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ENTRE MÁSCARAS - Capítulo 6

 ENTRE MÁSCARAS 

Capítulo 06


CENA 1/ RESTAURANTE/ NOITE/ EXT. 

Trilha sonora: Mistério e Perigo - Alberto Rosenblit 



Continuação imediata da última cena do capítulo anterior. Marisa e Glauco com os olhos arregalados olham um para o outro. Não sentem nada e olham para os bandidos, que estão com os olhos fixos nos seguranças, um deles está caído no chão com um tiro no peito. 

MARISA (Gritando)  — Socorro! Socorro!

Bigode coloca a mão na boca de Marisa. 

BIGODE — Cala a boca, sua vagabunda! 

Focar no Pardal, o terceiro bandido, que vem se aproximando com um revólver, que sai em leve fumaça de pólvora. Um dos seguranças está caído no chão, com um ferimento de bala no peito. O outro segurança tenta atirar em Pardal, que desvia e a bala acaba atingindo o farol de um carro. Pardal revida e atira no segurança. A bala pega de raspão no braço. Imobilizados pelos tiros e caídos no chão, os seguranças são atingidos por mais dois tiros. Miro tampa a boca de Glauco com a mão, para impedir que ele grite, e em seguida pega a chave do chave. Miro e Bigode colocam os dois no banco traseiro do veículo. Pardal também se senta no banco de trás, apontando a arma para Glauco e Marisa amordaçados. Miro acelera o carro. 

A música se encerra por aqui. 

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CENA 2/ MANSÃO CAVALCANTE/ QUARTO DE ARTHUR/ NOITE/ INT. 

Arthur e Marcos conversam, sentados na cama. Na banquinha ao lado da cama de Marcos, tem uma jarra de suco e dois copos. Arthur vai até a banquinha e enche os dois copos e dá um ao seu amigo. 

MARCOS — Sabe… Enquanto eu ainda estava acamado, o pai de Beatriz me veio com uma história de casamento. Eu fiquei com isso na cabeça. 

Arthur se engasga com o suco, diante do que o amigo acaba de falar. 

ARTHUR — Casamento? Tão cedo assim. Não acha que é muito precipitado um casamento agora? 

MARCOS — Não, não acho. Até penso que a gente podia ter feito isso antes, porque perdemos tempo demais dando importâncias a coisas que não tem importância, como a opinião das pessoas. 

ARTHUR — Só a gente sabe o que é melhor para a gente. Nunca namorei e nem é a prioridade da minha vida. Cada um tem suas prioridades. 

MARCOS — Você nunca gostou de alguma menina? 

ARTHUR (Mente) — Não, não! Eu nunca olhei com um olhar diferente com nenhuma menina. 

MARCOS — Será que eu acredito nessa história? (Ri). Você já deve ter namorado muito escondido. 

ARTHUR — É melhor a gente mudar de assunto, não? 

Arthur se levanta e pega a sua guitarra, que está em cima da escrivaninha e começa a tocar alguns acordes. 

MARCOS — Vamos, vamos! Eu me lembro quando você ainda estava aprendendo a tocar guitarra e violão. 

ARTHUR — Foi na época em que eu e meus amigos tivemos a péssima ideia de montar uma banda. Não deu muito certo, para ser generoso. 

MARCOS — Mas é assim a vida. Se a gente for desistir sempre que não conseguirmos alcançar uma meta, nunca sairemos do canto. Eu não seria o vencedor de hoje nos esportes que eu pratico, se não fosse as derrotas que eu tive na vida. 

ARTHUR — É… Mas aquela banda já nasceu errada. Ninguém tinha compromisso com nada. 

MARCOS — Mas pelo menos você tem um pai que te apoia. 

ARTHUR — Não é bem assim! A gente tem os nossos atritos também. Ele às vezes reclama do barulho. 

MARCOS — Mas reclamar do barulho é até compreensível. Difícil mesmo os nossos pais querem decidir o nosso futuro. Já se foi o tempo que isso é aceitável… na verdade, é uma coisa que nunca fez sentido e nos tempos em que estamos faz menos sentido ainda. 

Marcos e Arthur continuam conversando. 

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CENA 3/ MANSÃO MORAIS/ SALA DE JANTAR/ NOITE/ INT. 

Trilha sonora: Me faz bem - Gal Costa



Yolanda, diante da imensa mesa da sala, ocupa-se de ver os lugares vazios que ali estão. A empregada entra na sala de jantar e olha para a patroa, que ainda está em pé olhando a mesa. 

JOANA — A senhora quer que eu ponha o jantar? 

YOLANDA — Pode por! Já esperei tanto tempo pelo restante da família, que já me convenci de que não vai vim mais ninguém. 

JOANA — Seu Glauco não apareceu ainda? 

YOLANDA — Não, você está vendo ele aqui por acaso? Lógico que ele não pareceu! Se ele estivesse aqui, nós estaríamos juntos. Põe a janta! 

A empregada sinaliza para que as outras empregadas tragam o banquete.

A música se encerra por aqui.

YOLANDA — Parece que Glauco esqueceu o caminho de casa. Ou deve está fazendo algo mais importante que jantar em casa com a própria esposa. 

JOANA — Eu sempre achei ele um homem muito esquisito. 

YOLANDA — Senta aqui, Joana, você vai fazer companhia a mim hoje. 

JOANA — Mas,dona Yolanda, eu não posso jantar com a senhora. Sou apenas uma empregada. Se doutor Glauco chegar e me ver sentada à mesa, é capaz dele me matar. 

YOLANDA — Deixe de bobagem que eu sou dona dessa casa tanto quanto ele. Agora se sente que as demais empregadas vão nos servir. Estava precisando da companhia de alguém. 

