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Entre Laços Quebrados - Capítulo 18

 

 



ENTRE LAÇOS QUEBRADOS | CAPÍTULO 18
Criada e escrita por: Vicente de Abreu
Produção Artística: Ezel Lemos

Essa obra pode conter representações negativas e estereótipos da época em que é ambientada.





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CENA 01: INT. APARTAMENTO DE OTÁVIO - NOITE


[ TRILHA ON: Whitesnake - Is This Love]

Rubi e Otávio entram no apartamento, suas mãos entrelaçadas. Rubi mantém os olhos fechados enquanto Otávio a conduz pelo espaço.

OTÁVIO: (animado) Pode abrir os olhos agora, Rubi.

Rubi abre os olhos e fica completamente chocada ao ver o apartamento totalmente adaptado para um casal. Flores frescas enfeitam a mesa de centro, velas perfumadas iluminam o ambiente e uma música suave preenche o ar.

RUBI: (incrédula) Otávio, isso é...

OTÁVIO: (sorrindo) Eu queria que você se sentisse em casa aqui, Rubi.

Rubi olha para Otávio, com lágrimas nos olhos, sem palavras para expressar sua gratidão.

OTÁVIO: (olhando nos olhos dela) Rubi, eu amo você. Eu quero passar o resto da minha vida ao seu lado. Eu não quero mais vê-la nas ruas, como uma prostituta. Eu quero que você venha morar comigo.

Rubi fica sem palavras, completamente atordoada pela declaração de Otávio.

RUBI: (emocionada) Otávio, eu... Eu...

OTÁVIO: (pedindo desculpas) Eu sei que isso é repentino e talvez um pouco assustador, mas eu só quero o melhor para nós dois.

Rubi olha para Otávio com amor nos olhos e sorri.

RUBI: (abraçando-o) Eu amo você, Otávio. E eu aceito.

Os dois se abraçam ternamente, selando o momento com um beijo apaixonado.


CONTINUAÇÃO. 


CENA 02: INT. APARTAMENTO.  QUARTO - MANHÃ

A luz do sol filtrada pelas cortinas delicadas dança no quarto arejado. Rubi se espreguiça, revelando apenas uma camisa larga de Otávio e calcinha.

Ela pisca, levantando-se da cama com um pulo animado. Rubi desliza os pés pelo chão macio enquanto caminha até a porta do quarto.


CENA 03: INT. APARTAMENTO. COZINHA. CONT.

A cozinha é inundada de aromas aconchegantes. Rubi se move com graciosidade enquanto prepara o café da manhã, mostrando sua habilidade culinária. Otávio surge da porta do quarto, ainda sonolento, mas seu rosto se ilumina ao ver Rubi.


OTÁVIO: Bom dia, meu amor.

Ele se aproxima dela, envolvendo-a em um abraço caloroso, seus lábios encontram os dela em um beijo suave. Rubi sorri, seus olhos brilham de felicidade.


RUBI: Bom dia, meu tudo.


Ela se afasta por um momento, com uma expressão travessa.


RUBI (cont.): Espero que esteja com fome, preparei algo especial para nós.

OTÁVIO: Com você na cozinha, estou faminto o tempo todo.


Rubi ri, abraçando-o novamente.


RUBI: Otávio, precisamos conversar. Sobre sua esposa... Você já pensou mais seriamente sobre o divórcio?


Otávio baixa o olhar por um instante, parecendo perturbado pela pergunta direta de Rubi.


OTÁVIO: Rubi, eu... Eu sei que é complicado, mas irei lidar com isso, logo. 


Rubi olha para ele, buscando sinceridade em seus olhos.


RUBI: Espero que sim, Otávio. Porque eu te amo, mas não posso viver nessa incerteza para sempre.


Eles compartilham um olhar carregado de emoções, enquanto o aroma do café fresco e das panquecas preenche o ar.


CENA 04: ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA. INT. 

O escritório de advocacia é espaçoso e bem iluminado, com móveis de madeira escura e estantes repletas de processos e livros de direito. Heloísa, está sentada em uma das poltronas, sua expressão transbordando confiança e determinação. Iná, está ao seu lado, nervosa e hesitante. Raul, está sentado próximo delas, enquanto Custódio, o advogado de Heloísa, se posiciona diante deles, segurando um envelope grosso contendo documentos importantes.

