muito estresse. Você sabe muito que a relação entre ela e o papai nunca foi das melhores. Ele deve ter infernizado a vida da mamãe para que ela tomasse esse tipo de atitude. 

ALINE — Mas o papai disse que fez a cabeça da mamãe para mudar de ideia. E pela a primeira vez eu senti sinceridade na fala dele e mamãe confirmou que a ideia partiu puramente dele. Foi muito decepcionante para mim descobrir que a minha mãe, a quem eu sempre defendi, quase me matou por pura vaidade. 

RODRIGO — Mas vamos esquecer isso! A sua vida pode estar assim, mas com certeza não está mais emocionante que o meu relacionamento com Sabrina. Hoje tive a ideia de vir para a praia e te chamei também para desabafar com alguém. (Com os olhos fixos em Sabrina mergulhando no mar). Pela primeira vez, eu vi o meu relacionamento balançar. Não acontece nada. Não tenho a mesma disposição de ir para cama com Sabrina. 

ALINE — Acho que não é novidade para você e nem para ninguém que eu nunca acreditei nesse seu relacionamento com a Sabrina. Eu nunca enxerguei que vocês se amassem. Da parte dela, pode até ser que seja sicero, mas eu não vejo isso da sua parte. 

RODRIGO — A Sabrina foi a minha primeira namorada. Foi a primeira mulher por quem eu me encantei. Foi uma paixão intensa. Ainda continuo gostando dela. Eu gosto dela. Sempre fez tudo por mim, mas eu acho que não estou conseguindo fazer o mesmo por ela. Passo horas fora de casa. Muitas vezes nem no trabalho estou. Sinto que a minha vida está virando de ponta a cabeça. É insuportável a minha vida em casa. 

ALINE — Uma vez, sabe, eu estava jantando ou almoçando, já não me lembro, com a mamãe e com o papai, e comentei que esse casamento seu com Sabrina poderia ser um acordo entre as duas famílias. Eu nunca enxerguei o casamento como algo romântico e sim um negócio. Tanto que eu nunca me importei em casar. 

RODRIGO — Às vezes eu acho que somos almas que estão em corpos trocados. Você tem a firmeza de um homem e eu a delicadeza de uma mulher. 

ALINE — Paixão e amor são sentimentos que apesar de parecerem sinônimos, são sentimentos opostos. Um te faz sofrer, enquanto o outro te faz ter prazer. 

RODRIGO — Eu vou pensar bem. Não quero tomar atitudes precipitadas. 

Aline e Rodrigo correm na direção do mar. 

A música se encerra por aqui.

Corta para:

CENA 25/ HOSPITAL SANTA MÔNICA/ SALA DE ALBERTO/ TARDE/ INT. 

Alberto recebe Glauco em sua sala. Em se sentam nas suas respectivas cadeiras, de médico e paciente, respectivamente, embora aquela não seja uma consulta médica. 

ALBERTO — Eu sei que essa não é uma consulta, mas de qualquer forma eu posso te examinar se você quiser. 

GLAUCO — Eu vim hoje aqui não como paciente, mas como amigo e também por causa dos negócios. 

ALBERTO — Sobre seu filho, ele está evoluindo muito bem rapidamente e já pode voltar às atividades habituais dele. Andar de bicicleta. É até um ótimo exercício para ajudar ainda mais na saúde. 

A secretária entra na sala e os serve com café. 

GLAUCO — O Marcos eu sei que está ótimo! Ele mal para em casa. Agora vive agarrado com a namorada. 

ALBERTO — Já resolveu a situação com a tal mulher que você anda se encontrando?

GLAUCO — Na medida do possível sim. A minha vida está quase resolvida. E sua vida com a Guiomar como está? 

ALBERTO — Vai bem! Sem brigas e sem sexo! (Ri). Como um médico pode ter tempo para sexo, não é, mesmo?

Os dois caem na gargalhada. 

GLAUCO — Eu vou te dizer. A vida de empresário não é muito diferente não!

ALBERTO — Fala isso porque não é você que tem que sair correndo de madrugada para vir para cá quando tem alguma emergência. É… Médico ganha muito dinheiro, mas não tem vida fácil. 