As outras empregadas servem o jantar, enquanto Joana ocupa-se de sentar ao lado da patroa. 

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CENA 4/ CARRO DE GLAUCO/ NOITE/ INT. 

Trilha sonora: Mistério e Perigo - Alberto rosenblit 

Pardal continua apontando o revólver na cabeça de Marisa, que se mexe para tentar enfraquecer o nó que prende a corda que está imobilizando sua mão. Pardal dá uma coronhada em Marisa. 

PARDAL (P/Marisa) — Você perdeu a noção do perigo, não foi? Ou nunca teve noção do perigo, pelo visto! Fique quieta, senão eu atiro.

MARISA — Por que vocês estão fazendo isso com a gente? Eu não tenho inimigos!

MIRO (Interrompe) — Será que não? Acho que um amigo não faria com você. 

GLAUCO (P/Marisa) — Talvez o alvo não seja você, mas eu. Eu tenho inimigos que eu mesmo desconheço!

MIRO — Vamos calar a boca, vamos! A gente não está indo para uma colônia de férias. 

GLAUCO (sussurra no ouvido de Marisa) — É melhor obedecer as ordens deles, meu amor! A gente não sabe do que esses bandidos são capazes. 

Marisa decide seguir o conselho de Glauco. 

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CENA 5/ RIO DE JANEIRO/ RUAS DA CIDADE/ MADRUGADA/ EXT. 

Trilha sonora: Sleep - Allen Stone



Carros percorrem as ruas. Vista dos prédios iluminados. Algumas pessoas conversam nas praças da cidade. Algumas pessoas andam pelas ruas quase vazias. Pessoas entram e saem das boates. 

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CENA 6/ APARTAMENTO DE RODRIGO/ QUARTO DE RODRIGO/ MADRUGADA/ INT. 

Trilha sonora: A mesma música da cena anterior 

Rodrigo e Sabrina estão deitados na cama, envolto do lençol, e dormindo um sono tranquilo. O primogênito de Glauco e Yolanda abre os olhos e olha para o lado. Sabrina continua a dormir. Ele se levanta vagarosamente para não acordar a filha de Alberto, calça a sandália e em seguida vai à VARANDA, onde a cena continua. Ele sente o vento em seu rosto e abre os braços. Inclina um pouco a cabeça para ver se tem alguma movimentação nas redondezas. 

RODRIGO — Esse vento me faz sentir a sensação de liberdade. (Ele se vira e de onde está observa a sua noiva dormir calmamente). Eu não sei o que faço da minha vida! Tudo parece tão incerto. 

Insert Flash de trecho da cena 24 do capítulo 5: 

Sabrina em seguida se levanta e vai tomar banho de mar, enquanto Rodrigo e Aline continuam conversando. 

ALINE — A minha vida teve uma mudança de uma hora para outra. Estou vivendo… quer dizer, na verdade, não é um romance e sim um fogo de palha, melhor dizendo. Um homem que todos os seus defeitos, mas que pelo menos me ama. Coisa que, hoje, eu vejo que os meus pais não me deram. 

RODRIGO — Acho que você está exagerando um pouco. Também não é assim. Eles podem não ser os melhores pais do mundo, mas também não podemos dizer que eles não deram amor. 

ALINE — Você fala isso como se fosse simples. Não foi você que a mamãe quis abortar. 

RODRIGO — Você vai ficar remoendo essa história até quando? Isso ficou no passado. Vai dizer que você nunca errou. Ela pensou aquilo no momento de muito estresse. Você sabe muito que a relação entre ela e o papai nunca foi das melhores. Ele deve ter infernizado a vida da mamãe para que ela tomasse esse tipo de atitude. 

ALINE — Mas o papai disse que fez a cabeça da mamãe para mudar de ideia. E pela a primeira vez eu senti sinceridade na fala dele e mamãe confirmou que a ideia partiu puramente dele. Foi muito decepcionante para mim descobrir que a minha mãe, a quem eu sempre defendi, quase me matou por pura vaidade. 

RODRIGO — Mas vamos esquecer isso! A sua vida pode estar assim, mas com certeza não está mais emocionante que o meu relacionamento com Sabrina. Hoje tive a ideia de vir para a praia e te chamei também para desabafar com alguém. (Com os olhos fixos em Sabrina mergulhando no mar). Pela primeira vez, eu vi o meu relacionamento balançar. Não acontece nada. Não tenho a mesma disposição de ir para cama com Sabrina. 

ALINE — Acho que não é novidade para você e nem para ninguém que eu nunca acreditei nesse seu relacionamento com a Sabrina. Eu nunca enxerguei que vocês se amassem. Da parte dela, pode até ser que seja sicero, mas eu não vejo isso da sua parte. 

RODRIGO — A Sabrina foi a minha primeira namorada. Foi a primeira mulher por quem eu me encantei. Foi uma paixão intensa. Ainda continuo gostando dela. Eu gosto dela. Sempre fez tudo por mim, mas eu acho que não estou conseguindo fazer o mesmo por ela. Passo horas fora de casa. Muitas vezes nem no trabalho estou. Sinto que a minha vida está virando de ponta a cabeça. É insuportável a minha vida em casa. 

ALINE — Uma vez, sabe, eu estava jantando ou almoçando, já não me lembro, com a mamãe e com o papai, e comentei que esse casamento seu com Sabrina poderia ser um acordo entre as duas famílias. Eu nunca enxerguei o casamento como algo romântico e sim um negócio. Tanto que eu nunca me importei em casar. 