CUSTÓDIO: (com voz calma e profissional) Bem, como discutimos anteriormente, o processo de venda do neto de Dona Iná para a Sra. Heloísa está em estágio avançado. Raul aqui presente, gentilmente, elaborou todos os documentos necessários para formalizar o acordo.

Custódio abre o envelope e retira uma pilha de papéis, colocando-os ordenadamente sobre a mesa.

CUSTÓDIO: (com um sorriso contido) Como mencionado, Dona Iná, todos os detalhes foram cuidadosamente tratados para garantir que o processo seja legal e impecável. Aqui estão os contratos de venda, termos de pagamento e todas as cláusulas acordadas entre as partes envolvidas.

Iná olha para os documentos com uma mistura de angústia e resignação. Ela se vira para Heloísa, cujos olhos brilham com malícia e triunfo.

INÁ: (com a voz trêmula) Eu... eu não sei se consigo fazer isso. Ele é meu neto, minha única família...

HELOÍSA: (com um sorriso frio) Oh, minha querida Iná, você sabe muito bem que isso é o melhor para todos nós. Você terá uma vida confortável e sem preocupações, e eu... bem, eu finalmente terei o que tanto desejei.

DR. RAUL: (interrompendo suavemente) Dona Iná, entendo que esse é um momento difícil, mas lembre-se de que esta decisão foi tomada após muita reflexão. Estamos aqui para ajudá-la em cada passo do caminho.

Iná engole em seco e olha para os papéis diante dela, lutando internamente com a decisão que está prestes a tomar. Finalmente, com um suspiro pesado, ela pega a caneta oferecida por Custódio e assina os documentos.

Enquanto Iná assina, os olhos de Heloísa brilham com triunfo. Ela troca um olhar satisfeito com Custódio, enquanto a tinta fresca da assinatura de Iná seca sobre o papel.

HELOÍSA: (com um sorriso malicioso) Excelente escolha, Dona Iná. Você não vai se arrepender.


CENA 05: INT. CASA DE DÉBORA. PETRÓPOLIS. SALA DE ESTAR - DIA

Débora está sentada no sofá. Sua mãe, Joana, está na poltrona em frente a ela, folheando uma revista.

DÉBORA: (suspirando) Sabe, mãe, ainda não consigo acreditar que Otávio me deu uma máquina lava louças de presente. É tão... inesperado. Deve ter sido uma fortuna! Mas agora, eu consigo me organizar melhor, e ter tempo entre meu filho e minhas tarefas.

JOANA: (levantando o olhar da revista) Inesperado é pouco, Débora. Eu acho isso tudo muito estranho. Desde quando ele começou a agir assim?

DÉBORA: (franzindo a testa)  Ele voltou diferente, mais... 

JOANA: E ele te pediu desculpas pela ausência, né?

DÉBORA: Sim, pediu. Disse que precisava resolver algumas coisas lá fora, mas que estava arrependido por ter me deixado sozinha.

JOANA: (cética) Hmm... sei não, Débora. Isso tá com uma cara de coisa mal resolvida.

DÉBORA: (levantando-se do sofá) Você acha que tem alguma coisa errada com o Otávio?

JOANA: (olhando nos olhos da filha) Eu não sei, querida. Mas é melhor você ficar de olho. Não custa nada prevenir, né?

Débora assente, preocupada, enquanto as palavras da mãe ecoam em sua mente. A cena se fecha com as duas perdidas em seus pensamentos, enquanto o silêncio da sala se intensifica.


CENA 06: INT. RESTAURANTE. DIA.

Otávio e Arnaldo estão sentados em uma mesa, desfrutando de um almoço descontraído. O ambiente é agradável, com luz natural inundando o espaço.


OTÁVIO: (sorrindo) Então, Arnaldo, tenho novidades para te contar.

ARNALDO: (curioso) Ah é? Conta aí, Otávio.

OTÁVIO: (animado) Bom, eu finalmente tomei coragem e me desculpei com a Débora.

ARNALDO: (surpreso) Sério? E como foi?

OTÁVIO: (explicando) Foi um pouco tenso no começo, mas depois conversamos e parece que as coisas estão se acertando.

ARNALDO: (sorrindo) Que bom, cara. Fico feliz por vocês.

