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Caminhos - Capítulo 11

 

CAMINHOS

novela de MIGUEL VICTOR

direção geral RICARDO WADDINGTON

CAPÍTULO 11

CENA 01. CASA CLARA. QUARTO. INT. DIA

Clara está sentada na cama mexendo no celular enquanto Gabriela se aproxima.

Gabriela: E aí, como você está?

Clara: Ah, Gabi, tô bem, na medida do possível. Preocupada, porque minha mãe vai sair do

hospital mas ela ainda vai precisar dos remédios e agora eu fui demitida da pizzaria e não

sei se vou conseguir o dinheiro suficiente.

Gabriela' Eu entendo, mas é importante que você também cuide de si mesma. E falando

nisso, como está o encontro com o cara do aplicativo?

Clara: Gabi, eu não sei nem o que dizer. Nós conversamos por mensagem e tivemos uma

chamada de vídeo ontem. Ele é lindo!

Gabriela: Que bom que você gostou dele! E já marcaram um encontro?

Clara: Ainda não, mas eu gostaria de encontrá-lo logo. Estou muito curiosa.

Gabriela: Eu entendo a sua curiosidade, mas Clara, você tem que ter cuidado com esses

encontros. Nem todo mundo é o que parece ser na internet. Lembra daquele Sérgio que

você conheceu no aplicativo, marcou encontro e no final quase se ferrou?

Clara: Eu sei, Gabi, mas eu sinto que posso confiar nele. Eu sinto uma conexão com ele,

sabe?

Gabriela: Entendo. Mas você sabe que é preciso ter cuidado.

Clara: Claro, Gabi, eu sei. Mas eu não consigo parar de pensar nele.

Gabriela: Ei, eu estou torcendo para que dê tudo certo com vocês. Mas me conta, como ele

é?

Clara: Ele é lindo, inteligente e tem um sorriso encantador. Ele tem um cabelo cacheado

que parece um anjo... Gabi, eu acho que estou me apaixonando por ele.

Gabriela: Isso é ótimo, Clara! Eu estou muito feliz por você.

Clara sorri, mas Gabriela parece preocupada.

Gabriela: Só tenha cuidado, Clara. Não se deixe levar pelas aparências. Às vezes, as

pessoas não são o que parecem ser.

Clara: Eu sei, Gabi, mas eu sinto que ele é diferente. Eu confio nele.

Gabriela olha para Clara com uma expressão preocupada, sabendo que ela não tem ideia

de que JOE é uma inteligência artificial.

CORTE:

CENA 02. CASA YEDDA. SALA. INT. DIA

Yedda está sentada no sofá, com um sorriso no rosto enquanto mexe no celular. Milton

entra no apartamento, cansado do trabalho, e larga a mochila no chão.

Milton: Oi, Yedda. Tudo bem?

Yedda: Oi, meu amor! Tudo ótimo! Eu estava esperando você.

Milton olha para Yedda com curiosidade e se senta ao seu lado no sofá.

Milton: Esperando por mim? Pra quê?

Yedda: Eu queria te convidar para a minha palestra sobre inteligência artificial na faculdade,

daqui a pouco.


Milton: Ah, Yedda, eu não sei se sou a pessoa certa pra isso. Eu não entendo muito desse

assunto.

Yedda: Não seja modesto, Milton. Eu sei que você é inteligente e consegue acompanhar.

Além disso, seria uma honra ter você lá. E eu adoraria que você me acompanhasse.

Milton parece ponderar por um momento, mas o olhar apaixonado de Yedda o faz ceder.

Milton: Tudo bem, eu vou. Mas só se você me explicar tudo direitinho depois.

Yedda: Claro que sim, meu amor. Obrigada por aceitar.

Yedda e Milton se beijam, felizes.

CORTE:

CENA 03. CAFETERIA. INT. DIA

Caterine está sentada em uma mesa com Cris, seu amigo de gênero fluído. Eles estão

conversando enquanto tomam café.

Caterine: Sabe, eu tenho uma amiga que está em dúvidas quanto a sua identidade de

gênero. Ela está buscando informações e ajuda para entender melhor.

Cris: Ah, sim. E como você pode ajudá-la?

Caterine: Eu já conversei com ela algumas vezes e acho que ela precisa conhecer outras

pessoas que passam pela mesma situação. Acho que você seria uma ótima pessoa para

apresentá-la.

Cris: Claro, eu adoraria ajudar. Como ela se chama?

Caterine: Gabriela.

Cris: Ok, vou tentar entrar em contato com ela e ver se podemos marcar alguma coisa...

Caterine: A gente pode marcar sim, eu marco com ela e com você e apresento os dois.

Cris: Ok, por mim tá combinado.

Caterine: Perfeito! Tenho certeza de que ela vai adorar conhecer você.

Cris: E eu também vou gostar de conhecê-la. É sempre bom ter mais pessoas para

conversar sobre esses assuntos.

Caterine: Com certeza. E obrigada por me ajudar com isso.

Cris: De nada. Estou sempre aqui para ajudar meus amigos.

A cena termina com os dois continuando a conversa animadamente enquanto tomam seus

cafés.