RODRIGO — Às vezes eu acho que somos almas que estão em corpos trocados. Você tem a firmeza de um homem e eu a delicadeza de uma mulher. 

ALINE — Paixão e amor são sentimentos que apesar de parecerem sinônimos, são sentimentos opostos. Um te faz sofrer, enquanto o outro te faz ter prazer. 

RODRIGO — Eu vou pensar bem. Não quero tomar atitudes precipitadas. 

Aline e Rodrigo correm na direção do mar.  

Fim do insert. 

Rodrigo leva as mãos ao rosto. 

RODRIGO — Eu não quero enganar ninguém. E muito pior que enganar alguém e se enganar ao mesmo tempo que está enganando porque a gente sofre e faz a outra pessoa sofrer. (Vira-se na direção em que ele consegue observar Sabrina envolta do lençol). Tudo o que eu não quero, Sabrina, é não te fazer sofrer. 

Insert Flash de trecho da cena 31 do capítulo 4:

O garçom serve os convidados. Enquanto Leonardo conversa com os outros modelos, Rodrigo e Diego saem e vão ao estacionamento, onde a cena continua. Eles se encostam 

RODRIGO — É um sonho ir para Barcelona. 

DIEGO — Eu já viajei para alguns países, mas para Espanha será a primeira vez. 

RODRIGO — Durante todo esse tempo que eu sou modelo já viajei para vários países também. Me admira muito não termos nos conhecido antes. 

DIEGO — Eu também não sei como não nos conhecemos antes. 

RODRIGO — Infelizmente, no mundo eu sou praticamente sozinho. Só eu e minha noiva. Os meus pais não me apoiam. Principalmente meu pai. Os meus irmãos me apoiam, mas cada um tem sua vida. 

DIEGO — Desde cedo eu saí de casa. Meus pais nunca apoiaram minhas escolhas, nem minha sexualidade. 

RODRIGO — Você é gay?

DIEGO — Eu tenho um namorado. (Abre um sorriso). Ele é o que me motiva a viver. (Mudando de assunto). Você disse que está noivando. Quando vai ser o casamento?

RODRIGO — Brevemente!

DIEGO — Você realmente a ama? Não senti tanto entusiasmo quando você falou dela. 

RODRIGO (Nervoso) — Claro que eu a amo. 

Neste instante, Diego abre a porta do carro, pega um envelope e entrega para Rodrigo. 

Fim do insert. 

Rodrigo anda de um lado para o outro na varanda. 

RODRIGO — Nunca imaginei que Diego, que antes eu detestava, fosse se tornar um dos meus conselheiros amorosos. 

Ele volta a ver a rua. Volta o seu olhar ao seu e enxerga as estrelas solitárias. 

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CENA 7/ CASA DE MIRO.MATA FECHADA/ MADRUGADA/ EXT 

Miro estaciona e sai do carro e os outros sequestradores saem carregando consigo os reféns. Os três sequestradores continuam encapuzados. 

MARISA (P/Miro) — O que vocês vão fazer com a gente? Quem mandou fazer isso com a gente? Fala!

MIRO (P/Glauco) — Essa sua namorada é muito chata! Não sei como você aguenta. (Leva as mãos ao maxilar de Marisa e aperta com força). Se hoje eu não tivesse de bom humor, te matava aqui mesmo. (Sarcástico). Foi a vovozinha que mandou te sequestrar, chapeuzinho vermelho! 

Miro, bigode e Pardal riem diante do deboche de Miro. Marisa, que está segurada pelo braço por Pardal e que continua com os braços amarrados, dá um chute na perna de Pardal, que solta a amante de Glauco diante do impacto da pancada na sua perna. Marisa corre em direção a MATA FECHADA, onde a cena continua. Miro e Pardal, pegam seus celulares e ligam a lanterna. Em seguida, correm atrás dela. 

Trilha sonora: Suspense - Alberto Rosenblit 

MIRO — Pensa que vai fugir da gente, vagabunda! Se fugir é pior! (Tira o revólver da cintura). 

PARDAL (Gritando) — Aparece, vagabunda! 

Marisa por dentro da mata, continuando as mãos amarradas para trás. Ela fica ofegante. 

MARISA — Quando vai acabar esse inferno? O que eles querem de mim? 

Ela se senta e descansa um pouco atrás de uma árvore. A sua respiração está acelerada. Escuta um barulho. Ela consegue se levantar se apoiando na árvore. Escuta um outro barulho de tiro e de passos próximos de onde está. Volta por entre a mata, tentando desviar de galhos e folhas que aparecem no caminho. 

MARISA (Gritando) — Socorro! Socorro! 

Miro e Pardal continuam a correr por entre a mata. 

PARDAL (P/Miro) — Aquela vagabunda acha que vai conseguir fugir da gente. 

MIRO (P/Pardal) — Ela não perde por esperar. Tem uma surpresinha aguardando ela no cativeiro. 

Pardal dá um tiro. 

PARDAL (Gritando) — Aparece, vagabunda!

Marisa continua a correr por entre as árvores e folhas. Ela, ofegante e suando muito, tropeça num galho, que está caído no chão. Em seguida, se desequilibra e cai, batendo a cabeça na ponta de uma pedra e desmaiando logo depois.

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CENA 8/ APARTAMENTO DE THALES E DIEGO/ SALA DE ESTAR/ MADRUGADA/ INT. 

Diego está sentado no sofá com o seu notebook sobre as pernas. Thales aparece na sala. 

THALES — Acordei e vi que você não estava na cama! (Se aproximando do namorado). Você não costuma acordar de madrugada. (beija a cabeça de Diego e abre o sorriso). E já está no computador. 