OTÁVIO: (mais sério) Mas não é só isso. Eu também me desculpei com a Rubi.

ARNALDO: (incrédulo) Como assim? Você está falando sério?

OTÁVIO: (confirmando) Sim, chamei ela para morar no apartamento.

ARNALDO: (brincalhão) Uau, Otávio, você realmente está vivendo perigosamente, hein? Amor em dobro!

OTÁVIO: (rindo) Pois é, parece loucura, mas é o que sinto.

ARNALDO: (mais sério) E a Débora? Como ela reagiu a isso?

OTÁVIO: (refletindo) Ela entendeu, Arnaldo. Mas deixei claro que ainda preciso de um tempo para organizar as coisas. Não posso fingir que está tudo bem e simplesmente voltar para casa.

ARNALDO: (compreensivo) Entendo. Você precisa resolver as coisas do seu jeito.

OTÁVIO: (nodando) Exatamente. Não quero machucar ninguém, mas também não posso continuar vivendo uma mentira.

ARNALDO: (apoiando) Estou aqui para o que precisar, Otávio. Seja lá qual for a decisão, você sabe que pode contar comigo.

OTÁVIO: (agradecido) Valeu, Arnaldo. Significa muito para mim.


Os dois amigos brindam com seus copos, celebrando essa nova fase na vida de Otávio


CENA 07: RIO DE JANEIRO. ANOITECER.


CENA 08: INT. FLAT DE OTTO - NOITE

Otto, recebe Sandy, uma garota de programa, com um sorriso que mal esconde sua ambição insaciável. Sandy entra com uma mistura de curiosidade e nervosismo enquanto Otto se apresenta como Alexandre.

OTTO: (com um sorriso enigmático) Bem-vinda, Sandy. É um prazer tê-la aqui.

SANDY: (com uma mistura de nervosismo e fascínio) Obrigada, Alexandre. Estou feliz por ter vindo.

Otto observa Sandy com um misto de admiração e cálculo, enquanto ela tenta disfarçar sua ansiedade.

OTTO: (com uma voz suave, mas firme) Por favor, sente-se.

Sandy obedece, escolhendo um lugar no sofá com cautela, mantendo uma distância educada de Otto.

OTTO: (sentando-se ao lado dela) Sandy, eu tenho uma proposta para você. Uma que poderia mudar nossas vidas para sempre.

Sandy olha para ele com curiosidade, esperando para ouvir mais.

SANDY: (intrigada) Estou ouvindo, Alexandre.

OTTO: (com um brilho nos olhos) Eu estou envolvido em um negócio... delicado. E estou procurando por alguém confiável para me ajudar.

Sandy franze a testa, começando a entender onde essa conversa está indo.

SANDY: (com uma leve apreensão) Que tipo de negócio?

OTTO: (baixando a voz) Eu tenho acesso a... substâncias que têm um grande valor no mercado. Ela já está presente no mercado desde os anos oitenta, através de uma família brasileira, que exportou dos Estados Unidos. Crack, para ser mais preciso.

Os olhos de Sandy se arregalam em surpresa diante da revelação. Enquanto Otto, pega as substâncias.

SANDY: (com um suspiro) Crack…

OTTO: (empolgado) Isso. Crack! O crack te dá um soco muito mais forte, um efeito instantâneo.  É mais viciante, ou seja, uma mina de dinheiro. 

SANDY: Uau, isso é meio assustador.

Otto nesse momento, pega um cachimbo de metal, onde ele aquece até vaporizar e repassa para que Sandy inale. Ela hesita por um momento rápido, mas Otto beija seu pescoço lentamente, incentivando e assentindo com a cabeça, para que ela inale a substância.

OTTO: (com um sorriso calculista) Isso, boa menina! Eu estou disposto a dividir os lucros com alguém que eu possa confiar. Alguém como você, Sandy.

Sandy olha para Otto, em estado de euforia. 

SANDY: (eufórica) Eu... Eu aceito, Alexandre. Vou te ajudar.