Eles continuam conversando 

CENA 26/ PRAIA DE IPANEMA/ TARDE/ EXT. 

Trilha sonora: De Bem com a Vida - Alberto Rosenblit 



Pessoas conversando. Vendedores ambulantes passam vendendo coisas. Marisa e Ivone curtem a tarde ensolarada. 

MARISA — Hoje, a praia está incrível! 

IVONE — Está mesmo, mas eu vou ter que ir porque tenho muita coisa em casa para fazer. 

MARISA — Eu só quero chegar em casa de noite. O dia de hoje está perfeito. Talvez seja Deus sinalizando o novo rumo que a minha vida vai tomar. 

IVONE — Vou indo. 

Ivone se levanta e vai embora. Alguns minutos depois, Mauro se senta ao lado de Marisa. 

MAURO — O que uma moça bonita faz sozinha na praia? 

MARISA — Não é da sua conta! Não sei nem quem você é. 

MAURO — Opa! Me desculpe. Realmente não me apresentei. Prazer! eu sou Mauro. (Beija a mão de Marisa). Sempre vem à praia?

MARISA — Não tenho tanto costume, mas me deu uma vontade de vim hoje. 

MAURO — Você nem se apresentou ainda. 

MARISA — Ah, prazer! Marisa. 

A música se encerra por aqui. 

Trilha sonora: Radar - Alberto Rosenblit 


Close na bolsa de Marisa. Uma mão branca vai se aproximando dela e a pega e corre. Marisa se dá conta de que foi roubada. Começa uma correria na praia. 

MARISA — Peguem! Peguem! Um “trombadinha” me roubou. 

Mauro corre atrás do bandido, mas não consegue alcançá-lo. Enquanto isso, Marisa fica aflita e trêmula com aquela situação. Escuta-se a sirene da polícia. Mauro volta para perto de Marisa. 

MAURO — Perdi ele de vista! Mas não tem problema. Você tinha algo de valor naquela bolsa? 

MARISA (Ofegante) — Não… na verdade, só o meu celular, mas depois eu compro outro. 

MAURO (Calmo) — O importante é que nada aconteceu com você. A bolsa e o seus pertences depois você recupera. 

MARISA — Estou admirada com a sua calma!

MAURO — Sou psicólogo de formação, embora não atue na profissão. Foi uma das coisas boas que o curso me deu foi ter calma. (Preocupado). Você está realmente bem? (põe a mão no peito de Marisa para sentir os batimentos cardíacos). O coração está um pouco acelerado! (percebendo o constrangimento de Marisa). Desculpe-me! (Mudando de assunto). A polícia foi atrás do bandido.

MARISA (Nervosa) — É… Acho que já não tem mais clima para ficar aqui na praia. 

MAURO — Vamos lá na minha casa. Não é muito longe daqui. Você ainda está um pouco nervosa. A gente conversa um pouco, você fica mais calma e depois te levo para casa. 

MARISA — Tudo bem! Aceito o convite. 

Eles saem juntos da praia. 

A música se encerra por aqui. 

Corta para:

CENA 27/ CLUBE DE CICLISMO/ TARDE/ INT 

Trilha sonora: É crua - Otto 



Marcos anda de bicicleta na pista do clube. Ele dá algumas voltas. Em seguida, encerra o treino e se aproxima do amigo e da namorada. Ele limpa o suor de seu rosto com uma toalhinha. 

MARCOS — Estava sentindo falta dessa adrenalina! 

ARTHUR — Você é como vinho, meu amigo! Está mais disposto do que nunca. 

BEATRIZ (P/Marcos) — Esse é o meu campeão. Ainda vai trazer muitos títulos. 

Beatriz e Marcos se beijam, enquanto Arthur olha aquilo com um olhar triste. 

A música se encerra por aqui.

Corta para:

CENA 28/ CASA DA FAMÍLIA ALENCAR/ SALA DE ESTAR/ TARDE/ INT. 

Mauro e Marisa se sentam no sofá. Marisa bebe um pouco de água, enquanto Mauro tenta acalmá-la. 