DIEGO — Eu acabei perdendo o sono e aproveitei para atualizar algumas coisas do meu trabalho. Fazendo a seleção de algumas fotos, mas amanhã eu me entendo melhor com os modelos e com o Léo. 

Thales observa o namorado selecionando as fotos e faz uma massagem 

THALES — Eu gosto de ficar abraçadinho com você e dá massagem nas suas costas. 

Thales e Diego se beijam. 

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CENA 9/ MATA FECHADA.CASA DE MIRO/MADRUGADA/EXT.INT. 

Trilha sonora: Suspense - Alberto Rosenblit 



Miro e Pardal, com as lanternas dos celulares ligados, continuam correndo pela mata. 

PARDAL — Acho melhor a gente continuar as buscas ao amanhecer. Não tem a menor chance da gente encontrar ela agora. 

MIRO — A gente só sai daqui com ela, nem que seja com ela morta. 

PARDAL — Está bem!

MIRO — Ela não deve tá muito longe. 

PARDAL — Aquela alí é osso duro de roer. 

Eles continuam a correr por entre os galhos e folhas. 

MIRO — Ela vai ter que estar em algum lugar. 

Pardal vê o pé de uma 

PARDAL — Miro, eu acho que tem alguém ali caído. É o pé de uma moça!

Miro ilumina com o celular na direção de onde tem a pessoa caída. 

A música se encerra por aqui. 

MIRO — É a Marisa! Com certeza é ela. 

Eles se aproximam da pessoa caída. 

PARDAL — É ela mesmo, Miro! (passa a mão na cabeça dela e vê um corte). Ela está desacordada e tem um ferimento na cabeça. 

Miro coloca a arma na cintura e o celular no bolso. Em seguida, coloca Marisa em seus braços. Miro e Pardal, iluminando caminho, voltam, desviando de galhos e folhas. Alguns minutos depois, eles saem da mata fechada. Veem que Bigode e Glauco continuam no mesmo local. 

MIRO (P/Bigode) — Encontramos ela caída por entre os galhos. Tá inconsciente, mas está viva. 

Bigode está segurando Glauco, que está com os olhos fixos em Marisa. A pé, eles vão à CASA DE MIRO, onde a cena continua. Miro olha para Marisa, que continua desacordada. 

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CENA 10/ RIO DE JANEIRO/ RUAS DA CIDADE/ MANHÃ/ EXT. 

Trilha sonora: De Bem com a Vida - Alberto Rosenblit 



Mostrar as pessoas andando de bicicleta pelas ruas de Ipanema. Vendedores ambulantes vendendo sorvete. O Cristo Redentor, o bondinho. Carros passando pelas ruas da cidade. 

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CENA 11/ APARTAMENTO DE ERIC/ SALA DE JANTAR/ MANHÃ/ INT. 

Aline e Eric se sentam à mesa. A filha de Glauco já havia preparado o café da manhã com antecedência. Suco de laranja, leite, café, pão, biscoitos e tapioca. Desde que se sentou à mesa, Eric fixa o seu olhar nos olhos de Aline, que percebe a reação do namorado. Antes de dar a primeira mordida no pão, não hesita em questionar o namorado. 

ALINE — O que está planejando dessa vez? 

ERIC — Nada! Só estou admirando sua beleza e seus olhos!

ALINE — Você poderia ter feito tanta coisa de bom! 

ERIC — O que de bom eu poderia ter feito não estando do seu lado, meu amor?

ALINE — Você nunca precisou de mim para nada. 

ERIC (cínico) — Precisei do seu amor… 

ALINE — Eu já vi muito cinismo na minha vida. Igual ao seu eu acho que não existe. Você não sabe nem que é isso. Amor. 

ERIC — Eu acho tão bonito o que você fala. Quer que eu suma da sua vida, como se nunca tivesse acontecido nada e como se você nunca tivesse dependido de mim. Muita dessas roupas e jóias que você usa foi com o meu dinheiro.. Eu era seu cliente fixo e dei muito dinheiro para você passar a noite comigo.Não foi o seu papai rico que deu essas coisas. 

ALINE — Não precisa jogar na cara! Eu tinha outros clientes fixos, mas nenhum me infernizou ou me inferniza como você. 

ERIC — O que chama de infernizar, eu chamo de cuidar. Eu te amo!

ALINE (Irônica) — Estou muito comovida com essa sua fala. Quase acreditei! E se eu não te conhecesse tão bem, até acreditaria. Mas a vida já me fez cruzar com tanta gente pilantra, que eu já os truques. A sedução é só um deles. 

ERIC (Sarcasmo) — Pilantra? Eu? Assim você me ofende, meu amor! (Finge tristeza). Estou ferido por dentro com essa sua fala. (Finge choro compulsivo). O que eu fiz para merecer isso? 

Aline fica envergonhada vendo aquela encenação de Eric. 

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CENA 12/ CASA DE MIRO/ CATIVEIRO/ MANHÃ/ INT. 

Marisa acorda um pouco zonza e com uma forte dor de cabeça. Está deitada sobre um colchão sem lençol e vestindo apenas calcinha e sutiã. 

MARISA — Onde eu estou? 

Ela olha para o lado e percebe que a janela está toda gradeada e olha para o outro e percebe que a porta está trancada. 

MARISA (Gritando) — Socorro! Socorro!  

Ela observa que tem alguém mexendo na porta, que se abre. É Miro, que está com uma expressão séria. 

MIRO — Que gritaria é essa? Tá achando que aqui é a casa da mãe Joana é? 

MARISA — Por que eu só estou de calçinha e sutiã? Onde estão as minhas roupas?