CENA 09: INT. MANSÃO FAMÍLIA ROSSI. SUÍTE HELOÍSA E GUILHERME. NOITE

O quarto é iluminado apenas pela luz suave de um abajur. Guilherme está deitado na cama, imerso em um livro. Ele parece tranquilo, perdido nas palavras impressas. Ao fundo, ouvimos o som suave da água correndo. Heloísa, entra no quarto, trajando um roupão. Seus passos são lentos e cansados, refletindo o peso do dia exaustivo que ela teve. Ela fecha a porta atrás de si e se aproxima da cama.


GUILHERME: (levantando o olhar do livro) Como foi o seu dia, querida?

Heloísa sorri cansadamente, mas há um brilho em seus olhos.

HELOÍSA: (prendendo a respiração) Foi... foi longo, mas estou bem. Só preciso relaxar um pouco.

Ela caminha em direção ao banheiro, enquanto Guilherme volta sua atenção ao livro. Porém, segundos depois, um grito estridente rompe o silêncio.

GUILHERME: (alarmado) Heloísa?!

Guilherme pula da cama, seu coração disparando. Ele corre em direção ao banheiro, onde encontra Heloísa apoiada contra a parede, agarrando a barriga com uma expressão de dor.

GUILHERME: (entrando em pânico) O que está acontecendo?

Heloísa olha para ele, seus olhos cheios de mistura de dor e emoção.

HELOÍSA: (entre gemidos) É... é hora. O bebê está chegando.

Guilherme fica estático por um momento, antes que a realidade da situação o atinja. Ele se move rapidamente para apoiá-la, seu rosto transbordando com uma mistura de preocupação e excitação.

GUILHERME: (Voz trêmula) Fique calma, Helô. Vai ficar tudo bem. Eu vou te levar para o hospital.


CENA 10: INT. LEITO HOSPITALAR. HOSPITAL VITAL ROSSI. 

Iná está sentada ao lado da cama de sua filha Luciana, que está em coma. Iná parece inquieta, seus olhos fixos na bolsa de couro no chão ao lado dela. A bolsa contém uma grande soma de dinheiro.

Ela olha de volta para Luciana, seu rosto sombrio e tenso. Iná se levanta devagar, seu olhar agora duro e determinado. Ela caminha até a bolsa e a pega, abrindo-a para contar o dinheiro com um olhar frio.

INÁ: (sussurrando para si mesma) Duzentos e cinquenta mil reais... o preço da minha decisão.

Ela fecha a bolsa com um gesto rápido, o som do zíper ecoando no silêncio do quarto. Iná então se vira para Luciana, seu rosto agora uma máscara de emoções conflitantes.

INÁ: (com voz firme) Luciana, eu espero que você entenda... Eu fiz o que tinha que ser feito.

Ela se aproxima da cama, seus olhos encontrando os de Luciana, embora sem resposta. Iná respira fundo, lutando para manter a compostura.

INÁ: (com um suspiro pesado) Você sempre foi minha prioridade, meu amor. Mas... eu não podia ignorar a oportunidade que surgiu. Esse dinheiro pode mudar tudo para mim.

Ela toca suavemente a mão de Luciana, seus dedos tremendo ligeiramente.

INÁ: (com voz determinada) Chegou a hora de seguir em frente, minha querida. E eu não deixarei nada, nem ninguém, ficar no meu caminho.

Iná volta para a bolsa de dinheiro, segurando-a com uma confiança arrogante. Um momento de silêncio carregado paira sobre o quarto antes de Iná se virar novamente para Luciana, sua expressão agora cheia de desprezo.

INÁ: (com voz embargada) Eu te amo, minha filha... Eu sempre amarei. Adeus!


CENA 12: INT. HOSPITAL VITAL ROSSI. MOMENTOS DEPOIS.

Heloísa está deitada na maca, agarrando com força os corrimões enquanto o Dr. Raul e as enfermeiras se preparam para o procedimento. Guilherme está ao seu lado, segurando sua mão com preocupação.

HELOÍSA: Guilherme, por favor... Não quero que você entre.

GUILHERME: (Olha para ela, confuso) Mas por quê? Eu preciso estar aqui com você, Heloísa.

HELOÍSA: (Suplicante) Por favor, confie em mim. Não é seguro, não para você. Só mais alguns minutos, eu prometo.

Guilherme hesita, mas a expressão determinada de Heloísa o faz ceder. Ele engole em seco, acariciando delicadamente o rosto dela.

GUILHERME: (Tentando conter as emoções) Tudo bem... Eu confio em você.