CORTE:

CENA 04. AGÊNCIA DE EMPREGOS. INT. DIA

Clara entra na agência de empregos, com um olhar determinado em seu rosto. Ela se dirige

até o balcão e é atendida por uma funcionária.

Funcionária: Bom dia, em que posso ajudá-la?

Clara: Bom dia, eu estou procurando emprego. Você tem alguma vaga disponível?

Funcionária: Sim, temos algumas vagas em aberto. Você pode preencher esse formulário

com seus dados e experiências profissionais?

Clara preenche o formulário e o entrega para a funcionária.

Funcionária: Muito bem, vamos analisar suas informações e ver se temos algo que possa

se encaixar com seu perfil.

Clara aguarda ansiosamente enquanto funcionária analisa seu formulário.

Funcionária: Sinto muito, no momento não temos nenhuma vaga que se encaixe com seu

perfil. Mas você pode deixar seu currículo conosco e entraremos em contato caso surja

alguma oportunidade.

Clara: Tudo bem, obrigada.


Clara sai da agência de empregos, com uma expressão de desânimo em seu rosto.

CORTE:

CENA 05. AGÊNCIA DE EMPREGOS. INT. DIA

Clara entra em outra agência de empregos, determinada a conseguir uma vaga, mas ao

chegar lá é atendida por uma funcionária racista que a ignora e a trata de forma ríspida.

Funcionária: O que você quer aqui? Procurando por emprego?

Clara percebe a hostilidade da funcionária e tenta manter a calma.

Clara: Sim, estou procurando por emprego. Vi uma vaga em aberto no site de vocês.

Funcionária: E qual é a sua formação?

Clara: Eu queria algo relacionado ao setor dos restaurantes, gastronomia, pode ser como

garçonete, assistente de cozinha, etc.

Funcionária: Ah, e aí você acha que vai conseguir um emprego assim tão fácil? Sabe

quantos currículos recebemos todos os dias?

Clara sente o tom debochado da funcionária e decide confrontá-la.

Clara: Eu não estou aqui para brincadeiras. Se a vaga ainda está em aberto, eu tenho o

direito de concorrer a ela, independentemente da minha formação ou... Cor de pele.

Funcionária: Olha, eu não tenho nada contra você, nem contra o fato de você ser uma

mulatinha, mas acho que você não se encaixa no perfil que estamos procurando.

Clara sente a raiva subir e decide que não vai se calar diante do preconceito.

Clara: Então você está me dizendo que não posso concorrer à vaga porque sou negra?

Funcionária: Não é bem isso...

Clara: É isso sim! E sabe o que eu vou fazer? Vou denunciar essa agência por racismo, e

tenho certeza que vou encontrar outras pessoas que também foram vítimas dessa

discriminação. Vocês vão ter que enfrentar as consequências.

A funcionária começa a se sentir intimidada com a postura firme de Clara.

Funcionária: Olha, calma. Eu não quis dizer isso. Vamos conversar melhor sobre a vaga.

Mas Clara já tinha decidido que não queria trabalhar em uma empresa que não a respeitava

como profissional e como ser humano.

Clara: Não, obrigada. Eu não quero mais trabalhar nesse lugar horroroso. E isso não vai

ficar assim! Eu vou denunciar o racismo dessa agência!

Clara sai da agência, com a cabeça erguida, decidida a não se deixar abater pelo

preconceito.



CORTE:

CENA 06. FACULDADE. AUDITÓRIO. INT. DIA

Yedda está no palco, dando sua palestra. Milton assiste orgulhoso da plateia, enquanto

Yedda fala sobre os perigos das inteligências artificiais na nossa sociedade.

Yedda: ...e é por isso que devemos ter cuidado com o avanço da tecnologia, pois ela pode

ser usada de maneira desumana e desestabilizar a sociedade como um todo.

A plateia aplaude enquanto Yedda agradece. De repente, um homem alto e elegante, o Dr.

O'Bryan, sobe ao palco e se aproxima de Yedda, deixando Milton incomodado.

Dr. O'bryan: Excelente palestra, Yedda. Eu realmente me sinto inspirado pelo seu trabalho.

Yedda: Obrigada, Dr. O'Bryan. Fico feliz em saber que minha pesquisa pode ajudar a

inspirar outras pessoas.

Dr. O'Bryan se aproxima mais de Yedda e fica muito próximo, quase a beijando. Milton,

ciumento, sobe no palco e dá um soco em Dr. O'Bryan na frente de todos.

Milton: Tira as mãos da minha esposa!


A plateia fica em choque enquanto Yedda tenta acalmar Milton.

Yedda: Calma, Milton, o Dr. O'Bryan só estava me cumprimentando.

Milton: (irritado) Não quero saber. Ninguém chega tão perto de você assim!

Dr. O'bryan: (se afastando) Eu sinto muito, não tive a intenção de ofender.

Milton: (irônico) Claro que não, né? (olhando para Yedda) Vamos embora.

Yedda: Não! Você tem noção do que acabou de fazer? Da vergonha que me fez passar

agora? Pede desculpas pro Dr. O'Bryan!