MIRO — Tive uma noite bastante romântica, você não se lembra? Ah, esqueci que você estava desacordada. Mas só em sentir seu corpo quente, vi que você estava mais viva do que nunca. 

MARISA — Como você pode ser tão nojento? Eu não estou acreditando que você teve coragem de fazer o que fez. 

Neste instante, Pardal entra. 

MIRO (P/Pardal) — Conto para ela como foi a última madrugada, Pardal?

MARISA (interrompe) — Onde está Glauco? O que fizeram com ele? 

MIRO — Não se preocupe, pois ele está sendo muito bem cuidado! Não tem um único machucadinho no seu xuxuzinho! 

MARISA — Quem mandou vocês fazerem isso com a gente? 

MIRO — Calma, logo você vai ficar sabendo. Por enquanto não posso falar nada. São ordens superiores! A única coisa que eu quero agora é que você fique calada. (Exaltado). Não estou com saco de ouvir voz de vagabunda. 

Pardal se aproxima de Marisa e dá uma surra no rosto dela., que desequilibra e cai no colchão. 

PARDAL (P/Miro) — Acha que ela está um pouco malcriada, não acha, Miro? Talvez seja melhor deixá-la sem o almoço!

Marisa fixa o olho na janela e Miro percebe. 

MIRO (P/Marisa) — Não adianta você tentar fugir! Primeiro, que você está vendo, a janela está toda gradeada. Segundo, que mesmo que você consiga arrebentar as grades da janela, tem outros capangas cercando a casa. 

MARISA (P/Miro) — O que vocês querem? É dinheiro? É o quê?

MIRO (P/Marisa) — O que eu queria com você, eu já tive. Pena que você não se lembra de nada. Foi uma madrugada de muito amor!

Miro puxa Marisa pelo braço e a beija à força. Em seguida, empurra ela, que cai no colchão novamente. Ela fica acuada, enquanto os dois sequestradores saem do cativeiro sorridente. 

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CENA 13/ RIO DE JANEIRO/ RUAS DA CIDADE/ TARDE/ EXT. 

Trilha sonora: Aliança - Tribalista



Mostrar as ruas da cidade movimentadas. Pessoas andando de bicicleta. Pessoas fazendo caminhada na praia, assim como o Marcos e Beatriz., que tomam água de coco e conversam. Vista aérea dos prédios da cidade. 

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CENA 14/ RESTAURANTE/ TARDE/ INT. 

Trilha sonora: Mesma música da cena anterior 

Rodrigo e Sabrina se sentam à mesa. Eles estão com um sorriso no rosto e cumprimentam o maitre. 

MAITRE (P/Sabrina e Rodrigo) — Boa tarde, senhores! Qualquer coisas que vocês precisarem é só chamar!

RODRIGO (P/Maitre) — Eu vou querer o mesmo de sempre!

SABRINA (P/Maitre) — Eu também vou querer o mesmo de sempre!

O maitre anota o pedido e sai. 

SABRINA — Eu confesso que não esperava o seu convite para sairmos para almoçar. Ultimamente a gente anda tão distante. Mas hoje estou feliz. 

RODRIGO — Por quê? Por eu te ter chamado para almoçar fora. Eu te chamei porque precisava falar com você. 

SABRINA — Eu também precisava falar com você. 

RODRIGO (abre um sorriso) — Coincidência! Agora eu fiquei curioso! Pela sua expressão é algo muito bom. 

SABRINA — Bom não. Maravilhoso. Eu nunca estive tão feliz em toda a minha vida. 

RODRIGO (Sorridente) — Então me diga! O que de tão maravilhoso você tem para me contar. 

SABRINA — Eu estou grávida! 

O sorriso, antes estampado no rosto de Rodrigo, dá lugar a uma expressão séria. 

A música se encerra por aqui. 

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CENA 15/ RESTAURANTE/ TARDE/ INT 

Trilha sonora: Tenso leve - Alberto Rosenblit 



Rodrigo, sério, leva as mãos à cabeça e vem a sua mente as vozes de Aline e Diego. 

ALINE (off) — Você não a ama!

DIEGO (off) — Você a ama? 

Sabrina percebe a inquietação de Rodrigo e franze a testa, estranhando o noivo. 

SABRINA — Está tudo bem, meu amor? Não gostou da notícia? 

Rodrigo respira fundo e volta ao normal. 

RODRIGO — Sim, sim, está tudo bem! Claro… claro que gostei da notícia! Acho que foi a emoção que me deixou fora de sintonia, mas já estou bem!

SABRINA — O que você tinha tanto para falar? 

RODRIGO — Esquece! Não era nada não. 

SABRINA — Eu até tinha pensado em fazer uma surpresa para toda a família, mas aproveitei a ocasião de sairmos para revelar essa novidade. 

Rodrigo fica em silêncio por alguns segundos e fica pensativo. 

RODRIGO (pensamento) — Eu não posso terminar nesse momento. Não posso! É o meu desejo, mas agora a coisa é diferente. Tem um filho agora. Não posso deixar a Sabrina em um momento como esse. Eu vou ser pai. 

Sabrina fica em silêncio observando o noivo calado e parecendo está com a mente em outro lugar. 

SABRINA (pensamento) — Será que ele não gostou da novidade? O que ele tinha para me dizer e não disse? Será que eu fiz certo em contar agora ou deveria ter esperado mais um pouco?

Rodrigo balança a cabeça na tentativa de tirar os pensamentos que tanto o atormentam. 

RODRIGO — Vamos brindar a nova fase da nossa vida! 

SABRINA — Vamos!