Dante, o irmão de Guilherme, coloca a mão no ombro dele com solidariedade.

DANTE: (Voz suave) Ela está certa, mano. Vamos respeitar o que ela quer.

Heloísa é levada para a sala de parto, deixando Guilherme e Dante na sala de espera, ansiosos e nervosos.


CENA 13: INT. HOSPITAL VITAL ROSSI. MAIS TARDE.

Guilherme está sentado na recepção, com as mãos trêmulas e o olhar perdido. A Dra. Virginia, visivelmente abalada, se aproxima dele com cautela.


DRA. VIRGINIA: (Gentilmente, entristecida ) Guilherme... Parabéns pelo seu filho.

Guilherme ergue os olhos para encará-la, confuso diante da mistura de emoções em seu rosto.

GUILHERME: (Olha para ela, confuso) Obrigado... Mas o que aconteceu? Por que você parece tão...

Antes que ele possa terminar, a Dra. Virginia baixa os olhos, lutando para encontrar as palavras certas.

DRA. VIRGINIA: (Com pesar) Luciana... O filho dela... Na incubadora... Ele não resistiu.

Guilherme fica atordoado, o mundo ao seu redor parecendo desabar. Ele olha para o vazio por um momento, processando a notícia devastadora.

GUILHERME: (Com voz embargada) Oh, meu Deus... Não pode ser…


CENA 14: INT. RODOVIÁRIA NOVO RIO. 


Iná de semblante cansado, está sentada em um banco da rodoviária, segurando uma pequena mala e olhando ansiosamente para os horários de partida dos ônibus. Seu rosto expressa uma mistura de tristeza e determinação.

De repente, o Advogado, Dr. Custódio,se aproxima dela com um envelope na mão.

DR. CUSTÓDIO: Iná!

Iná se vira surpresa ao ouvir seu nome, e seus olhos se encontram com os do Dr. Custódio. Ela franze a testa, reconhecendo-o.

INÁ: Dr. Custódio?

DR. CUSTÓDIO: (Sorrindo) Sim, sou eu. Desculpe a interrupção, mas eu precisava falar com você antes que partisse.

Ele se senta ao lado dela, e ela olha para o envelope que ele segura.

INÁ: O que é isso?

DR. CUSTÓDIO: (Entregando o envelope) É algo que você precisa ter. A certidão de óbito do seu neto. O importante é que você guarde isso muito bem. Você vai precisar.

INÁ: Farei tudo como o combinado, doutor.

Ele se levanta do banco, olhando para ela com um olhar significativo.

DR. CUSTÓDIO: Boa sorte, Iná.

Iná olha para ele enquanto ele se afasta, ainda atordoada com o que acabou de acontecer. Ela então olha para a certidão de óbito em suas mãos. Com um suspiro, ela guarda o envelope em sua bolsa e se levanta para partir.


CENA 15: INT. APARTAMENTO DE VIRGINIA. INT. 

Virginia entra, a exaustão pintada em cada linha de seu rosto. Seu olhar, uma tempestade de emoções contidas, irrompe na penumbra da sala. Marlene, serve o jantar para Serginho, cujo semblante já está tenso mesmo antes de Virginia entrar.

Marlene ergue os olhos, e sua expressão se contrai ao ver Virginia.

MARLENE: (urgentemente) O que houve, querida?

Virgínia tenta sorrir, mas é apenas uma máscara frágil.

VIRGINIA: (com a voz trêmula) Eu... eu não sei.

Marlene se levanta abruptamente, um pressentimento terrível tomando conta de seu ser.

MARLENE: O que foi, Virginia?

Virginia fecha os olhos, reunindo coragem.

VIRGINIA: (com dificuldade) O... o bebê... da Luciana...

Ela engole em seco, lutando contra as lágrimas.

MARLENE: (sussurrando, como uma prece) Não...

Serginho olha para Virginia, uma sensação de apreensão tomando conta dele.

SERGINHO: O que aconteceu com o bebê?

Virginia mal consegue articular suas palavras.

VIRGINIA: (com a voz embargada) Ele... ele não resistiu... na UTI neonatal... ele... se foi...

Marlene coloca a mão sobre a boca, horrorizada. Serginho sente como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés.