Milton: Que? Isso só pode ser piada! Você tem noção que esse sujeito quase te beijou na

minha frente?

Yedda: Ele tava me comprimentando! E você tem razão, vamos embora, pra gente

conversar disso em casa.

Yedda sai do palco com Milton atrás. A plateia fica em silêncio.

CORTE:

CENA 07. OFICINA. INT. DIA

Juliano está concentrado em consertar um carro enquanto Cassandra entra na oficina. Ela

se aproxima dele, sedutora.

Cassandra: Olá, Juliano.

Juliano: O que você quer aqui, Cassandra?

Cassandra: (se aproximando dele) Eu queria te ver.

Juliano tenta se afastar, mas Cassandra o puxa para perto e o beija. Ele fica surpreso no

início, mas acaba correspondendo.

Cassandra: (sussurrando no ouvido de Juliano) Eu sempre quis fazer isso.

Juliano: (afastando-a) Cassandra, eu não posso fazer isso. Eu não quero me envolver com

você.

Cassandra: (provocando-o) Ah, qual é, Juliano? Você não pode negar que ainda sente algo

por mim.

Juliano: (irritado) Eu não sinto nada por você, Cassandra. Você não devia estar aqui. Eu

estou trabalhando.

Cassandra: (saindo) Tudo bem. Eu só queria tentar. Mas saiba que você ainda vai ficar

comigo, ficar de verdade...

Juliano volta para o carro, mas sua expressão revela que ele ainda está pensando no beijo

de Cassandra.

CORTE:

CENA 08. CASA YEDDA. SALA. INT. DIA

Yedda e Milton estão sentados no sofá, visivelmente tensos e preocupados. Ambos estão

com olheiras e parecem ter discutido a noite inteira.

Yedda: (visivelmente cansada) Milton, eu não posso mais continuar assim. Nós não

estamos mais nos entendendo.

Milton: (com a voz alterada) É claro que não estamos nos entendendo! Ele quase te beijou

na minha frente!

Yedda: (tentando se defender) Eu nunca faria isso com você!

Milton: (irritado) Mas você estava lá, com ele, se aproximando dele!

Yedda: (frustrada) Ele me deu um elogio, Milton! Eu não fiz nada de errado!

Milton: (exaltado) Você sabe muito bem que ele queria mais do que um elogio! E você ainda

por cima fica defendendo ele!


Yedda: (olhando para baixo, desanimada) Eu não sei mais o que fazer, Milton. Eu não quero

brigar com você, mas não consigo viver assim.

Milton: (percebendo o tom de tristeza na voz de Yedda) Eu também não quero brigar,

Yedda. Eu amo você.

Yedda: (encarando Milton nos olhos) Eu também amo você, Milton. Mas acho que chegou a

hora de seguirmos caminhos diferentes.

Milton encara Yedda por alguns segundos, sentindo a tristeza e a dor da situação. Ele se

levanta do sofá e se aproxima de Yedda, pegando suas mãos.

Milton: (com os olhos marejados) Promete que vamos manter o respeito um pelo outro e

que vamos tentar fazer essa separação ser o menos dolorosa possível?

Yedda: (com a voz embargada) Eu prometo, Milton. Eu nunca quis te magoar.

COMEÇA A TOCAR: ESPUMAS AO VENTO



Milton beija a testa de Yedda e sai do apartamento, deixando Yedda sozinha e triste. Yedda

senta no sofá e começa a chorar, desolada.

CORTE:

CENA 09. CAFETERIA. INT. NOITE

Gabriela está sentada em uma mesa com Caterine, conversando animadamente. Elas estão

cercadas por pessoas, algumas rindo, outras falando ao telefone. De repente, Cris, um

amigo de Caterine, entra na cafeteria.

Caterine: (sorridente) Olha quem chegou! Gabriela, esse é o Cris. Cris, essa é a Gabriela.

Cris: (sorrindo) Prazer em conhecê-la, Gabriela.

Gabriela: (retribuindo o sorriso) Prazer, Cris.

Caterine: (entusiasmada) Cris é de gênero fluído. Aliás, ele foi uma das primeiras pessoas

com quem conversei sobre essas questões de gênero.

Cris: (animado) Sim, e agora eu estou aqui pra te ajudar a entender melhor sobre a sua

própria identidade.

Gabriela parece surpresa, mas interessada.

Gabriela: (curiosa) Como assim?

Cris: (explicando) Bem, Caterine me contou que você está em dúvida quanto à sua

identidade de gênero. Eu também já passei por isso, então eu posso te ajudar a entender

melhor o que está acontecendo com você.

Gabriela parece um pouco constrangida.

GABRIELA: (tímida) Ah, não sei se quero falar sobre isso agora...

Caterine: (encorajando) Vai, Gabriela, não tenha medo. Eu e Cris estamos aqui pra te

ajudar.

Gabriela respira fundo e decide falar.

Gabriela: (confiante) Tudo bem, eu aceito a ajuda de vocês.

Cris e Caterine sorriem, felizes em poder ajudar. Close final em Gabriela.

CORTE:

FIM DO CAPÍTULO 11





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