Neste instante, o maitre aparece na mesa com uma garrafa de vinho e serve Sabrina e Rodrigo, que brindam sorridentes. Sabrina estampa em seu rosto um sorriso radiante, e Rodrigo um sorriso um pouco apagado. 

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CENA 16/ MORAIS FARMACÊUTICA/ RECEPÇÃO/ TARDE/ INT. 

Yolanda, vestindo um vestido branco e usando óculos escuros, entra na empresa. A secretária se levanta de sua cadeira e vai cumprimentar a matriarca da família Morais. 

SECRETÁRIA — Dona Yolanda, a senhora por aqui? 

YOLANDA — Não tinha pretensão de vim hoje, mas decidi vim. Onde está Glauco? 

SECRETÁRIA — Ele me falou que ia fazer uma viagem para resolver coisas daqui da empresa. Não falou a senhora? 

YOLANDA — Não fiquei sabendo de viagem nenhuma. Aliás, eu tenho ficado cada vez menos sabendo do que acontece nessa empresa. Eu vou esperar ele na sala dele. Já liguei várias vezes para ele, mas ele não atende. 

SECRETÁRIA — Eu vou abrir a sala do doutor Glauco para a senhora. 

A secretária, acompanhada de Yolanda, vai à sala de Glauco e a abre. Yolanda entra. 

Corta para:

CENA 17/ CARRO DE RODRIGO/ TARDE/ INT. 

Rodrigo e Sabrina estão no carro, que está em movimento. O trânsito está um pouco lento. 

SABRINA — Você ficou feliz com a notícia de que estou grávida? (Passa na barriga). É um dos meus grandes sonhos ser mãe! 

RODRIGO — Claro que fiquei! ´Foi uma notícia maravilhosa. Só fiquei um pouco surpreso e emocionado. 

SABRINA — Que bom, meu amor, meu amor!

RODRIGO (pensamento) — Eu não posso decepcioná-la. Mas, por mais que agora tenhamos um filho, ele não vai fazer com que o meu amor por ela retome. Eu tenho que ir com calma. Atitudes precipitadas muitas vezes nos causam arrependimentos. Tenho que ir com calma… com calma. 

SABRINA — Você vai para agência?

RODRIGO — Vou! Só vou te deixar em casa e depois vou para a agência. 

Eles continuam conversando. 

A música se encerra por aqui. 

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CENA 18/ CALÇADÃO DE IPANEMA/ TARDE/ EXT. 

Trilha sonora: Tempo Perdido - Legião Urbana 



Marcos e Beatriz andam de bicicleta pelo calçadão. Eles riem, enquanto conversam. 

BEATRIZ — Sabia que eu achei que a gente não ia mais ter uma vida normal. Mas Deus foi generoso. 

MARCOS — A gente não podia partir logo agora. O nosso amor ainda vai durar muito. E nós vamos nos amar muito ainda. 

A música se encerra por aqui. 

Trilha sonora: Radar - Alberto Rosenblit 

Marcos e Beatriz param de repente e vêem duas pessoas agredindo um morador em frente a um prédio.

MARCOS — Eu não estou acreditando no que estou vendo! 

Marcos larga a bicicleta e Beatriz tenta impedir, colocando o braço em sua frente, mas é insuficiente para barrar a sua ida até o local onde está tendo um tumulto. 

MARCOS (P/Agressor 1) — O que está acontecendo aqui? Deixe o senhor em paz!

AGRESSOR 1 (P/Marcos) — Ora, ora! Chegou a defensor dos pobres e dos oprimidos. Se você tem tanta peninha desse vagabundo, leve ele para sua casa. Não leva, não é? No fundo você sabe que ele já não tem mais jeito. Eu não vou aceitar que ele fique aqui perturbando o sossego do prédio!

Marcos dá um bofete no agressor de mendigos. 

MARCOS — Você que está perturbando o sossego das pessoas. Esse pobre homem não estava fazendo nada. 

O mendigo fica acuado, encostado no poste. O agressor 1 devolve o soco. Marcos entra em uma luta corporal com os três agressores. Beatriz, do outro lado, observa aquela cena, paralisada e sem conseguir fazer nada. Escutam-se as sirenes da polícia. Três viaturas se aproximam do local do tumulto. Beatriz atravessa a rua. 

POLICIAL 1 — Parados aí! Polícia, polícia!

Os outros quatro policiais imobilizam cada um dos envolvidos na confusão. 

MARCOS (P/Policial 1) — Esses três vagabundos estavam agredindo o morador de rua. 

AGRESSOR 1 (P/Policial 1 e Policial 2) — É mentira, seus polícia! A gente não fez nada. (Aponta para o mendigo). Esse vagabundo que fica perturbando o sossego dos moradores aqui da região e fica fazendo pequenos furtos. 

BEATRIZ (P/Policial 1) — Esses três vagabundos estavam agredindo o pobre mendigo. O meu namorado só tentou defender o mendigo. 

AGRESSOR 2 (P/Policial 1) — É mentira dela, seu polícia! É mentira!

POLICIAL 1 — Vai todo mundo para a delegacia explicar tudo. 

O mendigo continua acuado encostado no poste. Os policiais colocam todos os envolvidos na confusão nas viaturas. 

Corta para:

CENA 19/ AGÊNCIA DE MODA/ CAMARIM/ TARDE/ INT. 

Diego entra no camarim e percebe a inquietação de Rodrigo, sentado na sua cadeira, que está com as mãos sobre a cabeça. O fotógrafo se aproxima do amigo. 

DIEGO — Está acontecendo alguma coisa? Tô percebendo que você está um pouco tenso. Relaxe os ombros. 