SERGINHO: (em descrença) Não... não pode ser verdade...

Virginia desmorona, lágrimas inundando seus olhos.

VIRGINIA: (entre soluços) Eu... eu fiz tudo... mas não foi suficiente...

Marlene se aproxima, os olhos marejados.

MARLENE: Oh, meu Deus! Pobre da Luciana..

O silêncio domina a sala, quebrado apenas pelo som do choro angustiado dos três, enquanto se abraçam, encontrando consolo na união em meio ao abismo da perda.


CENA 16: CIDADE DE PETRÓPOLIS. UM POUCO MAIS TARDE.

[ TRILHA ON: Maria Creuza - Com Açúcar, Com Afeto (Pseudo Video)]

A noite caiu suavemente sobre Petrópolis, iluminando as ruas de paralelepípedos com lâmpadas antigas. O Palácio de Cristal resplandecia sob a luz da lua, cercado por jardins perfumados. O lago do Museu Imperial refletia o céu estrelado, enquanto as montanhas ao fundo completavam o cenário sereno. As luzes das casas e o som distante de risadas enchiam o ar de calor e encanto.


CENA 17: CASA DE DÉBORA E OTÁVIO.

Otávio gira a chave na fechadura e entra em casa. Ele parece tenso e cansado. Ao fechar a porta, é recebido pelo doce aroma que paira no ar. Ele larga sua pasta sobre o sofá e segue para a sala de jantar, onde encontra Débora.

DÉBORA: (com um sorriso radiante) Surpresa!

Otávio fica surpreso ao ver a mesa decorada romanticamente.

DÉBORA: (aproximando-se com os braços abertos) O que acha? Preparei tudo para comemorarmos o Dia dos Namorados.

Otávio, com uma expressão fria, não corresponde à empolgação de Débora.)

OTÁVIO: (distante) Ah, é... Obrigado, Débora. É... inesperado.

DÉBORA: (com um olhar de decepção) Você não gostou?

Otávio hesita antes de responder.

OTÁVIO: (frio) É que... Não estou me sentindo muito bem hoje. Não estou no clima para comemorar.

A expressão de Débora muda de surpresa para desconfiança e angústia.

DÉBORA: (com uma voz trêmula) Não é sobre como você está se sentindo, é? Você tem outra, não é? É isso que está acontecendo?

Otávio fica chocado com a acusação.

OTÁVIO: (defensivo) O quê? Não, claro que não! Eu só... não estou bem, Débora. Eu não esperava por isso, é tudo.

Débora começa a perder o controle e sua voz elevando.

DÉBORA: (com lágrimas nos olhos) Eu sabia! Eu sabia que algo estava errado! Você anda tão distante ultimamente, sempre ocupado, sempre com desculpas. Eu me esforço tanto para fazer algo especial e você nem se importa!

Otávio tenta explicar, mas Débora o interrompe.

DÉBORA: (gritando) Eu cansei! Cansei de tentar salvar esse casamento sozinha! Você acha que pode simplesmente me ignorar e esperar que tudo fique bem?

Otávio fica em silêncio, atordoado pela intensidade das palavras dela.

DÉBORA: (com raiva e tristeza) Eu não aguento mais isso, Otávio. Não sei mais o que fazer.

Otávio tenta se aproximar, mas Débora o empurra, afastando-se.

DÉBORA: (chorando) Me deixe em paz!


CENA 18: INTERIOR. QUARTO DE RAUL - NOITE

[TRILHA ON: A Viagem Instrumental | O Céu | Trilha Sonora da Novela A Viagem]

Raul, está deitado em sua cama, respirando calmamente. A luz suave do abajur ilumina o quarto escuro. Ele se move inquieto, como se estivesse prestes a acordar de um sonho agitado. De repente, seu rosto se contrai em agonia enquanto ele começa a sonhar.


[SONHO]

( TRILHA CONT.)

~ Raul se vê em um lugar desconhecido, uma espécie de névoa envolve tudo ao seu redor. Ele se sente desorientado, mas algo o chama, uma presença etérea se aproxima dele. É Eulália, sua empregada há anos, mas ela parece diferente, etérea, como um espírito. ~

RAUL: Eulália? O que está acontecendo?

EULÁLIA: (com uma voz suave e reconfortante) Raul, meu querido, chegou a hora de nos despedirmos e nos encontrarmos além da vida.