MAURO — Essa cidade está cada dia mais violenta. O meu pai me disse que na época dele, se dormia tranquilamente com a janela aberta. Hoje em dia, fazer isso é atestado de óbito. 

MARISA — Realmente, o Rio de Janeiro é quase uma cidade impossível de se viver. 

Mauro se levanta e vai à cafeteira, que está numa banquinha na sala. Ele prepara o café. 

MAURO — Você aceita uma xícara de café? 

MARISA — Eu vou aceitar! (mudando de assunto). Você mora sozinho nessa casa? 

MAURO — Digamos que sim! Na verdade, essa casa era do meu pai. A minha mãe morreu logo que eu nasci. Na minha infância eu convivi com meu pai e quando eu tinha mais ou menos 10 anos ele foi embora. Nunca soube o motivo de ele ter ido embora. Fui criado depois por uma tia e hoje estou sozinho. 

MARISA — Que história de vida a sua! A minha vida foi um pouco generosa perto da sua. (Ri). Não tenho estudo. Essa é a parte triste da minha história e já me prostitui para me manter. 

MAURO — A sua vida não foi nada fácil para você! (Oferece a xícara de café para Marisa). E você está em algum relacionamento? Não é possível que uma bonita como você esteja sozinha!

MARISA — Não, não… (Bebe um pouco do café). Eu estou meio que curtindo a vida com um homem, mas até agora ele só faz me prometer as coisas. Nunca assumiu um relacionamento sério comigo. Em resumo, ele só vive me enrolando. 

MAURO — Eu não queria te desanimar, mas um homem que age assim não quer nada sério. 

MARISA — Já tentaram me alertar sobre isso. 

MAURO — Você tem que dar valor a homens que te valorizam.

MARISA — Você é bom de conversa. Deve conquistar muitas mulheres. 

MAURO — Eu sou como você. Nunca tive sorte no amor!

MARISA — Parece que a vida foi bem cruel com a gente nesse quesito

Trilha sonora: A loba - Alcione 



Eles caem na gargalhada. Mauro acaricia com leveza o braço de Marisa, que sente arrepios e abre um sorriso. Eles se entreolham e as bocas se aproximam, até que se beijam. Marisa solta a xícara, que se desfaz em pedaços no chão. Mauro vai tirando as roupas de Marisa aos poucos, e ela as dele. Eles se amam loucamente. 

Corta para:

CENA 29/ RIO DE JANEIRO/ RUAS DA CIDADE/ NOITE/ EXT. 

Trilha sonora: A mesma música da cena anterior

Mostrar as pessoas caminhando no calçadão de Ipanema. Cristo Redentor iluminado. Pessoas entrando e saindo de boates. Carros e motos passando pelas ruas da cidade. 

A música se encerra por aqui.

Corta para:

CENA 30/ MANSÃO MORAIS/ QUARTO DE MARCOS/ NOITE/ INT. 

Marcos, cansado, anda pelo quarto. A porta do cômodo está fechada. Alguém bate na porta. 

ALINE (off) — Sou eu! 

MARCOS — Pode entrar, minha irmã!

Aline entra e se senta ao lado do irmão. 

ALINE — Vim conversar um pouco com você. Você está notando alguma diferença no comportamento do papai?

MARCOS — Ultimamente ele está mais pacífico. Não tive mais brigas com ele e nem nada. Estou até achando estranho. 

ALINE — Eu nunca vi ele desse jeito. Só o Rodrigo que consegue ter uma conversa civilizada com ele, mas de qualquer forma eu também estou estranhando. Assim… na verdade, ele até mostrou seu lado humano ultimamente. Eu fui tirar satisfação com ele sobre a Marisa e ele acabou me revelando que a mamãe quase me abortou. Até cheguei a achar que ele estava blefando, mas a mamãe confirmou tudo. E ele ainda completou dizendo que ele foi contra a decisão da mamãe de me abortar e foi isso que fez ela desistir disso. 