RODRIGO — Quanto mais eu penso em me livrar dos problemas, mais eles me perseguem. 

DIEGO — O que foi dessa vez? 

RODRIGO — Você estava certo! Eu cheguei a conclusão de que eu não amo mais a minha namorada. 

DIEGO — Eu percebi isso desde o início. Eu não conheço a sua namorada e acredito que você goste dela, mas não no sentido romântico da palavra. Mas por que isso está te atormentando tanto? (Puxa uma cadeira e se senta ao lado do amigo).  Eu ficaria aliviado ao descobrir que não amo a pessoa que eu achava que amava. 

RODRIGO — Eu tentei falar com ela, mas não consegui. (Encosta a cabeça no ombro de Diego). Ela está grávida!

DIEGO — Mas você não pode ficar assim. Eu não tenho filhos, mas sei que são uma benção na vida da gente. 

RODRIGO — É uma benção quando o amor existe na família. 

DIEGO — Você não pode pensar assim. São amores diferentes. Você não pode depositar no seu filho ou filha as frustrações de um relacionamento que não deu certo. Essa criança não tem culpa de nada. 

RODRIGO — Acho que você está certo. 

Diego beija a testa do amigo. 

DIEGO — Agora fique bem e pense com calma na sua vida. Você também não enxerga esse filho com uma algema. Ele é um laço que agora une você e a sua namorada, mas ele não o prende permanentemente a ela. 

RODRIGO — Você está certo! Você é um amigo de verdade. 

Rodrigo abraça o amigo. 

Corta para:

CENA 20/ DELEGACIA/ SALA DO DELEGADO/ TARDE/ INT. 

O delegado tenta acalmar os ânimos. Marcos, Beatriz, os agressores do mendigo e o mendigo tentam explicar. 

DELEGADO — Silêncio! Silêncio! Senão vai todo mundo em cana! Fala um de cada vez. 

MARCOS (P/Delegado) — Eu falo primeiro. (Respira fundo). Eu estava pedalando com a minha namorada pelo calçadão de Ipanema, quando vi esses rapazes (Aponta para os agressores) agredindo esse morador de rua. 

AGRESSOR 1 (P/Delegado) — É mentira dele! Não fizemos nada.

MENDIGO (P/Delegado) — É verdade! Eu estava sendo agredido. Sem motivo nenhum. 

AGRESSOR 1 (P/Delegado) — Esse aí de mendigo não tem nada de pobre coitado. Vive de roubar as pessoas na entrada do prédio que eu moro. 

DELEGADO — Eu vou puxar a ficha de todo mundo! E eu quero silêncio! (P/si). Essa delegacia estava muito tranquila. 

O delegado, que já estava com o nome de todos em mãos, acessa o sistema da justiça para verificar os antecedentes criminais de todos os envolvidos no tumulto. 

DELEGADO — O Marcos Morais e sua namorada, Beatriz Varela, não tem um antecedente criminal. Podem ir. O mendigo José Bezerra tem um flagrante de roubo de um pacote de arroz no supermercado. (P/Mendigo). Não tenho motivos para prender o senhor. O único antecedente é esse e eu não vou  prender o senhor. Os três que agrediram o senhor é que tem uma extensa ficha corrida. Tem dois até que já foram enquadrados na Lei Maria da Penha. (P/ Agressor 1, agressor 2 e agressor 3). Qual é a de vocês? É um fetiche de vocês agredir pessoas? (P/Policial e policial 2). Podem levar os três para a cela. Os demais, como já foi dito, estão liberados!

O mendigo, Marcos e Beatriz saem da sala do delgado. 

Corta para:

CENA 21/ CARRO DE RODRIGO/ TARDE/ INT. 

Trilha sonora: No Clause 28 - Boy George



De repente, começou a chover forte no Rio de Janeiro. Rodrigo está escutando o som do carro, no instante em que vem a sua mente o momento em que Sabrina revelou estar grávida. Insert Flash da cena 14 do capítulo 6:

O maitre anota o pedido e sai. 

SABRINA — Eu confesso que não esperava o seu convite para sairmos para almoçar. Ultimamente a gente anda tão distante. Mas hoje estou feliz. 

RODRIGO — Por quê? Por eu te ter chamado para almoçar fora. Eu te chamei porque precisava falar com você. 

SABRINA — Eu também precisava falar com você. 

RODRIGO (abre um sorriso) — Coincidência! Agora eu fiquei curioso! Pela sua expressão é algo muito bom. 

SABRINA — Bom não. Maravilhoso. Eu nunca estive tão feliz em toda a minha vida. 

RODRIGO (Sorridente) — Então me diga! O que de tão maravilhoso você tem para me contar. 

SABRINA — Eu estou grávida! 

O sorriso, antes estampado no rosto de Rodrigo, dá lugar a uma expressão séria.

Fim do insert. 

Rodrigo fica um pouco pensativo, no instante em que vê Aline andando sozinha na rua e cobrindo a cabeça com o casaco. Ele buzina para chamar atenção dela. 

RODRIGO (P/Aline) — Entra, maninha! Sai dessa chuva. 

Rodrigo abre a porta para que a irmã entre. Aline entra no carro. Rodrigo acelera o carro. 

RODRIGO — Parece até que foi Deus que fez eu cruzar o teu caminho hoje. Estava precisando desabafar com você. 

ALINE — Estou vendo que você está preocupado! O que foi que houve? 

RODRIGO — A Sabrina está grávida!

ALINE — A Sabrina grávida? Mas qual é a sua preocupação? 

RODRIGO — Você está certa… Na verdade, você sempre esteve certa. Eu não amo a Sabrina. No momento em que fui me abrir, ela me deu a notícia que estava grávida. 