(Raul olha em volta, percebendo que está em um lugar entre o mundo dos vivos e o além.)

RAUL: Onde estamos?

EULÁLIA: (com um sorriso tranquilo) Este é um lugar onde os espíritos se encontram, onde as almas se conectam, eu cheguei recentemente e logo fui recebida por alguém que você conhece. E eu queria te mostrar, esse alguém muito especial.

(A figura de uma mulher aparece na névoa, uma presença familiar para Raul. É a mãe dele, falecida há anos. Ele a olha com lágrimas nos olhos.)

RAUL: Mãe...

MÃE DE RAUL: Meu filho, você cresceu tão rápido. Estou tão orgulhosa de quem você se tornou.

(Raul tenta tocá-la, mas sua mão passa pela imagem etérea de sua mãe.)

RAUL: Mãe, sinto tanto sua falta...Eu faria qualquer coisa por você, mãe. 

( Eulália  se aproxima, colocando uma mão reconfortante no ombro de Raul. )

EULÁLIA: Raul, querido, eu também estou aqui por uma razão. Quero que saiba que sempre o amei como um filho. Você foi mais do que um empregador para mim, foi uma parte importante da minha vida. Obrigada por todos esses anos.

( Raul olha para Eulália, suas emoções transbordando enquanto ele a abraça. )

RAUL: Eulália, eu... eu também a amo. Você foi uma parte fundamental da minha vida. Nunca vou esquecer tudo o que fez por mim.

Eulália sorri ternamente enquanto as lágrimas escorrem por seu rosto translúcido. Raul e sua mãe se abraçam, enquanto a névoa ao redor deles começa a se dissipar.


[ FIM DO SONHO] 

Raul acorda bruscamente, seu rosto molhado de lágrimas. Ele olha ao redor, confuso por um momento antes de lembrar do sonho. 


CENA 19: INT. SALA DE ESTAR. CASARÃO DE LEONA - NOITE

Rubi está no centro da sala, empolgada, enquanto Leona e Tigre a observam.


RUBI: (animada) Adivinhem só! Otávio me convidou para morar com ele!

LEONA: (preocupada) Sério, Rubi? Você tem certeza de que é uma boa ideia?

RUBI: (sorrindo) Tenho sim! Estou super animada com essa nova etapa da minha vida!

TIGRE: (com um leve tom de ciúmes) É, deve ser mesmo... (disfarçando) Quer ajuda para arrumar suas coisas?

Rubi começa a arrumar algumas roupas em uma mala enquanto Leona observa, ainda preocupada.


CENA 20: INT. SACADA DO CASARÃO - MINUTOS DEPOIS

[TRILHA ON: Tânia Mara - Se Quiser]


Rubi está na sacada, olhando para o céu estrelado. Tigre se aproxima lentamente.


TIGRE: (suavemente) Rubi...

RUBI: (virando-se para ele, sorrindo) Tigre...

TIGRE: (olhando nos olhos dela) Eu preciso te dizer algo. Algo que venho guardando por muito tempo.

RUBI: (curiosa) O que é?

TIGRE: (com sinceridade) Eu... Eu gosto de você, Rubi. Mais do que como uma amiga.

Rubi fica surpresa com a revelação, mas seu coração acelera.

RUBI: (emocionada) Tigre, eu...

Antes que ela possa terminar a frase, Tigre a interrompe, aproximando-se ainda mais.

TIGRE: (com determinação) Eu sei que pode parecer loucura, mas eu não posso mais esconder meus sentimentos. Eu te amo, Rubi. E te ver partir assim, me dói, me dói muito. 

O ambiente ao redor parece desaparecer enquanto Rubi e Tigre se encaram intensamente. O clima entre os dois se torna carregado de romance. Ele a surpreende com um beijo.


[ Fim do capítulo. ]  


Gostaria de expressar agradecimento ao ator Lázaro Ramos  por sua participação especial no papel de Dr. Custódio. Sua atuação brilhante trouxe uma profundidade e uma autenticidade incríveis ao personagem, enriquecendo imensamente nossa produção.


EM MEMÓRIA DE ILVA NIÑO ( Eulália)
15 / 11 / 1937
✝ 12 / 06 / 2024







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