MARCOS — É… às vezes a gente se surpreende com as pessoas. Eu nunca imaginei papai tomando uma decisão assim. No caso, uma decisão a favor dos filhos. Não que eu ache que ele seja um monstro, mas é uma pessoa de difícil convivência. 

ALINE (Abraçada ao irmão) — Todo mundo tem seu lado humano. Mas eu descobri que ele continua a se encontrar com a tal Marisa. Eu até pensei em contar para a mamãe, mas eu tive com a Marisa e acho que ela entendeu o aviso. 

MARCOS — Vai ver essa mudança é porque o clima entre ele e a Marisa não é das melhores. 

ALINE — Talvez, meu irmão, talvez! Ele deve ter percebido que aquela mulher só queria aplicar um golpe. Uma menina jovem, bonitinha! Qual o homem que não gosta de mulher assim? 

MARCOS — É verdade. Agora espero que fique tudo bem na nossa família. 

Eles saem abraçados do quarto. 

Corta para:

CENA 30/ RIO DE JANEIRO/ RUAS DA CIDADE/ MANHÃ/ EXT. 

Trilha sonora: Samba do Avião - Tom Jobim 



Mostrar asas deltas no céu. Vista aérea do Cristo Redentor. O bondinho. O céu azul. Pessoas caminhando no calçadão de Ipanema e ciclistas na ciclovia. Vista aérea dos prédios da cidade. 

Corta para:

CENA 31/ APARTAMENTO DE MARISA/ SALA DE JANTAR.SALA DE ESTAR/ MANHÃ/ INT. 

Trilha: A mesma da cena anterior

A mesa está farta de comida. Marisa e Ivone comem à vontade, enquanto conversam. Marisa passa o leite e pão para a amiga. 

A música se encerra por aqui. 

IVONE — Liguei ontem de noite para você, mas você não atendeu.

MARISA — Fui roubada na praia. Poucos minutos depois de você ter ido embora. Roubaram a minha bolsa. 

IVONE — Nossa que perigo! O Rio de Janeiro está realmente sendo consumido pela bandidagem. 

MARISA — E os piores bandidos são aqueles que estão no poder.  Mas ficou tudo bem. Um rapaz que estava comigo na hora me ajudou. (Abre um sorriso). Acredita que ele é psicólogo? De formação, mas eu fiquei admirada com a calma dele. 

IVONE — Você falou desse rapaz com tanta leveza! Aconteceu alguma coisa entre vocês dois? Eu te conheço, minha amiga! Ninguém acorda com um semblante tão bom no dia seguinte de um assalto, convenhamos!

MARISA — Eu não consigo te enganar mesmo, não é? Tivemos sim! Na verdade nós transamos! 

IVONE  — Você transa assim com uma pessoa que você mal conhece? Vai que ele tenha alguma doença… Sei lá!

MARISA  — Aconteceu sem que a gente se desse conta! Mas foi muito bom. 

IVONE — Pela sua cara foi mesmo. (Ri). Às vezes eu queria me apaixonar por alguém assim. 

MARISA — Ele me pareceu muito correto. Me contou um pouco da história de vida dele e me pareceu muito sofrida.  

A campainha do apartamento toca. Marisa vai à SALA DE ESTAR, onde a cena continua. Ela abre a porta e é um florista, que lhe entrega um buquê. O florista vai embora e ela fecha a porta. Em seguida, volta para a SALA DE JANTAR, onde a cena continua. Marisa lê o bilhete que veio junto com as flores. 

MARISA — “Minha querida, chegou o dia! Hoje vamos dar início a um novo capítulo em nossas vidas. Convido-lhe para jantar e em seguida faremos uma viagem.” (Marisa beija o bilhete). Te amo! (P/Ivone). Às vezes eu quero esquecer o que aconteceu na última noite. Não quero ficar com a sensação de ter traído Glauco. 

IVONE — Você é muito boba mesmo! (Ri). Você sempre foi a segunda opção do ricaço e agora está se lamentando por conta de um sexo casual! Se eu fosse você, tinha não só transado como dormido com o homem. Enquanto você passa noites sozinhas aqui, eu tenho certeza como ele tem noites românticas com a esposa. 