ALINE — Filho complica tudo agora… Ele não tem culpa de nada, mas agora tudo fica mais complicado. Você não acha que ela pode ter forjado essa gravidez? Sei lá… Ela pode ter descoberto que você iria terminar tudo e armou tudo isso para segurar você, não acha? Eu sei que ela é sua noiva, mas eu nunca fui com a cara dela. 

RODRIGO — Eu acho que não! Ela não seria capaz de fazer uma coisa. E ela nem sabia que eu iria terminar tudo. Não comentei com ninguém. 

ALINE — É… Talvez eu fui um pouco injusta com ela, mas se eu fosse você, colocava ela contra a parede para confirmar a história da gravidez. Mulher quando se desespera com alguma, é capaz de tudo. 

RODRIGO — Eu vou fazer isso!

Eles continuam conversando. 

A música se encerra por aqui. 

Corta para:

CENA 22/ CASA DE MIRO/ CATIVEIRO/ TARDE/ INT. 

Marisa está acuada no colchão, enrolada nos lençóis rasgados que recebera. No chão, o prato de feijão empapado com arroz está no chão. Gotas de água caem das infiltrações do teto. Ela escuta alguém mexer na porta. Miro abre a porta e entra. Ele percebe que Marisa não comeu nada. 

MIRO — Percebi que você nem tocou na comida!

MARISA — Eu não vou comer essa comida nojenta. 

MIRO — Você acha que está onde? No palácio? Aqui não tem mordomia não, piranha! Aqui você não escolhe o que comer. 

MARISA — Por que vocês estão fazendo isso comido? Eu nunca fiz nada para ninguém! Cadê o Glauco? O que fizeram com ele. 

MIRO — A essa hora ele já deve está queimando no inferno! Como você é tão insuportável? Eu só não te mato logo, porque recebi ordens superiores para não te apagar. Mas uma coisa não me proibiram de fazer. 

Miro vai até onde Marisa está deitada e puxa os lençóis que a cobria. Ele beija Marisa à força e puxa o sutiã dela. Ela se debate e tenta estapear ele, mas ele a imobiliza segurando suas mão. 

MARISA — Socor…

Miro impede ela de pedir ajuda, tampando sua boca com a mão. 

Corta para:

CENA 23/ RIO DE JANEIRO/ RUAS DA CIDADE/ NOITE/ EXT. 

Trilha sonora: 15 Step - Radiohead 



Mostrar as ruas da cidade movimentada. Pessoas andando na praia. Vista aérea do Cristo Redentor. Pessoas entrando e saindo da boate. 

Corta para:

CENA 24/ HOSPITAL SANTA MÔNICA/ LANCHONETE/ NOITE/ INT. 

Trilha sonora: A mesma música da cena anterior

Alberto e Yolanda estão sentados à mesa. Eles tomam café. 

ALBERTO — Yolanda, em nome da amizade que temos há décadas, eu não sei onde o Glauco pode estar. Estava numa cirurgia. Nem falar com ele eu falei nesses últimos dias. 

YOLANDA — Segundo a secretária da empresa, ele foi fazer uma viagem de negócios. Mas eu sinto que tem alguma coisa estranha nessa história. Ele sempre me fala quando vai fazer viagens de negócios!

ALBERTO — Eu sinto muito, mas eu não sei onde ele está. Eu e ele nos conhecemos há décadas e há mais tempo que você, inclusive… Ele deve realmente está fazendo uma viagem de negócios. 

Nesse instante, Guiomar entra na lanchonete com o celular em mãos e fica aflita. 

GUIOMAR (P/Alberto e Yolanda) — Vocês já viram o vídeo que está rolando na internet. 

YOLANDA (P/Guiomar) — Não, o que houve? 

GUIOMAR (P/Yolanda) — O Marcos se envolveu em uma confusão na rua! Não entendi direito, mas até a polícia apareceu. 

YOLANDA (Sussurra) — Meu Deus, hoje o dia está brincando com minha cara!

Guiomar mostra o vídeo para Yolanda, que vê o filho esmurrando três rapazes. 

YOLANDA — Que vergonha, meu Deus, que vergonha! O nome da minha família está sendo jogado no lixo por conta do Marcos! Nunca pensei que o meu filho fosse capaz de se engalfinhar com um estranho para defender outro estranho. Que vergonha! Meu marido sem dar notícias e meu filho metido em confusão. 

Yolanda sai em seguida desnorteada. 

Corta para:

CENA 25/ CASA DE MIRO/ CATIVEIRO. SALA/ NOITE/ INT. 

Marisa está deitada no colchão chorando compulsivamente, no instante em que Miro entra, trazendo as roupas de Marisa. 

MIRO — Se veste rápido, pois a chefia quer falar com você. Você vai ficar frente a frente com quem mandou te colocar aqui. Eu recomendaria que você não resistisse a nada. Você não tem noção de com quem você está se metendo. 

MARISA — Eu vou fazer tudo como vocês quiserem. 

MIRO — Que bom que entendeu o recado! Não queira que eu faça com você novamente o que eu fiz logo cedo. 

Marisa pega a roupa e se veste. Pardal e Bigode entram e algemam a amante de Glauco. Miro cobre o rosto dela com um capuz preto. Eles descem com ela até a SALA, onde a cena continua. Uma pessoa está de costas. Miro tira o capuz do rosto de Marisa. Pardal tira as algemas. A pessoa vira-se para Marisa e fica frente a frente com ela, que fica assustada. 

MARISA — Você? 

Focar na expressão de espanto de Marisa. A imagem congela e é coberta por uma máscara. 



 





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