MARISA — Há alguns minutos atrás você estava me condenando por eu ter ido para cama com um desconhecido. 

IVONE — Mas mudei de opinião! Acho que você deveria ter ido em frente com o tal rapaz da praia. 

Marisa coloca as flores em um jarro e senta-se à mesa ao lado da amiga. Fica pensativa enquanto volta a ler o bilhete. 

Corta para:

CENA 32/ RIO DE JANEIRO/ RUAS DA CIDADE/ TARDE. NOITE/ EXT. 

Trilha sonora: 15 step - radiohead



Pessoas andando de bicicleta no calçadão de Ipanema. Marcos e Beatriz andam de bicicleta. Imagens aéreas do Corcovado e do bondinho. Imagens dos prédios. Carros e motos passando nas ruas. Vista do anoitecer. Restaurantes lotados. 

Corta para:

CENA 33/ RESTAURANTE/ NOITE/ INT. EXT. 

Trilha sonora: A mesma música da cena anterior

Glauco e Marisa se sentam à mesa. Ele beija a mão dela e em seguida a beija na boca. Diferente dos dias anteriores, ele lhe entrega dessa vez apenas uma rosa vermelha. Marisa sente o aroma das rosas. 

GLAUCO — Hoje você está mais bela do que nunca!

MARISA — E você com o mesmo charme de sempre. 

O maitre vem à mesa em que Glauco e Marisa estão sentados e os cumprimenta. 

A música se encerra por aqui.

MAITRE (P/Glauco) — Boa noite, Dr. Glauco! Há tempos eu não via o senhor por aqui! 

GLAUCO (P/maitre) — Hoje é uma ocasião especial! Hoje vou querer filé ao molho de alcaparras e arroz com brócolis. 

MARISA (P/maitre) — Eu vou querer filé mignon na crosta de ervas e aligot. 

MAITRE — Alguma coisa para beber?

GLAUCO e MARISA (juntos) — Uma taça de vinho. 

Algum tempo depois. O maitre os serve com os pratos que eles pediram. Eles comem. 

MARISA — Acho que essa é a noite mais feliz da minha vida. Sem sombra de dúvidas! Muita gente quis que essa noite não acontecesse, mas nada impediu o nosso amor. (Mudando de assunto). Como foi a conversa com a Yolanda? Ele não deve ter aceitado a separação assim com a maior tranquilidade 

GLAUCO — Foi tudo tranquilo! A gente teve uma conversa franca e ela disse que não me amava mais também. 

MARISA  — Ótimo! 

Eles se beijam na boca mais uma vez. O maitre traz as sobremesas para a mesa. dois pratos de Pavlova com calda de morango. O casal saboreia as sobremesas, apaixonados. Glauco olha para o relógio. 

GLAUCO — A noite está incrível, mas temos que pegar estrada! (Sinaliza para que o maitre traga a conta). O menu estava perfeito!

Trilha sonora: Mistério e Perigo - Alberto Rosenblit


Glauco paga ao maitre, que agradece com um simples inclinar de cabeça. Glauco e Marisa saem. A cena continua no exterior do restaurante. O casal está no estacionamento do restaurante. Eles vão ao carro de Glauco, que destrava as portas do carro.. Dois homens encapuzados se aproximaram deles. O primeiro aborda Glauco, apontando o revólver na sua coluna e colocando a outra mão no seu pescoço e um movimento de gravata. 

MIRO — Paradinho aí, coroa! Não olhe para trás. (Gritando). Passa a chave! Passa a chave! 

O outro, Bigode, imobiliza Marisa, amarrando suas mãos para trás, no mesmo instante em que Miro tenta pegar a chave de Glauco. Seguranças se aproximam para tentar salvar Glauco e Marisa, que tem um revólver apontado nas suas costas.

MIRO (P/ Segurança) — Parados aí! (Grita). Parados aí! Abaixem as armas, senão eu mato ele. 

Um barulho de tiro se escuta. Focar nos olhos arregalados e lacrimejantes de Glauco e Marisa. A imagem congela e é coberta por uma máscara. 




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